Moda Sustentável: repensando a cadeia produtiva, Grupo Malwee transforma a indústria da moda

Sabe aquele chão de fábrica que é incrível e com uma ótima gestão da sustentabilidade em todos os processos da empresa?

Foi exatamente essa sensação que tivemos ao visitar a fábrica do Grupo Malwee em Jaraguá do Sul, Santa Catarina. A convite da empresa fomos conhecer a sua fábrica e conferir as iniciativas sustentáveis que já foram e que estão sendo implementadas em toda a sua cadeia de valor.

Imagem: Grupo Malwee

A verdade é que a visita mostrou muito além de uma empresa que faz uma excelente gestão dos recursos hídricos e com alguns ótimos indicadores, o Grupo Malwee tem mergulhado de cabeça na rotina desafiadora de uma grande transformação na indústria da moda!

Tivemos a oportunidade de visitar cada um dos setores e verificar como cada área tem sua responsabilidade frente às metas de sustentabilidade, incorporando tecnologias e processos inovadores em toda a sua cadeia de produção. 

Imagem: Autossustentável

Toda essa transformação foi pensada de forma estruturada em 2013 e iniciada em 2015. O Plano 2020 é o “resultado do olhar para o futuro da sustentabilidade em relação aos negócios, produtos e operações”, destaca Taise Beduschi, Gestora de Sustentabilidade do Grupo Malwee.

O Plano 2020 é um conjunto de metas e objetivos que a empresa estabeleceu para si com o olhar voltado para o desenvolvimento de uma cadeia de valor sustentável. Envolve desde a fabricação do produto até a gestão da cadeia de fornecedores, a redução do impacto ambiental e o engajamento de funcionários e consumidores finais.

Imagem: Grupo Malwee

Na cadeia de fornecedores, há o controle de documentos legais, guias de INSS e FGTS e, um código de ética e requisitos contratuais para 100% dos fornecedores. O Grupo Malwee também utiliza a certificação da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (ABVETX), que indica os fornecedores com condições adequadas de trabalho e segurança e normas trabalhistas contratuais, além de questões ambientais e gestão de resíduos.

Tudo isso sem falar na classificação verde de todas as marcas do Grupo no App Moda Livre, um aplicativo gratuito que avalia as empresas do setor de acordo com uma metodologia própria. Recebem o selo verde, que representa a melhor classificação, empresas sem envolvimento com o trabalho infantil, análogo à escravidão ou escravo, e que conseguem assegurar o mesmo de seus fornecedores.

Imagem: Fashion Bubbles

Entre as matérias primas sustentáveis adotadas pelo Grupo Malwee, estão o Algodão Desfibrado, que é feito com resíduos do corte das malhas e tecelados novamente. A Poliamida Biodegradável, que se decompõe em até três anos em aterro sanitário (a poliamida comum pode demorar até 50 anos); e a malha PET, que é desenvolvida a partir de garrafas coletadas (este ano a marca já alcançou 25 milhões de unidades de embalagens recicladas).

 

Imagem: Grupo Malwee

Já a matriz energética da empresa foi inteiramente substituída. Saiu a caldeira a gás natural e entrou a caldeira por biomassa (cavaco de madeira), impactando assim numa redução de 56% das emissões de CO2 por peça produzida.

Uma das meninas dos olhos da empresa catarinense é a Estação de Tratamento de Efluentes (ETE). O sistema de tratamento de efluentes por membrana de ultra-filtração diminui a quantidade de insumos químicos inseridos no tratamento da água e gera uma eficiência de 98%.

Imagem: Grupo Malwee

Com a ETE, a empresa emprega o reuso de água (cerca de 200 milhões de litros anuais) e otimiza seus processos de fabricação diminuindo o consumo de água, com destaque para o processo de tinturaria. Do lodo resultante da ETE, a empresa já faz testes para ver qual a melhor solução sustentável e onde ele pode ser reaproveitado.

Imagem: Grupo Malwee

A outra menina dos olhos é o Parque Malwee, um parque com 1,5 milhão de metros quadrados de área preservada. O local é aberto ao público e possui mais de 35.000 árvores, abriga 133 espécies de aves catalogadas e tem 16 lagoas.

Imagem: Grupo Malwee

Além do Parque, o Grupo mantém ainda outras duas áreas verdes, o Pico Malwee que possui cerca de 1,4 milhão de metros quadrados de mata nativa (uma das poucas reservas existentes da Mata Atlântica) e uma Reserva Particular de Patrimônio Natural Estadual (RPPNE) que possui 1,3 milhão de metros quadrados e 21 nascentes e é destinada à pesquisa científica.

Imagem: Grupo Malwee

Além de todas as iniciativas e cuidados, a Malwee também é fortemente engajada e apoiadora do Fashion Revolution Day (já contamos aqui e aqui), da Hora do Planeta e do Pacto Global.

Para saber as mais sobre as iniciativas implementadas, acesse o Plano 2020!

Saímos da visita à fábrica do Grupo Malwee com a certeza de que, mais do que pensar em moda simplesmente, cabe a todo setor produzir com respeito ao meio ambiente e às pessoas, conduzindo o cliente para um consumo mais consciente e impulsionando outros agentes do setor.

Imagem: Autossustentável

Agradecemos o convite e a receptividade do Grupo Malwee, em especial: Stephani Loppnow, Taise Beduschi e Bruno Luz Martins.

 

Inovação e consumo consciente: o caminho para uma indústria de moda sustentável

Quando falamos em moda sustentável a primeira associação que fazemos é em relação ao tipo de material utilizado para a produção das peças e os impactos que o processo produtivo gera para o planeta. Afinal, a indústria da moda é uma das mais poluentes do mundo, ao lado da indústria do petróleo e gás e da pecuária.

Cultivo de algodão. Imagem: Financial Tribune

Para se ter uma ideia do grau de impacto da indústria da moda, apresentamos algumas estatísticas preocupantes a seguir. O poliéster, a fibra sintética mais usada na indústria têxtil em todo o mundo, utiliza, segundo especialistas, 70 milhões de barris de petróleo todos os anos, e leva mais de 200 anos para se decompor no meio ambiente. Já o consumo de peças de vestuário feitas de viscose, fibra artificial feita de celulose, é responsável pela derrubada de 70 milhões de árvores todos os anos. E o algodão, apesar de natural, demanda em seu cultivo o uso de substâncias tóxicas (24% de todos os inseticidas e 11% de todo os pesticidas do mundo) impactando a água e o solo.

 

Mas a moda sustentável vai bem além disso. Para que a indústria da moda seja realmente sustentável, é preciso pensar nos aspectos econômicos, ambientais, sociais e culturais em toda a cadeia produtiva, o que inclui desde o cultivo da matéria prima utilizada até a destinação final da peça produzida (onde o ideal seria a reciclagem da mesma em processos de upcycling). É também necessário repensar nossa relação de consumo, será que compramos porque precisamos ou somos movidos pelo consumismo do movimento “Fast Fashion”?

Imagem: LinkedIn

Além dos impactos ambientais, a moda “Fast Fashion” também gera problemas sócio-culturais gravíssimos, como o barateamento da mão de obra através da terceirização ilícita, do trabalho infantil e do trabalho em condições análogas à escravidão, e a perpetuação das desigualdades entre países desenvolvidos (onde se localizam as grandes marcas da indústria da moda) e subdesenvolvidos (onde está a mão de obra pouco qualificada e extremamente explorada).

Imagem: Aglow
Para combater esse modelo e suas perversidades, um número crescente de iniciativas está sendo criadas a fim de buscar uma indústria da moda mais ética, inclusiva, verde e justa.  Quando falamos em ética na moda, falamos em respeito às condições de trabalho e aos direitos de todos os envolvidos na cadeia de produção, agregando também, e principalmente, valor social às peças produzidas. Quando falamos em moda verde, falamos em uma indústria mais limpa e ecologicamente correta, onde se opta por matérias-primas sustentáveis e processos de produção menos danosos ao meio ambiente. Quando falamos em moda justa, falamos em não explorar os consumidores com preços exorbitantes e também na remuneração adequada aos envolvidos no processo de produção. Além disso, seria uma nova indústria com produtos feitos para durar, com design atemporal e focando em qualidade e valorização dos produtores locais.

Tendo isso em mente, ao longo da nossa Semana Temática de Moda Sustentável apresentaremos empresas e iniciativas que estão motivadas a alterar esse cenário e, principalmente, dicas para que nós, consumidores, tenhamos mais consciência do nosso papel e da responsabilidade que carregamos. Embora pareça que nossa parcela de importância diante da indústria da moda seja bem pequena, se cada um de nós consumirmos de forma consciente, podemos realmente transformar essa triste e preocupante realidade.

Com informações de: Armário Orgânico, BBC Brasil.

 

Giveback: Aliando o lucro ao cuidado ambiental e social, empresas se comprometem em transformar seus impactos no planeta

A máxima “tudo que vai volta” nunca esteve tão presente quanto na era pós-digital em que vivemos. A lei do retorno, ou lei kármica para os mais esotéricos, carrega um aprendizado essencial para nós humanos: uma hora a conta chega.

Imagem: Pinterest

Na esfera ambiental, por exemplo, acompanhamos os crescentes e tristes casos de mortes por doenças respiratórias devido à péssima qualidade do ar nas nossas cidades. Em termos mundiais, a OMS (Organização Mundial da Saúde) estima 8 milhões de mortes por ano devido à poluição do ar, sem falar nos casos de complicações de outras doenças preexistentes. Já em nível local, em pouco mais de duas décadas, o número de brasileiros mortos devido à má qualidade do ar saltou de 18 mil para mais de 40 mil – um crescimento de 131%, de acordo com estudo da Universidade de Washington, nos EUA.

Essas são consequências diretas às escolhas que fizemos enquanto sociedade nos últimos 50 anos, ao incentivar o uso do transporte privado em detrimento ao coletivo, o consumo desenfreado e ao consentir a falta de comprometimento das corporações com questões ambientais e sociais. Os dados, o sofrimento e, inclusive, algumas soluções estão apresentados bem pertinho dos brasileiros, no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro (um bom passeio para as férias de verão).

Só que agora a conta chegou, e fechar os olhos não é mais uma opção.

Imagem: Linkedin

Movidos por esse instinto de sobrevivência e de querer acertar, líderes de empresas já nascidas na era pós-digital estão colocando o cuidado ambiental e social no mesmo grau de importância de seus lucros – em alguns casos, até superior.

O exemplo mais emblemático pode estar em Nova York, nos Estados Unidos, onde a Lemonade vem colocando “o pé na porta” em um dos mercados mais tradicionais do mundo, o de seguros. A startup americana oferece seguros residenciais a partir de parcelas mensais de US$ 5. O valor super baixo de apólice se deve ao fato de o processo ser todo via app, sem papelada, sem intermediário e sem intenção de embolsar o seu dinheiro. Um chatbot construído com inteligência artificial, chamado AI Jim, faz os atendimentos em segundos e consegue discernir se é um pedido real, emergencial e até ensina alguns modos em tentativas de fraude.

Imagem: Lemonade

Contudo, a grande mudança de paradigma em relação ao cuidado coletivo fica por conta do seu modelo de negócio: caso você não utilize seu seguro no ciclo de um ano, a Lemonade fica com 20% do valor total para cobrir custos operacionais e o restante é doado para uma ONG à escolha do cliente. Vai contra a lógica sombria que move o mercado de seguros, isto é, se você passar por uma situação ruim de emergência, eles irão te ajudar, pois não lucram quando os pedidos são negados – como ocorre no modelo tradicional do mercado. Lindo, não?! A iniciativa, chamada “Giveback”, já direcionou mais de US$ 53 mil às causas, e tem um potencial exponencial uma vez que as vendas semanais de apólices são 60 vezes maiores se comparadas a 6 meses atrás, de acordo com informações da própria Lemonade.

Outro exemplo é a Lyft, principal concorrente do Uber nos EUA, que oferece a opção de o cliente arredondar o preço de sua corrida, e a diferença vai direto para a conta de uma organização social. A prática pode ser encontrada também em grandes empresas no Brasil, como o Grupo Pão de Açúcar, que oferece o mesmo modelo de doação através do arredondamento dos centavos de sua compra nos caixas de seus supermercados.

Imagem: PC MAG

Para trazer mais um exemplo de grande player voltado ao novo paradigma do cuidado coletivo, na última semana, a gigante Visa anunciou um programa para doação de 1 centavo a cada transação realizada com cartões de sua bandeira. Para participar, o cliente precisa se cadastrar no site oficial e escolher uma causa ou instituição específica. A partir daí, a própria Visa faz a doação a cada transação realizada, seja crédito ou débito, em loja física ou virtual, no Brasil ou fora do país. De acordo com o Banco Central, o programa tem potencial de gerar R$ 60 milhões em doações dependendo da adesão.

Imagem: ABC News

Bem, se a conta chegou e, invariavelmente, precisamos pagá-la, que seja com Visa… Lemonade, Lyft, Pão de Açúcar e outras empresas que estão olhando com mais atenção para o retorno positivo que deixam no mundo. A escolha está na mão do novo consumidor, com mais cuidado do que nunca, sabendo que uma hora vai voltar melhor.

 

 

Estado: um consumidor sustentavelmente consciente?

O Estado é um consumidor em grande escala de produtos e serviços. Partindo dessa constatação, por que não aliamos esse fato com a sustentabilidade? O Estado como consumidor consciente possui a capacidade de fomentar o mercado para que práticas protetoras do meio ambiente sejam valorizadas e economicamente viáveis.

Dessa forma, a Lei de Licitações e Contratos Públicos (Lei Federal n. 8666/1993) foi alterada para inserir a componente ambiental no processo de compras ou contratações de serviços. Passou-se a incluir a “promoção do desenvolvimento nacional sustentável” para determinar a seleção da proposta mais vantajosa.

Imagem: Planeta Agora

O produto, por exemplo, que o valor é mais alto hoje, mas a longo prazo por conta da fabricação por materiais recicláveis e a durabilidade pode torná-lo inclusive financeiramente mais barato e amigo do ambiente, ou seja, é essencial a análise de todo o ciclo de vida dos produtos. Em tempos de smartphones, laptops e obsolescência programada essa constatação é extremamente importante.

O artigo 4º do Decreto Federal nº. 7746/2012, que regulamenta a Lei de Licitações, aponta as seguintes diretrizes para a Administração Pública Federal na análise de compras de produtos ou contratações de obras e serviços: “I – menor impacto sobre recursos naturais como flora, fauna, ar, solo e água; II – preferência para materiais, tecnologias e matérias-primas de origem local; III – maior eficiência na utilização de recursos naturais como água e energia; IV – maior geração de empregos, preferencialmente com mão de obra local; V – maior vida útil e menor custo de manutenção do bem e da obra; VI – uso de inovações que reduzam a pressão sobre recursos naturais; e VII – origem ambientalmente regular dos recursos naturais utilizados nos bens, serviços e obras”.

Imagem: Investidor de Sucesso

Na União Europeia, a questão está ainda mais avançada. O Parlamento Europeu aprovou a Diretiva 2014/23/UE, a Diretiva 2014/24/EU e Diretiva 2014/25/EU sobre contratação pública sustentável para que haja “crescimento inteligente, sustentável e inclusivo” para cumprir as metas da Estratégia 2020 e os acordos internacionais sobre o clima, tendo os contratos públicos, papel mobilizador fundamental da inovação e do desenvolvimento econômico europeu”.

De acordo com as Diretivas da União Europeia citadas, “a proposta economicamente mais vantajosa do ponto de vista da autoridade adjudicante deve ser identificada com base no preço ou custo, utilizando uma abordagem de custo-eficácia, como os custos do ciclo de vida em conformidade com o artigo 68º, e pode incluir a melhor relação qualidade/preço, que deve ser avaliada com base em critérios que incluam aspetos qualitativos, ambientais e/ou sociais ligados ao objeto do contrato público em causa”.

Há, portanto, verdadeira revolução verde nas formas de contratação pública no cenário eurocomunitário. Hoje, todo contrato público é também um contrato público sustentável (ou ecológico) no espaço Europeu, na medida em que as normas aprovadas impõem esse modelo a ser transposto para as leis internas dos países membros.

Imagem: Ecoa

O Brasil avança em alguns pontos, mas a diferença é a facultatividade da medida se comparada com o que ocorre atualmente nas normas eurocomunitárias. A gestão ambiental, o modelo sustentável de Estado deve caminhar mais para que exerça esse papel de indutor de políticas públicas em prol do meio ambiente e, assim, as contratações públicas são fundamentais para o processo.

 

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O perfeito, o possível e o sustentável

 

Imagem: Mega Artigos

Estamos em uma era de perfeição. Tanta evolução ocorreu nas técnicas e procedimentos, que as opções se multiplicaram infinitamente. Você pode escolher tudo o que quiser, do exato jeito que quiser.

É possível uma fruta perfeita em cada quitanda ou supermercado, independentemente da estação do ano. É possível uma flor de cor específica em quantidades absurdas, para um evento ou para marcar o mês cor de rosa no país inteiro.

Pensemos por um instante em quantas flores cor de rosa foram utilizadas durante o último mês de outubro. Quer você entrasse em uma loja, um salão de beleza, um consultório médico, lá estava um lindo arranjo de flores cor de rosa. Alguns locais inclusive distribuíram rosas e flores cor de rosa para as mulheres. E ainda calculemos os metros de fita mimosa cor de rosa…

Imagem:: Janaína Steffen – Autossustentável

A Sra. Selima, minha avó, exclamaria: “parece que impossível!” E juntaria as mãos em frente ao rosto, boquiaberta com os olhos brilhando. Sim, na época dela, que nasceu em 1921, sequer havia possibilidade de algo assim. O modo de produção era outro e o consumo era infinitas vezes menor.

É inegável que um evento perfeito, ou um alimento perfeito, é o desejo de todos nós. Vemos beleza nisto, traz satisfação e um sentimento de plenitude. Todos nós gostamos.

O que preocupa e que fez com que eu refletisse foi o custo disto. E aqui não estou falando de custo monetário, pois existe sim quem possa pagar para que tudo seja perfeito.

Imagem: Na Raiz

Penso no custo para o equilíbrio, na sustentabilidade disto. No caso das fitas, uma fábrica pode sim direcionar a sua produção e entregar quilômetros de fitas de uma só cor. A repercussão da perfeição é minimizada por um planejamento estratégico, o que reduz os prejuízos.

Mas e a natureza? A monocultura é uma questão antiga e as suas repercussões são conhecidas hoje. O sustentável, em se tratando de meio natural, sempre foi a variedade. A natureza, em seu equilíbrio, não produz apenas frutos perfeitos ou flores de uma só cor.

Imagem:: Janaína Steffen – Autossustentável

É cediço assumir que esta perfeição não é sustentável. Por todos os custos que não conseguiremos assumir. E como fazer para que todas as mulheres lembrem-se do auto-exame no mês de outubro sem precisar de toneladas de flores da mesma cor?

Perfeição, no dicionário, significa o mais alto nível numa escala de valores, a excelência no mais alto grau. E aí está a nossa resposta, ou o início de uma nova forma de dar significado ao que consideramos perfeito.

Na escala de valores que está em equilíbrio com tudo aquilo que nos rodeia, o que seria a excelência em um evento? Qual seria o significado de um alimento perfeito?

Certamente que o sustentável precisa crescer em nossa escala de valores. Apenas então poderemos fazer escolhas mais compatíveis com o futuro que queremos.

Imagem: Inquima

Iniciativas Perfeitas:

  • Você já ouviu falar em supermercados que tem uma área de desconto para legumes e verduras que não tem um formato ou aparência perfeitos?
  • Você conhece alguma iniciativa de conscientização perfeita? Compartilhe!

 

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Negociações climáticas: pequenas vitórias continuam sendo apenas pequenas vitórias

Há dois anos, com a finalização da celebração do Acordo de Paris, o mais relevante acordo climático internacional desde Quioto, já havia explicitado que a celebração era uma vitória, sim, apesar de muito pequena. Muito menor do que a necessária ambição para uma mudança abrupta no rumo do desenvolvimento humano exige para que atinjamos as difíceis metas auto-impostas de aumento máximo da temperatura média global. Dois anos depois, com a finalização da rodada de negociação nesta última semana, reitero: observamos vitórias, sim, mas elas continuam pequenas, minúsculas.

Imagem: Dive The World

Esse ano, a negociação foi presidida por Fiji (ainda que hospedada pela Alemanha). Sendo um país-ilha severamente afetado pelas mudanças oceânicas, Fiji colocou claramente a necessidade de uma postura ambiciosa dos países presentes. Mais que isso, a presença do jovem Timoci Naulusala, um estudante de 12 anos do país, colocou em perspectiva a ação individual dos negociadores e dos mandatários a fim de impedir que os cenários catastróficos que se avizinham de fato venham a ocorrer.

Discurso do estudante Timoci Naulusala na COP 23

Ainda assim, a negociação teve resultados pouco expressivos. Na verdade, possivelmente a maior vitória desse ano foi não haver um retrocesso – lembremos que, desde o ano passado, tivemos uma grande ação de disrupção nas negociações climáticas: a saída dos EUA do Acordo de Paris (para saber mais clique aqui). O que poderia vir a ser um início do esgarçamento absoluto das negociações acabou se virando contra os americanos, pois, hoje, acabaram como o único país (dos quase 200 do Sistema ONU) que não estão no acordo. E se pouco contribuíram para as discussões desse ano, também não a atrapalharam de forma significativa.

A ambição para 2017 é que diversos pontos intermediários ficassem mais bem estabelecidos, como a governança e o fluxo de investimento do Fundo Climático Internacional, responsabilidade e ambições no corte de emissões e ações mais efetivas de adaptação, em especial na África. Ainda que parte tenha sido discutida e com avanços pontuais, é difícil não ouvir de negociadores e ambientalistas a necessidade de aumentar a ambição.

Imagem: Revista Forum

E não falta ambição a delegação brasileira. Historicamente, um dos principais atores nas negociações, com a difícil e importante tarefa de unir os interesses de países desenvolvidos e em desenvolvimento, o Brasil chegou na conferência deste ano com uma visível mancha interna: o aumento expressivo do desmatamento. Não bastasse isso, ainda ganhou um “Fóssil do Dia”, premiação diária aos países contrários aos objetivos da conferência, justificada pelos incentivos à exploração do pré-sal. Mas, como estamos falando de ambição aqui, o país rapidamente assumiu o interesse em sediar a conferência em 2019, provavelmente na cidade de Foz do Iguaçu.

Um dos vários incêndios florestais que atingiram Portugal nos últimos meses. Incêndios florestais são cada vez mais comuns em várias partes do mundo devido a elevação das temperaturas e ao tempo seco sentidas de forma mais severa nos últimos anos. Imagem: Correio Braziliense

 

Em setembro deste ano, podemos observar a formação simultânea de 3 furacões no Oceano Atlântico: Kátia, no Golfo do México; Irmã, na região do Caribe; e José, também nessa região. Devido ao aumento da temperatura dos oceanos, esse tipo de evento poderá ser cada vez mais comum. Imagem: Financial Tribune
Imagem área de parte da Ilha de Saint Martin completamente devastada pelo Furacão Irmã em setembro deste ano. Imagem: Reprodução: G1Netherlands Ministry of Defence/Handout via REUTERS
E finalizamos mais uma rodada de negociações com esse sabor agridoce. Não pioramos, até evoluímos, mas muito aquém do que precisamos. E tudo fica para o próximo ano. Chegamos a 23° conferência das partes da convenção que rege o destino climatológico da Terra e a tônica é o mesmo “devo, não nego, pago quando eu puder”. Seja lá que dia poderemos, de fato, pagar…

 

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O Surgimento do Self Ecológico

Explorando como a conexão da natureza contribui para o nosso bem-estar e como podemos desenvolver um sentimento de pertencimento à Terra e à comunidade humana.

Todos os dias mais e mais crianças estão saindo da floresta. O impacto da natureza na saúde de crianças (e de adultos) foi comprovado através de inúmeras pesquisas. Estudos sugeriram que o contato com a natureza melhora a saúde mental, saúde cardíaca, controle de peso, estresse e TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade). Experiências de aprendizagem ao ar livre também são conhecidas por ensinar habilidades vitais críticas e criatividade. A imersão na natureza é um conceito central na infância e desenvolveresiliência e risco. Estas são todas experiências importantes que nutrem a vida de uma criança, no entanto, a conexão com a natureza vai além disso.

É crucial discernir a diferença entre a conexão com natureza e o contato com a natureza. O contato com a natureza poderia ocorrer ao caminhar com seu cachorro ou correr em um parque. Trata-se de estar em ambientes naturais, por exemplo, fazer uma caminhada, acampar, passar um tempo na praia ou ter uma aula de educação ambiental. Em situações como essas,se está em contato direto com a natureza, mas isso não significa necessariamente estar em conexão com a natureza. No entanto, o contato com a natureza é imperativo para a saúde e pode ser um portal para uma conexão mais profunda.

Imagem: This Dream Catcher

A conexão com a natureza está preocupada com valores e sentimentos que são experimentados intuitivamente e não racionalmente. Não se trata apenas de estar em lugares naturais, mas de se tornar um com ele. Através de práticas de conexão com a natureza, as crianças podem desenvolver a consciência de que somos parte do mundo natural, fazemos parte de uma rede de relacionamentos inseparáveis. “Somos como as células no corpo do vasto organismo vivo que é o planeta Terra”, explica o psicólogo americano Ralph Metzner (1993) em seu artigo “The Split Between Spirit and Nature in Europe Consciousness”. A compreensão deste complexo sistema interconectado pode ser desenvolvida desde cedo e está baseada em um vínculo íntimo com o mundo natural.

 

Mudando velhas mentalidades

Séculos se passaram, no entanto, a sociedade dominante ainda é guiada pela mentalidade de Francis Bacon (1571-1626) que afirmou: “A natureza toma ordens do homem e trabalha sob sua autoridade”. Nesta perspectiva, assume-se que a natureza tem um valor instrumental para os seres humanos e que temos soberania sobre o mundo natural. Os ensinamentos de Bacon colocam os seres humanos desconectados da natureza, percebendo e explorando o mundo natural, como recursos. A conexão com a natureza questiona este paradigma e começa a explorar uma visão de mundo ecocêntrica ou biocêntrica, onde a natureza está no centro das nossas relações.

Imagem: Pinterest

Este novo paradigma inclui a reformulação da identidade humana, isto é, a forma como nos percebemos e a forma como percebemos o que nos rodeia. A conexão com a natureza cria uma relação qualitativa com o mundo natural e nutre uma identidade ecológica.

 

O Self Ecológico

A noção do Self Ecológico foi criada pelo filósofo e ecologista norueguês Arne Naess em 1973. A ecopsicóloga Joanna Macy descreve o Self Ecológico como o “senso mais amplo de identidade que surge quando o interesse próprio inclui o mundo natural”. Macy também afirma que, quando incluímos o mundo natural, somos trazidos para uma história muito maior de quem e o que somos. Ao nos reconhecer como parte do corpo vivo da Terra, estamos abertos a um estado de bem-estar. Em oposição ao conceito de saúde física, o bem-estar não pode ser medido em termos quantitativos. É subjetivo à identidade e aos valores de uma pessoa. O bem-estar é entendido aqui como “sentimentos e crenças internas intuitivas que dão propósito, significado e valores à vida”, descrição de John W. Fisher, PhD em seu artigo “The Four Domains Model: Connecting Spirituality, Health and Well-Being”. Com o apoio coletivo, as crianças podem começar a cultivar o Self Ecológico e reconhecer que o mundo natural não se baseia na separação. A natureza está dentro, assim como fora.

Imagem: Pinterest

Não há limites entre o eu e a comunidade humana maior ou a comunidade mais do que humana. As barreiras da individualidade são uma experiência de construção social na sociedade dominante. A conexão com a natureza significa tomar consciência de que o mundo natural é um com a comunidade humana, somos um em si mesmo.

O desenvolvimento inicial do Self Ecológico forma a visão de mundo de uma criança e implica uma profunda transformação de valores. Em um paradigma biocêntrico, é mais provável que um se mantenha comprometido e considere o mundo natural em suas ações diárias e futuras. Como Arne Naess afirma: “Se a realidade é experimentada pelo Self Ecológico, nosso comportamento segue naturalmente e belamente as normas de uma ética ambiental rigorosa”.

 

Estar em um com a natureza

A conexão com a natureza desenvolve uma compreensão de igualdade, isto é, na biosfera, todas as coisas têm o mesmo direito de viver e de viver como partes de um todo interconectado. Não se deve separar os seres humanos da natureza. Através da conexão com o mundo natural, percebe-se o valor intrínseco da natureza, entendendo como o mundo natural deve ser visto como um sujeito, independentemente da sua utilidade para os seres humanos.

A conexão com a natureza entre as crianças é essencial para a sustentabilidade do nosso planeta e seu bem-estar. Como educadores, podemos facilitar o encontro das crianças com a natureza, orientando-as para o mundo natural e apoiando suas experiências de sucesso. Essas práticas são originárias do conhecimento indígena tradicional e não são lições ou atividades, mas hábitos de aprendizado. Eles criam uma consciência dinâmica da natureza. A multitude de práticas forma um comportamento coerente com o mundo natural e dentro da sociedade, essas experiências de aprendizagem são profundas e complexas.

 

O método Sit Spot

A prática mais comum que desencadeia a conexão com a natureza está em desenvolver um forte relacionamento com um lugar selvagem. Retornar ao mesmo lugar no mundo natural pode criar um espírito amável e vínculo profundo com a natureza. Esta prática é conhecida como Sit Spot. Apenas por estar presente, o observador permite que as lições da natureza se infiltrem em seu ser. Com o tempo, as crianças são capazes de observar as mudanças no ambiente, coletar histórias e experimentar emoções diferentes com o mundo natural. Durante essa experiência, pode-se desenvolver uma forte relação pessoal com a natureza.

O Sit Spot é uma experiência de privacidade e intimidade com o mundo natural. Em casa ou nas salas de aula, devemos apoiá-los através de uma escuta atenta e sem julgamentos. Esta é uma parte essencial do Sit Spot, trazendo o mundo natural para nossas casas e vida pública. Testemunhados pelo coletivo, as crianças podem expressar suas histórias do mundo natural. Esta prática requer um círculo seguro para a conversa. Não pode ser espremido entre o lanche da manhã e a hora do almoço. Contar histórias é um ato de tecer a comunidade. As crianças podem experimentar as emoções de seus colegas e ter seus sentimentos reconhecidos. Através da narrativa, pode-se encontrar uma conexão interna e externa com a terra e o lugar.

Adaptação: Autossustentável

A conexão da natureza desenvolve um sentimento de pertença à Terra e à comunidade humana. As experiências podem variar amplamente em todos os países, mas todos podemos apoiar as crianças e capacitá-las para desenvolver o seu Self Ecológico e se tornarem pertencentes à Terra.

 

Precious Plastic: a revolucionária forma de reciclar plástico!

Desde 1950 a humanidade já produziu 8,3 bilhões de toneladas de plástico. Desse montante, cerca de 6,3 bilhões já foram descartadas. E se continuarmos nesse ritmo, pesquisadores apontam que em 2050 haverá mais de 12 bilhões de toneladas de resíduos plásticos.

Atualmente, apenas 9% dos resíduos de plástico do mundo são reciclados, o restante acaba sem tratamento nos aterros sanitários, lixões e no meio ambiente.

Para ajudar a mudar essa estatística preocupante, o engenheiro e designer holandês, Dave Hakkens, desenvolveu máquinas para que qualquer pessoa possa reciclar em casa e começar um negócio de reciclagem fabricando por conta própria objetos feitos de plástico descartado.

As 4 máquinas de Dave, batizadas de “Precious Plastic” (plástico precioso), foram baseadas em máquinas industriais, mas modificadas para serem menos complexas e mais flexíveis. Uma delas tritura o plástico em pequenos grânulos, há também uma extrusora, uma moldadora de plástico por injeção e uma moldadora de plástico por rotação.

 

Elas também são modulares para que possam ser facilmente reparadas, atualizadas ou adaptadas ao gosto do empreendedor.

 O processo é bem simples:
  • É preciso coletar embalagens e outras peças lixo de plástico;
  • Usa-se a trituradora para transformar o lixo em pequenos pedaços de plástico;
  • Abastece-se a extrusora com os pedaços de plástico para criar uma linha fina de plástico que pode ser utilizada em uma impressora 3d ou moldada em novo produto;
  • Abastece-se a moldadora com os pedaços de plástico, que serão derretidos e injetados no molde criado, formando um novo produto!

 

O objetivo de Dave também é compartilhar seu projeto com o mundo, por isso ele disponibiliza em seu site desenhos técnicos, listas de materiais e vídeos com tutoriais para que as pessoas possam construir suas próprias máquinas! É tudo “open source”, ou seja, código aberto para qualquer um baixar de graça e aprimorar conforme suas necessidades.

É demais, não é? Então, mãos à obra pois a matéria prima está disponível às toneladas e de graça. Partiu transformar velhas embalagens em recipientes, objetos de decoração, joias, brinquedos e muitos outros itens que só a imaginação pode criar?

 

Pneus velhos podem se transformar em asfalto ecológico

 O Brasil descarta anualmente pelo menos 450 mil toneladas de pneus, o equivalente a cerca de 90 milhões de unidades. Quando o descarte é feito de forma errada (em lixões, depósitos, quintais de casas e outros lugares improvisados, como beiras de rios e matas), os pneus se tornam grave problema ambiental.

 

Eles demoram, em média, 600 anos para se decomporem na natureza e podem, inclusive, se tornar criadouros do mosquito Aedes Aegypti, transmissor da dengue, da Zika e da Chikungunya. Sem falar que eles são altamente poluentes. Quando queimado, o pneu libera monóxido de carbono e dióxido de enxofre.

No entanto, uma solução simples, mas eficiente, pode mudar completamente essa realidade: transformar a borracha dos pneus em asfalto. O reaproveitamento de pneus inservíveis (ou seja, aqueles que a vida útil chegou ao fim) pode trazer economia e resolver um enorme passivo ambiental.

Conhecido como asfalto borracha, a tecnologia já existe no Estados Unidos, na Europa e em Portugal desde 1960, mas por conta de problemas com patentes só começou a ser visto aqui no Brasil em 2001.

Mas como isso funciona?

A logística reversa, ou seja, o recolhimento de pneus inservíveis e a destinação correta fica a cargo da Reciclanip – entidade que reúne os maiores fabricantes de pneumáticos do Brasil. A prática da logística reversa é obrigatória em razão da Resolução CONAMA Nº 416/2009. Por isso, é importante que os proprietários sempre deixem os pneus velhos em pontos que recebam esse tipo de material, como lojas especializadas.

Os pneus inservíveis são coletados e levados para as empresas de reciclagem. Seleciona-se o material nobre do pneu para produção do asfalto-borracha. Desse material, saem os polímeros. O que sobra é utilizado para alimentar os fornos. Os polímeros são transformados em pó de borracha que é adicionado a mistura com o asfalto comum, para fabricação do asfalto borracha.

Para a produção de cada quilômetro do asfalto ecológico são necessários 600 pneus, com um custo 30% maior. Mas os benefícios são maiores! Melhoria das propriedades do asfalto comum, aumentando a durabilidade do pavimento em até 40%. Além da resistência e diminuição de custos de manutenção, a adição da borracha aumenta a aderência, o que ajuda a evitar derrapagens e reduz o spray causado pelos pneus em dias de chuva, garantindo estradas mais seguras.

 

Máquinas trocam embalagens por créditos no Bilhete Único e desconto na conta de luz

Uma startup de São Paulo trouxe para o Brasil um projeto que já faz sucesso pela Europa e Ásia. É uma máquina de reciclagem que reverte embalagens vazias em créditos ou descontos para o consumidor.

Projetada pela Triciclo, a Retorna Machine é uma máquina de venda reversa (“reverse vending machine”), destinada a recolher resíduos sólidos reutilizáveis e ou recicláveis, como PET, latas de alumínio, embalagens longa vida, vidro. A ideia é evitar que esses materiais sejam descartados de maneira errada e ainda conscientizar as pessoas sobre a importância da reciclagem e da logística reversa fechando o ciclo do produto.

 

As máquinas de reciclagem ficam em pontos movimentados da Grande São Paulo como estações de metrô, terminais de ônibus e shopping centers.

O funcionamento é bem simples: basta o usuário se cadastrar no site ou app do projeto, levar o recipiente reciclável, inserir na máquina e esperar ela gerar pontos. A máquina reconhece o material por meio de um leitor de código de barras e computa pontos triciclo no perfil do cidadão. Cada garrafa de PET vale 10 pontos, enquanto a latinha vale 15. A cada 100 pontos, o usuário pode resgatar R$0,35 em crédito no Bilhete Único, R$0,27 centavos em desconto na conta de luz ou ainda, podem ser doados para projetos sociais.

 

No site e no aplicativo também é possível saber a disponibilidade de cada máquina (o quanto do compartimento está cheio), bem como filtrar pelo tipo de material que cada Retorna Machine coleta (PET, alumínio, Tetrapak, Vidro). Assim você não corre o risco de não conseguir depositar os seus resíduos porque a Retorna Machine está cheia.

Todo o material coletado é tratado pela própria Triciclo (que faz a triagem, classificação, prensa e enfardamento) para envio às cooperativas de catadores de lixo e empresas recicladoras. Em pouco mais de um ano de atividade, as Retorna Machines já coletaram mais de 800 mil embalagens, que foram revertidas em milhares de benefícios sociais.

 

Telhas recicladas de embalagens Tetra Pak

As embalagens Tetra Pak foram criadas na Suécia nos anos 1950 e ganharam o mundo com a praticidade tão característica dos tempos industriais. Entretanto, o milagre só não é completo porque as embalagens longa vida, quando jogadas no lixo, são um verdadeiro desperdício de recursos naturais. Afinal, jogar uma embalagem dessas no lixo é dar cabo de um curto ciclo de vida do papel, alumínio e plástico, ao mesmo tempo.

Já contamos aqui como são recicladas as embalagens longa-vida, hoje contaremos sobre um dos produtos dessa reciclagem e que é uma ótima alternativa para um enorme problema: a produção de cerca de 188 bilhões de embalagens da Tetra Pak por ano, em todo o mundo. Número assustador, não?

Dentre os processos de reciclagem das embalagens Tetra Pak, existe um que é um processo que permite que o plástico e o alumínio sejam picotados e passam por uma secagem. Então são cobertos por uma camada de filme plástico e prensado a quente. O polietileno derrete e adere ao alumínio formando uma resistente chapa. Ainda quente a chapa é colocada no molde da telha, onde adquire o formato de telha. As telhas são compostas basicamente por alumínio, Pet, Polietileno e Polinylon.

Telha de TetraPak

As telhas feitas com Tetra Pak estimulam a reciclagem, já que são feitas com materiais para os quais os destinos mais comuns seriam os lixões ou aterros sanitários. Desta forma, contribui essencialmente para a sustentabilidade, em especial o meio ambiente.

 
Ideais para cobertura de residências, galpões, barracões e canteiros de obra, a telha ecológica Tetra Pak é mais resistente que as telhas convencionais, podendo receber cargas de até 150kg/m² e podem ser jogadas ao chão que não trincam. Além disso, podemos listar algumas outras características e vantagens dessas telhas:

 

  • Alta resistência a flexão. Não quebra, dispensa maiores cuidados no transporte, manuseio e estocagem;
  • Não danifica com chuvas de granizo;
  • Eficiente isolamento térmico (50% a 60% menos calor que telhas de fibrocimento);
  • Material leve (metade do peso das telhas de fibrocimento) que resulta na economia na estrutura da cobertura;
  • Material sem risco a saúde, limpo e sem odor;
  • Material impermeável;
  • Resistente a produtos químicos;
  • Alta resistência ao fogo, não propaga chamas;
  • Fácil fixação, permite o uso de pregos, parafusos e rebites;
  • Pode receber pintura acrílica.

 

Além da telha de Tetra Pak, há no mercado duas outras opções. As telhas com manta térmica, que são revestidas em alumínio, com acabamento metálico em um dos lados, reduzindo em até 85% a temperatura ambiente além de deixá-la mais resistente que a Tetra Pak simples. E há também as telhas de tubo de pasta de dente, que passam por processo semelhante aos de embalagens Tetra Pak. As fotos abaixo mostram as diferenças de acabamento entre as opções.

Telha com manta térmica
Telha de tubo de pasta de dente

 

Papel Semente: O papel reciclado que vira planta

Agora já é possível picar seus cartões de visitas, convites e envelopes e, em vez de jogá-los no lixo, plantá-los. Deles vão brotar árvores, ervas medicinais, flores ou verduras. É, isso mesmo! Você planta seu papel ecológico e terá temperos, ervas ou flores brotando na sua horta ou jardim. Assim, você inicia um novo ciclo de vida e impede que mais lixo seja produzido.

