Tempo, Vou te Fazer um Pedido

Há alguns (bons) anos, conversando com um querido professor de Física em uma das escolas onde já trabalhei, falávamos sobre alguns dos desafios socioambientais ditos “urgentes” e as dificuldades em solucioná-los.
Autossustentável: Foto de um lixão em Phnom Penh, Camboja
Foto de um lixão em Phnom Penh, Camboja. Fonte: flicker

Ele, professor muito mais experiente, me indicou a leitura do livro “Tempos históricos, tempos biológicos. A Terra ou a morte: os problemas da nova ecologia”*, de Enzo Tiezzi (1938-2010). Tiezzi foi um físico-químico que transitava por diferentes campos do conhecimento, incluindo o da sustentabilidade socioambiental associada ao funcionamento dos sistemas complexos e à entropia.


Tiezzi afirma que os desafios da sustentabilidade estão intimamente relacionados à diferença de passo entre os processos que ocorrem dentro do “tempo histórico” e os que ocorrem dentro do “tempo biológico/natural”.

O rápido consumo de recursos e energia, por exemplo, tem seguido a norma social e economicamente estabelecida dentro do “tempo histórico”, o que tem impedido que os processos naturais de resiliência – muito mais lentos – ocorram de forma efetiva dentro do “tempo biológico/natural”. Dessa forma, quanto mais rapidamente consumimos nossos recursos naturais e energia, mais rapidamente nos dirigimos ao caos e à desordem (entropia).
Autossustentável: Extrativismo Mineral
Extrativismo Mineral – Fonte: Cultura Mix
Em resumo, a sociedade vive em um tempo diferente do da natureza. Hoje, essa constatação já não é novidade e, mesmo assim, ainda insistimos no velho modelo de crescimento por meio da exploração descontrolada de recursos e estímulo ao consumo.

As palavras de Tiezzi sobre os “tempos” casam perfeitamente com minhas experiências no campo da Educação para a Sustentabilidade na escola. Atualmente, e graças ao apoio incansável de alguns alunos, professores engajados e direção, coopero com o desafio de desenvolver e instalar um novo e eficiente programa de gestão de resíduos dentro do espaço escolar.
Apesar das vitórias, todos nós temos sentido a incompatibilidade entre dois tipos de “tempos”, que tratarei aqui como “tempo institucional” e “tempo comportamental”.
Instituições, de forma geral, investem e desejam resultados positivos preferencialmente a curto prazo. Por outro lado, uma vez que o sucesso dessas ações depende de mudanças culturais e de comportamento, os resultados normalmente ocorrem a médio ou longo prazo (quando ocorrem).
A gestão adequada dos resíduos está vinculada intimamente ao “tempo comportamental”, ou seja, os investimentos só mostrarão resultados efetivos se as pessoas agirem de forma condizente e descartarem seus resíduos de forma correta. Notadamente, o tempo para que isso aconteça é normalmente superior ao desejado pelo “tempo institucional”.
Infelizmente, o descompasso entre investimento, expectativa e resultado acaba muitas vezes frustrando os envolvidos, levando ao abandono da iniciativa. Tudo graças ao conflito entre “tempos”.
Autossustentável: Frase José Saramago
Fonte: demimatravesdemim
Esse fato é extremamente comum e um exemplo que sempre me vem à mente aconteceu quando se tornou obrigatório o uso do cinto de segurança. Certamente demoramos alguns anos – e algumas multas- para entender que seu uso é obrigatório e importante. Atualmente, e 17 anos após a criação da Lei, duvido que muitas pessoas relutem em colocar o cinto antes de dirigir.
Como estariam os índices de mortes e ferimentos graves no trânsito se tivéssemos desistido do cinto?

Enfim, é preciso entender que o tempo das pessoas é muito mais lento que o tempo institucional, e que o primeiro não segue, via de regra, a ideia artificial de ano fiscal ou ano letivo. É preciso dar tempo (biológico/natural) ao tempo (histórico) e insistir em ações que visam o bem da coletividade e do planeta, independente do tempo que isso levará.

Autossustentável: Liberdade ao Tempo
          

Isso dito, deixo as últimas considerações na poesia de Caetano Veloso em sua “Oração ao Tempo”…
Compositor de destinos
Tambor de todos os ritmos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Entro num acordo contigo
Tempo, tempo, tempo, tempo
[…]
Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo, tempo, tempo, tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo, tempo, tempo, tempo
[…]
*O livro de Tiezzi pode ainda ser encontrado nos sebos virtuais espalhados pela internet.


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Desafios e Oportunidades da Política Nacional de Resíduos Sólidos

Após vinte anos de discussões o Brasil aprovou a criação da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, um dos mais importantes passos na busca pela sustentabilidade nas grandes cidades e centros urbanos. Os desafios são enormes, e propõe um processo participativo entre municípios, iniciativa privada e sociedade, e ganhos imensuráveis ao meio ambiente e às futuras gerações.
Autossustentável: Coleta Seletiva
Esse tempo nos permitiu um amadurecimento e entendimento do que antes era chamado de lixo, e da sua complexidade. Paradoxalmente, o maior desafio e também o maior benefício desta política, é o incentivo a repensarmos a maneira como produzimos e lidamos com os bens e serviços, desde sua concepção até seu descarte. Apesar da extensão e riqueza de detalhes, tentarei apresentar brevemente os principais pontos da PNRS, o estágio atual, e alternativas para sua realização.

O principal objetivo da política é a não geração de resíduos, através da redução e reutilização de tudo aquilo que tem valor econômico e que pode ser reciclado ou reaproveitado. É importante ressaltar que quando esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação, a política determina que todo rejeito deve ter uma disposição final ambientalmente adequada.
Autossustentável: 4R's
Click para conhecer os 4R’s 
Podemos dizer que o cerne da PNRS está no compartilhamento da responsabilidade no ciclo de vida dos produtos, e considera que todos são responsáveis pelos resíduos que geram, desde fabricantes, distribuidores e consumidores, e pelo seu papel no que diz respeito aos serviços públicos de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos.

Um ponto extremamente positivo é a determinação do fechamento dos lixões até o final de 2014, o que implica na remediação de antigos lixões e substituição por aterros controlados, bem como na criação de novos aterros sanitários. Estes locais são preparados para receber e transformar o rejeito orgânico em adubo, com captação e queima de gás metano e tratamento de chorume, sem que haja contaminação do lençol freático. (Click para conhecer mais sobre esses locais de destinação do lixo)
Autossustentável: Aterro Controlado
Autossustentável: Aterro Sanitário
Fonte: Pólita Golçalves, 2014. Autora de “A Reciclagem Integradora dos Aspectos Ambientais, Sociais e Econômicos”.

  

A necessidade de investimentos nesta iniciativa pode ser um grande desafio para os municípios, bem como a correta separação dos materiais encaminhados aos aterros sanitários. Atualmente, apenas 30% das cidades brasileiras estabeleceram metas para a redução de resíduos sólidos (Ambiente Brasil, 2014), o que reflete a necessidade de planejamento e mudança de rotina para encaminhar todo o lixo de forma correta.

A obrigatoriedade dos grandes geradores de lixo a estabelecer metas para a diminuição dos resíduos surtiu resultados positivos nos municípios que já implantaram seus planos de resíduos sólidos. Segundo fontes da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA) do Rio de Janeiro, por exemplo, das 92 cidades fluminenses, 67 já fecharam seus lixões passando a descartar seus resíduos sólidos em lugares adequados.

Talvez o maior avanço na política seja o conceito de logística reversa, definido pela Responsabilidade Compartilhada. Ela consiste em um conjunto de ações destinadas a facilitar o retorno dos resíduos sólidos aos seus geradores, para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada. Segundo a lei, as cadeias de produtos são obrigadas a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos. Essas cadeias são compostas pelos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de pilhas e baterias, pneus, óleos lubrificantes, agrotóxicos, e lâmpadas.
Autossustentável: Logística Reversa
Fonte: Zero Resíduos
Diver
sos pontos positivos podem ser citados como benefícios desta mudança, como a inclusão social através do fortalecimento das cooperativas de catadores, incentivo à indústria da reciclagem através do estabelecimento de diretrizes para coleta seletiva e educação ambiental, incentivos financeiros e fiscais aos que
contribuem para a Logística Reversa.

A PNRS estimula um modelo de produção e consumo diferente do atual, no qual os produtos são criados para uso e descarte. De acordo com Michael Braungart e William Mcdonough (2002), os atuais conceitos de sustentabilidade permitem que os recursos sejam utilizados com máxima eficiência, apenas desacelerando o processo de escassez e esgotamento. Este modelo chamado pelos autores de “Berço ao Túmulo”, é a maneira de fazermos a mesma coisa de uma forma ‘menos ruim’.

Neste sentido, eles criaram um conceito que propõem um modelo cíclico e sustentável como o da natureza, chamado de “Berço ao Berço”. O principal objetivo do Cradle to Cradle, termo utilizado em inglês, é estimular um novo método de produção inteligente onde nada é descartado, priorizando o uso de materiais seguros e energia renovável em todo o processo. Ou seja, o fim da vida de um produto é o início para criação de um novo, tornando o resíduo em matéria-prima, e um produto tão bom ou melhor que o antigo.
Autossustentável: Cradle to Cradle
Algumas empresas já desenvolvem produtos utilizando os conceitos do Cradle to Cradle como as cadeiras 100% recicláveis da Giroflex, e a coleção de tênis Puma Incycle. Outros exemplos podem ser visualizados no site do EPEA Brasil, parceiro oficial da rede científica alemã (Environmental Protection Encouragement Agency) e pioneiro em trazer o conceito Cradle to Cradle ao país.

Esta metodologia relaciona-se com o conceito de logística reversa, e demonstra que apesar dos desafios propostos, a Política Nacional de Resíduos Sólidos apresenta subsídios para seu desenvolvimento. Além disso, a PNRS é o principal instrumento para colocarmos os municípios em outro patamar na gestão de cidades sustentáveis, na proteção da saúde pública e qualidade do meio ambiente. E, principalmente, no estímulo a adoção de padrões sustentáveis de produção e de consumo de bens e serviços.

 

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Boliviana constrói casas de garrafas PET para famílias carentes em 20 dias

A cada dia descobrimos uma nova utilidade para os resíduos que produzimos. Prova disso é o reuso das garrafas. São inúmeras coisas que podemos fazer através da reciclagem deste produto. A artesã boliviana Ingrid Vaca Diez desenvolveu uma técnica para construir casas com as garrafas. Algo improvável, que pode ser a solução para a moradia de famílias de baixa renda.

Casas de Botellas é o nome da iniciativa criada pela boliviana Ingrid Vaca Diez. Envolvida com trabalho voluntário desde pequena e apaixonada por artesanato, a advogada de Santa Cruz de La Sierra teve a ideia de construir casas de garrafas PET para famílias em situação de extrema pobreza após uma briga com o marido, que não aguentava mais a quantidade de ‘entulho’ que Ingrid guardava em casa para trabalhos manuais. “Dá para construir uma casa com esse monte de PET”, reclamou o parceiro em tom de ironia – o que bastou para acender uma luz na cabeça da boliviana.

Autossustentável: Casa de Botellas - Ingrid Vaca- Diez - garrafas PET

Para construir uma “Casas de Botellas” (casas de garrafas) é necessário, garrafas PET, garrafas de vidro, cimento, cal, areia, cola, sedimentos, resíduos orgânicos, aros e glicose. A primeira casa edificada por Ingrid teve 170m² e nela foram utilizadas 36 mil garrafas plásticas de dois litros.

As garrafas, recheadas de resíduos e sedimentos diversos formam as paredes, que após amarradas, são fixadas com cal e cimento. Como a casa criada por Ingrid se tornou um projeto social, os outros materiais necessários para o acabamento, inclusive os móveis, são doados por empresas ou instituições regionais.

Autossustentável: Casa de Botellas - Ingrid Vaca- Diez - garrafas PET

Autossustentável: Casa de Botellas - Ingrid Vaca- Diez - garrafas PET

Autossustentável: Casa de Botellas - Ingrid Vaca- Diez - garrafas PET

14 anos depois de começar o projeto, a boliviana já tem no currículo mais de 300 moradias construídas para famílias em situação de extrema pobreza – não só na Bolívia, mas em outros países da América Latina, como Argentina, México, Panamá e Uruguai.

Autossustentável: Casa de Botellas - Ingrid Vaca- Diez - garrafas PET

Autossustentável: Casa de Botellas - Ingrid Vaca- Diez - garrafas PET

Ingrid garante que é possível construir uma casa em 20 dias, com a ajuda de cerca de 10 voluntários – contando os futuros moradores, que ela faz questão de que participem do processo para dar mais valor à moradia. O problema é que falta matéria-prima e mão de obra disposta a trabalhar “apenas” para ajudar o próximo.

Autossustentável: Casa de Botellas - Ingrid Vaca- Diez - garrafas PET

Construir no Brasil está nos planos da boliviana, que está bem animada. Para ela, o povo brasileiro é mais receptivo ao trabalho voluntário e também tem a cultura da reciclagem mais sedimentada, em relação aos outros países da América Latina, o que facilita a coleta das garrafas PET. Com tanto entusiasmo, certamente a advogada vai conquistar o coração de muita gente boa por aqui. Vem logo, Ingrid!

Com informações: Planeta Sustentável e Época Negócios

 
 

A Moda em [Re]Evolução: Slow Fashion

Autossustentável: Slow Fashion
Os desafios dos designers de moda são gradativamente maiores, pois além de criarem roupas com inúmeras qualidades (design, conforto, durabilidade, entre outras), a busca para alcançar novos patamares em um mercado bastante competitivo está em cada vez mais complicada devido ao número excessivo de marcas. Além destes desafios, os designers também precisam, por um lado, satisfazer as necessidades da sua marca em questão, através de um número satisfatório de vendas dos produtos criados; e por outro, pensar em desenvolver produtos que agridam o mínimo possível o meio ambiente. Para tal, eles devem conhecer as etapas do ciclo de vida do produto e o que abrange o design de sistemas para a sustentabilidade, a fim de criar produtos mais “amigos do meio ambiente”. Caso a empresa/marca não tenha uma filosofia de trabalho mais sustentável, é de responsabilidade do designer, aos poucos, ir inserindo e alertando a empresa para a sua responsabilidade, tanto em termos de sustentabilidade ambiental, quanto de responsabilidade socioeconômica e ética, com vistas a preservar o planeta para as gerações futuras.

A palavra moda, para muitos, remete a algo efêmero, passageiro e ligado às tendências. Segundo Black (2008), a moda é repleta de contradições, pois é efêmera e cíclica; refere-se ao passado, mas está sempre à procura do novo; e reflete a expressão de uma identidade pessoal, ao mesmo tempo em que busca pertencer a um grupo.

Aos poucos, o campo do design de moda vem mudando o seu foco do sistema fast fashion para o slow fashion. Até pouco tempo, só se falava de fast fashioncomo um diferencial competitivo no mercado, onde quem produzia mais rápido e com preço melhor alcançava o seu objetivo. O sistema fast fashion vem de um modelo de grandes lojas, como a Zara e a H&M, que aquecem o mercado consumidor com um sistema de produção muito rápido e ininterrupto, onde sempre há novidades que instigam nas pessoas o sentimento de adquiri-los, fazendo deste modelo de negócio algo extremamente rentável. Um dos maiores atrativos dessa estratégia de mercado é, também, a parceria das grandes magazines com estilistas de renome. Como o público alvo dessas marcas é basicamente a classe média (que no Brasil está em constante crescimento), essas coleções têm um apelo estrondoso, já que ter uma peça de grife é inviável para a grande parte da população, e nesses parâmetros a peça com a assinatura de grandes designers é adquirida a preços acessíveis. No Brasil, grandes redes adotaram esse mesmo sistema de atuação, popularizando o consumo de forma impulsiva e frequente, sem nenhum tipo de preocupação além do desejo de possuir sempre a última novidade da estação.
 “Fast fashion significa estar sempre com as prateleiras abastecidas de novidades para os consumidores, requerendo coleções compactas e modelos novos o tempo todo, onde o planejamento de produto não é para meses, mas para semanas ou dias.” (RIBEIRO, 2007).
Na contramão da nova tendência do fast fashion, o slow fashion surge para dar maior consciência ecológica para seu consumidor. Tem origem no slow design,movimento criado por Fuad-Luke (2010), que está democratizando os processos para criar peças de uma forma mais lenta, com preocupação no desenvolvimento dos processos. Sua área de atuação é voltada para o bem de pessoas e do ambiente, pensando primeiramente em benefícios locais, ampliando a ação para o âmbito global, fazendo com que a parte rentável fique em segundo plano. Com essas ações, os profissionais que trabalham com os princípios do movimento slow querem propor uma mudança no comportamento de consumidores e modelos econômicos.
“A transição para a sustentabilidade necessita de mudanças radicais na maneira como produzimos, consumimos e, de uma forma geral, no modo como vivemos.” (VEZZOLI, 2010)
O uso de materiais sustentáveis sem descarte de resíduos tóxicos no ambiente, e com uma preocupação com o lado social da produção, atrai o público com consciência ecológica, assim como peças atemporais e exclusivas que possuem vida útil prolongada. O sistema slow fashionatrai um público novo no mercado, uma gama de clientes exigentes tanto em relação ao design da peça, quanto à sua forma de produção. Um exemplo de profissional que está trabalhando nesse nicho é a designer Ana Livini (2012), uma das pioneiras do conceito slow fashion que, através do Manifesto Moda Lenta Slow Fashion, busca disseminar a cultura de um ritmo mais lento no mercado da moda. Sua coleção de inverno 2012, intitulada Territórios, tem peças produzidas com lã merino e tingidas de forma artesanal, constituindo um processo sustentáv
el.

Autossustentável: Coleção inverno 2012 Ana LivniAutossustentável: Coleção inverno 2012 Ana Livni
Coleção inverno 2012 Ana Livni – peças produzidas com lã merino, tingidas artesanalmente.

A expressão “moda lenta” não deve ser vista como uma forma ineficaz de negócio, mas sim como uma maneira de melhorar a produtividade, que deve ser medida não somente pelas tabelas de lucros, como também pelos ganhos sociais e ecológicos que geram esses novos conceitos de produção de moda. A busca por produtos com maior durabilidade transpassa tanto termos estéticos, quanto de qualidade de produção. Outro aspecto importante a ser ressaltado é o aspecto emocional, pois, uma vez que o consumidor gosta da roupa, seja pelo conforto, modelagem, ou outra característica; cria-se uma relação de maior cuidado com a peça, o que retarda o fim do seu ciclo de vida.
Além das preocupações no desenvolvimento de um determinado produto, deve-se pensar como este poderá ser usado pelo consumidor e de que forma será descartado. Um exemplo de marca que se preocupa com a economia de energia ao longo do uso das suas roupas é a TriStar Jeans, que desenvolve peças de jeans que não necessitam de lavagem. De acordo com a empresária Jandira Barone, em entrevista para o site Gbl Jeans, após o uso, a peça deve ser acondicionada no freezer, dentro de uma sacola vedada, em um período de vinte e quatro horas. A higienização se dá por causa de enzimas presentes na peça, que agem através de baixas temperaturas. Desta forma, se reduz a quantidade de água utilizada nas lavagens, que ainda são necessárias em caso de manchas (estas não saem no processo de refrigeração). No entanto, a marca sugere a customização dos jeans, em caso de manchas, dando à roupa caráter de produto exclusivo. As peças ainda são versáteis, uma vez que é possível usá-las do lado direito e avesso.
Autossustentável: Peça versátil da Gbl Jeans
Peça versátil que não necessita de lavagem

Assim como a TriStar, existem outras marcas engajadas na produção sustentável, pensando em todas as etapas do ciclo de vida do produto. Desta forma, percebe-se que a indústria da moda tem aumentado sua atuação direcionada ao desenvolvimento de produtos sustentáveis. É importante discutir esse novo panorama, a fim de entender como a moda pode se alinhar às novas exigências relacionadas ao design sustentável. Ainda que seja recente a participação desta indústria no cenário sustentável, nota-se uma evolução na oferta de alternativas ecológicas, das mais variadas, o que pode ser justificado pela necessidade das empresas de corresponderem às necessidades do mercado. A sustentabilidade está em destaque, e o consumidor está se tornando mais consciente, fazendo com que as empresas busquem investir em novas tecnologias sustentáveis, a fim de se tornarem competitivas.
*O artigo, na íntegra, foi publicado conjuntamente por Luciana Della Mea, Anne Anicet e Mariana Campos no CIMODE – Congresso Internacional de Moda e Design, na Universidade do Minho, Portugal.

Referências:
BLACK, S. Eco-Chic: The Fashion Paradox. London: Black Dog Publishing, 2008.
VEZZOLI, Carlo. Design de sistemas para a sustentabilidade: teoria, métodos e ferramentas para o design sustentável de “sistemas de satisfação”. Salvador: EDUFBA, 2010.
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Desconectar para Conectar

Não é segredo que o avanço tecnológico, a acessibilidade cada vez mais facilitada e a ampla divulgação de informação e materiais que temos contato diariamente trouxeram inúmeros benefícios para o desenvolvimento da sociedade. Porém, como Nicholas Carr defende em seu livro, “The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains”, a velocidade e bombardeamento de informação constante estão nos fazendo perder a capacidade de concentração e nos tornando menos reflexivos.

O que, em outras palavras, significa dizer que estamos nos tornando verdadeiras “esponjas” que absorvem informações de todos, numa velocidade tão alta, que estamos perdendo nossa capacidade crítica e analítica. Nossas mentes se habituaram a catalogar, arquivar e pesquisar informações, como verdadeiros computadores, e isso tem nos tornado cada vez mais desfocados, distraídos e superficiais em nossas relações, inclusive, e principalmente, conosco. Vivemos em um ritmo tão acelerado, sendo demandados em tantas funções e sob diversos tipos e níveis de pressões, que muitas vezes não temos condições de pensar e avaliar sobre cada ato que estamos realizando. Estamos entramos em modo automático, de raciocínio lógico e prático, para conseguir cumprir com nossas obrigações.

Provavelmente, você já deve ter ouvido de alguém ou lido algo como “A tecnologia aproxima quem está longe e afasta quem está perto”, mas e quando essa tecnologia acaba contribuindo para descuidarmos de nossa saúde mental e nossa conexão mais profunda com o nosso interior? Quando foi a última vez em que você parou para se cuidar ou prestar atenção em você mesmo? Em que você parou para ouvir seus pensamentos, avaliar sua satisfação em relação a seus atos e suas atividades, colocar em prática suas vontades e aspirações mais profundas (e por que não, malucas)? Quando foi a última vez em que você ficou em silêncio, sozinho e relaxou? Sem pensar no que tem que fazer logo após ou no dia seguinte, sem se preocupar com o próximo horário a cumprir, nas contas mensais ou o prazo do próximo relatório do trabalho? Quando foi a última vez em que você limpou suas gavetas e caixas e se permitiu surpreender com as enormes lembranças de pessoas queridas e momentos insubstituíveis contidas nelas, em forma de objetos ou de fotos, e o melhor, se você parou para comparar o que mudaram daquela época para hoje? Para melhor ou para pior, sim. A auto-avaliação, de tempos em tempos, é absolutamente benéfica e necessária para acertarmos o que achamos que não está em conformidade e caminharmos em direção ao que almejamos.
Autossustentável: Desconectar
Não há fórmula mágica para nos conectarmos com nossas mentes, cada pessoa é única e responde melhor a estímulos completamente diferentes. Mas existem alguns caminhos que nos auxiliam no processo. Comumente elas são associadas a técnicas de relaxamento, por produzir a sensação de bem-estar e alívio de stress e tensões, que são perfeitamente válidas. Abaixo, seguem sugestões:
ü  Defina quais as atividades em que você acha que poderia relaxar, e escolha atividades que você realmente goste.

ü  Não tenha medo de tentar algo novo e diferente (o cérebro agradece). Estará dando oportunidade a si mesmo de descobrir novas formas de se relacionar com o seu corpo e assim usufruir das riquezas intermináveis que ele pode produzir.

ü  Verifique a existência de atividades de lazer onde vive e provavelmente que pouco frequenta (cinemas, praias, clubes, atividades culturais, exposições parques, etc).

ü Procure praticar exercícios leves como caminhar, andar de bicicleta, dançar, nadar, praticar jardinagem, etc.
Por exemplo: sinta o peso do seu corpo ao caminhar, sinta a respiração, sinta a sensação do ar entrando e saindo dos seus pulmões, o cabelo ao vento, os músculos que usa, a sensação do vestuário…entre muitas outras coisas.

ü  Caso tenha interesse, procure praticar algumas técnicas de relaxamento mental para criar a sensação de paz e tranquilidade de corpo e mente.

ü  Outras técnicas de relaxamento mental incluem a leitura de um bom livro ou deixar-se envolver na tranquilidade de uma música suave, ou concentrar-se na contemplação.

ü  Atividades criativas como pintura, desenho, cerâmica, carpintaria, tricô e mesmo arte culinária, por prazer, podem lhe dar também um sentido de realização,
paralelamente ao tranquilizante relaxamento de se concentrar em algo que você deseja fazer.

ü  Você também pode aliviar o cansaço do dia-a-dia do trabalho com um banho bem demorado, logo que chegar em casa. Este pode ser considerado um exercício excelente de estimulação dos sentidos. Aprecie a água a cair no seu corpo, o som que faz, a temperatura que sente, o impacto das gotas do chuveiro, o estado de relaxamento que consegue atingir, sinta isso e contemple o prazer que está presenciando, foque-se nas sensações e perceba o nível de bem-estar que sente.

ü  Procure atentar para os pequenos detalhes do seu dia-a-dia. Por exemplo, reparar nos prédios ou na paisagem do caminho feito para o trabalho/escola/faculdade; tente traçar novas rotas e descobrir alternativas para o destino que frequenta rotineiramente, você pode se surpreender com o caminho ou acabar conhecendo algo interessante.

Sabemos que nossas realidades, muitas vezes, não nos permitem fazer tudo o que queremos a todo o tempo. Nem todos nós temos o emprego que sonhamos ou exercemos a profissão que almejamos. Temos responsabilidades, obrigações e deveres que pode não ser condizente com as nossas expectativas. Não temos que nos acomodar com o que não nos agrada, pelo contrário, devemos procurar evoluir e mudar o que nos convém, porém, para encontrar alternativas e soluções para essas questões, é fundamental que estejamos em dia com a nossa saúde mental.

Autossustentável: Desconectar

Portanto, não se esqueça de tirar alguns momentos do seu dia ou da sua semana para se desconectar do mundo ao seu redor e se dedicar a você, ao que você realmente deseja, prestar atenção em você, sua mente, seus pensamentos, relações e avaliar seus sentimentos, ações e aspirações.

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A Hora e a Vez dos Municípios na Área Ambiental

Novo paradigma do século XXI, o tema ambiental foi transposto ao centro dos debates políticos, corporativos e institucionais. Conferências sobre sustentabilidade e encontros organizados pelas Nações Unidas passaram a atrair holofotes inimagináveis em outros tempos.

No Brasil, a Carta de 1988 é celebrada por ambientalistas como uma autêntica “Constituição Verde”, tendo, inclusive, capítulo próprio sobre o tema e competência compartilhada pelos membros da Federação para tratar sobre o assunto, o que demonstra a importância dada.
Eleva-se, assim, o status da participação municipal na proteção ao meio ambiente, o que tradicionalmente era questionada sob os argumentos da insuficiência de infraestrutura e eventual incapacidade estrutural e de recursos destinados a tais finalidades.
O Munícipio é o ente mais próximo dos cidadãos, sendo o território em que são praticadas suas necessidades mais básicas. Por exemplo, questões ambientais globais como mudanças climáticas podem passar despercebida pela sociedade em geral, mas não o “lixo” descartado inadequadamente na porta de casa e nem a dificuldade diária dos deslocamentos para o trabalho devido ao deficitário sistema de mobilidade urbana presente nas principais cidades brasileiras.

Autossustentável: Trânsito Grandes Cidades

Na democracia, a “municipalização do poder” é capaz de adquirir índices elevados de proteção ambiental através de políticas públicas. Dotado de menor espaço territorial, há possibilidade de se estabelecer (i) canais mais acessíveis de comunicação, (ii) pressão popular mais direta e presencial, (iii) adequações locais mais específicas e (iv) criação, execução e fiscalização de programas de formas mais eficientes. Retoma-se, dessa forma, a legitimidade democrática das instituições ao reaproximar representantes e representados.
Porém, ressalta-se a necessidade de implantação de sólidas e organizadas estruturas nos entes municipais para alcançar os objetivos traçados no texto constitucional e, como se sabe, as Secretarias do Meio Ambiente, quando existentes, não possuem o devido destaque e aporte de recursos suficientes para a realização das medidas de defesa do meio ambiente.
A falha do sistema e das equivocadas prioridades do Poder Público em geral não desmerecem a relevante contribuição municipal na área. Num panorama geral, é inegável a constatação do caótico cenário presente na maioria dos mais de cinco mil Municípios brasileiros quando o assunto é meio ambiente, o que deve ser objeto de profunda reestruturação.
Ocorre que o quadro descrito reflete anos de descaso estatal sobre a matéria, o que, aliás, não é exclusividade dos entes locais. Como dito, vive-se um novo momento e como tal deve ser analisado. Neste, o meio ambiente é o protagonista.

Autossustentável: Tripé da Sustentabilidade - Social, Ecológico e Econômico
Fonte: Wikipedia
Caso bem administrados, os Municípios podem e devem contribuir em prol do modelo de um Estado Socioambiental de Direito.


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Talento & Reaproveitamento: Carioca Transforma Tampinhas de Garrafa em Obras de Arte

O Galpão das Artes Urbanas Hélio G. Pellegrino, na cidade do Rio de Janeiro, está recebendo, até o dia 10 de maio a Exposição: “Ecotampas – Se Beber, Recicle” do artista plástico Alfredo Borret.

Autossustentável: Alfredo Borret - Arte com Tampas de Metal

São 18 obras e trabalhos inéditos, com uma técnica criada pelo artista para o reaproveitamento das tampinhas de metal.
Alfredo Borret, formado em marketing, sempre gostou de arte e sustentabilidade e tem chamado a atenção do mundo, através de sua arte com tampas de garrafas de cerveja e refrigerante, para o descarte das tampinhas de metal.
Desde 2007 usa sua habilidade para dar vida nova ao lixo gerado pelas bebidas, transformando-o em ímãs de geladeira com imagens dos cartões postais e times de futebol do Rio, assim foi criado o projeto Ecotampas – artesanatos feitos com tampas de garrafas.

Autossustentável: Alfredo Borret - tampinhas reaproveitadas
Em 2008, Alfredo distribuía seus artesanatos duas vezes por mês, de forma gratuita, aos turistas que visitavam a Cidade Maravilhosa. A distribuição também era realizada em palestras e oficinas realizadas em escolas. Essa foi a encontrada pelo artista para transmitir a mensagem “Se Beber, Recicle” e despertar a atenção o reaproveitamento do “lixo” tampinha de metal.

Alfredo Borret recebeu premiação, em 2011, do Jornal O Globo no concurso “Aniversário do Rio”, onde cerca de 2.500 participantes declararam seu amor ao Rio de Janeiro em forma de arte. Em votação realizada via internet, o artista ficou com a segunda colocação através de seu projeto Ecotampas.

Em 2012, Alfredo inova novamente através da criação de uma nova técnica, na qual as tampinhas são transformadas em telas de arte. Com muita irreverência o artista plástico reproduz paisagens cariocas e obras de grandes mestres no reduzido espaço das tampas, criando lindos mosaicos.
Autossustentável: Alfredo Borret - Monalisa
Autossustentável: Quadros Alfredo Borret

Autossustentável: Galpão de Exposição
“Trabalho
com um tipo resíduo que está fora do radar da reciclagem, a tampinha de metal. Após ver as pequenas tampinhas transformadas em arte, as pessoas despertam um novo jeito de pensar esse tipo de lixo. Precisamos mudar nossos hábitos e a forma como vivemos e interagimos com o meio ambiente. Gastamos muito dinheiro com a limpeza urbana e grande parte desse recurso poderia ser aplicado em outras áreas como saúde e educação. Despertar um olhar mais consciente para os resíduos sólidos é o grande objetivo”, diz Borret.
Algumas Curiosidades:
·       O processo de confecção, 100% manual, leva tempo: uma obra de 90cm X 60cm consome 702 tampinhas e leva entre 15 a 20 dias para ficar pronta.
·       Desde 2007, já foram recicladas mais de 300 mil tampinhas pelo artista.
Local da Exposição:
Galpão das Artes Urbanas Helio G. Pellegrino 
Rua Padre Leonel Franca, s/n – Gávea (em frente ao Planetário da Gávea) – RJ
Segunda a sexta, das 10h às 16h30min.
Observação: No sábado, dia 10 de maio, será o último dia da exposição. O funcionamento será das 10h às 16h.
Entrada Franca.

Materiais Sustentáveis que Fazem a Diferença: Outros Materiais

A discussão sobre moda e sustentabilidade sempre “dá pano para manga”. No meu último texto falei sobre o algodão orgânico (Materiais Sustentáveis: Algodão Orgânico), mas ainda existe uma gama enorme de materiais a serem apresentados.
Um produto que é muito utilizado na indústria da moda é a lã, porém sua produção convencional tem um impacto negativo no meio ambiente. E devido à necessidade de um material menos impactante, surgiu a lã ecológica. Ao contrário dos métodos convencionais, neste não se utiliza o cloro para clareamento da lã das ovelhas, e todo tingimento é feito com plantas e não com corantes sintéticos, evitando assim a contaminação dos lençóis freáticos. Além disso, não são usados hormônios indutores do crescimento da lã e o número de ovelhas é limitado por área, para evitar situações de estresse ao animal.

A lã ecológica se destaca pelo aspecto rústico que vem de seu processo manual de cardagem [1], fiação e tecelagem, o que o torna fácil de diferenciar graças à aparência do produto, que remete a um conceito artesanal, natural e ecológico.
Fonte: Trico Sem Costura
O seu processo de produção é organizado dentro da lógica da agricultura familiar, funcionando como complemento da renda da família, ajudando na melhoria da qualidade de vida e mantendo assentados os integrantes das famílias no campo.

Outra fibra natural muito utilizada é a seda, que é um dos materiais mais antigos usados pela indústria da moda. A seda usada na indústria têxtil é obtida a partir dos casulos do bicho-da-seda através do processo de sericicultura. A fibra de seda natural é um filamento da proteína produzida pelas lagartas de certos tipos de mariposas, e é uma das matérias-primas mais caras no mercado da moda. A seda orgânica também é a associação da seda a outras fibras naturais compondo novos produtos, como a juta, o sisal e o rami.

O cultivo dos casulos que originam a seda ecológica é feito de forma artesanal em plantações onde não há o uso de agrotóxicos. Os resíduos do processo são reaproveitados em plantações e os casulos rejeitados são usados para a fiação em larguras variadas. A fiação deve ser feita manualmente, gerando assim, renda para as comunidades produtoras.  O tingimento é 100% natural e são utilizados pigmentos vegetais retirados da natureza, como da amora, cana-de-açúcar, casca de cebola, café, urucum e folha de eucalipto e, por ser mais um processo manual, torna o tecido uma peça única e exclusiva.
Outra alternativa muito explorada hoje em dia é o tecido de fibra de PET, que é um produto ecológico feito das garrafas PET que já conhecemos. Ao ser produzido, ele retira do meio ambiente as garrafas, que são de material de difícil decomposição, graças ao petróleo usado na sua composição, responsáveis por 30% dos resíduos sólidos produzidos no país. O PET dá origem ao poliéster, o polímero plástico derivado do petróleo, cuja fibra é usada na produção dos mais variados produtos, desde roupas até o tecido do banco do carro.

Fonte: Nossa parceira Mr. Fly Moda Sustentável
Nos últimos anos, com as inovações tecnológicas, foi possível combinar as fibras de poliéster feitas a partir do PET com as fibras de algodão, criando uma malha com a mesma resistência, solidez, durabilidade e até nas cores dos produtos fabricados na forma convencional. A coleta dessas garrafas, hoje envolve mais de 250 mil pessoas, se transformando em fonte de renda para comunidades inteiras. Depois de coletadas e separadas, as garrafas são vendidas para as empresas e lá são lavadas, moídas e descontaminadas para que possam ser fundidas ou derretidas. Esse processo resulta em pequenos flocos que serão transformados em fios de poliéster por equipamentos que fazem filamentos e depois trançados ao algodão. O resultado final dessa malha são produtos de qualidade, comparáveis com os produtos de matéria-prima não recicladas, mas com uma grande diferença: o valor ecológico e social.

              
  Você pode adquirir essas camisetas de malha PET através de nossa Ecoloja
O uso de materiais sustentáveis e/ou orgânicos na fabricação de roupas já existe, e é essencial que o consumidor consciente esteja atento a novos materiais, novos processos e o que mais possibilitar uma compra sustentável. O brasileiro está se adaptando a essa novidade, mas antes costumava achar que roupas recicladas, feitas de PET ou de materiais alternativos eram de qualidade inferior. Tanto que as próprias empresas, às vezes, omitiam essa informação para não desvalorizar o produto. Hoje, isso mudou e grande parte das empresas se orgulha de projetos como esses, fazendo o mercado de tecidos sustentáveis crescer a cada dia.


[1]A cardagem ou cardação é o processo de tratamento da fibra que será utilizada na fabricação de fios.

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O Amanhã tem Preço?

Depois de muito relutar, acabei cedendo às pressões das reprises intermináveis na TV a cabo e assisti ao filme “O Preço do Amanhã” (2011).
A trama mostra uma sociedade que sofre com os problemas ambientais e sociais. Nessa versão do futuro, todos possuem um relógio digital no antebraço – por baixo da pele -, em constante contagem regressiva, representando quanto tempo a pessoa ainda tem de vida.
Autossustentável: O Preço do Amanhã

Ao trabalhar, produzir, os indivíduos ganham como salário mais tempo de vida e, em contrapartida, ao comprar qualquer produto ou serviço, seu tempo de vida é utilizado como moeda corrente, ou seja, quanto mais consomem, menos tempo têm de vida. Nessa sociedade, literalmente, tempo é dinheiro.
Além do tempo-moeda, tal sociedade também possui as chamadas “time zones” (zonas de tempo). Ricos, que possuem centenas de anos de vida, podem consumir sem se preocupar muito com o futuro e vivem em uma região luxuosa cheia de regalias. As regiões mais pobres concentram pessoas com menos horas de vida, as quais trabalham e barganham por mais tempo para continuarem no mundo.

Desigualdade social, impactos ambientais, consumo… Tudo nesse filme conspira e inspira para uma boa conversa sobre nosso futuro e o futuro que queremos para as próximas gerações.

Autossustentável: Poluição

Os paralelos entre o filme e o mundo real são óbvios, com a diferença marcante de que ainda não temos indicadores suficientes e confiáveis que nos mostrem o verdadeiro impacto de nossas ações sobre o planeta, sobre os outros e sobre nós mesmos.
Em um mundo globalizado como o nosso, é consenso entre diferentes especialistas que muitos dos impactos socioambientais, frutos de nossos comportamentos insustentáveis, dificilmente se fazem sentir no dia a dia. Deixar uma torneira pingando ou optar pelo transporte individual altamente poluidor, até aplicar seu dinheiro em ações de empresas irresponsáveis do ponto de vista socioambiental, são opções que podem gerar consequências negativas sobre continentes distantes e pessoas que nunca ouvimos falar. Escolha e consequência estão perigosamente isolados no mundo globalizado e, assim, ninguém se sente responsável por absolutamente nada, nem ninguém.

Autossustentável: O Sonho da Igualdade social

Na década de 1970, concomitantemente à criação do PNUMA (Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente), o slogan “pense globalmente, aja localmente” emergiu frente à necessidade urgente de mitigar os problemas socioambientais que já afetavam há décadas comunidades com alta vulnerabilidade, e que começavam a afetar mais claramente os meios de produção e a parcela mais abastada da sociedade.
Apesar de todo o esforço das grandes entidades mundiais como a ONU e a UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), ainda estamos nos digladiando com praticamente os mesmos desafios socioambientais identificados nos últimos 40, 50 anos ou mais. Em contrapartida, afirma-se que as pessoas estão muito mais conscientes sobre os problemas socioambientais. Isso é bom, mas consciência e comportamento não costumam andar de mãos dadas.
Saber o que é melhor para todos (e para nós mesmos) e não fazer me parece burrice, mas é assim que tem sido.
Autossustentável: Hoje em dia as pessoas sabem o preço de tudo, mas não sabem o valor de nada.
Por outro lado, não saber é mais um problema. Nesse ponto, entra como linha de frente a Educação, seja ela formal (nas escolas), não formal (projetos de ONGs, por exemplo) ou informal (do dia a dia).
Pensando na escola (meu campo de atuação mais intenso), mais que informar, ela deveria servir como modelo e local de cocriação de uma sociedade mais sustentável. Por meio do exemplo, da criatividade e da coerência entre discurso e prática estaremos, de verdade, ensinando como e porque fazer o que se considera “certo” e “bom” para todos, sempre dentro das particularidades culturais e sociais de cada local e comunidade. Considero essa mudança de paradigma na área educacional tão desafiadora e urgente quanto qualquer outra.
Autossustentável: Sociedade Sustentável

Após assistir a “O Preço do Amanhã”, fiquei imaginando como seria se cada um de nós possuísse um relógio que marcasse o tempo de vida restante, e que ele fosse vinculado não somente ao consumo, mas a todas as nossas escolhas do ponto de vista da manutenção da sustentabilidade social e ambiental. Como será que seu relógio estaria andando? Para trás, rapidamente? Estacionado em um ponto de equilíbrio? Ou idealmente ganhando tempo de vida para você, para todos e para o planeta?

PS. Essa é minha primeira contribuição ao Autossustentável como colunista. Nesse espaço gentilmente cedido, procurarei abordar temas relacionados à Educação para a Sustentabilidade, tema ao qual tenho me dedicado nos últimos anos por meio do desenvolvimento e implementação de cursos curriculares e extra-curriculares na Educação Básica e Superior. Espero que o tema, dessa forma, ganhe espaço e força nas instituições de ensino e inspire novos modelos de Educação. Receberei com alegria críticas, contribuições e comentários para construirmos juntos uma sociedade mais sustentável e feliz.

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A Quantas Anda Nossa Resiliência?

Nas últimas semanas, a notícia que circula é que o sistema de abastecimento de água do estado de São Paulo está se esgotando. Na sequência, a Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) anuncia a realização de um rodízio de racionamento de água.
Autossustentável: Seca na represa Jaguari, que faz parte do Sistema Cantareira

Escassez de água, já vínhamos sendo advertidos sobre isso há muito tempo. Porém, ao invés de agir preventivamente, quando o alerta foi dado, teremos que agir emergencialmente, já que a água no reservatório da Cantareira está abaixo do calcanhar.
No final do século passado e início deste, se cogitava que a conclamada escassez de água era na verdade uma jogada de marketing. Uma forma de incentivar o consumo de água engarrafada. Claro que muitas empresas tiram proveito de tudo, contudo o derradeiro momento chegou.
Improvável que o pessoal do marketing tenha esvaziado as represas e afetado as nascentes. Também não creio que a situação atual seja fruto de lobby. Estamos diante de uma realidade biológica/ geológica. 
Autossustentável: Racionalização de Água

Seria mais uma transformação rotineira da natureza, não fosse o fato de que fazemos parte deste sistema. Criamos hábitos e nos acostumamos às facilidades. Além de que, a água é não só desejada, mas necessária em vários setores da vida e também em nosso organismo.
A escassez de água gerará uma série de problemas nas casas, na indústria, no comércio e na saúde da população. Todos, sem exceção, serão afetados.

Há a resiliência dos sistemas naturais. Os movimentos naturais se sucedem, e, via de regra, restabelecem a sua condição original. Quanto tempo isso pode levar? Talvez os biólogos e geólogos possam prever. Contudo, em se tratando da nossa curta duração de vida, é provável que tenhamos um bom período de escassez.
Autossustentável: Resiliência - Poder de recuperação
E a nossa resiliência, aquela capacidade de absorver o impacto e regenerar-se ou adaptar-se em meio à adversidade, a quantas anda?

Se você não possui um poço artesiano e nem coleta e purifica a água da chuva, quantos baldes você possui pra armazenar água para os dias de racionamento? Quantos baldes de água você precisa para tomar um banho e lavar os cabelos?
Autossustentável: Economia de Água
Em 2001, visitei a Índia. Passei um mês em um alojamento, tomando banho de caneca. Havia duas torneiras (uma quente, outra fria), um balde de 5 litros e uma caneca. Ao final de um mês
eu já conseguia tomar banho com meio balde de água. Para lavar o cabelo usava 1 balde e mais um pouquinho.
Outro dia fiz uma visita a Monte Alegre do Sul, região do Circuito das Águas paulista, onde conheci uma pessoa que cultiva orquídeas. Ela me informou que, apesar de amar aquelas plantas, se viu obrigada a colocar a sua maioria em troncos de árvores. A escassez de água fez com que ela não pudesse mais regá-las. Então, diariamente, ela celebrava as plantas que estavam conseguindo sobreviver se alimentando do que suas raízes sugavam dos troncos.

Como mencionei antes, a natureza tem uma capacidade bem maior de resiliência que a nossa, talvez, por seguir o ritmo e sempre buscar o equilíbrio…
Autossustentável: Equilíbrio
Já o ser humano… impôs seu ritmo, alterou o equilíbrio e ainda reclama das consequências. Lembra bastante uma criança mimada, um reizinho. E o que acontece com um adulto mimado? Sofre. Sente-se injustiçado. Reclama. Culpa outros.
Autossustentável: Terra Poluída
  
E como age aquele que é resiliente – alguém que está em condições de manter-se firme em meio à adversidade? Que valores esses seres humanos adaptados à realidade de escassez preconizam? Que tipo de decisões e resoluções podemos tomar a fim de mantermos o equilíbrio e a condição de vida sustentável neste cenário?

Pense rápido, pois é chegada a hora de agir!


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A Relação entre a Vida Moderna e o Aumento da Incidência de Câncer

O embate é travado todos os dias, em todos os lugares, afetando todas as pessoas. Na TV, a grotescamente deslumbrante propaganda de margarina de sempre. No supermercado, uma senhora compra o pacote de fubá que comprou a vida toda, sem notar um novo detalhe no rótulo. No outdoor, uma modelo demasiadamente magra tratada com photoshop invade a cabeça das nossas mulheres pra dizer o quão ruins elas são por não contarem as calorias que ingerem diariamente.
Autossustentável: Saúde x Corpo
Nas redes sociais, alguém atacou o McDonald’s e acusa a Ambev de colocar milho transgênico na sua cervejinha e é rebatido por outro alguém, que diz que está não se importa com essas frescuras e que é melhor relevar, já que ‘tudo’ dá cancer.
É nessa hora que me bate o desespero. Como assim, tudo dá câncer? A desinformação é normalmente mais nociva que a falta de informação, mas quando se trata da epidemia de câncer que assola o planeta nesses tempos, as duas formas de ignorância se alimentam de uma maneira perigosa. O desdobramento lógico da noção de que tudo dá câncer é que não devemos nos preocupar com o hábito de vida, afinal de contas qualquer coisa escolhermos vai nos trazer câncer.
Todas as pessoas vivem com a noção de que irão morrer um dia e que a vida deve ser aproveitada ao máximo, o que, convenhamos, é bastante coerente. Neste sentido, ninguém tem a pretensão de viver pra sempre e já tem a ideia da sua morte razoavelmente assimilada. Aprendemos também que não importa o quão bem nós vivamos, vamos acabar com um câncer, um ataque cardíaco ou um AVC. Só nos resta saber quando.
Autossustentável: Pirâmide Saúde
Acontece que o quando é o ponto fundamental desta discussão. É possível que seja inevitável, nos dias de hoje, ter uma vida regrada e livre de substâncias indutoras de câncer, como: tabaco, álcool, produtos industrializados, poluentes ambientais e afins. Entretanto, há uma clara relação entre produtos de consumo e hábitos de vida que aumentam as chances e antecipam o desenvolvimento de tumores.
Autossustentável: Hábitos saudáveis na velhice
Isso não é nenhuma novidade. Não é à toa que uma britânica branca tem 18% mais chances de desenvolver um câncer que uma britânica de descendência asiática e 15% mais chances que uma britânica negra [1]. Não é à toa que aparentemente vegetarianos têm menor predisposição a tumores que pessoas que ingerem carne [2]. Não é à toa que temos mais um milhão de exemplos. A novidade está na absurda naturalidade com que as pessoas passaram a encarar a avassaladora e pandêmica difusão do câncer nas sociedades mais americanizadas, que cultuam o fast food, a comida industrializada, as drogas lícitas, a industrialização da agricultura, as propagandas, o aparelhamento dos órgãos de controle (FDA, ANVISA e equivalentes), o monopólio do setor alimentício por meia dúzia de companhias…
Autossustentável: 10 piores alimentos para a saúde
Não se deixe enganar. Existe muita gente, em muitos lugares, ganhando dinheiro ao colocar porcarias na sua comida, ao fabricar doenças e propor tratamentos longos e caros para o que eles induziram em você e ao desenvolver novos métodos de te empurrar o que não deveria nem ser considerado comida [3]. Qualquer detalhezinho que aumente a margem de lucro. O segredo para evitar essas armadilhas é estar sempre bem informado e ajudar na difusão destas informações.
Por isso, da próxima vez que estiver passando uma propaganda de margarina na tv, lembre-se de pesquisar se realmente comer aquele plástico de gordura hidrogenada vai fazer sua família, seus filhos e seu golden retriever se tornarem felizes e ensolarados (aliás, experimente deixar margarina caída no cantinho da mesa e observe a pobrezinha ser ignorada pelas formigas e pelas baratas, que entendem de comida de verdade). Também lembre-se de ir com a sua avó ao supermercado de vez em quando, e mostrar pra ela que agora os derivados de milho (quase tudo que existe na Terra!) vêm com um T de transgênico no canto – ou pelo menos deveriam, embora nas cervejas isso seja solenemente ignorado -, para o qual praticamente não existem estudos sobre a segurança de sua ingestão. Aliás, estes poucos estudos indicam uma forte relação entre o consumo de transgênicos e o desenvolvimento de tumores [4], além dos já conhecidos desastres ambientais e sociais às quais essas culturas estão associadas [5]. E também não esqueça de gritar paras demasiadamente magras dos outdoores que muito mais importante do que contar calorias é contar os metabissulfitos, os glutamatos, o bisfenol-A, o aspartame, os conservantes, os agrotóxicos… Embora esses nomes sejam complicados, é extremamente fácil e é uma obrigação pessoal descobrir o que se deve evitar e rapidamente achar uma lista dos alimentos que os contém na internet. Difícil mesmo é recuperar a saúde depois que ela foi trocada por ‘menos calorias’.
Autossustentável: Símbolo Transgênicos
Pedindo perdão antecipadamente ao espetacular George Orwell pela paráfrase de ‘a revolução dos bichos’, tente sempre se lembrar desta velha máxima: tudo que você faz dá câncer, mas algumas coisas dão mais câncer do que outras.

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Referências:
[1] http://saude.terra.com.br/doencas-e-tratamentos/mulheres-brancas-tem-mais-chances-de-ter-cancer-de-mama-diz-pesquisa,f55f39cf6d273410VgnVCM4000009bcceb0aRCRD.html
[2] http://www.aboaterra.com.br/artigo.php?id=112&Vegetarianos+t%EAm+menos+chance+de+desenvolver+c%E2ncer
[3] http://jornalciencia.com/saude/mente/3756-homem-diz-que-guardou-sanduiche-do-mcdonalds-em-perfeito-estado-por-mais-de-14-anos-em-seu-casaco
[4] http://revistagalileu.globo.com/Revista/Common/0,,EMI322531-18537,00-MILHO+TRANSGENICO+CAUSA+CANCER+EM+RATOS+E+REACENDE+DEBATE.html
[5] http://youtu.be/gE_yIfkR88M


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Insegurança Urbana: O Paradigma das Cidades Sustentáveis

Os progressos na agenda nacional e internacional na promoção do desenvolvimento sustentável ainda enfrentam enormes desafios frente aos problemas nos centros urbanos. Nos próximos parágrafos tentarei mostrar brevemente o que se discute a respeito das desigualdades sociais, especialmente pelo economista Amartya Sen, vencedor do prêmio Nobel pelo seu trabalho sobre a economia do bem-estar social. Bem como uma reflexão sobre as Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro.
Autossustentável: Tripé da Sustentabilidade

Com relação à saúde e educação, Amartya sugere que avanços tornando o sistema de impostos mais progressivo diminuiriam a desigualdade, e este processo por sua vez abriria espaço para investimentos em áreas prioritárias como saúde e educação. Diferentes tipos de desigualdades afetam o direito e acesso à saúde, como a desigualdade de renda que exerce influência no modo de vida e consequentemente nas oportunidades de ter uma vida saudável, sem doenças e sofrimentos. Assim como as diferenças entre sexo, gênero e distintos grupos sociais que tornam o acesso e direito à saúde desigual.
Autossustentável: Escola de palha em Balsas no Maranhão

As correlações do aumento da criminalidade com a taxa de desocupação dos jovens, o nível educacional e a relação com a família são amplamente discutidos. Lidamos com altas taxas de repetência e desistência dos estudantes nas escolas e neste processo, a família é a instituição com maior poder e eficácia no incentivo e fiscalização, bem como na prevenção do crime. Quando esta não é bem articulada, e apresenta casos de violência doméstica, por exemplo, é muito provável que a criança ou adolescente irá repetir os mesmos comportamentos.

A inclusão social dos jovens à educação e mercado de trabalho são mecanismos básicos para diminuir a taxa de criminalidade e consequentemente a insegurança urbana, e isto só será possível com investimentos nas áreas de saúde, educação e criação de postos de trabalho decentes.

Desta forma, o voluntariado e a responsabilidade social exercem um papel importante no sentido de influenciar por meio de políticas públicas e sociedade civil, através de ações afirmativas, a inclusão social das crianças, jovens e adolescentes na arte, cultura e lazer, se tornando ferramentas de combate a criminalidade. Em pesquisa realizada pela Universidade Johns Hopkins, somando-se tudo que as ONGs de 35 países analisados produzem, elas seriam a sétima economia do mundo (Amartya Sen, 2010).
Autossustentável: Responsabilidade Social Coletiva

É necessário agir coletivamente, e a responsabilidade social corporativa é uma aliada constante e criativa neste processo, por identificar e enfrentar necessidades, e por inovar e prestar serviços de qualidade àqu
eles que têm maior necessidade.

No que se refere às políticas repressivas, Amartya Sen (2010) sugere em seu estudo sobre o crescimento da insegurança urbana na América Latina, que a política de “tolerância zero” é um resultado de uma carência do profissionalismo, carreira, salários e treinamento dos polícias, que acabam se tornando vilões, e entram no mundo da corrupção, crimes e drogas. As agressivas atitudes de limpeza nas ruas acarretam uma pressão no sistema penitenciário, provocando efeitos contrários aos desejados.
Autossustentável: Mapa da Violência
Acrescento também outro ponto no que se refere à terceirização dos serviços nas penitenciárias sem melhorar a qualidade da alimentação e dignidade dos presos. As oportunidades de trabalho e aprendizado nas cadeias são as formas mais eficientes de evitar o ciclo prisão-rua-prisão. Um constante trabalho entre polícia, prefeitura e comunidade certamente minimiza os índices de criminalidade ao mesmo tempo em que aumenta a segurança e confiança entre os mesmos.
O caso das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio de Janeiro, as UPPs. Muito se discute sobre seus impactos e benefícios no combate a criminalidade e homicídios nas favelas cariocas. Questões muito delicadas demonstram a dificuldade de implantação e sucesso do programa, ainda que considerado como uma medida necessária no desarmamento do crime organizado. Dentre eles, podemos citar as dificuldades de diálogo entre a comunidade e a polícia, o despreparo dos profissionaisque carecem de um programa de formação profissional continuada, e da falta de serviço social e psicológico para o apoio a esses policiais.
Autossustentável: UPP x Unidades de Pacificação Definitiva
Outras questões levantadas são as incertezas da sustentabilidade do projeto, quanto à qualidade da intervenção policial, e se vai durar após os grandes eventos a serem sediados no Rio de Janeiro. O programa não é a solução para os problemas de desigualdade e criminalidade no Rio de janeiro, e sim uma tentativa de buscar a integração das favelas à vida normal da cidade.  As UPPs Sociais tem o objetivo de incentivar a participação de policiais em alguns projetos dentro do programa. Contudo, há dificuldades para a entrada desses profissionais devido a desconfiança e medo dos moradores com relação à polícia. Sem uma política social que possa apoiar o programa, a polícia fica desolada para atuar sozinha com as comunidades.
Os recentes acontecimentos em algumas UPP´s demonstram que sem uma agenda pública e política na área de segurança que possam consolidar o programa, de nada adianta expandir o número de unidades pacificadoras nas favelas do Rio de Janeiro.
Autossustentável: Jean-Paul Sartre e a violência
Por fim, a questão de insegurança urbana no Brasil demonstra a necessidade de maior participação do governo em parcerias com comunidades, terceiro setor, iniciativa privada, e os demais atores envolvidos no processo de criação de soluções e alternativas aos desafios dos centros urbanos, que permitam as cidades cumprirem seus compromissos frente ao desenvolvimento sustentável.

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Evento Sustainable Brands Rio 2014 acontece no final de abril no Rio de Janeiro

Autossustentável: Sustainable Brands Rio 2014

Destaque para os projetos sustentáveis colocados em prática por grandes marcas

Entre os dias 24 e 25 de abril, a cidade do Rio de Janeiro receberá o evento Sustainable Brands Rio 14 (SB Rio 14), com o tema “Reimagine, Redesenhe, Regenere”. O evento deverá reunir 600 profissionais da rede global de líderes de empresas, dedicados a encontrar novas maneiras – sustentáveis – de conduzir negócios.
Durante a parte da manhã, nas Plenárias, o encontro terá apresentações de líderes empresariais e especialistas. A tarde nas Sessões temáticas, será possível aprofundar os assuntos centrais da Nova Economia. Além disso, acontece a Expo com 16 iniciativas concretas, de empresas nacionais e internacionais, de transformação do ambiente de negócios.
Inovação e sustentabilidade na prática

Durante a conferência, pela primeira vez no Brasil, acontecerá a Sustainable Brands Innovation Open – competição entre startups que oferecem produtos e serviços que utilizam a sustentabilidade como direcionador da inovação. Apenas dez competidores terão a oportunidade de participar da Conferência, e duas startups serão as grandes vencedoras. Os prêmios incluem recurso financeiro e apoio de consultorias.
Autossustentável: Sustainable Brands Rio 2013

“No Brasil o tema inovação está em alta e muitas iniciativas vêm acontecendo. A SB Innovation Open dá visibilidade para que as startups apresentem suas ideias focadas na sustentabilidade”, disse Álvaro Almeida, sócio-fundador da Report Sustentabilidade, realizadora da SB Rio 14.
Roger Koeppl, jovem empreendedor social, explicou o que o motivou a participar da competição com sua startup, a cooperativa YouGreen. “Estamos mobilizando nossa rede de contatos para irmos para a final do Innovation Open. A visibilidade alcançada e o aporte para alavancagem vão ao encontro dos atuais e futuros objetivos do nosso negócio”, contou.
Outra novidade do evento é a visita temática a comunidades cariocas em que são desenvolvidas atividades e projetos com foco socioambiental. Estas demonstrarão como as marcas podem se adequar às demandas da sociedade. As atividades fazem parte do programa pós-evento, que acontece no dia 26 de abril.


Xenofilia Exacerbada e suas Consequências

A Xenofilia (do grego xenos = estrangeiro + philos = amor), ou seja, gostar do que é estrangeiro, do que é de fora de sua localidade. Essa característica em si não é prejudicial, no entanto, quando ela é exacerbada ao ponto de preterir o que é local em função do que é de fora, traz consigo uma bagagem de consequências que podem ser muito prejudiciais. Chegando ao extremo de sempre considerar que “a grama do vizinho é mais verde”.

Como o assunto é muito amplo e podem ter muitos vieses interpretativos, vou me ater a alguns pontos mais relevantes no contexto socioambiental. Mais especificamente, ao consumo de gêneros alimentícios de origem vegetal. Desse modo, a xenofilia exagerada pode:

  1. Ser um entrave ao desenvolvimento local;
  2. Reduzir pesquisas com plantas nativas;
  3. Levar produtos locais à vulnerabilidade de extinção.

E, para não parecer determinista ou catastrófico, explicarei, a seguir, cada um dos pontos.

Muitas comunidades tradicionais, campesinas, quilombolas e de agricultores familiares baseiam sua renda no extrativismo e venda de produtos nativos de onde residem. No entanto, a falta de conhecimento sobre esses produtos restringe a comercialização, muitas vezes, pela falta de argumentos que agreguem valor ao produto e, consequentemente, diminuem o potencial para desenvolvimento local.

 
Autossustentável: Umbu
Foto: Umbu
 

Com essa não valorização das espécies nativas, uma cadeia de acontecimentos é formada. Produtos que não apresentam mercado, não são objetos de pesquisas que proporcionariam maior conhecimento técnico sobre um manejo florestal mais sustentável, desenvolvimento e expansão da cultura. E, consequentemente, ficam vulneráveis a ter suas populações nativas suprimidas e substituídas por culturas que proporcionem maior ganho imediato.

 
Autossustentável: Pitomba
Foto: Pitomba
Autossustentável: Mangaba
Foto: Mangaba

Grande é a biodiversidade de espécies frutíferas e espécies com outros usos no Brasil, mas, poucas são as conhecidas e que tem relevante consumo. Podemos citar algumas e refletir quais estão em nossas mesas com frequência: Abacaxi, Açaí, Babaçu, Bacupari, Bacuri, Buriti, Cabacinha-do-campo, Cacau, Cagaita, Caju, Cambuci, Caraguatá, Castanha de Baru, Castanha do Pará, Cruá, Goiaba, Guaraná, Guavira, Ingá, Jabuticaba, Jaracatiá, Jatobá, Juá, Licuri, Fruto do Mandacaru, Mangaba, Maracujá, Palmito Juçara, Pequi, Pinhão, Pitomba, Sapucaia e Umbu são brasileiras, não necessariamente endêmicas (distribuição restrita) do Brasil.

Autossustentável: Guaraná
Foto: Guaraná
Autossustentável: Babaçu
Foto: Babaçu
Autossustentável: Bacuri
Foto: Bacuri

Muitas dessas espécies, pouco conhecidas e ou totalmente desconhecidas, podem ficar mais vulneráveis à extinção antes mesmo de sabermos de todo seu potencial, seja ele alimentício, medicinal ou qualquer outra utilidade.

Não me atrevo a fazer apologia ao não consumo de produtos cujas origens são estrangeiras, até porque a maioria faz parte de nossa alimentação e já é amplamente produzida no Brasil. Além do que, a produção dos mesmos gera emprego e renda, sendo objeto de muitas pesquisas desenvolvidas para essas culturas inclusive com variedades desenvolvidas aqui no Brasil. Essas espécies são tão inseridas na nossa cultura alimentar que muitas nos surpreendem em não serem brasileiras, por exemplo: Abacate, Acerola, Banana, Cajá, Carambola, Coco-da-baía, Figo, Fruta-pão, Graviola, Jaca, Jambo, Laranja, Limão, Maçã, Manga, Pêra, Tamarindo, Tangerina, Uva etc.

 

Autossustentável: Frutas do Brasil

 

Com tudo isso, meu intuito é sensibilizar para uma mudança de hábito. Que possamos nos aventurar e buscar em nossas respectivas regiões as delícias escondidas que certamente gerarão prazer na sua degustação. Porém, baseado, logicamente, nos saberes locais para evitar intoxicações.

Aqui na Bahia temos Jatobá (in natura ou como farinha), Juá (in natura e utilizado na indústria farmacêutica), Licuri (coquinho in natura, cozido ou em cocadas, extração de óleo), Fruto do Mandacaru (in natura ou doces), Mangaba (in natura, sucos e principalmente sorvetes), Maracujá (in natura, sucos e sobremesas) e Umbu (in natura, sucos, geléias e sorvetes). Já experimentei todos e são realmente muito bons.

E você já se deliciou com nossas frutas nativas? Quais?

 
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Transparência na Moda

Sustentabilidade, hoje, é oportunidade de bons negócios, já que é uma tendência de comportamento do mercado e um diferencial do produto. Desta forma, empresas estão dedicando esforços para a produção sustentável, valorizando as questões ambientais, porém, sem excluir objetivos financeiros que visam o lucro. A demanda tem crescido, ainda que timidamente, por parte de consumidores que representam um nicho específico e que exigem roupas e outros artigos de moda produzidos de forma ecologicamente correta, e socialmente justa. Diversos autores (KAZAZIAN, 2005; MANZINI & VEZZOLI, 2005; MANZINI; 2008; LEE, 2009) argumentam que é possível e também necessário, conciliar sustentabilidade com crescimento econômico e competitividade, que é o objetivo de qualquer empresa, inclusive as engajadas com princípios sustentáveis.
Autossustentável: A Moda é Preservar
O sistema de produção e consumo, tal qual como é, está longe de ser sustentável, mas, como sugere Kazazian (2005), não existe impacto zero, sendo importante, então, a busca de alternativas que contribuam para a conservação ambiental e social. No que diz respeito ao requisito ambiental, são as matérias-primas renováveis, reaproveitadas ou recicladas; processos menos poluentes, entre outros; e, no âmbito social, são condições mais favoráveis de trabalho. Lee (2009) relata em sua obra o caso de um trabalhador que recebia R$ 0,05 ao dia, a cada 100 peças produzidas. Mesmo com condições injustas, as pessoas que vivem em países com altas taxas de desemprego consideram-se empregadas e, então, submetem-se ao sistema.
Seguindo o exemplo de empresas que tomam iniciativas sustentáveis ao longo da cadeia produtiva, a indústria de moda tem buscado novas formas de produção, a fim de reduzir seus impactos ambientais e melhorar as condições de trabalho.  As alternativas que variam entre artigos produzidos com matéria prima natural renovável como, por exemplo, artigos de lã e algodão orgânico; produtos confeccionados com o objetivo de ter longevidade e durabilidade (onde se faz necessária a qualidade), ou até mesmo produtos atemporais, que não seguem à risca tendências efêmeras; produtos reaproveitados, como roupas de segunda mão, ou produzidos com material reaproveitado (câmara de pneu, PET, entre outras possibilidades). Devem-se explorar essas alternativas que não ocasionam tantos impactos negativos, ou seja, com processos produtivos que cumpram com critérios ecológicos e sociais, mas que ao mesmo tempo, exigem uma gestão diferenciada.  Sabe-se que a cadeia produtiva de um artigo de moda, ou outro qualquer, que se apóia em requisitos sustentáveis, apresenta peculiaridades em cada etapa, e se faz especial.
Um trabalho incrível e revolucionário que vem sendo feito no exterior e que (espera-se) ainda deve chegar por aqui, é da marca Honest By. Alinhada com as alternativas em busca de um trabalho ecologicamente correto e socialmente justo, a Honest é transparente e, como já diz o nome, honesta. Criada em 2012, pelo belga Bruno Pieters, ex diretor criativo da grife Hugo Boss,  a marca informa detalhadamente toda a cadeia de produção das peças, inclusive os custos envolvidos e sua margem de lucro. Pieters, que já foi designer premiado, quis mudar seu estilo de vida e se afastou da indústria da moda pautada em tendências e efemeridades. Viajou para a Índia, onde passou a observar que as pessoas usavam roupas feitas com tecidos costurados a partir de matéria-prima que podiam identificar à sua volta, e aí teve o insight de adaptar essa transparência em escala internacional.  Assim, nasceu a Honest By, empresa que visa uma política de transparência total. A marca possui uma plataforma pública, onde compartilha informações sobre o processo produtivo, como, por exemplo, onde o produto foi feito, por quem, quantas horas de trabalho foram envolvidas, a pegada total de carbono, quantos funcionários envolvidos, preço de cada etapa, e inclusive pesquisas feitas com os materiais orgânicos.  Na hora de comprar, o cliente tem acesso às informações detalhadas e especificadas e pode filtrar por categorias: orgânicos (matéria-prima certificada), vegan (sem testes em animais), reciclado ou europeu (100% fabricado na Europa). A Honesttrabalha ao máximo com produtos locais, e aqueles de origem animal são apenas lã e seda, orgânicas e certificadas.
Autossustentável: Filtro por categoria
Filtro por categoria

Autossustentável: Informações detalhadas do produto
Informações detalhadas sobre o produto
Com toda essa informação exposta, o consumidor pode se posicionar quanto a comprar determinado produto, bem como fica ciente (e consciente) das razões pelas quais um produto tem determinado valor. A Honest Byaproxima o cliente de todo processo envolvido por trás de um artigo de moda e propõe um consumo consciente. E uma moda transparente.
Conheça mais sobre a marca no site, onde estão à venda os produtos de vanguarda: http://www.honestby.com/

Autossustentável: Vestido feminino lã e algodão orgânicos
Vestido feminino lã e algodão orgânicos
Autossustentável: Camisa masculina algodão orgânico
Camisa masculina algodão orgânico
Autossustentável: Vestido seda orgânicaAutossustentável: Vestido seda orgânica costas
Vestido de seda orgânica
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KAZAZIAN, Thierry. Haverá a Idade das Coisas Leves. São Paulo:  Senac São Paulo, 2005. 194p
LEE, Matilda. Ecochic: o guia de moda ética para a consumidora consciente. São Paulo: Larousse do Brasil, 2209. 224p
MANZINI, Ezio. Design para Inovação Social e Sustentabilidade: comunidades criativas, organizações colaborativas e novas redes projetuais. Rio de Janeiro: E-papers, 2008. 103p
MANZINI, Ezio; VEZZOLI, Carlo. O Desenvolvimento de Produtos Sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. São Paulo: EDUSP, 2002. 366p

http://www.honestby.com/, acesso em 25 de março de 2014

Clique aqui para ler outros artigos de Luciana Della Mea

Economia de Água – Saiba algumas maneiras de evitar desperdício e garantir tanque cheio mesmo nas temporadas de seca

O Brasil é um país continental e o clima é diversificado é um dos fatores que elevam as diferenças na distribuição de água do país. Contudo, neste ano o fenômeno da estiagem atingiu estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais e foi sentido que todos devem contribuir para a economia de água.

O Sistema Cantareira, responsável por acumular os suprimentos de água para que ela chegue à casa de milhões de pessoas alcançou seu nível mais baixo, apenas 15% da capacidade de retenção. Esse fato acionou um alerta para vários brasileiros.

É preciso compreender que a água, embora seja um recurso cíclico, não está apenas acabando por instabilidades naturais, muitos dos afluentes e nascentes estão com a qualidade comprometida, o que provoca o esgotamento das fontes próprias para o consumo.
Autossustentável: Economia de Água

 Para melhorar o uso e a economia desse bem natural é preciso ter consciência de consumo. Algumas dicas podem funcionar bem, conheça algumas delas:

Evite desperdício doméstico

Lavar carros com mangueira, deixar a torneira ligada enquanto escova os dentes e tomar banhos longos já são alguns dos itens mais conhecidos, porém as mudanças podem ser mais profundas.

Reaproveite a água das chuvas para dar descargas ou molhar as plantas, reduza o uso das máquinas de lavar roupas e louças e lave as áreas externas com a água acumulada pelas calhas.

Faça uma reserva

A água que chega através das distribuidoras são usadas diariamente, mas outras fontes podem ser usadas para guardar boas quantidades do recurso.
Caixas d’água podem ser adaptadas para o acumulo de água das chuvas ou mesmo da sua principal fonte de fornecimento. Entre esses equipamentos é indicado o uso de caixas d’água taça que compõem seu corpo e topo de material próprio para uma boa duração de reserva.

A Hora do Planeta 2014

Autossustentável: Hora do Planeta 2014 - USE O SEU PODER

A Rede Autossustentável adere, pelo quinto ano consecutivo, ao Movimento Hora do Planeta. Neste sábado, dia 29 de março, das 20h30 às 21h30, paralisaremos nossas atividades, nossos equipamentos serão desligados e as luzes apagadas em adesão à iniciativa, que envolve países de todo o mundo e é promovida pela organização ambientalista WWF-Brasil.
A ação global chega à sua sexta edição no país e oitava no mundo. Com o slogan “Use seu poder para salvar o planeta”, a Hora do Planeta 2014 aposta no poder de mudança que cada um possui.

Marcada para este sábado, 29 de março, das 20h30 às 21h30 (no seu fuso horário local), o movimento de apagar as luzes durante 60 minutos simboliza uma oportunidade de todos refletirem  sobre como os seus hábitos de consumo e práticas de produção influenciam a sociedade em que vivemos. 

A última edição da Hora do Planeta, em 2013, mobilizou 7 mil cidades de 154 países, em todos os sete continentes. No Brasil foram 113 cidades, chegando a mais de 627 monumentos artísticos, espaços públicos, prédios históricos, entre outros, que apagaram suas luzes em favor de um futuro sustentável.

Autossustentável: Reynaldo Gianecchini e Tainá Müller - embaixadores da Hora do Planeta 2014

A campanha deste ano conta com embaixadores que estimulam a participação de governos, empresas e a população. Os atores Reynaldo Gianecchini e Tainá Müller aceitaram o convite da WWF-Brasil para se tornarem embaixadores oficiais da Hora do Planeta 2014 no país. “Já vivemos um limite de escassez de vários recursos – esse ano mesmo a questão da falta da água é um grande problema em boa parte do Brasil”, pondera Gianecchini.
Para Tainá, o importante é saber que “sempre há algo a fazer, só não podemos ter medo.” “De exigir, de fiscalizar, de brigar para evitar que se destrua o que é fundamental para manter a vida na Terra”, afirma a atriz. “É essa a consciência que pretendo ajudar a disseminar”.
Participe! Divulgue!


23 Arranjos de Flores para Deixar Qualquer Ambiente mais Especial

Vivemos em um mundo cada vez mais consumistas e gerador de resíduos, que causa uma série de complicações ambientais. Então por que não aproveitar esse material todo produzido pela nossa sociedade e reciclar, reutilizar e reaproveitar na nossa decoração.

1 – Arranjo de forma diferente

Decorar a casa com flores não exige muito trabalho ou dinheiro, basta um pouco de criatividade. Usar copos e jarras com formato diferenciado para acomodar as plantas é uma alternativa moderna e descontraída.

Autossustentável: Arranjo em forma diferente

 2 – Arranjos pequenos

Menos é mais. Essa máxima faz todo o sentido quando se usa pequenas garrafas ou frascos de perfume para dispor ramos de flor pela casa. 

Autossustentável: Arranjo pequeno

3 – Arranjo em bule ou chaleira

Sabe aquele bule antigo ou aquela chaleira que não pode mais ser usada na cozinha? Com uma pintura simples, eles podem virar excelentes vasos de flores.

Autossustentável: Arranjo no Bule

 

Autossustentável: Arranjo chaleira

 4 – Arranjo com base diferente

Em vez de terra, você pode usar areia e conchas para fazer um arranjo sofisticado e bem alegre para o seu lar. 

Autossustentável: Arranjo com base diferente

5 – Arranjo com material reciclado

Reaproveitar faz bem para o seu bolso e para o meio ambiente. Latas de achocolatado, de azeite e de extrato de tomate e até caixas de leite tornam-se ótimos vasos de plantas para enfeitar a sala, a cozinha e outros ambientes. 

Autossustentável: Arranjo com material reciclado

6 – Arranjo com frutas

Frutas inteiras ou em cortadas rodelas auxiliam na fixação das flores dentro do recipiente e conferem um estilo tropical à combinação. Essa é uma excelente alternativa para compor a ornamentação de eventos em dias quentes. 

Autossustentável: Arranjo com frutas
Autossustentável: Arranjo com laranja

7 – Arranjo em xícaras

O jogo de xícaras incompleto, que você já não usa mais na hora de servir um chá para as visitas, pode voltar à mesa como vasos charmosos para pequenos buquês.

Autossustentável: Arranjo em xícara

8 – Arranjo com flores submersas

É uma opção elegante, moderna e econômica e provoca grande impacto na decoração, demonstrando bom gosto. Para que as flores fiquem paradas e não boiem na água, vale usar pedras no fundo do recipiente. 
Autossustentável: Arranjo com flores submersas

9 – Arranjo com velas

Para deixar a composição de flores submersas ainda mais bonita, use velas flutuantes como acabamento. É uma ótima ideia para casamentos e formaturas. 
Autossustentável: Arranjo com velas
Autossustentável: Arranjo de flores com velas

 10 – Arranjo com material escolar

Quer um vaso bem colorido? Use lápis de cor em volta da jarra. Para facilitar a confecção, cole os lápis num pedaço de papelão do mesmo tamanho do recipiente. Finalize com uma bela fita. 

Autossustentável: Arranjo com material escolar

11 – Arranjos suspensos

Aproveite as árvores do local, os suportes para plantas, as estruturas de madeira da varanda ou o varal de teto. Para prender o arranjo, use arame ou fita resistente.
Autossustentável: Arranjo de flor suspenso

Autossustentável: Arranjo suspensos

12 – Arranjos em taças

Quer uma decoração charmosa e original para eventos comemorativos? Utilize taças para acomodar flores como lírios brancos ou copos-de-leite.

Autossustentável: Arranjo em taças
Autossustentável: Arranjo de tulipas em taças

 13 – Arranjo em gaiola

Nada de pássaros! As gaiolas podem ganhar uma função muito mais nobre quando usadas para guardar flores e formar lindos arranjos suspensos.
Autossustentável: Arranjo em gaiola

14 – Arranjo na parede

Pouco espaço não é problema para quem deseja deixar a casa cheia de flores. Os arranjos de parede podem ser dispostos em áreas internas ou externas e são simples de instalar. 
Autossustentável: Arranjo na parede

15 – Arranjo em lâmpadas

Suspensos ou apoiados em suportes, esses itens conseguem acomodar pequenas quantidades de flores. Para dar um charme a mais, vale aplicar corante na água. 

Autossustentável: Arranjo em lâmpadas

16 – Arranjo em guarda-chuva

Esse acessório pode transformar-se num inusitado e lindo arranjo quando recebe um vaso com flores-do-campo e é pendurado em uma porta ou parede. 
Autossustentável: Arranjo em Guarda-chuva

17 – Arranjo em garrafas

Quando descartadas no lixo, as garrafas de vidro passam anos em decomposição, prejudicando o meio ambiente. Dê um novo destino a elas, utilizando-as como jarras para flores. Basta retirar os rótulos, limpar e enfeitar com fitas ou adesivos.

Autossustentável: Arranjo em garrafa

 Autossustentável: Arranjo em garrafas coloridas

18 – Arranjo com água colorida

Colorir a água é uma sugestão prática para quem não tem tempo de pintar os vasos. Para evitar que as flores absorvam a cor, coloque-as no recipiente poucos minutos antes do evento em que serão empregadas na decoração. 

Autossustentável: Arranjo em água colorida

19 – Arranjo em botas

Galochas inutilizadas podem tornar-se um belo vaso de canto para a entrada da casa ou para as janelas. A dica é decorar as botas com tinta ou adesivos. 

Autossustentável: Arranjo em botas

20 – Arranjo com chocolates

Bombons podem ser usados como base para fixar as flores dentro do vaso. Além de elegante, esse arranjo sem dúvida é delicioso.

Autossustentável: Arranjo em chocolate

21 – Arranjos com flores secas

Quer um arranjo para casa, escritório ou consultório, mas não tem tempo para cuidar das flores? Invista em plantas secas. Elas transmitem beleza e sofisticação ao espaço. 

Autossustentável: Arranjo com flores secas

22 – Arranjos com prendedores de roupa

Simples, econômica e charmosa, essa composição pode ser confeccionada em pouco tempo. Você só precisa circundar um recipiente com prendedores. 
Autossustentável: Arranjos com prendedores de roupa

23 – Arranjo em forma de quadro de parede

Você pode ter uma verdadeira obra viva em seu lar, basta colocar molduras ao redor de arranjos de parede. Muito simples, não é mesmo? 
Autossustentável: Arranjo em forma de quadro

 

 

 

 

“Lixo” Tecnológico: Problema do Mundo Contemporâneo

A velocidade do avanço tecnológico torna a cada dia os aparelhos eletrônicos mais obsoletos e, por conseqüência, a quantidade de “lixo” maior no planeta. Tvs de LED, celulares, Dvds e Laptops se tornam defasados rapidamente e acabam sendo trocados no mercado de consumo. O que era objeto de desejo ontem, hoje faz parte daquilo que se pode descartar.
Autossustentável: Lixo Eletrônico
Partindo dessa afirmação, passei a me perguntar sobre o arcabouço jurídico para tentar solucionar o problema. Tentar sim. Sabe-se que o universo do direito tem o péssimo hábito de achar que vai conseguir uma resposta para todas as perguntas e, por isso, obviamente, acaba se frustrando em vários casos. Um dos caminhos poderia ser uma visão legislativa interdisciplinar, o que na matéria ambiental se mostra ainda mais construtiva. Para tanto, deve-se pensar em instrumentos para estimular a política dos 4Rs: Reduzir, Reutilizar, Reciclar e Repensar.
Autossustentável: 4Rs da Sustentabilidade
Numa rápida pesquisa, descobri a existência de uma série de legislações sobre a destinação ambientalmente adequada desses produtos. Nos últimos anos, foram promulgadas leis nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná, Espírito Santo, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba que tratam especificamente sobre resíduos sólidos tecnológicos [1].

A preocupação não se restringe apenas aos entes estatais. Na Câmara dos Deputados tramita o Projeto de Lei nº. 2.045/2011 que também aborda o assunto. É verdade que ainda não passou por todas as etapas do processo legislativo, no entanto é possível demonstrar que o assunto não passa despercebido nos corredores da Casas Legislativas federais.
Tais constatações reafirmam o dilema jurídico-ambiental brasileiro: uma estrutura legislativa numerosa e sua dificuldade de se transportar para a prática. Nessa missão, profissionais como advogados, promotores, juízes, desembargadores, enfim, operadores do direito em geral devem buscar inverter essa realidade e, para tanto, requer uma visão amplificada do problema.

Como carioca, sinto-me mais à vontade para dar como exemplo o Rio de Janeiro. Poucos meses atrás, a questão do “lixo” ganhou destaque no Município pela Política do “Lixo Zero”, na qual multas são aplicadas, no intuito de mudar uma espécie de cultura construída durante anos. “Joga-se o lixo fora”. Mas fica a pergunta: Fora de onde? De casa? Da loja? Da empresa? Por óbvio, permanece no planeta e contribui para índices alarmantes de problemas ambientais como mudanças climáticas e, portanto, cabe ao Poder Público a indução de novas práticas, além da necessidade de punição para os infratores do sistema normativo sobre meio ambiente. Na iminência de grandes eventos como Copa do Mundo e Olimpíadas na cidade, a transformação precisa ser rápida e eficaz.
Autossustentável: Não Existe Jogar Lixo Fora: Porque Não Existe "Fora"!
Pautada pelo art. 225, caput da Constituição Brasileira, a Política Nacional de Resíduos Sólidos foi elaborada nessa busca de inversão de valores. Incentivam-se boas práticas de sustentabilidade em todas as suas esferas, fomenta-se o mercado de produtos reciclados ou recicláveis, além de direcionar o mercado para ações menos poluentes. Dentre as medidas impostas, o sistema de logística reversa, ou seja, a delegação ao setor empresarial do encargo, independente do serviço público de limpeza, de viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos para reaproveitamento ou destinação final ambientalmente adequada, foi trazida ao modelo a ser adotado. Nesse ponto, cabe mencionar que o art. 33, VI da PNRS [2] insere os agentes do setor produtivo de produtos eletrônicos como obrigados a implantar e estruturar o sistema mencionado e proíbe qualquer forma de destinação dos resíduos sólidos vedadas pelo Poder Público (art. 47 e 48 PNRS).


Cumpre esclarecer que a responsabilidade pelos produtos eletrônicos colocados no mercado de consumo abrange toda a cadeia produtiva, incluindo de fabricantes a comerciantes, e os consumidores corporativos ou pessoas físicas. O sistema impõe uma tríplice e independente responsabilização: cível, administrativa e penal (art. 225, § 3° CF/88), o que pode demandar encargos financeiros futuros.
Autossustentável: Plano Nacional de Resíduos Sólidos - Fluxo de Negócios
Percebe-se, dessa forma, que a possibilidade de “risco” impõe outro tipo de planejamento, sendo que as empresas que perceberem isso, certamente, irão obter vantagens mediante o cenário jurídico em construção. Segue-se, aqui, a máxima: o custo do cuidado é sempre menor do que o do reparo.



[1] Rio Grande do Sul – Lei n°. 13.533/2010; Paraná – Lei n°. 15851/2008; Espírito Santo – Lei n°. 9.941/2012; São Paulo – Lei n°. 13.576/2009- Mato Grosso – Lei n°. 8.876/2008; Mato Grosso do Sul – Lei n°. 3.970/2010; Paraíba – Lei n°. 9.129/2010 e Guarulhos – Lei n° 6.663/2010.
[2] PNRS – Política Nacional de Resíduos Sólidos.

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Materiais Sustentáveis Que Fazem A Diferença: Algodão Orgânico

Com o foco na sustentabilidade, as empresas e os consumidores buscam cada vez mais alternativas para comprar de forma melhor e consciente. Procurar por materiais já não tão alternativos e que usam métodos menos agressivos para o meio ambiente se tornou uma tendência forte na indústria da moda.

Um exemplo muito usado hoje é o algodão orgânico, que surgiu como solução para diminuir o impacto ambiental ocasionado pelo cultivo do algodão comum. As lavouras de algodão comum são as que mais usam agrotóxicos no mundo, provocando intoxicação e morte de agricultores, pássaros, peixes, insetos e muitos outros animais, além de poluírem o ar, o solo, os lençóis freáticos e outras fontes d’água. O algodão orgânico, ao contrário, é obtido através de sistemas sustentáveis, sem a utilização de agrotóxicos, adubos químicos, corantes artificiais ou qualquer outra substancia tóxica aos seres vivos ou ao meio ambiente.

Autossustentável: Algodão Orgânico
Desde o final dos anos 80, muitos agricultores em todo o mundo têm se conscientizado para a necessidade de cultivar algodão com padrões orgânicos e ecológicos. Ao mesmo tempo, muitas indústrias têxteis estão modificando seus processos de fabricação, para reduzir a poluição.

O algodão orgânico é bem parecido com a fibra convencional e possibilita a confecção de diferentes tecidos.  Ao utilizar corantes naturais e até aproveitar as colorações naturais de alguns algodões, surgem novas cores para os produtos. Esse tipo de algodão é produzido em pequenas escalas, o que possibilita que ele seja acompanhado mais de perto. As colheitas são alternadas e são usados predadores naturais no combate às pragas. Mas para ser considerado orgânico, não basta que o algodão seja produzido dessa forma, é preciso também que a tecelagem dispense qualquer tipo de agentes químicos no processo e que substitua a graxa de parafina usada nos teares pela cera de abelha.

Autossustentável: Algodão Orgânico Colorido

Autossustentável: Algodão Orgânico Colorido
Para o cultivo, é exigido que os campos estejam sem o uso de agrotóxicos há pelo menos um ano e que todo o sistema de produção seja inspecionado por um órgão certificador. O cultivo do algodão orgânico evita o adoecimento de cerca de 250 mil agricultores por ano, que seriam contaminados ao ficarem expostos aos venenos usados para controle de pragas. As cooperativas criadas por essa cultura ainda promovem uma relação mais justa entre os pequenos produtores e o mercado. 

O plantio e consumo do algodão orgânico têm muitas vantagens, como a obtenção de preços 30% mais altos que do algodão comum. As técnicas do cultivo também permitem que o solo recupere sua fertilidade e o equilíbrio ambiental que se perderiam com a produção do algodão comum. 

Autossustentável - EDUN - Marca Ecológica do Bono Vox - Algodão Orgânico
A EDUN é a marca ecológica do Bono Vox, vocalista do U2, e de sua esposa Ali Hewson. Ela traz materiais orgânicos, como o algodão colhido por comunidades onde os trabalhadores chegam a ganhar salário acima da média. A EDUN tem a missão de incentivar o desenvolvimento econômico das comunidades sob princípios sustentáveis, principalmente a população africana. Várias peças são inspiradas em cores e texturas das casas de Nairobi, visitadas pela designer da marca. Fonte: http://goo.gl/N8S1qX

O uso do algodão orgânico na indústria da moda já aumentou consideravelmente. Além das marcas que já têm a tendência sustentável, marcas menos ativas na causa já usam em muitas de suas peças. Essas marcas e empresas já vêem isso como uma nova moda e a perspectiva é de um mercado que ainda vai crescer muito.


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