Banda Gaúcha faz Rock com Arte e Sustentabilidade

Imagem: Divulgação

Sabe aquele trabalho que você faz com amor e paixão? Então! Essa é a banda porto-alegrense Vertz que surgiu em 2013 e carrega em seus trabalhos muito rock autoral, amor a música e uma preocupação ambiental que dá gosto de ver. O baterista, Roger Duarte, é Técnico em Meio Ambiente e graduando em Gestão Ambiental e pensou bastante na natureza na hora de criar e distribuir CDs e brindes da banda.

Por exemplo, as capas de CDs são feitas com a reutilização de capas de CDs, fruto de material apreendido, em poder do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul e que seriam descartadas junto ao Departamento Municipal de Limpeza Urbana (DMLU). Essa iniciativa reduz o volume de resíduos que iriam para o aterro sanitário, evita a extração de matéria prima, além de reduzir os custos para a banda.

Imagem: Divulgação

Já os brindes que são sorteados vêm das mãos da artesã local Patrícia Santos. Ela confecciona elefantes (símbolo da banda) através de uma técnica chamada papietagem. O papel que seria descartado é utilizado junto com cola orgânica à base de farinha e tintas não tóxicas.

Para a banda, é preciso fazer o possível pela sustentabilidade do planeta e pelas pessoas que necessitam de ajuda. É preciso estender as mãos por um mundo melhor. Assinamos embaixo!

Para saber mais sobre a banda gaúcha de rock e ouvir um som de primeira, acesse: www.bandavertz.com

Redes Sociais:
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Twitter: @VertzOficial
YouTube: Banda Vertz

 

 

Juçaí e Sustentabilidade

Imagem: Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios

Você conhece o Juçaí? Trata-se do fruto extraído da Palmeira Juçara (Eutherpeedulis Mart.), espécie endêmica da Mata Atlântica, tendo, inclusive, valores nutricionais superiores ao conhecido Açaí.

Imagem: Organicsnet

De acordo com estudos, é possível verificar maior concentração de ferro (70%), potássio (63%), provitamina A e antioxidante antocianina (2956 mg/100g para o fruto seco e 290 mg/100g para o fruto fresco).

A Palmeira Juçara chegou a cobrir mais de um milhão de metros quadrados na Mata Atlântica de norte a sul do Brasil, mas infelizmente a exploração desenfreada para a extração do palmito a transportou para a lista oficial de espécies ameaçadas de extinção. Importante ressaltar que o sumiço da Juçara expõe 60 espécies de animais – entre tucanos, jacus e macacos – que dependem de seus frutos para alimentação.

Imagem: Projeto Juçara

Visando reverter esse quadro, ambientalistas do Núcleo Interdisciplinar do Meio Ambiente da PUC-RJ, sob coordenação do prof. Oscar Graça Couto, criaram um Programa chamado Amável – Mata Atlântica Sustentável e a Frente Pró Juçara. O projeto pretende, dentre outros objetivos, (i) plantar 10 milhões de palmeiras Juçara nas florestas; (ii) envolver nesse plantio pequenos agricultores familiares e orgânicos, comunidades indígenas e quilombolas; (iii) incentivar o uso do fruto da Juçara na merenda escolar (sorvete ou suco feito do fruto + banana + mel) e (iv) converter palmiteiros em plantadores de Juçara e coletores legalizados de frutos (é mais lucrativo colher frutos do que extrair o palmito).

Imagem: Projeto Juçara

 

Imagem: Projeto Juçara

 

Imagem: Projeto Juçara

Inverte-se a lógica, na medida em que se substitui a atividade clandestina e criminosa da exploração do Palmito Juçara, espécie em extinção, pelo sustentável modelo de plantio e replantio das sementes e colheitas do fruto.

A indústria de alimentos também já se atentou para o importante valor nutricional e, aliás, mercadológico da polpa da Juçara, na medida em que se pode adquirir sorvetes e sucos de Juçaí em lojas e supermercados diversos. A produção é realizada na comunidade da Serrinha do Alambari em Resende, sul fluminense, que é formada por população tradicional descendente direto de povos da floresta.  

Imagem: Jiu Jitsu Portugal

Tais ações buscam recompor a importância ambiental e histórica da Palmeira Juçara, além de gerar renda e emprego para o sustento de comunidades tradicionais. Reforça, assim, compromisso de valorização, inclusive econômica, da árvore em pé.

 

 

O que representam R$ 38,1 bilhões?

Imagem: The Budapest Beacon

É impossível no atual momento do Brasil não falar sobre o tamanho da corrupção que, dia após dia, vem vindo à tona a todos nós.

A mais famosa ação de combate a este mal, a Operação Lava-Jato, tem um interessante resumo com os principais números decorrentes de suas ações. Um desses números, especialmente, salta aos olhos: R$ 38,1 bilhões, este é o valor total do ressarcimento pedido (incluindo multas).

Imagem: Twitter

Este é o montante absoluto sobre o qual estamos falando (nesta operação). É um número tão abissalmente grande que foge a nossa realidade cotidiana. Uma forma de nos atinarmos ao quão estupendo é este valor seria compará-lo a itens mais comuns de nosso dia-a-dia, mas sendo respeitoso a vocês, leitores, comparemos a alguns outros números mais relevantes.

R$ 38,1 bilhões é o equivalente a 38 vezes o orçamento do Ministério do Meio Ambiente em 2016 (R$ 1,01 bi); ou 86 vezes o orçamento do mesmo ministério após os últimos cortes deste ano (R$ 446,5 mi). É também equivalente a quatro vezes e meia o gasto brasileiro em seu maior investimento individual de defesa aérea, o SIVAM (R$ 8,4 bi, em valor corrigido) – instrumento fundamental, hoje, para o combate ao desmatamento da Amazônia.
Mapa do desmatamento na Amazônia Legal. Imagem: Fonte: G1 / Reprodução Imazon

O montante de R$ 38,1 bilhões é equivalente a 86 anos de pagamento de outorga pelo uso da água de bacias federais (aproximadamente R$ 439 mi/ano). Equivalente a 82 anos de funcionamento do IBAMA (R$ 466 mi/ano). Equivalente a 110 Agências Nacional da Água (R$ 347 mi) ou 6.145 Jardins Botânicos do Rio de Janeiro (R$ 6,25 mi). Equivale a 952 anos de esforços de combate às mudanças do clima (R$ 40,7 mi/ano).

Vista aérea de área desmatada no município de Novo Progresso, no Pará. Com menos verbas para o combate, desmatamento na Amazônia sobe 29%. Fonte: O Globo/ Reprodução: Ueslei Marcelino/Reuters

Se considerarmos apenas o serviço de regulagem do clima global da Amazônia, R$ 38,1 bilhões equivale a perda de 28 mil km² de área florestal (ou 4 milhões de campos de futebol). Equivale ainda a quase 4% de todo o montante global que girou em torno de financiamento climático em 2014 (R$ 1,2 tri).

Trinta e oito bilhões e cem milhões de reais é muita, mas muita coisa! E seria já assombroso se não tivesse sido roubado de nossos cofres ou influenciado a nossa vida política em favor de pouquíssimos.

Imagem: Reprodução Youtube

Ao que tenhamos dimensão do montante envolvido na corrupção em nosso país talvez estejamos um passo mais próximos a impedir que as mesmas figuras tenham a mesma capacidade para executar as mesmas manobras. Ou assim espero.

 

 

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Castigar é mais eficaz do que colocar limites?

Imagem: Na Toca da Coruja

Quando falamos em meio ambiente é comum pensarmos em parques, florestas ou reservas, por exemplo. Esses são tipos de Unidades de Conservação, ou seja, espaços delimitados em que a proteção ambiental vem em primeiro lugar.

Cataratas do Iguaçu. Imagem: Manacá Hotel

Quem mora ou já frequentou algum espaço protegido, sabe que existem muitas regras, como: não deixar lixo, não levar plantas, mudas ou conchas. Simplesmente não é permitido! Não pode!

Na maioria dos parques brasileiros inclusive se mantém a estrada de terra original, para garantir o conforto dos animais nativos e também evitar o acesso desenfreado de pessoas. E a maioria pensa: se a estrada é de terra, melhor escolher outro lugar para ir.

Parque Nacional do Itatiaia. Imagem: ICMbio

Existe ainda, para além da cerca da Unidade de Conservação, uma faixa de território em que as regras diminuem, mas que ainda há uma série de restrições, porque não se imagina que os animais vivam bem, com uma barulheira do outro lado da cerca, ou com qualquer atividade que seja incompatível com a proteção do meio ambiente.

Para quem faz as leis, em geral o limite “Não é permitido” vem acompanhado de uma penalidade “Fazer o que não é permitido = x anos de prisão, ou multa ou obrigação de plantar, etc.”

Imagem: Prefeitura de Maceió

Para alguns, uma lei proibindo que se joguem sementes em uma área protegida não possui autoridade suficiente para impedir ninguém. Como os limites de velocidade nas rodovias que na maior parte das vezes apenas são respeitados quando se visualiza um radar.

Há quem acredite que somente se tivermos uma pena, e bem convincente, é que as pessoas obedecerão.

A prática informa que quanto mais velho o filho, menos ele se importa com o castigo. Ainda mais se desde pequeno não foram apresentados a ele os limites. É difícil que um adolescente que sempre fez do jeito que quis se subjugue a um castigo. Talvez porque ele não aprendeu sobre o respeito.

Imagem: Alexandre Beck

Assim, mais uma vez precisamos reconhecer a importância das várias atividades em prol do meio ambiente. A educação tem sua contribuição. A lei que protege e que impõe limites também tem a sua contribuição. Os órgãos que fiscalizam também têm sua contribuição. As áreas protegidas têm sua contribuição. As concessões, as permissões e autorizações têm sua função.

O castigo, na verdade, é a nossa última esperança. Ele só vem quando aquele que deveria ter sido educado, que deveria ter compreendido o papel do meio ambiente (a sua importância), que deveria reconhecer e respeitar a autoridade da lei, acaba agindo contra algo o que é considerado ético, moral e justo.

Imagem: Taringa

O castigo ou a pena, sozinhos, não garantem que não vá acontecer de novo. Colocar alguém atrás das grades, ainda que seja por 40 anos, não traz de volta o equilíbrio ambiental que havia antes da degradação. Eles têm sua contribuição para impor uma autoridade, de se fazer respeitar. Mas e quando o castigo terminar? O respeito será somente pela autoridade ou pelo meio ambiente também?

 

 

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Ecologia da Liberdade

Estamos vivendo tempos antagônicos. Muitas vezes a sociedade serve mais para inibir do que para realizar nosso potencial humano. A marcha das mulheres em Janeiro de 2017 (e o movimento feminista dos anos 60) podem nos parecer distantes, mas ainda muito necessários frente aos desafios contemporâneos.

Imagem: Yahoo Tech

No entanto, o movimento mudou (assim como o mundo) e o argumento feminista atual abrange mais do que a questão do gênero. Em épocas de mudanças climáticas é preciso entender como a justiça social deve advogar por uma ecojustiça.

O ecofeminismo, uma das vertentes tratadas pelo movimento feminista moderno, se baseia no conceito fundamental de uma interconexão entre a dominação da natureza pelo ser humano e a subjugação da mulher em relação aos homens, estabelecida e mantida através de formas patriarcais.

Imagem: Modefica

A teóloga Ivone Gebara eloquentemente expressou essa ideia ao afirmar que, hoje em dia, as tentativas de introduzir o ecofeminismo é revelar que o futuro dos oprimidos (as mulheres) está intimamente ligado ao destino da Terra. Embora existam diferentes tendências, o ecofeminismo afirma que todas as formas de opressão devem ser conectadas e que as estruturas de opressão devem ser tratadas na sua totalidade.

Quanto mais reflito sobre o assunto, observo que sistemas de opressão e dominação são os propulsores para a desarmonia e desrespeito, com o outro e com a Terra. A natureza e a mulher são vistos pelas sociedades patriarcais como uma “coisa útil”, como objeto de consumo ou como meio de produção e exploração. De acordo com Murray Bookchin em The Ecology of Freedom, a dominação da natureza decorre da dominação das mulheres pelo poder patriarcal.

Imagem: Gregory Colbert 

Nesse sentido, quando as relações sociais se baseavam em laços de solidariedade e diversidade, essas qualidades se estendiam em sua relação com a natureza, embora, quando as relações de dominação se desenvolvem em sociedades hierárquicas, inevitavelmente elas se manifestam também na relação com o mundo natural. Em outras palavras, foi somente quando essa solidariedade começou a mostrar sinais de deterioração que as primeiras formas de dominação se manifestaram.

O ecofeminismo propõe que o movimento feminista e o movimento ambientalista tenham objetivos comuns (o desmantelamento dos sistemas de opressão e domínio) e trabalhem juntos na construção de alternativas teóricas e práticas.

O ecofeminismo não pretende dizer que a opressão de gênero é mais importante do que outras formas de opressão, mas o foco na opressão das mulheres revela que as características importantes dos sistemas de dominação estão interligadas. Como a ecofeminista Ynestra Kingaponta, devemos superar a discussão sobre qual é a contradição fundamental (desigualdade social ou crise ecológica) e entender os dois em seu relacionamento.

Construímos um sistema que nos persuade a gastar o dinheiro que não temos, em coisas que não precisamos, para criar impressões que não duram em pessoas que não importam. Imagem: Pinterest

É importante acrescentar que o ecofeminismo (ou feminismo) não é só importante para as mulheres, mas também para os homens. Precisamos ultrapassar a separação/discussão de gêneros e investigar o princípio feminino e masculino presente em todos nós. Este é, sem dúvida, um grande desafio para o século XXI.

 

Fontes:

Bookchin, M. (1982) The ecology of freedom: The emergence and dissolution of hierarchy. Palo Alto, CA: Cheshire Books.

Gebara, I. e Ware, A.P. (2002) Out of the depths: Women’s experience of evil and salvation. Minneapolis: Augsburg Fortress, Publishers.

Kaplan, J., Hobgood-Oster, L., Ivakhiv, A. e York, M. (2008) Encyclopaedia of religion and nature. Editado por Bron Taylor. New York: Continuum International Publishing Group.

King, Y. (1981a) «Feminism and the revolt of Nature», Heresies Collection, 4(13).

Plumwood, V. (1993) Feminism and the mastery of nature. London: Taylor & Francis.

 

 

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O movimento global que redefiniu os negócios sustentáveis: conheça o Sistema B

Em nosso primeiro post da Semana Temática de Tecnologia e Inovação, vimos que existem empresas que estão preocupadas com o impacto socioambiental e que por isso buscam soluções para melhorar essa relação.

Empresas que utilizam o poder de mercado para encontrar não só para o lucro financeiro, mas também soluções para questões sociais e ambientais.

Esse comportamento tem se reproduzido em escala global, compondo um movimento que está redefinindo o conceito de negócios sustentáveis. E buscando unificar e fortalecer essas empresas, nasceu em 2006, nos Estados Unidos, o conceito de B Corps, as Empresas B, onde o “B” está relacionado aos benefícios sociais que as empresas podem oferecer.   No Brasil, o Sistema B chegou no ano de 2013.

Mas o que é o Sistema B? Sistema B é mais que uma ONG ou empresa. É um movimento global que além de identificar e certificar empresas que utilizem seu poder de mercado para solucionar problemas socioambientais, busca criar e fortalecer alianças estratégicas a partir de uma comunidade formada por empresas B (compradores, políticos, líderes de opinião, acadêmicos e investidores).

 

O grande objetivo do Sistema B é mudar a percepção de negócios pelas empresas e, consequentemente, pela sociedade. Essa transformação vai muito além da imagem da empresa, ela diz respeito a identidade, a absorção do conceito de ser uma empresa melhor para o mundo em oposição ao modelo de negócios voltados apenas para o benefício da própria empresa e de seus acionistas.

Mas o que é preciso para ser uma empresa do Sistema B? Uma empresa que faz parte do Sistema B tem altos padrões de gestão e transparência, além de gerar benefícios sociais e ambientais. Também é preciso realizar a alteração do estatuto social da empresa, inserir duas cláusulas que dizem que ela se compromete a gerar benefícios para a comunidade e não apenas para seus acionistas. A empresa se compromete em ser uma empresa para o mundo, o que significa uma mudança de paradigma de mercado.

As empresas também passam por uma avaliação rigorosa em que é preciso alcançar uma pontuação mínima entre as 160 perguntas disponibilizadas. A manutenção do selo ocorre a cada dois anos e a empresa precisa provar que suas práticas e políticas de sustentabilidade estão avançando.

Já são mais de 2000 empresas certificadas com o selo de Empresa B ao redor no mundo. No Brasil, apesar de termos poucas empresas com a certificação, ocorreu um fato que representou uma grande esperança no mundo corporativo. A maioria das empresas certificadas são empresas de pequeno e médio porte, fato que mudou quando a Natura conquistou o selo de Empresa B em 2014, se tornando a primeira empresa de grande a fazer parte do Sistema B.

 

Confira abaixo a lista com as empresas brasileiras que fazem parte do Sistema B.

4You2, 99jobs.com, Alaya, AMATA, AMMA Chocolate, Aoka, Araruna Filmes, Asta, Avante, Baluarte Cultura, Broota, Caos Design, Carioteca, Casa do Futuro, CAUSE, CBPAK, ComBio Energia, Courrieros, Daterra, Din4mo, EcoSocial, eCycle, Eureciclo, Fazenda da Toca, Flavia Aranha, Fomenta, Granato, Grupo Gaia, Geekie, Indi.us, InsectaShoes, Já Entendi, Juçaí, Mãe Terra, Maria Farinha Filmes, MateriaBrasil, Mayra Abucham, MOV, Move Social, MOVIN, Natura, NEWINC, Oficina da Sustentabilidade, Okena, Papel Semente, PlanoCDE, Práxis Socioambiental, Quíron, Raízes, Recicladora Urbana, SOS Dental, Suindara, TC Urbes, TECVOLT, TriCiclos, Turbo Aceleradora, Unite, Vanessa Montoro, Via Gutenberg, Vox Capital, YouGreen e ZEBU Mídias Sustentáveis

Para saber mais sobre o processo de certificação do Sistema B, basta acessar o link a seguir http://sistemab.org/como-me-sumo

É importante estar atento a essas mudanças para que as verdadeiras transformações ocorram e as empresas exerçam um papel de agente de transformação socioambiental.

