Precisamos criar propostas e projetos!

Após a maior tragédia científica nacional, o incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro, fiquei me perguntando: “O que podemos fazer para que os espaços púbicos tenham mais incentivo de público, de valorização e de financiamentos?”.

Fachada Museu Nacional
Museu Nacional do Rio de Janeiro. / Imagem: UFRJ

Desde a graduação me envolvi com a pesquisa. Sou uma eterna estudante e não pretendo parar. A pesquisa científica traz oxigênio para qualquer área do conhecimento, motiva, produz inovação e crescimento. Lembro como se fosse hoje do dia em que recebi o valor da primeira bolsa de iniciação científica: R$ 241,30, em 1998. Naquela época equivalia ao valor de uma disciplina da graduação e a minha obrigação era dedicar 20 horas por semana à pesquisa.

Para conseguir uma bolsa, menos de 1 ano após iniciar os estudos de Direito, precisei fazer parte de um grupo de estudos sobre direitos humanos e suas garantias fundamentais. No decorrer da graduação a pesquisa se estendeu para direito ambiental e ao final inclusive direito indígena. Estávamos analisando a possibilidade de criação de uma área de conservação e encontramos uma tribo indígena dentro da área pretendida.

Bacia do Rio Camaquã
Região da Bacia do Rio Camaquã. / Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Foram 4 anos e meio de estudos, de visitas de campo junto com os alunos de biologia, geologia, economia, administração. Entrevistei muitas pessoas, moradores da região, e descobri o que era ITR (Imposto Territorial Rural), e também que muitos deles não tinham CPF ou título de propriedade da terra.

 Visita campo
Pesquisa realizada na região da Bacia do Rio Camaquã. / Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

A cada semestre era necessária a apresentação de resultados parciais de pesquisa, perante uma banca de professores do CNPQ. Com a pesquisa aprendi muito mais do que Direito, aprendi muito sobre transdisciplinaridade, sobre convivência, sobre administrar tempo e prestar contas, sobre responsabilidade, sobre organizar eventos e ideias e saber apresentá-las.

Vida acadêmica
Meu orientador Dr Anderson Cavalcante Lobato. / Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Enquanto via as imagens do incêndio no Rio, me vinham as imagens das viagens, das premiações, dos muitos e muitos dias na biblioteca da Universidade. E voltou um sentimento, como uma faísca que se acende, de que temos muito ainda a propor e a apresentar para contribuir com nosso país e com a ciência.

Já ouvi de um funcionário de Recursos Humanos que eles possuíam verbas disponíveis para financiamento de projetos, mas não havia candidatos. Quando passo por um centro histórico, seja em Santos, São Paulo, Porto Alegre ou em Salvador, fico pensando que deveríamos apresentar projetos para revitalização das construções antigas (algumas tombadas como patrimônio histórico, cultural, arquitetônico). Isso martela na minha mente: vamos criar projetos! Vamos afogá-los de projetos!

Todos os envolvidos com educação, cultura, meio ambiente e iniciativas sociais, em algum momento já colocaram no papel algum projeto. Claro que há algumas burocracias, mas o que precisamos agora são pessoas dispostas a colocar as boas ideias e as necessidades dos espaços públicos no papel.

Projetos
Imagem: Creative Commons

No último mês celebramos o mês do voluntariado. E porque não encontrar um grupo com boas ideias que só precisa de alguém que saiba como formalizar, propor e apresentar um projeto?

Ou, se você tem boas ideias, procure pessoas que possam ajudá-lo a executá-las!

Pense
Imagem: Creative Comons

Tire uns minutinhos para pensar: “Em que área eu posso ser útil? Como posso ajudar?”. Este país lindo é nosso. Os espaços públicos precisam da nossa presença, do nosso olhar cuidadoso, do nosso dedinho de cooperação.

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STEFFEN, Janaína. Precisamos criar propostas e projetos!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/09/precisamos-criar-propostas-e-projetos.html>.

Quando a alimentação é ego e quando é eco?

Mudar hábitos alimentares tem sido pauta atual e constante na vida de muitos de nós. Todos nós estamos em algum processo de transformação de hábitos em algum setor da vida.

Quando resolvi mudar minha alimentação, para uma alimentação vegana, o motivador inicial girava em torno da manutenção de minha saúde. Buscava, não por uma dieta, mas por uma rotina alimentar mais saudável e mais leve, que concedesse também, tranquilidade ao meu estado emocional.

Obtive os resultados que eu esperava no aspecto físico e emocional, na gestão de minha saúde, com acompanhamento médico correto, mas, conforme eu mergulhava no mundo de uma alimentação vegana, outras percepções foram nascendo e foram dando seus frutos: Posso dizer com segurança, que a dinâmica diária de manter um cardápio vegano foi e ainda é, uma grande escola de ajuste e autoconhecimento, que transfere a energia de um cuidado e agrado puramente egoico ao corpo e ao paladar, para o lado mais eco e de respeito à todo ser e ao meio.

Delícias veganas da cozinha do Veganices da Val. Imagem: Valéria Amores

Dentro desse processo mais eco os limites do corpo são ultrapassados e os motivadores mudam porque entendemos que nossas escolhas geram impactos e que dentre os tipos de escolhas, as alimentares geram impactos profundos, podendo ser eles positivos ou negativos. Nada escapa a essa relação na teia da vida.

O ego alimentar e o eco alimentar – Uma percepção valiosa!

Quando consumimos apenas para “matar” a fome e satisfazer nosso paladar, sem perceber o entorno, a história de cada alimento, os processos envolvidos, a forma de aquisição desse alimento, estamos então, nos movendo pelo nosso ego alimentar. Esse estado faminto que apresentamos diante dos recursos naturais, começa lá, em nossos pensamentos e foi aprendido pela cultura a qual estamos submetidos. É comum a ideia de que somos aqueles controladores de toda uma cadeia de consumo. Em parte, até somos, porque quando não há consumidores, não há fornecedores.

Noutra parte não funciona bem assim: Aquele esquema que ensina que estamos acima de todos os demais seres de Terra é falho e até excludente. Basta relembrar a imagem por si só. Estar nos extremos não é fazer parte, não é mesmo? E sobre a ideia de controle, vale pensar se realmente controlamos o que está além de nós.

Um estado faminto de ser, vem de fome e o significado de fome, em muitos dicionários, não é positivo como pensamos! Fome está sempre associada a escassez, roubo, tomada, posse, devastação. Se nossa presença no planeta se resume a esse movimento, os resultados que nos chegam apresentam a mesma qualidade e densidade, porque não há uma ação que não dê seus frutos.

Ao observar a fotografia atual de nossos recursos naturais, a distribuição destes recursos, o desequilíbrio entre abundância e escassez, a presença da miséria, o aumento dos níveis de extinção, devastação, poluição, desastres naturais, doenças e falta de empatia, fica evidente que estamos mais famintos do que nunca. O ego alimentar inclui excesso de consumo e o consumo de alimentos de fontes, que de alguma forma, desrespeitam os ciclos naturais e bonitos da vida.

Imagem: Creative Commons

O eco alimentar vem nos trazer um outro lado! Eco tem relação com alimentar e o significado de alimentar envolve cooperação, colaboração, sustentar, criar, cuidar. A dinâmica da proposta é outra e por si só traz outra energia.

No eco alimentar, as escolhas consideram os impactos. Há o cuidador consciente que abdica de ser o consumidor consciente, existe apreço pela história daquele alimento, por manter a dinâmica orgânica da vida, dos ciclos. É validada a importância de cada ser senciente, como um ser que compõe o planeta, não para fins de exploração. Se fomenta a simplicidade criativa e o bom uso do que se tem e da melhor forma, sem desperdício.

Imagem: Creative Commons

Vivendo a rotina eco alimentar

Tal rotina traz o resgate do artesanal, do fazer, do elaborar, que favorece o autoconhecimento, a empatia, a presença mais concentrada e cuidadora no mundo. Ponto fundamental para uma vida sustentável. Vale a pena reparar o movimento diário de consumo alimentar, sem medo e sem culpa e com boas doses de experiências, de vivências. Vale transformar a rotina. Para isso, permita-se ir a eventos com a proposta vegana ou ao menos vegetariana, sente-se desapegado de juízos e conceitos em uma palestra, ouça, pergunte, veja documentários, teste receitas (você vai se surpreender com os sabores). É o passo de coragem que gera a ajuda.

Delícias veganas da cozinha do Veganices da Val. Imagem: Valéria Amores

Harmonizando para ser genuíno

Algo a se observar e exercitar todos os dias, é a empatia com a escolha do outro. Já foi dito anteriormente que nascemos sob o toldo de uma cultura, de hábitos estabelecidos e criamos pensamentos e percepções que levamos conosco e repassamos. Todos, portanto estão aprendendo. Eu, inclusive (risos!). Leva tempo para que mudanças se instalem. Cada um tem o seu tempo e medida. É preciso respeitar.

Se saímos de uma posição de controle dos recursos, para uma posição de controle de pessoas, estamos no mesmo ego que antes. O que muda é apenas o conteúdo do prato e mudando-se apenas o conteúdo do prato e não a consciência, na verdade, não se muda nada. É a mesma energia faminta que guia e devasta.

Imagem: Creative Commons

Tenho aprendido dia a dia que cativar, gera mais resultados que o assustar e o impor uma ideia. Nos tornamos eco, quando nossa natureza interna também tem suas flores a oferecer e aí sim estaremos agregando valor a causas.

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AMORES, Valéria. Quando a alimentação é ego e quando é eco?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/09/quando-a-alimentacao-e-ego-e-quando-e-eco.html>.

Como viver na cidade e ser sustentável?

Das altas comunidades agrícolas do deserto nas montanhas de Drakensberg, na África Austral, até as ilhas tropicais na Tailândia, as pessoas estão percebendo as mudanças climáticas. A conscientização está aumentando o ímpeto e a mensagem está reverberando que a sustentabilidade é essencial para a nossa saúde e a do planeta.

Pouco mais de 55% da população mundial vive em áreas urbanas e espera-se que esse número cresça à medida que mais pessoas migrarem para as cidades. De acordo com pesquisadores globais que contribuem para o Project Drawdown, já temos as informações necessárias para reverter as mudanças climáticas nos próximos 30 anos. Aqui estão algumas idéias fáceis para você tornar sua vida na cidade mais sustentável.

Três ações revolucionárias que você pode fazer agora

1. Modifique sua dieta

A maneira mais rápida de reduzir a carne e os laticínios de sua dieta é ingerir mais vegetais, arroz e feijão. Mas talvez você esteja pronto para adotar uma dieta totalmente vegana. Vá em frente!

Se isso não é para você, você ainda pode reduzir o impacto, substituindo uma ou duas refeições por semana (no início) com uma escolha vegena ou vegetariana, como ter um cogumelo portobello e polenta em vez de um hambúrguer. Ou não faça da carne o foco principal da sua refeição.

Alimentação
Imagem: Creative Commons

Para gerar um impacto ainda mais sustentável, compre frutas e vegetais cultivados localmente. Uma dieta vegana é uma escolha inteligente para o meio ambiente, pois economizará água, retardará o desmatamento, reduzirá as emissões de gases do efeito estufa e utilizará as terras agrícolas de maneira mais eficiente. E isso sem contar os beneficios para sua saúde!

2. Compre Menos, Use Menos, Descarte Menos

Os 20% mais ricos do mundo consomem 76,6% dos bens e recursos do mundo, de acordo com os Indicadores de Desenvolvimento do Banco Mundial.

Reduzir seu consumo terá impacto na cadeia de suprimentos e atrasará a produção na fonte, reduzindo assim o desperdício que eventualmente acabará em um aterro sanitário.

Reduza a quantidade de plástico que você usa, carregando suas próprias sacolas reutilizáveis ​​e garrafas de água, por exemplo. Faça o seu melhor para comprar a granel e escolha produtos que tenham menos embalagem.

Lixo
Imagem: Creative Commons

Se você tem o poder de decisão na sua casa, considere o uso de vidro inteligente e termostatos inteligentes, lâmpadas LED, banheiros de baixo fluxo, chuveiros, máquinas de lavar e isolamento de alta qualidade.

Colete a água da chuva em caixas especializadas. Economize água fria não utilizada do seu chuveiro para regar as plantas de casa, ou até mesmo redirecione os canos para regar as árvores.

Se você tem espaço ao ar livre, inicie ou reforme um jardim existente com plantas resistentes à seca, em vez de gramados sedentos. Construa uma pilha de compostagem ou use uma caixa de minhoca. Seja criativo e divirta-se!

3. Recicle

Tente apontar para o desperdício zero, em que todos os resíduos domésticos são reutilizados ou reciclados. Faça uso de suas lixeiras de reciclagem. Garrafas de plástico e sucatas podem ser transformadas em ecobricks para projetos de construção criativa.

Reciclar
Imagem: Creative Commons

Adapte as correspondências indesejadas para fazer colagens, reutilize jornais antigos. A principal sugestão da lista de 100 principais soluções do Drawdown para reverter a mudança climática é garantir que você recicle corretamente seu antigo refrigerador, para converter os HFCs em algo menos tóxico para a atmosfera. Trabalhe com grupos locais e internacionais para apoiar a reciclagem adequada e mudar para refrigeradores naturais.

Pequenas ações podem ter grandes resultados

Como consumidores, temos mais poder do que geralmente pensamos. Se nos unirmos e dissermos não às práticas insustentáveis, começaremos a ver uma diferença na fonte.

Coloque sua paixão em prática participando de eventos ambientais e juntando-se a outras pessoas que compartilham ideias semelhantes para compartilhar soluções e aumentar a consciência. Organize um EcoChallenge no trabalho, na escola ou na sua comunidade.

Você não precisa fazer todas essas alterações da noite para o dia. Escolha uma ou duas ideias atraentes e veja onde ela leva você. Dar pequenos passos para se tornar mais sustentável pode ser simples e viciante.

Bike
Imagem: Creative Commons

Outras pessoas logo começarão a notar quando você for de bicicleta para o trabalho, beber com seu próprio canudo reutilizável ou cultivar um jardim próspero. Pense nas mudanças que podem ser feitas no mundo se for feito como um movimento coletivo. Por que não começar hoje?

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SOUZA, Maria Eduarda. Como viver na cidade e ser sustentável?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/09/como-viver-na-cidade-e-ser-sustentavel.html>.

Escolhas da Maternidade: Como pensar a sustentabilidade desde o berço?

Quando decidi engravidar, sabia de todas as consequências sociais e ambientais de colocar mais um serzinho neste mundo. Conheço algumas pessoas que optaram por não ter filhos, ou para manter um estilo de vida ou porque acreditam que assim contribuiriam com a super população e degradação do nosso planeta terra.

Eu decidi viver esta mágica experiência. Tentarei contribuir com minhas atitudes e ensinamentos para a minha filha, mostrando que podemos construir juntas um futuro diferente, e que ela poderá ajudar muito nisso.

Educar
Imagem: Creative Commons

Os desafios começam antes mesmo do bebê nascer! Comprar roupinhas, montar quartinho e por aí vai. Aqui em casa não tivemos muita opção, ela vai dividir o quarto com as outras irmãs e tenho certeza que será muito feliz com isso. Carrinho, banheira, berço, cadeirinha de carro e afins, tudo isso me deixava um pouco aflita. Resolvemos então (meu marido e eu) reutilizar o máximo que pudéssemos para dar utilidade a tantos itens que acabam sendo descartados, muitas vezes porque as mães não têm para quem repassar ou porque ficaram anos guardando para um próximo filho.

Fiquei muito feliz, pois conseguimos muitas coisas usadas e em ótimo estado, e ganhamos muitas roupinhas lindas de outras menininhas já empoderadas e cheias de opinião! Comprei roupas novas também, e isso foi algo que me chamou muita atenção. As lojas de departamento e as voltadas para o público infantil são feitas para enlouquecer mães de meninas. Muito mais opções de roupas, cores, estampas e sabores. Fico me perguntando o porquê disto tudo e se de alguma forma isso contribuiu para criar o estereótipo feminino tão enraizado na cultura ocidental.

Roupa bebê
Imagem: Creative Commons

A essa altura você já deve estar se perguntando: “o que ela vai fazer com as fraldas?”. Bem, já ia chegar lá. Comprei fraldas biodegradáveis para os primeiros meses de vida dela, pois o uso é extremamente intenso. Elas levam 5 anos para se decompor e são feitas de matérias primas renováveis. Um bebê recém nascido usa em média 8 fraldas por dia e ao longo de sua vida mais de 6000, sendo que as fraldas descartáveis levam até 500 anos para se decompor! Fico em pânico de pensar em contribuir para essa estatística e fazer parte da composição de um grande percentual em aterros sanitários. Depois vou testar as fraldas de pano e espero profundamente que consiga me adaptar a elas, e viver com minha consciência mais tranquila.

Fraldas de Pano
Fraldas de pano são uma opção às fraldas descartáveis e a todo resíduo que estas últimas geram. / Imagem: Creative Commons

Ainda existem diversas outras questões das quais nem me preparei ainda, como o uso de produtos de higiene e das opções comuns ou naturais e biodegradáveis. Sem contar com os brinquedos, futuros resíduos sólidos que muitas vezes não ficam em estado para doação ou reciclagem. Vejo também muitas alternativas bacanas surgindo por aí, feitos de madeira, papelão e afins. E o uso dos eletrônicos então? Este daria outro artigo inteirinho para falar sobre ele.

Brinquedos
A vida útil dos brinquedos também é um quesito que merece muita atenção. / Imagem: Creative Commons

Busco uma vida equilibrada e saudável, por isso me pego pensando se conseguirei resistir às tentações como comprar biscoitos e outras dezenas de facilidades embaladas e vendidas em camadas de plástico. E se os orgânicos continuarão sendo minha prioridade, diante do aumento considerável de compras depois da introdução alimentar. Acredito que o ideal é prezar sempre pelo bom senso e acesso como facilitadores das minhas escolhas e ações diárias.

Na verdade educar não é uma tarefa fácil, e temos sim opções mais sustentáveis. É apenas uma questão de escolha, prioridade e valores. O universo infantil pode ser a alegria para o mercado do consumismo e da obsolescência programada ou uma porta para mudanças profundas na forma de se relacionar, produzir e consumir.

Poder materno
Imagem: Creative Commons

Mais uma vez, está em minhas mãos o poder de escolha e sermos ativas para uma mudança de paradigmas e padrões. Basta ter convicção de quais valores quero passar para minha filha e como posso impulsionar neste sentido, e principalmente, como posso influenciar e apoiá-la para que ela seja capaz de fazer suas próprias decisões e escolhas.

Seguem algumas opções legais que encontrei e que gostaria de compartilhar com vocês:

Herbia – Fraldas ecológicas e cosméticos naturais.
Vendas online e pontos de vendas específicos por cidade.
http://www.herbia.com.br/

Morada da Floresta – Fraldas de pano.
https://bebesecologicos.eco.br/fraldas-ecologicas/

Pindorama Brinquedos Educativos.
https://pindoramabrinquedos.com.br/

Em São Paulo existem diversas opções e lojas de brinquedos sustentáveis e educativos.
Na internet são vastas as opções para compras online com entrega em todo Brasil.

Padaria dos Bebês.
https://padariadosbebes.com.br/

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LAZZAROTTO, Aline. Escolhas da Maternidade: Como pensar a sustentabilidade desde o berço?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/escolhas-da-maternidade.html>.

As crianças não são nosso futuro. As decisões que todos nós tomamos hoje são o futuro!

Ao longo dos anos que venho atuando como educadora na área de sustentabilidade, ouço frases e crenças que constantemente fazem parte do meu dia a dia. “As crianças são nosso futuro” é uma das que eu mais escuto. Quem nunca leu isso em uma propaganda política ou na parede de uma escola?

Entretanto, minha percepção é que algumas delas já tiveram algum efeito no passado, mas estão um pouco obsoletas. Proponho nesse artigo novas visões e versões de algumas das crenças mais conhecidas no meio da educação ambiental e sustentabilidade.

1) As crianças são nosso futuro  Que tal pensarmos assim? ⇒ As decisões que todos nós tomamos hoje são o futuro.

Independente da idade, ainda devemos ser atuantes nos desafios que enfrentamos, afinal, o que construímos hoje será o futuro. Além disso, as crianças precisam de bons exemplos e pessoas que as inspirem para que acreditem na possibilidade de um futuro, de fato, melhor.

Tempo
Imagem: Creative Commons

2) A horta morreu. Meu projeto não deu certo. Que tal pensarmos assim? ⇒ A horta morreu e meus alunos aprenderam muito com isso. Agora iremos propor novas estratégias para que as plantas possam sobreviver.

É preciso trocar a visão de que o resultado final é a parte mais importante de um projeto de sustentabilidade.  A horta, coleta seletiva ou compostagem devem ser vistas como ferramentas para transformarmos o que mais importa em um espaço educador: as pessoas e seus relacionamentos. 

Recomeçar
Imagem: Creative Commons

3) Precisamos de pessoas mais conscientes na escola. Que tal pensarmos assim? ⇒ Precisamos de pessoas mais comprometidas na escola.

Mais do que “apenas” conscientes, precisamos de pessoas comprometidas, protagonistas, corresponsáveis e atuantes na criação de soluções aos desafios presentes nas escolas e instituições. 

Participar
Imagem: Creative Commons

4) Adoro quando meus alunos concordam comigo. Que tal pensarmos assim? ⇒ Gosto muito quando meus alunos são críticos e nem sempre concordam comigo.

Por muito tempo, aceitamos tudo o que nos foi imposto e ensinado. O aluno que precisamos e queremos formar é aquele que questiona o porquê das coisas, não se contenta com aquilo que lhe é colocado e busca maneiras de transformar o status quo e paradigmas obsoletos.

Escola
Imagem: Creative Commons

5) Cada um precisa fazer a sua parte. Que tal pensarmos assim? ⇒ Precisamos criar juntos soluções permanentes, sistêmicas e significativas.

Não quero dizer aqui que se cada um fizer sua parte não será algo positivo. Apenas acredito que essa visão é muito individualista, “culpabilizadora” e pode de certa maneira imobilizar ao invés de engajar as pessoas. Vejo que se cada um for sozinho fazer sua parte, não teremos a mudança que precisamos no tempo nem alcance necessário. É preciso mais diálogo, mais conexão, mais construção coletiva.

Agir
Imagem: Creative Commons

O trabalho proposto e realizado pela educação ambiental dos últimos tempos teve muitos resultados importantes e significativos, mas ainda não chegamos onde gostaríamos de (e precisamos) estar. É necessário quebrarmos paradigmas até mesmo na maneira como levamos a sustentabilidade às pessoas.

E você, tem alguma crença que acredita que precisa ganhar um novo sentido? Alguma frase presente em seu dia a dia que precisa ser mudada? Compartilhe aqui com a gente.

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RIBEIRO, Livia. As crianças não são nosso futuro. As decisões que todos nós tomamos hoje são o futuro!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/decisoes-que-todos-nos-tomamos-futuro.html>.

Startup paulista oferece saídas inovadoras em mobilidade

A Scipopulis é uma startup paulista de inovação que desenvolve tecnologias aplicáveis e relacionadas ao trânsito nas grandes cidades.

A ideia surgiu durantes os protestos por melhoria da qualidade do transporte público, em junho de 2013. Dessa necessidade, surgiu a empresa que resolve problemas nas áreas de análise de dados de transportes, monitoramento, relacionamento, compartilhamento e mobilidade ativa. Entregando soluções aos usuários e gestores públicos do sistema de mobilidade da cidade.

Com foco na análise de dados para o ambiente urbano, a Scipopulis foi fundada em 2014 por 4 amigos: Roberto Speicys, Julian Monteiro e Marcio Cabral e Ivo Pons, com formação em ciência da computação, design e urbanismo. Hoje a equipe conta com 8 pessoas.

Scipopulis
Imagem: Scipopulis

A empresa possui um portfólio de produtos que auxiliam todos que utilizam ou trabalham com a rede de transportes a tomarem decisões esclarecidas. São 4 produtos: o Aplicativo Coletivo, o Coletivo Corporativo, o Painel do Ônibus e a Chica.

O Painel do Ônibus, por exemplo, que entrega a velocidade dos ônibus que circulam pela cidade em tempo real, é utilizado pela Secretaria de Transporte de São Paulo, que é seu principal cliente. As informações obtidas auxiliam a gestão, o planejamento e a operação do sistema de transporte coletivo.

Já a Chica foi pensada para pequenas e médias cidades ou em ambientes como condomínios e universidades e de ser um sistema que melhor se adeque às necessidades de quem se locomove diariamente. A Chica é um sistema de compartilhamento de bicicletas, porém sem a existência de estações. Assim, permite que o usuário retire e devolva sua bicicleta em qualquer local, deixando-o mais próximo possível de seu destino.

Bicicletas da Chica. Imagem: Scipopulis

Já o Coletivo é um app que usa a colaboração dos usuários para fornecer informações em tempo real sobre os ônibus e a rede de transportes da cidade de São Paulo. E o Coletivo Corporativo que incentiva os funcionários de empresas à utilizarem o transporte público.

A startup Scipopulis já foi reconhecida com destaque em diversos prêmios. Foi ganhadora do 1º Demoday Mobilab, do Prêmio Objeto Brasil, do Prêmio Connected Smart Cities e do edital SENAI SESI de inovação. Também foi finalista do Verizon Powerful Answers e ficou entre as 100 Startups do To Watch.

Imagem: Scipopulis

Conheça mais sobre a Scipopulis: https://www.scipopulis.com

Com informações: Jornal USPPortal Apex Brasil e Scipopulis

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SOUZA, L. B. Leonardo. Startup paulista oferece saídas inovadoras em mobilidade. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/startup-tecnologia-mobilidade.html>.

Tecnologia Têxtil: a fibra de Sumaúma

Para dezenas de tribos indígenas a samaúma ou mafumeira é sagrada, cultuada como a mãe da Humanidade. Trata-se da mais alta árvore da Amazônia, chegando a 65 metros. Sua copa grandiosa abriga um pequeno ecossistema. A planta tropical é nativa do México, América Central e norte da América do Sul, mas também pode ser encontrada no Sudeste Asiático e África.

Para a indústria têxtil e de vestuário, a sumaúma pode ser uma verdadeira revolução tecnológica e sustentável. A sua fibra pode ser encontrada nos frutos secos da Sumaúma, é, atualmente, considerada uma das fibras mais sustentáveis. Ela possui uma estrutura muito parecida com o algodão, mas de fibra oca.

A startup têxtil chinesa Flocus produz misturas de fios sustentáveis, tecidos e recheios para travesseiros e almofadas feitos com a fibra da sumaúma, com grande valor agregado, já que a fibra é natural e reciclável. Sua fibra tem toque macio e sedoso, tem ação antibacteriana, é resistente a mofo e à proliferação dos ácaros e é termorreguladora.

A única desvantagem é que, por enquanto, a fibra ainda não é adequada para se produzir um tecido com 100% fibras de sumaúma. No entanto, pode-se misturar com outros materiais, como o algodão e economizar grandes quantidades de água virtual.

Ao se misturar com algodão, apenas 30% de fibras de sumaúma, pode economizar 3 mil litros de água para cada quilo de algodão. Um número bastante expressivo e que vem a cada ano, aumentando com as pesquisas sobre o material.

A quantidade de água que você pode economizar misturando a fibra do algodão com fibra de sumaúma.

A startup tem o objetivo de reduzir a presença de produtos sintéticos no mercado, utilizando uma alternativa completamente natural. No fim de 2015, a Flocus recebeu o prêmio da Performance Days por seu tecido de sumaúma ter sido escolhido o mais inovador e ecológico entre quase 850 outros tecidos.

É ou não uma incrível inovação tecnológica e sustentável da indústria têxtil?

Com informações de: Flocus, Stellini e Stylo Urbano

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Comida da Gente: compras coletivas e tecnologia em prol do consumo sustentável

Uma comunidade de consumidores e produtores baseada no relacionamento direto.

Se você é aquele que defende os alimentos orgânicos e que valoriza o produtor local, você precisa conhecer o Comida da Gente, um grupo de compras online que compra direto do produtor.

O grupo surgiu em 2013, quando William, um produtor de tomates se viu diante de uma produção de mais de uma tonelada excedente de tomate e decidiu vendê-los entre amigos para que não tivesse prejuízo e jogasse fora os tomates. Junto com Tatiana e Nilton criaram um grupo online para facilitar a comunicação e iniciou-se o processo de venda dos tomates.

A experiência deu tão certo que alguns meses depois, William resolveu utilizar a mesma dinâmica de compra coletiva com arroz orgânico biodinâmico. A partir daí, surgiram várias novas compras envolvendo alimentos e iniciadas por diversas pessoas. Com o tempo, o grupo passou também a comprar produtos não alimentares, como óleos essenciais, produtos de limpeza e artesanatos.

Em agosto de 2015, o grupo já contava com mais 10.000 pessoas espalhadas por mais 20 grupos em todo o Brasil. Cresceu tanto que virou uma plataforma fora das mídias, onde alia tecnologia e soluções sustentáveis em rede sociais. O projeto veio para facilitar a compra colaborativa de produtos saudáveis e resolver o problema do escoamento da produção de alimentos.

Imagem: Comida da Gente
Imagem: Comida da Gente

O Comida da Gente é baseado em Comunidades de Compras: grupos de pessoas que se unem para comprar a preço de atacado diretamente de produtores, através do modelo de compras coletivas.

Produtores e compradores se empoderam recriando novas cadeias de produção e consumo gerando acesso a uma maior variedade de produtos com melhor custo benefício: melhores condições de compra para o consumidor e melhores condições de venda para o produtor.

https://youtu.be/_IxU_yZkTbk

Os princípios do Comida da Gente são baseados no trabalho interativo e colaborativo. Esta dinâmica proporciona uma cadeia mais eficiente, com eliminação de desperdícios e aproveitamento de recursos ociosos, estabelecendo relações de confiança e o fortalecimento de laços comunitários.

Como funciona

O Comida da Gente funciona com um modelo de compras coletivas. Pessoas se unem para comprar a preço de atacado diretamente de produtores, através de Campanhas de Compra coordenadas por membros da comunidade que são chamados “Organizadores”.

Comida da Gente
Imagem: Comida da Gente

Toda a semana é enviada uma mensagem com as listas de compra disponíveis nas cidades e as atualizações da plataforma.

O papel de cada um no processo pode variar. Você pode participar somente como comprador, oferecer para deslocar produtos ou até mesmo organizar uma campanha de compras.

Onde Comprar

Ele está presente em várias cidades do Brasil. Veja as Comunidades de Compra que já existem perto de você.

Gostou da ideia? Indique a rede para as pessoas do seu condomínio, seus vizinhos, familiares e amigos, e possibilite também para eles essa forma revolucionária de consumo consciente.

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SOUZA, L. B. Leonardo. Comida da Gente: compras coletivas e tecnologia em prol do consumo sustentável. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/comida-da-gente-rede-de-compras-colaborativas.html>.

Gravity Light: Uma luz que funciona por gravidade

A lâmpada de LED fica acesa por 30 minutos a cada ciclo

Você tem acesso a eletricidade confiável em casa a um preço acessível? Saiba que para 1 bilhão de pessoas (cerca de 13% da população mundial) isto ainda é apenas um sonho. Sim! Esse é o número de pessoas que ainda não tem acesso à eletricidade no mundo.

Muitos recorrem aos obsoletos lampiões de querosene para iluminar seus lares, mas são um grande risco para quem usa e para o meio ambiente. Na queima, os lampiões liberam no ar gases potencialmente cancerígenos e poluentes e também é uma fonte não muito segura por conta do perigo de incêndio.

Lampião de querosene. Imagem: The GravityLight Foundation

Por essa razão, a dupla de designers, Martin Riddiford e Jim Reeves, desenvolveram uma lâmpada que precisa, apenas, da força da gravidade para ser acesa. Foram quatro anos de pesquisas e muito trabalho para que o projeto ficasse pronto.

Imagem: The GravityLight Foundation

O projeto, batizado de Gravity Light, usa a gravidade para fornecer luz para as populações ainda excluídas do mapa quando o assunto é eletricidade. O Gravity Light é uma solução paliativa, mas bastante útil e eficaz.

Imagem: The GravityLight Foundation

Mas como ele funciona? É um pequeno gerador que acende um LED de alta potência. A energia gerada vem do peso de um saco cheio de areia ou de pedras, por exemplo, que desce lentamente. As engrenagens do interior do aparelho fazem todo o trabalho, convertendo a energia cinética em eletricidade.

Imagem: The GravityLight Foundation

O ciclo dura de 20 a 30 minutos. Para continuar a ter luz, basta puxar a corda, reposicionando novamente o saco na posição mais elevada, conforme a imagem a cima. Uma ideia simples, seguro e que pode iluminar bem um ambiente.

Imagem: The GravityLight Foundation

Além do preço ser bastante acessível, a tecnologia dispensa o uso de baterias (utilizadas em placas solares, por exemplo).

Para mais informações, acesse: https://gravitylight.org/

Com informações: Portal EnergiaSuper Interessante e The GravityLight Foundation

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Saiba como colocá-lo nas referências:

SOUZA, L. B. Leonardo. Gravity Light: Uma luz que funciona por gravidade. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/gravitylight.html>.

Smart Grid: a rede elétrica inteligente

É fato que a cada dia consumimos mais e mais eletricidade. Além dos essenciais equipamentos para qualquer casa como geladeira, televisão, chuveiro elétrico, há também aquela sua cafeteira, micro-ondas, ferro de passar. Também entram nessa conta os nossos celulares e carregadores, computadores e notebooks e, uma infinidade de gadgets.

Para poupar nossos recursos naturais e também o nosso bolso, precisamos sempre tentar reduzir nosso consumo de energia ou consumi-la de modo mais inteligente. Dessa necessidade de se consumir energia com eficiência, surgiu o Smart Grid.

Mas o que é o Smart Grid?

As smart grids são redes inteligentes de transmissão e distribuição de energia com base na comunicação interativa entre todas as partes da cadeia de conversão de energia. As smart grids conectam unidades descentralizadas de geração grandes e pequenas com os consumidores para formar uma estrutura ampla. Elas controlam a geração de energia e evitam sobrecarga da rede, já que durante todo o tempo apenas é gerada tanta energia quanto o necessário.

Graças à tecnologia, as smart grids conseguem responder a várias demandas da sociedade moderna, melhorando o desempenho em todo o sistema (eficiência energética), reduzindo os custos e ajudando no desenvolvimento sustentável.

Como funciona?

O Smart Grid é um sistema que automatiza não só o monitoramento, mas toda a gestão do uso de eletricidade. Começa-se pelos antigos medidores de consumo que são substituídos por medidores digitais.

Esta tecnologia tem como base uma nova arquitetura de distribuição de energia elétrica, mais segura e inteligente, que promove a integração e possibilita ações aos usuários a ela conectados.

Aliando tecnologia e automação de processos, equipamentos e protocolos, os sensores inteligentes são capazes de medir a qualidade da energia, proporciona o envio e recebimento de informações em tempo real, permite e um consumo de energia mais eficiente.

Benefícios

Já os benefícios são os mais diversos possíveis.

  • Causa um impacto significativo nos custos operacionais, uma vez que as informações são enviadas automaticamente e em tempo real;
  • É um modelo de negócio mais sustentável, pois ele viabiliza a redução de emissão de gás carbônico e outros resíduos poluentes;
  • Permite o acompanhamento constante do consumo individual na rede;
  • Com o Smart Grid é possível identificar com rapidez possíveis irregularidades na rede e fazer rapidamente correções ao detectar algum problema.

Pode parecer pouco, mas o Smart Grid representa uma grande evolução e também uma revolução energética no fornecimento e distribuição de energia.

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SOUZA, L. B. Leonardo. Smart Grid: a rede elétrica inteligente. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/smart-grid.html>.

Informação (correta) é poder! O direito à informação que garante o poder de decisão

Nos últimos meses a mídia tem acompanhado dois debates calorosos no Congresso Nacional: a alteração da lei de biossegurança (transgênicos) e o projeto de lei que normatiza a venda de orgânicos.

Em ambos os casos pipocaram opiniões e informações de todos os lados, algumas inclusive gerando confusão e sentimento de revolta. Isto ilustra o fato de como a manipulação de informações pode afetar nossa capacidade de decisão.

Imagem: Creative Commons

É comum encontrarmos nas mídias sociais as seguintes frases: “fulano não me representa” ou “beltrano me representa”. Quando falamos em leis, o principal objetivo do Congresso Nacional é produzir as leis que nos representam. Toda a legislação de um período histórico deve representar a vontade da sociedade naquele momento. E é preciso admitir que hoje, ou pela imensidão deste país, ou pela falta de diálogo generalizado (todos estamos falando sozinhos na maior parte do tempo) ou ainda pela má decisão no momento das urnas, as leis não refletem mais a vontade do povo.

Outra dura verdade é a constatação de que estamos reféns de notas e opiniões classificadas como informação. Cada divulgação representa apenas parte de uma questão e para podermos decidir efetivamente, precisaríamos de muito mais informação. A informação é um direito humano, ou seja, vale mais que todas as outras leis, deve ser respeitado e sua aplicação garantida. Contudo, com fragmentos de informação misturados com fakenews, nenhum de nós será capaz de decidir com plenitude.

Fake news
Imagem: Creative Commons

Para ilustrar, vou relatar uma pequena pesquisa informal que fiz nos últimos dias relacionada à alteração da lei de biossegurança (transgênicos) e ao projeto de lei que normatiza a venda de orgânicos.

Com relação ao Projeto de Lei nº 34/2015,
que “Altera a Lei de Biossegurança para liberar os produtores de alimentos de informar ao consumidor sobre a presença de componentes transgênicos quando esta se der em porcentagem inferior a 1% da composição total do produto alimentício”
Uma amiga, que se manifestou muito sobre isso no Facebook, foi questionada por mim em uma pausa para um café: “Você costuma buscar pelo T indicativo de transgênicos nas embalagens antes de comprar um produto?”.
E a resposta foi: “Tem marcas que eu gosto e que colocam o T na embalagem, mas eu já estou acostumada com aquele produto…” .
Ao que repliquei: “Mas então você não se importa em ingerir transgênicos?”
E ela: “Não! Não quero transgênicos na minha alimentação!”

Com relação ao projeto de lei que normatiza a venda de orgânicos,  também na hora do cafezinho, questionei uma segunda amiga sobre os orgânicos: “Você costuma comprar orgânicos? De quem você compra?” .
E ela respondeu: “Orgânico eu compro morangos e pimentões, porque são os campeões de agrotóxicos, mas os outros alimentos compro os normais.”.
Então perguntei: “Mas você compra os orgânicos onde?”.
E ela: “No supermercado.”.

Em ambos os casos podemos observar uma falha de informação ou de decisão. O que ocorre é que estamos dependendo de alguém que nos diga que tipo de alimento ingerir e este alimento ideal deve ser da marca que simpatizo e estar no local mais prático onde encontro de tudo um pouco.

Labirinto
Imagem: Creative Commons

Talvez precisemos de um pouco mais de esforço genuíno para chegarmos ao ponto de poder escolher conscientemente não apenas o que comer, mas também os nossos representantes. Pois a marca que você gosta, te representa, mesmo com o T de transgênico estampado; e os supermercados não são os maiores representantes dos produtos in natura.

A verdadeira informação a que temos direito deve vir de fonte segura, deve nos dar certezas sobre conteúdo, a fim de que possamos decidir e nos manifestar sobre aquilo que efetivamente queremos.

Informação
Imagem: Creative Commons

Para começar, familiarize-se com o tramite das leis e saiba quem está propondo exatamente o quê. Acesse os sites da Câmara dos Deputados e do Senado e busque as propostas e proposições do seu representante, aquele em quem você votou há alguns anos.

Só por curiosidade, o deputado Tiririca, apresentou mais de 30 projetos de lei que visavam a melhora das condições da classe circense e da atividade dos circos. Ao que verifiquei, ele está fazendo exatamente o que se propôs.

Para saber mais sobre os projetos de lei citados acesse:
Alteração da Lei de Biossegurança – clique aqui
Alteração das regras de venda de produtos orgânicos – clique aqui 

Acesse os sites da Câmara dos Deputados (clique aqui) e do Senado(clique aqui).

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STEFFEN, Janaína. Informação (correta) é poder! O direito à informação que garante o poder de decisão. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/direito-a-informacao-garante-poder-de-decisao.html>.

As emissões vêm da agropecuária (e da ilegalidade do desmatamento)

O Brasil é um dos 10 maiores emissores de gases de efeito estufa do mundo.

GEE
Imagem: Creative Commons

Pudera! O Brasil é, há algum tempo, uma das 10 maiores economias do mundo, possui uma das 10 maiores populações do mundo e é um dos 10 maiores países do mundo. A grandeza gera grandeza e, por consequência, os problemas associados à grandeza.

Contudo, o Brasil é uma grande exceção no que tange a emissões de gases de efeito estufa. Considerando países com o mesmo grau de desenvolvimento que o nosso, seria de esperar que a ampla maioria de nossas emissões seria aquela relacionada à atividade industrial ou mesmo aos serviços. Mas etse está longe de ser o nosso caso.

De acordo com o inventário de emissões da SEEG – Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa, iniciativa do Observatório do Clima que conta com o apoio da nata da pesquisa climática brasileira, os dados de 2016 (mais atualizados, inclusive, que os dados do governo) mostram que 73% do total das emissões brasileiras, vêm da atividade agropecuária.

Gado
Criação extensiva de gado. Imagem: Jornal Oeste

Ora, ante o peso da agropecuária para a economia brasileira é natural que haja um grande peso em sua participação total. Mas, infelizmente, é algo desproporcional – estimativas comparativas entre emissão de GEE no Brasil e no mundo mostram que nosso gado emite quase o dobro que a média mundial – seja por conta de técnicas pouco eficientes, seja por pouca preocupação.

Soja
Plantações de soja e a ameaça do deflorestamento. Imagem: IPAM

A eficiência é, neste sentido, necessária para que possamos cumprir qualquer meta de redução. E temos uma meta autoimposta muito clara: uma redução de quase 40% das emissões totais de GEE no Brasil até o final da próxima década. Mais do que essa, contudo, consta a meta de eliminação das emissões por desflorestamento ilegal nesse mesmo período. E aí que consta nosso problema: a ilegalidade das emissões.

Queimada
Queimada no bioma cerrado. Imagem: EBC

Hábitos alimentares podem ser alterados, hábitos de consumo podem ser observados, mas o principal problema do Brasil é, foi e tende a continuar sendo o cumprimento da lei. Fica para o futuro a dúvida sobre a complexidade que será o seu cumprimento pleno.

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MALTA, Fernando. As emissões vêm da agropecuária (e da ilegalidade do desmatamento). Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/emissoes-agropecuaria-ilegalidade-desmatamento.html>.

Você sabe como descartar corretamente seus eletrodomésticos e eletrônicos?

De acordo com dados de 2015 do IBGE, 97,8% dos brasileiros possuem geladeira em sua residência. Além disso, 97,1% possuem televisão e 61,1% possuem máquina de lavar. A despeito da crise econômica que nosso país tem enfrentado, há perspectivas de que estes números tenham crescido ainda mais.

Considerando que todo produto possui uma determinada vida útil, podemos imaginar que, aos poucos, cada um destes itens precisará ser descartado. Diferente do que imaginamos sobre as meias que somem gradualmente ao irem para a lavanderia, estes eletrodomésticos e eletroeletrônicos não vão para a Terra do Nunca, na maior parte das vezes eles são descartados de forma irregular e irresponsável.

Eletrônicos descartados de forma incorreta. Imagem: Creative Commons

É fato que, embora o Brasil tenha estabelecido a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que obriga as empresas a aceitarem e darem destino correto aos seus produtos descartados, ainda temos visto pouquíssimas iniciativas efetivas e viáveis neste sentido.

Imagem: Pensamento Verde

Provavelmente você já ouviu falar sobre logística reversa e economia circular. Foi com um olhar voltado para conceitos como estes que a Embraco, empresa global de soluções para refrigeração, desenvolveu o Nat.Genius, uma unidade de negócios responsável pela logística reversa de eletroeletrônicos e componentes, dentro do conceito da economia circular. Nos três últimos anos o Nat.Genius devolveu mais de 20 mil toneladas de materiais reciclados ao processo produtivo. Com o aço reciclado de 2015 a 2017 pelo projeto poderiam ser produzidos aproximadamente nove mil automóveis e 2/3 da Torre Eiffel poderiam ser construídos com o ferro reciclado.

Assista a este vídeo para entender melhor como funciona o projeto.

http://www.youtube.com/watch?v=9IZTIFzpEec

A iniciativa, considerada referência mundial, está entre os cases levantados pelo estudo Uma Economia Circular no Brasil: uma abordagem exploratória inicial, desenvolvido pela Fundação Ellen MacArthur, entidade global referência em economia circular em grande escala. O estudo avalia cases de sucesso no Brasil e serve de inspiração para acadêmicos e indústrias nacionais de diferentes setores.

Atualmente, a operação Nat.Genius tem capacidade para recolher anualmente 2 milhões de eletroeletrônicos e seus componentes. Ou seja, é possível descartar corretamente aquele eletrodoméstico ou eletroeletrônico que deixou de funcionar!

Imagem: Print retirado do site Nat.Genius

O que falta é a conscientização por parte do consumidor em entender a importância de ações como esta, bem como cobrar dos fabricantes e do governo que estas soluções sustentáveis estejam ao alcance da população e sejam viáveis tanto para as corporações como para o consumidor final.

Se você quer entender um pouco mais sobre economia circular, assista a este vídeo:

Conhece outras iniciativas de descarte responsável de eletrodomésticos e eletroeletrônicos? Então compartilha com a gente!

Se quiser saber um pouco mais sobre:
Nat.Genius, clique aqui.
Fundação Ellen MacArthur, clique aqui.
Economia Circular, clique aqui e clique também aqui.

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LOPPNOW, Stephani. Você sabe como descartar corretamente seus eletrodomésticos e eletrônicos?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/08/descartar-corretamente-eletrodomesticos-e-eletronicos.html>.

Sustentabilidade no cardápio? Voluntariado em cozinhas conscientes!

A participação na cozinha não “ensina” apenas a cozinhar, mas cria o “gostar de cozinhar” e de cuidar. Há uma conexão com comida de verdade por meio de atividades culinárias. Além disso, todo o sustento da ecologia externa e da sustentabilidade que muito se busca, depende também do despertar de nosso lado cuidador e da prática efetiva da cooperação.

Flores
Imagem: Valéria Amores

A “água certa” pode ser um serviço voluntário em uma cozinha!

Ir para a cozinha é uma sábia decisão. Na cozinha, existe a experiência de reeducação do nosso ego e uma conexão com nossa ecologia interna, que faz emergir nosso jeito mais “eco” de ser.

Uma experiência na cozinha pode despertar o potencial criativo, curativo e cuidar de todo esse cenário interno, de forma interessante: Ir para uma cozinha compartilhada ou uma cozinha ecológica com rotinas bem definidas, uma cozinha que atenda a sociedade gratuitamente ou a grupos específicos, uma cozinha temporária de eventos, de campanhas de ajuda, mostra exatamente que um movimento de restauração do planeta e dos seres, é possível e vem da humildade e da união de ações.

Cozinha voluntária
Voluntariado em cozinha de retiros culinários e na cozinha da Val. Imagem: Valéria Amores

O que se experimenta no voluntariado em cozinhas

1. Há horários interessantes estabelecidos
Esteja pronto para ver o sol nascer e a dormir cedo. Essa mudança para alguns pode parecer desconfortável, mas reconecta o ser com o ciclo natural do dia. Você amanhece junto, pouco a pouco e acaba apreciando uma bela paisagem. Exercita contemplação, disciplina e comprometimento com uma ideia de mudança real.

Nascer do sol
Imagem: Valéria Amores

2. Mãos na terra
Muitos lugares com cozinhas coletivas ou de suporte a retiros, eventos, ou ecovilas, que, por exemplo, possuem horta. Então é bem interessante a ação de ir coletar verduras, flores comestíveis, ou mesmo frutas. Essa conexão com o orgânico e a participação na colheita do alimento dá ainda mais entendimento de que culinária começa lá, no semear. Tudo é etapa, cuidado e cooperação. Nossa com outros, nossa com o meio e sim, do meio conosco, quando respeitado.

Plantar
Imagem: Valéria Amores

3. Controle sustentável e inteligente do estoque
Prepare-se para aprender sobre medidas, quantidades, reabastecimento, uso de embalagens ecológicas, higiene. Esse entendimento traz a importância do senso de medida para que de fato aja consumo consciente e zero desperdício. Aprender a usar somente o necessário e se reeducar é um presente. Aqui, está implícita ainda, uma educação financeira e o bom uso dos recursos. Você vai controlar e não esbanjar sem planejamento. Vai perceber que conservação de itens, muitas vezes não exige luxo, mas criatividade, reuso e limpeza.

4. Manejo de resíduos
Muitos destes locais possuem minhocário, fazem compostagem, usam resíduos em receitas, compartilham entre os voluntários para que nada se perca. Saber o que aproveitar e o que não, é uma lição e tanto. Aqui entra, certamente, o separar correto do lixo. Estes locais possuem lixeiras ecológicas. O êxito do sistema instalado depende também da conscientização dos voluntários. Imagine absorver a ideia em dois ou três dias sem a mania de “uma hora eu pratico”? Vai além folheto de conscientização para a ação.

5. Consumo de itens da época mais consumo dos produtores locais
Quase tudo que é usado nestas cozinhas especiais, vem de comércio local. Salvo o que existe na horta e é suficiente. Isso fortalece economia das comunidades e cria bons vínculos cooperativos. Além disso, receitas com legumes, verduras e frutas da época mantêm a conexão com o ritmo da natureza.  Aprende-se o que consumir sem desestabilizar o meio. Alimentos de época são mais baratos e até mais saborosos.

Produtores
Imagem: Creative Commons

6. Limpeza com produtos ecológicos e uso inteligente e responsável da água
Cozinhas como estas possuem propósitos bem especiais e certamente vão optar por uma limpeza mais ecológica do espaço. Nada que agrida o meio e os seres. A água da chuva bem usada nas cisternas e a água das torneiras usadas com o bom senso de medida.

7. Energia solar e luz natural
Muitas já fazem uso de placas solares e a maioria mantém uma boa iluminação para os afazeres culinários durante o dia. Mais uma forma de respeito ao meio. Há luz de sobra lá fora e, também, no sol dos corações que se voluntariam.

8. Inspiração dos presentes
Os que recebem o alimento que vem destas cozinhas percebem a dinâmica do cuidado que existe durante todo pré-preparo e preparo. Percebem o carinho e se surpreendem com o sabor da simplicidade. Ficam encantados com a ideia de cuidar efetivamente do meio e carregam isso com eles. Certamente alguma coisa muda na cozinha da casa deles depois.  Uma mudança é fruto de uma experiência, de um exemplo prático. Acontece com todos.

Biscoitos
Imagem: Valéria Amores

9. Prática do respeito e não violência a todos os seres
Muitas destas cozinhas são vegetarianas ou veganas. Comida livre de crueldade e feita com amor. Além disso, conviver com pessoas diferentes também ensina a ouvir, silenciar, a deixar a ideia de ter sempre razão. É o plantar de sementes da boa convivência. Afinal, um planeta preservado precisa ser também um planeta de gente que se entende.

10. Vivência genuína sobre ser um tutor do planeta e não um possuidor
Ao lidar com rotinas de cuidado com os outros, com os recursos e consigo mesmo, há uma experiência de integração. Deixa-se a ilusão de que somos donos de algo e essa percepção é libertadora. Aprende-se muito sobre ser parte da teia da vida.

Amor
Imagem: Valéria Amores

Bem, a receita desta vez é diferente: proponho que você me envie uma e então lhe envio outra. Mas que tal uma receita vegana de alguma cozinha em que você se voluntariou por aí? Se ainda não teve essa experiência, busque em ecovilas ou ONGs. Vale à pena semear o cuidado na prática!

Você pode enviar a receita para o e-mail: valeria.f.amores@gmail.com

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AMORES, Valéria. Sustentabilidade no cardápio? Voluntariado em cozinhas conscientes!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/07/sustentabilidade-no-cardapio-voluntariado-em-cozinhas-conscientes.html>.

Não basta reclamar nas redes! Você sabe como suas reivindicações podem ser atendidas?

O direito à livre expressão de opinião está garantido em nossa Constituição. O direito de resposta em caso de ofensa também. Mas vivenciamos um tempo em que houve uma banalização do direito de opinião.

Mídias
Imagem: Creative Commons

O aparecimento das redes sociais tornou estrondosamente pública não somente a nossa opinião, mas os nossos gostos, afetos, desafetos e pontos sensíveis. Cada um de nós certamente possui pelo menos um episódio emblemático de choque de opiniões em redes sociais. E depois desse momento nos tornamos mais cautelosos e seletivos com o que publicamos.

Contudo, além de sermos mais seletivos, precisamos refletir sobre o que exatamente pretendemos nas redes sociais, qual o nosso objetivo. Isto porque, vemos muitos buscando um novo formato de manifestação, só que na versão digital. Pretendem que a sua opinião seja levada a diante e influencie decisões de empresas e do governo. Em alguns casos o objetivo é atingido, mas percebemos mais efeitos catastróficos do que resultados concretos.

Redes
Imagem: Creative Commons

Um dos motivos pelos quais isso acontece é pela falta de um formato específico. Sim, estou falando de burocracia, mas se você sabe o que quer, também deve saber que é necessário seguir o protocolo para estar protegido pelas regras.

Como já afirmado, a opinião é livre. A manifestação também é livre, seja ela artística, filosófica, cultural, religiosa, política, etc. desde que não ofenda outrem, seja pelo conteúdo ou pela forma (a maioria dos municípios proíbe manifestações após determinado horário da noite, por exemplo).

O que mais tem gerado alarde nos últimos tempos são as reivindicações em praça pública (ou nas redes sociais, na versão digital). É uma forma de manifestação, mas por usar da forma equivocada, via de regra sequer chega a atingir os objetivos. Reivindicações, ou seja, solicitações de providencias direcionadas a um órgão/ empresa específico, devem ser feitos por escrito e fundamentados. Por um simples motivo: tudo o que se faz por escrito e protocola, pode ser comprovado e posteriormente exigido na justiça, se for o caso.

Burocracia
Imagem: Creative Commons

Assim, um abaixo assinado pedindo que determinada empresa diminua o ruído à noite, pode ser encaminhado ao Ministério Público e o Promotor do Meio Ambiente irá solicitar à Prefeitura Municipal que providencie os relatórios de medição de ruídos da empresa por determinado período e após a empresa será chamada a esclarecer os fatos e assinar um termo de compromisso sujeito à multa. A reivindicação dos vizinhos corretamente encaminhada deu início a um processo administrativo de fiscalização e penalização em caso de conduta irregular da empresa. Situações similares ocorrem também com o Procon em relação a produtos com defeitos.

Outra forma de encaminhar um pedido escrito é a petição inicial em um processo judicial. Para a grande maioria das causas é necessário um advogado, mas quando se trata de valores menores que 20 salários mínimos (R$ 19.080,00) a própria pessoa pode comparecer aos Juizados Especiais (procurar o Fórum da cidade onde mora) e ingressar com o pedido contando a sua história no balcão. Os fatos serão anotados e os documentos que envolverem a questão devem ser entregues ao serventuário da Justiça que os anexará ao processo. As audiências serão comunicadas via correio e o andamento do processo pode ser consultado pela internet. Com o julgamento do processo você tem o reconhecimento do seu direito e a parte contrária fica com a obrigação de cumprir a decisão.

Justiça
Imagem: Creative Commons

Claro que a Justiça é sempre a última tentativa, pois todos sabem que levar os fatos ao Judiciário gera efeitos profundos nas relações, principalmente quando se trata de vizinhança.

A reflexão que gostaria de deixar é quanto ao conteúdo de nossa vida pública. Será que estamos encaminhando nossas reivindicações de modo a atingir o resultado que pretendemos?

Dúvida
Imagem: Creative Commons

Até pelas consequências que uma declaração pública e escrita pode ter, será que é melhor utilizar uma rede social, o e-mail, o whatsapp ou falar pessoalmente? O que gera menos desgaste? O que resolverá o problema em efetivo?

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STEFFEN, Janaína. Não basta reclamar nas redes! Você sabe como suas reivindicações podem ser atendidas??. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/07/voce-sabe-como-suas-reivindicacoes-podem-ser-atendidas.html>.

Quanto custa (para você e para o planeta) manter nosso ritmo de consumo?

A quantidade de matérias-primas (combustíveis fósseis, minerais, metais e biomassa) extraídas da Terra passou de 22 bilhões de toneladas em 1970 para 70 bilhões de toneladas em 2010, segundo relatório apoiado pela ONU Meio Ambiente.

Só para se ter ideia, estamos consumindo a natureza (através das matérias-primas) 1,7 vezes mais rápido do que os ecossistemas conseguem se regenerar. É como se estivéssemos utilizando o equivalente a 1,7 Terras. Já tratamos disso por aqui.

E você sabe qual é o principal responsável por esse esgotamento do nosso orçamento natural? Acertou quem disse que é o consumo desenfreado global. O aumento do consumo, impulsionado por mudanças no padrão de consumo, triplicou a quantidade de matérias-primas extraídas da Terra nas últimas quatro décadas, segundo um novo relatório do Painel Internacional de Recursos (IRP, na sigla em inglês), apoiado pelo ONU Meio Ambiente.

Em termos de consumo por países, os mais ricos consomem em média dez vezes mais recursos que os mais pobres e duas vezes mais que a média mundial. Se essa tendência se mantiver, em 2050 o planeta precisará de 140 bilhões de toneladas de matérias-primas anualmente.extração recursos naturais

No entanto, o aumento do consumo global resulta, sobretudo, em severo impacto ao meio ambiente, da poluição à extinção de recursos.

A taxa alarmante na qual os materiais estão sendo extraídos atualmente já está tendo um importante impacto na saúde humana e na qualidade de vida das pessoas, disse Alicia Bárcena, co-presidente do Painel Internacional de Recursos

Os custos deste drástico aumento na excessiva extração de combustíveis fósseis, metais e outros materiais, estão se tornando cada vez mais evidentes em todo o mundo e aprofundará ainda mais as mudanças climáticas. Manifestando-se em secas, escassez de recursos naturais, degradação do solo, perda de biodiversidade, poluição hídrica e o acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera.

Os dados e os cenários pessimistas mostram que estamos longe do caminho ideal. O fundamental seria repensar o sistema produtivo, através da redução de materiais por produto, da expressiva ampliação da reciclagem e reuso, migrando para um modelo de economia circular. Tal modelo possui como premissa dissociar a atividade econômica do consumo de recursos finitos e eliminar resíduos do sistema, o que implicaria em novos tipos de design, onde os produtos seriam elaborados pelo conceito de ecodesing (clique aqui para ler).

Economa_circular

Inspirando-se nos mecanismos dos ecossistemas naturais, que gerem os recursos a longo prazo num processo contínuo de reabsorção e reciclagem, a Economia Circular promove um modelo econômico reorganizado. Este modelo funcionaria através da coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados, o que permitiria a eliminação quase nula de resíduos que tanto impactam o meio ambiente.

Essa pode ser, de fato, uma saída!

Com informações: ONU Brasil, ONU Brasil, ONU Meio Ambiente, ONU Meio Ambiente e ONU Meio Ambiente

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SOUZA, L. B. Leonardo. Quanto custa (para você e para o planeta) manter nosso ritmo de consumo?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/07/consumo-recursos-naturais.html>.

Quer ser voluntário ajudando animais? Venha saber como!

Quantas vezes ao caminhar pelas ruas do seu bairro ou mesmo no trajeto entre sua casa e o trabalho ou a escola/faculdade você se deparou com animais abandonados?

Cachorro de rua
Imagem: Creative Commons

Parece que o abandono animal se ampliou intensamente nos últimos anos. São cães e gatos, adultos e filhotes, saudáveis ou doentes que são abandonados à própria sorte nas ruas por seus donos.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), existem mais de 30 milhões de animais nas ruas do país. E destes, cerca de 20 milhões são cachorros. A situação é mais dramática nos grandes centros e regiões metropolitanas, onde, conforme estima a OMS, para cada cinco habitantes haja um cão nas ruas, sendo que 10% destes correspondam a animais abandonados.

Gatos de rua
Imagem: Wikimedia

Por isso, não poderíamos deixar de falar, em nossa Semana Temática do Voluntariado, sobre voluntariado ligado à proteção e ao cuidado com animais que vivem nas ruas.

A situação dos animais de rua, sendo abandonados ou nascidos nela, é realmente de cortar o coração, porém nem tudo são más notícias. Existem várias iniciativas e instituições ligadas ao resgate, cuidado e encaminhamento para a adoção destes animais. São pessoas empenhadas em mudar esse cenário, realizando além do resgate e cuidado com os animais de rua, a conscientização das pessoas sobre a responsabilidade de ter em sua família um pet e da importância da discussão sobre abandono animal.

Cachorro aguardando adoção em abrigo./ Imagem: Creative Commons

E como encontrar estas pessoas e instituições que resgatam e cuidam dos animais de rua? Como posso ser um voluntário? Posso fazer ajudar com doações? Posso compartilhar nas redes sociais e ajudar a divulgar a causa? Como é o processo de ser voluntário em abrigos?

São muitas as dúvidas, mas não se preocupe, com a ajuda do Pet Anjo esclareceremos todas.

Pet Anjo
Imagem: Print do site Pet Anjo

O Pet Anjo, através do movimento #ParedeAbandonar, traz importantes informações sobre adoção, doações, voluntariado e alerta contra o abandono animal.

No site (clique aqui) você terá acesso a listas de instituições e ONGs que precisam de voluntários, seja para doações, para auxílio nas atividades diárias (como tarefas ligadas ao cuidado direto com os animais, tarefas administrativas, tarefas de manutenção local e etc), para adoção responsável dos animais resgatados das ruas, e até mesmo pessoas que queiram ajudar a divulgar o movimento.

Informações
Imagem: Print do site Pet Anjo

Em “Adote um pet” você terá acesso às ONGs parceiras do projeto que abrigam e cuidam dos animais que aguardam uma família e um lar. As ONGs se localizam em São Paulo (Capital SP/ ABCD e interior), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Bahia.

Em “Faça doações” você encontrará uma lista de ONGs que precisam de doações para continuar a realizar resgates de animais e a se manter em funcionamento. As ONGs se localizam em São Paulo (Capital SP/ ABCD e interior), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Bahia.

Em “Seja Voluntário” você poderá encontrar uma ONG perto de você que precisa da ajuda de voluntários para continuar cuidando dos animais resgatados que aguardam um lar. As ONGs se localizam em São Paulo (Capital SP/ ABCD e interior), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal e Bahia.

Em “Quem já faz a diferença” você pode se informar sobre como ajudar apoiando a causa pelas redes sociais e divulgando o movimento #PareDeAbandonar.

“Quando o homem aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante.” Albert Schweitzer (Nobel da Paz de 1952)

Com informações: G1, Pet Anjo.

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ABREU, Nathália. Quer ser voluntário ajudando animais? Venha saber como!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/07/voluntario-ajudando-animais-venha-saber-como.html>.

Quero ser voluntário! Mas como encontro uma ONG ou instituição para ajudar?

Você quer ser um voluntário, mas não sabe como encontrar uma ONG que precise de suas habilidades? Por onde devo começar a pesquisar? Será que todas as informações que encontro na rede são seguras?

Diariamente recebemos mensagens solicitando auxílio para indicação de ONGs que precisem de trabalho voluntário. São pedidos das mais diversas regiões do país e sempre procuramos responder a todos em um prazo razoável. Mas, se ainda foi possível te dar um feedback, deixamos aqui uma excelente dica!

 Atados – A Plataforma que conecta voluntários às ONGS

O Atados é uma plataforma social online que conecta pessoas a oportunidades de voluntariado em causas sociais.

Alados
Imagem: Atados

Sabe aquele papo de ativismo de sofá? De que pela internet nada é transformado? Pois essa plataforma veio para romper com esta ideia e realmente impactar positivamente a vida das pessoas: voluntários, ONGs, pessoas assistidas e a sociedade, de maneira geral.

Voluntariado
Imagem: Atados

Inteiramente gratuita, tanto para o voluntariado quanto paras as instituições que se cadastram para receber ajuda, o Atados é uma plataforma que possibilita que o elo entre voluntários e instituições se forme. Super simples e dinâmica, com layout clean e intuitivo, a plataforma oferece oportunidades de voluntariado para pessoas de todo o país. Presente nas Regiões Metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e Brasília, o Atados oferece a oportunidade de ser voluntário em instituições localizadas nestes estados e em outras localidades que abrem vagas de voluntariado à distância.

Site
Imagem: Site Atados

Basta entrar no site (clique aqui), se cadastrar e buscar pelo trabalho que mais tem a ver com suas habilidades pessoais. Você seleciona o tema, o local e diversas outras especificações para encontrar o trabalho voluntário ideal.

As estatísticas do Atados são impressionantes. Já são mais de 70.000 usuários presentes na plataforma, e 9 em cada 10 vagas são preenchidas. Além disso, o Atados também promove cursos e encontros sobre o universo do Terceiro Setor e realiza ações e eventos de voluntariado.

Voluntários
Imagem: Atados

Para manter a gratuidade de seus serviços de conexão entre voluntári@s e organizações sociais, o Atados oferece serviços de voluntariado empresarial, gestão e consultoria em responsabilidade social.

Gostou da nossa dica? Então não perca tempo! Entra lá no site do Atados (clique aqui para acessar) e mãos a obra!

Com informações: Atados, Blog Della, FTC, Social Good Brasil.

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ABREU, Nathália. Quero ser voluntário! Mas como encontro uma ONG ou instituição para ajudar?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/07/quero-ser-voluntario-como-ajudar.html>.

Cruz Vermelha: por um mundo mais solidário e humano

Por um mundo mais humano e com pessoas que se importam.

Ser voluntário da Cruz Vermelha Brasileira foi uma experiência ímpar que mudou a minha vida em vários aspectos.

Fui voluntário da Cruz Vermelha Brasileira – Rio de Janeiro, auxiliando na distribuição de água e kits de higiene para os moradores do distrito de Xerém, em Duque de Caxias, município do Rio de Janeiro.

A cidade foi fortemente atingida pelas chuvas no início de 2013 e a missão da equipe que lá estava era uma só: levar um pouco de acalento e conforto para pessoas que perderam suas casas e estavam ali vulneráveis.

Dedicar algumas horas do meu dia por uma causa e motivo tão nobre me fez ser grato até hoje. Ver sorrisos, abraços e olhos marejados de felicidade, de conforto e acima de tudo por saber que pessoas desconhecidas realmente se importavam com elas.

A Cruz Vermelha é a principal instituição de ajuda humanitária do mundo. No Brasil, ela está presente em quase todo o território nacional por meio de 23 filiais estaduais e em mais de 100 municípios, contando com um quadro de cerca de 30 mil voluntários cadastrados em todo o Brasil. Seus voluntários sempre dizem que, para minorar o sofrimento da população, sempre são os primeiros a chegar e os últimos a sair.

Presente no Brasil desde 1908, a Cruz Vermelha é uma instituição de socorro voluntária que leva ajuda humanitária pelo país inteiro. Seja para pessoas atingidas pela seca no Nordeste seja para quem sofre permanentemente com as enchentes como no Rio de Janeiro.

O voluntariado é um dos pilares da instituição e um dos sete Princípios Fundamentais da Cruz Vermelha. Antes de começar a atuar, todos os voluntários passam por um curso básico de formação institucional com três módulos: Panorama histórico da instituição no mundo e no Brasil; Protocolo de Segurança e Código de Ética; e Suporte Básico de Vida, capacitando os interessados em ajudar.

A importância do voluntariado é enorme tanto para a realização, como para a ampliação dos projetos que estão divididos em diversas frentes. Em todas o eixo central é o da ajuda humanitária, em defesa da vida, da saúde e da dignidade. São eventos e campanhas (como a Campanha do Agasalho), projetos sociais de apoio comunitário e na assistência aos mais vulneráveis durante as missões humanitárias.

“Hoje, o trabalho voluntário ou a doação financeira é mais aparente em situações emergenciais. Lamentavelmente, em períodos de normalidade a instituição sofre sem ajuda necessária à sua sobrevivência. Muitas vezes, quando o problema sai da mídia, muitos abandonam o cenário de calamidade. Nesta hora, os voluntários da Cruz Vermelha fazem um trabalho solitário e pouco reconhecido. Temos alguns bons parceiros, porém, certamente se mais tivéssemos, mais faríamos.” Trecho retirado do site da CVB.

A CVB também promove cursos de capacitação na área de saúde (curso técnico de enfermagem, mobilização ortopédica e de cuidador de idosos, entre outros) e diversos cursos de primeiros socorros, desde os cuidados básicos de primeiros socorros até o de formação de socorristas. A entidade promove todas as ações através de doações de pessoas físicas, empresas parceiras e campanhas institucionais.

Os cursos seguem as diretrizes do Centro de Referência Global de Primeiros Socorros da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, referência mundial no segmento, com sede em Paris.

A filial se sustenta por meio de doações espontâneas, promoção de cursos e palestras em empresas privadas. Para ser um voluntário ou fazer doações, basta entrar em contato a Cruz Vermelha de cada região.

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SOUZA, L. B. Leonardo. Cruz Vermelha: por um mundo mais solidário e humano. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/07/cruz-vermelha-voluntariado.html>.

Doação de Sangue: Saiba como e quem pode doar

Doar sangue é um ato altruísta e de solidariedade. A doação é 100% voluntária e beneficia qualquer pessoa, independente de parentesco com o doador. É importante lembrar que o sangue é essencial para os atendimentos de urgência, realização de cirurgias de grande porte e tratamento de pessoas com doenças crônicas, como a Doença Falciforme e a Talassemia, além de doenças oncológicas variadas que, frequentemente, necessitam de transfusão.

No Brasil, cerca de 3,5 milhões de pessoas realizam transfusão de sangue e ao todo, existem no país 27 hemocentros coordenadores e 500 serviços de coleta. Entretanto, somente 1,8% da população brasileira entre 16 e 69 anos doam sangue. A ONU considera “ideal” uma taxa entre 3% a 5%. Para esse ideal ser alcançado, o Brasil precisa de 4,15 milhões de doadores de sangue nas redes privada e pública.

Procure o hemocentro mais próximo e seja um doador regular independentemente de quem estiver precisando. Uma só doação pode salvar até quatro vidas.

Onde doar:

Os doadores de sangue podem procurar os postos de coleta mais próximos, como os Hemocentros, o Hemointo e o Serviço de Hemoterapida do INCA. Para saber o posto de coleta mais próximo, acesse Hemocentros no Brasil.

Intervalo entre doações:

– Homens: de 2 em 2 meses, sendo, no máximo, 4 vezes ao ano

– Mulheres: 3 em 3 meses, sendo, no máximo, 3 doações anuais

Compatibilidade da doação:

Quantidade de sangue doado:

A quantidade de sangue retirada não afeta a sua saúde porque a recuperação é imediatamente após a doação. Em uma pessoa adulta tem em média cinco litros de sangue e em uma doação são coletados no máximo 450ml de sangue. É pouco para você e muito para quem precisa!

Critérios para doar:

  • Ter idade entre 16 e 69 anos, desde que a primeira doação tenha sido feita até 60 anos (menores de 18 anos devem possuir consentimento formal do responsável legal);
  • Pesar no mínimo 50 kg;
  • Estar alimentado. Evite alimentos gordurosos nas 3 horas que antecedem a doação. Caso seja após o almoço, aguardar 2 horas;
  • Ter dormido pelo menos 6 horas nas últimas 24 horas;
  • Apresentar documento de identificação com foto emitido por órgão oficial (Carteira de Identidade, Carteira Nacional de Habilitação, Carteira de Trabalho, Passaporte, Registro Nacional de Estrangeiro, Certificado de Reservista e Carteira Profissional emitida por classe);
Imagem: Walter Alves/Gazeta do Povo

Impedimentos temporários:

  • Gripe, resfriado e febre: aguardar 7 dias após o desaparecimento dos sintomas;
  • Período gestacional;
  • Período pós-gravidez: 90 dias para parto normal e 180 dias para cesariana;
  • Amamentação (até 12 meses após o parto);
  • Ingestão de bebida alcoólica nas 12 horas que antecedem a doação;
  • Tatuagem e/ou piercing nos últimos 6 meses (piercing em cavidade oral ou região genital impedem a doação);
  • Exames/procedimentos com utilização de endoscópio nos últimos 6 meses;
  • Extração dentária: aguardar 72 horas;
  • Apendicite, hérnia, amigdalectomia, varizes: aguardar 3 meses;
  • Colecistectomia, histerectomia, nefrectomia, redução de fraturas, politraumatismos sem sequelas graves, tireoidectomia, colectomia: esperar 6 meses;
  • Transfusão de sangue: aguardar 1 ano;
  • Vacinação: o tempo de impedimento varia de acordo com o tipo de vacina;
  • Ter estado exposto a situações de risco acrescido para doenças sexualmente transmissíveis (aguardar 12 meses após a exposição).

Critérios definitivos de impedimento:

  • Ter passado por um quadro de hepatite após os 11 anos de idade;
  • Evidência clínica ou laboratorial das seguintes doenças transmissíveis pelo sangue: Hepatites B e C, AIDS (vírus HIV), doenças associadas aos vírus HTLV I e II e Doença de Chagas;
  • Uso de drogas ilícitas injetáveis;
  • Malária.

O que acontece depois da doação?

O doador recebe um lanche, instruções referentes ao seu bem-estar e poderá posteriormente conhecer os resultados dos exames que serão feitos em seu sangue. Estes testes detectarão doenças como AIDS, Sífilis, Doença de Chagas, HTLV I/II, Hepatites B e C, além de outro exame para saber o tipo sanguíneo. Se for necessário confirmar algum destes testes, o doador será convocado para coletar uma nova amostra e se necessário, encaminhado a um serviço de saúde.

O que acontece com o sangue doado?

Todo sangue doado é separado em diferentes componentes (como hemácias, plaquetas e plasma) e assim poderá beneficiar mais de um paciente com apenas uma unidade coletada. Os componentes são distribuídos para os hospitais da cidade para atender aos casos de emergência e aos pacientes internados.

Cuidados pós-doação de sangue

  • Evite esforços físicos exagerados por pelo menos 12 horas;
  • Aumente a ingestão de líquidos
  • Não fume por cerca de 2 horas;
  • Evite bebidas alcóolicas por 12 horas;
  • Mantenha o curativo no local da punção por, pelo menos, quatro horas;
  • Não dirija veículos de grande porte, não trabalhe em andaimes e não pratique paraquedismo ou mergulho;
  • Faça um pequeno lanche e hidrate-se. É importante que o doador continue se sentindo bem durante o dia em que efetuou a doação.

#VemDoar e faça a sua parte! Seja solidário!

Com informações: Hemorio, Ministério da Saúde, Ministério da Saúde

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SOUZA, L. B. Leonardo. Doação de Sangue: Saiba como e quem pode doar. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/07/doacao-sangue-como-quem-pode-doar.html>.