Mês passado terminei um livro muito interessante chamado “Utopia para os Realistas”, do historiador holandês, Rutger Bregman. O autor se propõe a abordar o conceito de utopia em uma perspectiva muito atual e contextualizada com nossos desafios contemporâneos.
Uma das discussões iniciais e muito interessantes que o autor traz, por exemplo, é a utopia de acabar com a pobreza. Segundo ele, uma das estratégias possíveis é conceder uma renda mínima para as pessoas, sem questioná-las ou controla-las em relação a maneira como usarão esse dinheiro. Uma crença bem comum é de que isso gera mais comodismo e preguiça. Porém o autor apresenta estudos reais nos quais a situação não foi de mais preguiça, mas de um aumento na qualidade de vida das pessoas e da comunidade de maneira geral.
Outros aspectos trazidos no livro foram em relação à maneira como trabalhamos, no qual uma jornada de 15 horas semanais é trazida como utopia e ainda muito distante da realidade como vivemos hoje. Também é discutida a questão de migração, desigualdade enorme entre países e dentro deles, globalização, economia e uso de tecnologias.
Terminado o livro fiquei me perguntando: qual é a minha utopia? Como seria o mundo ideal na minha visão?
Uma das coisas que eu me lembrei foram os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Os ODS são uma agenda de 15 anos, composta por 17 objetivos e 169 metas que precisamos alcançar até 2030. Quando compartilhamos essa agenda para muitos educadores e alunos com os quais trabalho, muitos consideram esses objetivos utópicos. “Impossível acabarmos com a fome e pobreza extrema até 2030”, é uma das coisas que escuto constantemente.
Compreendo que utopia é um conceito bem diferente de objetivos e metas, porém entendo a visão dessas pessoas. Para muitas, é algo tão distante que não consideram como factíveis, como metas reais. Entretanto, os ODS têm uma função muito importante: eles servem como um norte, um direcionamento, o horizonte para o qual temos que caminhar – assim como a utopia:
“A utopia está no horizonte. Eu me movo dois passos em sua direção; ela se move dois passos para mais longe. Eu ando 10 passos e o horizonte corre 10 passos mais longe. Por mais que eu ande, nunca a alcançarei. Então qual é o propósito da utopia? O propósito é este: continuar caminhando“. (Eduardo Galeano)
Em um mundo com tantos desafios, com a vida muitas vezes sufocada pela rotina, convido você a parar por alguns minutos e se perguntar: qual é a sua utopia?
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ABREU, Nathália. Qual é a sua utopia?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/qual-e-a-sua-utopia.html>.
8ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental exibe de graça mais de 130 filmes em São Paulo
Amanhã começa a 8ª Mostra Ecofalante de Cinema – são mais de 130 filmes de 32 países diferentes em várias salas de São Paulo, tudo de graça! Venham!
A 8ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental é considerado o mais importante evento audiovisual dedicado ao tema socioambiental da América do Sul. Todas as atividades são gratuitas e acontecem de 29 de maio a 12 de junho, em diversas salas de São Paulo.
A Mostra Ecofalante começa com diversas atrações em todos os seus programas, todas elas gratuitas! Só de filmes serão 133 filmes, de 32 países.
Quer saber mais sobre a programação? A gente conta!
Panorama Histórico
O Panorama Histórico traz o tema A Crise das Utopias e o Cinema Militante Pós-68 (com obras assinadas por grande diretores do cinema). Inédita, a seleção reflete sobre o mundo e a sociedade que se seguiram à grande efervescência cultural dos anos 1960.
Homenagem ao cineasta e diretor brasileiro Silvio Tendler
O homenageado desta edição, o brasileiro Silvio Tendler, merece uma mostra com onze títulos, incluindo obras de referência como “Os Anos JK – Uma Trajetória Política” (1980) e “Jango” (1984), duas das maiores bilheterias do cinema documental brasileiro de todos os tempos.
Mostra Brasil Manifesto
Já o novo programa Mostra Brasil Manifesto traz títulos recentes assinados por diretores brasileiros de destaque, como “Amazônia, o Despertar da Florestania” da atriz Christiane Torloni e do cineasta Miguel Przewodowski; “Frans Krajcberg: Manifesto”, da realizadora Regina Jehá; a nova produção do premiado diretor Orlando Sena, “A Idade da Água”; o inédito “O Amigo do Rei”, de André D’Elia, (diretor de “Ser Tão Velho Cerrado”, vencedor em 2018 do prêmio de público da Mostra Ecofalante); e o longa-metragem, assinado por André di Mauro, “Humberto Mauro”, homenagem ao importante realizador pioneiro.
Panorama Internacional Contemporâneo
Um dos principais focos da programação do festival, reúne 44 obras e se organiza em sete eixos temáticos: Cidades, Economia, Povos & Lugares, Recursos Naturais, Saúde, Sociobiodiversidade e Trabalho.
Competição Latino-Americana
Um total de 24 produções estão incluídas na Competição Latino-Americana deste ano, representando obras da Argentina, Brasil, Colômbia, México, Peru e Venezuela. No júri, estão os cineastas Tadeu Jungle e Lina Chamie, além do crítico Heitor Augusto.
Concurso Curta Ecofalante
Reúne 13 títulos, com trabalhos produzidos em Alagoas, Minas Gerais, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, São Paulo e Santa Catarina, completando todas as regiões do país.
Sessão Infantil
Traz cinco curta-metragens exibidos em grandes e importantes festivais internacionais, como o Short Film Corner do Festival de Cannes, Festival de Animação de Annecy, Animamundi e Dok Leipzig.
Entre as atividades paralelas, ganha destaque a segunda edição do Seminário de Cinema e Educação, uma reflexão sobre o potencial pedagógico do uso do cinema na escola, em uma realização do Sesc São Paulo e da Ecofalante.
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SOUZA, L. B. Leonardo. 8ª Mostra Ecofalante de Cinema Ambiental exibe de graça mais de 130 filmes em São Paulo. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/8-mostra-ecofalante-de-cinema-ambiental.html>.
Objetivos de uma alimentação sustentável e consciente, além do conteúdo do prato
Avançamos bastante na tomada de consciência sobre como fomentar a prática de uma alimentação de fato sustentável e consciente e estávamos indo rumo a um despertar e engajamento, interessante, profundo e cooperativo. É nítido, que houve uma mudança comportamental e no padrão de consumo, nos tipos de escolhas alimentares e nos projetos que surgiram pelo caminho. Ainda há muito o que caminhar, mas é inegável que demos alguns passos em direção à melhoria. Essa era uma realidade positiva que brotava diante de nós!
Junto desse cenário, precisamos compreender realmente o que é uma alimentação sustentável e consciente para poder acompanhar e exigir medidas sérias para que continuemos rumo a melhorias. É preciso ir além do conteúdo do prato e do tipo de embalagem, ir além do tipo de dieta escolhida. Há muito mais. Há um movimento de entrega no ato do consumo e como está a qualidade do que estamos entregando ao planeta e a todos os outros que conosco compartilham o espaço Terra, país, cidade, bairro?
Olhar além do prato
Há atitudes e práticas para que exista a realidade alimentar e sustentável que tanto buscamos:
Produção segura de alimentos que são de fato nutritivos: Da forma mais natural possível, minimizando a mecanização de processos nocivos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Atualmente a produção de alimentos tornou-se tão acelerada para atender demandas, que aquilo que é oferecido nem sempre mantém sua qualidade original. Outro aspecto, dentro disso, é que é necessário existir engajamento no cuidado ambiental e políticas ambientais sérias dentro de empresas para que tenhamos um sistema alimentar seguro, confiável e principalmente acessível.
Informações sobre alimentos de maneira democrática e clara: Quando não se tem um rótulo confiável, colocamos em risco a saúde de milhares. Promover mais essa clareza e menos os interesses de corporações que visam apenas o lucro e o espaço no mercado.
Fornecimento de soluções criativas, sustentáveis e naturais para o combate da fome, através de políticas públicas e por meio da acessibilidade a alimentos orgânicos. Aqui, vale acrescentar que precisamos inclusive, sair da ideia de alimentos salvadores e milagrosos, deixar de lado a proposta de “rações” e partir para o incentivo da agricultura familiar e de comunidades cooperativas. A tal e linda “comida de verdade”.
Nos grandes centros urbanos é preciso criar espaço para que o consumo seja consciente, não apenas através da abertura de feiras orgânicas e programas de atividades sobre tomada de consciência. É preciso criar uma “rotina de lembretes” diária sobre as seguintes questões: Preciso realmente? O que farei com aquilo que já tenho em minha geladeira? Irei dispensar a embalagem plástica e levar minhas sacolas…. Trata-se de uma reeducação que antes de tudo, começa em nosso pensamento, em nossa casa. Quando nos reeducamos, aquele que nos fornece vai se reeducar sobre o que e como nos oferece seus produtos.
Minimizar etapas intermediárias sobre os alimentos que nos chegam. Quanto menos deslocamentos dos produtos menos poluição, menos desperdício e mais oportunidades para produtores locais e para que a economia local se favoreça.
Entendimento de comer é um ato político, sim. Muitos de nós, podemos escolher aquilo que vamos consumir e sabemos bem o impacto que nosso consumo tem. Impacto este, que afeta nossa saúde e a saúde do planeta. Podemos deixar de financiar empresas nocivas ao meio e que não cooperam com a dignidade e com a inclusão daqueles que trabalham para elas.
Consciência de que existe fome e miséria nos torna mais humanos e engajados. Além de nosso prato, nem sempre existem pratos e se existem, muitos estão vazios. Aqui, não se trata de caridade, mas de entendimento sobre os impactos da concentração de renda em grupos reduzidos e do quanto somos também responsáveis pela situação. Há desperdício, há financiamento inconsciente de marcas e empresas ambiciosas, há apoio a ideias excludentes de gestores e há muitos hábitos cotidianos que criam esse cenário de fome e miséria.
Estamos todos no mesmo planeta. Nossas escolhas e práticas, nossas ideias, aquilo que apoiamos, são pilares para uma sociedade sustentável, saudável ou doente. Cabe sempre a nós decidir.
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AMORES, Valéria. Objetivos de uma alimentação sustentável e consciente, além do conteúdo do prato. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/alimentacao-sustentavel-consciente.html>.
Fundo Amazônia e Proteção Ambiental: para além de políticas pontuais
Nos últimos dias, divulgou-se a ingerência do Governo Federal e a pasta do Meio Ambiente, capitaneada pelo Min. Ricardo Salles, na área do BNDES que trata do Fundo Amazônia, o que resultou na demissão de uma das diretoras responsáveis pela área de meio ambiente do Banco.
O Fundo Amazônia foi instituído pelo Decreto Federal nº. 6527/2008 que estabelece que o BNDES é “autorizado a destinar o valor das doações recebidas em espécie, apropriadas em conta específica denominada Fundo Amazônia, para a realização de aplicações não reembolsáveis em ações de prevenção, monitoramento e combate ao desmatamento e de promoção da conservação e do uso sustentável da Amazônia Legal, o qual contemplará as seguintes áreas:
(i) gestão de florestas públicas e áreas protegidas;
(ii) controle, monitoramento e fiscalização ambiental;
(iii) manejo florestal sustentável;
(iv) atividades econômicas desenvolvidas a partir do uso sustentável da vegetação;
(v) Zoneamento Ecológico e Econômico, ordenamento territorial e regularização fundiária;
(vi) conservação e uso sustentável da biodiversidade; e
(vii) recuperação de áreas desmatadas”.
Segundo o site oficial do Fundo Amazônia, “a captação de recursos para o Fundo Amazônia é condicionada pela redução das emissões de gases de efeito estufa oriundas do desmatamento, ou seja, é preciso comprovar a redução do desmatamento na Amazônia para viabilizar a captação de novos recursos”.
Em 2017, por exemplo, o Governo da Noruega fez uma doação de 70 milhões de reais para o Fundo Amazônia, sendo que hoje em dia, o valor doado chega ao montante de mais de R$ 1,2 bilhão. O Governo Alemão, por sua vez, fez doações de R$ 68,1 milhões e a Petrobrás de R$ 7,7 milhões. Assim, os altos valores envolvidos para a preservação da Amazônia demonstram a importância do tema ou, aliás, a importância que deveria ser dada ao tema por qualquer governo que seja comprometido com a preservação ambiental, com as mudanças climáticas e com os compromissos assinados pelo Brasil em Tratados e Protocolos Internacionais como o Acordo de Paris.
Imagem: Creative Commons
As questões ambientais rompem fronteiras e, por isso, problemas relacionados com o clima na Amazônia são problemas universais. Como se sabe, a Amazônia é conhecida internacionalmente por suas belezas naturais, mas também por contribuir com o clima terrestre.
Nesse tanto, cumpre destacar que acima de governos pontuais as políticas públicas devem ser eficientes e estritamente voltadas para o cumprimento das normas nacionais e internacionais. A demissão da diretora é mais um indício dos (des)governos ambientais dos últimos anos e, em especial, dos últimos meses.
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PIRES, Felipe. Fundo Amazônia e Proteção Ambiental: para além de políticas pontuais. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/fundo-amazonia-protecao-ambiental.html>.
Como ser sustentável no dia a dia
O termo sustentabilidade muitas vezes parece complexo e difícil de colocar em prática no dia a dia. Pensando nisso, separamos algumas ações sustentáveis que conforme praticadas constantemente acabam se tornando facilmente um hábito, deixando assim de ser uma atividade regular que exige disciplina para se tornar um costume, ou seja, algo super natural que você executa sem esforço, sofrimento e sem se policiar, mas que causa um impacto significativo.
A Regra dos 5’R – Reduzir, reciclar, reutilizar, repensar e recusar.
Reduzir o consumo, de tudo! Ao reduzir o consumo você também reduz o consumo dos mais diversos tipos de recursos naturais, que vão desde a matéria prima do item final, até o necessário para o desenvolvimento da embalagem.
Repensar sua forma de consumo, fazendo aquela pergunta básica: Eu preciso mesmo disso? Quando você consome de forma mais consciente, além de economizar dinheiro você passar a utilizar melhor itens que você já tem, sejam eles de moda, eletrodomésticos, imóveis, etc.
Reciclar tudo que for possível. Há vários sites que ensinam o que pode e não pode ser reciclado e como separar os materiais, onde descartar e etc. Os materiais reciclados terão nova vida útil, o que prolonga seu ciclo de vida e evita o uso de novos recursos naturais.
Reutilizar ao máximo um item. As dicas anteriores servem aqui também e a criatividade é fundamental nesse aspecto.
Recusar todo tipo de produto e/ou empresa que não for voltada para o desenvolvimento sustentável, ou seja, que não tenham a preocupação com o meio ambiente e com as pessoas e/ou sejam prejudiciais à natureza e à sociedade. É nosso papel instigar que o mercado tenha um olhar mais consciente e que empresas e órgãos entendam o seu papel na busca por um mundo melhor.
Imagem: Creative Commons
Optar por produtos e/ou empresas que investem na redução do consumo de recursos naturais, que adotem processos cada vez menos agressivos aos meio ambiente, que busquem soluções inovadoras, mas sempre respeitando a natureza o ser humano, que estejam em conformidade com as leis, que valorize as pessoas e tenha práticas comerciais éticas. Quando valorizamos iniciativas assim estamos automaticamente ditando as regras do jogo. O consumidor tem todo o poder na mão, basta exercê-lo.
Evitar o consumo de produtos que tenham muitas embalagens e/ou que estas não sejam recicláveis. Às vezes você vai comprar um pack de algum produto, visando a economia, e cada item vem embalado separadamente por um plástico, mais uma caixinha e as várias caixinhas dentro de uma caixa maior. Desnecessário né gente?! As sacolas retornáveis foram uma sacada legal dos supermercados, mas eu particularmente continuo gostando mais de pedir uma caixa de papelão; é mais fácil para carregar e a sacola eu sempre esqueço, a caixa de papelão é só pedir no caixa e depois colocar para reciclar. Se a sacola plástica for a única opção em algum momento, não deixe de reutilizá-la depois e reciclar quando não for mais possível usar.
Pratique a carona solidária. Se estivéssemos em um país desenvolvido eu diria para usar o transporte público, mas como infelizmente não é o nosso caso no Brasil, otimize as viagens. Se for possível e seguro, opte pela bike, é menos poluente e ainda pratica um exercício físico.
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Na hora de lavar a roupa acumule o suficiente para utilizar o nível máximo da maquina, assim você otimiza água e luz. O mesmo serve para o ferro de passar.
Apague as luzes dos cômodos onde não houver ninguém e desligue os aparelhosdomésticos que não estiverem sendo utilizados. Como li em uma repartição pública: luz que se apaga, não se paga! Tá valendo! Vale atentar também para o Selo Procel de Eficiência Energética. Prefira sempre os das categorias A e B.
Fique atento às campanhas de incentivo, como descontos na aquisição de equipamentos eletrônicos e eletrodomésticos que consomem menos energia, troca de matriz energética como é o caso dos equipamentos para energia solar, entre outros. Geralmente as oportunidades de negócio são altamente vantajosas para o consumidor tanto no momento da aquisição como na redução de custo a longo prazo.
O Instituto Akatu, uma organização não governamental sem fins lucrativos que trabalha pela conscientização e mobilização da sociedade para o consumo consciente, desenvolveu um material com dicas em tópicos, como “Resíduos”, “Dinheiro e Crédito”, entre outros, que também vão te ajudar na adoção de práticas sustentáveis no seu dia a dia.
E você, também tem alguma dica? Então compartilha com a gente!
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Saiba como colocá-lo nas referências:
LOPPNOW, Stephani. Como ser sustentável no dia a dia. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/como-ser-sustentavel-dia-a-dia.html>.
Dia Mundial da Reciclagem – Visitando Centro de Reciclagem
O dia 17 de maio é conhecido como Dia Mundial da Reciclagem. A data, instituída pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência, e a Cultura, é um convite à reflexão sobre nossa relação com o consumo e com os impactos desse nosso modo de vida sobre o meio ambiente e as relações sociais.
Imagem: Creative Commons
A Reciclagem é um dos 7 R’s da sustentabilidade (para ler sobre o assunto, clique aqui), juntamente com Repensar, Recusar, Reduzir, Reparar, Reintegrar e Reutilizar, e faz parte do processo de educação ambiental (para sustentabilidade) que tem como propósito a mudança de hábitos em nosso cotidiano para que possamos garantir um futuro mais sustentável para o planeta e, consequentemente, para nós.
Por isso, é necessário repensar e ressignificar o ato de consumir e avaliar como a empresa responsável pelo produto que se deseja consumir vem agindo em relação a todo o clico de vida do produto, desde a extração da matéria-prima até o pós-venda do produto, onde a logística reversa representa ponto de grande importância.
Nós consumidores possuímos um papel decisivo e de extrema relevância: exigir que as empresas das quais consumimos estejam cada vez mais voltadas para questões socio-ambientais apresentando soluções para os resíduos gerados pós-consumo. Foi desta forma que fomos convidados a conhecer o Centro de Reciclagem da Nespresso Brasil.
Visita ao Centro de Reciclagem da Nespresso. / Imagem: Nathália Abreu/Autossustentável
As cápsulas de café representam grande preocupação quando pensamos na quantidade de resíduos gerados pelo consumo deste produto. Os materiais usados para a produção dessas cápsulas variam de empresa para empresa, sendo usados, majoritariamente, plástico e alumínio (este último é a matéria-prima das cápsulas da Nespresso). Há também as cápsulas que começam a ser produzidas com materiais biodegradáveis.
No Brasil o mercado para café em cápsulas ainda é relativamente novo quando comparado com outros países em que esse consumo é mais difuso, como no caso de países europeus. No entanto, o descarte dessas cápsulas, quando consideramos todo mercado consumidor, acontece em grande parte de forma incorreta. Falta de estrutura de coleta seletiva dos municípios, desinformação de grande parte dos consumidores sobre a importância do descarte correto e da reciclagem, baixa aplicabilidade de logística reversa por parte das empresas comercializam esse produto (empresas fabricantes, supermercados e lojas revendedoras) são os principais motivos para o descarte incorreto das cápsulas de café.
Tanto a logística reversa como a coleta seletiva são instrumentos previstos pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) instituída em 2010 (para ler sobre o assunto, clique aqui). Mas o que seria a logística reversa? É a responsabilidade compartilhada entre empresas, governos e consumidores sobre a destinação correta de produtos ao final de sua vida útil. A logística reversa consiste em um conjunto de ações destinadas a facilitar o retorno dos resíduos sólidos aos seus geradores, para reaproveitamento em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada (para ler sobre o assunto, clique aqui).
Visita ao Centro de Reciclagem da Nespresso
A convite da Nespresso Brasil fomos conhecer, na última terça-feira, o Centro de Reciclagem da empresa, situado em Osasco/SP.
Centro de Reciclagem Nespresso. / Imagem: Deividi Correa
Hoje 81% dos consumidores das cápsulas de café da Nespresso possuem acesso aos pontos de coleta da empresa, mas apenas uma pequena parcela do que é consumido, 20,1%, chega ao Centro de Reciclagem da Nespresso, que possui capacidade instalada para reciclar até 3 vezes mais que o volume atual, informa Claudia Leite, gerente de sustentabilidade da empresa. As cápsulas que são destinadas ao Centro de Reciclagem são aquelas devolvidas pelos consumidores nos mais de 90 pontos de coleta da empresa.
Com relação às cápsulas que não retornam à Nespresso, justamente por ainda não existirem muitos pontos de coleta fora de São Paulo, Claudia afirma que a empresa incentiva aos consumidores que destinem às cápsulas para a coleta seletiva ou para cooperativas de catadores de materiais recicláveis para que sejam recicladas.
Questionados sobre o gap de pontos de coleta existem fora de São Paulo, a empresa informou que está investindo R$ 5 milhões em 2019 – através do plano Compromissos 2020 – para que todos os consumidores da marca tenham acesso até 2020 a soluções onde possam destinar corretamente suas cápsulas para a reciclagem.
Por que a empresa usa alumínio para produzir as cápsulas?
A opção pelo alumínio é decorrente de dois fatores. O primeiro deles é que o alumínio é o único material que consegue proteger o café de agentes externos como a luminosidade e o calor, fazendo com que o café mantenha todo seu frescor e qualidade. Além disso o alumínio é um material que possui propriedades que o permita ser reciclado infinitas vezes, podendo ser transformado em produtos como bicicletas, canetas, peças para computadores, dentre outras possibilidades.” Claudia Leite, gerente de sustentabilidade da Nespresso.
Mas como funciona o processo de reciclagem?
As cápsulas destinadas ao Centro de Reciclagem da Nespresso passam por processo de separação em um maquinário desenvolvido pela própria empresa.
Imagem: Nathália Abreu/ Autossustentável
De um lado entram as cápsulas (importante destacar que NÃO é preciso lavá-las antes de destiná-las aos pontos de coleta) ainda com café em seu interior.
Imagem: Deividi Correa
Passam por uma esteira que as leva ao processo de Descaracterização, onde as cápsulas são trituradas em pequenos pedaços. A separação mecânica dos subprodutos (café e alumínio) é realizada sem a utilização de água.
Imagem: Nathália Abreu/ Autossustentável
Após isso o pó das cápsulas segue para um destino, enquanto que o alumínio seque para outro.
O alumínio que possui até 97% de pureza, conforme afirma Claudia Leite, é encaminhado para a empresa recicladora de alumínio Latasa onde ganhará nova vida útil sendo transformado em novos produtos; enquanto o café que é extraído com até 99% de pureza segue para a empresa Biomix onde será transformado em fertilizante para plantas.
Caneta feita a partir de cápsulas de alumínio da Nespresso e Fertilizante feito a partir do café extraído das cápsulas da Nespresso. / Imagem: Nathália Abreu/ Autossustentável
A visitação ao Centro de Reciclagem Nespressoé aberta ao público, podendo ser agendada no site da empresa (para saber mais, clique aqui) mas também é possível realizar um tour virtual (para saber mais, clique aqui).
Para conhecer os pontos de coleta da Nespresso, clique aqui.
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ABREU, Nathália. Dia Mundial da Reciclagem – Visitando Centro de Reciclagem. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/dia-mundial-da-reciclagem-visitando-centro-de-reciclagem.html>.
Brasil: Ascensão e Queda de um Gigante Diplomático do Clima
No fim de 2009, os olhos do mundo se concentravam em Copenhague. Após relatórios alarmantes do IPCC (o órgão científico para mudança do clima da ONU) e de diversas outras organizações públicas e privadas; e depois de um esforço hercúleo de dar à pauta climática um outro patamar, a opinião pública global pressionava os tomadores de decisão a não só estarem na Dinamarca, mas que chegassem a um acordo de um novo tratado internacional que viria a substituir o Protocolo de Quioto.
Imagem: Creative Commons
Historicamente, a posição internacional do Brasil no tema sempre havia sido de um progresso cauteloso. Sede da Rio-92, que fora a base da UNFCCC e das conversas internacionais climáticas posteriormente, e tendo sido um dos responsáveis pelo ótimo Mecanismo de Desenvolvimento Limpo do Protocolo de Quioto, mesmo não sendo uma liderança, o Brasil sempre marcou sua presença no tema. Mas em 2009, o país deu um passo além.
Após uma série de atropelos, em um processo de construção com o melhor e o pior da formulação de políticas no país, a representação brasileira chega à Copenhague trazendo um grande trunfo à mesa de negociação: uma meta muito bem definida, e de certa forma bastante ambiciosa, de redução de suas emissões. Mesmo a postura da delegação brasileira no encontro, aos poucos, vai desanuviando: de uma reticência passiva a uma construção proativa de consensos entre os diferentes “mundos” lá representados.
A conclusão da COP-15, esta reunião de Copenhague, acabou muito aquém do que a opinião pública exigia. O Brasil, contudo, saiu das discussões muito maior do que entrou: virava uma liderança nas negociações, um grande facilitador, um país capaz de entender e conciliar posições de países desenvolvidos e em desenvolvimento e costurar consensos entre todos em prol de um objetivo comum. Desde 2009, o Brasil ganhava um status diplomático nas discussões climáticas (e até em outros temas ambientais e sociais derivados) que nunca antes teve. A então Ministra Izabella Teixeira, uma das protagonistas desse movimento, viraria conselheira do Secretário-Geral da ONU, uma das artífices e realizadoras da Rio+20, em 2012, e de seu principal resultado: os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Em pronunciamento, a então ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. / Imagem: Edilson Rodrigues/ Agência Senado
Falar do protagonismo diplomático de um país pode parecer tolo ou pouco importante para muitos, mas este sempre foi um objetivo da diplomacia brasileira nas mais diversas áreas. Ante seu tamanho territorial e de população e pujança econômica, o Brasil sempre foi um líder regional natural. Mas nosso papel além da América do Sul foi proporcionalmente diminuto. Claro que o Brasil sempre esteve nas principais discussões que mobilizaram a política global nos séculos XX e XXI, como nas guerras mundiais, na fundação da ONU ou em discussões de desenvolvimento, mas sempre com um papel periférico, quando muito complementar e pouco significativo.
Imagem: Creative Commons
De forma bem grosseira, mede-se o poder e influência de um país no cenário regional e global por dois grandes critérios: o hard power e o soft power. O hard power é basicamente seu poderio militar, sua capacidade de agir na sua região ou fora dela. Já o soft power é a capacidade de influência de um país por vias não militares, seja a partir de poderio econômico, ou de projeção cultural, para citar algumas estratégicas. A Rússia é um ótimo exemplo de hard power, pelo tamanho de suas forças armadas e armas nucleares. A França é um exemplo histórico de soft power ante a influência de sua cultura na civilização ocidental. Os EUA é um caso em que tanto hard como soft power andam de mãos dadas.
As forças armadas representam a principal forma de hard power de um país. / Imagem: Creative Commons
Desnecessário dizer que o hard power brasileiro globalmente é quase irrelevante, ainda que regionalmente continuemos a ser o maior exército em números absolutos. Contudo, nosso soft power cresceu de forma bastante expressiva a partir da redemocratização. De um país estereotipado e desconhecido, com uma grande floresta, índios e Carmen Miranda, à abertura econômica brasileira e as ações de diversos governos desde os anos 90 elevou significativamente o patamar brasileiro. E a pauta climática era mais um caminho potencial para essa estratégia.
A diplomacia é um tipo de soft power exercido pelos países. / Imagem: Creative Commons
Os motivos são até óbvios, se pensarmos minimamente: sendo uma das maiores economias do mundo, mas ainda assim tendo uma matriz energética e elétrica majoritariamente limpa e renovável e tendo em desmatamento ilegal suas principais emissões históricas, o Brasil tem naturalmente uma posição de destaque no tema. Para contribuirmos com a pauta de mitigação do clima, precisamos majoritariamente fazer o “dever de casa” e evitar o aumento do desmatamento, principalmente o ilegal. E nosso crescimento econômico, se bem planeado, não necessariamente levaria a uma maior emissão de gases estufa. Ou seja, sem muito esforço, somos uma liderança natural. E foi essa posição que assumimos efetivamente em 2009.
E é justamente dessa posição de destaque que estamos abrindo mão nesses últimos anos. Desde o fim do governo Dilma, passado por Temer e agora, de forma exacerbada, no governo Bolsonaro, o Brasil passou a dar progressiva menor atenção ao tema até chegar a um ponto de quase irrelevância. A próxima reunião climática global, que ocorre anualmente, estava planejada para acontecer em 2019 no Brasil, mas o recém-eleito Bolsonaro abriu mão de ser o país-sede, com a justificativa pouco lógica dos custos associados. Nessa semana, o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, cancelou inclusive reunião intermediária que aconteceria em Salvador em agosto – mesmo a mesma sendo totalmente custeada pelas Nações Unidas. Na visão do Ministro, o que antes se considerava um exercício de soft power, agora pode ser resumido como “turismo de luxo para comer acarajé”[1].
Atual ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. / Imagem: Fabio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil / CP / Reprodução: Correio do Povo
Com essa visão de curtíssimo prazo e para lá de obtusa agora nos encontramos. O que outrora fora um gigante, um líder das discussões climáticas, agora é um anão, de volta a uma irrelevância diplomática absolutamente fora de qualquer realidade que o tema poderia nos oferecer. E vejam que em momento algum estou sequer dando argumentos ambientais nesse artigo – ainda que os mesmos devessem ser sempre o ponto primeiro e último dessas discussões –, mas somente cálculos políticos racionais, que, aparentemente, é o que estaria guiando essa guinada brasileira. Mas em tempo sombrios, aparentemente nem a racionalidade é mais respeitada. Azar o nosso.
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MALTA, Fernando. Brasil: Ascensão e Queda de um Gigante Diplomático do Clima. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/brasil-ascensao-e-queda-de-um-gigante-diplomatico-do-clima.html>.
Quanto vale a nossa riqueza natural? O uso permitido das Unidades de Conservação e Terras Indígenas
As Unidades de Conservação são espaços ambientalmente protegidos e possuem categorias de acordo com as características da região e o uso que se pretende fazer do espaço. Vai desde os tradicionais Parques e Florestas, que possuem grandes restrições de uso, até as Áreas de Proteção Ambiental e Reservas Particulares do Patrimônio Natural que já partem do princípio de que existe população habitando a área e que, desta forma, algumas atividades serão desenvolvidas ali. De qualquer forma, a criação destes espaços acontece através de lei (ou decreto).
Parque Nacional do Cipó em Minas Gerais. / Imagem: Edward Elias/ICMBio / Reprodução: MMA
No Brasil, as Unidades de Conservação formam um sistema, englobando todas as categorias – o Sistema Nacional de Unidades de Conservação. O objetivo de criarmos esses espaços de proteção é para que tenhamos um mínimo de natureza protegida, como se este mínimo fosse a nossa garantia de qualidade de vida (qualidade do ar, manutenção dos biomas, preservação de espécies e da biodiversidade).
Via de regra, em unidades de conservação há partes em que a mata nativa deve ser preservada e outras em que se permite a utilização para fins de pesquisa e turismo orientado (normalmente trilhas rústicas – para ler a matéria “O acesso às áreas protegidas e o equilíbrio natural“, clique aqui). Naquelas unidades em que existem populações residindo, as famílias residentes podem efetuar o uso da terra para subsistência.
As terras indígenas, assim chamadas aquelas habitadas pelos remanescentes povos indígenas, são igualmente demarcadas por lei e tem seu uso restrito ao povo indígena que lá habita. Os povos tradicionais possuem um profundo sentido de harmonia com a natureza e não realizam uso comercial destas áreas. Inclusive seus artesanatos são feitos de partes da planta (ramos, folhas, cascas) que não impliquem no seu sacrifício. São autorizados também os cultivos para subsistência.
Esses povos que tradicionalmente habitam o território que hoje chamamos Brasil, já estavam aqui muito antes de formarmos esta nação. Já conviviam com a riqueza natural que possuímos e com ela compartilhavam e cooperavam. Para eles, a mata não é apenas um monte de árvores e outras espécies vegetais e animais. A mata tem vida, tem espírito. Eles se comunicam. Independente de qualquer julgamento que possamos fazer com a cultura e modo de vida indígena, eles já conviviam aqui bem antes dos colonizadores chegarem. Reservar um pequeno pedaço de terras ao redor de suas aldeias, a fim de garantir que eles possam sobreviver e viver do seu modo típico, é mais do que respeitar um direito, é respeitar a vida e a existência.
Em ambos os casos, se parte do princípio de que a convivência entre os seres humanos e a natureza deve buscar a preservação e a harmonia. Juridicamente podemos afirmar que a restrição do uso das terras protegidas e indígenas é a forma que o Estado brasileiro utiliza para garantir o cumprimento de metas internacionais de proteção ambiental e criar sua reserva verde para o futuro; para o proprietário, seu direito de propriedade sofre uma limitação de uso em favor do direito que a sociedade como um todo possui de um ambiente ecologicamente saudável.
Nos últimos dias foi noticiado que o Brasil pretende: a) autorizar a exploração das terras indígenas e; b) conceder as Unidades de Conservação à iniciativa privada.
Para aqueles que comemoraram todos os passos que nos trouxeram até esse momento, desde a Declaração dos Direitos Homem, passando pela Constituição Federal de 1988 e culminando com uma lei complementar que criou o SNUC – Sistema Nacional de Unidades de Conservação – estamos enfrentando um retrocesso sem precedentes e desconectado de qualquer política ambiental mundial. Entramos na contramão do mundo a 400 km/h. A colisão será inevitável!
Os direitos dos indígenas serão contrapostos aos direitos das mineradoras. O direito ao meio ambiente contraposto à fome da iniciativa privada. A título de exemplo, no último ano o governo do Rio Grande do Sul fechou o Jardim Botânico de Porto Alegre, bem como desmontou a estrutura administrativa que o mantinha. Meses depois da notícia, foi anunciado para aquele local um mega empreendimento com torres comerciais, um shopping e um condomínio residencial. Era uma área considerável de terras em meio à capital do estado, sonho de consumo de qualquer construtora/ incorporadora. Qual foi o retorno deste desmonte para a população? Verifiquem as atuais notícias sobre o estado do Rio Grande do Sul.
Mas não apenas a colisão entre direitos. As cobranças daqueles países que conosco firmaram tratados e compromissos internacionais; as consequências econômicas que isso gerará; o impacto que teremos na saúde e qualidade de vida da população…
Imagem: Pensador
Você sabe de quanta terra estamos falando? Tem noção de qual é o valor em jogo? Quanto vale a nossa riqueza natural? Sabe o que acontecerá com as populações indígenas depois disso? Entende a repercussão internacional dessa decisão (relações e acordos criados e mantidos há mais de 50 anos que serão rompidos)? Nem eu. Mas sinto uma dor imensa porque tenho noção do tamanho da luta que foi conseguir proteger pequenas áreas, reerguer a Serra do Mar, conseguir aprovar cada uma das leis e decretos que criaram Unidades de Conservação.
Você está disposto a trocar unidades de conservação e terras indígenas por dinheirinhos? Sabe para onde vai esse dinheirinho depois? Precisamos saber antes de concordar, você não acha?
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Saiba como colocá-lo nas referências:
STEFFEN, Janaína. Quanto vale a nossa riqueza natural? O uso permitido das Unidades de Conservação e Terras Indígenas. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/o-uso-permitido-das-unidades-de-conservacao-e-terras-indigenas.html>.
10 fatos sobre a relação Moda & Sustentabilidade que você precisa saber
Para fechar esta Semana Temática de Moda Sustentável, resolvemos separar 10 fatos sobre a Sustentabilidade e a Indústria da Moda que você precisa saber:
Nos últimos 15 anos, a produção de roupas duplicou. Passou de 50 bilhões de unidades para mais de 100 bilhões de unidades;
Por ano, a indústria da moda emite mais gases do efeito estufa (GEE) que o setor de aviação e o setor marítimo, juntos. A moda é a terceira indústria mais poluidora do mundo, depois do petróleo e da agricultura em grande escala. Sua pegada de carbono é imensa e se estende para além do uso de matéria prima;
Trinta e dois milhões de piscinas olímpicas. Essa é a quantidade de água consumida pela indústria têxtil mundial em apenas um ano. São utilizados cerca de 93 bilhões de metros cúbicos de água anualmente;
Para fazer uma camiseta é preciso 2.700 litros de água. Esta quantidade é mais do que o total ingerido por uma pessoa ao longo de três anos;
Já uma calça jeans gasta, em média, 3.480 litros de água para ser produzida. Isso equivale a 53 banhos de 7 minutos! E sabe quantos litros de água aquela calça de brechó gasta? Zero!
A indústria têxtil é altamente dependente de recursos não renováveis em todas as fases da cadeia de produção. São 342 milhões de barris de petróleo por ano para a produção de fibras plásticas têxtis, 200.000 toneladas de pesticidas (o equivalente à ¼ do uso de pesticidas no mundo) e 8 milhões de toneladas anualmente para a produção de algodão. Além de produtos químicos para lavagens e coloração das peças;
Na hora do corte para confecção das roupas, vai para o lixo 15% do material por conta da sobra do tecido;
Menos de 1% do material usado para produzir uma roupa é reciclado em roupas novas. Este percentual inclui a reciclagem após o uso e a reciclagem de resíduos de fábrica. O que gera uma perda superior a US$ 100 bilhão de materiais a cada ano em todo o mundo;
Estima-se que anualmente, cerca de meio milhão toneladas de microfibras de plástico – o equivalente a mais de 50 bilhões de garrafas plásticas – resultando da lavagem de têxteis como poliéster, nylon e acrílico são lançados nos oceanos;
Apenas 2% das roupas vendidas nos EUA também foram feitas nos EUA.
Nós consumidores somos a chave da mudança para uma moda mais sustentável. Precisamos ter mais consciência sobre o nosso papel de consumidor e exigir que as empresas do setor tenham além de um posicionamento mais sustentável, mudanças em sua cadeia de valor.
Seja na escolha de fornecedores, nas práticas sustentáveis de fabricação, no salário justo e no respeito aos funcionários, suas famílias e à comunidade.
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SOUZA, L. B. Leonardo. 10 fatos sobre a relação Moda & Sustentabilidade que você precisa saber. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/10-fatos-moda-sustentabilidade.html>.
Moda sustentável que leva água potável, educação e esperança para brasileiros e africanos
O valor de cada peça é revertido em projeções de acesso à água potável/saneamento e educação no Brasil e na África.
Fundada em 2013, a ONG Reviva iniciou o seu trabalho com pessoas em situação de rua e usuários de drogas em São Bernardo do Campo, São Paulo.
Mas vem desde 2015, implementando soluções para fornecer água potável para crianças e mulheres em áreas remotas de Moçambique. Além de educação, através da construção de escolas e creches em comunidades no Brasil e na África.
Imagem: ONG Reviva
Para realizar este trabalho, a ONG além de doações financeiras, recebe 100% do lucro da venda, de sua marca de roupas, a Voz.
A marca Voz, um braço da Reviva, nasceu para amplificar as vozes mais distantes e que não são ouvidas, para dar protagonismo a cada um dos responsáveis pela cadeia sustentável.
Imagem: ONG Reviva
As peças são atemporais e confeccionadas por costureiras em bases locais de atuação da Reviva. São camisetas, blusas, saias, vestidos, macacões, calças e bolsas. Todas feitas com um tecido típico de Moçambique, a capulana, comprado diretamente de feirantes em Moçambique, na África.
Imagem: Voz, da ONG Reviva
Nesta iniciativa, cada peça de roupa vendida, proporciona acesso a água potável, alimento e educação tanto no Brasil quanto na África.
O valor de cada peça é revertido em projeções de acesso à água potável/saneamento e educação, por meio de geração de trabalho e renda, em comunidades remotas no Brasil e na África.
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SOUZA, L. B. Leonardo. Moda sustentável que leva água potável, educação e esperança para brasileiros e africanos. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/moda-sustentavel-que-leva-agua-potavel-educacao-e-esperanca-para-brasileiros-e-africanos.html>.
5 documentários que vão mudar sua visão da moda
Selecionamos 5 documentários que ajudam a refletir e repensar a forma como compramos roupa. Os filmes mostram a realidade da indústria da moda por trás das condições em que elas são produzidas ao material utilizado.
Então, prepare a pipoca!!
The True Cost | 2015
“Esta é uma história sobre roupas. Sobre as roupas que vestimos, as pessoas que fazem essas roupas e sobre o impacto que a indústria está tendo no nosso mundo”. É assim que começa o documentário de Andrew Morgan, que revela o lado sombrio da indústria da moda, seus impactos ambientais e sociais.
O documentário The True Cost (O Verdadeiro Custo, em tradução livre) questiona a realidade por trás do fast fashion, das roupas baratas, entendendo que em algum lugar alguém sempre acaba pagando o preço. O roteiro destaca também os números do consumo excessivo e as péssimas condições de trabalhos de muitas empresas em vários lugares do mundo.
Riverblue | 2016
O documentário canadense faz uma viagem ao redor do mundo denunciando o impacto da indústria do jeans em rios mundo afora. Narrado por Jason Priestly, o filme destaca e compara rios ao redor do mundo – do mais limpo ao mais poluído – e mostra como a indústria da moda, principalmente o fast-fashion, vem direta e indiretamente alimentando para essa poluição ambiental.
O filme mostra toda poluição dos rios causada pelo processo de tingimento de tecidos, lavanderias de jeans e curtumes de couros, que fazem mal para o meio ambiente e para as milhões de pessoas que vivem em seu entorno.
Mas além de apenas mostrar a catástrofe, o documentário também mostra soluções e iniciativas de pessoas que tem trabalhado para melhorar a situação, introduzindo maneiras de produção mais sustentáveis na produção e lavagem de um jeans.
Traceable | 2014
O documentário faz forte crítica ao consumismo das fast-fashion e à política que quase todas as marcas assumem, que é a de produção contínua e acelerada.
Escrito e dirigido por Jennifer K. Sharpe, esse documentário foi lançado antes do The True Cost, mas traz à tona os mesmos questionamentos: quem fez nossas roupas, como, quando e onde? E ainda olha para a importância da rastreabilidade e como ela pode ser uma das soluções.
Além disso, o filme serve para repensar a definição de luxo. Para algumas pessoas luxo é um jeans de R$ 500, já para quem faz esse jeans, luxo significa ter água para beber.
Unravel | 2012
São apenas 13 minutos, mas já é o suficiente para se questionar: o que acontece quando você joga uma roupa “fora”? Ele nos faz refletir sobre o nosso ritmo de consumo e a quantidade de roupas que estão sendo produzidas e jogadas fora o tempo todo.
Dirigido por Meghna Gupta, documentário mostra o universo do descarte de roupas e como toneladas de peças usadas e seminovas vão parar na Índia para serem transformadas em cobertores de baixa qualidade. O documentário acompanha a rotina de quem vive do descarte dessas peças, reciclando-as em fábricas.
Minimalism A Documentary About the Important Things | 2015
O documentário discute a urgência e necessidade do acúmulo de bens materiais e consumo compulsivo. Ele acompanha a trajetória de pessoas que aderiram ao movimento do minimalismo e como ele vem mudando o estilo de vida dessas pessoas que aprenderam a serem mais feliz com menos.
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SOUZA, L. B. Leonardo. 5 documentários que vão mudar sua visão da moda. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/documentarios-para-repensar-consumo-moda.html>.
Marca brasileira sustentável e justa! Matérias-primas orgânicas e tingimentos naturais
A Brisa é uma marca sustentável de alfaiataria Slow Fashion, focada no consumo consciente e no feito à mão. Simples e elegante, atemporal, confortável, produtos naturais, de baixo impacto ambiental, minimalista e feminina.
A marca surgiu em 2016, através de questionamentos de Tatiana Stein sobre a indústria do Fast Fashion, com preços cada vez mais baixos, produção em larga escala e, muitas das vezes, sem valorização da mão-de-obra.
Imagem: Brisa
Tatiana então começou a pesquisar sobre materiais e tingimentos naturais e se informar não só do processo inicial, de como eram feitos e dos impactos que geravam, mas também do tempo que cada produto permanecia como lixo. Assim, com o sonho de transformar o mundo através de uma moda mais sustentável e justa, surgiu a Brisa.
Imagem: Brisa
As peças utilizam apenas matérias-primas/tecidos orgânicos de produção nacional, com cultivos sustentáveis e orgânicos, ou recicláveis. Os tingimentos são naturais e são utilizadas técnicas manuais. Além disso, o processo de produção é 100% nacional e justo, toda a cadeia produtiva é remunerada justamente.
Processo de Tingimento. Imagem: Brisa
Elas também são projetadas com design atemporal e com boa qualidade para que possam durar um longo período de tempo, prolongando a vida útil do produto.
A Brisa possui uma loja virtual que conta com roupas incríveis. As peças também estão disponíveis para compra no Rua Visconde do Rio Branco, 828 – Coletivo 828, Porto Alegre.
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SOUZA, L. B. Leonardo. Marca brasileira sustentável e justa! Matérias-primas orgânicas e tingimentos naturais. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/brisa-slow-fashion.html>.
O movimento que inspira a Moda Sustentável – Conheça o Fashion Revolution
A indústria da moda tradicional é responsável por inúmeros impactos ambientais e sociais.
É incrivelmente preocupante e assustadora a velocidade com que o chamado Fast Fashion se propaga consumindo recursos naturais, expondo, muitas vezes, trabalhadores a condições de trabalho forçado e desumano e devolvendo ao meio ambiente poluição na forma de resíduos têxteis e poluição de rios, mares e oceanos por tingimento de tecidos, por exemplo. Para saber mais sobre os impactos da moda tradicional, leia nossa matéria O que a etiqueta não mostra! Os impactos socioambientais da moda tradicional, clicando aqui. O Fast Fashion é um modelo de negócios onde a produção de roupas ocorre em larga escala levando ao consumo e descarte exagerados.
Mas esse cenário pode mudar com nossa conscientização enquanto consumidores. Você estaria disposto a mudar a forma como consome moda? Então venha conhecer o Fashion Revolution!
O Fashion Revolution é um movimento que valoriza a moda sustentável, incentiva a transparência na cadeia produtiva e alerta para o consumo consciente.
O movimento teve início a partir de um dos maiores desastres da indústria da moda, o desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, ocorrido em 24 de abril de 2013 que deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos, as vítimas trabalhavam para marcas globais em condições análogas à escravidão. Foi desejando a mudança dessa realidade que surgiu em Londres o movimento Fashion Revolution, criado pelas designers e ativistas Carry Somers e Orsola de Castro. Hoje o movimento está presente em 100 países, entre eles o Brasil, onde está presente em mais de 50 cidades. Para saber mais sobre o movimento, acesse o site Fashion Revolution Brasil, clicando aqui.
O Fashion Revolution está focado em três eixos: mudança cultural, mudança na indústria e mudança política; e tem o intuito de mostrar que é possível mudar esse terrível cenário de impactos sócio-ambientais e construir um futuro mais sustentável através de envolvimento e transparência no processo produtivo.
O primeiro passo para a mudança de comportamento é alertar ao consumidor sobre o que ele, de fato, está comprando. É questionar de onde vem nossas roupas, quem faz nossas roupas. Qual a história, qual o trajeto que aquela peça de roupa teve até chegar às mãos do consumidor. Por trás de cada peça existem pessoas que trabalharam para que essa peça chegasse às lojas para o consumo. É preciso que estejamos alertas sobre quais condições as marcas de vestuário mantem os trabalhadores têxteis, é preciso que exijamos transparência sobre a cadeia produtiva. E analisar se é necessário consumir na quantidade e velocidade atuais.
Imagem: Benfeitoria
Nós, enquanto consumidores, temos o poder para mudar a indústria da moda, exigindo produtos de melhor qualidade, com maior durabilidade e com uma cadeia produtiva mais justa. Junte-se ao movimento Fashion Revolution! Nas redes sociais poste uma foto com a #quemfezminhasroupas e marque a empresa que está na etiqueta da sua roupa. O movimento está crescendo, o que representa que a conscientização dos consumidores pode sim mudar a forma com que as marcas produzem.
Para conhecer mais sobre o movimento Fashion Revolution Brasil, basta clicar nos links abaixo:
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Saiba como colocá-lo nas referências:
ABREU, Nathália. O movimento que inspira a Moda Sustentável – Conheça o Fashion Revolution. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/05/o-movimento-que-inspira-a-moda-sustentavel-conheca-o-fashion-revolution.html>.
Os caiçaras irão desaparecer? A atual realidade dos povos tradicionais
“Os caiçaras estão em extinção!” Essa frase eu ouvi de um senhor caiçara que mora no Bairro “Sítio de São Lourenço”, município de Bertioga/SP.
Era para ser um passeio de final de semana. Uma amiga, que vinha nos convidando há muito tempo para conhecer o local onde ela nasceu e se criou. Ela costumava dizer: “Vocês vão amar! Vão conhecer o povo caiçara.”
Quando você olha no mapa, o município de Bertioga fica aos pés da Serra do Mar, nas margens do Parque Estadual da Restinga de Bertioga. A esquerda, em duas partes, compartilhando a mesma praia, temos a cidade. A segunda praia é hoje chamada de Riviera de São Lourenço, um condomínio de luxo, com residências e comércio de alto padrão. Bem na pontinha direita da Praia de São Lourenço, fica o Jardim São Lourenço, ou sítio, como os nativos o chamavam. A terceira praia faz parte da área de proteção e é quase deserta – a praia do Itaguaré e Guaratuba (divididas por um rio).
Minha amiga é descendente de nativos da região. De acordo com ela, há mais de 3 gerações a família está naquele local. Eram duas famílias que foram casando entre si e no final das contas quase todos por lá são primos. O primeiro tio que conheci deve ter seus 60 anos. Comentou que teve que largar a pesca para trabalhar na construção. Que desde pequeno pescava com o pai e que todos na localidade sabem costurar redes de pesca. Contou que os antigos conseguiam inclusive dizer em qual dia os cardumes de tainhas chegariam na praia. Que chegavam a pescar 5 mil tainhas em grupo, formando uma barreira de redes. Que a vida ali ainda é pacata, apesar dos turistas. Que ele pesca hoje em dia só para comer mesmo e que as vezes um turista pede para comprar: “Eu respondo que eu não vendo peixe, mas que se a pessoa quiser eu dou um.”
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
Mas foi o segundo tio que me encantou. Um senhor com mais de 80 anos, que estava se recuperando de um problema de saúde. Foi nos receber com passos curtos e lentos, e um sorriso fraquinho. Comecei a brincar que tinha ouvido histórias de pescador do outro tio. Ele sorriu maroto e disse: “Sobre as tainhas?”. Falei que sim e que tinha ficado impressionada. Ele então começou a contar:
“Eram pouco mais de 20 famílias no local, a maioria parentes. Havia um senhor de idade que subia no morro e tocava um berrante quando as tainhas estavam chegando. Era verdade sim! Já pegamos mais de 9 mil tainhas de uma vez só, juntando as redes de todos na praia. Quando pegávamos até 1.500 peixes dividíamos entre as famílias, mas quando era mais, levávamos de burro e depois de barco até Santos para vender no Mercado Municipal. Durante muito tempo fui o responsável por levar e trazer o dinheiro. Ao retornar, o dinheiro era repartido entre todos, uma cota para cada adulto e meia cota para crianças de 0 a 14 anos.”
Fiquei curiosa quanto à conservação dos peixes e ele disse que eram salgados e colocados para secar no sol. Eles também plantavam mandioca. Minha amiga diz que farinha de mandioca como eles faziam não existe mais. Também colhiam palmito, mas que hoje é proibido. Perguntei se eles plantavam o palmito ou apenas colhiam. Ele respondeu que antigamente a Riviera era um palmital imenso e que não era necessário plantar. Mas quando começaram a colher para vender, o palmito acabou.
Ele chamou o bairro ao lado de Dona Riviera. Perguntei como eles se sentiam em relação aquele condomínio vizinho. Ele disse que é Dona Riviera porque é muito chique, mas que ela quase expulsou eles dali.
Ficamos espremidos no cantinho. O palmito foi extinto quando construíram o condomínio, a tainha foi extinta porque pescam antes do peixe chegar aqui e os caiçaras estão quase extintos.
Senti a animação dele indo embora de novo. E no meu coração uma pontada de tristeza. Toda vez que consigo sentar com um nativo, seja ele agricultor ou pescador, tenho certeza que estou com um ancestral. Aquela pessoa que ainda tinha tempo e paciência para observar a natureza e aprender com ela. Precisamos de um deles sempre por perto. Para nos lembrar o valor que as coisas simples têm, para nos mostrar o quão valiosa e bela é a sabedoria da natureza, para nos ensinar como viver em harmonia e equilíbrio sem exaurir.
Que tal conversar com um nativo do lugar onde você mora? Com certeza ele irá te relembrar de coisas muito importantes que a pressa tem feito você esquecer!
Caiçara – do Tupi Guarani caá-içara=a cerca de ramos. Palavra de origem tupi, que se referia aos habitantes das zonas litorâneas. As comunidades caiçaras surgiram a partir do sec. XVI, com a mistura de brancos e índios. Caiçara também é o nome de dois municípios: um no estado da Paraíba e outro no Rio Grande do Sul. Informação: Dicionário Ilustrado Tupi Guarani.
Gostou do nosso conteúdo e quer fazer referência deste artigo em um trabalho?
Saiba como colocá-lo nas referências:
STEFFEN, Janaína. Os caiçaras irão desaparecer? A atual realidade dos povos tradicionais. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/os-caicaras-irao-desaparecer-a-atual-realidade-dos-povos-tradicionais.html>.
O Perigo do Crescente Uso de Agrotóxicos: Saúde, Economia e Meio Ambiente em Xeque!
É no mínimo preocupante a utilização de agrotóxicos no Brasil. Assistimos nos últimos anos a crescente liberação de agrotóxicos no país: em 2017 foram aprovados para registro 405 produtos ligados a agrotóxicos; em 2018 foram registrados 450 produtos e somente nos 2 primeiros meses de 2019, foram aprovados 74 produtos ligados a agrotóxicos.
Os agrotóxicos são classificados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) de acordo com sua toxicidade em: Classe I, considerados extremamente tóxicos; Classe II, que são os altamente tóxicos; Classe III, aqueles medianamente tóxicos; e Classe VI, pouco tóxicos. Infelizmente, a maioria dos agrotóxicos aprovados no Brasil é da Classe I, o que representa perigo iminente à saúde dos trabalhadores e também dos consumidores.
Definitivamente o Brasil está caminhando na contramão mundial quando o assunto é agrotóxico, não à toa somos campeões mundiais no consumo desses produtos químicos prejudiciais à saúde, à economia e ao meio ambiente. Conforme já exposto no artigo “Brasileiros consomem 7 litros de agrotóxicos por ano” (clique aqui para acessar), o Brasil ocupa o primeiro lugar no ranking de países que mais consomem agrotóxicos, são, em média, 7 litros de veneno consumidos a cada ano por cada brasileiro.
Osite UOL publicou um especial sobre o veneno invisível, como os agrotóxicos também são denominados, no qual fez uma comparação entre o cenário nacional e internacional de uso de agrotóxicos (clique aqui para acessar). São impressionantes as constatações apresentadas:
50% dos agrotóxicos liberados e utilizados no Brasil são proibidos na Europa, EUA, Canadá e Austrália;
As culturas agrícolas que mais consomem defensivos são soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, segundo o dossiê sobre agrotóxicos da Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva);
O herbicida glifosato, o mais usado no Brasil, e os inseticidas malationa e diazinona, foram apontados como prováveis agentes carcinogênicos por uma pesquisa da IARC (Agência Internacional de Pesquisa em Câncer);
O carbofurano, que ainda é permitido no Brasil, pode causar câncer, mutações e malformações fetais.
Perigos para a Saúde
São vários os organismos internacionais, organizações e instituições nacionais que apontam para os riscos ligados ao manuseio e ingestão de agrotóxicos.
A OMS (Organização Mundial da Saúde)afirma que são causadas 200 mil mortes por intoxicação por agrotóxicos por ano. Segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), é um mito a ideia de que pesticidas são vitais para garantir a segurança alimentar. Seu uso destrói recursos, afeta a saúde de trabalhadores, da população e sustenta um modelo de produção injusto.
A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e Ministério da Saúde – Fundação Oswaldo Cruz destacam em pesquisa realizada em conjunto, resultante no Dossiê ABRASCO: Um alerta sobre os impactos dos agrotóxicos na saúde, que os agrotóxicos podem causar doenças como problemas neurológicos, motores e mentais, distúrbios de comportamento, problemas na produção de hormônios sexuais, infertilidade, puberdade precoce, má formação fetal, aborto, doença de Parkinson, endometriose, atrofia dos testículos e câncer de diversos tipos (clique aqui para acessar o Dossiê).
Já o INCA (Instituto Nacional de Câncer), divide os efeitos da exposição aos agrotóxicos em agudos (de aparecimento rápido) ou crônicos (que aparecem após exposições repetidas a pequenas quantidades de agrotóxicos por um período prolongado). Os primeiros ocorrem através da pela (irritação, ardência, desidratação, alergias); através da respiração (ardência do nariz e boca, tosse, coriza, dor no peito, dificuldade de respirar); através da boca (irritação da boca e garganta, dor de estômago, náuseas, vômitos, diarréia). Já os efeitos crônicos podem envolver: dificuldade para dormir, esquecimento, aborto, impotência, depressão, problemas respiratórios graves, alteração do funcionamento do fígado e dos rins, anormalidade da produção de hormônios da tireoide, dos ovários e da próstata, incapacidade de gerar filhos, malformação e problemas no desenvolvimento intelectual e físico das crianças, câncer.
Imagem: Rede Mobilizadores
Ainda conforme informações do INCA, agricultores e trabalhadores da indústria de agrotóxicos representam a maior parcela da população impactada pelos efeitos dos agrotóxicos, por ter contato direto costumam apresentar tanto os sintomas agudos quanto os crônicos. Todos estamos suscetíveis a exposição a agrotóxicos, seja pela ingestão de alimentos ou água contaminada.
Consequências para a Economia
O fato do Brasil liberar o uso de agrotóxicos já proibidos por diversos países também tem consequências econômicas como os gastos do sistema de saúde com internações e tratamentos para os sintomas e doenças causados pela exposição a agrotóxicos; e também as perdas econômicas relacionadas a barreiras técnico-sanitárias a produtos brasileiros exportados.
Imagem: Creative Commons
Devemos lembrar que nosso país é majoritariamente primário exportador, isto é, a pauta de exportações é baseada principalmente em commodities como, por exemplo, soja, açúcar, frango, carne bovina e café, que representam as commodities mais exportadas pelo Brasil em 2018, como informado pela SECEX (Secretária de Comércio Exterior). Reconhecidamente um dos maiores países agro-exportadores do mundo, o Brasil recebeu a alcunha de “celeiro do mundo” devido a sua capacidade produtiva de commodities agrícolas. Esse fato adicionado a questão do agronegócio brasileiro fazer uso de agrotóxicos proibidos em diversos países, coloca em risco as relações comerciais estabelecidas com esses países, e, consequentemente, representa um grande risco para a economia do país.
As barreiras técnico-sanitárias são mecanismos criados para impedir a entrada de alimentos que não atendam às normas sanitárias estabelecidas pelos países importadores para a preservação da saúde pública. Já ocorreram diversos casos em que as commodities brasileiras enfrentaram barreiras para a exportação devido ao uso de agrotóxicos durante o cultivo, como, por exemplo, em 2012 com a exportação de laranjas para os EUA, as autoridades de saúde americana detectou a presença da pesticida carbendazin, que apesar de permitida no Brasil não era autorizada nos EUA.
A soja (principal commodity brasileira exportada) está sobre a mira do governo da Noruega devido aos agrotóxicos utilizados no cultivo da soja. O país nórdico tem aumentado as exigências para importação do grão, que somente é importado se receber a certificação de boas práticas, um tipo de selo que atesta a sustentabilidade social e ambiental do cultivo. Esse comportamento da Noruega tende a ser adotado por outros países, já que, os mercados estão cada vez mais concorridos e seletivos com o que é de fato importado. Por isso, a tendência de liberação de agrotóxicos no Brasil que são proibidos em vários outros países pode representar um tiro no pé da nossa própria economia.
Impactos no Meio Ambiente
Os agrotóxicos também impactam cada vez mais o meio ambiente e as interações biológicas de vários biomas, e como o somos parte integrante da natureza também somos afetados mesmo que de forma indireta. Os agrotóxicos utilizados no cultivo de culturas agrícolas além de penetrarem nos alimentos que consumimos, igualmente atingem o solo e corpos hídricos.
A contaminação do solo afeta a fertilidade e produtividade, além de contaminar as futuras plantações de culturas que sejam feitas naquele terreno. Esta queda de fertilidade causada pelo uso de agrotóxicos acaba incorrendo em um círculo vicioso, onde será necessária a cada novo ciclo de plantação a utilização cada vez maior de produtos químicos para aumentar a fertilidade do solo, que tende a ser cada vez menor a cada novo ciclo de plantação. Essa relação inversamente proporcional entre o uso de produtos químicos e a fertilidade do solo tende a seguir uma progressão elevada que, a longo prazo, afetará não apenas a disposição de terras férteis para o cultivo, como também a produtividade por hectare, fazendo com que as plantações sejam cada vez menos rentáveis economicamente.
Imagem: Creative Commons
A contaminação da água não se restringe apenas às proximidades dos locais de plantio, atualmente 1 em 4 municípios brasileiros possuem suas águas contaminadas por agrotóxicos, segundo informações do Ministério da Saúde. Este fato se agrava ainda mais porque foi constatado que a contaminação da água acontece com os 27 agrotóxicos considerados pela ANVISA como Classe I (extremamente tóxicos) e Classe II (altamente tóxicos). Novamente notamos que os impactos ambientais afetam também a sociedade, nesse caso as consequências são doenças crônicas já citadas anteriormente. E esse cenário é perverso, pois a contaminação da água vem aumentando constantemente nos últimos anos e o pior, os testes realizados para a detecção de contaminação não são divulgados de forma compreensível, o que resulta em assimetria de informação para a população, que fica sem conhecer os reais riscos da água consumida.
Abelhas realizando a polinização de flores. / Imagem: Creative Commons
Além destes, outro impacto tem gerado grande preocupação de pesquisadores e da mídia, o desaparecimento das abelhas. Pesquisas recentes que deram origem ao Relatório Temático de Polinização, Polinizadores e Produção de Alimentos, apontam que os agrotóxicos também afetam consideravelmente o tempo de vida das abelhas, em alguns casos a redução do tempo de vida chega a 50% do que é considerado o padrão. A situação é grave, já que, além de comprometer a produção de mel, também ameaça a polinização de várias espécies da flora como todas as frutas comestíveis. Mais uma vez é possível notar a relação entre meio ambiente (o desaparecimento das abelhas), sociedade (sem as abelhas o serviço de polinização natural deixaria de ocorrer e o cultivo de culturas seria gravemente prejudicado podendo chegar a ser impossibilitado) e economia (a agricultura depende grandemente do serviço de polinização das abelhas, os custos para realizar esse processo de forma artificial seriam muito altos, em torno de R$ 43 bilhões ao ano).
Diante de tudo isso, é possível notar que a liberação do uso de agrotóxicos, proibidos em vários outros países, representa bem mais pressões políticas da bancada ruralista e do agronegócio, que tem o foco de planejamento apenas a curto prazo e obtenção de lucro a qualquer custo, do que de fato o interesse em real no crescimento sustentável da economia do país respeitando as interações com a sociedade e o meio ambiente.
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ABREU, Nathália. O Perigo do Crescente Uso de Agrotóxicos: Saúde, Economia e Meio Ambiente em Xeque!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/o-perigo-do-crescente-uso-de-agrotoxicos.html>.
Combate ao Aedes Aegypti: dicas para prevenção e controle da Dengue, Chikungunya e Zika
A Organização Mundial da Saúde (OMS) listou a Dengue entre os 10 principais “inimigos” da saúde para o ano de 2019. Nesta lista estão problemas como poluição do ar, Ebola, Pandemia de Influenza, HIV e movimento antivacina.
Quase que anualmente vemos nos noticiários surtos da doença, com grande número de notificações de casos, principalmente nas estações do ano mais chuvosas. Por essa e outras razões, a dengue já é tratada no Brasil como um dos principais problemas de saúde pública.
O Brasil, por ser um país tropical, fornece as condições ideais para o desenvolvimento e a proliferação do mosquito vetor, o Aedes Aegypti, que transmite além da Dengue, a Zika e a Chikungunya. A doença Dengue está relacionada com os chamados macrofatores (ambientais, socioeconômicos, políticos e sociais) e os microfatores (dependentes das características biológicas do vírus, do vetor e da pessoa afeitada).
Embora pareça pouco agressiva, a doença pode evoluir para a dengue hemorrágica e a síndrome do choque da dengue, caracterizadas por sangramento e queda de pressão arterial, o que eleva o risco de morte.
Não existem vacinas disponíveis pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para o tratamento da Dengue. Por isto, a principal ação que a população tem é se informar, se conscientizar. Evitar água parada em qualquer local em que ela possa se acumular, em qualquer época do ano. Vale lembrar que o mosquito coloca seus ovos em água limpa, mas não necessariamente potável.
O que a população deve fazer para combater o mosquito Aedes Aegypti?
Para quem mora em casa pode começar pela área externa:
Manter bem tampadas cisternas e caixas d’água;
Lavar semanalmente com água e sabão tanques utilizados para armazenar água e mantê-los tampados;
Garrafas e baldes vazios e com a boca virada para baixo;
Colocar areia nos cacos de vidro de muros ou cimento;
Remover galhos e folhas de calhas, mantendo-as totalmente limpas;
Piscinas e fontes tratadas e se possível, tampadas;
Acondicionar pneus em locais cobertos;
Lonas para cobrir materiais de construção devem estar sempre bem esticadas para não acumular água;
Encher pratinhos de vasos com areia até a borda ou lavá-los uma vez por semana. A areia conserva a umidade e ao mesmo tempo evita que o prato se torne um criadouro de mosquitos.
Já nos ambientes internos de casa ou apartamentos:
Tampar ralos;
Lavar regularmente a vasilha de água do seu bicho de estimação;
Vasos sanitários com caixa acoplada devem ser tampados e verificados semanalmente;
Limpar sempre a coletora de água do ar-condicionado;
E por fim, seja consciente com seu lixo. Não despeje lixo em valas, valetas, margens de córregos e riachos. Assim você garante que eles ficarão desobstruídos, evitando acúmulo e até mesmo enchentes. Em casa, deixe as latas de lixo sempre bem tampadas.
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SOUZA, L. B. Leonardo. Combate ao Aedes Aegypti: dicas para prevenção e controle da Dengue, Chikungunya e Zika. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/combate-ao-aedes-aegypti-dengue.html>.
10 benefícios de uma alimentação saudável para a vida
Motivos não faltam para nos alimentarmos bem; afinal, todo nós sabemos os inúmeros benefícios que uma alimentação saudável rica em frutas, legumes, vegetais e integrais tem para nossa saúde.
A alimentação deve ser balanceada e oferecer os nutrientes, antioxidantes e fibras necessários para suprir as necessidades do organismo. Por esta razão, devemos sempre consumir com consciência e sempre levando em conta a qualidade do alimento que comemos.
A qualidade afeta diretamente como nos sentimos. O alimento que você come pode fazer você se sentir cheio de energia e saudável, ou pode fazer você se sentir fatigado, sem saúde ou com sobrepeso.
Uma alimentação saudável, diversificada – confira os benefícios de uma alimentação colorida – e balanceada oferece ao seu corpo o combustível que ele precisa, sem efeitos negativos. Neste caso, procure optar por alimentos naturais, como frutas, verduras e legumes e, sempre que possível, orgânicos.
Separamos hoje 10 benefícios para a saúde ao manter uma alimentação rica, saudável e balanceada.
Quando você tem uma alimentação saudável, fica longe de doenças graves como o câncer e outras enfermidades. Uma alimentação regular baseada em todas as necessidades energéticas, deixa a sua vida com mais saúde e pronta para os desafios.
3 – Ajuda a entender como perder peso
Muitos alimentos são eficazes na queima de gordura, gerando uma sensação de saciedade e a redução de calorias, bom para quem deseja perder peso.
4 – Proporciona uma boa noite de sono
Com uma alimentação melhor, você perceberá que a insônia vai diminui. Para quem tem esse problema, uma alimentação saudável pode ajudar a melhorar o sono.
5 – Alimentos antioxidantes
Os radicais livres são prejudiciais à saúde, sendo que certos alimentos pelo seu poder antioxidante tem a capacidade de eliminar esses radicais.
6 – Proporciona equilíbrio hormonal
Muitos alimentos são eficazes para o equilíbrio hormonal, tanto de homens quanto de mulheres.
7 – Proporciona mais longevidade
Uma alimentação adequada favorece a longevidade por atrasar o envelhecimento precoce.
8 – Dá mais energia
Quem tem uma nutrição adequada, tem mais energia para aguentar as pressões do dia a dia, até mesmo mais disposição para a prática de atividades físicas.
9 – Fortalecimento do sistema imunológico
Quando a alimentação é balanceada e feita de maneira regular, ocorre um fortalecimento da imunidade do corpo.
10 – Boa atividade cerebral
Com uma alimentação adequada, as funções cerebrais são estimuladas para que executem suas atividades plenamente.
Cabe lembrar que a melhor pedida é sempre consultar um profissional de nutrição que vai prescrever para você uma combinação alimentar desenvolvida para o seu organismo, para o seu metabolismo e para o seu ritmo de vida.
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SOUZA, L. B. Leonardo. 10 benefícios de uma alimentação saudável para a vida. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/10-beneficios-alimentacao-saudavel.html>.
Movimento Fru.to convoca brasileiros a repensar a comida
O movimento Fru.to do renomado chef Alex Atala, visa estimular um novo olhar sobre a alimentação: mais saudável, compassiva, local e sustentável.
Mas o que é o Fru.to? O FRU.TO é uma PLATAFORMA de engajamento e mobilização para discutir a alimentação, os problemas, os desafios e as soluções do nosso tempo e para os próximos anos.
Segundo o relatório ‘Estado da Segurança alimentar e Nutrição no Mundo’, lançado em 2018 pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), 821 milhões de pessoas passavam fome no mundo em 2017. No Brasil foram cerca de 5,2 milhões de pessoas, o que corresponde à 2,5% da população.
Uma criança aguarda a distribuição de refeições pelo WFP (Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas) em um acampamento improvisado em Jacmel, Haiti, em 28 de janeiro de 2010. Um terremoto em 12 de janeiro matou cerca de 200.000 pessoas e devastou o país empobrecido. Imagem: REUTERS/Marco Dormino/ONU.
Dados mais alarmantes quando falamos de insegurança alimentar aguda, isto é, quando uma pessoa de consumir alimentos adequados coloca em perigo imediato sua vida ou seus meios de subsistência. Somente em 2018, a fome extrema atingiu mais de 113 milhões de pessoas, muito por conta de conflitos armados, catástrofes naturais e crises econômicas.
Assim, o FRU.TO, através de eventos, discute as melhores estratégias e alternativas para a produção de alimento bom, limpo e justo nos próximos anos. Agindo em relação ao alimento e ao desperdício como forma legítima de preservação do meio ambiente.
Imagem: FRU.TO
Em sua primeira edição, em 2018, o evento deixou de legado “10 Sementes” , um manifesto que traçou 10 sugestões e linhas de ação para garantir que, em 50 anos, haja alimento para todos e o planeta não continue a ser degradado da maneira calamitosa como ocorre hoje.
Essas 10 sementes apontam os impactos socioambientais do sistema alimentar atual e a importância em reconectar o espaço urbano com o campo e a floresta. De rever, globalmente, a nossa relação com o alimento, com o consumo, com os resíduos e com a natureza. De repensar nosso sistema de produção e distribuição de alimentos que está concentrado na mão de poucas corporações.
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SOUZA, L. B. Leonardo. Movimento Fru.to convoca brasileiros a repensar a comida. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/movimento-fruto-alex-atala.html>.
Por que é importante a doação de medula óssea?
Saiba aqui como se faz a doação, quais os riscos para você, quais os benefícios para quem precisa de medula óssea. Informe-se, tire suas dúvidas e seja, você também, um doador.
O Brasil está no 3º lugar, no mundo, em quantidade de doadores de medula óssea registrados no REDOME – Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea. Atualmente são 4 milhões de doadores cadastrados e anualmente, 300 mil novos doadores incluídos no banco. Apesar da boa colocação no ranking, é sempre preciso de mais gente e, para isso, é importante que se desmontem os mitos, os medos, as inseguranças daqueles que podem doar.
O transplante de medula óssea pode beneficiar o tratamento de cerca de 80 doenças em diferentes estágios e faixas etárias.
O que é a medula óssea?
A medula óssea, encontrada no interior dos ossos, contém as células-tronco hematopoéticas que produzem os componentes do sangue, incluindo as hemácias que são responsáveis pelo transporte de oxigênio no sangue, os leucócitos que são parte do sistema de defesa do nosso organismo, e as plaquetas, responsáveis pela coagulação.
Para quais doenças é fundamental o transplante de medula óssea?
Pessoas que tem alguma doença que compromete a produção normal de células sanguíneas, como as leucemias, anemias severas, imunodeficiências, aplasia e outras deficiências hematológicas hereditárias. Para estas doenças, o transplante de medula óssea é, muitas vezes, a única esperança de tratamento, para substituição da medula doente por uma nova e saudável.
Para ser doador o que é necessário?
Imagem: Redome
O cadastro é efetuado nos hemocentros de todo o país. Para o cadastramento, o doador deve apresentar um documento original de identidade e preencher um formulário com suas informações pessoais. Além disso, será necessária a coleta de uma amostra de sangue (5 ml) para testes de tipificação HLA – fundamental para a compatibilidade do transplante. Estes dados serão incluídos no Redome e, em caso de identificação de compatibilidade com um paciente, você será contatado para realizar outros testes.
O Redome representa, para os pacientes brasileiros, a maior chance de encontrar um doador não-aparentado.
Por que é difícil o uso da medula óssea?
O uso da medula óssea depende da compatibilidade imunológica entre indivíduos ou do Antígeno Leucocitário Humano – HLA (complexo imunológico responsável por reconhecer as células do nosso organismo e ajudar a combater elementos estranhos quando necessário). Em função das características genéticas do sistema HLA, esta chance é de 30% entre irmãos e muito menor quando buscamos doadores não-aparentados.
A chance de encontrar uma medula óssea compatível é, em média, de 1 em 100 mil, é por isso que torna-se necessário um elevado número de doadores cadastrados, então quanto maior o universo de doadores, maiores as chances de se encontrar um.
Para aumentar a probabilidade de êxito na localização, é fundamental manter os dados cadastrais atualizados no REDOME. Caso haja alguma mudança de informação, preencha este formulário. O voluntário pode ser chamado para efetuar a doação com até 60 anos de idade.
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SOUZA, L. B. Leonardo. Por que é importante a doação de medula óssea?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/doacao-medula-ossea.html>.
Sustentabilidade e finanças? Essa combinação que é possível!
Podem as finanças e a sustentabilidade coexistirem? Mais e mais investidores institucionais – bancos, gestores de ativos, fundos de pensão e afins – acreditam que sim. É isso que diz o 2018 Global Sustainable Investment Review, publicação que a Global Sustainable Investment Alliance, uma aliança global de organizações nacionais de investimento sustentável, lança a cada dois anos.
O relatório compila o número de “investimentos sustentáveis” em diversas regiões do globo, como América do Norte, Europa, Oceania e Japão, e analisa suas tendências de alta e baixa, além de proporção em comparação com “investimentos tradicionais”. Por “investimentos sustentáveis”, entendem-se diversas estratégias e ações que esses investidores executam para direcionar os seus recursos, tais como filtros negativos (não investir em setores “sujos”), integração ASG (colocar questões sociais, ambientais e de governança na análise e decisão de investimento) ou mesmo investimento de impacto (direcionar seu investimento em empreendimentos com impacto socioambiental positivo).
Imagem: Creative Commons
De acordo com a organização, nos últimos 2 anos, houve um crescimento absoluto de 34% de investimento sustentável no mundo, alcançando a expressiva cifra de US$ 30 trilhões. De todo o mundo, o Japão é o local com crescimento mais expressivo, 307% – ou um aumento de 4x do total de investimento sustentável que tinha há 2 anos. Isso o posiciona como o terceiro local do mundo com mais investimento sustentável, somente atrás da União Européia e dos Estados Unidos.
Imagem: Creative Commons
Proporcionalmente, o destaque vai para a Austrália, que contabiliza mais de 70% dos seus investimentos como sustentáveis. Significa dizer que a cada 1000 dólares investidos no país da Oceania, 700 dólares passaram por um crivo mínimo que garante direcionamento mais sustentável social e/ou ambientalmente.
E a expectativa da instituição é que esse crescimento continue em todas essas regiões do mundo, e também nas demais, como aqui, na América Latina. Eles mostram que há um sem número de novas legislações ou políticas públicas que incentivam (ou mesmo obrigam) que esses investidores institucionais hajam de forma crescentemente mais sustentável.
Falar de finanças e sustentabilidade para muitos leitores pode parecer um contrassenso, em especial aqueles que advogam por um ecossocialismo ou afins. Contudo, são inegáveis os esforços de um sem número de profissionais e organizações que concordam que o estágio de desenvolvimento social e de preservação ambiental em todo o mundo devem ser prioridades em nossa sociedade, mas desejam atacar essas questões de dentro do próprio sistema capitalista.
Imagem: Creative Commons
Ainda que essas ações possam não ter o alcance (ou mesmo o efeito de comunicação) de uma revolução completa de nosso sistema político-econômico-social, é cada vez maior o consenso de que a sustentabilidade tem que estar no coração da estratégia de investidores institucionais. E, estando no capitalismo, se mexemos com quem dá o dinheiro, mexemos no sistema como um todo.
Que esse estudo seja de fato um indício que essa estratégia é exitosa e efetiva.
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MALTA, Fernando. Sustentabilidade e finanças? Essa combinação que é possível!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/04/sustentabilidade-e-financas-essa-combinacao-e-possivel.html>.