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Eles fazem a reciclagem acontecer! Conheça a importância dos Catadores de Materiais Recicláveis

79 milhões de toneladas! Essa é a impressionante quantidade de resíduos sólidos urbanos (composto por lixo doméstico e resíduos de limpeza urbana) gerados no Brasil no ano de 2018, de acordo com dados do Panorama dos Resíduos Sólidos, relatório feito pela Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais). Isso significa que, em média, cada brasileiro produziu 380 kg de RSU (resíduos sólidos urbanos) no ano de 2018.

Ainda de acordo com o relatório da Abrelpe, 92% desse total (o que equivale a 72,7 milhões de toneladas) foram coletados, o que ainda deixa 8% do total destes resíduos sem coleta (ou seja, na prática, 6,3 milhões de toneladas de resíduos urbanos não são coletados). Dos 92% de RSU coletados, 59,5% foram destinados adequadamente para aterros sanitários (o que equivale a 43,3 milhões de toneladas), segundo o referido relatório.

Reprodução: Wikimedia / Imagem: Marcello Casal Jr. – Agência Brasil

De acordo com a PNRS (Política Nacional de Resíduos Sólidos) – instituída pela Lei 12.305/2010, os catadores e catadoras de materiais recicláveis possuem um papel crucial para a implementação e funcionamento desta política pública. Por isso, não teríamos como iniciar nossa Semana Temática de Reciclagem, sem falar desses importantes profissionais tão primordiais para a reciclagem no Brasil. Sim! É importante ressaltar que esta atividade profissional é reconhecida, desde 2002, pelo (hoje extinto) Ministério do Trabalho e Emprego – atualmente Secretaria de Trabalho, subordinada ao Ministério da Economia.

No entanto estes profissionais ainda encontram diversas dificuldades para exercerem as atividades de coleta de materiais recicláveis. A primeira delas – e também a mais significativa – diz respeito à invisibilidade social sofrida pela categoria, já que, os catadores e catadoras continuam, em sua maioria, exercendo suas atividades na informalidade, principalmente os que trabalham de forma individual. Outra dificuldade enfrentada pela categoria são as condições de trabalho precárias e “muito insalubres, geralmente sem equipamentos de proteção, resultando em alta probabilidade de adquirir doenças”. Isto porque muitas vezes a atividade de coleta de materiais recicláveis é feita em aterros e lixões, o que leva a exposição dos catadores e catadoras “a metais e substâncias químicas, a agentes infecciosos como o vírus da hepatite B, doenças respiratórias, osteomusculares e lesões por acidentes” (GOUVEIA, 2012). Além disso, também há a exploração desses trabalhadores por atravessadores, “que enquanto comerciantes, adquirem esse material por preços irrisórios, caracterizando uma relação de exploração desses indivíduos” (SINGER, 2002 apud PEREIRA; SECCO; CARVALHO, 2014).

Segundo pesquisa realizada pelo IPEA, com base nos dados do Censo 2010, constatou-se a existência de aproximadamente 388 mil catadores de materiais recicláveis em todo o território brasileiro. Entretanto, o Movimento dos Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR) acredita que existem de 800 mil a 1 milhão de catadores em atividade. – Informações do Anuário da Reciclagem da ANCAT.

Imagem: Agência Envolverde

Mesmo com tantas dificuldades, de acordo com o Anuário da Reciclagem da ANCAT (Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis), no ano de 2018 foram coletadas 67 mil toneladas de materiais recicláveis por cooperativas e associações de catadores, o que correspondeu à movimentação econômica de R$ 32 milhões de faturamento dessas organizações acompanhadas pela ANCAT.

O trabalho dos catadores e catadores de materiais recicláveis traz vários benefícios para o meio ambiente, para a nossa saúde e até para o nosso bolso, pois o processo de reciclagem reduz a poluição do solo, da água e do ar, colabora para a redução da emissão de GEE (gases de efeito estufa), reduz o custo de produção; e diminui a exploração de recursos naturais.

Existem várias iniciativas que atuam com o propósito de combater a invisibilidade social sofrida por esses trabalhadores tão importantes e ajudá-los a ter uma renda condizente com o esforço e trabalho árduo que desenvolvem todos os dias para recolher materiais recicláveis. Uma dessas iniciativas é o Cataki (já falamos sobre ele aqui) – uma plataforma digital desenvolvida para aproximar pessoas com consciência ambiental e catadores de materiais recicláveis. O Cataki foi criado pelo Pimp my Carroça, um movimento maravilhoso que vale a pena acompanhar, pois promove a visibilidade social dos catadores, realiza ações criativas com o uso do grafite para melhorar a autoestima desses trabalhadores, e, principalmente, possibilita que eles compreendam o quão valiosa é a atividade que desempenham.

Print do site Pimp my Carroça

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Fontes:
1. Panorama dos Resíduos Sólidos da Abrelpe – clique aqui para acessar.
2. Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais) – clique aqui para acessar.
3. Lei 12.305/2010, que instituiu a PNRS –  clique aqui para acessar.
4. MMA (Ministério do Meio Ambiente): Catadores de Materiais Recicláveis. Para acessar a matéria, clique aqui.
5. GOUVEIA, Nelson. Resíduos sólidos urbanos: impactos socioambientais e perspectiva de manejo sustentável com inclusão social. Ciência e Saúde Coletiva (Impresso) JCR, v. 17, p. 1503-1510, 2012. Para acessar o artigo, clique aqui.
6. PEREIRA, Ana Carolina; SECCO, Letícia; CARVALHO, Ana Maria. A Participação das Cooperativas de Catadores na Cadeia Produtiva dos Materiais Recicláveis: perspectivas e desafios. Psicologia Política. vol. 14. nº 29. pp. 171-186. jan. – abr. 2014. Para acessar o artigo, clique aqui.
7. Anuário da Reciclagem da ANCAT – clique aqui para acessar.
8. ANCAT (Associação Nacional dos Catadores e Catadoras de Materiais Recicláveis) – clique aqui para acessar.
9. Agência Brasil: Brasil gera 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano. Para acessar a matéria, clique aqui.

 

 

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