 

 

 

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Empreendedor faz próteses acessíveis com impressora 3D

Se existe hoje algo muito próximo da ideia utópica de um século XXI completamente imerso em tecnologias do futuro, certamente é a impressora 3D. O aparelho, que fabrica itens a partir de camadas sobrepostas de resina de plástico, se popularizou domesticamente nos últimos anos e tem seu uso estudado para a área de saúde, com a criação de próteses e guias cirúrgicas.

Assim é o caso de Thiago Jucá, 26 anos, engenheiro mecatrônico e empreendedor que usa a impressão 3D para criar próteses infantis que ajudam na autoestima e autonomia das crianças.

Além de receber encomendas, Thiago sempre acaba ajudando famílias que não têm disponibilidade financeira para comprá-las. É o caso de Vanclever Machado Vila Nova dos Santos, o Pepi, de 13 anos e morador de Sete Lagoas (MG). Ele nasceu sem o antebraço direito devido a uma má formação congênita e foi presenteado com uma prótese personalizada do personagem Homem de Ferro.

Foi numa feira de tecnologia que esta história começou. Thiago estava lá representando sua empresa de próteses 3D, com um novo modelo quando foi abordado por Rafael, primo do menino e também com deficiência (sofreu um acidente aos 11 anos de idade e perdeu o braço esquerdo). Thiago se ofereceu para desenvolver uma prótese para Rafael, mas ele sugeriu fazer para o primo, Pepi.

Por morarem em cidades diferentes, todo o processo de produção foi feito à distância. Para as medidas, Thiago decidiu pedir ajuda para os pais do menino. Eles enviaram as medidas e fotos do antebraço de Pepi. Com as medidas corretas foi desenvolver a prótese, que em 15 dias estava pronta.

A prótese é totalmente mecânica e tem em seu conceito tendões artificiais. Ela possui elásticos que permitem a posição de repouso e os tendões são feitos de nylon de multifilamento (é mais resistente). Para fechar a mão da prótese basta um movimento de alavanca para puxar os tendões.

Thiago, então, se dirigiu à Sete Lagoas para entregar pessoalmente a prótese. Pepi entusiasmado com o presente, prontamente colocou e logo conseguiu usar. “Sempre quis a sensação de ter o braço. Quando ganhei, me emocionei. Agora é muito mais fácil pegar um copo de água e outras coisas”, afirmou Pepi.  

Já a mãe do menino, a costureira Dorca Rodrigues Machado disse: “A gente nunca tinha conseguido a prótese por falta de recursos financeiros. Depois que ele ganhou a prótese percebemos o quanto ele tinha dificuldade em algumas coisas e tudo ficou mais simples.”

Ações como essa são realizadas com o dinheiro arrecadado através de financiamentos coletivos. Quem quiser fazer sua doação para deixar mais crianças e adolescentes felizes, basta acessar o site da empresa. Já os que precisam e podem pagar, podem encomendar uma prótese – para dedos, braço, antebraço ou mão – também pela internet.

Por enquanto, a Protesis funciona em uma pequena sala de incubadora, mas a ideia é continuar produzindo próteses impressas em 3D, a preço mais baixo que o do mercado (R$ 300, contra R$ 1.500 dos produtos atuais de menor custo) e criar uma rede colaborativa para levar o produto a quem precisa.

Com informações de: UOL,  AdministradoresTecmundo.

 

Startup brasileira usa materiais reciclados e tecnologia para cultivar hortas urbanas em telhados

Imagem: Urban Kiev

O cinza característico das grandes metrópoles tem tudo para se transformar em um verde cheio de vida, pelo menos aqui no Brasil.

Esse é a proposta da startup Via Natus. Transformar simples telhados em hortas urbanas que produzem alimentos orgânicos. E tudo isso sem dar trabalho para os donos do espaço.

Imagem: Brooklyn Grange Farm

A startup teve início com o Projeto Teto de Verde organizado para a maratona criativa The Big Hackathon, realizada durante a 10ª edição da Campus Party. A maratona surgiu de uma parceria entre o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e a Campus Party como um desafio ao público: desenvolver soluções tecnológicas para os 17 ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e também fomentar o empreendedorismo inovador.

A proposta da maratona, além de selecionar os melhores projetos, foi de empoderar os jovens com a agenda dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, envolvendo-os como parte da solução. Integração entre os ODS, viabilidade financeira, criatividade, escala replicadora, impacto social e tecnologia escolhida foram os critérios utilizados pela comissão avaliadora, formada por especialistas do PNUD.

Imagem: Natália Torres/ Pnud Brasil

Três projetos receberam menção honrosa por apresentarem soluções que fossem mais transversais e atingissem mais ODS, foram eles: BestB4, Health4U e Teto de Verde.

O Teto de Verde, agora como startup, alia telhados com hortas orgânicas para espaços corporativos à reciclagem e agricultura familiar. É, sem dúvidas, um modelo de negócios que gera efeito cascata bem positivo.

Imagem: USP

Para a montagem da área de cultivo das hortas são utilizados materiais oriundos de uma cooperativa de reciclagem de São Paulo. Os legumes, verduras e ervas medicinais, assim como adubo, terra e material orgânico, vem de agricultores familiares previamente cadastrados pela startup. A inovação fica por conta do esquema tecnológico de irrigação e sensores que podem ser acionados remotamente, por aplicativo de celular. Através dos sensores são enviadas informações desde a liberação da quantidade de água específica para cada planta até o estágio de desenvolvimento da horta, indicando a época certa para a colheita.

