De quem é a conta da Crise Climática? Precisamos falar sobre Racismo Ambiental!

O racismo ambiental acontece quando populações vulneráveis, em sua maioria negras, indígenas e periféricas, são as mais afetadas pela degradação ambiental, pela ausência de saneamento básico e pelos impactos das mudanças climáticas. É uma injustiça que conecta desigualdade social e crise ecológica, revelando quem paga o preço mais alto da degradação.
Segundo a ONU, o racismo ambiental é uma barreira direta para o cumprimento dos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). Ele impede que o direito universal a um ambiente saudável seja garantido e perpetua desigualdades históricas. Mais do que uma questão ecológica, trata-se de um problema social e político, que exige políticas públicas inclusivas e justiça climática e racial.
Territórios em Risco
No Sudeste, comunidades periféricas do Rio de Janeiro convivem há décadas com enchentes recorrentes e esgoto despejado sem tratamento, especialmente na Baía de Guanabara. Dados do IBGE revelam que 49 milhões de pessoas ainda vivem sem acesso adequado a esgoto, e entre pretos e pardos esse número chega a 68,6%, evidenciando a desigualdade racial no saneamento.
No Nordeste, a comunidade Caranguejo Tabaiares, em Recife (PE), é marcada por enchentes constantes que atingem famílias negras e pobres. Em bairros como Dois Carneiros, 73% das ruas alagam com frequência e metade das casas já foi invadida por água acima de um metro. Em 2022, o bairro registrou 24 mortes durante chuvas intensas, tornando-se um dos mais afetados do estado. Em Fortaleza (CE), populações periféricas próximas a manguezais e margens de rios vivem sem infraestrutura de drenagem e saneamento, o que amplia os riscos de enchentes e doenças relacionadas à água.

No Norte, ribeirinhos do Amazonas (AM) e do Pará (PA) sofrem com a contaminação dos rios por mercúrio proveniente do garimpo ilegal, que compromete a saúde e a subsistência de milhares de famílias. Segundo o IPEA, em 2018, cerca de 70% das vítimas de desastres naturais no Brasil eram negras, reforçando a desigualdade racial na exposição a riscos ambientais.
No Centro-Oeste, povos indígenas em estados como Roraima (RR) e Mato Grosso (MT) enfrentam a pressão de empreendimentos ligados ao agronegócio e à mineração, que degradam seus territórios e ameaçam modos de vida ancestrais.
Já no Sul, Porto Alegre (RS) tem vivido enchentes cada vez mais intensas, e os bairros populares são os mais prejudicados pela falta de infraestrutura adequada. Estudos recentes mostram que territórios de maioria preta têm 60% a menos de cobertura vegetal densa, intensificando ilhas de calor urbanas e aumentando a vulnerabilidade climática.
Caminhos de Resistência
Apesar da gravidade dos impactos, existem iniciativas diretas que enfrentam o racismo ambiental e fortalecem comunidades vulneráveis. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) atua em várias regiões denunciando injustiças socioambientais e garantindo direitos de populações atingidas. Em Fortaleza, o Instituto Terramar trabalha com comunidades costeiras e pesqueiras, defendendo territórios frente à especulação imobiliária e poluição. Em Recife, a Rede de Mulheres Negras para Soberania e Segurança Alimentar fortalece mulheres negras em territórios vulneráveis e promove alternativas sustentáveis de produção e alimentação.

No plano nacional, a Coalizão Negra por Direitos conecta racismo estrutural e ambiental, pressionando por políticas públicas inclusivas. Já o Observatório Nacional de Justiça Socioambiental e o MapBiomas produzem dados e análises que evidenciam como populações negras e periféricas são mais expostas a riscos ambientais, fortalecendo o debate público e a formulação de políticas.
Caminhos para a Justiça
Combater o racismo ambiental é lutar por justiça climática e racial. Isso exige políticas públicas inclusivas, empresas responsáveis e cidadãos conscientes. Não basta denunciar: é preciso propor soluções e apoiar iniciativas que transformem territórios e vidas.

O futuro sustentável só será possível se for também um futuro justo. Apoiar movimentos comunitários, exigir transparência das empresas e pressionar governos por políticas socioambientais é um dever coletivo.

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Saiba como colocá-lo nas referências:
MOURA, Ana Cláudia. De quem é a conta da Crise Climática? Precisamos falar sobre Racismo Ambiental! Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2026/08/de-quem-e-a-conta-da-crise-climatica-precisamos-falar-sobre-racismo-ambiental.html>.
Referências e Sugestões de Leitura:
- COALIZÃO NEGRA POR DIREITOS. Coalizão Negra por Direitos. Disponível em: https://coalizaonegrapordireitos.org.br/.
- IBGE. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Censo Demográfico 2022: saneamento básico e condições de domicílios. Rio de Janeiro: IBGE, 2024. Disponível em: https://sidra.ibge.gov.br/.
- INSTITUTO TERRAMAR. Instituto Terramar. Fortaleza, 2026. Disponível em: https://institutoterramar.org.br/.
- IPEA; GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra; OBSERVATÓRIO DO CLIMA. Relatório síntese: Dados, Raça, Gênero e Clima. Brasília: IPEA, 2025. Disponível em: https://www.ipea.gov.br.
- MAPBIOMAS. Relatório Anual de Cobertura e Uso da Terra no Brasil. São Paulo: MapBiomas, 2025. Disponível em: https://mapbiomas.org.
- MOVIMENTO DOS ATINGIDOS POR BARRAGENS (MAB). Movimento dos Atingidos por Barragens. São Paulo, 2026. Disponível em: https://mab.org.br/.
- OBSERVATÓRIO NACIONAL DE JUSTIÇA SOCIOAMBIENTAL. Observatório Nacional de Justiça Socioambiental. Brasília, 2026. Disponível em: https://observatoriodejusticasocioambiental.org.
- ONU BRASIL. Organização das Nações Unidas. Glossário de Termos do ODS 18 – Igualdade Étnico-Racial. Brasília: ONU Brasil, 2026. Disponível em: https://brasil.un.org.
- REDE DE MULHERES NEGRAS PARA SOBERANIA E SEGURANÇA ALIMENTAR. Rede de Mulheres Negras. Recife, 2026. Disponível em: https://www.facebook.com/redemulheresnegras.
Declaração de Transparência sobre Uso de Inteligência Artificial
Este artigo foi elaborado com o auxílio de inteligência artificial Microsoft Copilot para revisão e alinhamento editorial.
Impaquitante, Real e Emocionante.
Parabéns pelo artigo
Gostei muito desse artigo. Não conhecia o termo “racismo ambiental”, mas faz muito sentido e ficou muito claro depois da leitura. Gostei também do cuidado de indicar onde foi usada IA na produção do texto, isso é raro de ver e deveria ser padrão. E o call to action no final é importantíssimo: muitos textos jornalísticos param na exposição do problema e não indicam nenhum caminho de ação.
Querida, Ana Cláudia
Parabéns pelo artigo. Os problemas climáticos quando personalizados pelas pessoas que são as prncipais vítimas chegam mais perto e produzem uma maior sensibilização. O racismo ambiental nos coloca frente a frente com as grandes diferenças sociais que enfrentamos neste país. O texto mobiliza reflexões a respeito.
Um abraço
Ivete
Querida Ivete,
Muito obrigada pela leitura generosa e pelo carinho nas palavras. Fico feliz que o texto tenha provocado reflexões — é exatamente esse movimento de sensibilização que precisamos para enfrentar as desigualdades e os impactos climáticos.
Um cainhoso abraço!
Ana Cláudia
Querida Ana, parabéns pelo artigo. Trazer o racismo ambiental para essa discussão é muito importante, porque os efeitos da degradação ambiental não atingem todos da mesma maneira, e os mais vulneráveis acabam pagando uma conta muito maior. Um tema necessário e que precisa ser cada vez mais discutido.
Elena,
Agradeço imensamente pelas palavras. Trazer o racismo ambiental para o debate é abrir os olhos para desigualdades que se multiplicam diante da degradação. Que possamos seguir ampliando essa discussão, para que a justiça alcance também os mais vulneráveis.
Com carinho!
Ana Cláudia
Ana Cláudia,
Você tocou em um assunto muito sensível mas, extremamente importante! Eu, como mulher preta e não periférica, graças à resiliência de minha mãe, que não aceitava que tínhamos que buscar água potável para ser consumida em nossa casa. Sabemos que em todas as regiões do Brasil, as pessoas pretas e pardas, por falta de oportunidade, são as mais sofridas com todo tipo de racismo.
Parabéns pelo artigo “Caminhos para Justiça.”
Orgulho de fazermos parte do mesmo grupo.
Muito grata,
Cida
Testemunho dos mais importantes!
Emocionante!!!
Querida Cida,
Sua partilha emociona e fortalece. É justamente nas histórias de resistência como a da sua mãe que encontramos inspiração para seguir lutando contra o racismo ambiental e social. Que possamos transformar dor em justiça e esperança.
Com carinho!!!
Ana Cláudia
Estimada Cadinha ;
Excelente, parabéns pela iniciativa. Precisa fazer uma correlação com esses dados e com a educação, creio que teremos respostas .
Betto, meu querido,
Muito obrigada pelo carinho e pela leitura atenta. A correlação entre os dados e a educação é realmente fundamental. É nesse encontro que surgem caminhos e respostas transformadoras.
Um carinhoso abraço!
Cadinha
Querida Susanna,
Muito obrigada pelas suas palavras tão generosas. Fico feliz que o artigo e o “Caminhos para a Justiça” tenham ressoado com você, pois acredito que dar voz a quem enfrenta os problemas é essencial para avançarmos contra o Racismo Ambiental.
O Summit Mulheres nas Profissões (Grupo Mulheres do Brasil) realmente trouxe reflexões valiosas, e seu apoio é um estímulo precioso para seguir nesse caminho.
Com carinho e gratidão!
Ana Cláudia
Parabéns, Ana Cláudia, pela pesquisa que deu origem a este importante artigo.
Na minha opinião, apontar problemas apresentando quem os enfrenta é uma maneira positiva de abordá-los.
Além disso, seu ‘Caminhos para a Justiça’ já traça corretamente a rota para um futuro mais justo para combatermos o tão nefasto Racismo Ambiental que ainda nos assola.
Fico contente que o 1o. Summit Mulheres nas Profissões, organizado pelo Grupo Mulheres do Brasil no início deste mês, tenha te trazido essa reflexão.
Querida Susanna,
Muito obrigada pelas suas palavras tão generosas. Fico feliz que o artigo e o “Caminhos para a Justiça” tenham ressoado com você, pois acredito que dar voz a quem enfrenta os problemas é essencial para avançarmos contra o Racismo Ambiental.
O Summit Mulheres nas Profissões (Grupo Mulheres do Brasil) realmente trouxe reflexões valiosas, e seu apoio é um estímulo precioso para seguir nesse caminho.
Com carinho e gratidão!
Ana Cláudia