Criada em 2009, a Papel Semente, uma empresa super consciente que faz parte do Sistema B, desenvolveu um papel reciclado, ecológico e artesanal, que recebe sementes de flores ou temperos durante seu processo de fabricação.

 

O processo fabril se inicia com a reciclagem e a transformação do papel usado e de aparas não utilizadas pela indústria tradicional (coletados por cooperativas certificadas de catadores de papel), e é finalizado com a inserção de sementes. Assim, após a sua utilização, o papel pode ser plantado, gerando vida ao invés de lixo.

 

 
A empresa fabrica convites, cartões, flyers, folders, embalagens, etiquetas, envelopes, tags, folhas brancas, ou até mesmo o que você imaginar e preferir com a semente que você escolher, basta entrar em contato e pedir um orçamento clicando aqui. As sementes utilizadas no papel, são bem diversas. Tem Agrião, Cravinho francês, manjericão, rúcula, salsinha, papoula, cenoura, tomate, almeirão, mostarda e margarida gigante branca.

 

Mas como plantar o seu papel semente? É fácil, basta seguir os passos a seguir: pique e molhe o papel semente em um recipiente, sem danificar as sementes; em seguida, coloque em um vaso com uma leve camada de terra fértil, de até 1 cm por cima. Regue diariamente, mantendo sempre úmido, mas tome cuidado para não encharcar. Estima-se que em até 20 dias, a planta começará a germinar.

 

Nossos cartões de visita já são feitos com papel semente.

 

Nós também já temos um vaso lindo, cheio de folhas e já dando diversos brotos.

 

 

E vocês? Já conheciam o papel ecológico de sementes? O que acharam? Impressionante, não? Contem pra gente suas impressões. Adoraríamos saber o que vocês têm a dizer.

 

Saiba como antigos hábitos de comunidade estimulam a nova economia compartilhada

Há poucos dias, meu amigo Leonardo Borges escreveu aqui no Autossustentável sobre o incrível aplicativo Tem Açúcar, que já é um marco da economia compartilhada no Brasil. Entendo que hábitos como pedir emprestado ao invés de comprar não são novidade. Oferecer dinheiro a um amigo que precisa também não. Consertar ao invés de comprar, menos ainda. Mas a organização dessas ações em plataformas digitais cada vez mais transparentes, completas e acessíveis apontam para uma tendência importante e potente: nós queremos dividir com mais consciência.

Quero ter a confiança de emprestar minha bicicleta a um desconhecido e ganhar de volta não só a magrela, como também um novo amigo. Ter a força para trazer minha banda preferida para tocar na minha cidade, e também a clareza sobre qual projeto ou empresa meu dinheiro investido está ajudando a fomentar. Essa é a essência da era do despertar da consciência, uma nova fase que o mundo merece e precisa de forma urgente. Nossos hábitos de consumo desenfreado foram grandes propulsores da degradação ambiental e efeitos severos das mudanças climáticas até aqui. É hora da mudança de paradigma! E a tecnologia está se mostrando uma boa aliada.

Além das plataformas de crowdfunding já consolidadas, como Kickante, Catarse e Benfeitoria, novos (e nem tão novos) conceitos dentro do guarda-chuva do “financiamento coletivo” passaram a tomar corpo no Brasil e no mundo. Um deles é o equity crowdfunding: permite que qualquer pessoa invista em projetos de terceiros em troca de uma participação no negócio. Isso quer dizer que você pode fomentar um projeto que faz sentido para você ao mesmo tempo em que multiplica seu dinheiro. Pode ser a startup de um amigo, uma loja de pães artesanais no interior da Califórnia, ou até mesmo a remodelação de um edifício em Manhattan.

A Prodigy Network, com o projeto The Assemblage em Nova York, é um dos exemplos desse novo ciclo de democratização dos investimentos no mundo imobiliário ao possibilitar a entrada de qualquer pessoa em projetos que antes eram acessíveis apenas a uma elite muito privilegiada. A plataforma online permite que qualquer um, em qualquer parte do mundo, invista em edifícios de Manhattan que são verdadeiros hubs para agentes e projetos de impacto positivo. São espaços de coworking e coliving (vou falar deles mais pra frente!) dedicados a fomentar conexões, projetos e workshops voltados ao auto-conhecimento, bem-estar, biologia e desenvolvimento humano. O investimento mínimo atual é de 10 mil dólares, e a expectativa é que seja de apenas 100 dólares num futuro próximo. Os rendimentos esperados ficam em torno de 12% ao ano. Afinal, não é doação, é investimento… com mais consciência.

Outro exemplo, dessa vez nacional, é o urbe.me, de Porto Alegre, que também promove o equity crowdfunding em negócios imobiliários. Na plataforma brasileira os investimentos partem de R$ 1 mil e possuem parceria com construtoras locais. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão regulador do mercado de capitais, regulou a modalidade esse ano, trazendo ainda mais transparência e segurança para esse tipo de operação no país. Com esses exemplos, percebemos que uma nova lógica de relação entre investidor-investimento é estabelecida, bem diferente de apenas deixar o dinheiro aplicado em fundos do seu banco, que usa a grana como lhe convém. O novo formato dá mais sentido, facilidade e transparência no processo todo.

Estas mesmas características são valorizadas pelas pessoas que escolhem compartilhar não apenas investimentos ou projetos, mas também seus espaços de trabalho (coworking) e até mesmo de moradia (coliving). O mercado de coworking no país cresceu 114% do ano passado para cá, mesmo com a crise, de acordo com dados do Censo Coworking Brasil. Já a prática de coliving ganha terreno de forma mais lenta, mas consistente com empresas como o WeWork apostando alto no setor. A gigante americana, avaliada em US$ 2 bilhões, já conta com dois prédios de moradia compartilhada, em Washington DC e Nova York, com planos de expansão rápida.

Já a Roam possui casas compartilhadas em Bali, Miami, Tóquio, Londres e São Francisco. Em cada localidade existe um anfitrião que cuida dos detalhes, a limpeza é feita diariamente, a cozinha abastecida e sempre tem amigos para conversar sobre seu dia. A ideia é oferecer um clima acolhedor ao ficar em qualquer uma dessas cidades por um período mais longo, já que o anfitrião faz isso porque ama e cada morador ama compartilhar… principalmente se for de uma forma cada vez mais consciente. São os antigos hábitos de comunidade potencializando a nova economia.

 

 

Espaços Protegidos – Por que precisamos de cercadinhos?

Quando se fala em proteção, na legislação, estamos normalmente tratando de pessoas, entes ou situações em que há uma fragilidade.

Há a proteção dos consumidores contra as ingerências das lojas, fabricantes e fornecedores; há a proteção dos idosos, por eles terem se tornado vulneráveis a fraudes e maus tratos; há a proteção das crianças e adolescentes, pois elas não possuem discernimento e poder de decisão até a maioridade; enfim, sempre que o legislador entende que possa haver algum abuso ou violação de direitos, é editada uma lei protetiva.

No caso dos espaços destinados a proteger o meio ambiente, a meta é garantir um mínimo de meio ambiente, uma reserva técnica. Também existem espaços que possuem espécies em extinção ou ecossistemas que são necessários para a manutenção da vida.

Imagem: Praia do Francês

A natureza é rica em capacidade de adaptação e retorno ao equilíbrio. Mas existem espaços, que são dignos de uma deferência, pelo seu significado para a vida como um todo, pela repercussão que possuem no coletivo.

O que sempre me inquietou nos espaços protegidos foi o cercadinho. Que um bebê necessite de limites para não se machucar e seja colocado em um cercadinho, está ok. A criança está sendo protegida. O ser humano em tenra idade precisa ser protegido dos perigos da vida.

Mas no caso do meio ambiente, a proteção é para que o homem respeite o cercadinho. Percebem? O perigo somos nós! Estamos protegendo aquele espaço da ação humana! Somos os vilões da história.

Imagem: Revista Missões

E a cada novo decreto ou lei criando ou extinguindo um espaço protegido temos muitas controvérsias e discussões. Os interesses de cada um dos 7 bilhões de habitantes diferem e mesmo em pequenos municípios há as questões de necessidade de gerar renda x necessidade de proteção.

O debate político terminará com a edição de uma lei, que delimitará o espaço protegido e o que pode ser usado para todos os outros fins. Um combinado entre todos, para que todos respeitem. E então será colocado um cercadinho.

 

Imagem: ONG Assereco

Mas o meu eterno dilema é por que precisamos do cercadinho se já combinamos? E porque diminuir o cercadinho se já concordamos que aquele espaço é essencial para a vida?

Já falei aqui sobre a cultura do excesso (clique aqui para ler). É necessário tudo isso mesmo? O que fizemos com a imensa parcela de terras não protegidas que deixamos liberadas? Ainda não conseguimos tudo o que queríamos?

 

Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen

Consumo Consciente na palma da mão! Conheça os app aliados nessa missão

Quando falamos em consumo, logo imaginamos o ato de compra de um determinado produto. Quando falamos em consumo consciente, associamos diretamente a redução da quantidade de produtos adquiridos.

Mas tanto o consumo quanto o consumo consciente vão além destas primeiras impressões. Consumir é um processo realizado em várias etapas, a compra é apenas uma das etapas do consumo. O consumo está presente todo o tempo em nossas vidas, desde o escovar os dentes e tomar banho, onde consumimos água e eletricidade, até quando nos locomovemos até o trabalho, escola e faculdade, quando consumimos combustível ou energia elétrica (dependendo do meio de transporte que usarmos). E mesmo passando o dia sem realizar a compra de qualquer produto, estaremos consumindo. Por esta razão, é importante termos consciência que nosso consumo provoca impactos em nossas vidas, mas também na comunidade que nos cerca e no planeta, de maneira geral.

Para auxiliar na adoção do hábito de consumir conscientemente, listamos abaixo alguns aplicativos que são uma verdadeira mão na roda.

1. Nossa Água

Um aplicativo para aqueles que desejam reduzir seu consumo de água!

O aplicativo Nossa Água, desenvolvido pela parceria entre a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o Instituto Akatu, foi pensado para ajudar a economizar água, bem como aprender a cuidar melhor desse recurso natural.

