Apaixonada por biblioteca ou compradora de livros? O limite tênue entre o afeto, a escassez e o consumo!

Quando o amor pela leitura e a sensação de escassez se transformam em prateleiras cheias e no desejo de colecionar histórias.

Desde que me casei, meu marido questiona o porquê eu ter tantos livros e continuar comprando. Ainda que nem sempre eu os leia logo na sequência da compra.

Qual o significado desta acumulação de livros para uso exclusivo e privado? Será que é amor ou necessidade de preenchimento? Quando foi que o prazer de estar na biblioteca rodeada de livros, cheia de novos capítulos a cada passo, deleitando-se com a infinidade à minha disposição se transformou em uma busca, um desejo e um prazer que tenho escondido dentro de casa?

Há alguns dias tive acesso pelas redes sociais a um vídeo da autora Tamara Klink que mencionava a questão de que o “efeito manada” estava ocorrendo com o livro dela, fazendo com que vários outros permanecessem nas prateleiras sem possibilidade de receberem atenção. No caso da autora citada, talvez a necessidade de inclusão no diálogo e de estar atualizado com as últimas novidades tenha falado mais alto para que milhares de pessoas tenham comprado o mesmo livro.

É comum que façamos, enquanto professores, estudiosos e simpatizantes, a indicação de obras que estamos lendo ou que tivemos aquele sentimento maravilhoso de que todos deveriam conhecer. Também é comum que queiramos que alguns exemplares preciosos fiquem à nossa disposição na mesa de cabeceira. Mas, estou falando de 6 a 10 livros preferidos.

Quando estava na faculdade, participei de grupos de estudos e uma das tarefas que os alunos bolsistas tinham era analisar todos os encartes de editoras e escolher novos livros para serem adquiridos pela biblioteca. Para mim era um sonho poder dizer que livro eu queria e tê-lo à disposição.

Ao sair da graduação, e mudar do RS para SP, senti na pele o que era não ter acesso à biblioteca. Conversei por telefone com várias universidades e faculdades de Santos para descobrir em quais dias e horários eu poderia frequentar a biblioteca como público/ comunidade e não mais como aluna. Foi um choque de realidade para alguém que desfrutava da biblioteca em qualquer dia e qualquer horário.

Talvez tenha sido aí que iniciei a minha biblioteca profissional, pois como advogada utilizo muitas fontes bibliográficas no meu trabalho. Como já estava em outro estado, passei um período inicial de adaptação em que não trabalhei e apenas cursei o mestrado.

Neste período a minha biblioteca explodiu. Livros técnicos começaram a se somar com livros de culinária, psicologia, gestão de empresas, filosofia, saúde, artes e engenharia. Tanto que ao fim do mestrado fiz uma doação especial de Natal e encaminhei, via Correios. Livros foram enviados para todos os que disseram na minha postagem de rede social que gostariam de algum dos exemplares que eu disponibilizei.

Isso não significa que de lá para cá a biblioteca tenha diminuído. Pelo contrário, novas questões se juntaram e novos interesses agregaram livros que se espalham hoje por todos os cômodos da casa.

O fato de ter o acesso restrito a biblioteca, mais que significar tão somente a necessidade de me organizar, fez com que eu passasse a experimentar o que os marqueteiros chamam de escassez. Uma grande fonte de disposição para ir em busca de forma impulsiva daquele objeto de afeto.

Seja por necessidade, por oportunidade ou por desejo, o fato é que temos a disponibilidade de produtos de uma forma nunca vista antes. Se antes a biblioteca era o único meio de acessar todo esse mundo, agora passamos a buscar outras formas de acessar o conhecimento e o entretenimento das palavras.

Foi meu marido que me fez acordar quando perguntou se eu ia começar a catalogar os livros de casa, pois estava exigindo dele ordem na acomodação das prateleiras. Então percebi o grande número que se acumulou de livros e a necessidade de organizá-los. Talvez seja o momento em que comecei a me questionar: como isso começou? Qual a minha motivação? Qual a finalidade de ter tudo isso em casa?

E você, já se questionou antes de comprar algo indicado nas redes sociais? Pensou no seu desejo/ sonho de consumo. Quantas coisas você tem em casa que foram compradas e nunca usadas? Qual é a quantidade razoável de itens que devemos ter em casa?

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Saiba como colocá-lo nas referências:

STEFFEN, Janaína. Apaixonada por biblioteca ou compradora de livros? O limite tênue entre o afeto, a escassez e o consumo! Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2026/10/apaixonada-por-biblioteca-ou-compradora-de-livros-o-limite-tenue-entre-o-afeto-a-escassez-e-o-consumo.html>.

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