Por que tratar a sustentabilidade de forma transversal é o único caminho para o futuro?

Por que a sustentabilidade ainda é vista como tarefa de um único departamento e como podemos mudar isso?

A definição de Desenvolvimento Sustentável (ou Sustentabilidade como é mais utilizado atualmente), foi criada em 1987, e publicada no Relatório Nosso Futuro Comum, durante a Conferência de Brundtland, da ONU. Utilizando essa definição, Sustentabilidade “é a capacidade de suprir as necessidades do presente sem comprometer a capacidade de as futuras gerações atenderem às suas próprias necessidades.”

O que você entende quando lê essa definição? Que essa responsabilidade por garantir que as futuras gerações tenham acesso aos mesmos recursos que temos hoje é de outras pessoas e/ou organizações ou é uma responsabilidade coletiva?

Atuo há mais de 15 anos com Sustentabilidade Corporativa e posso afirmar que a área cresceu exponencialmente. O que é fantástico! Nunca se falou tanto sobre os nossos impactos no Planeta Terra e para onde eles estão nos levando e, apesar de eu ser uma entusiasta de olhar o lado cheio do copo, nós precisamos avançar.

Atualmente, qualquer organização que pretende se manter viva nos próximos anos, precisa incluir a Sustentabilidade na sua estratégia de negócio. Não há outra forma. Grandes empresas já fazem isso e possuem uma área específica que cuida dessa estratégia. E é aí que vem o X da questão e a evolução necessária que eu estou falando.

Durante esses anos de atuação em grandes empresas, eu desenvolvi e estruturei alguns programas de fomento a cultura para sustentabilidade, tanto para públicos operacionais, quanto para cargos de liderança. Estes, tiveram o objetivo de formar protagonistas no tema e trazer essa responsabilização para si. Alavancar a Sustentabilidade como fator de decisão nas escolhas diárias desses profissionais. Elevar a Sustentabilidade como um ponto crucial e inegociável na tomada de decisão.

Foram anos com esses programas e os mesmos trouxeram grandes resultados, não somente em indicadores de sustentabilidade globais, como financeiros. Pois, ao contrário do que muitos pensam, o investimento em Sustentabilidade não é caro, caro é não fazer nada.

Esses resultados só comprovam, em números, o que sempre defendi:A Sustentabilidade nunca é algo que caminha sozinha. Ela se desenvolve e se fortalece no coletivo, em rede, nas parcerias entre diversos atores, diversos setores que se unem e cooperam. É a unificação dos múltiplos saberes e olhares para um objetivo comum, que está lá no primeiro parágrafo desse artigo. E é o resultado real de que quando trabalhamos juntos, em prol de um bem comum, as coisas acontecem.

Como conteúdo e curiosidade, eu pedi para profissionais de diversas áreas, como: marketing, músicos, jornalistas, professores, médicos, engenheiros ambientais, fotógrafos, profissionais informais, técnicos e etc, que respondessem duas perguntas para conversarmos sobre a importância de tratarmos a Sustentabilidade de forma transversal. As perguntas foram as seguintes:

  1. Como você vê hoje, dentro da sua área de atuação, que a Sustentabilidade está inserida (ou deve ser inserida)?
  2. Qual a importância da temática para o seu dia a dia, dentro da sua profissão?

E para a minha “surpresa”, recebi a maioria das respostas de colegas de profissão, ou seja, profissionais da área de meio ambiente/sustentabilidade, o que, por si só, já explica muita coisa, certo?

Ainda estamos distantes desse avanço necessário, que pede que nos responsabilizemos por nossas escolhas. De incluirmos a Sustentabilidade como ponto chave nas nossas decisões, assim como avaliamos outros pontos, como econômicos, de segurança, de saúde, entre outros.

Crescemos, enquanto pessoas preocupadas com as questões ambientais, com os efeitos das mudanças climáticas, com a poluição plástica, com a justiça social, com as condições de trabalho e etc, mas precisamos de mais! Precisamos nos questionar, nos auto avaliar, nos incomodar. Dia após dia.

Para fechar, entendo que a Sustentabilidade é uma construção permanente e que sempre deve ser fortalecida. Ela não pode continuar sendo tratada apenas como um tema ou uma área específica de trabalho, mas como uma forma de olhar para os desafios e oportunidades de maneira mais ampla e integrada.

Acredito muito e defendo, que ainda há espaço para que esse olhar esteja mais enraizado em outras áreas e setores, tornando-se um valor compartilhado e incorporado de forma natural aos processos de trabalho e à tomada de decisões.

E que sigamos assim, construindo e ampliando esses espaços. Sempre nos perguntando: O que as minhas escolhas movimentam ou querem movimentar? Todos nós podemos contribuir com essa jornada. Todos.

Quer se aprofundar mais no assunto?

Dicas de Livros:

  • Design de Culturas Regenerativas, de Daniel Christian Wahl
  • Impacto Positivo – Como empresas corajosas prosperam dando mais do que tiram, de Paul Polman e Andrew Winston

Gostou do nosso conteúdo e quer utilizar parte deste artigo? Não esqueça de nos citar!
Saiba como colocá-lo nas referências:

BARROS, Giselle de. Por que tratar a sustentabilidade de forma transversal é o único caminho para o futuro? Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2026/10/por-que-tratar-a-sustentabilidade-de-forma-transversal-e-o-unico-caminho-para-o-futuro.html>.

Leave a comment

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *