Balanço sobre Fórum Mundial da Água

Nesta última semana aconteceu o Fórum Mundial da Água em Brasília. Durante o encontro, representantes de mais de 100 países estiveram presentes em nossa capital para discutir de forma holística a gestão dos recursos hídricos em nível local e global.

Neste ano, os brasileiros sugeriram como temática prioritária o compartilhamento da água e todas as questões políticas, sociais, econômicas e humanitárias daí decorrentes.

Uma das marcas principais do Fórum, neste ano contou-se com a presença de parlamentares de mais de 20 países, representantes do setor empresarial, ONGs, membros da sociedade civil e entusiastas, que contribuíram com a construção das mensagens das mais diversas formas, desde encontros de alto nível para discussões de políticas públicas a campanhas de conscientização e engajamento pelo uso da água.

Discussão
Imagem: World Water Forum 8

Os diversos organismos do Fórum tiveram diferentes resultados, cartas e publicações sendo lançadas, mas, possivelmente, a de maior impacto é a Carta de Brasília – uma declaração (informal) que foi desenvolvida desde o ano passado por representantes políticos de alto nível dos países envolvidos.

A declaração sugere que a aplicação de um “direito da água” ou similar deva ser seguido por 10 princípios:

  • A água como bem de interesse público.
  • Justiça da água, uso da terra e a função ecológica da propriedade.
  • Justiça da água e populações indígenas, tribais, montanhosas e outras em bacias hidrográficas.
  • Justiça da água e prevenção.
  • Justiça da água e o princípio da precaução.
  • In dubio pro aqua (no caso de incerteza, os recursos hídricos e os ecossistemas têm de sempre serem protegidos).
  • Poluidor-pagador, usuário-pagador e internalização das externalidades ambientais.
  • Justiça da água e boa governança hídrica.
  • Justiça da água e integração ambiental.
  • Justiça da água procedural.

Resumidamente, os pontos defendem que legislações e uma justiça que aborda questões sobre a gestão dos recursos hídricos devam priorizar a preservação da água e dos ecossistemas, devam ser inclusivas a todos os usuários e devam levar em conta conceitos já bem estabelecidos nas discussões ambientais, como o princípio da precaução, o poluidor-pagador e da internalização das externalidades ambientais.

Por outro lado, é claro que o encontro nunca foi antes e nem esteve nessa edição isento de críticas. Diversas ONGs acusam o Fórum de ser uma plataforma financiada por grandes empresas para que as mesmas possam “cooptar” a agenda de discussões sobre recursos hídricos a fim de que seu lobby em questões estratégicas para as mesmas – por exemplo, em temas controversos como precificação da água – possa ter êxito.

FAMA 1
Imagem: Twitter

Não à toa, nesta edição, concomitantemente ao evento, tivemos mais uma vez a realização do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), cuja declaração final defende que “a água não é mercadoria, a água é do povo”, denunciando uma série de empresas multinacionais e que “água é vida, é saúde, é alimento, é território, é direito humano, é um bem comum sagrado”.

Crítica
Imagem: Creative Commons

Do meu ponto de vista, ainda que entenda e compactue com muitos dos pontos levantados pelo FAMA, o Fórum Mundial da Água mantém, sim, sua relevância por levar a agenda de discussão política global um assunto que quase sempre é somente discutido em âmbito regional/nacional.

A troca de experiências, de exemplos de legislação, de boas práticas; o compartilhamento de preocupações que transcendem barreiras nacionais; o posicionamento em tópicos antes simplesmente ignorados pela agenda política global; e, é claro, o a relevância de manter não só a agenda ambientalista, mas o protagonismo dos recursos hídricos nessa agenda, ante sua importância vital para a humanidade – todos esses são pontos que merecem, sim, ser elogiados, reforçados e perpetuados na organização de Fóruns – alternativos ou não – como esses.

O próximo Fórum Mundial da Água acontecerá em 2021, no Senegal.

 

 

 

 

Qual a situação da água no Brasil? Como funciona a gestão de recursos hídricos no país?

Observando a distribuição global da água, podemos constatar que o Brasil é favorecido geograficamente. Afinal, nosso território, recortado por diversas bacias hidrográficas, é a maior reserva de água doce superficial do planeta. O que representa, em termos percentuais, 12% do total mundial.

Além disso, o Brasil também possui grandes reservas de águas subterrâneas, sendo essa reserva estimada em 112 mil km³. A maior parte deste volume se encontra no Aquífero Guarani, o maior manancial de água doce transfronteiriça do mundo com uma área de 1,2 milhão de km², estendendo-se pelo Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina.

Aquíferos Brasil Água
Imagem: Água Sua Linda

No entanto, antes de comemorar, de fato, este atributo, façamos uma análise cautelosa de como a água doce superficial se distribui no país: 68% localiza-se na região Norte, 16% na região Centro-Oeste, 7% na região Sul, 6% na região Sudeste e 3% na região Nordeste. Agravando este contexto de desigual distribuição da água, temos o fator populacional, que além de se concentrar historicamente próximo ao litoral, é também maior nos grandes centros urbanos localizados na região Sudeste, a exemplo das duas maiores metrópoles brasileiras (São Paulo e Rio de Janeiro). Para se ter uma ideia, em termos de distribuição espacial, 42,03% da população brasileira vive na região Sudeste, 27,68% na região Nordeste, 14,33% na região Sul, 8,28% na região Norte e 7,67% na região Centro-Oeste, de acordo com dados de 2017 do IBGE.

falta água

E o que isso representa? Apesar do Brasil ser um país abundante em água, esse recurso não é bem distribuído para sua população por questões geográfica, demográfica, econômica e social. Assim, a quantidade e a qualidade de água que chega à população acaba comprometida, em grande parte não atendendo à demanda populacional, principalmente nas regiões mais carentes onde os serviços de saneamento básico são mais precários ou mesmo inexistentes. O que vai de encontro com o entendimento de que a água é um direito humano necessário a sobrevivência.

No último ano (2017), a Lei das Águas (Lei nº 9.433), que estabeleceu a Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH) e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh), completou 20 anos. Os fundamentos trazidos por essa lei são: a compreensão de que a água é um bem público, isto é, a água não pode ser privatizada; a sua gestão é baseada em usos múltiplos, ou seja, para o abastecimento da população, para a geração de energia, para a irrigação de lavouras, para a utilização na indústria e etc.; além de ser também descentralizada, isto é, a gestão desse importante recurso deveria envolver a participação de usuários, da sociedade civil e do governo. A Lei das Águas, ainda institui uma importante disposição para situações de escassez hídrica: nesse cenário, o consumo humano e de animais é prioritário.

Assista o vídeo e saiba mais sobre a Lei das Águas.

É essencial destacar que a unidade territorial utilizada para implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos é a bacia hidrográfica. O que vai de encontro à dificuldade em se estabelecer instrumentos possibilitadores de uma gestão adequada dessas bacias. O fato das bacias hidrográficas abrangerem diversos territórios e municípios é um fato que dificulta a administração e implementação de políticas públicas voltadas para recursos hídricos. Em outras palavras, pelo fato de cada município tratar de forma diferenciada seus recursos hídricos, não há um consenso para a governança conjunta das bacias hidrográficas.

Isso significa que apesar de possuirmos uma certa base legislativa e políticas públicas voltadas para uma melhor gestão dos recursos hídricos, na prática, divergências relacionadas a gestão de municipalidades entravam a melhor execução da Política Nacional de Recursos Hídricos a nível da unidade territorial de gestão desses recursos, a saber as bacias hídricas que se localizam em diversos municípios de uma mesma região, podendo estar presentes em mais de uma mesma região.

Com informações de: Estadão, FAPESP, MMA e MMA.

 

 

15 dicas para economizar água e reduzir o seu consumo (e sua conta)

Com algumas atitudes simples, é possível economizar uma boa quantia de água por mês

 

É possível adotar algumas medidas práticas no dia a dia para reduzir o consumo de água na residência. Além de contribuir com a redução total do consumo da sua cidade, ainda gera uma economia na conta no fim do mês. Confira 15 dicas de como economizar água no dia a dia com pequenas grandes ações:

  • Colete a água da chuva: Construa uma cisterna em casa ou use algum recipiente para coletar a água da chuva. É importante que tudo esteja bem tampado, para evitar a proliferação de mosquitos que propagam doenças, como a dengue. Nada de tampas soltas, lona, madeiras ou telhas. A água da chuva pode ser utilizada para descarga, limpeza do quintal, do carro e do chão de casa, por exemplo. Porém, não é apropriada para consumo humano ou de animais, pois a água da chuva traz resíduos da atmosfera – fervê-la simplesmente não adianta. Se ela passa pelo telhado e pela calha antes de cair no recipiente em que será armazenada, é ainda pior. Atenção: o período máximo de armazenamento da água da chuva é de quatro dias.
  • No banho: Se molhe, feche o chuveiro, se ensaboe e depois abra para enxaguar. Não fique com o chuveiro aberto. O consumo cairá de 180 para 48 litros.
  • Ao escovar os dentes: escove os dentes e enxague a boca com a água do copo. Assim você economiza 3 litros de água.
  • Na descarga: Verifique se a válvula não está com defeito, aperte-a uma única vez e não jogue lixo e restos de comida no vaso sanitário.
  • Na torneira: Fique atento se a torneira não continua pingando água mesmo quando fechada. No período de um ano, ao menos 16 mil litros de água limpa são desperdiçados pelo mau fechamento das torneiras.

  • Vazamentos: Um buraco de 2 milímetros no encanamento desperdiça cerca de 3 caixas d’água de mil litros.
  • Na caixa d’água: Não a deixe transbordar e mantenha-a tampada.
  • Na lavagem de louças: Lavar louças com a torneira aberta, o tempo todo, desperdiça até 105 litros. Ensaboe a louça com a torneira fechada e depois enxague tudo de uma vez. Na máquina de lavar são gastos 40 litros. Utilize-a somente quando estiver cheio.
  • Regar jardins e plantas: No inverno, a rega pode ser feita dia sim, dia não, pela manhã ou à noite. Use mangueira com esguicho-revólver ou regador.

  • Lavar carro: Quando for lavar o carro, não utilize mangueira. Troque o utensílio pelo balde. Outra forma de economia é a ecolavagem: é possível deixar o veículo limpo e protegido com menos de um litro de água. Para viabilizar, você precisa de um shampoo especial para lavagem, dois panos de microfibra e um borrifador com 400 ml de água.
  • Lavagem de frutas e legumes: Na hora de lavar frutas, legumes ou verduras, use uma panela ou tigela com água, em vez de usar água corrente. Depois, use essa mesma água para outras tarefas, como limpar o chão ou para regar as plantas.
  • Na limpeza de quintal e calçada USE VASSOURA :Se precisar utilize a água que sai do enxague da máquina de lavar.

  • Reaproveite a água da máquina de lavar: A água que a máquina de lavar roupa usa para o enxague pode ser utilizada para limpar o chão da cozinha ou do quintal. Basta retirar a mangueira de vazão do cano e desviar o fluxo para um balde. Dependendo do número de enxagues, dá para economizar até três baldes cheios por lavagem e reutilizar a água em outras tarefas diárias.
  • Ar-condicionado: O seu ar-condicionando fica pingando água? Coloque um balde embaixo da goteira e utilize a água captada para outras atividades domésticas.
  • Ao Lavar Roupas: Utilize a máquina de lavar somente quando estiver na capacidade total. São gastos, por lavagem, 135 litros de água

 

 

Homem cria ecobarreira caseira e retira 1 tonelada de lixo de rio

Ecobarreira já retirou garrafas, capacetes e até um fogão das águas do rio

Cansado de ver garrafas plásticas, latas e até sofás e fogões correndo pelas águas poluídas do rio que passa nos fundos de sua casa, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), Diego Saldanha resolveu agir. Criou uma ecobarreira caseira para segurar o lixo flutuante e com isso já retirou mais de 1 tonelada de resíduos do rio, inclusive capacete e até um fogão.

ecobarreira rio
Imagem: Divulgação

Com muita criatividade, Diego criou a ecobarreira, um dique flutuante formado por galões plásticos de 20 litros unidos por uma rede que, esticado de uma a outra margem, funciona como uma barreira que retém o lixo que é arrastado pela correnteza.

A lista de objetos retidos pela ecobarreira não para de crescer: são sacolas plásticas, garrafas PET, embalagens plásticas de vários tipos de produtos, capacete, bonecas, bolas, sofá, cadeira infantil para automóveis, tubos de imagem de televisores antigos, fogão, aquecedor elétrico e até uma máquina de lavar.

ecobarreira rio
Imagem: Divulgação

Diego faz a limpeza do rio, duas vezes por dia, uma antes de ir para o seu trabalho, de vendedor de frutas nos semáforos da cidade, e outra já no final da tarde.

Ele conta que quando criança nadava no rio Atuba e foi percebendo gradativamente que o rio estava morrendo e, por isso, tomou essa iniciativa. Foi pensando em demonstrar aos seus filhos, que, ainda são crianças, a necessidade de preservar a natureza.

https://youtu.be/R1SPHFPsD3I

“O maior de todos os erros é não fazer nada por achar que se faz pouco. Faça tudo que puder, mesmo que te digam que você está enxugando gelo. Faça sua parte! ”, disse Diego Saldanha.

Hoje Diego dá aulas e faz palestras sobre meio ambiente, ensinando as crianças a fazer suas próprias ecobarreiras.

Mulher com bonecas
Imagem: Divulgação

E o que fazer com os objetos recolhidos? Da iniciativa da criação da ecobarreira, nasceram algumas iniciativas, como:

  • As garrafas de plástico reciclável são doadas para a campanha de coleta e venda de materiais recicláveis, da escola municipal na qual estudam os dois filhos de Diego. A venda das garrafas PET servem para a escola arrecadar alguns recursos;
  • As bonecas retiradas do lixo do rio Atuba são restauradas pela mãe de Diego, Marizete Saldanha, e, posteriormente, colocadas à venda, em seu brechó;
  • As várias bolas retiradas do rio Atuba foram doadas, aos garotos da vizinhança, onde Diego mora, fazendo a alegria da garotada;
  • E até um museu foi criado ao lado da ecobarreira para expor os objetos mais curiosos retirados.
ecobarreira rio
Imagem: Divulgação

Atitudes como esta, demonstram que é possível um cidadão comum, fazer mudanças palpáveis e eficazes para solucionar problemas que afetam o nosso meio ambiente. Elas motivam e dão esperanças de ter um futuro melhor.

Com informações de: Hora 7 – R7Mundo ConectadoUFPR – PECCA, UOL

 

 

 

Uma Baía de Guanabara que você nunca viu

Documentário mostra a vida marinha que resiste na Baía de Guanabara, apesar de sua poluição

A Baía de Guanabara não está morta. Pelo contrário, debaixo de suas águas poluídas, há verdadeiros santuários marinhos. Raias, corais, botos, caranguejos, polvos e tartarugas lutam diariamente para sobreviver em meio a poluição.

Baía Coral
Imagem: Divulgação
Baía - Tartaruga
Imagem: Divulgação

O biólogo marinho e cineasta brasileiro Ricardo Gomes encarou a missão de revelar tesouros nunca antes filmados. Ao longo de um ano e meio, durante 40 dias, em mergulhos em diversos pontos da Baía, Ricardo registrou as mais diversas espécies de vida marinha, como peixes, raias e até mesmo lulas e cavalos-marinhos. Algumas delas em risco de extinção.

Baía Urbana
Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Dos seus registros, nasceu o documentário Baía Urbana. Com 73 minutos, o documentário mostra um lado pouco conhecido da Baía de Guanabara, cuja poluição cotidiana de esgotos e de lixo acaba ganhando mais repercussão internacional do que suas resistentes maravilhas.

Entre as maiores riquezas mostrada no documentário, está a diversidade de raias, um dos principais atrativos do turismo subaquático do mundo. Hoje, na Baía, há sete espécies formalmente registradas em publicações científicas, o que coloca a Baía de Guanabara como a sexta do mundo e a primeira do Brasil com a maior biodiversidade de elasmobrânquios (grupo que reúne raias e tubarões), segundo uma pesquisa feita pelo Instituto de Biologia da UFRJ.

Baía urbana raia
Imagem: Divulgação

Veja o trailer do documentário:

A relação de Ricardo com a Baía começou quando ele foi morar no bairro do Flamengo, em 1981. À época, ele costumava nadar por ali. Dez anos depois, viveu de pescar garoupas, que eram vendidos em feiras.

Ao contrário do que diz a crença popular, as águas da Guanabara não são inóspitas, elas ainda são o lar de uma rica biodiversidade, embora não se saiba por quanto tempo a resiliência dos seres vivos aguentará. A Baía de Guanabara ainda respira.

O fato é sua despoluição é necessária para manter viva sua rica biodiversidade marinha, da qual dependem milhares de pescadores. Estima-se em mais de 20 mil pescadores que dependem dela para sua sobrevivência. Porém menos de 20% de suas águas são apropriadas para a pesca atualmente.

Baía Mare Poluicão

São 465 toneladas de esgoto por dia jogado todos os dias na Baía pelos seus 16 municípios do entorno. Deste total, apenas 68 toneladas são tratadas. Além de esgoto, o lixo industrial líquido é responsável pela poluição provocada por substâncias tóxicas e metais pesados nas águas da Guanabara.

Baía Urbana

Ricardo chama a Baía de “Amazônia azul” ou a floresta amazônica submersa. Por meio do documentário, ele espera levar as atenções para as maravilhas da vida marinha e levar sociedade civil e governos à ação.

Baía_de_Guanabara_vista_do_alto_do_Corcovado

Com informações: Instituto Mar Urbano, Museu do Amanhã, ONU, O GloboProjeto Colabora

 

 

Fórum Mundial da Água pela primeira vez no Brasil

 

Já discutimos por aqui o porquê do Saneamento Básico ser considerado a maior tragédia brasileira, já que o número de pessoas sem acesso ao saneamento básico (água, esgoto e resíduos urbanos) chega a assustadores 35 milhões, o que representa quase 17% da população brasileira.

Imagem: Creative Commons

Com o intuito de transformar essa triste realidade e solucionar alguns problemas como escassez hídrica; carência de saneamento e abastecimento; e melhoria na qualidade da água, acontece esta semana em Brasília, o 8º Fórum Mundial da Água.

Seca em Sobradinho/BA

O Fórum Mundial da Água, organizado pelo Conselho Mundial da Água, é o maior evento mundial sobre o tema “água”. O Conselho é uma organização que unifica todas as partes interessadas no tema. No âmbito do Fórum é que autoridades, usuários de água e representantes da sociedade civil se reúnem para discutir o tema da água sob a perspectiva da sustentabilidade.

Por sua abrangência política, técnica e institucional, o Fórum tem como uma de suas principais características a participação aberta e democrática de um amplo conjunto de atores de diferentes setores, traduzindo-se em um evento de grande relevância na agenda internacional.

A fim de estimular debates mais frutíferos, o Fórum se estrutura em seis componentes:

  • Temático
    Como orientação central para os debates e discussões.
  • Regional
    Com a apresentação das perspectivas das diversas regiões globais.
  • Político
    Oportunidade de promoção do diálogo com os representantes eleitos como prefeitos, parlamentares, governadores, ministros e chefes de estado.
  • Sustentabilidade
    Transversal a todos os outros componentes, promoverá o debate sobre os vários aspectos do uso sustentável dos recursos hídricos.
  • Fórum Cidadão
    Como plataforma aberta de discussão entre todos os interessados com vistas à troca de experiência, capacitação, estabelecimento de parcerias, etc.
  • Feira e Exposição
    Espaço para os interessados apresentarem suas contribuições e iniciativas, promovendo intercâmbio e troca de experiências.

Já nos primeiros dias do 8º Fórum Mundial da Água foi apresentado o Relatório Mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos defende que canais de irrigação, estações de tratamento de água e reservatórios não sejam as únicas ferramentas de gestão hídrica disponíveis. O relatório reconhece a água não apenas como um elemento isolado, mas como parte integrante de um processo natural complexo que envolve evaporação, precipitação e absorção da água pelo solo.

