Como Fazer uma Luminária de Mesa com Garrafa Pet

Para a decoração de seu ambiente ser renovada faça uma luminária de mesa com garrafa Pet, que ao final nem vai parecer que foi feita com um material reciclável.
Esta luminária de mesa com garrafa Pet tem modelo sofisticado e elaborado. Foto: ohohblog.com
Para fazer esta linda e diferente peça de decoração você irá precisar de:
  • 1 garrafa Pet;
  • 1 pisca-pisca;
  • Tesoura comum;
  • Lápis;
  • Régua;
  • Papel branco mais grosso;
  • Fita adesiva dupla face;
  • Cola em bastão;
  • Papel de seda branco. 
Comece cortando a parte de cima da sua garrafa Pet, com o auxílio da tesoura comum e com a altura que você quiser. Lembrando que a altura da garrafa Pet cortada será o tamanho final de sua luminária. E faça um corte na parte debaixo da sua garrafa Pet, para você passar o fio do pisca-pisca posteriormente.
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Em seguida, passe o fio com a tomada pela parte cortada anteriormente na parte debaixo da garrafa Pet e encha a sua garrafa Pet com o pisca-pisca, organizando-o da forma que você quiser ou apenas acomodando-o com as suas lâmpadas de forma aleatória. Depois, no papel branco mais estruturado, desenhe formas geométricas de sua preferência, podendo ser hexágonos, pentágonos, losangos ou a forma ou desenho que você quiser. Então recorte a parte interna estes desenhos, deixando-os vazados. Corte pedaços do papel de seda branco e cole, com o auxílio da cola em bastão, sobre estes desenhos vazados, mas pela parte de dentro, a parte que ficar em contato com a garrafa Pet.  E faça um teste com o papel para ver se está com o modelo que você quer.
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Logo após, para finalizar a sua peça, basta fixar o papel ao redor da garrafa Pet, com o auxílio de pedaços de fita adesiva dupla face. E está pronto!
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Cuidado, utilize apenas luzes lâmpadas LED. Caso contrário, pode superaquecer e ser perigoso.

Comitê Rio 2016 Recebe Certificação ISO 20121 de Gestão Sustentável de Eventos


Estivemos hoje, dia 27, num agradável encontro no Comitê Rio 2016, que acaba de receber a certificação ISO 20121:2012 para gestão sustentável de eventos. A ISO 20121 é uma norma internacional que assegura o planejamento e entrega de eventos com menor impacto ambiental e social e ainda legados positivos para a cidade e sociedade.

Neste encontro, o presidente do Comitê Rio 2016 Carlos Arthur Nuzman e a Gerente Geral de Sustentabilidade do Rio 2016, Tania Braga receberam da SGS a certificação ISO 20121 e comentaram sobre a importância de receber tal certificação e o legado que ela deixará para o setor de grandes eventos no país.
Criada em 2012, a norma ISO 20121 certifica o organizador do evento atestando que a organização trabalhou de forma ampla, sustentável, social, ambiental e com boas práticas de gestão, o que inclui toda a cadeia de produção, consumo de água, produção de resíduos sólidos e consumo de energia e efeitos sobre a biodiversidade, além da seleção de fornecedores e contratados.
No Brasil apenas o “Rock in Rio” tem esta certificação. A certificação faz parte da agenda 2020 do Comitê Olímpico Internacional e será obrigatória nas candidaturas a partir de 2024.
Na foto, o presidente Carlos Arthur Nuzman, a gerente-geral de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Comitê  Tânia Braga e sua equipe, Flávio Medeiros, Julie Duffus e Simone Unanue recebem das mãos da SGS a certificação.

Sobre a SGS
A SGS é líder mundial no domínio da Inspeção, Verificação, Análise e Certificação, com sede em Genebra – Suíça.  Fundada em 1878 e reconhecida como referência mundial em qualidade e integridade. Conta com mais de 85.000 colaboradores e opera uma rede com mais de 1.800 escritórios e laboratórios em 142 países.


Prevenção e Educação para o Desastre

Fumaça branca no Porto de Santos. Na páscoa passada já aconteceram explosões em Santos. Mas desta vez é diferente, estamos falando de gás incolor e tóxico.
Da janela do escritório no sexto andar enxergamos a nuvem de fumaça. Dos meus conhecimentos prévios, a fumaça branca significava apenas vapor de água. A internet informa em notícias que seria um derivado de cloro, queimando na margem esquerda do Complexo do Porto, no município do Guarujá.

Orientações prévias: fechar janelas, ficar atento aos sintomas, procurar um posto médico em caso de sintomas. Minutos após a notícia de que seria amônia, facilmente atraída pela água (estava garoando) e que poderia provocar chuva ácida. Nova notícia informava que o vento estava colaborando e a fumaça estava se dirigindo à Serra do Mar. A Serra do Mar, um dos últimos resquícios de Mata Atlântica. Mas enfim a população estava protegida pelo vento.
Quando a noite chega o vento muda de direção. A fumaça já se espalha pelas cidades de Santos, Guarujá e Cubatão. Novamente orientações de fechar portas e janelas e cobrir frestas com panos secos, dizia a Defesa Civil, ou panos úmidos conforme os especialistas na imprensa. Foi evacuada a área num raio de 3 quarteirões do local da ocorrência.

Do outro lado do canal do porto, dentro de casa, tudo fechado, ar condicionado ligado e a sensação de estar presa e sem ter pra onde fugir. Busco na internet uma ficha técnica sobre amônia e lá diz que seus efeitos afetam a vida marinha e persistem por longos anos. Lembro então do mangue. O mangue de Santos que é considerado um dos grandes berçários de vida marinha no mundo, ele e o Porto dividem espaço. Triste sina.

Sempre nos preocupamos com a derrubadas de árvores, com a sujeira dos rios, mas o perigo desta vez era invisível, apesar de anunciado por um cheiro ardido forte. Invisível e encurralador. Tecnicamente não sei ainda explicar qual foi a reação química ou a substância. Em verdade, mesmo os técnicos e autoridades estão analisando para responder. Contudo, a vida é muito frágil e nem sempre resiste ao tempo necessário para análises.
Santos foi declarada a cidade com maior índice de qualidade de vida do país. O melhor lugar para se envelhecer. Ao mesmo tempo em que concentra um símbolo econômico emblemático – o Porto. Que frágil é este equilíbrio.
Quanto à natureza é difícil prever o que vai acontecer, se o vento vai colaborar e até quando. Quanto à atividade econômica aqui desenvolvida, a questão é mais previsível. No mínimo, já deveríamos a este altura ter planos de contingência eficazes. O maior Porto do país não providenciou ainda uma atividade educativa de prevenção. A população não sabe o que fazer no momento do incidente. Já tratei antes no blog sobre o Direito dos Desastres e a experiência do Japão quanto a isto (releia em É da Sua Conta, Sim!).

< div style="background: white; line-height: 150%; text-align: justify; text-indent: 35.45pt;">É passada a hora de verificar o que podemos fazer para nos precaver. O último desastre, em abril de 2015, onde os tanques de gás queimaram por mais de 7 dias, deveria ter ensinado algo, deveria ser um marco na elaboração de planos, estudos e projetos de educação para as dificuldades. Precisamos estar preparados para lidar com o pior e minimizar os danos. Afinal, prevenção faz parte da qualidade de vida. E o Porto de Santos não pode parar.


Enquanto seguimos atentos à nossa respiração, sobrevivendo, os laudos ambientais e multas somente virão em alguns meses. Toda atividade econômica implica riscos, mas talvez a população esteja demasiado próxima do Porto, ou o Porto próximo demais de ecossistemas importantes. Certamente que as decisões que virão serão multidisciplinares, sem isso, mais que o título de número um do Brasil em qualidade de vida, Santos estará (já está) arriscando a saúde da população. Aqui passamos do nível do saudável para o habitável.

A que ponto chegamos e até que ponto aguentaremos?

Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen

Efeito Borboleta: O Mundo das Consequências


Quando pensamos em causas e consequências sabemos que todas as nossas decisões e ações possuem consequências sejam elas boas ou ruins, o difícil é pensar até que ponto podem chegar.
O pensamento holístico sobre as situações é muitas vezes atenuante das consequências, tendo em vista que, se mensurarmos com algum critério os vários caminhos que nossa ação pode ter, a previsão de impactos é mais realista.
Infelizmente, o que ocorre com mais frequência é o pensamento encaixotado e com limitação direcionada pelo capital, que cega o bom senso e promove um olhar mais imediatista. Vou tentar pontuar algumas situações e discorrer até o ponto que acredito ter consequências, entretanto, certamente elas não findam onde minha mente se restringe e nem onde essas poucas linhas têm a possibilidade de chegar.
Ao longo dos últimos anos tem-se falado incessantemente sobre o desmatamento como um grande agente de impacto ambiental negativo, fato que pode ser ressaltado pelas recorrentes campanhas veiculadas para se atingir o Desmatamento Zero. Assim, podemos iniciar o exercício de encadeamento por essa ação altamente impactante.

O desmatamento ocasiona a supressão da vegetação nativa que provoca a perda de biodiversidade de flora e fauna, algumas vezes endêmicas de determinada região. Esta perda promove a destruição de habitat, e com isso impacta no desenvolvimento natural dos indivíduos. Além disto, o desmatamento também causa o afugentamento e/ou morte da fauna nativa, aumenta o efeito de borda das florestas interferindo no desenvolvimento e sobrevivência de muitas espécies que são características de mata fechada.
Expõe, ainda, o solo de tal maneira que gera processos erosivos, aumentando a incidência de raios solares sobre locais que antes eram sombreados. E, na maioria das vezes, esse impacto ainda é potencializado pela queimada do material desmatado o que provoca, consequentemente, a morte dos microorganismos do solo (fauna edáfica).
O desmatamento ainda é mais danoso quando ocorre em áreas de vegetação ripária (mata ciliar e mata de galeria) consideradas Áreas de Preservação Permanentes. Nessas áreas, além da erosão, gera o assoreamento do leito dos rios, o que afeta a hidrodinâmica e as características físicas e químicas da água. Interferindo, igualmente, em todas as comunidades aquáticas.

Estas ações precedem a formação de pastagem ou culturas extensivas, as chamadas monoculturas, que, inevitavelmente, contaminarão os corpos d’água interferindo na qualidade dos mesmos. Isto porque as culturas extensivas, normalmente, seguem o princípio da produção sem levar em consideração as consequências dos impactos negativos ao meio ambiente, fazendo uso de herbicidas, inseticidas, fungicidas e tantos outros “cidas” próprios das culturas de soja, arroz, milho, trigo, pastagens entre outras.
Saindo do ambiente macro das florestas e seguindo para uma situação micro como, por exemplo, a nossa casa: o que parece um fato insignificante, o ato de descartar o óleo de fritura na pia, gera consequências que muitas vezes não imaginamos. Entope os canos da residência em função da solidificação do óleo, sobrecarrega os sistemas de esgoto, aumentando os custos de saneamento básico para a desobstrução das galerias receptoras.

Quando esse óleo entra contato com corpos d’água, sobrecarrega os microorganismos (Ver mais em: Pequenos Detalhes, Grand
es Soluções
). O que favorece a explosão populacional dos mesmos que, através do consumo excessivo do oxigênio diluído na água, promovem a morte da fauna aquática e grandes perdas na cadeia alimentar, suscitando na redução da biodiversidade desses ambientes. Quando disposto no solo o óleo pode causar desenvolvimento de microorganismos indesejáveis e fermentação, o que modifica a qualidade do solo e, desse modo, altera a sobrevivência dos microorganismos benéficos ao desenvolvimento da vegetação.
Após a análise de situações macro e micro, podemos analisar um fato ocorrido recentemente, que já vem sendo considerado o maior desastre ambiental do Brasil: trata-se do rompimento das barragens de rejeitos de mineração da SAMARCO no estado de Minas Gerais. As barragens, que foram projetadas para conter rejeitos secos, estavam há dois anos com o licenciamento ambiental vencido. Além disso, represavam rejeitos com muita umidade, o que ampliou a possibilidade de processo erosivo pela infiltração da água no terreno.
Segundo analises, a lama está contaminada com ferro, alumínio e manganês, o que pode causar distúrbios neurológicos. O grande volume vazado de material provocou, de forma imediata, o assoreamento do Rio Doce e o extravasamento do material para suas margens. Isto afetou as matas ripárias comprometendo a vegetação nativa, toda a fauna local e áreas de produção agropecuária próximas, tornando-as improdutivas e impossibilitando a garantia da segurança alimentar de muitas famílias de agricultores.

Ademais, a lama provocou a modificação significativa da qualidade da água do Rio Doce pelo aumento da turbidez da água, alterando a entrada dos raios solares e, consequentemente, a oxigenação da água. Também são decorrência da lama: a morte e a fermentação das plantas aquáticas, que com o excesso dos metais se tornam tóxicos e provocam o envenenamento os indivíduos aquáticos. Este envenenamento é evidenciado através do aparecimento da grande quantidade de peixes nas margens do rio. Este fato, por sua vez, tem impacto social no que tange comunidades ribeirinhas e indígenas, uma vez que, estas têm na pesca sua base alimentar e a geração de renda das suas famílias.


E a lista de impactos causados pela lama continua: o cerceamento do direito ao abastecimento de água para a população de todas as cidades que faziam uso das águas do Rio Doce para consumo, centenas de famílias desabrigadas ou desalojadas, perdas de vidas e pessoas ainda desaparecidas. A lama também afetou a vida das pessoas e a saúde pública, houve grandes perdas nos acervos de arte sacra, imagens e construções centenárias tombadas pelo patrimônio histórico.

Conforme avançava em direção à foz do rio, chegando ao litoral capixaba, a lama alterou a qualidade da água do mar e do sedimento aos manguezais, considerados berçários de uma grande diversidade de animais marinhos. A presença da lama nos sedimentos dos manguezais possivelmente levará os indivíduos à morte ou provocará consequências ainda não mensuradas. A lama que entrou em contato com a água do mar pode influenciar bancos de corais, algas marinhas base da cadeia alimentar, como produtores, gerando um efeito em cadeia. Este efeito prejudica virtualmente todos os organismos aquáticos desde fitoplânctons e zooplânctons até mamíferos e aves que estão no topo de muitas das cadeias alimentares oceânicas.
A depender das correntes marinhas, essa lama ainda tem potencial de chegar até as Ilhas de Trindade e Martin Vaz na costa do Espírito Santo e ao Arquípelago de Abrolhos na costa da Bahia. Este evento afetaria as faunas insulares, que possuem características únicas com ocorrência de muitas espécies endêmicas, além de comprometer suas comunidades pesqueiras
e o setor turístico do litoral capixaba.
Frente a esses três fatos que começam em proporções diferentes, mas que podem ter consequências tão desastrosas, a proposta de “agir localmente e pensar globalmente”, uma das bandeiras da Agenda 21, está baseada não somente no efeito que boas práticas ambientais podem gerar e ser replicadas. Mas também pode ser pensada [e deve] no sentido que, efetivamente, nossas ações locais podem ter efeitos globais.
Referências:
  • Impactos ambientais e socioeconômicos na Bacia do Rio Taquari – Pantanal / Sérgio Galdino, Luiz Marques Vieira, Luiz Alberto Pellegrin, editores técnicos. – Corumbá: Embrapa Pantanal, 2006. 356 p. ; il.
  • Informe Especial Mariana/MG 13/11/2015 12h do Ministério da Saúde e Secretaria de Vigilância em Saúde


    Clique aqui para ler mais artigos de João Paulo Loyola de Oliveira

    COP-21: Quando Pequenas Vitórias são Apenas Pequenas Vitórias

    Nessas últimas duas semanas, o mundo focou sua atenção novamente para Paris. Dessa vez, não por conta de uma tragédia, mas, sim, com um quê de esperança. Após cerca de três anos discutindo, os Estados definiriam um acordo, uma estratégia a ser implementada após o término do Protocolo de Quioto, em 2020.

    Vou sair aqui da retórica fácil que muitos veículos internacionais utilizaram, falando que os encontros climáticos anuais parecem o famoso filme “Feitiço do Tempo” (Groundhog Day), estrelado por Bill Murray, onde um homem acorda todo dia preso no mesmo dia e repete seu cotidiano de novo, de novo e de novo. De fato, podemos ver uma lógica nessa argumentação, pois os avanços são pequenos, quase imperceptíveis. E desses que falarei aqui hoje: das pequenas vitórias.

    Imagem: Pinterest

    Escrevo esse texto com uma hora do lançamento do acordo final da conferência. Não houve nem mesmo sua votação final ainda – ou seja, é possível que você, leitor, nem mesmo venha a ler essas palavras dado que elas perderão o sentido no caso do acordo não ser aprovado. Mas ao ler esse texto final, é impressionante como o conceito de pequenas vitórias fica explícito: comparando os acordos desde 2009, em Copenhague (e falamos, aqui, portanto, de 6 anos de discussões), as únicas coisas realmente novas que foram introduzidas em Paris foram:

    • Uma ambição aprimorada, focando em um limite máximo de aumento de temperatura média global de 1,5°C (comparada a anterior, definida em 2010, de 2°C);
    • Que os INDC (os compromissos voluntários que cada um dos países começou a fazer a partir do ano passado para reduzir suas emissões) sejam revistos a cada 5 anos, a partir de 2018;
    • E que haja um novo órgão que monitore o sucesso dos INDC vis-a-vis o que o IPCC fala; ou seja, que bata os números que os países estão atingindo com o que os cientistas dizem que precisa ser feito.
    (para ampliar a imagem: clique aqui)

     Isso é ruim? Não. São de fato pequenas vitórias. Uma ambição de teto de temperatura de 1,5°C é muito melhor do que o cenário anterior, de 2°C, se formos comparar as previsões de alterações sócio-ambientais decorrentes desse aumento. Ela não pode, de forma alguma, não ser louvada. Um órgão para monitorar e centralizar as informações dos INDC, além de sua revisão periódica, é muito interessante, pois irá pressionar pelo aumento de ambição voluntária individual desses países. Muito interessante.

    Mas, infelizmente, não basta. O início deste dezembro em Paris mostrou claramente quando pequenas vitórias são apenas pequenas vitórias. Em uma análise emitida nessa semana, cientistas europeus afirmam que o atingimento de 1,5°C como limite máximo de aumento significa transformar o planeta Terra em carbono-neutro em 35 anos. Emissão líquida zero. Outras análises, no seio da conferência, é que o valor total de investimento para que atinjamos um número assim não está na ordem dos bilhões, mas sim dos trilhões de dólares.

    Imagem: Creative Commons

    Sobre isso, inclusive, o texto final reforça a necessidade de um investimento de US$ 100 bi/ano para que atinjamos esse objetivo. Esse número, também, não é novo. Foi primeiramente acordado em 2012, em Doha. Desde sua institucionalização em dezembro de 2013, ele já levantou US$ 10,3 bi – uma quantia razoável, mas cerca de 5% do que deveria ter captado nesse período.

    As pequenas vitórias são mais “pequenas” do que “vitórias” não pela falta de capacidade, arrojo ou mesmo vontade dos negociadores. Não se esperava um processo fácil, pelo contrário. Estamos falando sobre algo (quase) inédito na história da civilização humana, a necessidade de se estabelecer um consenso em escala planetária sobre um tema que afeta diretamente a forma como nós vivemos e produzimos em sociedade. A solução certamente não “cairia no colo” automaticamente.

    Contudo, a despeito disso, a boa ambição desse ano está descolada de um mapa claro de como atingi-la. Os INDC foram uma alternativa interessante pensada no ano passado para que os países viessem a se comprometer aos poucos, ao longo desse ano, mostrando suas cartas. A partir do INDC, tivemos o interessante acordo sino-americano no início de 2015, a corajosa meta brasileira e até a recente mudança de postura da delegação canadense, que viria a incentivar o novo teto de 1,5°C. Logo, o INDC deve ser louvado como uma boa ideia que rendeu frutos.

    Reprodução: Época Negócios/ Foto: Carsten Koall – Getty Images

    Mas louvá-lo não é perpetuá-lo, substituí-lo pela necessidade de um acordo vinculante global. O INDC continua sendo voluntário. E é uma comunicação de intenção, não da ação em si. Se o Brasil “mudar de ideia” e não quiser seguir sua meta de 43% de redução até 2030, ok, é isso aí. Além disso, como bem explorado antes da reunião, mesmo que os compromissos voluntários enviados para essa conferência sejam integralmente atingidos, ainda assim ficaríamos aquém da meta de 2°C – quiçá de 1,5°C.

    Paris mostrou que pequenas vitórias são, por vezes, apenas pequenas vitórias porque há situações, momentos específicos de nossa história, que precisamos da disrupção. Os últimos 6 anos, viúvos ainda do desastre de Copenhague, mostraram claramente a tímida postura da média dos delegados globais, de tentar jogar para a opinião pública internacional sua preocupação e seus avanços, mas em uma velocidade, escala e efetividade ainda bastante aquém do que é necessário.

    Estaria sendo leigo, quase leviano, ao tentar definir aqui, nessas poucas linhas, qual seria, então, o “mapa” para atingir essa nova boa ambição. Mais uma vez, o processo é, sim, complexo, demanda consenso e conta com uma quantidade de atores impressionante. Acompanhando a repercussão, hoje, em um grande portal de notícia, vi um comentário de um internauta (sob o olhar entre a comicidade e incredulidade que tais comentários geralmente despertam): “O modelo técnico-político de tomada de decisões sobre o clima precisa mudar”.

    A pergunta, sem resposta ainda, é: qual a alternativa?

     

     

     

    Análise do Ciclo de Vida: uma Ferramenta para Calcular Impactos Ambientais

    Com o crescente aumento da consciência ambiental e da preocupação com problemas ambientais, as indústrias e os negócios estão cada vez mais comprometidos em analisar os impactos ambientais de suas atividades. Muitos negócios responderam à essa nova tendência criando produtos mais verdes e tornando seus processos mais sustentáveis. Uma ferramenta muito utilizada por empresas para auxiliar na adoção de estratégias sustentáveis é a Análise do Ciclo de Vida.
    A Análise do Ciclo de Vida (ACV, do inglês Life Cycle Assessment) é uma metodologia que avalia os impactos ambientais de um processo, produto ou serviço, levando em conta todo o seu ciclo de vida. O termo ciclo de vida se refere ao conjunto de todas as etapas no decorrer da vida útil do produto, desde o processo de extração de matéria-prima, passando pelo processamento de material, fabricação, distribuição, uso, até o fim de sua vida útil.
    Etapas do ciclo de vida de um produto
    A ACV é uma técnica utilizada para calcular os aspectos ambientais e os potenciais impactos associados a um produto, processo ou serviços, através das seguintes etapas:

    • Definição do escopo e dos objetivos: Consiste em definir e descrever o produto, processo ou atividade, além de estabelecer o contexto da análise e definir as fronteiras e a(s) variável(is) de estudo da análise do ciclo de vida. Variáveis comumente estudas são emissão de poluentes como CO2, CH4 e NOx, além do consumo de energia e consumo de água;
    • Análise de inventário: Identificar e quantificar as entradas de energia e de materiais e as correntes emitidas para o meio ambiente (emissões de poluentes, descarte de resíduos sólidos, etc.);
    • Avaliação de impacto: Avaliar os potenciais impactos ambientais associados às entradas e emissões identificadas na análise de inventário;
    • Interpretação dos resultados: Avaliar os resultados para selecionar o produto, processo ou serviço, com o claro entendimento das incertezas e das premissas utilizadas para gerar o resultado. 
    O principal aspecto da ACV é que ela inclui impactos que normalmente não são considerados nas análises tradicionais. Ao incluir impactos de todo o ciclo de vida, a ACV proporciona uma visão mais abrangente dos aspectos ambientais do produto, processo ou serviço. Muitas vezes, os resultados desses cálculos podem ser surpreendentes.

    O gráfico abaixo é um exemplo de análise de ciclo de vida comparativo das emissões de gases do efeito estufa para diferentes combustíveis utilizados no setor de transporte.
    Fonte: Alternative Fuels Data Center
      
    A figura abaixo mostra a análise do ciclo de vida feito pela montadora Nissan, comparando as emissões de seu veículo elétrico Nissan Leaf com um veículo similar movido a gasolina. Note que, para os veículos a gasolina, a etapa do ciclo de vida que mais contribui para as emissões de poluentes é o uso de combustível. No
    caso do Nissan Leaf, o consumo de combustível é igual a zero, por ser um veículo elétrico. Por outro lado, para se produzir o Nissan Leaf, uma quantidade maior de energia é gasta tanto na manufatura quanto para recarregar a bateria do veículo, e por isso, suas emissões são maiores em outros aspectos. De um modo geral, o veículo elétrico ainda possui um desempenho significativamente melhor do ponto de vista ambiental. Porém, seria um erro se comparássemos apenas as emissões de poluentes decorrentes da queima de combustíveis ou da eletricidade utilizada pelo veículo elétrico, pois estaríamos ignorando uma boa parcela das emissões.
    Fonte: Nissan
    Outro exemplo muito interessante está relacionado ao movimento a favor da valorização da produção local de alimentos. Muitos mercados na Europa e nos Estados Unidos disponibilizam informações relacionadas à distância percorrida pelo alimento até o consumidor. Há um crescente grupo de consumidores que prefere não comprar produtos importados ou que são transportados por distâncias muito longas a fim de reduzir a emissão de poluentes decorrentes do transporte desses produtos.
    Mas essa escolha pode estar precipitada para alguns casos. Há inúmeros benefícios em comprar alimentos locais, e geralmente, esse é um fator muito importante a se considerar na escolha do seu alimento. Mas do ponto de vista de emissão de poluentes, há outros fatores a se considerar além do transporte. Cientistas da Universidade de Lincoln, no Reino Unido, realizaram um cálculo de ACV comparando a emissão de poluentes de duas carnes diferentes: uma que era produzida localmente, no próprio Reino Unido, e outra que era importada da Nova Zelândia. No cálculo, eles consideraram a energia gasta no consumo de água, na colheita, no uso de fertilizantes, no transporte (incluindo o tipo de combustível utilizado), no descarte de embalagens, no armazenamento e inúmeros outros fatores. Através desses cálculos, os cientistas chegaram a conclusões surpreendentes. A carne produzida na Nova Zelândia, que viajava 17700km de barco até o Reino Unido, emitiu 670kg de CO2 para cada tonelada, enquanto que a carne produzida localmente emitiu 2850kg de CO2 para cada tonelada, ou seja, quatro vezes mais poluentes. Essa diferença se deu principalmente pela necessidade de os fazendeiros britânicos usarem uma alta quantidade de insumos agrícolas, graças à infertilidade de suas terras.
    Esse exemplo nos mostra que nem sempre a opção mais sustentável é aquela que todos dizem ser, ou aquela que nos parece mais ambientalmente correta. No caso da carne no Reino Unido, há enormes ganhos ambientais em importá-la de um país localizado no outro lado do mundo ao invés de produzi-la localmente.
    A Análise do Ciclo de Vida é, portanto,uma ferramenta poderosa que identifica detalhadamente os impactos ambientais de diferentes alternativas de produtos ou processos. Essa informação, junto de outros fatores como dados de custo e desempenho, auxilia tomadores de decisão a escolherem as melhores alternativas de acordo com estratégia de sua empresa. Trata-se de um cálculo complexo, que requer grandes esforços principalmente na coleta de dados, mas que pode trazer informações valiosas.

    Existem diversos websites que realizam alguns tipos de cálculos de ACV gratuitamente, como o OpenLCA e o LCA Calculator. É possível também calcular a pegada de carbono de um indivíduo, ou seja, o quanto de CO2 é emitido por uma pessoa, através do Carbon Footprint Calculator (site em inglês). Essa é uma ferramenta interessante para todos que estão interessados em descobrir o quanto impactam o meio ambiente, e identificar maneiras de diminuir esse impacto com algumas mudanças de hábitos.

    1. Scientific Applications International Corporation (SAIC). Life Cycle Assessment: Principles and Practice. Cincinnati: National Risk Management Research Laboratory, Office of Research and Development, US Environmental ProtectionAgency,2006. Disponível em: http://www.epa.gov/NRMRL/lcaccess/pdfs/600r06060.pdf
    2. Mc WILLIAMS, J. E. Food that Travels Well. The New York Times, Austin, Texas. Ago, 2007. Disponível em: http://www.nytimes.com/2007/08/06/opinion/06mcwilliams.html?_r=0


    Clique aqui para ler mais artigos de Daniella Kakazu

    O Frágil Equilíbrio entre o Público e o Privado

    O Público e o Privado sempre formaram uma parceria de alto risco. Desde os pequenos grupos, como as famílias, até a grande família chamada Estado/ País, ou mesmo em termos planetários. Uma crise ética se forma todas as vezes em que há uma clara preponderância de um sobre o outro.
    É fato que as leis foram surgindo na medida em que os grupos foram aumentando. Veja-se pela formação do casal. Enquanto solteiros cada qual decide por si. Após a decisão de morar juntos ou oficializar a relação, as decisões passam a ser negociadas e começam a surgir os “combinados”. Combinamos que enquanto vivermos em apartamento não é saudável ter um animal de estimação. Combinamos que preferimos fazer a faxina ao invés de contratar uma faxineira. Combinamos que não traremos trabalho para casa. Enfim, ao juntarmos duas cabeças já precisamos de regras e leis que garantam a harmonia.
    No nível macro, o Brasil possui uma norma que é a nossa carta de intenções, de princípios basilares e a nossa “pedra de toque” em casos de conflito – a Constituição Federal. Nossa Constituição nos mostra o que a sociedade como um todo, representada pelos legisladores constitucionais, determinou como sendo o que deve preponderar, o mais importante para a nação.
    Logo no início do texto, no artigo 3° da Constituição Federal de 1988 lê-se:
    Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:
    I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;
    II – garantir o desenvolvimento nacional;
    III – erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;
    IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.
    Neste artigo já podemos sentir a relação público-privada tensionada. A liberdade da sociedade garante que todos podem realizar seus interesses da forma como bem entenderem, mas que devem respeitar a lei e ser solidários. Solidariedade é valor público típico, significa incluir o bem-estar, a saúde e a liberdade do outro nas decisões quanto a nossa liberdade. E o inciso IV coloca ainda como objetivo o bem de todos. E essa é a nossa pedra de toque. Na dúvida, o bem de todos.
    Obviamente que o primeiro argumento seria: Veja bem, na minha casa… na minha empresa… no meu município… no meu estado… e assim por diante. Já mencionei aqui que tudo começa na consciência e quero reforçar. Percebe como a nossa tendência de raciocínio é abrir concessões? Percebe que se eu abri uma exceção para a “minha” casa, em pouco tempo na “minha” empresa também haverá outra exceção.
    O segundo argumento seria: Ah, mas estes são objetivos de gov
    erno… são regras dirigidas àqueles que tem papel de poder dentro do país, não aos cidadãos comuns como eu e você. São regras para políticos…
    De todo modo, parece que as pessoas perdem de vista a consciência básica. Se estamos aqui, formamos um casal, uma empresa ou um país, precisamos decidir juntos.
    O que é mais importante nem sempre é fácil de ser identificado, na medida em que privado e público acabam se misturando de forma quase inseparável. Perceba-se a situação de funcionários de uma estatal que estão em greve no país. A empresa não quer parar, então mantém funcionários na empresa por dias. O Sindicato quer defender o rendimento de todos, então não permite a entrada dos funcionários que iriam substituí-los. Os funcionários têm noção do risco de deixar equipamentos funcionando sem operadores e também temem que se deixarem a empresa para o merecido repouso poderão ser demitidos. A entidade fiscalizadora percebeu as condições de saúde e higiene em vistoria, mas também entende que a empresa é importante para a economia regional e nacional. A empresa sabe de seu papel social e também não quer inviabilizar o negócio. Eles tentam reunir-se, mas cada qual defende o seu interesse privado que se mistura com público.
    Complexo descobrir como poderíamos chegar à promoção do bem de todos. Certo é que todos precisarão ceder de alguma forma. Também é certo que todos terão que incluir as necessidades das outras partes na sua decisão privada. E é 100% certo que todos serão afetados pela decisão.
    O questionamento que resta é:

    “Então quer dizer que a promoção do bem de todos sempre será um remendado de concessões e nenhuma das partes ficará plenamente satisfeita?”, “E a nossa satisfação depende apenas de ver nossas intenções privadas respeitadas?”, “E isso é sustentável por quanto tempo?”


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    O Rio De Janeiro e o Planejamento Urbano Mercadológico

    Fonte: REUTERS/Ricardo Moraes

    A cidade do Rio de Janeiro passa por significativas transformações urbanas por conta da realização de megaeventos como Copa do Mundo e Jogos Olímpicos. Trata-se do conceito de cidade-empresa em que o planejamento urbanístico segue a lógica do mercado e de empresários.
    Não se trata de fato novo. Cidades como Londres, Paris e Barcelona também foram redimensionadas sob o fundamento da preparação de eventos [1].
    Na cidade maravilhosa, a década de 1990 marca ponto inicial desse processo, tendo Barcelona como exemplo através da revitalização da zona portuária e o reaquecimento do turismo local em função das Olimpíadas de 1992. Anos mais tarde, a confirmação do Rio de Janeiro como sede do evento esportivo concretizou a estratégia.
    Fonte: Rio2016. Para visualizar melhor: clique aqui
    Dentre as principais medidas tomadas pela Prefeitura, a implosão do Elevado da Perimetral, a implantação do modelo de VLT e a criação da Parceria Público-Privada “Porto Maravilha” mudaram a rotina da região central do Rio de Janeiro. Em comum, todas elas foram objeto de disputa e negociações do setor privado com limitada participação da sociedade.
    Do outro lado da cidade, o Parque Olímpico ultrapassa os limites do muro do antigo Autódromo que foi desativado para construção de grandes edificações e à consequente demolição das casas dos moradores da Vila Autódromo. Mais uma vez, interesses privados são sobrepostos ao público e um hotel de luxo já desponta na paisagem. Próximo ao local, ainda foi construído o questionado Campo de Golfe que reduziu ainda mais as espécies de Mata Atlântica.
    Fonte: Urbe CaRioca
    E não para por aí. Em entrevista para o Jornal Folha de São Paulo [2], o Prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, disse que poderia “colocar tudo na conta das Olimpíadas”. Dito e feito. O Poder Executivo Municipal apresentou diversos Projetos de Lei para a Câmara Municipal, visando alterar, por exemplo, o regramento sobre uso, ocupação e parcelamento do solo, licenciamento e fiscalização ambiental e o Código de Obras e Edificações da capital fluminense [3].
    “A cidade negocial produz e reproduz a desigualdade”, nas palavras de Carlos Veiner. É preciso, portanto, compreender que qualquer política de planejamento urbano passa pela construção de espaços colaborativos de participação da sociedade nas principais tomadas de decisão.
    Publicado originalmente em UrbeCaRioca.


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    [1] FORTUNA, Vânia Oliveira. Cidade-empresa e megaeventos, uma construção discursiva sobre as cidades. Disponível em
    [2] Disponível em
    [3] PLC nº 29/2013 – Parcelamento do Solo; PLC nº 30/2013 – Código Ambiental; PLC nº 31/2013 – Código de Obras e Edificações; PLC nº 32 /2013 – Licenciamento e Fiscalização de Obras Públicas e Privadas; e PLC nº 33/2013 – Uso e Ocupação do Solo e PLC nº. 96/2015. 

    Para mais informações:

    http://urbecarioca.blogspot.com.br/2013/06/pacote-de-novas-ou-velhas-leis.htmle http://urbecarioca.blogspot.com.br/2014/06/artigo-analise-do-projeto-de-lei.html

    O Sétimo Continente

    Em 1997 um oceanógrafo descobriu um novo continente. Infelizmente, este não é feito de terra, mas sim de plástico. Isso mesmo! Com uma extensão maior que a cidade de São Paulo, a mancha flutua entre as costas da Califórnia e do Havaí e é formada por todos os tipos de plásticos. Provenientes dos continentes e dos descartes de navios, esses resíduos são arrastados por correntes marítimas para um ponto de convergência.
    Para ver a imagem ampliada: Clique Aqui
    O capitão Charles Moore foi o primeiro a descobrir este lixão flutuante e fundou a Algalita Marine Research Foundation, organização dedicada à pesquisa e à conservação marinha, que estuda outras cinco ilhas de lixo.  O problema maior reside embaixo dessas ilhas: uma sopa de plástico de mais de 10 metros de profundidade, formada por pequenos e micro pedaços que são facilmente ingeridos por peixes e outros animais marinhos da cadeia alimentar.
    As análises mostram todos os tipos de plásticos flutuando, desde bonecas, isqueiros, cordas, sacolas, garrafas, embalagens, redes de pesca e todos outros utensílios encontrados em qualquer loja de conveniência. Você deve estar se perguntando qual seriam as soluções para este grande problema, certo? Pois bem, ainda não existem acordos internacionais para discutir ou diminuir o problema. As questões residem em quem responsabilizar, se são os fabricantes de plásticos ou os países onde se encontram as águas contaminadas. E ainda como retirar (caso seja possível) todos esses resíduos.
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    Uma solução é reciclar boa parte desse material. Porém, tal processo se torna complexo devido às colônias de animais encrustadas nos resíduos, bem como perda de propriedades devido às exposições do sol e da água salgada. Mas é possível! Alguns projetos pilotos foram desenvolvidos, como a captura desses materiais através de grandes barreiras que impedem o material de se espalhar, facilitando a remoção (planetasustentavel.abril.com.br, 2015).
    A luta do capitão dos mares é nobre. Devemos investir em novas tecnologias e design que utilizem menos plásticos nos produtos e, especialmente, desenvolver e priorizar a utilização de plásticos biodegradáveis e compostáveis. Segundo o próprio oceanógrafo, “somente os seres humanos produzem resíduos que a natureza não consegue digerir” (www.algalita.org, 2015).

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    Não é preciso ir até uma dessas ilhas de plásticos para entender de perto o problema. Basta olhar a Baia de Guanabara que virou um imenso depósito de lixo, e as diversas ecobarreiras no Rio de Janeiro que não suportam a quantidade diária de plásticos acumulados que correm direto para o mar.
    Isto reflete um problema ainda maior no Brasil. Com apenas 13% do total de resíduos urbanos sendo encaminhados para reciclagem (Ipea, 2010), enterramos enormes oportunidades de transformar estes resíduos em matéria prima para outros produtos. Outro ponto importante refere-se às questões de logística. A concentração de indústrias de beneficiamento em determinadas regiões do país inviabiliza o transporte e destinação adequada de diversos materiais passíveis de reciclagem.
    Dentre todos os tipos de plásticos comercializados para reciclagem, o PET é o que mais se destaca com relação ao volume e ao valor de venda.  As grandes indústrias automobilísticas e têxteis, que poderiam se beneficiar com a compra de resina de plástico reciclado, acabam por importar a resina crua, desvalorizando o material para comercialização na cadeia de reciclagem.
    A Política Nacional dos Resíduos Sólidos está guiando o Brasil para outro patamar, ainda que a passos lentos. Se não dermos conta do nosso próprio lixo, como vamos garantir que o plástico jogado em nossos rios e mares não encalhe em uma dessas grandes ilhas no meio dos oceanos?
    Diante deste cenário caótico, é nítida a urgência de um movimento dentro da comunidade internacional para incluir o tema na pauta das agendas, que merece igual atenção às mudanças climáticas e aquecimento global, por exemplo. Não podemos ver o CO2, mas podemos ver os plásticos e lixos flutuando em nossos oceanos, e também devemos agir em relação a isso.
    Clique aqui para ler mais artigos de Aline Lazzaroto

    Exteriorizar-se

    Atualmente 99% dos problemas da sociedade seriam resolvidos com um sistema educacional efetivo. Porém, sabendo que essa não é a realidade do nosso país para a esmagadora maioria da população, é proposto neste artigo um outro tipo de educação para se alcançar os ideais sustentáveis; a educação interpessoal, que surge de nosso interior e transborda para o meio externo, desprendendo-se de terceiros ou instituições que utilizam métodos ultrapassados.
    Nenhuma decisão importante deve ser tomada sozinha, e mesmo que seja, a sua continuidade dependerá de terceiros, bem como da própria natureza, que em níveis mais elementares “dirá” se aquilo é possível ou não. Então, ao se relacionar com os outros e com a própria natureza é preciso ter respeito, pois mesmo que não se perceba, tudo e todos estão todo o tempo fazendo parte da construção dos nossos planos e do nosso próprio ser.
    Esse raciocínio ajuda a nos compreender como parte do meio em que vivemos, e a educação interpessoal é a mediadora entre nós e os outros. Quanto melhor nossa educação interpessoal, melhor e mais coerente será a resposta daquilo e daqueles que nos rodeiam. Criando assim um resultado não dependente somente do que se “precisa e o que se encontra”, acrescentando na equação, “como se procura” aquilo que necessitamos.
    A habilidade de sentir empatia é o apogeu e o precursor da educação interpessoal, senti-la pelos aspectos da natureza, bem como pelos seres que ela engloba é uma das mais valiosas maneiras de exercer a sustentabilidade. E reconhecer o que torna turva nossa capacidade de empatia e de educação interpessoal é tão importante quanto exercê-la, pois sentimentos como o ódio e o desprezo podem anular por completo nossa habilidade de se colocar no lugar do próximo ou de experimentar com clareza aquilo que o nosso meio tenta nos dizer. 
    Apenas você sabe como é complicado ter que oferecer mais do que se recebe e muitas vezes exercer isto com a consciência de não poder esperar nem o mínimo em troca. Nós sabemos como é, mas, o processo é longo e é todo do interior para meio exterior, a vontade parte de você. Então espere de você apenas aquilo que é realmente importante, alguns podem até chamar isso de egoísmo ou presunção. Eu diria que essa é a arte da educação interpessoal.
    É interessante cultivar formas autônomas de evolução pessoal, pois percebo que, principalmente pessoas que vieram de uma formação educacional por meio de instituições públicas, assim como eu, acabaram sofrendo uma espécie de sabotagem educacional. E essa auto-análise/crítica que promove não só o aprimoramento interpessoal como várias outras coisas, acaba favorecendo também nossa perspectiva, tanto em relação a nós mesmos quanto das coisas e dos seres à nossa volta.
    Enfim, “A paz vem de dentro de você mesmo. Não a procure à sua volta.” Buda

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    Sementes Duradouras

      
    A diversidade biológica continua a encolher em um ritmo alarmante com a perda de várias espécies de plantas representando uma ameaça, aparentemente menos visível do que a perda de animais, mas em muitos aspectos de forma muito mais crítica.
    As populações indígenas, como os agricultores norte americanos, por exemplo, bem como na Mesoamerica, Região dos Andes e na Amazônia tem continuamente cultivado milho, feijões, abóbora, mandioca e outras sementes e raízes por mais de cinco mil anos. Uma das qualidades do seu sistema tradicional de agricultura é o alto nível de biodiversidade. Esses sistemas tradicionais emergiram através de séculos de evolução cultural e biológica, e eles representam a experiência acumulada de agricultores indígenas interagindo com o meio ambiente sem acesso a insumos externos, capital ou conhecimento científico. Usando de maneira criativa a auto suficiência, o conhecimento experimental assim como os recursos locais disponíveis, agricultores tradicionais tem continuamente desenvolvido sistemas de agriculturas com produções que resistiram ao teste do tempo.
    O grande desafio para entender como a agricultura tradicional mantêm, preserva e maneja a biodiversidade é reconhecer a complexidade de seu sistema de produção. Hoje é amplamente aceito e difundido que o conhecimento indígena e tradicional é um recurso poderoso em seu próprio direito e é complementar ao conhecimento científico da cultura ocidental. Entretanto, não é possível separar o estudo da agricultura biodiversa e o estudo da cultura que o nutre. Enquanto a agricultura tradicional desaparece em face das transformações políticas, sociais e econômicas, a preservação de sistemas tradicionais de agricultura deve ocorrer em conjunto com a manutenção da cultura local. A conservação e o manejo da biodiversidade agrícola não são possíveis sem a preservação da diversidade cultural.
    Fonte: Jornal de Brasília
    Agricultura tradicional é o berço da biodiversidade agrícola, desempenha um papel fundamental na segurança alimentar, preserva o solo e a água, é resiliente à desastres naturais, em especial às alterações climáticas, sobre as quais os agricultores indígenas não têm nenhum controle. Agrônomos e outros cientistas encontram dificuldades para entender a complexidade de métodos tradicionais locais e têm ignorado sistemas tradicionais de agricultura impondo condições e tecnologias que vem interrompendo a integridade da agricultura tradicional. Existe uma força na diversidade do sistema de agricultura indígena baseada no fato de que essa diversidade deve perdurar para o benefício da população. Este compromisso reflete a responsabilidade com as futuras gerações, revelado no antigo provérbio indígena: “Não herdamos a terra de nossos antepassados, mas a tomamos emprestadas de nossos descendentes futuros’’. Somente na América Latina, mais de 2.5 milhões de hectares de agricultura tradicional têm sucessivamente se adaptado à ambientes com condições difíceis como campos elevados, policultura e agrofloresta.
    Quando os países industrializados tomaram ciência a respeito dos serviços ecológicos realizados pela biodiversidade, localizada em sua maioria nos países “em desenvolvimento”, estes testemunharam uma “corrida pelo gene”. Corporações multinacionais até hoje vasculham agressivamente florestas, campos de cultivo e as regiões costeiras em busca de ouro genético. Protegidos pelo World Trade Organization, empresas multinacionais tem praticado livremente “biopirataria”. O Rural Advancement Foundation estima que essa atividade ilegal custa ao países em desenvolvimento em torno de 5.4 bilhões de dólares por ano perdidos em royalties para empresas farmacêuticas e alimentícias que usam germoplasma de agricultores indígenas e plantas medicinais.

    Açaí: Um conhecido caso de biopirataria
    Claramente, a biodiversidade é vista como matéria prima para corporações multinacionais que vem lucrando bilhões de dólares em laboratórios norte americanos a partir do germoplasma que agricultores indígenas, cuidadosamente, tentam proteger ao longo de gerações. Até hoje, empresas de biotecnologia não ofereceram nenhum tipo de indenização e reconhecimento aos agricultores tradicionais.
    O atual sistema agrícola com cultivos biotecnológicos favorece monoculturas caracterizadas por níveis perigosamente elevados de homogeneidade genética, levando a uma maior vulnerabilidade dos sistemas agrícolas. À medida que as novas sementes de bioengenharia substitui as antigas variedades tradicionais e seus parentes silvestres, a erosão genética irá se acelerar. O que é irônico é que o impulso para a uniformidade não só vai destruir a diversidade de recursos genéticos, mas também irá interromper a complexidade biológica que está por trás da sustentabilidade dos sistemas agrícolas tradicionais, a maioria dos que forneceram a matéria-prima para a biotecnologia corporativa.

    Está claro que as estratégias agrícolas indígenas favorecem a complexidade para uma análise ecológica profunda. Os métodos de agricultura que possuem melhor oportunidade para perdurar são aqueles que se desviam menos da diversidade das comunidades nativas. Por esta razão, a agricultura tradicional indígena representa uma força poderosa contra a tendência para uma visão reducionista da natureza e da agricultura instituída pela biotecnologia contemporânea.Preservando agroecossistemas tradicionais e compreendendo como produtores locais mantém e manejam a biodiversidade podemos acelerar consideravelmente a adoção de princípios agroecológicos profundos. Tais princípios são bastante necessários a fim de desenvolver agroecossistemas sustentáveis e estratégias de conservação da biodiversidade em países industrializados e em desenvolvimento. É a única esperança para a agricultura duradoura.

    Agricultura Convencional x Agroecologia: 3 mitos que você sempre ouviu sobre a agroecologia mas ninguém teve coragem de negar.
    Ao contrário de solução rápida de bioengenharia, a agricultura tradicional e regenerativa não pode ser implementada em escala sem mudanças culturais profundas. É hora de se apaixonar pela  terra, pelo solo e pelas árvores, para deter a destruição dos mesmos e para ajudarmos na sua restauração. É tempo da política e da prática agrícola se tornarem alinhados com a regeneração.
    Clique aqui para ler mais sobre artigos de Maria Eduarda Souza

    Picolé de Vitamina Verde Integral

    Vitamina Verde Integral?

     

    Essa vitamina é integral porque ela é somente liquidificada – não se coa ou se utiliza centrífuga (extrator de frutas e vegetais). Utilizamos somente frutas e folhas verdes, liquidificamos tudo e bebemos. Simples assim.

    A outra grande diferença dos sucos verdes integrais para o que é divulgado por aí, é que os sucos verdes integrais não contêm vegetais, mas somente folhas verdes quando misturados com frutas doces. As folhas verdes, além de vários nutrientes, contêm muita fibra, o que diminui a entrada de açúcar no sangue. Essa qualidade é muito boa para pessoas com diabetes, cândida ou hipoglicemia.

    Sem falar que as próprias frutas contêm fibras solúveis que retardam essa entrada voraz de açúcar na corrente sanguínea. Por isso que extrair o suco das frutas e verduras ou vegetais é tão prejudicial para nós – pois retiram-se as fibras tão importantes para o equilíbrio da entrada de açúcar no sangue.

    O fato de não utilizarmos vegetais – cenoura, abóbora, amidos em geral (batatas e cia), couve-flor, brócolis, berinjela, abobrinha, etc. – é porque eles não possuem boa combinação com frutas. Vegetais contêm mais amido, o que não combina nada com frutas.

    Agora segue uma receita de picolé das minhas tão amadas vitaminas verdes integrais. Compartilho com vocês essa receita com um toque a mais de gengibre para a Primavera. Anotem a receita e experimentem! Porque é bom demais! Tudo o que você precisa é de algumas forminhas para picolé.

    Receita Picolé Vitamina Verde – Detox, Nutritivo, Delicioso!

    Ingredientes:

    • 1 manga média palmer (sem fiapos)
    • 1 banana prata madura
    • 5 folhas de hortelã ou menta
    • 1 punhado pequeno de folhas de espinafre
    • 50 ml de leite de coco caseiro ou 1 colher de sopa de manteiga de coco (da marca Bioporã)
    • 1 colher de sobremesa de semente de chia

    Modo de Preparo:

    Coloque a semente de chia para hidratar por 10 minutos. Enquanto ela hidrata, bata no liquidificador a manga, a banana, o gengibre, a hortelã, o espinafre e o leite de coco. A mistura deve ficar homogênea.

    Pegue as forminhas para picolé e preencha até a metade com o líquido. Depois acrescente uma colher de chá de semente de chia hidratada e misture com o líquido. Adicione o restante da vitamina verde e, ao final, ponha com o palito.

    Faça o mesmo procedimento em todas as forminhas. Leve ao congelador por 5 horas em média.

    Rende: 500 ml de mistura

     

    Clique aqui para ler mais sobre artigos de Malu Paes Leme

     

    Necessidades e Aspirações

    O Relatório Brundtland (1987) propôs uma definição para “desenvolvimento sustentável” que é considerada referência até os dias de hoje:
    Sustainable development is the
    “development which meets the needs of
    The present without compromising the ability of
    Future generations to meet their own needs.”
    Em muitas ocasiões, a palavra “needs” (necessidades) foi criticada, pois é importante considerar que necessidades dependem de uma grande quantidade de fatores. Para muitos, água e alimentos ainda são necessidades não contempladas, enquanto para outros, trocar de celular três, quatro vezes por ano é uma necessidade importante.

    Autossustentável: Pirâmide de Maslow - Teoria das Necessidades
    Fonte: Esoterikha
      
    É importante considerar que, para além de necessidades, o ser humano possui também aspirações, como também citado no relatório de 1987. Abraham Maslow já abordava ambos os conceitos em 1943 em seu artigo “A teoria da motivação humana” e, apesar das críticas posteriores à sua categorização, ele ainda é uma referência importante.
    Desde sempre, sabe-se que as diferentes necessidades e, em especial, aspirações, geram diferentes tipos de impactos socioambientais. Nesse ponto, vale a pergunta: quais as suas aspirações de vida e, além disso, o que ou quem influencia estas aspirações?
    A engenhosidade humana tem se dedicado a elaborar diferentes estratégias que podemos chamar de “criação de aspirações” (ou marketing, se preferir) cada vez melhores. O que antes era supérfluo, se torna objeto de desejo. Somado a isso, a comparação com nossos pares nos faz “comprar as ideias”, literalmente. Esse ciclo é tão fluído e efêmero que minutos após o consumo já estamos de volta ao início do processo, aspirando mais (e nem sempre, melhor).

    Autossustentável: Consumismo
    Os impactos gerados antes e depois desse momento de compra tem sido chamado tradicionalmente de externalidade, ou seja, um mal necessário frente à grandeza de nossas aspirações e desejos.
    Para que esse ciclo seja repensado precisamos de, pelo menos, dois elementos: informação e formação de qualidade (crítica). Com esse básico garantido, seremos capazes de compreender quais necessidades e aspirações são realmente legítimas do ponto de vista individual, mas com vistas ao coletivo. Considero essa mudança de olhar passo fundamental na direção da sustentabilidade e qualidade de vida.

    Autossustentável: Escola
    A escola tem papel central no que tange à informação e formação dos cidadãos do presente e do futuro. Bem formados e informados (ou pelo menos sabendo onde achar informação de qualidade), seremos capazes de rever nossas escolhas e compreender de forma mais complexa e sistêmica as consequências de nossas necessidades e aspirações e onde elas realmente nascem.
    Um dos caminhos para tornar essa discussão competente e com contexto na escola é por meio da criação e desenvolvimento de projetos permanentes e continuados em Educação e Sustentabilidade, proposta que tem ganho cada vez mais adeptos entre os educadores brasileiros.
    A Educação para a Sustentabilidade opera na direção da “construção de um mundo onde todos têm a oportunidade de se beneficiar de uma educação de qualidade e aprendam os valores, comportamentos e estilos de vida necessários para um futuro sustentável e para uma transformação positiva da sociedade”, segundo a UNESCO. Vale lembrar que nesse ano de substituição dos ODM pelos ODS, a Educação para a Sustentabilidade continua protagonista e ganha novo fôlego.

    Autossustentável: Educação para a Sustentabilidade
    Necessidades e aspirações devem entrar e estar em consonância com a busca pela sustentabilidade em todas as suas vertentes.
    Enquanto isso, pense um momento nas suas necessidades e aspirações; onde elas nascem, como te fazem feliz, como afetam os outros e, por fim, como colaboram (ou não) com a melhoria das condições socioambientais para as atuais e futuras gerações.

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    Porque, Hoje, o Brasil Pode Liderar as Discussões Climáticas

    Como comentei anteriormente aqui, nesse fim de ano teremos um dos mais importantes passos na caminhada internacional no debate sobre a mudança do clima. A 21° Conferência das Partes das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (ou COP-21), a ser sediada na capital francesa em dezembro deste ano, é a reta final da fundamental discussão sobre que novo acordo/tratado sucederá o Protocolo de Quioto a partir de 2021, data do término de sua vigência.

    Sobre esse processo que levou ao Protocolo de Quioto, suas críticas, sua extensão e o atual caminho para o que, espera-se, será o “Protocolo de Paris”, comentarei em texto posterior, mais próximo ao evento. O ponto principal aqui é enfatizar um artifício encontrado para que as negociações avançassem e os países não chegassem a Paris com o mesmo nível de ambição de Copenhague, há 6 anos: as pretendidas Contribuições Nacionalmente Determinadas (iNDC).

    Populares festejam o resultado da conferência no calor dinamarquês. / Imagem: Creative Commons

    As iNDC são declarações feitas por cada um dos países-membros que farão parte das negociações no fim do ano. Espera-se que coloquem, de forma clara e com antecedência, qual o nível de esforço e ambição que, individualmente, estão dispostos a se comprometer a fim de que, somando-se todos esses esforços, possa-se atingir ao ideal previamente acordado de um aumento máximo de 2°C na temperatura global média. Em outras palavras, o quanto cada país se banca (ou quer se bancar).

    Ao longo do ano, diversos países enviaram suas iNDC à ONU com posicionamentos, no mínimo, interessantes. Tivemos o acordo EUAChina no meio do ano, refletido em suas contribuições; a já esperada posição europeiade continuidade de Quioto; Índia e Rússia se posicionando não muito distantes a como geralmente agem nessas discussões. Mas me atento ao nosso posicionamento, do Brasil, lançado no fim do mês passado, pela própria Presidente da República.

    Antes de mais nada, é importantíssimo frisar o ponto inicial e que dá o tom ao documento: o iNDC brasileiro é, sem dúvida, o mais ambicioso em comparação a todas as outras grandes economias do mundo. O governo brasileiro aponta para uma redução absoluta de emissões de gases de efeito estufa de 37% em 2025 e 43% em 2030 – ambos tendo 2005 como ano-base.

    Imagem: Pinterest

    Pausa nessa parte para uma explicação do parágrafo acima. Primeiramente, importante colocar que qualquer meta de redução demanda um ano-base sob o qual será definida qual o tamanho da redução. No nosso caso, o ano de 2005 é interessante tanto do ponto de vista técnico – foi quando finalizamos nosso segundo e mais completo inventário de emissões já realizado – quanto político – foi um ano de emissões bem significativas, em especial advindas do desmatamento.

    2005 não foi o ano com maior emissão, mas, ainda assim, emissões bem significativas. / Infográfico: Folha de São Paulo

    Mas me foco na palavra “absoluta” desta meta porque ela é fundamental para explicar o que chamei de maior ambição brasileira. Em linhas gerais, a compromissos de redução de emissão se apresentam em três possibilidades de meta: (i) intensidade de emissões; (ii) desvio da curva de crescimento; e (iii) reduções absolutas.[1]

    As metas por intensidade de emissões, lógica amplamente utilizada pela China, se baseiam na razão entre o quanto emitem de gases de efeito estufa e o tamanho de sua economia; em outras palavras, premia o quão eficiente é esse país. Caso suas emissões cresçam de um ano para outro, mas sua economia tenha um crescimento maior, sua intensidade diminuirá.

    O desvio da curva de crescimento, utilizada, por exemplo, pela nossa Política Nacional de Mudança do Clima (PNMC), se baseia numa diminuição do total das emissões de um país tendo como base o quanto seriam as emissões deste caso nada tivesse sido feito (o famoso cenário business as usual). Melhor explicando: projeta-se que de ano X para Y o país, baseado em seu crescimento, teria uma emissão tantas vezes maior do que no ano inicial – baseado nesse valor projetado, estipula-se uma meta de redução de emissão, desviando, assim, da curva de crescimento.

    Por fim, as reduções absolutas são, como o nome dizem, absolutas. Pega-se o valor de um ano-base e estipula-se a redução percentual daquele valor. Para ilustrar a diferença entre esses três casos, faço uma comparação na tabela abaixo partindo de algumas informações do caso brasileiro (com dados aproximados).

    Dados Iniciais
    Ano-Base: 2005
    Emissões no ano base: 2,3 bi ton CO2e
    PIB no ano base: 882 bi
    Meta de redução: 43% em 2030
    Crescimento projetado da economia (e das emissões): 3% ao ano (esse crescimento é um chute meu; a PNMC prevê 5%/ano, mas isso é risível se formos analisar os últimos 10 anos de crescimento brasileiro… 3% já é ser bondoso).
    Intensidade de Emissões
    Intensidade em 2005: 0,0026
    Meta de intensidade em 2030: 0,0014
    Emissões totais no ano da meta: 2,58 bi ton CO2e
    Desvio da Curva de Crescimento
    Emissões projetadas para 2030 em um cenário business as usual: 4,81 bi ton CO2e
    Meta de emissões para 2030: 2,74 bi ton CO2e
    Meta absoluta
    Meta de emissões para 2030: 1,3 bi ton CO2e

    Nota-se que nos dois primeiros cenários – de intensidade e do desvio da curva – a meta brasileira permitiria que o país pudesse aumentar a quantidade de gases de efeito estufa permitida. O ponto que não paro de enfatizar aqui é: sendo a única dentre as grandes economias com meta tão ambiciosa já explícita, o Brasil chega a Paris com capital político para influenciar decisivamente o rumo das discussões, mantendo uma posição de liderança que começou a ter desde Copenhague.

    Significa dizer que nosso iNDC não é passível de críticas? Longe disso. Uma meta ambiciosa desperta imediatamente o interesse em entender o como o país a atingirá. Se voltarmos ao gráfico de emissões históricas brasileiras, conseguimos notar sensível diminuição daquelas advindas do desmatamento; de fato, hoje, as duas maiores fontes de emissão brasileiras são agricultura e energia.

    E grande parte das críticas que o iNDC recebeu tanto da academia, quanto da sociedade civil, inclusive do próprio setor empresarial, vêm justamente da dificuldade de se encontrar o caminho para atingir a meta. Ponto de muita preocupação, por exemplo, é a quase inexistência de referências às emissões por transporte (hoje cerca de 15% a 18% das emissões nacionais), que não a “medidas de eficiência e melhorias de infraestrutura”. Há ainda menção de aumento do etanol e biodiesel em combustível líquido, que também poderiam aliviar as emissões, mas muito aquém do potencial nacional.

    Imagem: Pinterest

    Outro ponto duramente criticado, em especial por ONGs ambientalistas, é a meta de desmate ilegal zero na Amazônia em 2030. Oras, sendo-o ilegal, dar um prazo de quinze anos para seu cumprimento é admitir a possibilidade de não cumprimento da legislação integralmente, flexibilizando-a; além disso, o foco exclusivo no bioma amazônica pretere outras zonas que merecem igual preocupação, como o cerrado ou a Mata Atlântica.

    Por fim, o iNDC brasileiro retoma um debate que era o cerne do posicionamento do país pré-2009, sobre responsabilidade comuns, porém diferenciadas e responsabilidades históricas, demonstrando que mesmo tendo sido um país que contribuiu muito pouco ao aumento da concentração de gases de efeito estufa na atmosfera ao longo da história [2]. E retomo ao ponto principal desse texto: a despeito de críticas que têm que acontecer a partir da posição brasileira, a mesma gabarita o país a uma liderança natural no atual debate, um país que está de fato comprometido a atuar, ainda que unilateralmente.

    Fecho justamente com esse ponto, sobre a atuação unilateral. Ao ler as posições de quase todos os países, os mesmos condicionam ações individuais deles ao movimento dos demais; ou seja, não querem arcar com os custos enquanto os outros entram “na carona”. Mas o Brasil não. O comprometimento é voluntário e incondicional. E é um comprometimento sério e, comparativamente aos demais, bastante audacioso. O que potencializa ainda mais nossa posição para liderar uma conversa visando a um compromisso vinculante global.

    O que não significa que ele necessariamente sairá. Ou que será o ponto de alto de Paris esse ano. Mas esse é um assunto para depois.

     

    [1] Já foi mais discutido ainda uma quarta possibilidade, as emissões per capita, mas como os dos países que mais defendiam o tema – China e Índia – não mais o estão fazendo, não o cobrirei nesse texto.

    [2] Lembro que as emissões de gases de efeito estufa não têm efeito momentâneo; os mesmos permanecem na atmosfera agindo por muitas décadas, se não séculos, posterior ao seu lançamento. Significa dizer que as emissões das primeiras máquinas a carvão da Inglaterra no século XVIII ainda tem efeito sobre a temperatura global. Daí a preocupação brasileira em pontuar para não somente as emissões atuais, mas também o total historicamente já lançado.

     

     

    Quanto Vale um Morcego? – A Importância dos Serviços Ambientais

    Pensando rápido, você saberia informar alguma função ou mesmo a importância que os morcegos têm para as florestas, para a manutenção dos ecossistemas? 

    Muitas pessoas possuem algum tipo de repulsa por morcegos, um medo alimentado por esses animais serem criaturas noturnas, visualmente distintos e por algumas espécies serem transmissoras de doenças, como a raiva. Mas, para outras pessoas, morcegos despertam curiosidade, como no caso dos morcegos hematófagos que se alimentam de sangue de animais, fato que nos remete a filmes e a lendas como a do conde drácula de Bram Stoker. A grande questão é que, a importância desses animais, os serviços ambientais prestados por eles dentro do ecossistema e o valor que isso tem para todos nós, ainda é, de fato, desconhecido para a maioria das pessoas. E conhecer o papel desses personagens no cenário que também participamos se faz necessário para que, assim, possamos tentar mensurar o valor destes animais. É a chamada valoração da biodiversidade, termo muito utilizado na economia verde.

    A economia verde é uma fórmula de implicações que são pautadas ao conceito mais abrangente de Desenvolvimento Sustentável, termo empregado pelo Relatório Brundtland de 1987 e oficialmente citado pela comunidade internacional na Rio-92. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – PNUMA descreve a economia verde como aquela que tem como resultado o bem-estar humano e a igualdade social, ao mesmo tempo em que busca reduzir significamente os riscos ambientais e a escassez ecológica. Com baixa emissão de carbono e eficiência no uso dos recursos naturais, a economia verde deve ser vista como uma maneira de inserir efetivamente demandas para o desenvolvimento sustentável (Radar Rio+20).

    Pertencentes ao Filo Chordata, Classe Mammalia, os morcegos são os únicos animais com a capacidade de voo entre todos os mamíferos. Por sua face lembrar uma raposa, em alguns lugares são chamados de raposas voadoras. Possuem hábitos noturnos, os olhos são pequenos e não possuem percepção de cores. A dieta desses animais é a mais diversificada entre os mamíferos, podendo variar entre frutos, sementes, folhas, néctar, pólen, artrópodes, pequenos vertebrados, peixes e até sangue. Podem ter coloração de pêlos entre preto e pardo com algumas espécies ruivas ou amareladas e até uma com pelos brancos, a Diclidurus. Embora no Brasil a maioria das espécies se localizem através da ecolocalização, alguns frugívoros se orientam pela visão. Possuem predadores naturais como cobras, guaxinins, águias, falcões, mas somente uma espécie de águia africana se especializou na predação desses animais (MORCEGOS DO BRASIL, 2007).
    Os morcegos desempenham papéis fundamentais na natureza e assim para todos nós. Em sua grande maioria são polinizadores de várias árvores frutíferas, e muitas espécies de plantas polinizadas por morcegos possuem importância econômica, sendo utilizadas como alimentos e remédios. Eles também são eficientes dispersores de sementes, chegando a transportar aproximadamente 500 sementes de plantas típicas de florestas a enormes distâncias (ROCHA, 2013).
    Alguns botânicos acreditam que os morcegos são os maiores dispersores de sementes. Segundo um estudo realizado, 70% das espécies vegetais existentes na floresta Amazônica surgem por dispersão ou polinização feita exclusivamente pelos morcegos (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, 2011). Outra pesquisa (MAAS et al. 2015)publicada recentemente apontou que morcegos juntamente com aves são os mais eficientes controladores de pragas agrícolas, reduzindo a densidade e a biomassa de artrópodes tanto em ambientes tropicais quanto em zonas temperadas e boreais. E essa relação é muito significativa para a economia e tem uma especial importância para os sistemas agroflorestais. Sensíveis a mudanças ambientais os morcegos também são ilustres bioindicadores capazes de apontar se algo está afetando o meio ambiente, podendo assim contribuir com medidas para a preservação ambiental. São também estudados na farmacologia, onde a saliva dos hematófagos é utilizada para a fabricação de remédios cardiovasculares, uma vez que, existem propriedades anticoagulantes contidas nela.

    Como podemos observar vários são os serviços ambientais que esses animais prestam ao meio ambiente. Serviços ambientais são os processos gerados pela própria natureza através dos ecossistemas, com a finalidade de sustentar a vida no planeta. São responsáveis pela manutenção da biodiversidade, fundamental para a vida humana. Quando pensamos em preservação dos ecossistemas, economicamente não parece algo atrativo à primeira vista, já que a curto prazo o desmatamento para a monocultura ou para a agropecuária, por exemplo, parecem mais lucrativos. Todavia, quando levantamos os custos e o tempo para a recuperação de áreas degradadas, para o reflorestamento, despoluição de rios, ou controle de pragas e etc, vale mais a pena investir na manutenção prestada por estes serviços ambientais. O grande desafio é criar a valoração desses serviços, para que possamos realmente reconhecer o valor de cada um desses personagens e o quanto que se poderá perder caso haja uma perda ambiental como os desmatamentos (Instituto de Pesquisa da Amazônia – IPAM).
    Apesar de todos os mistérios que envolvem os morcegos, vimos o quanto eles são primordiais para a manutenção da vida de nossas florestas e de ecossistemas, e que a falta de conhecimento sobre o real valor dos serviços ambientais prestados por eles e por outros animais e plantas podem nos trazer prejuízos imensuráveis. Começar a entender essas relações e existentes entre os animais e as plantas, as plantas, os animais e o homem se faz urgente para avançar na compreensão da complexidade ecológica, suas interações e importâncias, para que de fato possamos utilizar das ferramentas de uma economia mais verde e assim praticar a efetivação da sustentabilidade, e consequentemente a conservação do meio ambiente. 

    Agora que você já conhece um pouco mais sobre a vida e os serviços prestados por esse mamífero voador, e a importância dele para a conservação, então, quanto vale um morcego?
    Referências Bibliográficas

    Clique aqui para ler mais sobre artigos de Tatiane Castaño

    Capitalismo Natural: Um Modelo Inovador para uma Nova Forma de Pensar a Economia

    Já ouviu falar em “Capitalismo Natural”, uma forma de capitalismo que acredita que o investimento nos ecossistemas é essencial para a economia?
    Originalmente publicado em 1999 por Paul Hawken, Amory B. Lovins, e L. Hunter Lovins, o livro “Capitalismo Natural – Criando a Próxima Revolução Industrial” retrata um modelo inovador de economia. O livro descreve um futuro à beira de uma nova revolução industrial na qual os interesses dos negócios e do meio ambiente são coincidentes, e empresas podem ao mesmo tempo melhorar seus resultados e ajudar a solucionar problemas ambientais.
    O meio ambiente e a economia são na verdade dois lados de uma mesma moeda. Se não sustentarmos o meio ambiente, não podemos nos sustentar.
    Em primeiro lugar, o livro discute falhas no atual modelo de economia. Para os autores, o capitalismo é uma “aberração lucrativa e insustentável do desenvolvimento humano”. Em outras palavras, o sistema econômico atual é extremamente ineficiente na utilização dos recursos, e é uma grande ameaça ao nosso ecossistema.
    Uma das ineficiências na economia está na indústria. A maioria das empresas aborda os processos industriais como partes isoladas, com um pensamento “reducionista-mecanicista”, ao invés de adotar uma abordagem sistêmica, que considera o sistema industrial como um todo, assim como as interações entre suas partes e os resultados a longo prazo. Além disso, muitas empresas utilizam equipamentos e tecnologias ultrapassadas, contribuindo ainda mais para o aumento na ineficiência.
    O setor de energia, por exemplo, está entre os mais ineficientes. Apenas a energia perdida em forma de calor residual nos Estados Unidos é equivalente a toda a energia utilizada pelo Japão. Se as empresas americanas implantassem melhorias na estrutura dos edifícios e nos escritórios, e em equipamentos como sistemas de ar condicionado, o consumo de eletricidade teria uma redução de no mínimo 75%. A eficiência na produção dos bens materiais é ainda pior: apenas 1% de todos os materiais utilizados na indústria nos EUA se transformam em produtos que são utilizados por pelo menos seis meses após a venda. Isso mostra o quanto os recursos naturais são utilizados de forma intensiva, e produz bens com vida útil extremamente curta.
    Outro erro cometido pelas empresas é de ignorar a importância dos ecossistemas para o seu negócio. Os ecossistemas fornecem dois componentes essenciais: os recursos exploráveis, como a madeira proveniente das florestas, e os serviços essenciais, como o armazenamento de água e regulação do clima e da atmosfera.
    Infelizmente, o custo de se destruir os serviços dos ecossistemas se torna aparente apenas quando entram em colapso. Na bacia de Yangtze na China, por exemplo, em 1998, o desmatamento da floresta causou enchentes que mataram 3700 pessoas, desabrigaram 223 milhões, e inundaram mais de 24 milhões de hectares de terras de cultivo, resultando em um desastre de 30 bilhões de dólares.
    O motivo pelo qual as empresas e os governos são tão pródigos com os serviços dos ecossistemas é que o seu valor não aparece de imediato em seus balanços patrimoniais. Porém, essa é uma omissão descomunal. Cálculos publicados no jornal “Nature” estimam que o valor de todos os serviços proporcionados pelos ecossistemas da Terra é de no mínimo 33 trilhões de dólares por ano, pouco menos que a metade do produto mund
    ial bruto em 2014
    . Além de ter um valor inestimável, a maioria desses serviços não possuem nenhum substituto, e são essenciais para a nossa sobrevivência.
    Nesse contexto, o capitalismo natural é uma abordagem que leva em consideração tanto a proteção da biosfera quanto a melhoria nas margens de lucro e na competitividade dos negócios. Algumas alterações simples na maneira em que conduzimos os nossos negócios, baseadas em técnicas para tornar os nossos recursos mais produtivos, podem render benefícios tanto para os acionistas quanto para as gerações futuras. O capitalismo natural se baseia em quatro princípios:
    1. Aumentar radicalmente a produtividade dos recursos naturais
    Reduzir o fluxo de recursos que desperdiça e destrói, que esgota e polui, representa uma grande oportunidade de negócio. Através da alteração nos sistemas de produção, como a utilização da abordagem sistêmica, e da implementação de novas tecnologias, empresas estão desenvolvendo maneiras de aumentar o tempo de vida dos recursos naturais em 5, 10, ou até mesmo em 100 vezes. Economizar recursos naturais nessa magnitude representa lucros muito maiores para uma empresa.
    2. Utilizar modelos de produção inspirados na natureza e na biologia
    O capitalismo natural não defende apenas a redução da produção de lixo, mas busca eliminar completamente o conceito de lixo. Em sistemas de produção de ciclo fechado, baseados em modelos presentes na natureza, todas as saídas são retornadas ao ecossistema sem prejudica-lo, tanto em forma de nutriente – como composto, por exemplo – ou são utilizadas como matéria-prima para a fabricação de outro produto.

    3. Incorporar um modelo de negócios baseado no fluxo de serviços
    O modelo de negócios da indústria tradicional se baseia na venda de bens de consumo. Em um novo modelo, o valor é entregue na forma de um fluxo de serviços. Um exemplo disso é fornecer serviços iluminação ao invés de vender lâmpadas. Esse modelo implica em uma nova percepção de valor. Ele representa uma mudança na qual a aquisição de bens deixa de ser uma medida de riqueza. Ao invés disso, o bem-estar do cliente passa a ser importante, e é medido pela satisfação contínua de mudar expectativas em relação à qualidade, utilidade e desempenho do serviço. Hoje em dia, a explosão das empresas baseadas na internet, como os aplicativos de celular, mostra que estamos caminhando nessa direção. Os aplicativos como o AirBnb e o Uber são ótimos exemplos de como a otimização de recursos pode ser um negócio muito lucrativo.
    Fonte: Página do Twitter da Limk
    4. Reinvestir em capital natural
    As empresas devem restaurar, sustentar e expandir os ecossistemas do planeta, de forma que eles possam produzir seus serviços vitais e recursos biológicos de forma ainda mais abundante. Essa necessidade aumenta na medida em que as necessidades humanas aumentam, os custos gerados pela deterioração dos ecossistemas aumentam, e a consciência ambiental dos consumidores aumenta. Felizmente, todas essas pressões criam valor para o negócio.
    Construímos um sistema que nos persuade a gastar o dinheiro que não temos, em coisas que não precisamos, para criar impressões que não duram, em pessoas que não nos importamos.
    Essas soluções fazem parte de uma nova abordagem da economia que precisamos adotar o quanto antes. As ideias são simples e já demonstraram ser muito efetivas em inúmeras empresas. O conceito de capitalismo natural mostra que investir na conservação do meio ambiente e em eficiência, ao contrário do que a maioria das empresas ainda pensa, traz ganhos financeiros ao invés de perdas. Mais do que isso, é uma questão de sobrevivência de qualquer negócio. Precisamos incorporar essas mudanças em prol de um futuro melhor, que seja bem mais palatável do que o presente ameaçador que vivemos hoje.
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    Afinal, O Que é Essa Tal de Sustentabilidade?

    Autossustentável: O que é Sustentabilidade?
    Tradicionalmente, um conceito novo passa por três etapas: primeiro é rechaçada, depois combatida e, por fim, tido como óbvio. E assim passou nas últimas décadas, desde a Conferência de Estocolmo, a palavra sustentabilidade. 

    A complexidade dos novos tempos, marcada pela velocidade dos fatos, transformou em poucos anos os “ecochatos” em gestores ambientais. A mudança é tão significativa que corporações e agentes públicos passaram a buscar o rótulo de sustentável como elemento qualitativo, mesmo que em alguns casos seja apenas “greenwashing”.
    Autossustentável: Ampulheta
    Mais do que conceito, a sustentabilidade é um novo valor capaz de contribuir para a superação da crise civilizatória que passa a sociedade do século XXI. Isso porque seus princípios e valores buscam resignificar a relação do homem com o meio ambiente em que está inserido através do respeito e cuidado. 

    A proteção ambiental, porém, não esgota o sentido do termo. Falar em sustentabilidade envolve também discutir conceitos éticos, políticos, econômicos, sociais, culturais e, até mesmo, estéticos. Ora, a precária situação dos hospitais públicos pelo país é insustentável. Escola sem condições mínimas para a formação de nossas crianças é insustentável. A corrupção da arcaica e viciada estrutura política é insustentável. E por aí vai…


    E retorno a pergunta: afinal, o que essa tal sustentabilidade? A aparente indefinição nos indica que ainda vivemos momento de transição em que cidades e soluções sustentáveis serão obviedades necessárias para dispor sobre a complexidade dos dias atuais.
    “Não há nada tão poderoso como uma ideia cujo tempo chegou”, diria Victor Hugo. E o tempo está chegando ambientalmente mais verde e sustentável…
    Cliqu
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    Pequenos roqueiros viram lendas do rock para estimular a doação de sangue durante o Rock In Rio – #DoeRock


    Inspirados nas grandes lendas do rock, três pequenos pacientes em tratamento estão tendo seus dias como estrelas da música durante o Rock in Rio 2015. Matheus Leonardo, de 5 anos, Eduardo Francisco, de 10, e Raycelli Levate, de 8, descobriram seu lado rock´n´roll montando uma banda para gravar o vídeo da campanha ‘Rock na Veia’. 

    E o mais importante, todos são pacientes de leucemia linfóide aguda, se trataram com a ajuda das doações de sangue do Hemorio e toparam se transformar em roqueiros por um dia a fim de incentivar a doação de sangue.
    O entrosamento entre as crianças garantiu momentos de muita diversão durante os ensaios.
    – Eu gostei porque muita gente que sofre de câncer ou que tem outros problemas de saúde vai ficar melhor graças às doações que vão surgir da campanha, afirma Eduardo, sem quimioterapia há um ano e meio. 
    Para Erika Passos, mãe do menino, a doença não foi motivo para se abater e ele se entregou de corpo e alma à campanha por doação de sangue.
    – Embora tivéssemos plano de saúde, só fechamos o diagnóstico na rede pública e começamos a campanha para que doassem sangue para o Hemorio. Foi um período bem difícil, mas Eduardo adquiriu uma vontade de viver extraordinária! Desde então, tudo que diz respeito ao Fundão e Hemorio ele faz de coração e se divertiu muito, afirma Erika.

    – A importância dessa campanha é a vida de todas as pessoas atendidas e a do meu filho. Ele sobreviveu graças à doação de sangue, porque o tratamento inclui quimioterapias e transfusões. Participar da campanha é uma forma de agradecer aos doadores anônimos, ao Hemorio e ao sistema de saúde que o atendeu, finaliza Erika.
    Olha como ficou bacana o vídeo!!!

    A ação é uma iniciativa do Hemorio com a ONG Conexão do Bem e a produtora Avec Filmes, com o apoio da Heads Propaganda e vários parceiros – com intuito de estimular a doação voluntária de sangue.

    Para doar sangue é preciso ter entre 16 e 69 anos (incompletos), pesar mais de 50 kg, estar bem de saúde e portar um documento de identidade oficial com foto. Jovens entre 16 e 17 anos, podem realizar a doação mediante consentimento formal do responsável legal.
    Para mais informações, o voluntário deve ligar para o Disque Sangue (0800 282 0708), que esclarece dúvidas e informa o endereço dos outros 26 postos de coleta distribuídos no Estado.

    Ahhhhh… e antes de ir embora, dê uma olhadinha no Making of do vídeo, ficou incrível!

    O Sinônimo da Resiliência


    Alguma vez você já viu um carrinheiro na rua e desviou o caminho ou andou mais rápido com medo de ser abordado? Você sabe quem são eles e o bem que eles fazem para sua cidade?

    A reciclagem no Brasil é marcada pela presença de catadores de materiais recicláveis que desempenham um papel fundamental na cadeia produtiva. A inclusão social dos catadores vem sendo bastante discutida e é objeto de diversas medidas na forma de leis e projetos que visam melhorar suas condições trabalho, gerando renda e qualidade de vida.

    O que é ser resiliente? O conceito de resiliência remete a capacidade de um corpo de voltar ao seu estado natural, principalmente após alguma situação crítica ou fora do comum. Pois bem, ainda estou pra conhecer pessoas com tanta capacidade de lidar com diversos problemas e vencer obstáculos quanto os catadores de materiais recicláveis. Existem algumas pesquisas que buscam conhecer o perfil do catador, e quando abordados se gostariam de trabalhar com outras coisas na vida, a grande maioria responde que não, e que está feliz desenvolvendo suas atividades de catador de materiais recicláveis.

    Autossustentável: Resiliência
    Resiliência: Capacidade do ser humano de enfrentar as adversidades da vida, superá-las e inclusive, ser transformado por elas. Fonte: Fundacion CADAH
    O trabalho realizado por estes trabalhadores vai desde catar, separar, transportar, guardar e em alguns casos, beneficiar os resíduos sólidos para reutilização ou inserção na cadeia de reciclagem. Eles são os grandes transformadores do que antes era considerado lixo em mercadoria novamente.

    Historicamente esses trabalhadores atuaram na informalidade, e ainda é muito comum encontrarmos catadores atuando em lixões e aterros controlados sem nenhuma condição de higiene e segurança, totalmente marginalizados e excluídos da sociedade onde vivem. Apesar de ser uma profissão reconhecida pelo Ministério do Trabalho e Emprego, muitos catadores ainda convivem com essa realidade, sendo considerada uma profissão de mais alto índice de insalubridade.

    Fonte: UOL Notícias
    No intuito de fortalecer os catadores, é cada vez mais comum a formalização de organizações de catadores de materiais recicláveis, que buscam unir esforços na venda e triagem do material. Elas foram criadas no intuito de destinar a essas organizações os resíduos sólidos da coleta seletiva dos municípios, que infelizmente ainda é muito incipiente no Brasil. Desta forma, eles atuam basicamente recebendo material doado pelo responsável pela limpeza urbana, por empresas e grandes geradores, e grande parte destina um espaço para os catadores individuais triarem seus materiais e receberem pelo material coletado.

    Segundo dados do Ipea (2010), o percentual de trabalhadores ligadosa cooperativas e associações nesse setor está em torno de apenas 10%. Estima-se que no Brasil existam cerca de 1.175 cooperativas ou associações de catadores, distribuídas em 684 municípios brasileiros e totalizando 30.390 trabalhadores (Ipea, 2011). Essas organizações est
    ão em diferentes níveis de desenvolvimento, e podemos encontrar uma cooperativa extremamente desenvolvida no que se refere à gestão e operação, e outras em estágio muito inicial de formalização e profissionalização.

    As cooperativas e associações de catadores acabam se tornando um gargalo na cadeia de reciclagem, especialmente quando ela é composta na sua maioria por catadores individuais, e se tornam dependentes dos conhecidos “atravessadores”, profissionais que conseguem vender os materiais em maior quantidade e escala diretamente para a indústria de beneficiamento.

    Autossustentável: Cooperativa
    Existe ainda um indicador importantíssimo de gênero e inclusão social que não posso deixar de citar. Dentre as organizações que já visitei, percebo que o universo feminino é predominante, ou seja, as mulheres são maioria dentro das organizações. Elas são responsáveis pelos cargos administrativos e triagem basicamente, sendo que os homens acabam por realizar as atividades que exigem maior esforço físico, como prensagem do material, por exemplo.

    As organizações de catadores de materiais recicláveis ainda tem que lutar contra o preconceito das comunidades do entorno, que não enxergam os benefícios ambientais que esses trabalhadores trazem para a cidade, no que diz respeito à economia dos recursos naturais e dos serviços de utilidade pública, evitando o envio de centenas de toneladas de resíduos aos aterros e lixões.

    Quando digo que esses trabalhadores são resilientes, lembro muito dessas mulheres, que ainda exercem atividades domésticas e outros subempregos. Me refiro também as dezenas de pessoas que já conheci que vivem com menos de um salário por mês, que tem filhos para alimentar (sem contar os outros parentes que vivem juntos) que lidam com resíduos contaminados diariamente, e que ainda assim, são pessoas alegres e sorridentes. E acreditem, elas adoram um abraço! Adoram contar suas próprias histórias e ver como são vencedores na vida.
    Fonte: Valor Ambiental
    Por isso, se no seu bairro ainda não tem coleta seletiva, pergunte a um catador de rua que tipo de material ele coleta, se está vinculado a alguma cooperativa ou associação de catadores e se podem receber seu material reciclável. Ainda que não queira destinar a um carrinheiro, separe seu material adequadamente. É muito provável que outra pessoa entrará em contato com esse resíduo e vai tirar dali o seu sustento diário.
    Clique aqui para ler outros artigos de Aline Lazzarotto

    “Me Perdoe”

    Sustentabilidade é o processo que nos permite permanecer. O ideal sustentável tem uma parcela muito importante direcionada a esfera social. Quando o assunto é a nossa capacidade de permanência, nenhuma urgência deveria ser particular, como foi o caso dessa criança.
    Além da atenção que alguns fatos nos tomam, outras coisas são deixadas para trás diante de notícias tão chocantes envolvendo vidas de seres humanos, “coisas” que costumamos chamar de humanidade e compaixão. Às vezes respeitar o meio ambiente parece ser uma tarefa impossível quando o respeito por nós mesmos parece adormecido, entorpecido, anestesiado. 

    Nossa capacidade de permanência evidencia por meio de alguns fatos a sua necessidade de ser recalibrada ou, muitas vezes, simplesmente aprendida. E quando aprendida, empreendida sem medo. A vida desta criança foi assaltada por um processo político e burocrático, e isso mostra como a Sustentabilidade (esfera social, neste caso) é subjulgada perante outras causas e ideais.
    Do ponto de vista do ser humano, ele próprio é a parte mais importante da natureza, moldando-a a sua necessidade. Aprimorando-a. E interagindo com ela o tempo todo, vinte e quatro horas por dia. A forma que nos relacionamos uns com os outros está intrinsecamente ligada a forma como relacionamo-nos com nós mesmo e com o ambiente a nossa volta.
    Infelizmente, na praia de Bodrum, na Turquia, no dia 02/09/2015 presenciamos mais uma vez a marginalização dos ideias sustentáveis perante a esfera política. Sentimos o mais amargo gosto que a empatia pode nos fornecer. Vimos um pouco mais do show de horrores por trás de uma segregação social gritante.
    Se por um lado o mundo grita tão alto que nos machuca a alma, devemos nos animar e lutar pelo que muitos não tiveram a chance, pelo que realmente valer a pena. Plantar a maior quantidade de virtudes possíveis e exercer o cultivo da sabedoria necessária para convertê-las em ações positivas no ambiente a nossa volta. Uma jornada lenta, difícil e que exige muita paciência e auto-controle. E que muitas vezes, infelizmente, põe a prova nossa capacidade de amor ao próximo.
    Por maior que seja a gravidade do caso do menino na praia de Bodrum, e por maior que seja a atenção que ele requer e merece de nós, não vamos deixar a mídia roubar nossa auto-estima com notícias ruins o tempo todo. É hora de acalmar o jogo e entender o que está acontecendo ao nosso redor. 

    Em relação a isso, gostaria que você me concedesse um pouco mais da sua atenção e a voltasse para o vídeo a seguir onde um ato registrado por meio de um vídeo amador tenta nos mostrar que nem tudo está perdido, que coisas boas também acontecem ao nosso redor, e às vezes mais perto do que esperamos.
    No vídeo, uma senhora indignada com insultos proferidos por outra pessoa contra imigrantes senegaleses no Brasil pede desculpas com as seguintes palavras:

    “Não, o povo brasileiro não é assim. Ela não representa o Brasil, ela não está representando o povo brasileiro. Você perdoe, me perdoe… sair do país de vocês, vir pra cá e passar por este constrangimento. Me perdoe.”

    Clique aqui para ver o vídeo.
    Um belo exemplo da valorização da ramificação social da sustentabilidade, e o melhor, vindo de uma compatriota. Que orgulho!

    Saudações Verdes!
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