Alimentação

Sustentabilidade no cardápio? Voluntariado em cozinhas conscientes!

Destaque

A participação na cozinha não “ensina” apenas a cozinhar, mas cria o “gostar de cozinhar” e de cuidar. Há uma conexão com comida de verdade por meio de atividades culinárias. Além disso, todo o sustento da ecologia externa e da sustentabilidade que muito se busca, depende também do despertar de nosso lado cuidador e da prática efetiva da cooperação.

Flores
Imagem: Valéria Amores

A “água certa” pode ser um serviço voluntário em uma cozinha!

Ir para a cozinha é uma sábia decisão. Na cozinha, existe a experiência de reeducação do nosso ego e uma conexão com nossa ecologia interna, que faz emergir nosso jeito mais “eco” de ser.

Uma experiência na cozinha pode despertar o potencial criativo, curativo e cuidar de todo esse cenário interno, de forma interessante: Ir para uma cozinha compartilhada ou uma cozinha ecológica com rotinas bem definidas, uma cozinha que atenda a sociedade gratuitamente ou a grupos específicos, uma cozinha temporária de eventos, de campanhas de ajuda, mostra exatamente que um movimento de restauração do planeta e dos seres, é possível e vem da humildade e da união de ações.

Cozinha voluntária
Voluntariado em cozinha de retiros culinários e na cozinha da Val. Imagem: Valéria Amores

O que se experimenta no voluntariado em cozinhas

1. Há horários interessantes estabelecidos
Esteja pronto para ver o sol nascer e a dormir cedo. Essa mudança para alguns pode parecer desconfortável, mas reconecta o ser com o ciclo natural do dia. Você amanhece junto, pouco a pouco e acaba apreciando uma bela paisagem. Exercita contemplação, disciplina e comprometimento com uma ideia de mudança real.

Nascer do sol
Imagem: Valéria Amores

2. Mãos na terra
Muitos lugares com cozinhas coletivas ou de suporte a retiros, eventos, ou ecovilas, que, por exemplo, possuem horta. Então é bem interessante a ação de ir coletar verduras, flores comestíveis, ou mesmo frutas. Essa conexão com o orgânico e a participação na colheita do alimento dá ainda mais entendimento de que culinária começa lá, no semear. Tudo é etapa, cuidado e cooperação. Nossa com outros, nossa com o meio e sim, do meio conosco, quando respeitado.

Plantar
Imagem: Valéria Amores

3. Controle sustentável e inteligente do estoque
Prepare-se para aprender sobre medidas, quantidades, reabastecimento, uso de embalagens ecológicas, higiene. Esse entendimento traz a importância do senso de medida para que de fato aja consumo consciente e zero desperdício. Aprender a usar somente o necessário e se reeducar é um presente. Aqui, está implícita ainda, uma educação financeira e o bom uso dos recursos. Você vai controlar e não esbanjar sem planejamento. Vai perceber que conservação de itens, muitas vezes não exige luxo, mas criatividade, reuso e limpeza.

4. Manejo de resíduos
Muitos destes locais possuem minhocário, fazem compostagem, usam resíduos em receitas, compartilham entre os voluntários para que nada se perca. Saber o que aproveitar e o que não, é uma lição e tanto. Aqui entra, certamente, o separar correto do lixo. Estes locais possuem lixeiras ecológicas. O êxito do sistema instalado depende também da conscientização dos voluntários. Imagine absorver a ideia em dois ou três dias sem a mania de “uma hora eu pratico”? Vai além folheto de conscientização para a ação.

5. Consumo de itens da época mais consumo dos produtores locais
Quase tudo que é usado nestas cozinhas especiais, vem de comércio local. Salvo o que existe na horta e é suficiente. Isso fortalece economia das comunidades e cria bons vínculos cooperativos. Além disso, receitas com legumes, verduras e frutas da época mantêm a conexão com o ritmo da natureza.  Aprende-se o que consumir sem desestabilizar o meio. Alimentos de época são mais baratos e até mais saborosos.

Produtores
Imagem: Creative Commons

6. Limpeza com produtos ecológicos e uso inteligente e responsável da água
Cozinhas como estas possuem propósitos bem especiais e certamente vão optar por uma limpeza mais ecológica do espaço. Nada que agrida o meio e os seres. A água da chuva bem usada nas cisternas e a água das torneiras usadas com o bom senso de medida.

7. Energia solar e luz natural
Muitas já fazem uso de placas solares e a maioria mantém uma boa iluminação para os afazeres culinários durante o dia. Mais uma forma de respeito ao meio. Há luz de sobra lá fora e, também, no sol dos corações que se voluntariam.

8. Inspiração dos presentes
Os que recebem o alimento que vem destas cozinhas percebem a dinâmica do cuidado que existe durante todo pré-preparo e preparo. Percebem o carinho e se surpreendem com o sabor da simplicidade. Ficam encantados com a ideia de cuidar efetivamente do meio e carregam isso com eles. Certamente alguma coisa muda na cozinha da casa deles depois.  Uma mudança é fruto de uma experiência, de um exemplo prático. Acontece com todos.

Biscoitos
Imagem: Valéria Amores

9. Prática do respeito e não violência a todos os seres
Muitas destas cozinhas são vegetarianas ou veganas. Comida livre de crueldade e feita com amor. Além disso, conviver com pessoas diferentes também ensina a ouvir, silenciar, a deixar a ideia de ter sempre razão. É o plantar de sementes da boa convivência. Afinal, um planeta preservado precisa ser também um planeta de gente que se entende.

10. Vivência genuína sobre ser um tutor do planeta e não um possuidor
Ao lidar com rotinas de cuidado com os outros, com os recursos e consigo mesmo, há uma experiência de integração. Deixa-se a ilusão de que somos donos de algo e essa percepção é libertadora. Aprende-se muito sobre ser parte da teia da vida.

Amor
Imagem: Valéria Amores

Bem, a receita desta vez é diferente: proponho que você me envie uma e então lhe envio outra. Mas que tal uma receita vegana de alguma cozinha em que você se voluntariou por aí? Se ainda não teve essa experiência, busque em ecovilas ou ONGs. Vale à pena semear o cuidado na prática!

Você pode enviar a receita para o e-mail: valeria.f.amores@gmail.com

 

 

 

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