Imagem: Horta das Corujas

Conforme informado pela idealizadora do negócio, Edileusa Andrade, o custo para instalação das hortas ficaria em torno de R$ 150,00 por metro quadrado. A manutenção mensal seria realizada por até R$ 40,00 por metro. Visando uma missão social, as pessoas responsáveis pela manutenção das hortas seriam mulheres refugiadas.

 

Com informações de: Folha de São Paulo, ONU Brasil, Página 22 e Revista Globo Rural

 

 

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SolaRoad: Holanda e a primeira ciclovia solar do mundo

Esta é a primeira ciclovia solar do mundo. Na verdade, a ciclovia é apenas o começo de um projeto que pretende transformar todas as rodovias em uma fonte inesgotável de energia limpa e beneficiar as populações e sistemas públicos municipais ao seu redor.

Conhecido como SolaRoad, o projeto é fruto de uma parceria público-privada da Organização Holandesa de Pesquisa Científica Aplicada (TNO) em parceria com a empresa de tecnologia Imtech.

Imagem: Extreme Tech
O primeiro protótipo foi instalado em 2014 na cidade de Krommenie, a 25 km da capital Amsterdã. Durante seu primeiro ano, 9.800 kWh de energia foram gerados: o suficiente para fornecer eletricidade a três casas. Valor foi superior ao estimado inicialmente pelos desenvolvedores.

Mas como funciona?

Imagem: SolaRoad

A ideia por trás do SolaRoad é bem simples: a luz solar que incide na superfície de um bloco inteligente (substituto do asfalto) é absorvida por pilhas solares e convertida na eletricidade – a superfície da estrada atua como um grande painel solar. A eletricidade gerada desta forma pode fornecer energia para postes, carros elétricos ou, simplesmente, enviar energia para a rede elétrica local.

Imagem: SolaRoad

O projeto ainda está em fase de testes – foram construídos apenas 90 metros – mas não se pode negar a importância dessa inovação. Evitaria a ocupação de vastas extensões de terra (no caso de parques fotovoltaicos instalados no campo), e produziria grandes quantidades de energia limpa, ajudando a reduzir as emissões poluentes dos combustíveis fósseis.

 

Apesar dos resultados animadores, há ainda algumas ressalvas em relação a essa tecnologia. Uma delas é a sua reduzida eficácia na produção de energia em comparação aos painéis fotovoltaicos instalados no telhado ou no campo. Isto porque os painéis colocados nas estradas não podem sempre ser inclinados na direção do sol.

Imagem: The Epoch Times

Quem sabe no futuro possamos pedalar quilômetros em ciclovias como essa?

 

 

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Tecnologia, Inovação e Sustentabilidade: bem-vindos ao futuro!

Imagem: Carbon Trust

A velocidade de propagação de informações e os avanços tecnológicos das últimas décadas não têm precedentes na história.

Imagem: The Center for Future of Work

Nosso sistema produtivo, cada vez mais eficiente, permite produzir em quantidades cada vez maiores, em períodos cada vez mais curtos e a um custo financeiro cada vez menor.

Graças aos avanços tecnológicos também observamos a expectativa de vida aumentar, a mortalidade infantil reduzir e o diagnóstico de doenças ser mais veloz e eficaz. O mundo se tornou mais conectado, as distâncias se encurtaram e as fronteiras físicas parecem ter sido transpostas.

Mas e quando falamos da relação entre tecnologia e meio ambiente? Bem, aí a questão se torna um pouco turva, pois essa gama de benefícios, infelizmente, também traz perversidades.

Imagem: Cultura Mix
Imagem: Cultura Mix

Voltemos à eficiência do nosso sistema produtivo e consideremos um produto específico, o celular. Não podemos imaginar viver atualmente sem ele, não é mesmo? Cada dia mais modernos são verdadeiros computadores de bolso, que nos facilitam muito a vida. Agora vamos observar, com cuidado, a questão dos avanços tecnológicos cada vez mais rápidos. A pergunta que deixo é: quantas vezes você já trocou de celular no último ano? Isso. Nos últimos 12 meses, quantos celulares você já comprou? E o que fez com o(s) antigo(s)? Imagine isso em uma escala maior, a quantidade de celulares adquiridos durante o último ano na sua cidade, no seu estado, no seu país, no mundo.

Imagem: Thiago Rodrigo

Já deu para notar o tamanho do problema… a quantidade de lixo produzida e o descarte, muitas vezes, inadequado (isso considerando apenas a ponta final do processo, o consumo). Se estendermos a analise para a exploração dos recursos necessários à produção, ao modo de produção em si (considerando descarte de rejeitos, licença para funcionamento das fábricas…), logística de transporte utilizada em todas as etapas, a situação se complica um pouco mais.

Porém nem só de pessimismo é composta a realidade. E a boa notícia é que as inovações podem não só amenizar essa situação, como também fechar esse ciclo de relação desarmônica com o meio ambiente.

Ué!? Mas não foram justamente os avanços tecnológicos que nos colocaram nessa situação? Como são eles que irão resolver os problemas causados por eles mesmos?

Fonte: Schmoesknow

Sim! Por mais confuso que possa parecer! Veja bem, já começamos a trilhar, embora timidamente, esse caminho. Políticas voltadas para desperdício mínimo, eficiência energética, reuso de fatores produtivos, investimento em P&D (pesquisa e desenvolvimento), logística reversa, controle de emissão de poluentes são alguns dos tópicos que algumas empresas já adotam, visando não só vantagem competitiva e o consequente lucro, mas também minimizar o impacto no meio.

Mas atenção ao greenwashing! A propaganda enganosa da rotulagem ambiental. Empresas que se vendem como ambientalmente/ecologicamente corretas, green, sustentáveis, verdes, eco-friendly mas que, de fato, não adotam medidas que possam minimizar ou solucionar problemas ambientais que elas venham a causar.

Autossustentável: Greenwashing
Imagem: Cartoon Movement

As inovações devem estar aliadas à sustentabilidade, a ideia de continuar suprindo às necessidades de nossa geração, mas sem comprometer a geração de nossos filhos e netos. As inovações sustentáveis vêm em conjunto com a mudança de mentalidade, de paradigma (sócio-econômico-cultural-tecnológico).

Pode parecer complicado, mas isso significa pensar os processos de forma circular, onde ao invés dos produtos serem pensados apenas para atender às necessidades imediatas (e após isso serem descartados), eles serão projetados pensando no retorno dos mesmos às empresas para a reutilização de seus componentes. Isso vai além da reciclagem já realizada, é o conceito do cradle to cradle (berço ao berço em tradução livre). É a percepção de que a economia linear já não atende às necessidades atuais (da sociedade e do meio ambiente), é preciso pensar, debater e desenvolver a economia circular.

Fonte: NERC

O caminho a percorrer é longo, porém os primeiros passos já foram dados. E é justamente isso que veremos no decorrer da Semana Temática Tecnologia e Inovação. Empresas, iniciativas, startups que buscam promover a sustentabilidade através de inovações tecnológicas.

 

 

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Os ODS na escola

Imagem: Adaptação Autossustentável
O mundo ganhou, em 2015, uma importante agenda com 17 desafios comuns a praticamente todas as nações do planeta: os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável).
Imagem: ONU Brasil

Pela primeira vez, a ideia de desenvolvimento sustentável é explicitamente utilizada como mote e isso pode ser considerado, ao mesmo tempo, positivo e negativo. Positivo pela importância que o tema tem ganhado desde o final da década de 1980 e todo horizonte de possibilidades que abarca quando se trata do casamento entre desenvolvimento e sustentabilidade. E negativo pelo mesmo motivo, ou seja, toda a amplitude e complexidade de conexões trazidas pelo desenvolvimento sustentável podem gerar paralisia do ponto de vista prático, entre outros efeitos.

De qualquer forma, o desenvolvimento sustentável pode ser considerado uma “das mais generosas visões de futuro”, pois considera em sua formulação a preocupação com as atuais e futura gerações [1].

Dentro desta visão, a escola desempenha papel central na formação de futuros cidadãos mais solidários e que compreendam seu papel e de sua comunidade na construção de sociedades mais sustentáveis. Os ODS podem (e devem) se tornar uma espécie de bússola que aponta para as questões mais centrais, inspirando a criação de atividades inovadoras e promovendo uma nova relação entre conhecimento e ação e entre o presente e o futuro que queremos.

Apesar das inúmeras possibilidades trazidas pelos ODS e pela Agenda 2030, estes ainda são pouco conhecidos do público escolar.

Imagem: Kidspot

O primeiro passo, portanto, é aprender um pouco mais sobre a história dos ODS e dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (agenda anterior que começou em 2001 e terminou em 2015).

Para isso sugiro a visita ao site oficial da ONU Brasil em: Conheça os novos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU

Como segundo passo, partilhe.

Apresente a Agenda 2030 e os 17 ODS para sua comunidade e crie canais de diálogo que favoreçam a criação de uma Agenda 2030 escolar ou local, com o foco na identificação dos temas de maior relação com a realidade ou desejo de sua escola e comunidade. Nessa etapa, fica clara a importância da interdisciplinaridade e da busca por parcerias externas de ação e conteúdo na criação de projetos verdadeiramente significativos e transformadores.

Imagem: Centro de Referências em Educação Integral

Como terceiro passo (e não necessariamente o último) crie uma rede com outras instituições de ensino na qual a comunicação dos sucessos, dúvidas e novos desafios permitem a expansão dos horizontes e que promovam a sedimentação de ações permanentes e continuadas.

Apesar de cada ODS estar em uma “caixinha”, eles favorecem claramente o desenvolvimento de atividades que valorizam o pensamento complexo, integrado e colaborativo. Dessa forma, eles têm a capacidade de facilitar a formação de sujeitos com uma visão ampliada dos desafios locais e globais, bem como, com maior poder de previsão e capaz de compreender o papel das incertezas.

Apesar de todo o potencial didático-pedagógico dos ODS, é importante ter claro que trabalhar com eles é um grande (e bom) desafio, que demandará mudanças significativas (e necessárias) sobre a organização das escolas, incluindo espaço, gestão e currículo [2], privilegiando novas formas de relacionamentos entre educadores e educandos e entre escola e comunidade.

Imagem: ONU
Se a busca por um novo modelo de ensino-aprendizagem mais humanizado, participativo e contextualizado lhe parece necessária, o trabalho com os ODS pode ser um bom início de caminho.

 

 

[1] VEIGA, J. E. Para entender o desenvolvimento sustentável. São Paulo: Editora 34, 2015.

[2] BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão. Formando Com-vida, Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida na Escola : construindo Agenda 21 na escola / Ministério da Educação, Ministério do Meio Ambiente. – 3. ed., rev. e ampl. – Brasília : MEC, Coordenação Geral de Educação Ambiental, 2012.

 

Clique aqui para ler mais artigos de Edson Grandisoli

 

 

 

 

Venha Transformar a Nossa Cidade! Saiba como ajudar ONG a transformar a realidade de muitas famílias brasileiras

O Lourivaldo, morador da comunidade Verdinhas (zona leste de SP) e voluntário do TETO, tem um convite para te fazer: chegou a hora de nos unirmos para transformar a nossa cidade! Imagem: TETO

Mais de 11 milhões de pessoas (11.425.644 de pessoas para ser mais exato) vivem em aglomerados subnormais (as conhecidas favelas) no Brasil, de acordo com o Censo de 2010 realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Imagem: Professor Rodrigo Bennet

Parece um número bem grande não é mesmo? Sim! 6% de toda a população do país vive em locais que oferecem pouca ou nenhuma infraestrutura (serviços de água, luz, esgoto, asfaltamento, educação, transporte…). Esses números representam a desigualdade existente em nosso país, um retrato da lamentável realidade sócio-econômica em que vivemos.

Imagem: Redes Maré

Nas grandes cidades essa desigualdade se torna mais contrastante quando observamos a segmentação sócio-espacial existente. Mas calma que essa realidade pode ser mudada! Pode? Claro que sim! Isso é o que o TETO vem mostrando em seus 10 anos de atuação no Brasil. E mais! Você pode fazer parte de tudo isso! Se acomode que vamos contar como!

O TETO é uma ONG, mais especificamente uma organização sem fins lucrativos, que está presente em 19 países da América Latina e Caribe. Ele foi criado por um grupo de jovens no Chile que sonhava transformar a vida de milhões de pessoas que viviam em situação de pobreza. Através de planos de desenvolvimento realizados em conjunto com moradores de comunidades carentes, esse grupo de jovens mostrou que o envolvimento direto e ações concretas poderiam mudar a vida dessas pessoas.
Voluntários do TETO em construção de moradia no Parque das Missões – RJ. Imagem: TETO

 

Voluntários do TETO em construção de moradia em Souza Ramos – SP. Imagem: TETO

Hoje o trabalho desenvolvido pelo TETO envolve a implementação de um modelo de intervenção focado no desenvolvimento comunitário. Desenvolvimento comunitário? Como? Bem, aqui no Brasil (como em todos os países em que atua) a organização trabalha nas favelas mais precárias, construindo moradias de emergência, desenvolvendo planos de educação, saúde, fomento produtivo e trabalho em rede.

Voluntários do TETO em construção de moradia em Vila Vitória – BA. Imagem: TETO

E sabe por quê? O TETO acredita que uma sociedade mais justa, igualitária, integrada e sem pobreza é formada por pessoas que tenham a oportunidade de desenvolver suas capacidades e possam exercer plenamente seus direitos. A cidade deve ser um espaço de direito de todos os cidadãos, sendo um espaço múltiplo, plural e diverso.

A organização já trabalhou em mais de 100 comunidades, construiu mais 2.500 casas emergenciais, desenvolveu mais de 40 projetos comunitários e mobilizou mais de 30 mil voluntários! Para saber como é feito o trabalho do TETO, basta observar a imagem abaixo.

                                                      Imagem: Imagina na Copa

E buscando atender cada vez mais pessoas e famílias o TETO lançou a campanha da COLETA deste ano, “Venha transformar a nossa cidade”, onde moradores das comunidades em que a organização atua convidam todos a trabalharem juntos pela transformação das cidades em que vivemos.

A COLETA é uma ação de mobilização massiva de voluntários para a arrecadação de recursos para financiar os projetos sociais em mais de 40 comunidades atendidas pelo TETO ao longo do ano.

Imagem: TETO

Então anota aí na agenda pra não esquecer! Dias 5, 6 e 7 de maio acontecerá a Coleta 2017! Serão mais de 10 mil voluntários nas ruas das cidades de São Paulo, ABC (SP), Santos (SP), Campinas (SP), Rio de Janeiro, Duque de Caxias (RJ), Niterói (RJ), Curitiba (PR) e Salvador (BA) para a COLETA.

Imagem: TETO

Super bacana, não é? Se você gostou do trabalho desenvolvido pelo TETO e gostaria de saber mais sobre a COLETA 2017, basta clicar aqui.

No site da COLETA você poderá se voluntariar para estar nas ruas ajudando na arrecadação, acesse aqui o link a seguir e saiba como http://www.tetocoleta.com.br/quero-estar-nas-ruas.

Além disso, você também pode colaborar através de doações para o TETO, é só clicar no link a seguir http://www.tetocoleta.com.br/quero-doar.

Para mais informações sobre o trabalho desenvolvido pelo TETO, acesse o site (http://www.techo.org/paises/brasil) ou a página no Facebook (https://www.facebook.com/TETObra).

 

Com informações de: TETO e UOL Notícias

 

 

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Fashion Revolution: Faça parte dessa revolução ética, ecológica e empoderadora no mundo da moda!

O Fashion Revolution Day é um movimento que procura aumentar a conscientização dos consumidores para os verdadeiros custos da moda, que vão muito além das etiquetas de preço das roupas. 
Imagem: Fashion Revolution
Além dos custos produtivos e do lucro, existem custos que muitas vezes não imaginamos como o impacto causado por todas as fases do processo de produção e consumo, que comumente são englobados como externalidades de mercado.
O quarto maior desastre da indústria da moda, o desabamento do edifício Rana Plaza em Bangladesh, ocorrido em 24 de abril de 2013, deixou 1.133 mortos e 2.500 feridos, todos funcionários terceirizados da indústria têxtil de grandes empresas do mundo da moda.

 

Foto do edifício do Rana Plaza após o desabamento. Imagem: Benfeitoria
Apesar de toda a brutalidade desse desabamento, que também revelou ao mundo as péssimas condições de trabalho a que esses trabalhadores eram submetidos, nosso sistema econômico ainda enxerga o ocorrido como externalidade.
Outro fato que colabora para esse cenário é o crescimento do modelo de negócio conhecido como Fast Fashion, onde a produção de roupas ocorre em larga escala graças ao número cada vez maior de coleções lançadas por grifes e também a cada vez maior terceirização de trabalhadores da indústria têxtil em confecções e oficinas de costura. Em outras palavras, o Fast Fashion representa a aceleração do processo de produção, consumo e descarte, causando graves impactos ao meio ambiente e aos trabalhadores.
 
A indústria da moda é a segunda maior poluidora do mundo, atrás somente da do petróleo, provocando não só graves problemas ambientais como sociais. Imagem: Benfeitoria
O tão celebrado modelo de negócios que oferece aos consumidores produtos a preços cada vez mais baixos (e muitas vezes de qualidade também baixa), esconde atrás dessa eficiência produtiva o barateamento da mão de obra através da terceirização ilícita, do trabalho infantil e do trabalho em condições análogas à escravidão, é o chamado dumping social.

Vamos fazer um pequeno exercício para entender melhor o que está acontecendo. Já parou para pensar a que custo é produzida uma peça que é vendida em lojas ao preço de R$ 10,00? Quanto será que o trabalhador que costurou a peça ganhou? Quanto será que o trabalhador que manejou produtos químicos no tingimento do tecido ganhou? Será que os ganhos são distribuídos entre a cadeia produtiva? Em que situação trabalham e vivem essas pessoas?

 

Ao expor milhares de pessoas, inclusive crianças, a condições precárias de trabalho e jornadas excessivas que se aproximam aos regimes de escravidão, a moda Fast Fashion cria um grave problema social. ImagemStylo Urbano

 

Imagem: Stylo Urbano

 

Imagem: DMT em Debate
E mais! Será que estamos fazendo um bom negócio ao comprar roupas mais baratas do outro lado do mundo? O caminho que essa peça percorre cruzando continentes e oceanos em uma logística cada vez mais elaborada, mas não por isso menos poluidora, compensa nossa economia imediata? E olha que nem falamos sobre o descarte dos resíduos químicos utilizados na produção, como as tintas que tingem os tecidos e o uso de catalizadores altamente perigosos como o antimônio (usado na produção de poliéster).
Foi desejando a mudança dessa realidade que surgiu em Londres o movimento Fashion Revolution, criado pelas designers e ativistas Carry Somers e Orsola de Castro. Hoje o movimento está presente em mais de 90 países, entre eles o Brasil, e tem o intuito de mostrar que é possível mudar esse cenário e construir um futuro mais sustentável através de envolvimento e transparência no processo produtivo. 
 
Imagem: Fashion Revolution
O primeiro passo para essa mudança é alertar o consumidor para o que ele, de fato, está comprando. É questionar de onde vem nossas roupas, quem faz nossas roupas. E analisar se é necessário consumir na quantidade e velocidade das últimas décadas. É despertar o consumidor para o poder que ele tem de mudar essa situação, exigindo produtos de melhor qualidade, com maior durabilidade e com uma cadeia produtiva mais justa.

 

Imagem: Blog Moda Verde
“Nós queremos que você pergunte: ‘Quem Fez Minhas Roupas?’. Essa ação irá incentivar as pessoas a imaginarem o ‘fio condutor’ do vestuário, passando pelo costureiro até chegar no agricultor que cultivou o algodão que dá origem aos tecidos. Esperamos que o Fashion Revolution Day inicie um processo de descoberta, aumentando a conscientização sobre o fato de que a compra é apenas o último passo de uma longa jornada que envolve centenas de pessoas, realçando a força de trabalho invisível por trás das roupas que vestimos”. Orsola de Castro
A Fashion Revolution Week desse ano acontece entre 24 e 30 de abril. No Brasil, temos eventos em diversos estados e ações realizadas pelos estudantes de moda.

 

Para conferir a programação completa do evento, basta acessar o site Fashion Revolution ou a fanpage do Fashion Revolution Brasil no Facebook. No site também estão disponíveis para download diversos materiais para conhecer melhor a proposta do movimento, para acessar basta clicar aqui.
Vale conhecer o trabalho de algumas das marcas apoiadoras do evento:
 
Com a intenção de fomentar uma cadeia mais justa e humanizada, Flavia Aranha é uma marca brasileira preocupada com o desenvolvimento sustentável da moda e do meio em que está inserida.
A empresa trabalha com mão de obra, beneficiamentos e fornecedores nacionais, fortalecendo assim o mercado local e a indústria brasileira. Valoriza o trabalho artesanal, manual e os pequenos produtores, priorizando serviços e produtos vindos de empresas com políticas ambientais e sociais coerentes e sustentáveis.
O objetivo principal da Green Co. é desenvolver e produzir coleções da maneira mais sustentável possível, impactando minimamente o meio ambiente. A empresa aposta na inovação, apresentando uma variedade de produtos ricos em design, qualidade, estilo, significado e valor agregado, utilizando sempre matérias-primas reutilizáveis, naturais, orgânicas, recicláveis e biodegradáveis.
O Grupo Malwee é uma das principais empresas de moda do Brasil e uma das mais modernas do mundo. Atualmente, a empresa se destaca pelo pioneirismo e notória atuação no campo da sustentabilidade, incorporando tecnologias e processos inovadores que vão do reaproveitamento de garrafas PET como matéria-prima ao reuso de até 200 milhões de litros de água por ano no processo produtivo.
PanoSocial reinveste todo o lucro no próprio negocio para aumentar o impacto social e ambiental positivo. No desenvolvimento humano prima pela inclusão social, incentivando a ressocialização de ex-detentos, inserindo-os em sua rede de produção. Utilizam como matéria-prima algodão 100% orgânico, PET 100% reciclado, algodão reciclado, além de corantes, extratos e pigmentos naturais.
A marca preza pela sustentabilidade em toda a cadeia produtiva, por isso acredita que a parceria com ONGs e comunidades é a melhor maneira de confeccionar os produtos. Além disso, também capacita mão de obra, e mantém a produção 100% brasileira, reciclando materiais descartados e empregando mão de obra local. 

 

Imagem: Fashion Revolution
Para uma reflexão mais profunda sobre o assunto, sugerimos a leitura dos seguintes artigos Escravos da moda: os bastidores nada bonitos da indústria fashion; e  Fast Fashion não é democratização da Moda.
Com informações de Fashion Revolution, Estadão e G1.
Clique aqui para ler mais artigos de Nathália Abreu

A lei brasileira reconhece que os animais têm sentimento?

Circula na internet nos últimos dias um artigo em português informando que a lei reconhece que os animais não são coisas, mas que por possuírem sentimentos teriam passado para uma posição especial na lei – seres sencientes.
Imagem: Pinterest
Infelizmente este artigo teve como base uma lei aprovada em Portugal e não no Brasil.
Nas terras tupiniquins os animais ainda não saíram da classificação de objetos animados. O Código Civil os trata como coisa, algo que pertence a alguém e sobre essa coisa o dono tem direitos e responsabilidades. Da mesma forma que teria sobre um terreno ou um carro.

O primeiro decreto brasileiro, esse bem antigo (de 1934), mencionando que maus tratos aos animais é crime, já possuía uma lista grande de situações em que se considera ter acontecido o crime de maus tratos. