Dia Mundial Sem Carro

Nada melhor que estrear uma coluna mobilidade urbana no Dia Mundial Sem Carro. Essa data foi celebrada pela primeira vez, na França, em 1997 e, desde então, vem sendo lembrada em diversos países no mundo, inclusive no Brasil. O intuito desse dia é gerar reflexão sobre utilização exagerada dos carros.
A verdade é que o carro em si não faz mal, mas como a maioria das coisas nesta vida, o seu mau uso, sim. As consequências estão aí todos os dias nas grandes cidades: engarrafamentos e poluição em proporções cada vez maiores. E todos nós somos vítimas, não temos para onde correr. Mas, infelizmente, alguns insistem em viver como se existisse um planeta “backup”. E são para esses que a existência desse dia se faz importante. A situação atual do planeta implora uma revisão de valores e escolhas, hora de sermos menos individualistas. Mas como? E o que o carro tem a ver com isso? 

O carro é um forte símbolo do individualismo que vivemos atualmente. Muitos preferem ficar horas contribuindo e presos em um engarrafamento sozinhos a passar menos tempo em um transporte público ou em uma bicicleta. Claro que a princípio cada um é dono de si e tem direito de escolher pelo carro, mas fomentar reflexões sobre essa escolha é extremamente válido e saudável, principalmente porque as consequências dessa escolha atingem o coletivo.
“Será que não sai mais barato ir de transporte público?”
“Será que não sai mais barato ir de bicicleta?”
“Será que não sai mais rápido ir de transporte público?”
“Será que não sai mais barato ir de bicicleta?”
“Será que dá para ir de bicicleta?”.

As questões expostas acima são algumas que o dia de hoje traz à tona. Muitos, na correria do dia a dia, nunca refletiram sobre todas elas. Apenas usam o carro, porque possuem um. Nunca colocaram na calculadora os custos de tê-lo. Outros até já calcularam, mas preferem arcar e continuar ostentando esse símbolo furado de sucesso, que tanto os comerciais propagam. Outros, ainda, sempre tiveram vontade de ir de bicicleta, mas nunca tiveram coragem. Está aí a importância desse dia: Por que não fazer diferente?

Eu sei: para muitos, a rotina está toda desenhada em cima de um carro; de repente, ir para o trabalho de bicicleta pode ser demais. Mas já pensou na academia, no mercado, no curso, na feira uma vez por semana? Pequenos trajetos semanais podem ser grandes avanços. Desses pequenos trajetos nascem muitos usuários assíduos da bicicleta como transporte. Alguns até viram cicloativistas apaixonados. Conheço alguns.
Que tal aproveitar esse dia para reinventar a rotina e colocar uma bicicleta no meio? Que tal aproveitar esse dia para experimentar o transporte público? Quem sabe, agora, com tantas faixas exclusivas para ônibus e BRT’s não seja mais rápido do que de carro, ou, pelo menos, bem mais em conta…?

Enfim, o dia de hoje é um convite para a reflexão e que dele nasçam muitas ações mais conscientes para o trânsito, para as cidades, para as pessoas e para todo planeta.
Clique aqui para ler mais sobre artigos de Michelle Castilho

Novos Colaboradores: Michelle Castilho


Olá!
Meu nome é Michelle Castilho, sou fotógrafa, jornalista e cicloativista. Fui convidada para escrever sobre mobilidade urbana aqui no Autossustentável, o que me deixou muito feliz, pois será uma nova forma de plantar sementinhas de “bicicleta” por aí.
Possuo um projeto chamado “Ciclovias Invisíveis”, nele juntei as duas paixões que me movem diariamente: fotografia e bicicleta. O projeto foi meu TCC da faculdade de jornalismo há quase 5 anos, porém, mesmo depois de entregue, continuo o alimentando nas redes sociais até hoje. Basicamente registro as pessoas que pedalam fora das ciclovias “oficiais”. Muitas pessoas não sabem, mas pedalar na via, junto com os demais veículos, é um DIREITO, assegurado pelo CTB (Código Brasileiro de Trânsito).

Participo também do coletivo “Engraxadas”, nele eu e mais quatro amigas cicloativistas buscamos discutir a bicicleta como instrumento de autonomia e empoderamento feminino. Com uma dessas amigas, também possuo o projeto “Rio Sobre Duas Rodas”, nele abordamos as dores e as delícias que é ser ciclista no Rio de Janeiro. 

Enfim, espero que curtam meu espaço por aqui. Vou fazer de tudo para ser tão bom quanto é pedalar por aí…

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Michelle Castilho

Educar Para Sustentabilidade Desenvolve Habilidades Socioemocionais

A pesquisa da Fundação Lemann veiculada há algum tempo comprova aquilo que todos nós que trabalhamos diretamente com a educação em seu nível básico já sentíamos e sabíamos: o excesso de disciplinas e informação, mas mais importante, a desconexão entre os conhecimentos não tem preparado nossos jovens para os desafios relacionados à continuação de sua formação e vida profissional. O novo currículo nacional está de olho nisso e certamente trará novas abordagens e alternativas para que o quebra-cabeças do conhecimento seja finalmente montado.
Ponto fundamental da pesquisa da Fundação Lemann diz respeito ao pobre desenvolvimento das habilidades socioemocionais, que são fundamentais para a construção de uma sociedade mais justa e sustentável. Essas habilidades vão além das questões relacionadas à capacidade de adquirir e articular informações, ou seja,
“não há como preparar as crianças e jovens para enfrentar os desafios do século XXI sem investir no desenvolvimento de habilidades para selecionar e processar informações, tomar decisões, trabalhar em equipe, resolver problemas, lidar com as emoções…” (ABED, 2014).
Dentro dessa perspectiva que considera o ser humano de maneira integral, projetos relacionados à temática da Educação Ambiental e Sustentabilidade tem mostrado toda sua competência no que diz respeito à aquisição de diferentes habilidades, incluindo as socioemocionais.

Fonte: Central Sul de Jornais
  
O trabalho com o valor da sustentabilidade na escola de forma continuada, permanente e transversal tem sido capaz de transformar – dentro da minha perspectiva de educador-pesquisador – não somente o espaço, mas o modo como as pessoas passam a se relacionar por meio de uma postura mais pró-ativa e cooperativa, respeitando as características do local e a opinião do outro.
Essas transformações –  e sua manutenção no tempo e no espaço – dependem diretamente de boas estratégias que garantam o desenvolvimento e manutenção de diferentes habilidades socioemocionais relacionadas, por exemplo, ao desejo de participação e seu significado, ao trabalho em equipe na resolução de problemas comuns e à alteridade.
As avaliações de um projeto de Educação e Sustentabilidade, com o qual colaboro desde seu nascimento há 6 anos, demonstram claramente a relação do tema com o desenvolvimento das habilidades socioemocionais. Por meio de entrevistas e depoimentos espontâneos, estudantes e professores identificam em si mesmos, graças à participação no projeto, mudanças significativas relacionadas a seguir:
  1. Ao seu papel na sociedade como um todo como agente de transformação;
  2. À importância da mobilização e da participação democrática na resolução de desafios comuns;
  3. À necessidade de integração dos conhecimentos na busca de uma compreensão mais complexa do mundo e seus processos;
  4. Ao papel da escola como catalisadora da inovação via empreendedorismo;
  5. Ao desenvolvimento de habilidades e valores relacionados a uma escola e sociedade mais sustentáveis, entre outros.

Infelizmente, são pouquíssimas as instituições de ensino públicas ou particulares que tem se dedicado à criação e desenvolvimento de projetos em Educação e Sustentabilidade. De forma geral, a questão socioambiental tem perdido espaço na educação e, junto com ela, todo seu potencial de conjugar conhecimentos e promover mudança.
Os resultados de um bom trabalho em Educação Ambiental e Sustentabilidade são vistos na escola a médio prazo e, na sociedade e no mundo, normalmente, a longo prazo. Sendo assim, é preciso acreditar e ousar no presente para celebrar no presente e no futuro.
A pesquisa da Fundação Lemann só reforça a importância que jê tem sido dada, desde 1997, aos chamados temas transversais como meio ambiente e sustentabilidade. Vale ressaltar, entretanto, que a potência destes temas para o desenvolvimento de habilidades e competências deve ir muito além da adequação dos jovens ao que o mercado de trabalho formal espera. Ela deve garantir, acima de tudo, a autonomia para empreender e seguir seus sonhos e ideais na direção de uma vida repleta de bem-estar e felicidade.

REFERÊNCIAS:
ABED, Anita Lilian Zuppo. O desenvolvimento das habilidades socioemocionais como caminho para a aprendizagem e o sucesso escolar de alunos da educação básica. São Paulo: 2014.

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Edson Grandisoli

A Revolução da Alimentação

Em um mundo fragmentado e dominado pelo medo, algumas iniciativas brotam para disseminar a cultura da boa produção e alimentação. De forma saudável e diversa, no coração das transformações política, social e econômica a Schumacher College nos ensina como a escolha dos alimentos é importante para o futuro do nosso planeta.
  
Apesar das diferenças e diversidades, estamos todos conectados. Conectados através da terra e do alimento, a verdadeira rede da vida. Conectados através da nossa humanidade comum.
O diferencial e revolucionário ato de optar por comunidades de produtores locais menos suscetíveis a processos industriais – diferenciados pela sua autenticidade e qualidade dos seus produtos – busca colocar pequenos produtores como plano central no sistema alimentar. A globalização subestima a economia local, o conhecimento indígena e a diversidade de espécies e culturas.
  
Durante as últimas décadas, a produção, o processo e distribuição de alimentos tem excluído inúmeras mulheres, pequenos produtores, assim como a agricultura familiar, passando a ser monopolizados por grandes corporações globais como Monsanto, Cargill, Phillip Morris e Nestlé. Pequenos produtores ao redor do mundo estão sendo excluídos e destruídos pela injusta competição dos gigantes do agronegócio. O movimento antiglobalização tem focado na injusta competição do mercado global que está levando os pequenos produtores à falência, dívidas e até mesmo suicídio.
No entanto, a despeito dessa guerra injusta, os pequenos produtores e as comunidades locais não só se recusam a desaparecer como estão moldando um futuro além da globalização. A resiliência dos produtores que continuam a salvar e compartilhar suas diversas sementes, vivendo suas diversas culturas e celebrando seus diferentes modos de alimentação mantêm a força e energia necessária para a continuação desta batalha. É preciso manter acesa a chama que promove o pequeno mercado descentralizado e a produção biodiversa.
Este não é o mundo da Organização Mundial do Comércio (World Trade Organization – WTO) onde somente o agronegócio existe, onde agricultura significa basicamente soja, milho, arroz e trigo, onde uma única empresa (Monsanto) controla 94% dos organismos geneticamente modificadas (GMOs – geneticaly modified organism) e onde a maioria da produção não serve de alimento para os seres humanos, mas para bilhões de animais de cativeiro em fazendas industriais. Este é um mundo onde pequenos produtores agrícolas geram mais do que fazendas industriais usando menos recursos.
A biodiversidade protege a saúde da terra e a saúde das pessoas. A qualidade, o gosto e a nutrição deveriam ser os elementos essenciais e requisitos para a produção e para o processo alimentar, sem elementos tóxicos e sem gerar um lucro exorbitante para o agronegócio. A diversidade nos oferece a oportunidade de transformar nosso sistema de alimentação. A diversidade do cultivo, de alimentos e de culturas produz a resistência à monocultura e estimula alternativas criativas. Nossa força vem de nossa variedade e singularidade, uma força que pode ser erradicada somente quando desistimos de nós mesmos.
Campanha “Comida é Patrimônio” do Fórum Brasileiro de Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (FBSSAN)
É importante oferecer oportunidades e canais para articularmos um novo paradigma para alimentação. É importante defender nossos direitos a uma alimentação sadia e estimular o conhecimento e criatividade dos pequenos produtores. Precisamos abandonar a lacuna entre produtor e consumidor. De acordo com o fundador do movimento Slow Food, Carlos Petrini: “precisamos ser coprodutores. Consumir significa destruir. No ato de nos alimentarmos já estamos participando da produção. Ao nos alimentarmos de orgânicos estamos falando “não” aos agrotóxicos e estamos apoiando os produtores de orgânicos. Ao rejeitar sementes geneticamente modificadas estamos votando pelo direito à agricultura familiar, pelos pequenos produtores, e também pelos direitos da população à informação e à saúde. Ao nos alimentarmos da produção advinda das comunidades de produtores locais, estamos enfraquecendo e diminuindo os lucros das empresas do agronegócio e fortalecendo nossa comunidade local de produtores. Os que comem são então os coprodutores, pela sua relação com os pequenos agricultores que criam um caminho possível para a sustentabilidade, justiça e um sistema alimentar saudável. 

Cartaz retirado da revista Nova Escola. (Clique na imagem para ampliar)
Ao fazer escolhas sobre o que comemos, fazemos escolhas sobre quem somos. A industrialização e globalização do nosso sistema de alimentação está nos dividindo: Norte-Sul, produtores e consumidores, ricos e pobres. A parte mais significativa da fonte desta separação é o mito da alimentação “barata, o mito de que sistemas de alimentação industrializados produzem mais alimentos e consequentemente são necessários para acabar com a pobreza. No entanto, pequenos, biodiversos cultivos orgânicos têm maior potência do que a produção de monocultura em larga escala. Os alimentos produzidos de maneira industrial não são baratos. O custo é muito alto para o planeta, para os produtores e para a nossa saúde. O planeta não pode mais carregar as consequências da exploração de < /span>águas subterrâneas, poluição devido aos agrotóxicos, a perda de espécies e a desestabilização do clima. Produtores não podem mais carregar o peso das dívidas inevitáveis causadas em decorrência da valorização excessiva da agricultura industrial. Cento e cinquenta mil produtores cometeram suicídios na Índia como um sintoma da profunda crise devido ao dominante modelo de produção e exploração do agronegócio.

A Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) revelou que o mundo produz alimento para 12 bilhões de pessoas, enquanto existem “apenas” 6.3 bilhões de pessoas vivendo no planeta. Destes, 800 milhões estão com fome e 1.7 bilhão sofrem de obesidade. A batalha que estamos lutando faz parte de uma guerra pela civilização e é contra um sistema que é incapaz de produzir alimento de maneira segura, culturalmente apropriada, saborosa e com qualidade. E é incapaz de produzir alimento suficiente para todos porque atua sem se preocupar com o desperdício de terras, água e energia. A agricultura industrial consome dez vezes mais energia do que produz e dez vezes mais água do que agricultura ecológica. E é, portanto, dez vezes menos eficiente. A eficiência do trabalho é também um mito. Todos os pesquisadores, bioengenheiros, produtores de agrotóxicos, motoristas de caminhões e soldados engajados em guerras pelo óleo fazem parte do processo industrial do sistema do agronegócio. Quando a agricultura se torna uma guerra e armas de destruição em massa são substituídas por agrotóxicos e GMOs, o alimento se torna o não alimento. O mercado baseado em preços irreais e injustos não é mais mercado, se torna exploração. A agricultura industrial é barata não porque é eficiente – seja em termos de recursos ou de eficiência de energia – mas sim porque é apoiada por subsídios e representa todos os custos – as guerras, as doenças, a destruição ambiental, a decadência cultural e a desintegração social.
Fonte: Porto Alegre RESISTE!
A Schumacher College é um espaço no qual é possível celebrar a agricultura honesta e onde os preços não mentem. Não há exploração do planeta nem dos guardiões da terra. Schumacher é uma celebração de uma economia viva na qual coproduzimos com as formigas, lagartas e com os fungos. Estamos todos conectados na teia da vida e é o alimento que gira esta teia.
Estou testemunhando uma nova democracia da agricultura através da liberdade dos produtores e fazendeiros. Fazendas orgânicas, livres de agrotóxicos, toxinas e corporações – sementes geneticamente modificadas e patenteadas – estão criando uma nova democracia para contestar o atual sistema ditatorial da agricultura. E você? Está comendo o que?

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Maria Eduarda Souza

Novos Colaboradores: Maria Eduarda

  
Olá, me chamo Maria Eduarda Souza. Sou pesquisadora, ativista, escritora e artista. Minha missão é aproximar as pessoas do mundo natural e fomentar uma reflexão sobre nossa presença na Terra.
Trabalhei na Amazônia (Mato Grosso) com povos indígenas do Alto Xingu, atuando em defesa dos direitos dos povos indígenas do Brasil e da proteção das florestas. Em 2015 participei do Fórum Permanente para os Povos Indígenas da ONU e do treinamento em Realidade Climática com o Al Gore.
Também trabalhei na área de educação ambiental em Botswana na África e atualmente curso o Mestrado em Ecologia e Espiritualidade na Schumacher College no Reino Unido.
  
Clique aqui para ler mais sobre artigos de Maria Eduarda Souza

17 Passos Para Saldar Nossa Dívida

No início do mês de agosto, exatamente no dia 13, a humanidade começou a utilizar mais recursos naturais do que o planeta consegue repor para o ano de 2015, o infelizmente cada vez mais famoso Dia da Sobrecarga. Significa dizer que entramos no “cheque especial” planetário; e os juros já são muito visíveis. Em janeiro desse ano, o Stockholm Resilience Center atualizou sua contabilização dos Limites do Planeta – nove limites do ecossistema planetário que sinalizam alterações ambientais profundas, afetando radicalmente o bem-estar humano. Segundo os pesquisadores, dos nove limites definidos, quatro já foram transgredidos: a mudança do clima, a perda de biodiversidade, mudanças no uso da terra e os ciclos biológicos do fósforo e nitrogênio. Suas conclusões corroboram com o último relatório do IPCC, em que os cientistas apontam que é inequívoco o aquecimento da atmosfera e dos oceanos, sendo inevitável um aumento global médio de temperatura superior a 2°C ao que se continue na atual trajetória de emissões.
Aquela viagem sem volta para Marte está parecendo mais atraente agora, não?
A despeito desse cenário longe do agradável, vê-se duas movimentações políticas internacionais bastante emblemáticas em prol da superação dos problemas apontados. O primeiro, desde já com maior visibilidade, e que será abordado aqui em maior profundidade posteriormente, é a 21° Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (ou COP 21 – a ONU nunca foi muito boa em nomes fáceis de lembrar), que ocorrerá em Paris, no fim do ano. Mas outro grande avanço que teremos a partir do fim desse mês – e que conta, até o momento, com uma divulgação muito mais tímida do que merecia – é a aprovação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) pela Assembleia-Geral das Nações Unidas.
Os ODS, possivelmente o resultado mais tangível da Rio+20, é a continuação aprimorada dos Objetivos do Milênio (ODM). Os ODM tinham uma agenda claramente estatal de erradicação da pobreza e melhoria significativa em diversos itens sociais que atravancariam o desenvolvimento humano global, em especial em países com menos recursos, tal como educação primária universal, equidade de gênero e redução da mortalidade infantil. Com um foco quase que exclusivamente social, os ODM tiveram grande êxito em muitos países em desenvolvimento, incluindo o próprio Brasil. A redução da pobreza global nos últimos 25 anos é percebida como uma grande vitória do desenvolvimento do mundo pós-Guerra Fria.
Redução da pobreza global quase pela metade nos últimos 25 anos – Hooray!(The Economist, 2013)
Ao que se encerre o mandato dos ODM nesse ano, os ODS entram em jogo trazendo duas grandes diferenças, expansões que endereçam críticas constantemente recebidas pela agenda anterior. A primeira, dos “sujeitos” dessa agenda. Diferentemente do que houve em 2000, os ODS vêm sendo construídos não só pelos países-membro das Nações Unidas, mas também por toda uma gama de representantes da sociedade civil – ONGs, empresas, associações, movimentos sociais etc. Mais do que isso, as próprias metas foram desenhadas para serem cumpridas por esses atores. Significa dizer que a responsabilidade pelo desenvolvimento global não é mais somente monopólio da ação estatal; mas, sim, uma soma de ações individuais, levando a ação coletiva. O pro
gresso das pessoas, para as pessoas. É a descentralização do desenvolvimento.
Isso significa que, além de políticas públicas motivadas e desenhadas para o atingimento dessas metas, teremos um advocacy mais direcionado das ONGs em prol de um mesmo fim; estratégias empresariais que tentem aliar seu lucro ao retorno socioambiental da sociedade; uma mobilização social que faça coro e não seja dissonante com a voz dos demais atores. Ao se acordar universalmente com os mesmos fins, espera-se que os atores possam caminhar na mesma direção, ao mesmo passo– dado que todos compartilhamos o mesmo meio, este planeta.
A outra diferença fundamental é a ampliação do que se entende por desenvolvimento. Agora, não só fatores sociais, mas também ambientais, econômicos, de governança/institucionais e parcerias serão medidos e gerenciados (e, de quebra, levando à baixo o conceito simplista do triple bottomline; ainda que não considere, também, critérios culturais ou outros). Essa ampliação na concepção de desenvolvimento, agregando a ele o “sustentável”, visa justamente a endereçar o muito preocupante cenário apontado no início desse texto. Objetivos específicos para recursos hídricos, biodiversidade, oceanos, cidades e consumo sustentável são formas de identificar os caminhos para, pelo menos, os próximos 15 anos. Alterar de forma decisiva o business as usual, preservando e ampliando, ao mesmo tempo, os ganhos sociais das últimas décadas. Em outras palavras, aquém do “teto” ambiental planetário, mas além da base social global.
Homer Simpson estava certo – mirem a rosquinha!
Mas é claro que o processo e o resultado dos ODS não estão isentos de críticas. Para começar, estamos falando de 17 objetivos, incríveis 169 metas e mais um sem-número de indicadores para essas metas. A gestão, global, nacional, local, empresarial, desses indicadores é, a priori, um grande desafio. Paradoxalmente, há críticas pelo “estreitamento” da visão de desenvolvimento sustentável somente a esses temas, ou na forma como esses temas estão sendo abordados, e não também a outros tantos que poderiam ter maior representatividade. Além disso, volta-se ao velho impasse de diferentes capacidades em que países desenvolvidos e em desenvolvidos teriam para cumprir o que se espera ser uma agenda global de desenvolvimento – ou seja, ao que se coloque uma meta muito ambiciosa, seria, de fato, uma barreira a países mais pobres; ao que se coloque algo mais brando, seria aquém do que o planeta necessita. Ora, a própria quantificação de critérios sociais e ambientais é visto com descrença por parte de grupos que acusam os ODS como uma estratégia de incorporação do discurso ecologista pelo sistema capitalista internacional, “objetificando” nossos corpos e nossa terra.

As novas figurinhas da discórdia para os próximos 15 anos
A ambição de uma agenda global não viria à revelia de outras posições contrárias; seria algo impensável caso todos, de fato, concordassem. Mas retorno ao tamanho de nosso gap, das garrafais letras vermelhas que apontam nosso débito com a Terra, para justificar uma agenda com essa ambição, com esse escopo e com essa velocidade. Na verdade, já estamos atrasados há algumas décadas. E mesmo que pensemos o cenário de maior êxito, de um cumprimento integral de todos os objetivos e metas, ainda haverá trabalho a fazer. O primeiro Dia da Sobrecarga aconteceu ainda em 1970, há 45 anos atrás. Mas ele vem cada vez mais cedo.
Não há conta bancária que aguente.

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Fernando Malta

Novos Colaboradores: Fernando Malta

Olá, pessoas! Meu nome é Fernando Malta e a partir de hoje integro o quadro de articulistas aqui do Autossustentável. Devo dizer que é um grande prazer fazer parte do time, pois alio uma vontade pessoal de multiplicação de ideias e conceitos que precisam ser cada vez mais difundidos na sociedade, com um canal fantástico que, dia após dia, mostra o quão simples é fazer tais mensagens se espalharem.
Trabalho há cerca de 5 anos com sustentabilidade empresarial, conversando, entendendo e auxiliando grandes empresas a internalizarem em sua estratégia de negócios conceitos do desenvolvimento sustentável. Devem imaginar que não é o trabalho mais simples do mundo. Mas digo que é extremamente motivante pois, na concepção desse jovem mancebo que vos escreve, o setor empresarial global é um profundo agente de mudança em potencial – o ponto a se trabalhar é como canalizar esse potencial para toda a mudança necessária em escala e velocidade.
Espero que nessas minhas breves passagens aqui consiga passar visões, conceitos e concepções próprias a esse setor e às grande discussões, nacionais e internacionais, sobre o tema. Se, ao fim de cada texto, eu consiga fazer com que ao menos um de vocês captem a mensagem principal e inspire mais um agente de transformação e ação, darei por cumprida minha tarefa… mas se conseguir passar de apenas um, ainda melhor.
Desde já, um grande abraço a todos!
Clique aqui para ler mais sobre artigos de Fernando Malta

Educação Sustentável

Muito se fala hoje em desenvolvimento sustentável, sendo esse conceito já bastante difundido e distorcido em todos os campos do conhecimento científico. O termo desenvolvimento foi incorporado com o sentido de progresso para justificar um crescimento baseado em um mercado consumidor e em uma lógica econômica, não relacionando isso ao respeito ambiental. Temos que estar cada vez mais envolvidos com o meio ambiente. Envolver, do latim involvere, tem sentido de abranger e também de seduzir, cativar. Hoje é necessário muito mais um envolvimento baseado em uma sedução entre indivíduo e meio ambiente, ao contrário do que é feito no discurso desenvolvimentista, que não deseja cativar pessoas, mas apenas impor suas condições de crescimento pautado no consumismo.
Para um envolvimento sustentável que se realize na prática, devemos saber que existe uma incompatibilidade de princípios entre sustentabilidade e capitalismo.
No discurso desenvolvimentista do capital, tenta-se conciliar dois termos inconciliáveis (desenvolvimento sustentável) dentro do atual contexto da globalização capitalista. O conceito de sustentabilidade é impensável e inaplicável nesse ponto de vista.
Para sua realização, deve possuir uma componente fundamental que é a sustentabilidade educacional, pois para termos a preservação ambiental, dependemos de uma consciência ecológica, e a transformação dessa consciência depende da educação (GUTIÉRREZ, 1999).
Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar a possibilidade para sua construção. O ato de educar se constitui no processo em que um aprende com o outro na convivência, se transformando de forma espontânea, de maneira que seu modo de viver se faz progressivamente mais congruente com o do outro no espaço de convivência (FREIRE, 1987).

Assim, o papel da educação é de suma importância para que a sustentabilidade seja alcançada e problemas ambientais, como a má gestão de resíduos, e escassez de água, dentre outros, possam ser solucionados.
A má gestão de resíduos é apontada pelos ambientalistas como o maior problema ambiental urbano atual, tendo-se tornado objeto de diversas propostas técnicas para seu enfrentamento. No entanto, muitos desses programas são planejados de forma reducionista.
Retirado de Creating windows of opportunity for policy change: incorporating evidence into decentralized planning in Kenya
Em função da reciclagem, incentivam apenas a coleta seletiva de lixo, não permitindo espaço para implementação de políticas pedagógicas ambientais. Com isso a reciclagem do lixo torna-se uma atividade-fim, em vez de considerá-la um tema-gerador para o questionamento das causas e consequências da questão do lixo.
A compreensão da necessidade de gerenciamento integrado dos resíduos sólidos propiciou a formulação da chamada Política dos 3R’s – recebendo essa nomenclatura devido à junção das palavras “Reduzir”, “Reutilizar”, e “Reciclar”. Antes de ser um problema de ordem técnica, a questão do lixo é um problema c
ultural. Desde que a economia afirma que a produção tem como finalidade o consumo, a sociedade moderna estabeleceu como objetivo aumentá-lo, desenvolvê-lo e o consumo passou a ser entendido como qualidade de vida e bem-estar. Hoje ele é responsável por problemas ambientais, não podendo mais ser compreendido unicamente como sinônimo de felicidade (CAPRA, 2003).
Autossustentável: 3 R’s

A reciclagem pode ser o traço de união entre produção e consumo, mas, é também a alienação do consumismo como fator de degradação ambiental e engrenagem dos mecanismos sociais de acumulação de capital. O ato de reciclar, ainda significa muito pouco em relação à melhoria ambiental, mas isso não quer dizer que a ideia da reciclagem deva ser abandonada; ao contrário, essa constatação evidencia o tamanho do desafio que há pela frente (BRÜGGER, 1994)[1].  
E isso tudo quer dizer, meus queridos, que reciclar não é o fator principal para a melhora no impacto que causamos no planeta. Temos que parar de consumir tanto. Não há outra forma a não ser essa. Precisamos reavaliar o que realmente nós precisamos para viver bem e feliz.
Parem para pensar. Reavaliem. Sejam o exemplo.


[1] Tirado do trecho do curso “Pedagogia da Energia” ministrado por Rafael Ninno Muniz em Santa Catarina. Para saber mais acesse Rafael Ninno Muniz

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Malu Paes Leme

Novos Colaboradores: Malu Paes Leme

Olá! Meu nome é Maria Luiza, mas sou mais conhecida como Malu Paes Leme. Sou Chef autodidata e pesquisadora de alimentos naturais e estilo de vida saudável desde os meus 17 anos. Hoje com 26 sou uma recém mãe que continua com a missão de levar consciência onde eu vou através da proposta de um estilo de vida e alimentação inteligentes.
Através do meu site (Alimentação Inteligente) e das minhas redes sociais compartilho dicas, receitas, reflexões, e orientações para fazermos escolhas melhores, mais conscientes e mais saudáveis.
Amo cozinhar, inventar e adaptar receitas. Amo dar aula de culinária. Acredito que seja essencial nos dias de hoje saber preparar sua própria comida.
Amo a possibilidade de ser mais sustentável vivendo neste planeta. Amo tudo relacionado a essa área. Já me formei em Permacultura, fiz curso de construção com Bambu, e hoje no sítio da família do meu marido nós estamos praticando a Agrofloresta para recuperar a terra tão degradada. Estamos plantando nosso alimento!
Espero poder contribuir da melhor forma possível para vocês!
Beijos!
Clique aqui para ler mais sobre artigos de Malu Paes Leme


Conhecendo a PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos

Autossustentável: Política Nacional de Resíduos Sólidos
Fonte: ((o))eco
A ampliação das áreas urbanas e o volume de resíduos gerados de forma expansiva têm contribuído para o crescimento de impactos ambientais. De acordo com André Trigueiro, na última década, a população do Brasil aumentou 9,65%, enquanto que, no mesmo período, o volume de lixo cresceu mais do que o dobro disso, ou seja, 21%.
Conforme informado pelo MMA – Ministério do Meio Ambiente, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305 de 2010), sancionada em agosto e regulamentada em dezembro de 2010, contém ferramentas importantes para a solução de um dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos. A Lei 12.305 visa à redução da geração de resíduos sólidos através de hábitos de consumo mais sustentáveis, ademais, também apresenta em seu cerne um conjunto de instrumentos para propiciar o aumento da reciclagem e da reutilização destes resíduos. Além disso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos coloca o Brasil em igualdade com países desenvolvidos em relação ao marco legal, inovando através da inclusão de catadores de materiais recicláveis e reutilizáveis. 

Os resíduos sólidos são um tema ambiental, não podendo, assim, serem designados a uma única instituição, já que o meio ambiente é direito de todos, e o dever da conservação nasce da responsabilidade compartilhada. Tal responsabilidade advém das indústrias no modo de produção de seus produtos e descartes de sobras finais, no consumo e hábitos mais saudáveis por parte da sociedade, e dos órgãos públicos pelo planejamento e gestão do manejo dos resíduos.
Na PNRS foram criadas metas importantes para eliminação dos lixões e instrumentos para o estabelecimento de planejamento nos níveis nacional, estadual, microrregional, intermunicipal e metropolitano e municipal; além de estabelecer que os particulares elaborem seus Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos[1].
Autossustentável: Lixão Itariri - Bahia
Lixão Itariri / foto Mary Melgaço / Fonte: O Sarrafo
  
A educação ambiental também está incluída na gestão dos resíduos sólidos e o poder público deverá adotar medidas como: apoiar
as pesquisas realizadas por órgãos oficiais, por universidades, por organizações não governamentais e por setores empresariais, bem como a elaboração de estudos, a coleta de dados e de informações sobre o comportamento do consumidor brasileiro; elaborar e implementar planos de produção e consumo sustentável; promover a capacitação dos gestores públicos para que atuem como multiplicadores nos diversos aspectos da gestão integrada dos resíduos sólidos[2].
Quanto aos instrumentos econômicos, para promoção da PNRS, serão fomentados por meio das seguintes medidas: incentivos fiscais, financeiros e creditícios; cessão de terrenos públicos; destinação dos resíduos recicláveis descartados pelos órgãos e entidades da administração pública federal às associações e cooperativas dos catadores de materiais recicláveis; subvenções econômicas. Podendo também as instituições financeiras federais criarem linhas especiais de financiamento para: cooperativas ou outras formas de associação de catadores de materiais reutilizáveis e recicláveis com o objetivo de aquisição de máquinas e equipamentos utilizados na gestão de resíduos sólidos, atividades destinadas à reciclagem e ao reaproveitamento de resíduos sólidos; bem como atividades de inovação e desenvolvimento relativas ao gerenciamento de resíduos sólidos; e atendimento a projetos de investimentos em gerenciamento de resíduos sólidos[3].

Novos Colaboradores: Tatiane Castaño

Olá pessoal!
Sou Tatiane Castaño e estou entrando para o time de colaboradores do Autossustentável.
Eis um pouco sobre mim… Formanda em Ciências Biológicas, estudei também alguns períodos de Comércio Exterior. Com a preocupação do desenvolvimento populacional e urbano em harmonia com o meio ambiente e bem estar da sociedade, sempre estive ligada a projetos de educação ambiental e sócio-ambientais. Atualmente, trabalho com resíduos sólidos e políticas públicas como a Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Novo Código Florestal.
Acredito na participação da sociedade e em gestões que trabalhem com olhares sustentáveis a fim de promover e estabelecer a conservação do meio ambiente e qualidade de vida.

Sonho em contribuir para um mundo melhor, onde as pessoas possam viver em harmonia.

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Tatiane Castaño


Cosméticos podem ser tóxicos e altamente poluentes. Entenda os problemas e saiba o que fazer para evitá-los

Todos os dias, religiosamente, usamos inúmeros produtos de beleza e de higiene pessoal. Pasta de dente, shampoo, condicionador, desodorante, hidratante, creme de barbear, loção pós barba, batom, corretivo, rímel, perfume… A variedade de produtos é enorme. Mas todos esses produtos, até mesmo uma simples pasta de dente, podem conter substâncias químicas que podem fazer mal à saúde. E, por conter inúmeras substâncias químicas e sintéticas, eles também podem ser altamente poluentes.
Por que se preocupar com a composição dos cosméticos que utilizamos?

A nossa relação com os cosméticos é muito íntima. Aplicamos esses produtos diretamente no nosso corpo. As substâncias contidas nesses produtos são absorvidas pela nossa pele, e atingem rapidamente a corrente sanguínea. Se alguma dessas substâncias é nociva, nosso corpo não tem a oportunidade de eliminá-la através da digestão, diferentemente do que ocorre com os alimentos que ingerimos. Por isso, elas podem se acumular no nosso corpo com o tempo, podendo trazer diversas consequências.
Os químicos presentes nos cosméticos podem causar câncer e muitos outros problemas de saúde

Em 2010, Annie Leonard, autora do projeto The Story of Stuff (A História das Coisas), produziu The Story of Cosmetics (A História dos Cosméticos), onde ela aponta diversos problemas relacionados ao uso de substâncias tóxicas na indústria de cosméticos. Um dos fatos apontados em seu filme é a falta de fiscalização: apenas 20% dos químicos presentes em cosméticos foram testados pelo Comitê de Segurança da Indústria (EUA). As empresas alegam que testam muitos de seus ingredientes, porém esses testes geralmente englobam apenas efeitos a curto prazo, como irritação da pele e dos olhos. Os efeitos da exposição a longo prazo não são avaliados.
O problema é que muitos dos produtos que utilizamos contém substâncias ligadas ao câncer e outras ocorrências como autismo, deficiências de aprendizagem, asma e problemas de infertilidade, todos observados apenas a longo prazo. Essas substâncias estão presentes em produtos como shampoos, protetor solar, batom, e até mesmo em shampoos para bebês. Para mais informações sobre a toxicidade dos cosméticos, confira aqui o texto completo do projeto The Story of Cosmetics (em inglês).
Os cosméticos e a poluição

Além de fazerem mal para a saúde, alguns cosméticos são altamente poluentes. Diversas empresas fabricam produtos (como esfoliantes faciais e pastas de dente) que contém minúsculas partículas esféricas de plástico. Quando usamos esses produtos, as microesferas fluem diretamente da pia para os rios e oceanos, pois os sistemas convencionais de tratamento de esgoto não são capazes de reter essas partículas graças ao seu tamanho reduzido. Nos Estados Unidos, diversos estudos já mostraram que as microesferas estão presentes em alta concentração em muitos de seus rios, e que esses plásticos são ingeridos por boa parte dos peixes, já que eles são confundidos como alimentos. Reconhecendo esse problema, alguns estados americanos, como Illinois e Califórnia, já estudam banir a venda de cosméticos que contém microesferas.

Infelizmente, as microesferas não são o único componente presente nos cosméticos que poluem a natureza. Várias outras substâncias também não são completamente removidas durante o tratamento de esgoto, e por isso acabam poluindo nossos rios e oceanos. Uma dessas substâncias é o triclosano, presente em produtos como pastas de dente e desodorantes. Na natureza, essa substância é altamente tóxica à fauna e a flora, além de estar ligado a problemas como câncer e disfunção da tireoide.

Microbead Products
  
Como evitar tudo isso?

Tudo o que consumimos afeta tudo que está a nossa volta. Isso ocorre, pois, o mundo em que vivemos é um sistema complexo onde tudo está interligado. Os cosméticos que usamos fluem pelo ralo, vão para o tratamento de esgoto, e chegam aos rios e oceanos. Eles são ingeridos pelos peixes, e claro, voltam para o nosso corpo quando ingerimos o peixe contaminado. Mas não é só através dos peixes que ingerimos essas substâncias. O esgoto tratado também é utilizado como fertilizante na agricultura. Ou seja, os químicos estão presentes em todo o sistema agrícola. A única maneira de evitar esses problemas é através da informação. Ou seja, precisamos ler os rótulos dos produtos e saber identificar cada substância nociva, e evitá-las máximo. Confira aqui os principais ingredientes a serem evitados e suas consequências para a saúde.

Como alternativa aos cosméticos convencionais das grandes marcas, o mercado de cosméticos orgânicos e naturais, livres de substâncias químicas, cresce cada vez mais. Há cada vez mais opções para o consumidor. O blog Lookaholic tem um guia de compras para maquiagens e shampoos e condicionadores que não fazem mal à saúde. Outra opção saudável e muito acessível é fazer seus próprios cosméticos em casa. Muitas pessoas não sabem, mas nossa cozinha está cheia de ingredientes para cosméticos simples e eficientes. Confira aqui algumas receitas caseiras do blog Laura Vegan. Se muitos dos cosméticos fabricados alegam ter ingredientes naturais em sua fórmula, por que não usar o ingrediente em sua forma mais pura, ao invés de produtos cheios de químicos com uma minúscula porcentagem desses ingredientes? Quanto mais natural, melhor. Essa regra vale não só para cosméticos, mas para tudo o que consumimos.


Clique aqui para ler mais sobre artigos de Daniella Kakazu

Novos Colaboradores: Daniella Kakazu

Olá pessoal!

Meu nome é Daniella Miwa Kakazu. Sou engenheira química formada na UFSCar – Universidade Federal de São Carlos. Me interesso por meio ambiente e sustentabilidade há muitos anos, mas meu interesse aumentou no último ano da faculdade, quando escrevi minha monografia sobre a poluição do ar no estado de São Paulo. Também participei de um trabalho voluntário no Nepal por duas semanas, onde trabalhei em um asilo e ajudei a restaurar as paredes de uma escola. Essas experiências me fizeram querer aprender mais sobre assuntos relacionados ao meio ambiente e à sociedade, o que me levou a fazer uma especialização em sustentabilidade na UCLA Extension, em Los Angeles. Aqui em LA, além do curso, estou trabalhando em uma pesquisa relacionada ao uso de efluentes do café para produção de biogás.
Me interesso por yoga, agricultura e produção de alimentos sustentável, tecnologias de resíduos sólidos e reciclagem, energias renováveis e empreendedorismo social.

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Daniella Kakazu

CICLOVIA, CICLOFAIXA E CICLORROTA

Descubra a diferença dos espaços reservados para o ciclista pedalar pela cidade!!!

A presença de ciclistas no espaço público não é uma questão a se concordar ou não. É um direito garantido pela Constituição e pelo Código Nacional de Trânsito: ciclistas têm os mesmos direitos de veículos, motos, ônibus e caminhões de trafegarem pelas vias de uso comum.
Existem somente duas exceções a isso: vias que possuem um espaço exclusivo para ciclistas e vias onde há placas sinalizando a regulamentação de que esse modal é proibido, normalmente por serem vias expressas com altos limites de velocidade.
Onde não existem estas duas exceções, ou seja, a maior parte do espaço público de todas as cidades do Brasil, a lei é claraquando não houver ciclovia ou ciclofaixa, a via deve ser compartilhada (art. 58 do Código de Trânsito Brasileiro). Ou seja, bicicletas e carros podem e devem ocupar o mesmo espaço viário. Os veículos maiores devem prezar pela segurança dos menores (art. 29 § 2º), respeitando sua presença na via, seu direito de utilizá-la e a distância mínima de 1,5m ao ultrapassar as bicicletas (art. 201), diminuindo a velocidade ao fazer a ultrapassagem (art. 220 item XIII). Em contrapartida como todos os outros meios de transporte, ciclistas devem respeitar as leis de trânsito estabelecidas e regulamentadas.

Vamos à diferenciação de cada uma das modalidades de divisão ou compartilhamento do espaço público por ciclistas:
CICLOVIA
É um espaço reservado exclusivamente para o tráfego de bicicletas, e permite mais segurança ao ciclista. A separação do espaço é feita através do meio fio, grades, muretas, blocos de concreto, dentre outros. É encontrado em avenidas e vias expressas pois protege o ciclista do rápido e intenso trânsito.
CICLOFAIXA
A separação é feita por uma faixa demarcada na via (tendo no máximo “olhos de gato” ou “tartarugas”), indicando onde é mais seguro para o ciclista trafegar pela cidade. Está é indicada para locais onde o trânsito é calmo e é mais barata que a ciclovia, pois usa a própria estrutura da estrada.

As ciclofaixas podem ser válidas todos os dias da semana ou então aos finais de semana – caracterizadas como ciclofaixas de lazer (temporárias e têm sua estrutura removida após seu término).
CICLORROTA
As ciclorrotas são uma opção de informa o melhor trajeto para o ciclista, não sendo necessária uma demarcação especial para isso. Este formato facilita a informação dos melhores locais para pedalar.

Fazer entender que a rua é de todos e que o espaço público deve ser compartilhado é o grande caminho para uma cidade mais sustentável e melhor para se viver.


Venha Fazer Parte da Nossa Equipe!

Visando sempre a melhoria do conteúdo oferecido a você, amigo leitor, o Autossustentável ampliará sua equipe de colaboradores.
Para isto, estamos iniciando um novo processo seletivo para colaboradores voluntários – pessoas que querem, de alguma forma, fazer a diferença!
Se você se identifica com nosso conteúdo, gosta de escrever, tem bom conhecimento da nossa língua e assim como nós é apaixonado pela causa ambiental/social/cultural, venha fazer parte de nossa equipe.
Período de Inscrição:
  • 08/06 a 26/06 (sexta, às 23:59)
Áreas Solicitadas:
  • Biologia
  • Design/Arquitetura
  • Nutrição/Saúde
  • Química
  • Educação/ Social
  • Engenharia/ Mobilidade Urbana

Lembramos que o Autossustentável é uma rede de informações que tem por objetivo compartilhar e multiplicar culturas e práticas socioambientais. Nossa rede foi fundada no ideal colaborativo, por isso, não temos como remunerar financeiramente os nossos colaboradores. Mas, garantimos retorno em forma de experiência, reconhecimento por parte dos nossos leitores e, principalmente, companheirismo e amizade da equipe Autossustentável.
Interessad@? Envie um artigo, de até duas folhas (duas laudas), para o e-mail: contato@autossustentavel.com.

Pequenas atitudes geram grandes mudanças, venha fazer parte dessa corrente!

Saudações Verdes!

Equipe do AUTOSSUSTENTÁVEL



SOMOS TODOS CHICO – Dia Nacional em Defesa do Velho Chico

Vire carranca em defesa do Velho Chico! 


O Dia Nacional em Defesa do Velho Chico é comemorado neste dia 03 de junho para chamar a atenção da sociedade para a necessidade de revitalização do rio São Francisco. Este é o segundo ano consecutivo em que o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF) promove a campanha “Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico”.
O rio São Francisco é um dos mais importantes cursos d’água do Brasil e de toda a América do Sul. Ele corre por 521 municípios em 5 estados (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Sergipe e Alagoas) e está sendo severamente afetado pela crise hídrica brasileira, que atinge fortemente os cerca de 15,5 milhões de moradores da bacia do São Francisco.

As quatro regiões fisiográficas da bacia sofrem com grandes problemas como assoreamento, desmatamento, ausência de um plano de saneamento por parte dos municípios, além da baixa vazão nos reservatórios da calha do rio e uma grande mancha escura que recentemente se proliferou pelo Velho Chico ao longo de 30km de extensão no estado de Alagoas.

“Ainda não estamos preparados para as mudanças climáticas e chegou a hora de agirmos. Recomposição das matas ciliares, conscientização da população, mudança da matriz energética da região do Rio São Francisco são soluções para mitigar essa crise.” – disse Anivaldo de Miranda Pinto, presidente do Comitê.
Saiba mais sobre essa importante causa e vire carranca em defesa do Velho Chico! http://virecarranca.com.br/
____________________________________________________

O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco é um órgão colegiado, integrado pelo poder público, sociedade civil e empresas usuárias de água, que tem por finalidade realizar a gestão descentralizada e participativa dos recursos hídricos da bacia, na perspectiva de proteger os seus mananciais e contribuir para o seu desenvolvimento sustentável.


Descarte Adequado de Lâmpadas em São Paulo

Você sabe onde descartar corretamente lâmpadas em São Paulo? Se a resposta for não, acompanhe os próximos parágrafos. Se a resposta for sim, ótimo! Aproveite e multiplique sua prática e atitude.
Mudei para São Paulo em março deste ano e, na mudança, trouxe duas lâmpadas para encontrar o lugar adequado de descarte. No Rio, onde estava morando, tentei buscar informalmente lugares como lojas de material de construção no trajeto entre casa e trabalho mas não tive sucesso. Então guardei as lâmpadas e me deparei com elas novamente no momento da mudança.  Aliás, mudança é sempre bom para renovarmos as energias, e jogarmos fora aquelas ‘tralhas’ que acumulamos durante os anos, correto? NÃO! Mudanças são boas para doarmos o que não usamos mais, reutilizar e reciclar aqueles móveis e objetos esquecidos, e principalmente, de destinarmos corretamente os resíduos que já não nos servem mais ou perderam sua vida útil.
Em novembro de 2014, foi assinado o acordo setorial de Logística Reversa de lâmpadas fluorescentes de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, previsto na Política Nacional de Resíduos Sólidos de 2010. Este acordo prevê a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, facilitando o reaproveitamento depois de usados (Ministério do Meio Ambiente, 2015). As metas para o recolhimento das lâmpadas são nacionais e progressivas, em um prazo de até cinco anos, e deverão ser restabelecidas após este período. No Estado de São Paulo, a estimativa é de que no primeiro ano sejam instalados 221 pontos de coleta com 486 recipientes para coleta, distribuídos em 10 cidades (FECOMERCIO SP, 2015).
Apesar da obrigatoriedade do poder público em divulgar a medida, e da conformidade legal do comerciante e fabricante, o consumidor acaba assumindo o papel principal no que diz respeito ao correto descarte de lâmpadas no Brasil. Enquanto não descobrirmos como os fabricantes estão se responsabilizando pelas lâmpadas que já não servem mais, bem como entendermos o correto processo da logística reversa, o jeito é encontrarmos lojas que aceitem e as destinem de forma ambientalmente adequada.
Por que descartar corretamente?

As lâmpadas fluorescentes possuem componentes tóxicos que, ao serem descartadas no lixo comum, podem contaminar pessoas, animais, o solo e a água. Dentro delas estão o mercúrio e o chumbo. Estes componentes químicos são muito perigosos à saúde, e o contato excessivo pode provocar náuseas, dor de estômago, entre outros sintomas. Na água, o contato com mercúrio pode contaminá-la, deixando-a imprópria para o uso. Vale destacar que o problema maior não é devido à quebra de uma lâmpada isolada, mas se considerarmos que a maioria das pessoas descarta este tipo de produto no lixo comum, esses materiais passam a oferecer riscos.
Contudo, as lâmpadas também não devem ser separadas junto aos materiais recicláveis para coleta seletiva, já que o processo de reutilização e reciclagem é diferenciado e bastante específico (para maiores informações sobre materiais recicláveis acesse o site da Prefeitura da cidade de São Paulo ou acesse Saiba como Implantar a Coleta Seletiva em Casa). É importante lembrar que os ecopontos da prefeitura de São Paulo não recebem lâmpadas para destinação.
Onde descartar em São Paulo?

O Walmart possui cerca de 250 estações de reciclagem instaladas em suas lojas, que recebem resíduos de vidro, papel, papelão, plástico e metal. A rede de supermercados também recebe lâmpadas de todos os tipos em pequenas quantidades para o correto descarte. Segundo uma atendente da rede, o cliente deve dirigir-se ao balcão de atendimento para informar-se como proceder. As lojas em São Paulo compreendem os supermercados Walmart, Sams Club, Todo Dia, Maxxi, Mercadorama e Big.
A Leroy Merlin é uma rede de varejo que possui postos de coleta seletiva em todas as unidades para recolhimento, descontaminação e reciclagem de lâmpadas fluorescentes. Elas ficam em estações externas às lojas e são armazenadas na horizontal para evitar quebras e consequentes contaminações. O site G1 disponibilizou uma lista das lojas da Leroy Merlin na grande São Paulo que aceitam lâmpadas fluorescentes (clique aqui para conferir a loja mais próxima de você).
O Hipermercado Zaffari em São Paulo, localizado no shopping Bourbon, aceita o descarte de lâmpadas fluorescentes pequenas, segundo uma atendente. Elas são armazenadas próximas aos caixas do supermercado. O endereço é Rua Turiassú, 2.100 – Perdizes, São Paulo/SP. Fone: (11) 3874 5000. De segunda a sábado das 8h às 23h.

Eu já descartei as minhas lâmpadas corretamente, e na casa nova em São Paulo, optei por usar lâmpadas LED, que iluminam mais e consomem menos, além de não possuir mercúrio e não emitir calor nem raios ultravioletas. Pequenas atitudes fazem a diferença. Pratique você também atitudes sustentáveis!

Clique aqui para ler outros artigos de Aline Lazzarotto

A Grande Teia

Abordar o tema “desenvolvimento sustentável” pode se tornar infrutífero se não houver uma visão do todo e da fina harmonia entre os elementos que o constitui. É preciso ter em vista que a interferência em um desses elementos afeta todos os outros, assim como uma enorme teia de aranha.
Sustentabilidade é essa sensível teia compostas pelas esferas sociais, econômicas, ambientais e individuais. A capacidade de se sustentar uma vida, uma relação ou de gerir uma empresa de forma saudável são concebidas de forma bem parecidas.
Essas esferas só estarão em harmonia se houver respeito, intimidade e troca de informações entre os indivíduos que as compõem. Sendo assim, todos nós temos uma responsabilidade a assumir, e somos incapazes de abrir mão dessa responsabilidade enquanto membros dessa grande Teia que chamamos de planeta Terra.

Animação de Steve Cutts que ilustra de maneira crítica a forma como o meio ambiente tem sido transformado pelo ser humano.
A nós, cidadãos comuns, cabe o comprometimento para a construção e administração de um ambiente social que promova o bem estar, a segurança, a justiça e a saúde de cada um de seus semelhantes. Esse objetivo pode ser atingido assumindo várias responsabilidades, no caso voltado à sustentabilidade: desde a separação do lixo até a promoção de ideias e debates a respeito do tema.
Aos empreendedores é preciso, para a manutenção dessa esfera, em primeiro lugar, comunhão e bom senso entre seus indivíduos. Sabendo-se do elevado grau de competitividade existente nesse meio, uma relação intraorganizacional onde os conceitos de desenvolvimento sustentável estejam sempre à mesa é fundamental. E essa será a campanha mais difícil de suas existências, que não tem relação com a maximização de lucros ou minimização de custos. Mas sim, com conciliar suas ações com os princípios sustentáveis, como por exemplo: “satisfazer as necessidades do presente sem comprometer a habilidade de gerações futuras de satisfazerem suas próprias necessidades.”
A esfera ambiental precisa continuar promovendo a vida, e isso nos basta. Mas essa promoção se mostra cada vez mais dependente do sucesso das esferas citadas anteriormente.
E por fim, o indivíduo. Esse parágrafo diz respeito ao íntimo de cada ser e como estes estão comprometidos também consigo mesmos. Desde a maneira de pensar e agir à forma como veem o mundo ao seu redor. Será que para você, hoje, o comprometimento com práticas socioambientais é uma virtude ou ainda é um fardo? O quão lapidado anda seu ponto de vista em relação ao assunto?
Fonte: WWF
Essa enorme teia que nos une é tão sensível que sequer podemos tentar fugir sem provocar mudanças em vários outros pontos. Então, para que fugir, já que é impossível se desgrudar? Trabalhemos para a manutenção desta teia e de suas esferas e então a faremos vibrar de forma que desperte a vontade de todos os outros seres envolvidos na mesma!

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Patrick Rabelo

Design Orientado para Sustentabilidade na Formação Profissional

Autossustentável: Design
A sustentabilidade tem sido cada vez mais discutida tendo em vista a conscientização acerca dos problemas ambientais, decorrentes do sistema de produção e consumo vigentes. Este sistema caracteriza-se por um ritmo de produção acelerado, que utiliza-se de recursos naturais renováveis e não-renováveis.
Cardoso (2008) argumenta que o dilema do designer no contexto atual é conciliar as questões ambientais com o modelo econômico. Não se pretende, e nem é possível, cessar a produção e consumo, mas busca-se mudar o ritmo em que estes se dão que, a longo prazo, é insustentável. Nesse panorama, Vezzoli (2010) argumenta que o design é uma parte do problema, contudo, pode vir a se tornar um agente promotor da sustentabilidade ao buscar novas alternativas de projeto.
Dentre essas alternativas, a abordagem de ecodesign apresenta-se como uma ferramenta valiosa, uma vez que busca minimizar os impactos ambientais ao longo de todo o ciclo de vida do produto, desde sua concepção até seu descarte. O termo, de acordo com Manzini e Vezzoli (2002) caracteriza-se pela composição dos termos ecologia e design, ou seja, um modelo projetual orientado por requisitos ecológicos.
Autossustentável: EcoDesign

Design, em sua acepção mais abrangente, caracteriza-se por ser uma atividade projetual que visa à concepção de artefatos (MANZINI E VEZZOLI, 2002). Nesse processo de concepção, e em seu ciclo de vida, os artefatos geram impactos no meio ambiente e, portanto, é de responsabilidade do designer orientar esse processo por critérios ecológicos. Tendo em vista o papel do designer nessa mudança de cenário, é importante que, desde a sua formação, o profissional seja preparado para lidar com as questões ambientais ao longo do projeto.
Desta forma, propõe-se que, juntamente com as disciplinas de projeto, que os alunos dos cursos de Design tenham contato com a abordagem de ecodesign, para que possam articular a metodologia projetual com os critérios ecológicos, a fim de conceber produtos mais sustentáveis.
A problemática sustentável teve suas primeiras manifestações no âmbito de contrariedade à contaminação do meio ambiente, nos anos 1960 e, a partir dos anos 1990, o debate do tema passou a ser apresentado de forma mais madura e consistente. Nessa época, o design se inseriu no desafio devido ao “seu papel de protagonista dentro da trilogia: ambiente, produção e consumo” (DE MORAES, 2010).

Autossustentável: Impactos Ambientais
A importância de estudar as questões da sustentabilidade, atualmente, se deve ao fato de que é clara a situação de degradação na qual o planeta se encontra. É necessário que as pessoas em processo de formação de conhecimento e opinião compreendam as condições atuais, de impactos. Percebe-se, desta forma, a relação do design com a sustentabilidade, uma vez que o primeiro implica na fabricação de artefatos que, em seu ciclo de vida, geram impactos no meio ambiente.
Manzini e Vezzoli (2002) afirmam que é possível conceber produtos mais sustentáveis, utilizando-se tecnologias limpas, reduzindo-se recursos e energia utilizados na produção, dentre alternativas que caracterizam-se como novo campo de pesquisa do design. Os profissionais da área devem ser preparados para entrar no mercado de trabalho, atuando como agentes promotores da sustentabilidade, aplicando os requisitos ambientais em seus projetos, e considerando, ainda, os fatores econômicos e sociais.
Autossustentável: Green Designer
Dentre as abordagens sustentáveis possíveis, o ecodesign, ou design do ciclo de vida, apresenta-se como uma alternativa em bom nível de consolidação, mas em nível discreto de incorporação na prática profissional, conforme sugere Vezzoli (2010). O ecodesign prevê, sistêmica e antecipadamente, a redução de impactos ambientais durante todas as etapas do ciclo de vida do produto, ou seja, sugere redução do consumo de recursos (materiais e energéticos) desde a concepção até o descarte.
Essa necessidade de novos caminhos no âmbito projetual, aponta a responsabilidade do designer em conceber artefatos utilizando materiais e processos de baixo impacto ambiental; considerando o ciclo de vida inteiro do produto e, atuando de forma orientada para a sustentabilidade ambiental. O ciclo de vida compreende as etapas de pré- produção, produção, distribuição, uso e descarte e, em cada uma delas, os produtos acarretam impactos ambientais negativos (KAZAZIAN, 2005).
A abordagem de ecodesign propõe a minimização destes, através da redução do consumo de recursos, de energia utilizada nos processos, na maior durabilidade dos produtos, entre outros fatores relacionados a cada uma das fases do ciclo de vida. Cardoso (2008) aponta o profissional de design como o agente capaz de projetar com uso mais eficiente dos recursos, maximizando o aproveitamento dos materiais consumidos.
Se os resíduos descartados são uma das ameaças ao meio ambiente, a reciclagem e o reaproveitamento aparecem como alternativas de design sustentável. O designer deve pensar no tempo de vida do objeto, desde sua concepção, reduzindo matéria-prima e energia; até o descarte. Também precisa considerar a durabilidade do produto e sua posterior reutilização e reciclagem.
Autossustentável: Cadeia Produtiva
O design orientado para a sustentabilidade é um novo campo de pesquisa na área, no qual se buscam novas alternativas de produtos e processos, que minimizem os impactos ambientais decorrentes do sistema de produção e consumo vigente. A abordagem de ecodesign é uma estratégia importante, pois considera o ciclo de vida dos produtos, o que compreende uma visão sistêmica e integrada.
Desta forma, o designer deve atuar no desenvolvimento de projetos considerando essa metodologia. Manzini e Vezzoli (2002) argumentam que o desenvolvimento de produtos sustentáveis requer uma nova capacidade de projetar, para que se encontrem soluções promissoras que despertem desejo do consumidor. “O papel do design industrial pode ser sintetizado como a atividade que, ligando o tecnicamente possível com o ecologicamente necessário, faz nascer novas propostas que sejam social e culturalmente aceitáveis” (MANZINI; VEZZOLI, 2002, p. 20).
Autossustentável: Novo Designer
Para tanto, é importante que essa cultura sustentável no desenvolvimento de projetos se dê desde a vida acadêmica, na formação do profissional. É importante que as disciplinas que compõem a proposta pedagógica dos cursos de Design enfatizem a problemática ambiental, bem como orientem para a utilização de diretrizes ecológicas ao longo do processo projetual, ou seja, é necessário que as metodologias de projeto sejam articuladas com os requisitos ambientais em todas as etapas do ciclo de vida.
O ensino de design basicamente mistura teoria e prática desde as primeiras escolas de ensino superior de design na Alemanha que serviram de base e inspiração para as que surgiram no Brasil. Cada instituição possui suas próprias grades curriculares e propostas pedagógicas dentro das normas decretadas pelo Ministério da Educação (MEC) para o funcionamento dos cursos no país. É vigente a necessidade de apresentar a questão da sustentabilidade e desenvolvimento sustentável dentro dos cursos de design, por ser um assunto de extrema importância na atualidade, bem como pela questão emergencial na qual se encontra o planeta.

< div style="text-align: center;">

Ademais, é necessário que os profissionais responsáveis pela colocação de produtos no mercado tenham conhecimento sobre sustentabilidade, considerando, em seus projetos, materiais de menor impacto ambiental, utilização de processos industriais menos agressivos e desenvolvimento de produtos ecologicamente aceitáveis. Para que os projetos de design tenham as questões ambientais aplicadas, e de forma efetiva, é preciso que o aluno de graduação em design tenha a possibilidade de colocar isso em prática ainda dentro da instituição de ensino superior, a fim de verificar as implicações e modificações que decorrem desta implementação.
No entanto, somando-se à necessidade do ensino da sustentabilidade no âmbito acadêmico, visando projetos sustentáveis, existe a necessidade de educar desde cedo os jovens sobre a importância da mudança de hábitos, de forma que isso comece a fazer parte de seu comportamento ao longo da vida.
Nota:Esse material faz parte do artigo publicado por Luciana Della Mea e Luiza Grazziotin Selau na VIII SEPEsq – Semana de Pesquisa, Pós-graduação e Extensão do Centro Universitário Ritter dos Reis
Referências:
CARDOSO, Rafael. Uma introdução à história do design. 3. ed. São Paulo: E. Blucher, 2008. 273 p.
DE MORAES, Dijon. Metaprojeto: o design do design. São Paulo: Blucher, 2010.       
KAZAZIAN, Thierry. Haverá a idade das coisas leves: design e desenvolvimento sustentável. São Paulo: SENAC São Paulo, 2005. 194 p
MANZINI, Ezio. Design para a inovação social e sustentabilidade: comunidades criativas, organizações colaborativas e novas redes projetuais. Rio de Janeiro: E-papers, 2008. 103 p
MANZINI, Ezio; VEZZOLI, Carlo. O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais.São Paulo: EDUSP, 2002. 366 p.
PAPANEK, Victor. Design for the Real World: Human Ecology and Social Change. United Kingdom: Thames& Hudson, 2006. 394 p.

VEZZOLI, Carlo. Design de sistemas para a sustentabilidade: teoria, métodos e ferramentas para o design sustentável de “sistemas de satisfação”. Salvador: EDUFBA, 2010. 343 p


Clique aqui para ler outros artigos de Luciana Della Mea

Audiência Pública, Meio Ambiente e Democracia Direta

Autossustentável: Democracia e Meio Ambiente
Atualmente, a representatividade política se torna cada vez mais questionada pela sociedade civil no Brasil e no mundo, tendo como perspectiva o distanciamento de representantes e representados.
Passo seguinte, questiona-se a possibilidade de ampliações de instrumentos de democracia direta como plebiscitos, referendos, iniciativa legislativa popular e audiências públicas para maior participação de todos nas principais tomadas de decisão do Poder Público. Tais institutos, aliás, foram pensados pelos próprios constituintes originários, ou seja, no processo de formulação e promulgação do texto constitucional[1].
CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) e FAET (Federação da Agricultura e Pecuária do Tocantins) participam de audiência pública sobre Licenciamento Ambiental. Fonte: Folha do Bico

Na área ambiental, a prática deve ser ainda mais estimulada. Ora, tratar sobre um direito de todos, incluindo gerações presentes e futuras, requer o cuidado devido. Dessa forma, a legislação corrente tratou do assunto em diversos pontos ao obrigar, por exemplo, a realização de audiências públicas para casos de impactos ambientais mais significativos.

É preciso, porém, cautela sobre as atuais formulações de audiências públicas para tratar de questões relacionadas ao meio ambiente. Certamente, a participação da sociedade e mais especificamente dos atores influenciados de forma direta é um mecanismo a ser celebrado. Contudo, torna-se imprescindível que a participação seja efetiva, sendo esvaziada quando tornada mero cumprimento de formalidade, conforme se pode verificar em muitos casos nos dias de hoje.
Autossustentável: Democracia
A defesa do meio ambiente é dever de todos, o que remete a necessidade de preservação de um dos institutos mais importantes para atuação direta do cidadão. “Soldados, em nome da democracia, unamo-nos”, diria Chaplin.
[1] Art. 14 – CF/88 A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante: I – plebiscito; II – referendo; III – iniciativa popular e Art. 58 – § 2º – CF/88 – às comissões, em razão da matéria de sua competência, cabe: II – realizar audiências públicas com entidades da sociedade civil.


Clique aqui para ler mais artigos de Felipe Pires