O relatório também reconhece que a presença e a extensão da cobertura vegetal (como pastagens, zonas úmidas e florestas), a recomposição de solos e a proteção das bacias hidrográficas possuem um importante papel no ciclo da água e precisam ser o foco de ações para a melhoria da quantidade e da qualidade da água disponível, além de serem instrumentos eficazes na redução do impacto dos desastres naturais.

Além disso, a realização do Fórum Mundial da Água é uma importante oportunidade de conscientização sobre a importância da água e do uso responsável desse recurso tão precioso à vida do planeta. O tema “Compartilhando Água” traz a expectativa de que o tema água alcance a mesma relevância política de temas mais tradicionais.

Para mais informações sobre o 8º Fórum Mundial da Água visite o site: http://www.worldwaterforum8.org

 

 

 

O Potencial – muitas vezes não percebido – de Tecnologias Ambientais na Escola

Se fizermos uma rápida pesquisa na internet ou perguntarmos para um grupo de educadores quais são as principais características de uma escola sustentável, certamente aparecerão diversos exemplos de tecnologias e infraestruturas ambientais: uma escola que faz a gestão adequada de seus resíduos, que possui coleta seletiva e composta a sobra de seus alimentos orgânicos, que utiliza iluminação natural e lâmpadas LED em seus prédios ou que possui um sistema de captação e reuso de água.

Investir energia, tempo e dinheiro nesse tipo de solução de fato contribui para uma escola mais sustentável quando olhamos para seus impactos ambientais ou índices de eco eficiência. Entretanto, não podemos perder de vista o que mais importa dentro de qualquer espaço educador: as pessoas e seus relacionamentos.

Imagem: Creative Commons

Os diversos exemplos de tecnologias ambientais citados acima devem, portanto, ser compreendidos como ferramentas pedagógicas e não apenas produtos finais de projetos ou ações.

Vamos considerar a implantação de uma horta, por exemplo. Além de aumentar o espaço verde da escola e produzir alimentos livres de agrotóxicos, é uma excelente oportunidade para fomentar a cooperação entre os alunos e também a responsabilidade e a resiliência de cada um.

Imagem: Creative Commons

E isso não se aplica apenas ao meio escolar. Uma campanha de carona em uma empresa pode, além de reduzir o trânsito e poluição das cidades, estreitar vínculos e aproximar pessoas que normalmente não se relacionariam.

Sendo assim, é importante entendermos que investir em tecnologias e infraestruturas ambientais não é o suficiente para criarmos escolas mais sustentáveis. Precisamos desenvolver projetos, ações ou programas de sustentabilidade que fomentem valores humanos e estreitem relacionamentos e vínculos na escola.

Imagem: Creative Commons

Para finalizar, coloco abaixo três exemplos reais e práticos de algumas ações e projetos sustentáveis, complementando seus objetivos “ambientais” a todo seu potencial pedagógico e de transformação.

 

 

 

Energia Solar: um caminho para a sustentabilidade

Apesar de ser uma das fontes de energia mais sustentáveis do mundo, por ser renovável e inesgotável, a produção de energia solar no Brasil ainda está muito aquém do potencial que nosso país possui. De acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), órgão do governo responsável por realizar estudos sobre o setor energético, atualmente apenas 0,6% de toda matriz energética no Brasil provém da energia solar.

Esse dado é ainda mais alarmante quando constatamos que os piores lugares de irradiação no Brasil ainda são 30% mais eficientes para a produção de energia solar que na Alemanha, um dos maiores produtores desta fonte de energia no mundo. Em matéria veiculada recentemente pelo UOL é possível ter um importante panorama do setor no Brasil.

Parque Solar Bom Jesus da Lapa, o maior parque solar da América Latina/ Imagem: Divulgação/Antônio Pinheiro/ Reprodução: Correio 24 Horas

O aumento na capacidade instalada de energia solar pode e deve trazer inúmeros benefícios tanto do ponto de vista financeiro quanto ambiental. Com a utilização desta fonte é possível diminuir o consumo de energia termelétrica, por exemplo, que são caras e, assim, economizar na conta de luz. Casas e/ou empreendimentos que possuem energia solar fotovoltaica instalada podem gerar sua própria energia e não mais depender das geradoras e distribuidoras do país que podem em algum momento deixar de suprir toda a demanda do mercado, como já ocorreu em “apagões” há não tanto tempo atrás. Além disso, como bem explicado no portal do Sebrae, diferente dos combustíveis fósseis, o processo de geração de energia elétrica a partir da energia solar não emite dióxido de enxofre (SO2), óxidos de nitrogênio (NOx) e dióxido de carbono (CO2) – todos gases poluentes com efeitos nocivos à saúde humana e que contribuem para o aquecimento global. Por isso a energia solar é conhecida como fonte limpa. Entenda melhor como funciona a energia solar:

Dito tudo isso, é impossível não fazer o questionamento: por que produzimos tão pouco?

Além de enfrentar o forte lobby envolvido na geração das principais fontes de energia no Brasil, o custo de investimento considerável e a falta de incentivos (sejam financeiros e/ou educativos) ainda impactam muito no crescimento da produção de energia solar no país.

Iniciativas como a do Estado de Minas Gerais, que pratica a isenção de ICMS para a energia solar, bem como o fomento por parte de programas como o Indústria Solar, parceria entre instituições e empresas de Santa Catarina que tem como objetivo levar energia solar autofinanciável para indústrias de pequeno e médio porte catarinenses, são ações que buscam estimular e popularizar a produção desta fonte de energia no Brasil.

Imagem: Creative Commons

A Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), órgão que representa o setor, tem buscado promover e divulgar esta fonte sustentável de energia, pontuando sua importância no que diz respeito à preservação dos recursos naturais, atendendo as necessidades atuais sem comprometer o acesso para as gerações futuras, bem como apresentando a tecnologia disponível para diversificar a atual matriz energética, gerar economia e impulsionar negócios.

Se interessou pelo tema? O Portal Solar reúne o maior conteúdo sobre o assunto.

 

Clique aqui para ler mais artigos de Stephani Loppnow

 

 

O acesso às áreas protegidas e o equilíbrio natural

Em época de férias todos buscam por locais que ajudem a espairecer, descansar e recarregar as energias. Um local em que se possa parar de pensar no dia-a-dia, colocar o pé no chão, ver um horizonte mais ao longe.

Para isso o contato com a natureza é uma opção das mais procuradas. Seja o mar, seja o campo, todos tendemos a buscar locais exuberantes em natureza.

Parque Nacional de Aparados da Serra/ Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Neste verão estivemos em diversas áreas de conservação na região sul do Brasil. Na sua maioria parques, abertos à visitação, alguns com taxa de turismo e outros não.

Mas o que chamou a atenção foram as condições de acesso a esses locais: via de regra uma estrada de chão batido, com cascalho solto, até o pórtico de entrada. Depois disso, tênis e muita disposição, pois os mirantes e locais em que podemos voar com os pensamentos são aqueles que requerem uma caminhada por meio de trilhas.

Parque Nacional de Aparados da Serra/ Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Muitos podem pensar que o acesso deveria ser melhorado, mas poucos pensam nos impactos que um melhor acesso teria no equilíbrio do ambiente protegido.

Parque da Ferradura/ Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Áreas protegidas buscam em primeiro lugar a preservação. Há naquele local, exemplares únicos de fauna e flora que justificam a proteção e que precisam ser preservados. Quando estávamos deixando o Parque da Ferradura, no Município de Canela/RS, avistamos uma aranha grande atravessando a estrada. Fosse asfalto, não estaríamos em velocidade compatível para vê-la ou mesmo para impedir que causássemos dano a esse animal.

Aranha no Parque da Ferradura/ Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Já no Parque Nacional de Aparados da Serra, em Cambará do Sul/RS, podia-se ver, ao lado da trilha de subida para o mirante do Cânion Fortaleza, uma formação lindíssima (de seres vivos, que prefiro nem qualificar, pois meus conhecimentos de biologia são mínimos). São cenas que não combinam com a criação de uma forma mais acessível de turismo, sob pena de serem exterminadas.

Vegetação no Parque Nacional de Aparados da Serra/ Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

A convivência entre espaço de conservação e visitação é muito bem pensada a fim de gerar o menor desequilíbrio possível. Em Santa Catarina, no Parque Interpraias, que fica na cidade de Camburiú/SC, duas cenas também chamam a atenção. A primeira é uma árvore, que se debruça sobre os degraus, na qual foi afixada uma placa com os dizeres: “Curve-se à natureza”. Para passar, é preciso abaixar-se. Em outro local, árvores que foram derrubadas pelo mau tempo continuam caídas em meio à mata, sendo que uma placa foi afixada informando que a gestão do parque procura não intervir nos processos naturais e que naquele local, uma nova forma harmônica de equilíbrio crescerá, sem necessidade de intervenção.

Parque Unipraias – Balneário Camboriú/ Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

E num dos parques um turista estrangeiro, vendo os papeis de bala e garrafas de plástico espalhados pela trilha, toca o meu braço e com uma expressão de espanto pergunta: “Why?” Respondi que talvez as pessoas se sintam muito donas dessa terra, a ponto de fazer o que bem entenderem naquele espaço. Ou então não percebem o valor que tem uma unidade de conservação.

O que fica de reflexão, depois de encher os olhos e o coração com magníficas paisagens e experiências, é que as áreas de proteção nos abrem uma exceção de visitação, mas não de intervenção.

Parque Nacional de Aparados da Serra/ Fonte: Janaína Steffen – Autossustentável

Em que medida estamos preparados para usufruir dessas maravilhas e mantê-las? Que tipo de relação temos com as unidades de conservação? Sabemos não intervir?

Vista panorâmica do Parque Nacional de Aparados da Serra/ Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Para saber mais sobre os Parques citados:
Parque Nacional de Aparados da Serra – http://www.icmbio.gov.br/parnaaparadosdaserra/index.php
Parque Unipraias – Balneário Camboriú – http://www.unipraias.com.br/home

 

Clique para ler mais artigos de Janaína Steffen

 

Imagine um Mundo Novo

2018 chegou. Estamos navegando em novas águas. Será que este novo período pode ser diferente?

Imagine um novo mundo!

Um mundo em que todas as crianças cresçam com uma compreensão profunda da vida ao seu redor. Onde todos nós possamos conhecer os animais e as plantas de nossos quintais, bem como conhecer a Floresta Amazônica, o Pantanal e os manguezais. Onde, apesar da tecnologia se desenvolver cada vez mais, nós nos voltamos cada vez mais para a natureza.

Imagem: Camila Grinsztejn

Buscamos um mundo novo onde nós não só conservamos a natureza, mas também a criamos em todos os lugares, onde vivemos, trabalhamos, aprendemos e nos divertimos. Onde parques e espaços abertos estão repletos de espécies nativas. Onde restauramos as rotas de migração de pássaros e borboletas. Onde os corredores de vida selvagem em cada cidade servem como as vias brônquicas e arteriais da vida.

Imagine um mundo novo, onde as cidades ricas em natureza servem como motores da biodiversidade. Onde os subúrbios em decomposição, os shoppings decadentes são transformados em eco vilas ricas em natureza. Onde os espaços vazios se tornam espaços de jogos naturais e jardins comunitários. Onde os arranha-céus se tornam fazendas verticais, com espirais e decks que produzem alimentos e enriquecem a saúde das pessoas e outros animais. Onde, através de biomimética [1], os ambientes construídos não só economizam energia, mas produzem sua própria energia, incluindo a energia humana – nas formas de maior produtividade, criatividade e saúde.

Imagem: Camila Grinsztejn

Imagine um mundo novo onde cada hospital oferece um jardim para cura, e pediatras e outros profissionais de saúde prescrevem o contato com a natureza. Onde a obesidade – de crianças e adultos – é reduzida através de experiências com o mundo natural.

Um mundo novo, onde a metodologia tradicional de educação não é decorar e passar no vestibular, mas maravilha e admiração pela vida. Onde a educação usa o poder do mundo natural para estimular nossas capacidades de aprender e criar. Onde “mentes híbridas” são nutridas, ampliando os benefícios sensoriais e criativos da experiência virtual e natural.

Imagem: Camila Grinsztejn

Onde cada escola tem um espaço natural em que as crianças experimentam a alegria de aprender através da natureza novamente. Onde os professores são encorajados a levar seus alunos em viagens de campo para as florestas, montanhas e riachos próximos. Onde os educadores sentem seu próprio senso de esperança e emoção retornando à sua profissão e aos seus próprios corações.

Imagine um mundo onde conectar as pessoas à natureza se torne uma indústria em crescimento. Onde novas empresas transformam nossas casas, nossos locais de trabalho, nossas vidas, através da natureza. Onde cada estudo econômico regional inclui o valor mensurável e imensurável de bacias hidrográficas e sistemas naturais, e os poderes restaurativos e curativos do mundo natural.

Um mundo novo, onde as crianças e os adultos sentem um profundo senso de identidade e pertencimento com as biorregiões nas quais vivem. Onde a história natural se torna tão importante como a história humana para nossas identidades regionais e pessoais; onde a história é definida menos pelas batalhas e guerras e mais pelas histórias de nosso parentesco.

Imagem: Camila Grinsztejn

Onde os seres humanos e outros animais já não vivem em oposição. Onde a natureza humana e o capital social enriquecem nossa vida diária e onde, como espécie, não nos sentimos tão sozinhos. Um mundo onde as crianças experimentam a alegria de estar na natureza antes de aprenderem a sua perda, onde podem se deitar na grama numa encosta por horas e observar as nuvens se tornarem os rostos do futuro.

Onde cada criança e cada adulto têm direito a uma conexão com o mundo natural e compartilha a responsabilidade de cuidar da Terra. Onde cada criança, independentemente da raça ou status econômico ou gênero ou identidade sexual ou conjunto de habilidades, tem a oportunidade de colaborar na criação deste futuro rico em natureza.

Imagem: Camila Grinsztejn

Imagine um mundo onde a força do nosso espírito não é medida pela especificidade da nossa linguagem, mas pelo cuidado e parentesco que compartilhamos uns com os outros e com nossas outras espécies na Terra.

 

 [1] A biomimética é a área que estuda os princípios criativos e estratégias da natureza, visando a criação de soluções para os problemas atuais da humanidade, unindo funcionalidade, estética e sustentabilidade. O princípio da biomimética é utilizar a natureza como um exemplo e fonte de inspiração, e não de apropriação similar às práticas da biologia sintética. A natureza deve ser consultada, e não domesticada, reforçando a ideia da sustentabilidade. Fonte: eCycle 

 

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Organização promove ações de Educação Ambiental com Bioconstrução e Permacultura

Fechamos a nossa Semana Temática de Educação Ambiental com um outro exemplo inspirador. Fundada em 2010 por um grupo de ambientalistas, educadores e profissionais da sustentabilidade, a Sustentarte promove ações de Educação Ambiental e Sustentabilidade através da vivência e arte.

Imagem: Sustentarte

A organização desenvolve projetos de Educação Ambiental continuada em escolas públicas e privadas desde a educação infantil até ensino médio. Através da arte e da compreensão do corpo, aborda-se temas que resgatam culturas e conectam com a natureza que somos. O programa é voltado para uma Eco Alfabetização contínua e incentivo à Cultura da Sustentabilidade.

Imagem: SustentartePermacultura, bioconstrução, bambu e bioestruturas, cultivo de hortas e mudas nativas, dinâmicas corporais, contação de histórias e cantigas são algumas das ferramentas que eles utilizam para a sensibilização.

Imagem: Sustentarte
Imagem: Sustentarte

Desde 2010, a organização trabalha para a transformação desta realidade em escolas das cidades do Rio de Janeiro e Niterói. O objetivo é contribuir ativamente para a formação de uma geração mais consciente e comprometida com a construção de um planeta mais sustentável.

A organização também organiza cursos, palestras e oficinas para professores, educadores, estudantes e profissionais da área de sustentabilidade e educação ambiental.

Imagem: Sustentarte

Para saber mais sobre a Sustentarte acesse:

Site: http://sustentarte.org.br

Página no Facebook: https://www.facebook.com/sustentarte.org/

 

4 Aprendizados que tive trabalhando por anos com Sustentabilidade em Escolas

Não poderia iniciar essa parceria com o Autossustentável de maneira mais especial do que contribuindo para a Semana Temática de Educação Ambiental, assunto parte da minha vida e atuação profissional há algum tempo.

Um dos principais aprendizados que tive ao longo desses anos atuando com programas de sustentabilidade em escolas é que não existe receita pronta. Não existe um passo a passo de sucesso que funcione igualmente para todas as instituições e que faça com que projetos saiam do papel, engajem todas as pessoas, tenham continuidade e resultados no prazo esperado. Educar para sustentabilidade envolve muito diálogo, criações coletivas, inovação, mudança de cultura, muita insistência, correr riscos e cometer erros.

Imagem: Creative Commons

Ainda assim, existem algumas características e pontos que são comuns a projetos verdadeiramente significativos e transformadores.

1. Ouvir para conhecer e engajar
Conheci inúmeros projetos que não tiveram o engajamento, resultados ou continuidade desejados por terem pulado uma etapa essencial: ouvir.

Ouvir a comunidade e seus diferentes atores cria empatia, estimula a participação de todos, permite a troca de visões e experiências diferentes e eleva os níveis de corresponsabilização.

Antes de iniciar uma horta repleta de alfaces e tomates, por exemplo, é importante compreender se isso é um desejo compartilhado entre as demais pessoas de sua comunidade. Às vezes, é uma horta medicinal que brilha os olhos, por exemplo…

Imagem: Creative Commons

2. Projetos e escolas sustentáveis devem ser pautados em valores humanos
Trabalhar com educação ambiental focando apenas na transmissão de informações para mudança de comportamentos pontuais não se sustenta muito menos é real e significativa.

A base desse processo educacional deve ser o desenvolvimento de valores humanos e de uma mudança de cultura. Cooperação, solidariedade, altruísmo, respeito e empatia são alguns dos valores essenciais para a criação de uma escola ou instituição sustentável.

Imagem: Creative Commons

3. Infraestruturas e tecnologias ambientais como meio e não como objetivo final
Hortas, coleta seletiva de resíduos, compostagem ou até painéis solares não devem ser vistos como objetivos finais de projetos de sustentabilidade. Os mesmos devem ser ferramentas pedagógicas para transformar o que há de mais importante em qualquer espaço educador: as pessoas e seus relacionamentos.

No momento de planejar a implantação de um programa de carona solidária, por exemplo, não tenha como foco central apenas a diminuição de carros nas ruas, mas sim como isso pode estreitar vínculos, criar mais respeito e empatia entre as pessoas.

Imagem: Creative Commons

4. Soluções não são simples nem individuais
Cada um deve fazer a sua parte” ou “pequenas ações mudam o mundo” são jargões muito utilizados na educação ambiental. Porém, para solucionar e reverter os desafios na magnitude e urgência que enfrentamos atualmente, isso não se prova como suficiente.

É necessário cada vez mais espaços educadores que apoiem o processo de empoderamento das pessoas para criarem juntas soluções criativas, colaborativas e significativas; para terem uma visão sistêmica, crítica e real da complexidade e dos desafios das quais fazem parte; e para não se darem como satisfeitas apenas separando seu resíduo reciclável em casa.

Imagem: Creative Commons

Finalizo deixando uma reflexão: se conhecesse alguém que estivesse começando agora a trabalhar com educação para sustentabilidade, quais aprendizados você compartilharia? E para quem está iniciando sua trajetória, quais são suas principais angústias ou anseios?

 

 

 

 

Educação e Sustentabilidade por um mundo melhor: Conheça a Reconectta!

Sabemos que falar sobre Educação Ambiental no Brasil ainda é um grande desafio. Então, para nos animar a prosseguir nesse caminho, buscamos histórias e exemplos inspiradores.

Assim é a história da Reconectta, um negócio social fundado por um grupo de entusiastas pela Sustentabilidade. O propósito da Reconectta é utilizar o poder transformador da educação aliado aos valores e cultura da sustentabilidade para a construção de um mundo melhor, mais sustentável e justo.

Imagem: Reconectta – Página Facebook

O quarteto entusiasta é formado por Livia Ribeiro, engenheira ambiental pela UNESP e MBA em gestão de empresas e negócios com formação modular em UC Berkeley; Douglas Giglioti, Global Shaper pelo Fórum Econômico Mundial e educador com MBA em gestão de empresas com formação modular em Babson College, Edson Grandisoli, biólogo, ecólogo e doutorando em Educação para a Sustentabilidade pela USP;  e Aline Fanti, engenheira ambiental formada pela UNESP, mestre em hidrogeologia pela USP e especialista em gerenciamento de áreas contaminadas pelo SENAC.

Líderes da Reconectta, da esquerda para direita: Livia Ribeiro, Aline Fanti, Douglas Giglioti e Edson Grandisoli. Imagem: Reconectta – Página Facebook.

A Reconectta surge da necessidade de recriar e ressignificar a conexão não só com o meio ambiente, mas também com os outros e com nós mesmos. Esta proposta de Educação Ambiental é levada às escolas e empresas por meio de experiências educacionais criadas a partir dos programas e projetos de educação para sustentabilidade.

Esses programas e projetos incluem:

Programas Institucionais
Programas institucionais de sustentabilidade para escolas e de responsabilidade socioambiental para empresas.

Formações Especializadas 
Cursos e formações para educadores, líderes e equipe operacional.

Projetos e Oficinas com Alunos 
Currículo que coloca o aluno como protagonista na construção de soluções criativas, colaborativas e transformadoras.

Palestras e Workshops 
Momentos de inspiração nas mais diversas temáticas atuais de educação e sustentabilidade.

Para a realização de todos esses programas e projetos, a Reconectta conta com um grupo de educadores especializados e qualificados nas mais diversas áreas da educação e sustentabilidade. Além disso, a empresa também possui um programa de embaixadores que tem como objetivo levar os cursos, projetos e formações para as mais diversas cidades brasileiras.

Bem bacana, não acham? Mas ainda tem mais! A Reconectta é também uma empresa certificada pelo Sistema B, o que significa que ela visa também e principalmente o impacto social em seus negócios. [Quer saber mais sobre o Sistema B? Clique aqui!] Como parte de seu negócio social, a Reconectta possui um fundo social que reverte parte do faturamento de seus projetos para programas na rede pública.

Para conhecer mais sobre a Reconectta, acesse:

Site: https://www.reconectta.com/
Página no Facebook: https://www.facebook.com/reconectta/
Perfil no Instagram: https://www.instagram.com/reconectta/

 

 

Como a Educação Ambiental é aplicada no Brasil?

A Educação Ambiental no país está prevista na Lei n° 9.795/1999, que também instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental – ProNEA.  Esta política foi criada com o objetivo de assegurar, por meio da Educação, a equilibrada integração entre as dimensões da sustentabilidade (ambiental, social, ética, cultural, econômica, espacial e política) e o desenvolvimento do país, resultando em melhoria da qualidade de vida população. A importância da Educação Ambiental é reconhecida logo nos primeiros artigo da referida lei.

Art. 1º  Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade.

Art. 2º  A educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal.

Imagem: Creative Commons

No entanto, quando saímos do campo teórico para o campo prático notamos que, infelizmente, não é assim que a Educação Ambiental vem sendo tratada e aplicada no país. Em uma pesquisa rápida no famoso buscador online são poucos os casos onde a Educação Ambiental não é aplicada de forma simplificada. E o que isso significa? Significa que apesar de dispormos de instrumentos legais e uma política pública que contemplem a difusão da transversalidade no ensino, poucos são os projetos desenvolvidos com a finalidade de promover uma real mudança social e cultural que nos permitiria desenvolver uma sociedade mais justa, equitativa e sustentável.

Imagem: Creative Commons

Não obstante esta conjuntura, ainda há incerteza sobre o futuro da Educação Ambiental no país, uma vez que, tramita no Congresso o Projeto de Lei do Senado – PLS 221 de 15/04/2015, que objetiva a inclusão da Educação Ambiental como disciplina específica no Ensino Fundamental e Médio. Isto vai de encontro à transversalidade tão reconhecidamente importante no processo de Educação Ambiental, fazendo com que este fique reduzido a assuntos pontuais que dificilmente terão interação com demais assuntos essenciais para a construção de saberes multidisciplinares tão relevantes para a resolução de problemas atuais.

Imagem: Creative Commons

Mas não precisamos ficar reféns dessa situação. Como cidadãos, temos o poder de nos mobilizar e reivindicar aos nossos representantes políticos melhorias na aplicabilidade da lei e de políticas públicas. Também podemos, enquanto comunidade, buscar melhorias por meio de maior interação e participação nos processos educacionais de escolas de nosso bairro e cidade. Para a construção de um país mais justo é necessária a presença do poder público e também a participação e organização social.

 

Com informações de: Autossustentável, Avaaz, MMA.

 

Você sabe o que é Educação Ambiental? Como ela contribui para uma sociedade melhor?

Imagem: Creative Commons

Sabemos a importância que a Educação possui em nossas vidas e na construção de uma sociedade melhor e mais justa socioeconomicamente. Podemos verificar tal importância observando a maneira como a Educação é tratada nos países mais desenvolvidos e o consequente nível educacional mais elevado do que os existentes em países em desenvolvimento. O elevado nível educacional se reflete em métricas como distribuição de renda, por exemplo.

Imagem: Alexandre Beck

A Educação Ambiental agrega à Educação, diferentemente do que muitos imaginam, muito mais do que práticas pontuais de gestão de resíduos ou economia de água e energia nas escolas. A Educação Ambiental vai bem além da proposta de inclusão de uma matéria específica na grade escolar, sua dimensão extravasa o ensino compartimentado de determinados assuntos em alta no universo da Sustentabilidade. Educação Ambiental transcende a antiga ideia de proteção a um meio ambiente distante, que simultaneamente parece frágil e abundantemente inesgotável.

A proposta da Educação Ambiental é a promoção de uma consciência de pertencimento ao planeta e de que cidadãos mais conscientes de seu papel podem construir sociedades mais justas e sustentáveis. Esta proposta se fundamenta em quão complexos são os sistemas existentes em nosso planeta, assim como as relações entre os mesmos. Ademais, coexistem junto às questões ambientais questões sociais, econômicas, culturais e políticas que igualmente interagem e influenciam umas às outras.  Por isso, se faz necessária a promoção de uma Educação Ambiental transversal às demais disciplinas do currículo escolar.

Imagem: Creative Commons

No entanto a Educação Ambiental não deve ser compreendida como responsabilidade exclusiva da escola, ela deve ser pensada e construída de forma coletiva e participativa, o que inclui além de professores, educadores e funcionários da escola, também pais, responsáveis e comunidade onde a escola se localiza.

Imagem: Creative Commons

Assim, a Educação Ambiental está diretamente relacionada à mudança cultural e a ética do cuidado, onde há entendimento de que ações locais estão conectadas a ações globais da mesma forma que ações globais estão conectadas a ações locais.

 

Com informações de: Autossustentável, Avaaz, Itaipu, MMA.

Desejos e Bons Votos de Final de Ano

Esta é a época mais esperada do ano. E também a mais vertiginosa. Acúmulo de tarefas, vontade de colocar tudo em dia, de estar com a família. É o final de uma etapa, início de outra, momento de reavaliação e de traçar metas.

Mas o que se vê nas ruas é uma correria só. Comprar presentes, comprar os ingredientes da ceia (cada ceia tem cardápio e bebidas definidas culturalmente ou comercialmente), deixar a mesa do trabalho em dia, fazer “aquela” faxina de final de ano.

E neste clima de pressa, nessa correria, acabamos comprando em excesso. Isto porque a urgência nos leva a acreditar que temos pouco tempo para realizar os nossos desejos e os daquelas pessoas que amamos. O marido sempre quis um eletrônico assim, minha filha queria tanto aquela bicicleta…

O período que antecede as festas é de desejos. Todos informam o que gostariam de ganhar, o que sonham, o que pediram ao papai noel. São coisas que, no dia-a-dia, via de regra sequer nos permitimos sonhar em adquirir por considerarmos demasiado, desnecessário, supérfluo. Existem outras prioridades e necessidades durante o ano todo, mas nesta época…

Veja-se o recorde anual de pessoas que visita a famosa Rua 25 de março ou o Brás em São Paulo. Um emaranhado sem fim de pessoas tentando localizar o desejo de modo acessível. Isso reforça mais uma vez a constatação de que, se fossemos levar ao pé da letra os desejos não teríamos condições de realiza-los.

Anualmente fazemos esforços (e nos sentimos realizados) se conseguimos alcançar o número ideal de desejos realizados com o valor monetário compatível com nossas possibilidades.

O engraçado nesta situação toda é que, junto ao pacotinho que simboliza nossa vitória contra a nossa ausência de possibilidade de comprar (realizar) tudo aquilo, colocamos um bilhetinho ou um cartão e desejamos tudo aquilo que não se compra e não se encontra nem correndo a 25 de março inteira: Que o ano novo traga sucesso! Que seja feliz! Que seja repleto de paz e amor! Prosperidade, amizade, doçura, carinho, generosidade…. Esses são os sinceros votos de Janaína e família.

Percebe? O que todos nós estamos querendo, buscando e desejando, não faz parte da decoração, não está sobre a mesa e nem cabe em um pacotinho com laço de fita.

Ainda que possamos ver em um produto uma centelha de felicidade, ou em um sabor um conforto para o coração, o que efetivamente desejamos para nós e para os outros não está na vitrine e nem tem preço.

Diga-se de passagem, além do valor monetário que nos acompanhará por alguns meses na fatura do cartão de crédito, também nos acompanhará a angustia de ter que lidar com as escolhas feitas na pressa desses dias. E todo o excesso de consumo repercute em mais lixo, mais trabalho em condições precárias (porque se o preço é a metade, algum custo foi cortado).

 

Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen

 

 

 

2018 – O ano da Água no Brasil

Possivelmente você nunca ouviu falar, mas, a cada três anos, há uma edição de um mega encontro internacional que reúne representantes de diferentes países, representantes do poder público, empresas, acadêmicos e ONGs para debater um grande tema principal: água. O Fórum Mundial da Água teve sua última edição na Coreia, em 2015; e, em 2018, acontecerá aqui, em Brasília, em meados de março.

Imagem: World Water Forun 8

Mas por que, então, será o “ano da água” no Brasil? Qual a importância desse evento?

O Fórum acaba sendo o ápice da troca de conhecimento e de advocacy político que gira em torno dos temas relacionados a recursos hídricos. É o momento em que os “fazedores de política” se reúnem para discutir impactos de ações governamentais na gestão de água. É o momento em que as empresas trocam informações e casos de negócio sobre o manejo de tecnologias relacionadas a recursos hídricos. É quando os acadêmicos debatem sobre suas pesquisas acerca do tema. E onde os ambientalistas pressionam para que todos os demais subam suas barras.

O 8º Fórum Mundial da Água foi um dos pontos da Reunião de Dirigentes do Ministério do Meio Ambiente (MMA), realizada nessa na Agência Nacional de Águas (ANA), em Brasília. Imagem: World Water Forun 8

Ter um evento deste porte no Brasil – o primeiro, em 8 edições, que acontecerá no hemisfério sul, diga-se de passagem – é um privilégio não só simbolicamente, do ponto de vista internacional, mas para reaquecer o tema internamente. Lembremos que faz pouco mais de dois anos da maior tragédia ambiental já ocorrida em solo brasileiro, intimamente ligada à gestão econômica de um setor extremamente impactante junto a uma bacia hidrográfica vital para a região. Lembremos que os níveis de distribuição de água limpa e, principalmente, de coleta e tratamento de esgoto no Brasil são indesculpavelmente baixos e que perdemos uma parcela inaceitável de água na sua distribuição. Lembremos que, apesar do país concentrar cerca de 1/5 do total de água doce disponível no mundo, diversas regiões têm estresse hídrico elevado, levando a casos extremos como o que acontece, atualmente, no semiárido nordestino ou que houve há dois anos em São Paulo.

Dois anos da tragédia derramada no Rio Doce. Reprodução: G1. Imagem: Felipe Werneck/Ascom/Ibama
Baixos níveis de armazenamento de água em um dos reservatórios do Sistema Cantareira responsável pelo abastecimento de água em São Paulo. Reprodução: UOL Notícias. ImagemRahel Patrasso/Xinhua

A discussão sobre recursos hídricos é, portanto, sempre um imperativo. E essa possibilidade poderá ser reacendida com o Fórum em março do ano que vem. O tema central da edição é “compartilhando água”. Abrangente o suficiente para abraçar todos os atores, mas, ao mesmo tempo, direto ao ponto: sem a cooperação das partes envolvidas, não será possível que todos desfrutemos desse bem fundamental.

Imagem: SOS Mata Atlântica

Para conhecer mais sobre o Fórum, acesse o site o oficial do evento clicando aqui, ou acompanhe através da página no Facebook clicando aqui.

 

Clique aqui para ler mais artigos de Fernando Malta

 

A Moda Sustentável começa com a gente: Confira 9 dicas para ter um guarda roupa sustentável!

Qualquer mudança que queiramos no mundo começa efetivamente por nós. E quando o assunto é moda sustentável, ela começa pelo nosso guarda roupa.

Imagem: Box Fashion

Mas como podemos colaborar para que o setor de moda seja mais sustentável, socialmente justo e menos impactante no meio ambiente? A primeira etapa, e diria a mais importante, é entender nosso grau de importância para a indústria da moda. Sim, nossa atitude de consumir ou não roupas, acessórios ou calçados de determinada marca, impacta sim as vendas e faturamento dessa empresa. Imagine o seguinte cenário: Você é apaixonado por roupas da marca X, tanto que sempre comenta com seus amigos e familiares e acaba até divulgando fotos usando esta marca em suas redes sociais. Agora considere a seguinte informação: foram descobertas confecções em que seus trabalhadores exerciam suas atividades em regime análogo à escravidão (trabalhavam e moravam no mesmo local; as condições de higiene eram degradantes; os locais para dormir eram pequenos, úmidos e sem ventilação; a jornada era exaustiva, a ponto de serem contabilizadas as idas ao banheiro). Imagine o quanto essas pessoas não sofrem para que a marca X continue vendendo suas peças a preços baixos. Você seria capaz de continuar consumindo as roupas da marca X?

Imagem: Vasco Gargalo

Agora imagine se cada vez mais pessoas se recusem consumir a marca X devido às condições de trabalho impelidas aos seus funcionários (vamos lembrar que terceirização não é justificativa para que situações assim ocorram), o faturamento dessa empresa cairá e uma alteração na cadeia produtiva e de valor precisará ser realizada. É claro que esse é um exemplo muito simplificado, mas é apenas para que vejamos o poder e a responsabilidade que possuímos enquanto consumidores.

Imagem: Inhabitat

Então como podemos efetivamente colaborar para uma moda mais sustentável? Precisamos repensar como nos relacionamos com as nossas roupas e acessórios, evitando o desperdício, por exemplo. Separamos algumas dicas importantes, do Caio Braz e Aline Welinsky do Plata o Plomo, de como ter um guarda roupa mais sustentável.

 

1. Apoie marcas éticas
Vamos voltar ao nosso exemplo: Você já parou para se perguntar de onde vem a roupa produzida pela sua marca favorita? Quem são seus fornecedores, de que forma a cadeia de produção se constrói; será que os preços pagos pela mão de obra e pelos materiais são justos? De que forma essa marca lida com os materiais que utiliza? Se materiais sustentáveis? Como funciona o descarte? Há um processo pós compra, como a logística reversa?

Parece muita coisa, mas se a marca tiver esse foco ela vai fazer questão de deixar isso claro para o consumidor. Uma sugestão é procurar as marcas pequenas, pois além de priorizarem as relações com fornecedores e a mão de obra local, elas não usam qualquer material.

 

2. Aplicativo Moda Livre
Desenvolvido pela ONG Repórter Brasil o app  Moda Livre, é um aplicativo gratuito que avalia o envolvimento das marcas de roupa no trabalho escravo.

Imagem: Moda Verde

O aplicativo, disponível para iOS e Android, está no ar desde 2013 e conta com mais de 70 marcas. Segundo seus criadores, o intuito do Moda Livre é fornecer informações para que o consumidor faça a escolha de forma consciente.

 

3. Atenção aos seus hábitos
Há muita boa intenção na compra de uma peça sustentável, mas todo o conceito é ineficaz se a roupa adquirida ficar jogada no fundo do guarda roupa porque não combina com o restante das suas roupas ou você não acha ocasião para usá-la.

Imagem: The Green Hub

Por isso, se você deseja mesmo construir um guarda-roupa sustentável, é preciso analisar seu estilo de vida, desapegar de maus hábitos e planejar suas compras. O que você precisa saber para ter um guarda roupa mais sustentável é o que é realmente necessário para você.

 

4. Compre roupas duráveis e de qualidade
Ter um guarda roupa sustentável nem sempre significa ter poucas roupas. Você pode, por exemplo, ter cinco calças diferentes no seu armário, mas, se elas durarem 10 anos, quantas você terá deixado de descartar durante todo esse período?

Quanto mais tempo a peça durar, menos você terá que comprar algo novo. É bom para o meio ambiente, é bom para seu orçamento.  Você pode substituir a compra de três camisas brancas baratinhas (mas que vão se acabando com o uso) pela compra de uma ótima camisa, de muita qualidade que (com o cuidado apropriado) vai durar sua vida inteira.  É pensando assim e com esse tipo de estratégia que vamos transformando o nosso jeito de consumir.

Imagem: Uma Jornada Interior

5. Compre menos e escolha melhor
Antes de comprar, tenha em mente o que realmente precisa, planeje suas compras. Assim você evita as compras por impulso.  Se questione se você realmente gostou daquela peça, se realmente irá usá-la. Se não está comprando por uma moda passageira. Questionamentos que podem fazer muita diferença no tipo de roupa que você investe e que podem transformar o seu jeito de consumir moda. Foque em comprar menos, fugindo da banalização e buscando significado no que se compra.

 

6. Cuide bem das roupas que você já tem
Muitas vezes somos descuidados com as coisas que temos e não dedicamos atenção necessária às roupas que compramos. Para que uma peça dure, é preciso que estejamos atentos à maneira que cuidamos de nossas peças.

Ler a etiqueta antes de lavar e passar, lembrar de usar guardanapo ao comer, atenção ao vinho e a roupa branca, lembrar de tirar manchas antes que fique impossível, guardar as peças mais especiais bem protegidas são algumas dicas para manter a qualidade das roupas e é um jeito bem especial de economizar.

 

7. Compre roupas vintage ou de segunda mão
A quantidade de roupa produzida anualmente é exorbitante e muita roupa antiga é descartada, ainda que em perfeito estado. Vale pesquisar e conhecer brechós e lojas online de roupas usadas. Acredite: tem muita coisa legal, num estado muito bom e por preços camaradas nesses locais.

 

8. Armário Cápsula
O conceito de armário cápsula consiste em ter um número limitado de peças de roupas que sobreviverão a qualquer tendência de moda ou passagem do tempo.

Imagem: Revista Galileu

Geralmente, um armário cápsula tem 30, 50, 60 peças, considerando inclusive sapatos e acessórios. É claro, o número varia pela sua necessidade, mas a proposta é ser o mínimo possível, o essencial.

Imagem: Veja Rio

9. Doe roupas antigas e sem uso
E o que fazer com as roupas antigas e sem uso? Quando as roupas estão em bom estado, existe sempre a alternativa de doar essas peças para alguma ONG ou instituição de caridade. Você também pode criar uma campanha de arrecadação de roupas em seu prédio, empresa, faculdade ou escola e ajudar o Exército de Salvação que doará essas roupas a pessoas que precisam.

 

Com informações de: Caio Braz, Green Me, Plata o Plomo

 

Conheça Iniciativas e Empresas que estão mostrando que é possível aliar Moda e Sustentabilidade

Sabemos que o caminho para a moda sustentável passa obrigatoriamente por consumidores mais conscientes e exigentes e também pela disposição das empresas buscarem inovações para suas cadeias produtiva e de valores.

Embora o cenário atual, nos revele consumismo; durabilidade curta, devido à obsolescência programada; e descarte cada vez maior e mais rápido de roupas e calçados, existe um movimento crescente que vai na contramão de tudo isso, o Slow Fashion.

Esse movimento surge para dar maior consciência ecológica aos consumidores, mostrando que as roupas e produtos podem ser projetados com matérias primas ambientalmente amigáveis, isto é, materiais que não gerem resíduos tóxicos, e que tenham vida útil prolongada. Um número cada vez maior de empresas tem demonstrado preocupação em relação aos impactos socioambientais que seus processos produtivos têm gerado, e mais que isso, a busca por soluções que envolvam a melhoria do cenário ambiental e a atenção às questões sociais tem sido cada vez mais percebido nesse setor tão poluente e degradante.

Imagem: Jardim do Mundo

Empresas antigas se reinventam, novas empresas e iniciativas já surgem com esse ideal em suas missões, a cooperação entre os fornecedores, empresas, organizações de normas ambientais e consumidores em prol de um ambiente mais preservado e socialmente mais justo. O conceito de sustentabilidade está sempre presente através da utilização de itens reciclados, tintas à base de água, tecidos de fibras naturais, entre outros materiais que contribuem para a preservação do meio ambiente.

Observamos também a importância do design inteligente de produtos que passa a ser pensado de forma circular, a fim de que este produto possa sempre se converter em novos materiais para a produção de novos produtos, gerando, desta forma, uma quantidade cada vez mais reduzida de resíduos, é a economia circular e seu conceito “do berço ao berço” (Cradle to Cradle, em inglês)A seguir você poderá conferir algumas empresas que estão caminhando na direção da moda sustentável e iniciativas que estão divulgando a importância do tema.

 

Patagonia
Não comprar nada além do que falta e usar a peça de roupa por vários anos é a principal ideia propagada pela Patagonia, uma das principais marcas de roupa americana.

Imagem: Archilovers

Suas peças são produzidas a partir da reciclagem, a marca tem seu design voltado para a qualidade e durabilidade, assim suas roupas são reconhecidas por servirem para uma vida toda. Para isso a Patagônia trabalha com uma eficiente equipe de consertos (realizados em até 10 dias úteis), assim o consumidor tem acesso à manutenção de suas peças quando necessário. Para a empresa, peças em bom estado devem permanecer em circulação, por isso a empresa além de realizar reparos também compra dos consumidores as roupas que os mesmos gostariam de vender porque não usam mais, assim como também recebem doações de peças de seus consumidores que queiram destinar suas roupas sem uso a instituições de caridade. A Patagonia também reconhece a importância da economia circular, recebendo de seus consumidores peças para a reciclagem, no processo são extraídas as fibras do pano e novas peças são confeccionadas.

Imagem: Muda Tudo

Buscando incentivar o surgimento de novas empresas com a mesma visão, a Patagonia criou um fundo para investir em startups.  E pensando na cadeia de valor, a empresa se associou ao Walmart a fim de rastrear práticas socioambientais de mais de 300 000 varejistas e fabricantes do setor, o que corresponde a 40% do mercado têxtil mundial. Com essas ações, a empresa dissemina a política de redução, reuso, reparo e reciclagem que associação moda à sustentabilidade.

 

Brasil Eco Fashion Week – BEFW
A semana de moda BEFW surgiu como resposta à crescente demanda por um mercado de moda engajado a valores humanos, consciência de consumo e preservação ambiental.

Imagem: Chesller

O primeiro grande evento dedicado à moda brasileira com foco na sustentabilidade foi realizado, em novembro deste ano, em São Paulo. Inspirado na Eco Fashion Week que acontece no Canadá, a semana de moda sustentável brasileira foi planejada para apresentar soluções à moda tradicional e também mostrar que é possível aliar moda a consumo consciente. Diferente das semanas de moda tradicionais, a proposta da BEFW é conectar marcas e empresas que produzem moda sustentável aqueles que desejam consumir de forma mais consciente, além de apresentar ao público que ainda não conhece.

Imagem: IDsetters
O evento contou com showroom, um espaço inovador de vendas para varejo e atacado, onde mais de 30 marcas expuseram para o público suas produções sustentáveis; oficinas; palestras; workshops; rodas de conversa; e uma praça de alimentação com slow food.

 

 

Another Land
Fundada por Caroline Noreika e Cibele Nogueira, a Another Land é uma marca que trabalha com tecidos e estamparia ecológicos.
Imagem: Another Land Project 

Esse projeto criativo, que incentiva o consumo e a produção consciente, nasceu em 2015 estampando produtos ecofriendly e destacando calçados feitos com tecidos provenientes do lixo de confecções têxteis. A marca desenvolve acessórios, alpargatas e artigos de decoração, elaborados com tecidos feitos de garrafa PET, algodão reciclado ou fibra natural e a estamparia é 100% ecológica, os corantes e pigmentos são tintas à base d’água, sem químicos ou solventes. As estampas são digitais e manuais  inspiradas em narrativas que transitam entre a natureza  e o urbano, a ordem e o caos.

 

 

C&A
A gigante varejista C&A preocupada com os impactos do cultivo tradicional de algodão, vem optando por utilizar em seus artigos algodão certificado pela Better Cotton Initiative – BCI (Iniciativa por um Algodão Melhor), em 2016 15% dos artigos desse material comercializados no país já eram certificados, a expectativa da empresa é atingir 100% até 2020.

Imagem: Ideia Circular

O objetivo da BCI é garantir que o algodão seja produzido de forma ética e responsável, por isso suas ações são voltadas para o combate ao trabalho escravo e infantil; para a melhoria das condições dos trabalhadores do campo; e para a melhoria de práticas agrícolas, como a redução do consumo de água e de pesticidas.

Com o intuito de alertar e difundir a necessidade do cultivo mais sustentável do algodão, a C&A e a National Geographic lançaram o documentário “For the Love of Fashion” (Por Amor à Moda), apresentado por Alexandra Cousteau, mundialmente conhecida por seu trabalho ligado a questões de sustentabilidade e água.

Documentário For the Love of Fashion que mostra os resultados do uso de métodos de produção mais sustentáveis, como o BCI e o cultivo orgânico.

Outra preocupação da marca é em relação ao jeans e a quantidade excessiva de água gasta durante seu processo produtivo, por isso a C&A está investindo em inovações de sua cadeia produtiva e como resultado há 92% de economia de água e 30% de redução de energia no processo de tecelagem; e 30% de economia de água e 15% menos energia no processo de lavanderia. Isso graças a certificação de seus fornecedores, como as empresas fornecedoras de fiação, as confecções e as lavanderias.

 

 

O que a etiqueta não mostra! Os impactos socioambientais da moda tradicional

Imagem: Autossustentável

O desenvolvimento e, principalmente, a expansão da moda sustentável passa obrigatoriamente pela necessidade do consumo ser feito de maneira consciente. Para que as empresas se tornem cada vez mais transparentes na divulgação de informações ao público, é preciso que o mesmo saiba exatamente o que exigir dessas marcas.

Justamente por isto, hoje falaremos sobre como podemos nos tornar consumidores mais conscientes no segmento da moda. Uma boa forma de iniciar a jornada em busca do consumo consciente é tomar conhecimento sobre como os produtos que mais utilizamos em nosso dia a dia, tais como: o algodão, o jeans, a viscose e o poliéster, chegam até nós.

Vivemos em uma maravilhosa época onde a informação circula em velocidade cada vez maior e onde há conexão quase absoluta entre todas as partes do mundo. Mas será que em meio a esse turbilhão de dados que nos bombardeiam a cada minuto conseguimos filtrar aquelas que de fato nos seriam úteis? Aquelas que nos ajudariam a tomar melhores decisões sobre consumo, bem estar e satisfação? Será que ao adquirir uma peça de roupa, nos preocupamos com outras variáveis além do preço? Será que nos perguntamos qual foi o caminho que ela fez até chegar ao nosso guarda roupa? Será que sabemos que determinados tecidos são extremamente poluentes e degradantes tanto ambientalmente quanto socialmente? Aquela peça de roupa super baratinha daquele site chinês ou aquelas das liquidações das grandes lojas de departamento que aparentam ser ótimas escolhas para aquisição, na maioria das vezes escondem por trás da etiqueta uma história que a maior parte dos consumidores desconhece.

Camisas de algodão. Imagem: GazabPost

Algodão é a fibra natural que representa 90% de todas as fibras naturais usadas na indústria da moda e que está presente em mais da metade das peças de vestuário confeccionadas no Brasil. A primeira vista, a palavra natural pode representar algo positivo, afinal não é um tecido que vem diretamente da natureza. Que mal poderia haver? Bem, o cultivo de algodão necessita de grandes quantidades de água e de irrigação extensiva se cultivado fora de seu ambiente natural. Para se criar 1 quilo de algodão, são necessários cerca de 30.000 litros de água! E 1 camisa de algodão usa aproximadamente 2.700 litros de água! Isso sem contar a utilização de defensivos agrícolas, já que o cultivo de algodão responde por 24% de todo o consumo de inseticidas e 11% dos pesticidas utilizados na agricultura mundial. O algodão é também aquele que consome maior quantidade de energia em seu processo produtivo, aqui incluem-se o combustível das máquinas agrícolas que realizam a colheita, a energia das máquinas de fiação e dos processos de lavagem, secagem e ferro de passar.

Imagem: Look Forward

Desta forma, você pode imaginar os tipos de impactos resultantes do cultivo desta fibra natural. São impactos ambientais e sociais preocupantes como a degradação do solo, lençóis freáticos e rios por conta do uso de defensivos; problemas de saúde causados pelo manuseio e contato com inseticidas e pesticidas, e também pela ingestão de água que esteja contaminada por essas substâncias; o desenvolvimento da bissinose, uma disfunção pulmonar causada pela aspiração crônica de fibrilas de algodão. Além destes, também é necessário ressaltar a geração dos resíduos têxteis, que no Brasil representam 175.000 toneladas/ano, onde somente 36.000 toneladas são reaproveitadas, devido ao curto comprimento das mesmas, para fazer barbantes, novas peças de roupas e fios, e também para a fabricação de estopas, colchões e mobiliários.

Imagem: Textile Excellence

O jeans é prático e versátil, uma peça coringa, tanto que é bem difícil que alguém não possua uma calça jeans em seu guarda roupa. Mas você sabe como ocorre o processo de fabricação dessa maravilhosa invenção? Sabia que o jeans é uma das peças mais poluentes do vestuário? A começar pela produção do denim, um tecido de algodão base do jeans, que consome durante o processo grandes quantidades de água, energia e corantes a base de produtos químicos altamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente. Passando pela logística de distribuição e entrega, que majoritariamente atravessa o globo, já que as grandes fábricas de jeans se encontram na Ásia, notadamente na China e Índia. Nessa conta também entram as embalagens que acompanham os produtos e a destinação muitas vezes incorreta das mesmas. E não podemos esquecer da água e produtos químicos utilizados por nós para a lavagem e higienização dos nossos jeans. Está faltando ainda a última ponta do processo, o descarte das peças que não utilizamos mais. Qual o destino que você dá ao jeans após o uso? Vamos nos atentar que uma calça jeans leva cerca de um ano para se decompor na natureza.

Imagem: Estácio

Podemos acompanhar o quanto a produção do jeans provoca impactos socioambientais no documentário canadense RiverBlue, que mostra como a produção de bilhões de peças jeans anualmente polui rios, lagos, mares e reservatórios devido ao tingimento de tecidos. Extremamente tóxica, comprometendo a saúde dos trabalhadores dessas fábricas e também das comunidades em seu entorno, o processo de produção do denim exige várias lavagens químicas intensivas, sendo esses resíduos despejados, na maioria das vezes em rios. No documentário é mostrado que são identificados cinco metais pesados (cádmio, cromo, mercúrio, chumbo e cobre) no rio que corta Xintang, a cidade chinesa conhecida como a capital mundial de fabricação de jeans (1 em cada 3 pares de jeans vendidos no mundo é produzido nesta cidade). Esses metais pesados são neurotóxicos, cancerígenos, perturbando o sistema endócrino e causando câncer em diferentes órgãos. Ao preço da saúde da população e da destruição de suas fontes de água, a China se torna a “Fábrica do Mundo”.

Trailer do documentário RiverBlue que mostra toda poluição dos rios causada pelo processo de tingimento de tecidos, lavanderias de jeans e curtumes de couros.

A viscose, fibra artificial feita a partir de celulose, mais especificamente cavacos de madeira e de árvores de rápido crescimento que possuem pouca resina, é usada em larga escala, servindo inclusive como forro para peças de outros materiais, perdendo em usabilidade apenas para o poliéster e algodão. Apesar desta fibra ser proveniente de fonte renováveis, seu amplo emprego ocasiona vários impactos, que muitas vezes por ocorrerem longe de nós, acabamos não tendo conhecimento.

Imagem: Silent Inc
Imagem: Flash la Revista

Os problemas se iniciam com o processo extrativo da matéria prima, de acordo com informações do site Modefica, cerca de 30% da viscose produzida é proveniente de árvores de florestas nativas e ameaçadas de extinção, como a Amazônia. Na lista dos países que mais desmatam estão Indonésia, Brasil e Canadá que em 2010 foram responsáveis por cerca de 2/3 de toda a importação de polpa de viscose pela China. Desse montante, 75% foram transformados em tecidos para indústria da moda. Durante o processo produtivo no qual a polpa da madeira é transformada em fibra de celulose e em seguida em fios de viscose são utilizados produtos químicos como soda cáustica e ácido sulfúrico, sendo emitidos sulfeto de carbono e gás sulfídrico, dois gases que apresentam efeitos tóxicos significativos à saúde dos trabalhadores desse segmento. Além disso, a produção de viscose demanda uso excessivo de energia e de água – para cada quilo de viscose produzida são utilizados 640 litros de água! – e grande parte do material é descartada durante o processo (cerca de 70%).

Desmatamento produzido pela indústria da moda tradicional. Imagem: One Green Planet

E com as exigências do modelo Fast Fashion, maior produção com menores custos, a maior parte dos tecidos de viscose hoje são tecidos de baixa qualidade e durabilidade, fato que potencializa a dimensão do descarte. Essa equação ainda possui um último fator agravante, apenas 0,1% dos tecidos de viscose são reciclados. Como podemos observar, são vários os impactos socioambientais que a produção de viscose ocasiona, desde o desmatamento que gera perda de biodiversidade e violações de direitos humanos relativos aos trabalhadores e as comunidades nativas dessas florestas, passando pelas implicações à saúde dos trabalhadores dessas indústrias, até a questão do descarte de volume cada vez maior de tecido, agravando a situação dos aterros sanitários.

Montanha de lixo formada por roupas. Imagem: GreenMe


O que conhecemos como poliéster é o polietileno tereftalato, mais conhecido como PET. Em sua maioria os poliésteres são termoplásticos, possuindo várias aplicações em nosso cotidiano, como garrafas de plástico, material isolante, filmes, filtros, tintas em pó, telas de LED e, principalmente, tecidos e malhas utilizados em roupas, lençóis, cortinas, móveis e estofados. Isto porque o tecido de poliéster possui maior durabilidade, retenção de cor e resistência a rugosidades, quando comparado com tecidos naturais como o algodão. Por essa razão é bem comum a mistura do poliéster com tecidos naturais a fim de combinar as características de ambos os tecidos.

Imagem: Industria Outpost

Produzido a partir de petróleo ou de gás natural, matérias primas não renováveis e poluentes, a produção de poliéster causa diversos danos ambientais, uma vez que também são emitidos compostos orgânicos voláteis (VOC) e efluentes contendo antimônio. Ademais, durante o processo produtivo demanda grandes quantidades de água para resfriamento, juntamente com uma grande quantidade de químicos nocivos, que podem se tornar fontes de contaminação. Para que 1 quilo de poliéster seja produzido são gastos 20 litros de água. O processo de produção utiliza ainda grandes quantidades de energia, correspondendo à etapa de extração das matérias primas e transformação em produto final, o dobro de energia que a produção de algodão convencional.

Visão ampliada de microplásticos na ponta de um dedo. Imagem: Igui Ecologia

Além destes, existem outros impactos socioambientais resultantes da produção do poliéster em decorrência do mesmo não ser biodegradável e levar cerca de 400 anos para se decompor. Sendo o pior deles a contaminação por microplásticos (pequenas partículas plásticas com menos de um milímetro de diâmetro) que acabam se desgarrando das fibras do tecido e vão parar nos rios, mares e oceanos, prejudicando ecossistemas. Para se ter ideia, em uma simples lavagem, uma peça de roupa de poliéster pode soltar até 1900 microfibras! Essa água utilizada na lavagem segue para corpos d’água e oceanos, onde pequenos animais se alimentam desses microplásticos propagando a intoxicação ao longo da cadeia alimentar até chegar aos seres humanos. Sim, já estamos consumindo peixes contaminados com microplásticos, pois grande parte das superfícies dos oceanos já está contaminada por com esse material. Estamos vivenciando contaminação do meio ambiente e da saúde do planeta e a nossa própria, porque estamos poluindo o planeta com um produto tóxico que não é biocompatível.

Vídeo do canal Minuto da Terra que aborda os microplásticos e a poluição nos oceanos.

Mas por que não reciclar? Como a maioria das roupas é feita por tecidos híbridos, pela junção do poliéster a alguma fibra natural, isso dificulta o processo de reciclagem, uma vez que, a tecnologia de reciclagem química para separar as fibras e reaproveitá-las em novas fibras não está implementada industrialmente. Outro problema é o custo, já que uma fibra de poliéster reciclada é cerca de 20% mais cara do que uma virgem, possuindo uma menor qualidade que a segunda.

Como podemos ver nessa breve exposição, são vários os custos, manifestados em graves impactos socioambientais, do modelo atual de produção têxtil da moda tradicional e de consumo, transformado em consumismo pelo sistema Fast Fashion. O que apresentamos aqui é só uma pontinha de tudo que acontece por detrás dos holofotes dos grandes e tradicionais desfiles de semanas de moda; de campanhas publicitárias que nos impelem a consumir a calça da estação, a jaqueta do momento, o vestido da coleção x da marca y; o calçado da instagrammer fulana de tal que parece tão lindo e popular. Somos programados cada vez mais cedo a associar felicidade a consumo. Sim, precisamos consumir para nosso bem estar, mas será que essa velocidade imposta trará felicidade ou angústia por não termos condições de consumir tudo aquilo que nos é apresentado como último grito da moda? Será que o descarte cada vez mais frequente e rápido vale o preço da satisfação momentânea em adquirir uma peça de roupa, um calçado ou maquiagem?

 

O processo de conscientização sobre o consumo é algo realmente necessário para que nosso planeta não seja cada vez mais devastado e para que a saúde da sociedade seja preservada, mas também é necessário para nosso bem estar, para desconstruirmos essa necessidade incessante de comprar estimulada por todos os meios em todos os lugares. Como dica, para aqueles que pretendem mergulhar mais fundo no assunto, sugiro o documentário “The True Cost” – vocês podem conferir o trailer no vídeo aqui em cima – que trata exatamente do custo real da moda por um lado que dificilmente é mostrado.

Para aqueles que querem conhecer iniciativas e marcas que estão procurando mudar esse cenário e fazer a moda mais sustentável, é só acompanhar o próximo post, pois traremos algumas novidades a respeito.

Com informações: Eco D, eCycle, eCycle, Exame, Fashion Forward, Modefica, Mundo Estranho, Revista Viva Saúde, Stylo Urbano, Stylo Urbano