O Caminho para a Sustentabilidade Chinesa – Saiba como o país está investindo na área!

A China tem realizado progressos significativos na mitigação da crise ambiental provocada pela formação histórica e cultural. O Império do Meio tem sua terra sendo cultivada intensamente há mais de 8.000 anos! Os impactos cumulativos desta exploração de recursos naturais aliados às práticas agrícolas ineficientes causaram pobreza generalizada e degradação ambiental no princípio de 1900.

Cenário Apocalíptico

No século XX, inundações, secas e outras catástrofes afetaram a maioria da população do país, incluindo a Grande Fome Chinesa de 1959 a 1961, que causou entre 20 milhões e 45 milhões de mortes. Após a reforma econômica de 1978 e diante deste cenário, o governo estabeleceu 6 programas de sustentabilidade. No entanto, com condições modestas de investimento a terra continuava a se deteriorar.

2. Grande Fome’ de Mao Tsé-tung
Imagem do período que ficou conhecido como a Grande Fome de Mao Tse Tung. / Imagem: Creative Commons

Na década de 1990, a cobertura florestal natural estava abaixo de 10% e cerca de 5 bilhões de toneladas de solo erodiam anualmente, causando problemas significativos de sedimentação e qualidade da água. No Planalto de Loess, as partes mais afetadas estavam perdendo 100 toneladas de solo por hectare a cada ano por conta da erosão, e o Rio Amarelo que fluía por ele tinha a duvidosa honra de ser a hidrovia mais turva do mundo. Os solos agrícolas estavam esgotados e a produtividade diminuía, as áreas de gado tinham excesso de pastagem e mais de um quarto da China era desertificada.

1. Yellow River
Água poluída e lixo se misturam na margem do Rio Amarelo em Lanzhou, China. / Imagem: Aaron Jaffe / Circle of Blue

Entre 1990 e 2000, a China sofreu uma série de desastres naturais causados ​​pela gestão insustentável da terra, incluindo a seca do Rio Amarelo em 1997, as enchentes do Rio Yangtze em 1998 e as tempestades de poeira que afligiram Pequim em 2000.

Esforço Monumental

A emergência era tamanha que a partir de 1998, a China intensificou dramaticamente seu investimento no setor de sustentabilidade, incluindo o lançamento de 11 novos programas. O portfólio incluiu programas icônicos, como o Programa de Grãos (Grain for Green Program), o Programa de Conservação de Florestas Naturais e o Programa Three North Shelter belt Program, que visava retardar e reverter a desertificação, plantando uma zona verde de amortecimento de 4.500 km.

3. Desertificacao
Terra Desertificada na China. / Imagem: Greentumble.com

Os programas também incluem medidas como a melhoria dos meios de subsistência, pagando aos agricultores para implementarem ações sustentáveis em suas terras. Na China, incentivo financeiro é uma das maneiras eficientes de criar mudanças de comportamento. Outro importante fator foi o fornecimento de habitação e trabalho não agrícola nas cidades em expansão da China, isso também impulsionou a renda familiar e reduziu a pressão sobre a terra.

4. Three North Shelter belt Program
Programa Three North Shelterbelt Forest em Qipanshan, distrito de Ping Lu, cidade de Shuozhou, Província de Shanxi. / Imagem: Chinese National Forestry and Grassland Administration

Mais de 350 bilhões de dólares foram investidos nestes programas abordando mais de 620 milhões de hectares (65% da área terrestre da China). Esse esforço, embora imperfeito, é globalmente incomparável. Os 16 programas de sustentabilidade introduzidos até hoje tem como objetivo:

  • Redução da erosão, sedimentação e inundação nos rios Yangtze e Yellow (Rio Amarelo);
  • Conservação de florestas no nordeste da China;
  • Diminuir a desertificação no norte seco e no sul rochoso do país;
  • Reduzir o impacto das tempestades de poeira na capital, Pequim;
  • Aumentar a produtividade agrícola no centro e leste da China.

O Resultado

Após 20 anos, os resultados desses programas foram extremamente positivos. O desmatamento diminuiu e a cobertura florestal dobrou, ultrapassando 22%. Os campos de pastagens também se regeneraram. As tendências de desertificação se inverteram em muitas áreas e, embora impulsionadas principalmente pela mudança climática, os esforços de restauração ajudaram.

6. Pequim
Partes do distrito empresarial no Centro de Pequim, coberto por partículas de areia. / Imagem:: Nicolas Asfouri / AFP Photo

A erosão do solo diminuiu substancialmente, qualidade da água e a sedimentação dos rios melhoraram dramaticamente. Os sedimentos do Rio Amarelo caíram em 90% e o Yangtze não fica muito atrás. A produtividade agrícola aumentou através de ganhos de eficiência e avanços tecnológicos. As comunidades rurais estão em melhor situação agora e a fome desapareceu em grande parte.

5. Water Conservation Forest
Water Conservation Forest Project em Yongheguan, Condado de Yonghe da Província de Shanxi. / Imagem: Chinese National Forestry and Grassland Administration

Dito isto, também houve consequências não intencionais. O reflorestamento onde árvores nunca cresceram secou os recursos hídricos e levou a altos índices de fracasso nas plantações. Mas, para dar crédito aos esforços, o vasto investimento deu grandes passos na sustentabilidade da população rural e do mundo natural.

Lições da Experiência da China

Não pretendo fingir que a China é o melhor exemplo na área de sustentabilidade. A poluição muito séria do ar, da água e dos solos, a expansão urbana, o desaparecimento das zonas úmidas costeiras e o comércio ilegal de animais silvestres ainda cobrem a nação mais populosa do mundo. Também é preciso tomar cuidado para não transferirmos os problemas domésticos chineses para o exterior.

Embora o contexto do país seja único, a China tem um caminho definido, um objetivo comum a ser alcançado e ações efetivas sendo implementadas. Em contrapartida, me parece que o governo brasileiro se recusa admitir as devastações naturais do nosso país e de se comprometer com a sustentabilidade como um investimento público em larga escala e de longo prazo. Como apresentei acima e nos meus últimos artigos (A China é capaz de solucionar a crise de poluição do ar?; e Desafios da Sustentabilidade na China) o Presidente Chinês Xi Jinping tem claramente traçado um caminho para a sustentabilidade e uma civilização ecológica, e o nosso presidente? O que anda fazendo?

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SOUZA, Maria Eduarda. O Caminho para a Sustentabilidade Chinesa – Saiba como o país está investindo na área!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/o-caminho-para-a-sustentabilidade-chinesa-saiba-como-o-pais-esta-investindo-na-area.html>.

Vamos evitar o desperdício de alimentos? Aprenda a fazer salpicão de casca de melancia!

O desperdício de alimentos ainda é um sério problema no Brasil, debatido menos do que deveria.

Temos uma cultura bem ilusória sobre abundância. Acreditamos que a famosa fala: “É melhor sobrar do que faltar”, é positiva. O fato, é que quando sobra, também falta de um lado.

Desperdício
Imagem: Agência Envolverde

Se ousarmos perceber com mais atenção e longe de nosso conforto, todo o entorno da cidade em que moramos, o próprio bairro e cenários expostos no país, vamos notar uma quantidade significativa de pessoas passando fome e em condições de desnutrição.

Comida desperdiçada
Imagem: Dom Total

A má distribuição de renda e recursos, a pouca ou nenhuma consciência sobre consumo, favorece o crescimento de um grande cenário de escassez e configura um grande problema social. Diante disso, torna-se fundamental um trabalho ativo e profundo sobre nossos hábitos alimentares na cozinha da própria casa e uma reflexão honesta sobre padrões de consumo que propagamos. Sempre que a ideia é cozinhar e comprar, vale refletir  a partir das seguintes perguntas:

  • Eu realmente preciso comprar isso?
  • O que posso fazer para usar da melhor forma o que já tenho em meu armário e geladeira, criando, assim, uma saborosa refeição com quase nada ou nada de desperdício?

Sabemos que o aspecto geral e mais grave não muda apenas com isso e que dependemos de políticas públicas, mas, quando nos colocamos como co-criadores e responsáveis em um cenário social, passamos a nos reeducar e a reeducar todo um sistema de produção e consumo. Quando nos tornamos personificações de soluções e ativos nas práticas sustentáveis cotidianamente, outros certamente despertarão. É disso que se trata empatia, cuidado planetário e cuidado com o outro, que conosco, também compartilha uma existência no planeta.

Repensar
Imagem: Creative Comons

Então, para que você possa se motivar a realizar mudanças e olhar para sua alimentação de um ponto de vista mais social, criativo e responsável, eis uma receita bem saborosa:

 Salpicão de Casca de Melancia

Rendimento:
Serve bem 03 pessoas

Ingredientes:
Casca de uma fatia larga de melancia

Melancia
Imagem: Creative Commons

Complementos:
– 01 cenoura grande em tiras;
– 04 rabanetes médios;
– 01 pera ou maçã pequenas;
– ½ xícara de uva passa branca e roxa

Modo de Preparo:
Corte tiras finas da melancia e leve ao fogo (o suficiente para cobrir a panela). Coloque um pouco de sal na água. Deixe as tiras cozinharem até ficarem moles, esse processo pode ser um pouco demorado. Retire as tiras cozidas da panela, peneire e deixa esfriar. Com uma boa faca, retire aquela a parte verde da melancia. Você escolher deixar a parte verde, no entanto ficará menos macio. Reserve.

Rale a cenoura grande em tiras, os rabanetes, a pêra ou maçã. Junte às tiras de melancia os ingredientes ralados e as uvas passas, misture bem. Acrescente sal a gosto.

Tofu
Imagem: Creative Commons

Molho de tofu para acompanhar:
Bata 180g de tofu com suco de 01 limão, ½ copo de água, 06 azeitonas verdes picadas.  Acrescente 01 colher de sopa de azeite, salsa a gosto e um pouquinho de molho de gergelim. O molho ficará com uma consistência grossinha.

Agora é só regar o salpicão de melancia com o molho de tofu!

Perfeito para uma refeição diferente e também para acompanhar um bom hambúrguer vegano.

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AMORES, Valéria. Vamos evitar o desperdício de alimentos? Aprenda a fazer salpicão de casca de melancia!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/vamos-evitar-o-desperdicio-aprenda-a-fazer-salpicao-de-casca-de-melancia.html>.

Construções Sustentáveis: iniciativas que fazem a diferença!

Em busca de estilos de vida cada vez mais sustentáveis, tem aumentado o debate acerca de melhores práticas neste sentido em construções e edificações. O tema sustentabilidade na construção civil permeia todas as etapas do processo, ou seja, desde o projeto até o ciclo de vida do empreendimento. Para isso, é importante considerar aspectos como os recursos naturais que serão empregados, a melhoria na qualidade de vida dos ocupantes, os resíduos que serão gerados e o formato de manutenção.

Apesar da abordagem não ser nova, seja em função da praticidade ou da cultura do mercado, a adoção de medidas que prevejam iniciativas sustentáveis na construção civil ainda não acontece de forma massiva. Itens básicos como captação de água da chuva, uso de energia solar, aproveitamento da luz e ventilação natural ainda ficam subjugados a outros aspectos como design e velocidade do andamento do projeto.

Green Design
Imagem: Creative Commons

O conceito de construção sustentável é muito bem explicado, de forma ampla, pelo Ecycle: “É uma forma de se construir casas e edifícios, harmonizando-os com o meio ambiente. Ela procura, durante toda sua produção e pós-construção, amenizar os impactos à natureza, reduzindo o máximo possível os resíduos e utilizando com eficiência os materiais e bens naturais. Além disso, é imprescindível a aplicação de materiais recicláveis e de menor impacto ambiental”. No site do Ecycle (clique aqui para saber mais) é possível conhecer um pouco mais sobre alguns materiais sustentáveis que podem ser empregados na obra, como o concreto reciclado e as telhas ecológicas.

É importante lembrar que muitas iniciativas sustentáveis podem ser adotadas não apenas no momento da construção, mas também em reformas e melhorias. Além disso, adquirir produtos e materiais que tenham certificado de origem que atestem a produção através de uma cadeia “limpa” na fase de construção é outra ação significativa.

Para ter garantia de que o produto vem de um manejo florestal responsável, que respeita os recursos do meio ambiente e os direitos dos trabalhadores, é preciso que o produto tenha certificação FSC. O FSC garante a rastreabilidade do produto florestal desde o manejo florestal responsável até o consumidor final, por meio da certificação de Cadeia de Custódia. / Imagem: FSC Brasil

Para atestar a sustentabilidade de uma edificação há atualmente duas certificações ambientais utilizadas no Brasil: o LEED – Lidership in Energy and Environmental Design, emitido pelo United States Green Building Concile e o Selo AQUA (Alta Qualidade Ambiental), certificação brasileira baseada na francesa HQE (Haute Qualité Environnemetale) e implantada pela Fundação Vanzolini.

Selo LEED
Imagem: UFPEL

O Ministério do Meio Ambiente possui em seu site área destinada ao tema “Construções Sustentáveis”, bem como Urbanismo e Cidades Sustentáveis, onde é possível entender um pouco mais sobre os assuntos. Além disso, o Sebrae também aborda as normas da ABNT para tornar uma construção sustentável.

Você conhece exemplos de edificações sustentáveis? Então conta pra gente!

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LOPPNOW, Stephani. Construções Sustentáveis: iniciativas que fazem a diferença!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/construcoes-sustentaveis-iniciativas-que-fazem-a-diferenca.html>.

Estamos criando redes de Fast Schools?

Qual importância de uma educação slow em um mundo cada vez mais fast?

Não faltam indícios de que nosso mundo está em um ritmo cada vez mais acelerado: informação acessível praticamente o tempo todo, processos produtivos que funcionam ininterruptamente e pessoas que não sabem o que é ficar uma tarde inteira apreciando apenas o ócio.

Pressa
Imagem: Creative Commons

Vejo reflexos dessa pressa o tempo todo nas escolas. Pais que querem seus filhos alfabetizados antes dos 4 anos de idade, crianças que não têm tempo de brincar e currículos com conteúdos extremamente empacotados e padronizados para maximizar o desempenho dos alunos e da escola sem perder tempo.

Pressão
Imagem: Creative Commons

O educador Maurice Holt escreveu um artigo no qual ele compara escolas a restaurantes.

“A função do alimento é nutrir o corpo enquanto a da educação é nutrir a mente”, diz o autor.

Se a escola é como um restaurante, hoje muitas delas fazem parte de uma grande rede de fast food. Rapidez e padrão em entregar produtos e conteúdos; maximização de lucros e de desempenho escolar; comidas e currículos pouco nutritivos; funcionários e alunos submissos e pouco críticos.

Repensar a educação
Imagem: Creative Commons

Em contrapartida, surgem movimentos e escolas que se propõe a fazer diferente. A ressignificar seu espaço e as experiências de seus alunos e comunidade. Escolas que buscam formar seres críticos, individuais e únicos, valorizando as diferenças e o potencial de cada um.

Quer uma sugestão para sua escola desacelerar? Comece uma horta.

Contato
Imagem: Creative Commons

A prática de preparar a terra, plantar e cuidar de uma beterraba até que ela esteja no momento certo de colher quebra totalmente com a noção de tempo com que as crianças estão acostumadas. O tempo da natureza é outro e não conseguimos controlá-lo. Eles terão que lidar com a frustração de uma planta morrer, compreenderão (na prática) a sazonalidade dos alimentos e valorizarão muito mais o processo do que apenas o resultado final. E tenho certeza que será uma experiência transformadora não apenas para os alunos, mas para educadores, famílias e toda comunidade escolar.

Que tal termos pressa para desacelerar?

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RIBEIRO, Livia. Estamos criando redes de Fast Schools?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/estamos-criando-redes-de-fast-schools.html>.

Os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil

Em 2015 realizou-se a 21ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas, conhecida como COP21, na cidade de Paris, com a presença de lideranças e governantes mundiais.

As questões diplomáticas postas nas negociações climáticas, principalmente, após a assinatura do Protocolo de Kyoto, em 1997, se relacionavam com a distinção entre os países desenvolvidos incluídos no Anexo I do documento, entre eles, os Estados Unidos e aqueles em desenvolvimento que não estavam inseridos, mas, por outro lado, representavam significativa parcela nas emissões de gases de efeito estufa como China, Índia, Brasil, África do Sul, Indonésia, Coréia do Sul, México, dentre outros.

Imagem: Creative Commons

Mediante o cenário descrito, buscou-se na capital francesa avançar no tema das mudanças climáticas, o que foi concretizado com a assinatura do Acordo de Paris, que entrou em vigor um ano após a ratificação de 55 Estados-parte e a Decisão 1/CP.21 em que se estabeleceu um conjunto de diretivas sobre a regulamentação do regime climático, sendo mais extensa e detalhada do que o próprio acordo. Em Paris, celebrou-se não um acordo climático perfeito, mas o possível mediante as circunstâncias.

Acordo de Paris – Art. 2:
1. O presente Acordo, no reforço da implementação da Convenção, incluindo seu objetivo, visa a fortalecer a resposta global à ameaça das mudanças climáticas, no contexto do desenvolvimento sustentável e os esforços para erradicar a pobreza, incluindo ao: (a) Manter o aumento da temperatura média global bem abaixo dos 2 °C acima dos níveis pré-industriais e buscar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5 °C acima dos níveis pré-industriais, reconhecendo que isso reduziria significativamente os riscos e impactos das mudanças climáticas; (b) Aumentar a capacidade de adaptar-se aos impactos adversos das mudanças climáticas e fomentar a resiliência ao clima e o desenvolvimento de baixas emissões de gases de efeito estufa, de uma forma que não ameace a produção de alimentos; (c) Promover fluxos financeiros consistentes com um caminho de baixas emissões de gases de efeito estufa e de desenvolvimento resiliente ao clima.
2. O presente Acordo será implementado para refletir a igualdade e o princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas e respectivas capacidades, à luz das diferentes circunstâncias nacionais.

A preocupação com as alterações climáticas definidas pela necessidade de manutenção “da temperatura média global abaixo do 2ºC acima dos níveis pré-industriais” e limitação do “aumento da temperatura a 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais” demonstra, dessa forma, o interesse em avanços efetivos sobre a questão em escala global e, especificamente, pelos Estados-parte.

A obrigatoriedade do Acordo de Paris é outra questão posta. De acordo com Tiago Antunes, o documento possui natureza de tratado definido pela Convenção de Viena de 1969, o que significa não ser “nem um compromisso estritamente político, nem de um ‘gentlemen’s agreement’, nem de uma mera proclamação de intenções ou de um exemplo de soft law. Desse modo, o autor considera ser um instrumento jurídico devidamente formalizado e “gerador de obrigações” nos termos do direito internacional.

A discussão acerca da obrigatoriedade do Acordo de Paris recai sobre o artigo 3 que trata sobre as contribuições nacionalmente determinadas (Intended Nationally Determined Contribution – iNDC), na medida em que, a versão inglesa utiliza o termo should e a tradução portuguesa indica que as partes “deverão realizar e comunicar esforços ambiciosos” como “resposta global à mudança do clima”. O dispositivo determina também que “os esforços de todas as Partes representarão uma progressão ao longo do tempo, reconhecendo a necessidade de apoiar as Partes (países) em desenvolvimento na implementação efetiva”.

Momento da celebração do acordo na COP21. / Imagem: UNFCCC

Diante do contexto referido, o Brasil encaminhou ao Secretariado da Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) a pretendida iNDC, na qual se compromete “a reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 37% abaixo dos níveis de 2005, em 2025”“reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 43% abaixo dos níveis de 2005, em 2030”, além de envidar “esforços para uma transição para sistemas de energia baseados em fontes renováveis e descarbonização da economia mundial até o final deste século, no contexto do desenvolvimento sustentável e do acesso aos meios financeiros e tecnológicos necessários para essa transição”.

Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente do Brasil em 2015, Xie Zhenhua, negociador-chefe da China, e Prakash Javadekar, ministro do Meio-Ambiente da Índia. / Imagem: Rafael Garcia/G1

A opção de compromissos voluntários sobre mitigação dos efeitos climáticos sucede, aliás, a preexistência da Lei Federal nº. 12.187/2009 que versa sobre a Política Nacional sobre Mudança do Clima – PNMC [1]. Destaca-se, nesse ponto, que a PNMC no Brasil determina no que se refere à adaptação o “estabelecimento de critérios de preferência nas licitações e concorrências públicas, compreendidas aí as parcerias público-privadas e a autorização, permissão, outorga e concessão para exploração de serviços públicos e recursos naturais para as propostas que propiciem maior economia de energia, água e outros recursos naturais e redução da emissão de gases de efeito estufa e de resíduos” [2].

Sob tais aspectos, o Brasil, signatário do Acordo de Paris, assumiu diante o plano internacional metas climáticas, inclusive voluntárias, para que o atual cenário seja revertido e, para tanto, prescinde de políticas públicas ambientais consistentes para que essas metas sejam cumpridas.

[1] Decreto Federal nº. 7390/2010 regulamenta a Política Nacional sobre Mudança do Clima. Para acessar, clique aqui.

[2] No plano europeu, a Estratégia Europa 2020 dispôs sobre a meta para os países comunitários europeus reduzirem as emissões de gases de efeito estufa em 20% dos níveis auferidos em 1990, no intuito de reduzir os efeitos nocivos e desenvolver modelos sustentáveis. Prevê, assim, que as medidas podem alcançar a redução de 30% dos níveis de 1990, “desde que os outros países desenvolvidos se comprometam a atingir reduções de emissões comparáveis e os países em desenvolvimento, em função das suas responsabilidades e capacidades respectivas, prestem o devido contributo para que se alcance tal objetivo”. Para acessar, clique aqui.

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PIRES, Felipe. Os compromissos climáticos assumidos pelo Brasil. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/os-compromissos-climaticos-assumidos-pelo-brasil.html>.

18 coisas que gastam muito mais água para serem produzidas do que você imagina

A Pegada hídrica mede o consumo de água direto e indireto da produção de um determinado produto ou alimento. Isto é, é a conta de quanto foi o consumo de água envolvido em toda sua cadeia de produção.

E o consumo de água no planeta está ligado às diversas funções da água, tanto no cotidiano das pessoas, como na produção de alimentos, roupas, papel e entre outros.

Em alguns setores, a quantidade de água usada na produção é imensa e muitas vezes desproporcional. Para produzir um quilo de carne bovina, por exemplo, são gastos 15,4 mil litros de água, 10 mil litros de água gastos para fazer um quilo de algodão. Mas isto não significa que a água usada nos processos de produção dos alimentos seja mineral.

A Water Footprint é uma organização internacional sem fins lucrativos que promove estudos relacionados ao consumo de água. Ela desenvolveu e fundamentou mundialmente um método de cálculo de sua pegada hídrica. De acordo com a Water Footprint, o consumo de água envolvido na produção de alimentos, por exemplo, varia em cada país.

Imagem: Creative Commons

Nos exemplos a seguir, os dados se referem a médias globais e foram retirados do site da Water Footprint:

  • 1 folha de papel: 11,35 litros de água;
  • 1 taça de vinho: de 109 a 125 litros de água;
  • 1 xícara de café: 132 litros de água;
  • 1 banana grande (cerca de 200 gramas): 160 litros de água;
  • 1 ovo (cerca de 60 gramas): 196 litros de água;
  • 1 pé de alface: 237 litros de água;
  • 1 litro de cerveja: 296 litros de água;
  • 1 kg de ketchup: 530 litros de água;
  • 1 kg de leite integral: 1.020 litros de água;
  • 1 pizza margherita (cerca de 725 gramas): 1.259 litros de água;
  • 1 kg de açúcar: 1.782 litros de água;
  • 1 kg de arroz:  2.497 mil litros de água;
  • 1 kg de queijo: 3.178 litros de água;
  • 1 kg de carne de frango: 4.325 litros de água;
  • 1 kg de carne de porco: 5.988 litros de água;
  • 1 kg de algodão: 10.000 litros de água;
  • 1 kg de carne bovina: 15.415 litros de água;
  • 1 kg de chocolate: 17.196 litros de água.

Para você calcular a sua pegada hídrica, basta clicar aqui e acessar o site da Water Footprint.

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SOUZA, L. B. Leonardo. 18 coisas que gastam muito mais água para serem produzidas do que você imagina. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/pegada-hidrica.html>.

Dia Mundial da Água – Por que precisamos preservar esse recurso?

Hoje, dia 22 de março é o Dia Mundial da Água. Data criada em 1992 pela Organização das Nações Unidas (ONU). A data é um esforço da comunidade internacional para colocar em pauta questões essenciais que envolvem os recursos hídricos.

Estima-se que, somente no Brasil, 17 milhões de pessoas são privadas do direito à água; no mundo todo, este drama atinge 2,1 bilhões, de acordo com o último Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos.

O Brasil possui mais água doce que qualquer outro país do mundo – 12% do volume total do Planeta. Isso cria uma falsa premissa de que o suprimento estável de água de boa qualidade estará sempre disponível.

Imagem: Creative Commons

Segundo o Instituto Trata Brasil, 83% dos brasileiros são atendidos com abastecimento de água tratada. O acesso está diretamente ligado às desigualdades regionais. Enquanto no Sudeste, por exemplo, o acesso à água potável chega a 91,24% da população, no Norte este percentual é de 55,37%.

Apesar destes 83% de brasileiros atendidos, existe uma grande variedade de riscos relacionados a água, o que representa uma grande incerteza na disponibilidade de água doce para a população e comprometem a universalização do serviço.

Poluição dos corpos hídricos, má utilização, o furto de água e o consumo descontrolado da água, além de fatores climáticos que acarretam crise hídrica, afetando diversas regiões do país e, aumentando a restrição de água nos estados e municípios, com rodízios e racionamento por parte da população.

Brasília – Lago da barragem de Santo Antonio do Descoberto, que abastece boa parte das cidades satélite da capital, está com o nível de água bem abaixo do esperado (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

O direito humano a água e saneamento foi reconhecido pela ONU em dezembro de 2015, uma vez que eles são indispensáveis para prover meios de subsistência saudáveis e fundamentais para manter a dignidade de todos os seres humanos.

Assim, o consumo consciente de água é uma preocupação que deve ser constante, uma cultura que deve ser firmemente incutida no comportamento social, até mesmo como atitude preventiva contra um colapso de abastecimento que a cada dia se mostra mais factível.

Sobradinho – A Usina Hidrelétrica de Sobradinho tem capacidade total de 1050 megawatts, mas com a falta de água só tem sido possível gerar cerca de 160 megawatts (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6 (ODS 6), proposto pelas Nações Unidas, visa assegurar a disponibilidade e o manejo sustentável da água e do saneamento para todos.

Nesse contexto, o papel dos governos e das agências de água é focado no estabelecimento de políticas e regulamentos. Já o setor privado desempenha um papel fundamental neste cenário ao investir em tecnologias e soluções inovadoras, além de possuir um papel de grande influenciador na sociedade, com o potencial de gerar uma mudança de comportamento dos indivíduos e uma conscientização em relação ao uso eficiente da água, podendo ter uma forte influência sobre a formulação de políticas.

Com informações de: Metro Jornal, ONU e ONU

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SOUZA, L. B. Leonardo. Dia Mundial da Água – Por que precisamos preservar esse recurso?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/dia-mundial-da-agua.html>.

Você sabe quais os perigos do esgoto não tratado para o consumo de água?

Ao contrário do que ainda é propagado, a água é um recurso natural finito quando consideramos os impactos causados por nós, seres humanos.

Considerando a forma e a velocidade com que a poluição em lençóis freáticos, lagoas, lagos, córregos, rios, mares e oceanos tem se propagado nas últimas décadas e como nosso consumo desse recurso está aumentando (principalmente considerando a necessidade da indústria e agropecuária), não damos o tempo necessário para que a recarga dos reservatórios aconteça. Esse quadro tem se agravado nos últimos anos. Quem não se recorda da crise hídrica de São Paulo? Ou da constante falta de água em vários municípios do estado do Rio de Janeiro. Não por acaso, estes são os estados que possuem as Regiões Metropolitanas mais densas do país e que estão localizados na Região Sudeste, que possui apenas 6% do contingente de água doce superficial do país (leia mais sobre a gestão de recursos hídricos clicando aqui).

Se não tivermos um planejamento urbano eficiente, a situação tende a piorar, pois projeções já reveladas por estudos da ONU – Organização das Nações Unidas apontam que em 2050 a média mundial de urbanização alcançará os 45%. Em se tratando de planejamento urbano eficiente, um dos grandes gargalos brasileiros que afeta diretamente a questão da água é o saneamento básico, principalmente quando consideramos o esgotamento sanitário. Por mais absurdo que pareça mesmo o Brasil estando entra as 10 maiores economias do mundo ainda carece com questões de infraestrutura.

As regiões que apresentam menores índices de saneamento básico são as regiões de periferia. / Imagem: ValterCampanato/ Agência Brasil

No Brasil são geradas 9,1 mil toneladas de esgoto por dia, essa carga de esgoto é medida em Demanda Bioquímica de Oxigênio (DBO), que corresponde à matéria orgânica presente nele. As estatísticas são preocupantes quando consideramos o acesso da população ao tratamento adequado de esgoto, considerado o esgoto coletado e tratado coletivamente ou por fossas sépticas, conforme metodologia da Agência Nacional de Águas – ANA: 45% da população brasileira não têm acesso ao tratamento adequado de esgoto. Dessa porcentagem, 18% têm o esgoto coletado e não tratado (o que pode ser considerado como um atendimento precário) e 27% não possuem coleta nem tratamento, ou seja, não possuem nenhum atendimento por serviço de coleta sanitário.

Das 9,1 mil toneladas de esgoto geradas por dia apenas 5,5 mil toneladas são tratadas, o que representa 39% do total, por isso o impacto é cada vez maior e mais grave em nossos rios. Conforme informações da ANA, mais de 110 mil quilômetros de trechos de rios estão com a qualidade comprometida devido ao excesso de carga orgânica despejada neles, isto é, esgoto não tratado adequadamente. Desse quantitativo de trechos de rio com qualidade comprometida, em 83.450 quilômetros não é mais permitida a captação para abastecimento público devido à poluição e em 27.040 quilômetros a captação pode ser feita, mas requer tratamento avançado.

Trechos de rios estão com a qualidade comprometida devido ao despejo de esgoto. / Imagem: ANA (Agência Nacional de Águas)

A ineficiência do serviço de esgotamento sanitário, representado pelo despejo de esgoto sem tratamento adequado em corpos hídricos, além de comprometer a qualidade da água para consumo direto humano nas áreas urbanas, impacta a saúde e bem estar da população dificultando o abastecimento e a irrigação, por exemplo. Os impactos ambientais e as perdas econômicas também são cada vez mais sentidos.

Infelizmente o saneamento básico no Brasil não é tema prioritário para as agendas governamentais, tendo em vista que apenas em 2007 foi sancionada a Lei de Diretrizes Nacionais para o Saneamento Básico – LDNSB, sendo instituído o Plano Nacional de Saneamento Básico – PLANSAB pelo extinto Ministério das Cidades. Antes do PLANSAB ouve a primeira tentativa de implementação nacional de serviços de saneamento básico por meio do Plano Nacional de Saneamento – Planasa, instituído em 1969 e abandonado em 1990. Este não foi bem sucedido devido a vários motivos, dentre os quais cabe ressaltar o alto grau de regionalismo aplicado às políticas públicas de cunho desenvolvimentista da década de 1970, onde privilegiou-se o atendimento de regiões centrais em detrimento de regiões periféricas.

Um dos principais impactos do despejo de esgoto não tratado adequadamente em rios é o processo de assoreamento. / Imagem: Wikimedia

Como podemos notar, a herança desse período continua sendo propagada na atualidade, as regiões que mais carecem de saneamento básico são justamente as que apresentam menor nível de renda de sua população em comparação às regiões centrais mais próximas. Para mudar esse desolador cenário, tendo em vista todas as perversidades sobre o meio ambiente e sobre a população mais pobre, necessitamos de um planejamento urbano pensado em vários níveis, considerando-se variáveis sociais, ambientais, econômicas, culturais.

É preciso que essas informações cheguem a toda a população para que os governantes (aqui considerando todos os níveis: federal, estadual e municipal) cumpram com o seu papel enquanto gestores de políticas públicas, com transparência, eficiência e considerando os territórios de forma integrada. Cabe a nós, a fiscalização e cobrança de nossos direitos.

Com informações: ANA, BBC, FEA-USP, FUNAG, Juntos pela Água.

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ABREU, Nathália. Você sabe quais os perigos do esgoto não tratado para o consumo de água?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/voce-sabe-quais-os-perigos-do-esgoto-nao-tratado-para-o-consumo-de-agua.html>.

Captação de água da chuva: solução para economia e redução de enchentes

Em tempos de escassez hídrica, racionamento e rodízio no abastecimento de água, a captação de água da chuva já é uma realidade e uma das alternativas para melhorar o aproveitamento desse recurso. E o mais importante, uma cisterna para captar e armazenar água da chuva não agride o meio ambiente e o bolso, sendo uma maneira mais consciente e racional de poupar os nossos recursos naturais.

Estima-se que, em média, do total do consumo de água de uma residência, alimentação, banho e lavatório consuma 50%. Os outros 50%, são utilizados para descargas em vasos sanitárias, lavagem de roupa entre outras coisas. Neste último caso, pode facilmente ser atendido pela água de chuva com um tratamento mínimo de filtração e desinfecção.

Ao invés de utilizar água tratada é possível usar a água pluvial (da chuva) para fins não potáveis menos nobres, como limpeza de áreas comuns, irrigação de jardins e áreas verdes, descargas de vasos sanitários, lavagem de carros, reserva de proteção contra incêndios, entre outros.

Assim, implantar um projeto de captação da água da chuva em sua residência ou condomínio pode representar uma economia de até 50% nos custos finais da sua conta. Além de diminuir a pressão sobre esse recurso natural escasso, é uma garantia de que esse recurso finito não faltará em períodos de racionamento e rodízios de água, por exemplo.

Além da economia para o bolso, um sistema de captação de água da chuva, geralmente, é bem simples e não demanda grandes investimentos, nem grandes infraestruturas e mão de obra para a instalação. Ah… e o retorno deste investimento é bem rápido.

Um outro benefício é a minimização do risco de enchentes pelo escoamento do alto volume de água nas redes pluviais durante as chuvas fortes, uma vez que parte desta água irá para a cisterna.

Mas como consigo saber o tamanho da caixa d’água ou cisterna que vou utilizar para garantir o melhor custo x benefício? Para o dimensionamento de um sistema de coleta utilizam-se dois fatores: a área do telhado disponível para fazer a captação (em metros quadrados) e o histórico do índice pluviométrico da região em todo o ano (em metros), ou seja, a quantidade de chuva que cai na região.

Há uma norma técnica que rege a implantação de sistema de tratamento e aproveitamento de água pluvial no país, a ABNT NBR 15527 – Água de Chuva. Esta norma possibilitou que o mercado de arquitetura e construção civil se sentisse mais seguro na aplicação da solução. Um exemplo é a indicação de que a água de chuva só deve ser captada da cobertura e do telhado, de maneira a evitar contaminação por resíduos do tipo gasolina e óleo.

Em uma busca rápida pela internet você facilmente pode encontrar diversas empresas que realizam a instalação segura e com processos estabelecidos pela NBR 15527/2007, a fim de garantir a qualidade da água em seu sistema de aproveitamento de água da chuva.

Com informações de: Ecycle, Leroy Merlin e RW Engenharia

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SOUZA, L. B. Leonardo. Captação de água da chuva: solução para economia e redução de enchentes. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/captacao-agua-chuva-economia.html>.

Acesso a Água Potável! Charity:Water usa tecnologia a favor de causas sociais

Foi após uma viagem à África que o americano Scott Harrison se viu diante de um dilema. Como mobilizar cidadãos a levar água potável, limpa e segura a pessoas em países subdesenvolvidos.

Assim nasceu em 2006 a Charity:water, uma organização de caridade não Governamental. A sua proposta é muito simples: conectar os doadores às colaborações. Ou seja, conectar pessoas engajadas com a causa da água às organizações comprometidas em solucionar esse problema.

Imagem: Charity:Water

Desde a sua criação, foram mais de 9,5 milhões de pessoas ao redor do mundo assistidas e de 35 mil projetos concluídos para levar água, higiene e melhorias de saneamento, como a perfuração de poços, sistemas de canalização, distribuição de filtros e captação de água da chuva.

A organização trabalha com dezenas de parceiros locais no exterior e já foram beneficiados 27 países ao longo dos 13 anos de existência da organização.

Imagem: Charity:Wate

Mas como o negócio funciona?

 Grandes doadores e fundações bancam todos os custos fixos da Charity:water, que precisa pagar o pessoal e investir em marketing para atrair doadores “gente como a gente”. Dessa forma, 100% do dinheiro arrecadado pelos doadores individuais é revertido para a causa. Sem deduções, porcentagens ou letras miúdas.

Imagem: Charity:Water

Além disso, a transparência é essencial e imprescindível. Assim, ao fazer uma contribuição, os doadores recebem coordenadas de GPS e fotos para rastrear as próprias doações e ver o impacto que tiveram. E as organizações apoiadas passam frequentemente por auditorias, que ficam disponíveis no site e nas redes sociais.

Viu só? A Charity:Water é um bom exemplo do uso de tecnologias para apoiar uma causa social. Um projeto que ajuda a mudar a realidade de milhões de pessoas e que permite a construção de um mundo mais justo.

Para saber mais: Charity:water

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SOUZA, L. B. Leonardo. Acesso a Água Potável! Charity:Water usa tecnologia a favor de causas sociais. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/charity-water.html>.

A China é capaz de solucionar a crise de poluição do ar?

Quando falamos sobre a poluição de ar, o governo da China está em ‘terras perigosas’. De um lado é um movimento crescente dos cidadãos exigindo céus mais claros e um ambiente mais saudável; por outro lado, padrões industriais, econômicos e políticos estão profundamente instalados de forma que não podem ser rapidamente reformulados.

Harbin, com e sem neblina de poluição. / Imagem: The World Of Chinese.

Na última sexta feira, assisti ao documentário “Under The Dome”. A produção investigativa exibe o cenário apocalíptico da qualidade do ar na China. Este documentário é proibido em território chinês continental e foi removido da internet chinesa, dias após ser lançado em 2015. Eu assisti o documentário na universidade NYU Shanghai, que conseguiu uma licença especial do governo para exibi-lo. No entanto promover a exibição em mídias sociais ou WeChat (What’sApp da China) não foi permitido.

Imagem: Reuters/ D. Sagolj, Reprodução: DW

O documentário, produzido e narrado pela jornalista chinesa Chai Jing, exibe os efeitos que a poluição de ar gera na saúde da população e como as indústrias do país e o governo estão cientes do mortal impacto, porém não tomam atitude. O filme exibe de maneira coerente não só porque e como a China se tornou tão poluída mas o que podem fazer para reverter este cenário.

Filme Under The Dome

A China tem, de fato, uma gama de políticas de proteção ambiental, porém uma questão recorrente é que essas políticas são alteradas por indústrias e intencionalmente negligenciadas por funcionários do governo. Semelhante ao Brasil, não é mesmo?

O documentário não pede por novas políticas ambientais, mas simplesmente para a aplicação adequada das políticas já estabelecidas. Se somente as leis atuais das emissões do país fossem obedecidas, a redução de emissões de poluentes seria significativa. Em outras palavras, é preciso que as empresas chinesas e os funcionários do governo cumpram a lei. A boa notícia é que este movimento de levar as empresas e os funcionários do governo a legalidade é uma agenda que está sendo seriamente implementada pela campanha anticorrupção do presidente Xi Jinping.

Após de uma série de incidentes de poluição do ar na China entre 2007 e 2015, coloquialmente apelidado de “airpocalypses” (ar apocalíptico), em que cidades foram simultaneamente tomadas pelo smog. O governo chinês tomou seu primeiro passo para melhorar a qualidade do ar: admitiu que havia um problema.

Estudantes usando máscaras devido à poluição atmosférica atravessam uma rua em Jinan, China em 2015. Imagem: STR/AFP, Reprodução: Veja

A palavra “smog” se tornou comum e de uso diário na vida dos ‘que estão mais alertas’. Smog é a neblina intensificada por fumaça e outros poluentes atmosféricos, você pode observar smog em São Paulo quando, por exemplo, olha para o sol, mas não o vê claramente, somente uma luz atrás de uma cortina cinza.

O governo já fez uma sucessão de negações e desculpas para a neblina/smog, sendo a principal delas “um nevoeiro causado por agricultores queimando culturas”. No entanto, a verdade é que morre prematuramente a cada ano entre 350.000 e 500.000 chineses por causa da poluição do ar. Este fato aliado ao impacto negativo da poluição do ar no desenvolvimento das crianças, fez com que cidadãos chineses olhem estritamente ao governo para solucionar a questão. É válido lembrar que a maioria das indústrias (maiores poluentes) no país são administradas pelo governo chinês.

Poluição do ar em Victoria Harbour, Hong Kong. / Imagem: Wikimedia

Tendo reconhecido o problema, o governo tornou-se automaticamente responsável por corrigi-lo. Porém isto não é apenas uma questão de avareza industrial, pois grandes indústrias poluentes na China também empregam milhões de trabalhadores, e são os fundamentos econômicos de províncias inteiras. Como apresentei no meu último artigo (clique aqui para ler), a sustentabilidade na China está historicamente ligada ao modelo de desenvolvimento econômico e o crescimento econômico ainda é a prioridade.

Em contrapartida, a China parece estar se transformando gradualmente. Em menos de uma década, o país tornou-se um líder global em energia solar, eólica e hidrelétrica, produzindo mais GW de energias renováveis do que a potência total de todos os outros países do mundo, exceto os EUA. O governo também fornece subsídios maciços para criar um ambiente mais propício para a produção de energias renováveis, bem como formas menos poluentes de transporte e design urbano sustentável.

Quase 300 novas eco-cidades também estão atualmente em construção ou estão nas fases de planejamento. Construir centenas de cidades novas pode parecer a coisa menos ecológica que um país pode fazer, porém as eco-cidades podem ser vistas como testes essenciais para um novo tipo de urbanismo global.

Sem dúvida há um apelo crescente do público chinês por um ar mais limpo, e agora que o governo reconheceu a escala do problema, ele será tratado, pois ao contrário de outras questões, o governo não pode esconder a poluição do ar. E o partido comunista não pode se dar ao luxo de ter um compromisso não correspondido, tornando-o parecer inepto e fraco – é preciso manter a legitimidade para continuar a governar.

De uma forma ou de outra, diante da complexidade política, social e ambiental, acredito que podemos vislumbrar um futuro mais saudável para as pessoas e o meio ambiente na China. E você, o que acha?

assinatura_Maria_Eduarda

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SOUZA, Maria Eduarda. A China é capaz de solucionar a crise de poluição do ar?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/a-china-e-capaz-de-solucionar-a-crise-de-poluicao-do-ar.html>.

Prioridades Individuais e Prioridades Sociais

Toda vez que pensamos em convívio, ainda que não tenhamos participado ativamente da elaboração das regras, sabemos que temos regras a cumprir.

Podemos dizer que as regras servem para harmonizar o convívio e tornar as situações mais fáceis de serem resolvidas. Como em um condomínio, a convenção e o regimento interno dizem exatamente qual parte pertence a quem e o que será feito se alguém invadir a parte do outro.

A existência de regras tem o objetivo de tornar as relações mais seguras, mais previsíveis, para que, no momento do conflito, as partes já estarem cientes do que pode lhes acontecer. Seria muito perigoso deixar que os envolvidos em uma briga, normalmente tomados por emoções, decidissem o que deveria ser feito. Por isso a regra precisa existir antes do jogo começar. É isso que ocorre em qualquer jogo de tabuleiro, primeiro você lê as regras e depois começa.

Xadrez
Imagem: Creative Commons

Pelas regras que hoje existem na sociedade brasileira, as decisões dos juízes sempre partirão de uma ponderação de valores. Isto porque, na Constituição Federal temos muitos valores e às vezes eles podem se complementar ou mesmo se contrapor. Um exemplo é a questão da proteção do meio ambiente e o desenvolvimento da economia nacional. Para alguns, não há como crescer economicamente sem burlar regras de proteção ambiental. Mas o Judiciário precisa de alguma forma colocar na mesa estes dois valores e decidir como eles conviverão naquela situação prática.

Constituição
Imagem: UFMG

Nenhuma ponderação de valores é fácil, pois depende das nossas prioridades. E em se tratando de milhares de pessoas é mais difícil ainda. Se formos pensar em um nível micro, podemos comparar à decisão que uma mãe precisa tomar quando chega à emergência com dois filhos feridos. Qual deles será atendido primeiro? Qual ficha ela preencherá primeiro? Se aumentarmos um pouco mais a perspectiva, em um pronto socorro, quais são os beneficiários de atendimento prioritário? No primeiro caso não temos regras, já no segundo temos regras a serem seguidas.

Ainda que tenhamos muito claramente quais são as prioridades, algumas vezes nos deparamos com a necessidade de ponderar para chegar a uma resolução. Os critérios de ponderação devem estar muito claros para que possamos ser o mais justo possível. E é comum que a lista de prioridades pessoal seja diferente das prioridades sociais. Para aquele que está desempregado, o incentivo às empresas pode ser prioridade para que novas oportunidades possam ser criadas. Para aquele que já está empregado, a manutenção de seus direitos trabalhistas é a prioridade. Para quem é patrão, a diminuição dos encargos mensais é a prioridade. E assim por diante.

Da mesma forma que vamos conquistando uma vida pessoal mais confortável e próspera, a vida em sociedade gera conquistas a cada nova prioridade comum que vamos adicionando à nossa Constituição. A cada direito reconhecido com prioridade da nação brasileira, temos um novo troféu, uma nova conquista adicionada ao nosso acervo. Como na vida, cada conquista tem seu preço e seu suor, em sociedade cada direito conquistado é símbolo de uma vitória, de um reconhecimento e de um acréscimo de dignidade a cada cidadão. Esse pedaço de dignidade será levado em consideração quando houver um conflito de valores.

União
Imagem: Creative Commons

É assim quando são analisadas as demandas ambientais. Mais do que a regra que impõe um dever de proteger o meio em que vivemos, estamos falando no direito que cada um de nós tem de respirar um as mais limpo, beber uma água de melhor qualidade, usufruir de alimentos mais saudáveis. É esse direito que será colocado de um lado da balança, enquanto que as prioridades econômicas e os direitos dos empresários serão colocados do outro lado. A decisão irá ponderar os valores e um irá se sobrepor ao outro em alguns pontos. Não se trata de encontrar um vencedor. A tarefa é verificar se cedendo em alguns pontos podemos chegar a um resultado que não agrida demais (invalide) nenhum dos dois direitos e ao mesmo tempo possa fazer valer os dois.

A meta é chegar a um ganha-ganha e não a um vencedor. Ambos têm seus direitos valorizados e considerados e ambos os lados fazendo concessões em favor da manutenção da harmonia. Talvez por isso uma grande parte da sociedade tenha um sentimento de que as decisões são injustas. Elas deveriam respeitam um elenco de valores comuns, a nossa lista de prioridades enquanto sociedade. O que pode ser diferente dos meus critérios particulares de julgamento.

Indivíduo e Sociedade
Imagem: Creative Commons

A reflexão que fica é: será que a justiça de uma decisão é proporcional aos valores que eu prezo? É possível viver em sociedade sem fazer concessões e ponderações? Eu conheço a fundo as regras do jogo?

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STEFFEN, Janaína. Prioridades Individuais e Prioridades Sociais. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/03/prioridades-individuais-e-prioridades-sociais.html>.

Por que a maioria das pessoas não se importa com problemas ambientais?

As pessoas se importam com questões de sustentabilidade? Como educadora e engenheira ambiental, essa é uma pergunta recorrente em minha cabeça. E tenho certeza que se você está lendo este artigo, já se perguntou isso também.

Fazendo uma rápida busca por pesquisas realizadas sobre o tema, vemos indícios que sim, as pessoas se importam com questões relacionadas ao meio ambiente no Brasil.  Uma pesquisa realizada em 2012 pelo Ministério do Meio Ambiente aponta, por exemplo, que 82% das pessoas discordam da seguinte frase: “O conforto que o progresso traz para as pessoas é mais importante do que preservar a natureza” e esse índice veio crescendo desde 1997, quando eram apenas 67%. Em 2018, o “meio ambiente e riquezas naturais” apareceu como maior orgulho nacional para o brasileiro em pesquisa realizada pelo IBOPE e WWF.

Porém, existe uma diferença clara entre o discurso e a prática. Falar que se importa é uma coisa, mas de fato ter uma mudança de comportamento é outra história. Somos um dos países com maiores índices de desmatamento, reciclamos menos de 5% dos nossos resíduos e elegemos governos com claro descaso por questões ambientais.

Desmatamento
Desmatamento na Amazônia. / Imagem: Agência Brasil

Se as pessoas dizem se importar, por que não agem e cobram devidamente?

O ser humano prioriza problemas imediatos.

As mudanças climáticas, por exemplo, parecem algo muito distante do presente e acabam não representando uma ameaça factível para muitos.

Desconexão com a natureza.

Cuidamos apenas daquilo que conhecemos e temos vínculo. Quanto mais distantes do meio natural, menos as pessoas se importam com sua preservação e conservação.

As pessoas têm cada vez menos contato com a natureza. / Imagem: Creative Commons

A população não tem conhecimento suficiente.

Conhecimento é diferente de informação. Enquanto a informação está cada vez mais acessível, ainda não está claro para muitos os reais desafios, causas, consequências e possibilidades de soluções.

Muitos não sofrem ou percebem diretamente as consequências.

O problema do plástico no oceano, por exemplo, despertou incômodo nas pessoas quando começaram a literalmente ver o lixo na praia e nas ruas de sua cidade.

Poluição praia
Poluição em praia. / Imagem: Creative Commons.

É mais trabalhoso sair da zona de conforto.

Como seres vivos otimizamos ao máximo nosso gasto de energia e por isso priorizamos aquilo que nos é mais fácil e cômodo.

Sistema baseado em crenças e valores insustentáveis.

Ganância, individualismo, egoísmo, medo, impotência e desconexão ainda são valores presentes em nossa sociedade e base para nosso modo de vida, gerando crenças, comportamentos e culturas insustentáveis.

Consumismo
Imagem: Creative Commons

O desafio é complexo, mas um dos principais papéis da educação para sustentabilidade é, justamente, compreender as causas da distância entre o discurso e a prática e traçar estratégias para minimizá-las. Também é papel da educação para sustentabilidade aproximar as pessoas da natureza; facilitar práticas e soluções para que as pessoas se desafiem a sair de sua zona de conforto; fortalecer valores humanos como cooperação, respeito e solidariedade; levar a informação de maneira mais clara e convidativa; e gerar mais empatia e conexão entre aqueles que causam e os que hoje começam a sofrer as consequências.

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RIBEIRO, Livia. Por que a maioria das pessoas não se importa com problemas ambientais?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/por-que-a-maioria-das-pessoas-nao-se-importa-com-problemas-ambientais.html>.

Veículos elétricos: opção de transporte mais sustentável!

O tema mobilidade urbana tem gerado bastante polêmica e muitas discussões por motivos óbvios não apenas no Brasil, mas no mundo como um tudo. Do ponto de vista sustentável, a poluição gerada pelo tráfego, com carros e caminhões tendo ainda como principal matriz energética o combustível fóssil (gasolina e óleo diesel), alto poluente tanto na produção quanto na emissão de gás carbônico, também não é novidade para ninguém.

Em função disso, cada vez mais tem se falado em tração elétrica, ou seja, veículos movidos a motores elétricos. Quando começaram as primeiras iniciativas neste sentido, o engajamento das montadoras foi pífio devido ao alto custo envolvido e a baixíssima autonomia atingida com os primeiros motores.  Hoje, a realidade é que as gigantes do mercado já se comprometeram a disponibilizar grande parte da sua produção nos próximos anos a veículos elétricos e/ou híbridos.

Estima-se que já existam no mundo aproximadamente 2 milhões de carros abastecidos a energia elétrica e que esse número possa chegar a 125 milhões até 2030. No cenário mundial, este segmento foi bastante impulsionado pela Tesla, que é atualmente referência no que diz respeito a tração elétrica. E hoje já é possível acompanhar o campeonato mundial de fórmula E, corrida de carros elétricos de alto desempenho, realizado desde 2014.

Nico Rosberg no Berlin E-Prix – Formula E. Imagem: Creative Commons

No Brasil, infelizmente algumas coisas costumam demorar mais para acontecerem, mas já temos algumas iniciativas bem sucedidas. É possível assistir uma interessante série especial sobre carros elétricos clicando aqui. No último Salão do Automóvel, realizado no final de 2018 em São Paulo, foram anunciadas as pré-vendas no Brasil de 3 modelos de automóveis elétricos considerados “de entrada”, mas eles continuam custando mais de R$ 140 mil, o que dificulta a aquisição. Os modelos são importados e a entrega está prevista para o primeiro semestre deste ano.

Para incentivar a popularização dos carros elétricos no país, desde novembro estes modelos e os híbridos estão pagando menos Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI), mas, além disso, também é preciso estimular a infraestrutura, visto que é fundamental que existam postos para recarga destes veículos.

Imagem: Creative Commons

Dentre as principais iniciativas identificadas, uma das soluções mais sustentáveis é o e-bus, primeiro veículo elétrico do país movido a energia solar fotovoltaica, que começou a circular em Florianópolis (SC) em março de 2017. O veículo foi desenvolvido por uma equipe da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) no intuito de evidenciar as vantagens do uso da energia solar no transporte urbano.

eBus, da UFSC. Imagem: Divulgação/ Feesc

O veículo tem autonomia para andar até 70 quilômetros sem recarga e tem percorrido 200 quilômetros por dia. Além de gerar economia nos custos de deslocamento, o transporte não gera gases poluentes prejudiciais ao meio ambiente (carbon free).

Outra iniciativa interessante é o caminhão elétrico da Volkswagen, batizado de e-delivery por ter sido desenvolvido com o objetivo de servir ao mercado de entregas, saiba mais clicando aqui. A empresa anunciou que até 2020 terá uma linha de produção deste modelo no Brasil, sendo que eles já estão em teste no estado de São Paulo. Apesar de contarem com baterias importadas, os motores são 100% nacionais, produzidos pela catarinense WEG.

Sendo uma das empresas nacionais que tem investido em tração elétrica, a WEG explica que além dos benefícios já mencionados, esta é uma opção de transporte bastante silenciosa, que tem custo de operação e manutenção mais barata que o motor de combustão e também mais eficiente, pois recupera a energia da frenagem e auxilia o sistema de freio tradicional do veículo através da frenagem elétrica regenerativa.

E você, também conhece iniciativas do setor de tração elétrica? Então compartilhe com a gente!

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LOPPNOW, Stephani. Veículos elétricos: opção de transporte mais sustentável!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/veiculos-eletricos-opcao-de-transporte-mais-sustentavel.html>.

Projeto colombiano aposta na educação de crianças e jovens para a proteção da água

O projeto Educação participativa para a proteção da água na Colômbia prevê a participação de crianças e adolescentes em todas as suas etapas, da pesquisa em campo à formulação de projetos e políticas públicas.

Com o objetivo de incentivar ações em favor do ecossistema local, a Instituição de Ensino Rural El Hatillo, localizada em Barbosa (Antioquia), iniciou em 2009 um movimento para conscientizar os alunos sobre a importância do meio ambiente.

Em 2017, esse objetivo recebeu um novo impulso. Com o apoio da organização sem fins lucrativos Sieni, a Instituição mantém um projeto-piloto onde as crianças e os adolescentes têm papel central na conservação e proteção do riacho San Antonio, uma microbacia vizinha que está em risco de contaminação e o plantio de fauna não nativa.

Imagem: SieNi

O projeto Educação participativa para a proteção da água na Colômbia conta atualmente com 30 “equipes de água”, como são chamados os grupos de pesquisa.

Cada uma dessas “equipes de água” é composta por: um mentor científico, um professor e um grupo de cerca de 15 a 20 crianças e adolescentes. Os professores lideram as equipes e participam de oficinas para orientar os estudantes no diagnóstico. Os alunos realizam os estudos e o diagnóstico do estado da água e, assim, tomam conhecimento dos principais problemas em suas comunidades. Por fim, o mentor científico que valida a qualidade do diagnóstico realizado pela sua equipe.

Imagem: SieNi

Envolvidos no projeto, os estudantes se sensibilizam em relação à sua responsabilidade com o meio ambiente, aprendem a pesquisar, questionar e entender como cuidar da água em suas comunidades.

FASES DO PROJETO

O projeto piloto terá três anos de duração e serão divididos em três fases. Na primeira fase, recém completada, as equipes de água criaram uma base de dados que oferecerá um diagnóstico da situação do estado da água em suas comunidades, com dados georreferenciados.

Imagem: SieNi

Na segunda fase, que se inicia agora em 2019, as equipes vão formular projetos de pesquisa-ação com base nos diagnósticos feitos pelos estudantes e, montados os observatórios de água, que serão acompanhados por cientistas do mundo inteiro e coordenado por universidades. A intenção é que os projetos formulados, a médio e longo prazo, se convertam em temas de políticas públicas para a região.

Já a terceira fase, prevista para 2020, tem o objetivo de ajudar na consolidação e na autonomia dos observatórios de água. A ideia é que depois desta fase piloto, que tem três anos de duração, a iniciativa se estenda a outras regiões da Colômbia e também a outros países.

Saiba mais sobre o projetohttp://sieni.co/

Com informações: OEIRevista SemanaSieNi

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SOUZA, L. B. Leonardo. Projeto colombiano aposta na educação de crianças e jovens para a proteção da água. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/educacao-criancas-protecao-agua-colombia.html>.

Resíduo Zero nas Escolas: projeto evita que toneladas de resíduos orgânicos vão para aterro sanitário

Sempre sublinhamos a importância de projetos de educação ambiental dialogarem com a realidade dos locais onde são implantados, para que possam surtir efeito não apenas a curto, mas também a longo prazo. E quando esses projetos envolvem a mudança de hábitos de uma comunidade ou município em prol do menor impacto ambiental e melhoria da qualidade de vida é uma das coisas mais lindas de se ver.

Esse é o caso do “Resíduo Zero nas Escolas”, um programa de educação ambiental da prefeitura de Ilhabela desenvolvido pela Secretaria de Educação em conjunto com a empresa Morada da Floresta. O projeto voltado para conscientização das crianças sobre o consumo sustentável, a alimentação saudável e descarte correto do lixo reciclável e não reciclável, ainda incentiva a criação de hortas orgânicas no ambiente escolar e familiar. Sim! O projeto também envolveu a capacitação de professores e a participação dos pais das crianças, fazendo com que o mesmo ultrapassasse os muros das escolas chegando a lares e comunidades. A ilha município que passa por um momento delicado com problemas relacionados a saneamento básico, impediu através do projeto que 145 toneladas de resíduos orgânicos (restos de alimentos) fossem para aterro sanitário.

Descarte
Imagem: Creative Commons

O projeto “Resíduo Zero nas Escolas” foi implantado em duas fases: em um primeiro momento 14 escolas receberam cilindros para compostagem termofílica; e posteriormente 25 escolas receberam composteiras com minhocas, devido ao menor espaço físico e também a menor geração de resíduos.  Além disso, as escolas receberam balanças para medição da quantidade de resíduos destinados a compostagem, termômetros para monitoramento e ferramentas para manejo do solo. E buscando a transversalidade e interdisciplinariedade que deve existir em programas de educação ambiental, foram desenvolvidas atividades relacionando a compostagem as disciplinas curriculares das escolas como química, biologia, matemática, artes, dentre outras.

Imagem: Repórter Online Litoral

Conforme informações da Folha de São Paulo, além do envolvimento dos pais no processo de implantação do projeto, também foram realizadas oficinas para a vizinhança. Além da consciência com o descarte correto dos resíduos, houve um incentivo ao cultivo de hortas nas escolas. E os números do projeto são impressionantes! Em 11 meses de projeto cerca de 7 mil pessoas foram diretamente atingidas pelo projeto, entre alunos (6.155) e funcionários (825). Foram geradas 58 toneladas de composto – em geral, o composto representa 40% do total do resíduo orgânico colocado para compostar.

Com informações: Folha de São Paulo, Ilhabela.com.br, Maxpress, Prefeitura de Ilhabela, Tudo em Ilhabela.

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ABREU, Nathália. Resíduo Zero nas Escolas: projeto evita que toneladas de resíduos orgânicos vão para aterro sanitário. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/residuo-zero-nas-escolas-projeto-evita-que-toneladas-de-residuos-organicos-vao-para-aterro-sanitario.html>.

Hortas Cariocas: projeto ensina plantio de hortaliças e educação ambiental

O Hortas Cariocas utiliza áreas próximas a comunidades carentes ou escolas municipais e aproxima a população da agricultura orgânica e urbana. Além disso, beneficia a população do entorno com alimentos, gerar renda para quem administra (uma vez que aproveita mão de obra local) e, a horta se torna um laboratório para a educação ambiental.

Criado há 12 anos, o Hortas Cariocas é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Conservação e Meio Ambiente (Seconserma), tem por objetivo incentivar a agroecologia urbana no Rio de Janeiro e hoje beneficia cerca de 20 mil pessoas.

Ao todo, as 35 hortas participantes do projeto, produzem entre 40 e 45 toneladas de legumes, verduras e outros alimentos sem uso de adubos ou defensivos químicos. A produção atende as escolas municipais e no seu cultivo não é utilizado Agroquimicos (como Adubo Mineral, Agrotóxicos ou Defensivos Agrícolas).

Mas como funciona? Os agentes da Seconserma identificam locais com potencial para o cultivo de alimentos orgânicos, e a secretaria incentiva a participação no programa oferecendo uma remuneração mensal aos hortelãos.  Em troca, metade da produção é destinada a creches, asilos, abrigos, escolas municipais do entorno da horta e famílias carentes indicadas pelas Associações de Moradores. A outra metade pode ser vendida, gerando renda adicional para o grupo que pode adquirir equipamentos para a horta.

Imagem: Horta Dirce Teixeira – Hortas Cariocas

Quando localizadas em escolas, toda a produção da horta é destinada a complementar a merenda dos alunos. A Escola Municipal Emma D’Ávila de Camillis, em Pedra de Guaratiba na Zona Oeste da cidade, é uma das escolas municipais que participam do programa Hortas Cariocas.

A direção da Emma D’Ávila, por exemplo, indicou pessoas que já tinham alguma experiência com hortas urbanas, e elas passaram a ser responsáveis pela manutenção do plantio e por repassar o conhecimento sobre as hortas e educação alimentar aos alunos da escola.

Assim, os alunos além de se alimentarem com a produção orgânica da própria horta, aprendem sobre plantio e cuidados e, sobre alimentação saudável. É ou não é um projeto incrível?

Com informações: Hortas Cariocas, Prefeitura do Rio de Janeiro e O Globo

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SOUZA, L. B. Leonardo. Hortas Cariocas: projeto ensina plantio de hortaliças e educação ambiental. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/hortas-cariocas.html>.

Instituto Ecosurf alia ativismo, mobilização e educação ambiental

Tudo começou com uma tentativa de diminuir o impacto ambiental gerado pela ação humana nas praias do litoral paulista. Lixo, muito lixo. O combate veio na sequência, por meio de mutirões para a despoluição dos ecossistemas costeiros e da sensibilização ambiental.

Foi assim que nasceu o Instituto Ecosurf. Criado em 2000, o Ecosurf utiliza o surfe como ferramenta de conscientização e transformação sobre a importância dos Oceanos.

São mais de 18 anos na caminhada pela conservação de praias e oceanos por todo o litoral brasileiro, por meio de ações e projetos de sustentabilidade ambiental, com o objetivo de proteger os ambientes marinhos para a prática do surfe. O Instituto também é um dos parceiros da ONU Meio Ambiente na campanha Mares Limpos.

Imagem: Instituto Ecosurf

As ações da organização são orientadas por quatro (4) pilares distintos:

EDUCAÇÃO

Promover a difusão de conhecimentos sobre cidadania ambiental, fortalecimento da cidadania, construção de sociedades sustentáveis e o aprendizado intergeracional, sempre voltado para a transformação e revalorização social.

MOBILIZAÇÃO

Mobilizando e articulando pessoas e grupos para intervir ativamente na proteção das praias, ondas, rios e oceanos. Fazem mutirões de limpeza das praias e realizam fóruns para identificar os principais problemas e propor meios de fortalecer sua atuação na conservação das praias.

Imagem: Instituto Ecosurf

CONSERVAÇÃO

Eles também monitoram, pesquisam a poluição das praias e realizam sua limpeza, defendem os recursos hídricos e apoiam a criação de Áreas de Surf Protegidas, parques e outros espaços de conservação da natureza.

ATIVISMO

E por fim, engajam o público das mídias sociais com a promoção e produção de conteúdo sobre os impactos ambientais nocivos aos ecossistemas costeiros e ações do Ecosurf.

Imagem: Instituto Ecosurf

A ideia do Instituto é formar protagonistas capazes de transformar pessoas em atores políticos da sustentabilidade, impactando em mudanças sociais em educação, meio ambiente e gestão pública.

Para saber mais sobre o Instituto Ecosurf, acesse: http://www.ecosurf.org.br/

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SOUZA, L. B. Leonardo. Instituto Ecosurf alia ativismo, mobilização e educação ambiental. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/instituto-ecosurf-alia-ativismo-mobilizacao-e-educacao-ambiental.html>.

Educação Ambiental para além das redes sociais. Você sabe o que o Autossustentável faz?

Quando falamos em Educação Ambiental, geralmente a primeira associação que fazemos é de alguma disciplina ou conteúdo, relacionados ao meio ambiental ou à sustentabilidade, que são ministrados em escolas.

Dificilmente relacionamos Educação Ambiental a outros tipos de atividades, como, por exemplo, se informar melhor sobre o que estamos consumindo. Aqui no Autossustentável, já tratamos inúmeras vezes sobre a questão do consumo e como é importante a conscientização sobre a quantidade, qualidade, procedência e destinação do que consumimos.

Clique
Conscientização. / Imagem: Creative Commons

É sim muito importante que crianças e adolescentes tenham contato durante o ciclo escolar com Educação Ambiental. No entanto, para que, de fato, ela contribua para o estabelecimento de uma relação mais harmônica entre a sociedade e a natureza e, consequentemente, para a melhoria das questões ambientais, é preciso que englobe conhecimentos e práticas sobre meio ambiente, consumo, sustentabilidade, biodiversidade e responsabilidade socioambiental.

Alunos
Aula prática de educação ambiental. / Imagem: Wikimedia.

A melhor forma de aprender (e apreender) é pelo exemplo e com práticas, por isso, quando pensar em Educação Ambiental, pense também para além da sala de aula, para atividades externas de convívio com a natureza, com a terra, com ar puro. E mais, que exemplo você tem passado para seus filhos, sobrinhos, primos, irmãos mais novos, netos, enteados, vizinhos, amigos? Será que incentivamos a conscientização de atos, hábitos e comportamentos mais harmônicos com o meio que nos acolhe? Conversamos sobre isso? Há algum parque, reserva ambiental ou mesmo horta urbana próxima à sua casa? Você já visitou esse(s) lugar(es) alguma vez? Qual a ideia que você possui sobre uma comunidade indígena, ou quilombola ou ribeirinha? Educação Ambiental é também entender a relação das diversas formas sociais com a terra e os recursos naturais, e reconhecer a importância que estas possuem para a manutenção do equilíbrio da biodiversidade.

Passeio Público
Passeio Público de Fortaleza. / Imagem: Wikipedia

Também somos responsáveis, ainda que em pequena parcela, por difundir a conscientização que a Educação Ambiental em todo seu potencial nos oferece. Pensando nisso, nós do Autossustentável, estamos lançando uma série de atividades que ajudam a propagar a Educação Ambiental para além do site e redes sociais. São palestras voltadas para práticas sustentáveis ligadas à vida cotidiana que permitam pensar e agir sobre os impactos ambientais e a preservação do meio ambiente.

Confira as palestras disponíveis para os próximos meses:

  • Educação Ambiental para a Vida Cotidiana;
  • Nem Tudo que Descartamos é Lixo;
  • Impactos dos Resíduos Plásticos em Rios, Mares e Oceanos;
  • Saneamento Básico e ODS 06;
  • Cidades Sustentáveis e ODS 11;
  • Energias Renováveis.

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ABREU, Nathália. Educação Ambiental para além das redes sociais. Você sabe o que o Autossustentável faz?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/educacao-ambiental-voce-sabe-o-que-o-autossustentavel-faz.html>.

Comida feita em casa: comida de verdade! Com que frequência você cozinha?

Em minha família, a ideia de fazer boas refeições, de cozinhar a própria comida, planejar um cardápio semanal e ir à feira é algo cultivado desde o tempo de minhas avós. Cozinhar, por aqui é uma herança para todas as idades e sexos.

Raridade mesmo sempre foi “comer fora”. Poucas foram as vezes que em minha infância e até depois de adulta, frequentei restaurantes ou consumi alimentos pré-prontos, aqueles repletos de conservantes e vazios em nutrientes. Mesmo trabalhando oito horas por dia em escritórios, a ideia de “marmitar” sempre foi muito mais agradável, confortável, interessante e saudável.

Cozinhar
Imagem: Creative Commons

E como agora tenho horários mais flexíveis de trabalho consigo reforçar ainda mais a prática de degustar a comida feita em casa, na hora. Aquela comida que muitos chamam de “comida de verdade”. E quanta diferença faz! Para a saúde, para a disposição e até para a pele.

Em um mundo que exige uma rotina cada vez mais corrida, é compreensível o crescente consumos de alimentos tidos como “práticos”. Mas, uma vez que cozinhamos, descascamos e misturamos, sabemos o que de fato, estamos colocando para dentro do corpo. Ainda que lidemos com muitas questões sobre agrotóxicos e afins, cozinhar ainda garante um cuidado mais genuíno sobre a própria saúde e menos dependência de um sistema que cria cada vez mais padrões de consumo inviáveis, insustentáveis (de várias formas – do ambiental ao econômico) e insalubres (das mais diversas formas).

Comida Caseira
Comida Caseira

Um conselho antigo mas verdadeiro

Sabiamente, minha mãe sempre diz que comida que faz bem vem de feira, sem embalagem e exige trabalho manual com atenção e amor. Além disso, a cooperação de toda a família (aqui em suas diversas formas em que o amor prevalece) para o preparo das refeições torna tudo ainda mais “rico”, pois além dos nutrientes para o funcionamento do corpo, envolve união e compreensão. E isso cria uma atmosfera de presença amorosa e atenciosa que aquece o coração e aumenta nossa resistência para encarar a rotina.

Amor
Imagem: Creative Commons

Tudo isso é algo realmente transformador. Aprender a cozinhar e fazer isso com aqueles que amamos é uma experiência que nos muda. E como aprender a cozinhar? Aquele programa de culinária, aquele canal no Youtube pode nos proporcionar inspirações e vontades iniciais e devemos aproveitá-las para dar iniciar a prática. A prática com amor que proporciona cuidado ao cozinhar, responsável pela melhoria da nossa qualidade de vida.

Quando cuidamos desse lado mais artesanal da vida, aprendemos sobre os reais impactos de nossas escolhas, afinal, não dá mais para ir a supermercados e feiras e, consequentemente cozinhar, sem pensar na questão ambiental, no uso integral dos alimentos e na redução do lixo que geramos todos os dias. Caso contrário, ainda que cozinhemos todos os dias, faremos isso de forma mecânica, inconsciente e sem um propósito de transformação e criação de hábitos realmente saudáveis.

Sobremesa
Imagem: Creative Commons

Encare a cozinha como uma escola de reeducação para consumo e compaixão irrestrita, quando, por exemplo, optamos por alimentos que não sejam de origem animal. Afinal, já não é segredo o cenário a que os animais são expostos diariamente para satisfazer paladares diversos ou padrões de consumo alimentar impostos.

A compreensão de  preparar a famosa comida de verdade nos coloca diante do nosso potencial criativo e isso é altamente motivador. Sem contar que cozinhar garante economia e também nos desperta habilidades e certamente um refino em nossos paladares e a sensação de que estamos nos alimentando bem. É tudo questão de estar atento ao mensageiro e a mensagem que essa convivência saborosa nos traz, afinal, cozinha também é palco de memória afetiva e isso é um ingrediente certeiro para o êxito de qualquer receita.

Vegan
Imagem: Creative Commons

Repensar nossos hábitos e criar novas práticas expressa responsabilidade

 Diariamente buscamos informações sobre reutilizar, reciclar, reduzir e repensar nossa forma de consumo, mudar nossos hábitos. E cozinhar garante uma boa parte dessa mudança porque muita coisa começa na cozinha.

Cozinhar
Cozinhar

É nítido que muita gente já segue interessada sobre políticas ambientais das empresas que fornecem os sabores que chegam às prateleiras e mesas. Há um crescimento considerável na busca de alimentos orgânicos e incentivo a pequenos produtores. Eventos quase que diários sobre a necessidade de criar consciência e alimentar-se melhor. Falta muito?  Sim, falta, mas estamos na jornada e avançando.

A ideia de “comida de verdade” e de preparar, ressurge no cenário atual como um sinal de que temos energia de sobra para exercer a prática do cuidado honesto e para nos relembrar que todo e qualquer “sabor” que experimentamos no mundo sempre nasce primeiro em nós. Quando o consumidor se reeduca, reeduca aquele que fornece e é assim que mudamos o mundo!

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AMORES, Valéria. Comida feita em casa: comida de verdade! Com que frequência você cozinha?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/comida-feita-em-casa-comida-de-verdade-com-que-frequencia-voce-cozinha.html>.