Imagem: Verdes Mares

Disponível para iOS e Android, o aplicativo é gratuito, trazendo dicas para economia de água, uma calculadora de banho, que mede em litros o consumo de água de acordo com o tempo no chuveiro e ainda mostra um ranking do gasto em relação ao banho anterior. Se uma pessoa demora 40 minutos no chuveiro seu gasto médio pode chegar a 200 litros, enquanto que um banho de 10 minutos gasta 50 litros de água. O app ainda elogia aqueles que economizam e adverte quando o consumo é maior. O Nossa Água também o jogo “O Encanador”, em que o usuário deve emendar vazamentos nos canos até que todas as extremidades estejam ligadas para a água fluir livremente pela tubulação.

 2. Moda Livre

Um aplicativo para quem gosta de moda e quer consumir de maneira consciente!

Avaliar cada marca e sua cadeia de produção dá trabalho, e pensando nisso a ONG Repórter Brasil desenvolveu o Moda Livre, um aplicativo gratuito que avalia o envolvimento das marcas de roupa no trabalho escravo.

Imagem: Moda Verde

A avaliação dos principais varejistas e empresas de roupa do Brasil foi feita com base em informações obtidas em flagras de fiscais do Ministério do Trabalho (MTE) em casos de trabalho escravo.  As empresas foram convidadas a responder um questionário, levando em consideração os fatores “política”, ”monitoramento”, “transparência” e “histórico,” e, com base nas respostas do que adotaram para combater o trabalho escravo, receberam uma pontuação que as classifica em três categorias de cores: verde, amarelo e vermelho, conforme a conduta adotada por elas. As empresas que não foram responderam automaticamente incluídas na categoria vermelha.

O aplicativo, disponível para iOS e Android, está no ar desde 2013 e conta com mais de 70 marcas. Segundo seus criadores, o intuito do Moda Livre é fornecer informações para que o consumidor faça a escolha de forma consciente.

3. Mapa de Feiras Orgânicas

Um aplicativo para encontrar alimentos orgânicos e agroecológicos!

Para encurtar o caminho do consumidor até o produtor e ampliar o acesso a alimentos orgânicos, o IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) em parceria com a campanha Brasil Saudável e Sustentável, coordenada pelo MDS (Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome) criou o aplicativo Mapa de Feiras Orgânicas.

O aplicativo mapeia estabelecimentos que comercializam orgânicos diretamente do produtor em todo Brasil, atualmente mais de 650 locais já estão cadastrados.

4. Nossa Energia

Um aplicativo para quem deseja consumir energia de forma consciente e economizar em sua conta de energia elétrica!

O aplicativo Nossa Energia, também criado pela parceria entre a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o Instituto Akatu, incentiva a diminuir os gastos com  energia elétrica. Lançado em 2014, o aplicativo possui uma calculadora que contabiliza em Kw (kilowatt) os gastos de energia elétrica de acordo com os eletrodomésticos e o consumo da casa ou apartamento.

Imagem: Google Play

Disponível para iOS e Android, o aplicativo gratuito, além de contribuir para o consumo consciente de energia também ajuda no equilíbrio financeiro e a despertar a consciência ecológica do seu usuário.  O Nossa Energia também possui o game “Apagão”, em que o usuário deve apagar todas as luzes de um prédio.

5. Plantit

Um aplicativo que ajuda a ter sua própria horta orgânica em casa!

Criado pela empresa portuguesa Plantit, o aplicativo, também chamado Plantit, ensina e dá dicas para aqueles que sempre desejaram ter uma horta orgânica em casa.

Imagem: Hypeness

O aplicativo, que está disponível para iOS e Android, é gratuito e traz muitas informações para sobre hortaliças, legumes e verduras brasileiros. Segundo a empresa, o objetivo do aplicativo é auxiliar na difusão de práticas de agricultura urbana, para isto o Plantit ensina como, quando e onde semear, indicando as épocas corretas para plantar, regar e colher as variedades de cultivo.

Imagem: Hypeness

A linguagem do aplicativo é bem clara para que todos possam tirar o máximo proveito, mesmo as pessoas sem experiência em cultivo de hortas. Uma outra boa notícia é que o Plantit também ensina como preparar biofertilizantes em casa, deixando os alimentos cultivados ricos em sabor e sem comprometer a saúde de quem os cultiva e daqueles que irão se alimentar.

6. Nosso Transporte

Um aplicativo que te ajuda a escolher o meio de transporte mais sustentável!

Poder escolher o meio de transporte mais barato, menos poluente e mais saudável. Essa é a ideia do aplicativo Nosso Transporte, também criado pela parceria entre a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e o Instituto Akatu, que pretende auxiliar a população a fazer escolhas mais conscientes ao se locomoverem pelas cidades e conscientizar os brasileiros sobre a importância de preservar o meio ambiente.

Imagem: Meio Info

Lançado em 2015, o aplicativo possui a Calculadora Transporte Consciente, pela qual o usuário insere informações sobre o preço do combustível em sua região, o valor do transporte público e o endereço de destino. A ferramenta compara gastos financeiros, emissão de carbono e calorias gastas pelo usuário, caso ele escolha percorrer um determinado percurso de carro, transporte público, de bicicleta ou a pé.

Disponível para iOS e Android, o  aplicativo é gratuito e ainda traz o Jogo Catalisador, no qual o usuário precisa filtrar todas as fumaças lançadas na atmosfera.

Com informações: Akatu, Alimentação Inteligente, EBC, Estadão, Google Play, Hypeness, Jardim do Mundo, Slow Down Fashion, TechTudo, Tecnologia IG.

Pequeno Guia para o Consumo Consciente

O conceito de consumo consciente não envolve apenas o que você consome, mas também de quem você consome e qual será o destino de seu descarte. Não adianta comprar alimentos orgânicos de um produtor que não tem seus funcionários formalizados ou utiliza-se de mão de obra infantil ou escrava. Ou ainda usar sacolas retornáveis de uma empresa se ela não toma os devidos cuidados no seu processo de produção.

Mas então o que é Consumo Consciente? Consumir de forma consciente é levar em consideração todos os impactos socioambientais da cadeia de produção e, do uso e descarte de produtos e serviços.

Um importante primeiro passo para a mudança de comportamento é refletir sobre os seus hábitos de consumo. Será que eu fecho a torneira quando escovo os dentes? Tomo banho demorado? Apago as luzes de ambientes não ocupados? Desligo da tomada os eletrodomésticos não usados? Dou carona para amigos que façam o mesmo trajeto? Deixo o carro em casa e utilizo transporte público? Planejo as minhas compras de supermercado? Reflito antes do impulso do consumo?

Repensar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar ajudam bastante nessa mudança de comportamento. Repense e reduza o seu consumo, reutilize aquilo que você consumiu e recicle o que já foi utilizado.

Outro passo é adotar uma postura mais ativa perante às empresas. Envie sugestões e críticas construtivas sobre seus produtos e serviços, contribuindo assim para a melhoria dos mesmos e diminuindo seus impactos socioambientais.

Exija também de seus candidatos e governantes propostas e ações que viabilizem e aprofundem a prática de consumo consciente. Um bom exercício para iniciar esta prática: que tal entrar em contato com o político no qual votou e perguntar o que ele está fazendo em prol do planeta? Lembre-se que ele tem obrigação de demonstrar os resultados que está obtendo para seus eleitores.

Sensibilize outros consumidores e dissemine informações, valores e práticas do consumo consciente. Monte grupos para mobilizar seus familiares, amigos e pessoas mais próximas. Seja um militante da causa!

E por fim, avalie constantemente seus princípios que guiam suas escolhas e seus hábitos de consumo. Afinal, pequenas mudanças em nosso dia-a-dia têm grande impacto no futuro.

 

 

5 Iniciativas que incentivam o Consumo Consciente!

Refletir antes do momento da compra é excelente para sabermos se realmente é necessário adquirir determinado bem ou serviço. Hoje vamos falar sobre possibilidades para a uma nova forma de reduzir o que consumimos para combater o tão perigoso e impactante consumismo e reduzir nosso impacto no planeta.

Bem antes da moeda surgir, o comércio era realizado na base da troca, o escambo. E podemos notar que esse movimento vem ganhando força novamente, é cada vez mais comuns vermos feiras de trocas se espalhando mundo a fora. Dá para trocar de tudo um pouco!

Já pensou participar dessas feiras? E se dissermos que já é possível ter acesso ao universo das trocas via online?  Felizmente este movimento também cresceu online e via app. Livros, brinquedos, roupas, jogos de videogames e até conhecimento já podem ser trocados por intermédio do seu celular ou laptop. Tem de tudo e para todos!

Sabe aquele livro que você estava querendo comprar, mas o orçamento não permitia? Ou aquela ocasião que exige uma roupa mais formal e você não vê sentido em pagar tanto para usar a roupa uma única vez?  Ou seu filho está crescendo e você gostaria de trocar os brinquedos por outros mais adequados a idade dele? Ou aquele jogo de videogame que você enjoou e gostaria de trocar por outro mais interessante? Ou você está precisando de umas aulas de inglês mas ao saldo bancário não está contribuindo?

Calma que a seguir vamos apresentar algumas iniciativas super bacanas que além de incentivarem o consumo consciente também resgata a possibilidade de criarmos conexões sociais.

 

1. LivraLivro

Uma excelente notícia para os amantes de leitura!

O LivraLivro é um site destinado a troca de livros para leitores de todo o Brasil. Criado com a proposta de reduzir o consumo desnecessário, economizar dinheiro e conhecer leitores que partilhem do mesmo gosto literal, o site já possui 70 mil livros disponibilizados.

Imagem: LivraLivro

E o sistema de trocas é super simples: um livro por um ponto, e um ponto por um livro. Quando você envia um livro para outro leitor, você faz 1 ponto e com esse ponto você pode pedir outro livro de algum leitor. E o leitor que lhe enviar o livro que você solicitou também ganha 1 ponto, e o ciclo continua. Você pode entregar um livro e então solicitar outro.

Imagem: LivraLivro

O cadastro no site é simples e as 3 primeiras trocas são gratuitas como forma de incentivar os novos leitores. Os valores cobrados no planos são simbólicos (a partir de R$2.69) para a manutenção e funcionamento do site. Mais de 100 mil leitores já trocaram livros através do LivraLivro! E o mais importante, a Garantia LivraLivro: se o livro que você enviar for extraviado pelos Correios o seu ponto será computado para que você seja compensado. E se você não receber o livro, o seu ponto é devolvido.

 

2. Quintal de Trocas

Uma ótima oportunidade para ensinar às crianças a importância da troca e das conexões sociais.

Imagem: Quintal de Trocas

O Quintal de Trocas é uma plataforma online voltada para trocas de brinquedos, jogos, livros, fantasias e outros itens infantis, 100% gratuita, para o Brasil inteiro. Além de contar com a plataforma de trocas e cursos online, o objetivo é também levar a antiga vivência de brincadeiras de quintal onde as crianças partilhavam seus brinquedos para as escolas, praças, parques, facilitando o acesso a esta nova visão de mundo, a qualquer um que deseje participar desta mudança.

Imagem: Quintal de Trocas

As trocas de brinquedos online funcionam da seguinte maneira: a criança escolhe os brinquedos que deseja oferecer para troca e responsável cadastra os mesmos no site, enviando uma sucinta descrição dos brinquedos e fotos.  Uma vez realizado o cadastro, a plataforma exibe a lista de brinquedos disponíveis, que pode ser filtrada por tipo de brinquedo, marca, idade, cidade ou estado. Desta forma, a criança e seu responsável podem escolher o brinquedo que mais interessa e solicitar a troca. Caso o dono do brinquedo escolhido também se interessar pelo brinquedo que vocês cadastraram, a troca pode ser realizada, tanto pessoalmente, dependendo da distância dos interessados, como via Correios. Mais de 60.000 pessoas já foram impactadas pelo Quintal de Trocas!

 

3. Bliive

Criado como rede virtual de troca de conhecimentos, hoje o Bliive é um movimento que acredita na colaboração como forma de revolucionar a ideia de valor, tudo isso baseado na aproximação de pessoas através do compartilhamento de experiências.

Imagem: Bliive

No Bliive a ideia é que as pessoas possam usar suas experiências e seu tempo livre para ensinar e aprender, assim o tempo virá moeda de troca para novas vivências.  E o que são experiências nesta rede? Basicamente qualquer serviço, conhecimento ou ajuda que você queira oferecer. O que move o Beliive é o seu desejo de compartilhar e receber e não o valor da sua conta bancária.

E o funcionamento é bem prático: ao se cadastrar na rede você ganha automaticamente 5 Bliives (a moeda de troca virtual, cada uma delas vale uma hora) e pode solicitar experiências de outros usuários. Um outro usuário aceita trocar horas de experiências dele por seus Bliives. Ao término da experiência, você transfere os Bliives em troca da experiência vivenciada. Você também pode oferecer suas experiências e trocá-las por mais Bliives.

Imagem: Bliive

Mas que tipos de experiências? Bem, suponhamos que você saiba cozinhar, então pode trocar 1 hora de culinária com alguém que esteja solicitando essa experiência. Da mesma forma, suponhamos que você esteja precisando de aulas de forró, você pode trocar seus Bliives pelas horas de aula que participar.

 

4. Roupateca

Comprar roupas e entulhar o guarda-roupa com peças que serão usadas pouquíssimas vezes faz cada vez menos sentido.

Pensando em reusar, transformar, renovar e compartilhar roupas foi criada a Roupateca, um guarda-roupa compartilhado que funciona por assinatura mensal.

Imagem: Roupateca

Sediada em São Paulo, a Roupateca funciona da seguinte forma: você pode ter acesso às peças através de 3 planos que mudam de acordo com quantas peças você quer pegar de cada vez, no plano 100 você tem direito a pegar 1 peça por vez; no plano 200 você tem direito a pegar 3 peças por vez; e no plano 300 você tem direito a pegar 6 peças por vez. Mas a dinâmica de todos os planos é a mesma! Você pode trocar as peças todos os dias (ou até mais de uma vez ao dia); há um prazo para devolução da peça (que você poderá usar o quanto quiser); e a peça deverá ser devolvida inteira e lavada, mas não precisa passar.

Imagem: Roupateca

O acervo da Roupateca é composto por peças de qualidade e atemporais, que carregam informação de moda e beleza, e principalmente, por marcas engajadas em construir um mercado de moda mais humano.

 

5. TrocaJogo

Mas se sua praia for videogame, também tem boas notícias!

O TrocaJogo é o maior site destinado a trocas de jogos de videogame no Brasil. Pensado como meio de aproximar pessoas e promover a troca de jogos originais de videogame, ofertas de jogos piratas não são permitidos no site, com pena de banimento do TrocaJogo e denúncia aos órgãos competentes. Além disso, o site incentiva aos usuários que identificarem esse tipo de conduta, denunciem através do Fale Conosco.

Imagem: TrocaJogo

Apesar de reunir usuários amantes de videogames, o site apenas realiza a intermediação dos interessados. As trocas são realizadas diretamente entre os usuários, presencialmente ou via Correios. E por isso, o TrocaJogo não se responsabiliza pelas transações realizadas pelo site, recomendando aos usuários que antes de finalizar as negociações, conheçam melhor o histórico da outra parte interessada, solicitando informações que atestem a confiabilidade.

 

Com informações de: Bliive, Consumo Colaborativo, EBC, Exame, LivraLivro, Quintal de Trocas, Roupateca, TrocaJogo.

 

Você é um consumidor consciente? Que tal fazer o teste?

O consumidor tem um grande poder em mãos, embora nem sempre tenha consciência disso. Por meio de suas escolhas cotidianas, ele pode contribuir para reduzir os impactos negativos no meio ambiente, na economia, na sociedade e no seu próprio bem-estar.

Pensando nisso, o Instituto Akatu fez um roteiro com seis perguntas que ajudam o consumidor a refletir antes e depois de fazer uma compra.

 

1 – POR QUE COMPRAR?

Somos bombardeados diariamente com milhares de propagandas e promoções das mais incríveis possíveis, que nos induzem a consumir. Mas é preciso pensar sobre o que motiva essa compra: Você realmente precisa comprar ou está sendo levado pelo impulso do momento?

Antes de fazer a compra, pense se há alternativas a ela, como reaproveitar algo que já tenha em casa, fazer uma troca com alguém, pegar um item emprestado (veja nosso post) ou reformar algo que você já tem.

 

2 –  O QUE COMPRAR?

Pesquise mais sobre o produto para ver se realmente atende às suas necessidades. Especificações, funcionalidades…será que o produto vai atender o que você quer? Fazendo essa pergunta, você evita ser atraído por elementos que não serão úteis no uso que você fará do produto.

Também é importante levar em consideração critérios como a qualidade, a durabilidade e a segurança do produto, além do seu preço. Sempre prefira um produto mais durável, que será útil por mais tempo e que permitirá levar mais tempo para que uma nova compra venha a ser necessária no futuro. Aquela velha máxima, às vezes o barato sai bem mais caro.

 

3 – COMO COMPRAR?

Comprar a vista ou a prazo? Fique atento aos descontos! Algumas lojas oferecem descontos com compras realizadas a vista.

Se estiver dentro do seu orçamento, é válido aproveitar o desconto e quitar logo o valor da compra.

Caso seu orçamento esteja apertado e você realizar a compra prazo, fique atento ao valor das parcelas e se terá como arcar com esse compromisso. E muita atenção também ao valor das taxas de juros! Existem casos em que o valor total a ser pago por um produto comprado a prazo acaba ficando muito mais alto por conta da incidência das taxas de juros. Fique de olho no crediário, cartão de crédito e cheque especial!

Sabe aquele famoso custo/benefício? Então… essa é a hora de avaliar se vale a pena gastar esse dinheiro nesta compra mesmo?

 

4 – DE QUEM COMPRAR?

O consumidor consciente conhece bem o produto que vai adquirir e também a empresa que o produz. Características do produto como os componentes utilizados em sua produção, os cuidados dessa empresa na exploração dos recursos naturais e com o ambiente onde a fábrica está instalada, o tratamento e a valorização dos funcionários, a contrapartida que a empresa oferecerá para a comunidade e economia locais. Fique de olho em empresas que realmente executem um planejamento sócio-ambiental.

5 – COMO USAR?

Pode parecer uma pergunta óbvia, mas, muitas vezes, os produtos adquiridos não apresentam um bom funcionamento por uso inadequado. Precisamos estar atentos ao uso consciente dos produtos e serviços adquiridos, assim podemos evitar as compras desnecessárias como quando surge uma nova versão de aparelho celular. Comprar essa nova versa é realmente necessário ou a compra está relacionada a seguir uma tendência?

Vamos a alguns exemplos práticos de bom uso: ser cuidado no uso; usar o produto até o final da sua vida útil; quando o produto der defeito, consertar antes de comprar um novo; desligar os aparelhos eletrônicos quando não estiverem em uso, inclusive desplugá-los das tomadas.

 

6 – COMO DESCARTAR?

Antes de descartar o produto é importante pensar se ele realmente não terá mais utilidade para você ou para outras pessoas. Precisamos estar atentos também ao descarte dos componentes produtos como as embalagens.

Caixas podem se transformar em brinquedos educativos para as crianças, inclusive ao realizar a transformação junto às crianças você estará passando um excelente exemplo de lição ambiental. As caixas juntamente com plásticos também podem ser destinadas a alguma cooperativa de reciclagem, esteja atento se em seu bairro há coleta seletiva de materiais.

Roupas antigas podem ser customizadas e assim ganharem vida nova ou podem, quando em bom estado, ser doadas a instituições ou vendidas para brechós. Móveis e eletrodomésticos antigos podem ser doados, trocados ou vendidos, os app estão aí, pessoal!

E se nenhuma dessas alternativas for possível, vamos descartar da forma correta! Atenção à coleta seletiva e às cooperativas de reciclagem!

Essas dicas podem até parecer pouca coisa, mas pense só: Se cada um de nós refletir sobre esses pontos antes de adquirir um novo produto ou mesmo descartar formaremos um movimento poderoso e transformador. Que tal se juntar a corrente do consumo consciente? O planeta agradece!

 

Com informações de: Instituto Akatu

 

 

Tem Açúcar? Plataforma incentiva empréstimo entre vizinhos e evita o desperdício

Autossustentável: Tem Açúcar

Quantas vezes você já se pegou precisando de um utensílio doméstico ou ferramenta que não tinha em casa? E pior: depois de comprar, nunca mais usou aquilo.

Infelizmente vivemos em uma cultura de hiper-consumo e descarte que nos ensina que as coisas que temos são mais importantes do que quem somos. Tudo que é produzido tem um impacto socioambiental que muitas vezes não vemos: seja na extração de recursos naturais, nos gastos com energia na produção e transporte, na mão de obra escrava muitas das vezes ou no descarte inapropriado.

A boa notícia é que existe uma alternativa interessante para este problema. A economia compartilhada veio para repensar essa lógica, estimulando o consumo consciente e sustentável. Está aí o sucesso do Airbnb, dos compartilhamentos de carros e bicicletas e aplicativos de caronas. Mostrando que a nossa abundância não tem a ver com quanto dinheiro temos ou com os bens que possuímos e sim com as relações que construímos.

Com o objetivo de facilitar o compartilhamento de algumas necessidades de consumo e estimular a colaboração, a carioca Camila Carvalho criou, em 2014, a plataforma Tem Açúcar?. Um dos pilares dessa plataforma é difundir um consumo mais consciente, ajudando a evitar compras desnecessárias.

A plataforma resgata o costume de bater na porta do vizinho para pedir um socorro ou uma xícara de açúcar, só que agora tudo isso acontece de forma online. Atualmente tem 150 mil usuários cadastrados, em mais de 10 mil vizinhanças em todos os estados do Brasil e que, juntos, já economizaram aproximadamente 7,8 milhões de reais.

Sabe quando você precisa de uma coisa mas sabe que vai usar pouco. Então… é assim que funciona. Ao invés de comprar é só pedir no Tem Açúcar quem de seus vizinhos mais próximos tem o produto e pode te emprestar. Assim você economiza dinheiro, age de forma mais sustentável evitando o consumo excessivo, além de criar laços com a vizinhança.

Os pedidos são os mais diversos possíveis. Vão desde a aspirador de pó, passando por uma arara de roupas, caixas de som, raquetes de frescobol e até barraca de camping.

Para fazer parte do Tem Açúcar é mais fácil do que você imagina. Após um cadastro rápido, o usuário decide o raio de distância em que pretende interagir e lista os itens que gostaria de emprestar ou doar. Sempre que alguém daquela rede de vizinhança fizer uma busca sobre um produto que esse usuário tenha, ele será acionado.

Mas não é só isso! Há também outros tipos de colaborações e gentilezas locais que fazem parte do aplicativo Tem Açúcar. Você pode compartilhar caronas, achar a companhia ideal para fazer exercícios, pedir uma mãozinha na hora de plantar sua hortinha, doar objetos ou até mesmo organizar uma festa entre vizinhos. Tudo baseado em interações não-monetárias.

A ideia é que o Tem Açúcar vire uma grande rede local de colaboração. Afinal, como o ditado diz: gentileza gera gentileza…

 

Educação para a sustentabilidade do outro lado do mundo

 

Acampamento e fogueira. Foto: Traidhos Tree Generation Barge Program

Trabalhar para a natureza não é nada fácil. O mundo natural é o meu escritório. Isso significa que grande parte do meu tempo eu passo em lugares que estão sofrendo com os abusos da sociedade contemporânea. Testemunhar lixões, alagamentos, rios poluídos são momentos de muita angústia para mim. Porém são nesses encontros com a dor que eu percebo o quão necessários são as pessoas que estão dedicando suas vidas a sustentabilidade.

Atualmente estou atuando como educadora para a fundação internacional Traidhos Tree Generation Barge Program em Bancoque na Tailândia. O objetivo da fundação é educar indivíduos e comunidades para a conscientização socioambiental e empodera-los para ter uma participação mais ativa e responsável na construção de um futuro sustentável. A fundação existe desde 1995 e oferece a escolas, universidades e empresas diferentes expedições ao mundo natural e a locais sagrados de acordo com a cultura Thai e a religião Budista.

Grande parte de nosso público são escolas internacionais com turmas de crianças de todas as idades. Nossas aulas são experiências praticas que buscam oferecer uma perspectiva holística provocando o pensamento crítico e contribuindo com o aprendizado em sala de aula. Todo o nosso trabalho é conduzido em inglês e a equipe da fundação tem 8 educadores de diferentes países do mundo e 4 educadores da Tailândia. 

Eu e minha equipe, uma interprete de Tailandês e mais um educador, levamos grupos para áreas de natureza selvagem, espaços sagrados, comunidades tradicionais e regiões que foram depreciadas. Algumas vezes visitamos lugares que são exemplo de conservação, aonde a integridade do ecossistema impera e você pode contemplar e estudar as espécies de maneira abundante. Nestes dias meu espírito se revigora e eu me recordo porque dedico a minha vida ao mundo natural.

Foto: Khao Yai National Park

Outras vezes nós vamos a lugares completamente oprimidos e destruídos. Vamos testemunhar os resultados de um consumo desenfreado e um descarte irresponsável que gera muita poluição. Testemunhamos sujeira por todos os lados e não é possível encontrar espécie alguma. Hoje a Tailândia sofre muito com o descarte irresponsável, eu ainda não tinha visto nada igual.

Um dos principais projetos da Thraidos Three Generation é dedicado ao rio Chao Phraya. Chao Phraya é o principal rio do país e esta completamente poluído devido ao desenvolvimento sem planejamento. As aulas sobre o Chao Phraya são oferecidas em um barco e nós navegamos observando os moradores e empreendimentos na costa do rio, os dejetos que flutuam e realizamos testes para verificar a qualidade da água. Nestas expedições também observamos os efeitos da destruição ecológica na vida das pessoas e moradores locais. Em visitas como estas eu me questiono porque escolhi tal profissão.

Casa alagada na ilha de Ko Kret. Fonte: Maria Eduarda Souza
 
Crianças durante aula no rio Chao Phraya. Fonte: Maria Eduarda Souza

Trabalhar para a natureza é assim. Navegamos entre regiões belíssimas e lugares extremamente destruídos aonde o ar não se respira. Por exemplo, em uma mesma expedição nós visitamos a ilha Samae San que é protegida pela Marinha Real da Tailândia e nutre uma rica vida marinha. E no dia seguinte visitamos uma região de carcinicultura (cultivo de camarão) na costa do país aonde a biodiversidade foi substituída por monocultura.

Panorâmica na ilha Koh Samae San, reserva marinha. Fonte: Maria Eduarda Souza
 
Crianças mergulhando na reserva Koh Samae San. Fonte: Traidhos Tree Generation Barge Program

Grande parte da educação para a sustentabilidade estar em mostrar os lugares que foram depreciados para gerar conscientização sobre os resultados de uma sociedade insustentável. É triste mas através do exemplo as crianças podem refletir sobre os impactos de suas atitudes e escolhas. Em geral, nós trabalhos com crianças que vivem na grande Bancoque e acham que a poluição é normal. A ideia de rios e ruas limpas são uma imagem distante e irreal.

No entanto, através de vistas a lugares selvagens e experiências de profunda conexão com a natureza somos capaz de inspirar os alunos a se apaixonarem pelo mundo natural. Para mim, esta é uma estratégia mais satisfatória no ensino da sustentabilidade. Através de uma estímulo afetivo com a natureza nós somos capaz de engajar mais corações. Quando nos apaixonamos pelo mundo natural, organicamente iremos protege-lo, buscar informações e transformar nossas atitudes.

Trilha no Parque Nacional Khao Yai. Fonte: Traidhos Tree Generation Barge Program
Aula no Parque Nacional Khao Yai. Fonte: Traidhos Tree Generation Barge Program

É preciso ser honesta quanto ao trabalho da Traidhos Tree Generation Barge Program. Aqui eu observo muitos benefícios positivos e transformadores destas aulas e vivências. Sem dúvidas é um lugar digno para trabalhar e estamos oferecendo experiências significativas. No entanto, também observo a discrepância entre os valores e ética da fundação e a aplicação destes conceitos na prática. Não irei entrar nos detalhes agora, porém, brevemente quero mencionar que a alimentação oferecida aos alunos ainda é muito incoerente e não reflete conceitos de sustentabilidade. O uso de combustível de transporte também é algo astronômico que preciso ser revisto com criatividade e eficiência. Sinto que preciso expor esta preocupação, pois por ser funcionária da fundação preciso ter uma reflexão crítica sobre tal.

Outro assunto que eu questiono diariamente é a política de “health and safety” (saúde e segurança) imposta pelas escolas e seguida com rigor por nós. É claro que a segurança de nossos alunos é importantíssima e nunca será a nossa intenção agir de maneira leviana. Porém, aonde estas políticas de segurança começam a criar uma barreira entre as crianças e a natureza? Por exemplo, quando mergulham nos rios e estão nas praias os alunos são obrigadas a usarem sapatos por conta do risco de machucarem o pé. As crianças não podem mergulhar no mar livremente, somente com colete salva vidas, nem mesmo no raso. Os alunos também estão proibidos de correr pela floresta ou subir em árvores. Será que isso não esta ensinando a eles a se protegerem da natureza ao invés de respeita-la sendo consciente com sua própria integridade física?

Crianças no trem. Fonte: Traidhos Tree Generation Barge Program

Minhas experiências com crianças indígenas na Amazônia me mostra como uma verdadeira relação de aprendizado com a natureza emerge da confiança, sem barreiras impostas por órgãos invisíveis. Sei que não é justo comparar a infância indígena com a cultura internacional Thai de centros urbanos. Porém, precisamos restaurar a liberdade e empoderar nossos alunos para entender risco ao invés de protege-las da vida selvagem. Nós fazemos parte da natureza e estas barreiras e proibições nos afastam cada vez mais de entender que somos parte do mundo natural.  

Criança indígena na aldeia Ipavu. Foto: Maria Eduarda Souza

Mudar a mentalidade é um grande desafio, no entanto é exatamente o que precisamos na construção da transição para uma sociedade sustentável. Eu tenho uma vontade enorme de retornar ao Brasil e trabalhar com crianças e ecossistemas brasileiros. Aproveito e faço o convite, se você tiver interesse em trabalhar junto, entre em contato. Basta comentar aqui com seu email que eu escrevo para você. Vamos conversar! Educar para a sustentabilidade é um trabalho a longo prazo e a mais poderosa ferramenta para mitigar nossa atual crise ecológica.

Contemplando a vista no Parque Nacional Khao Yai. Foto: Maria Eduarda Souza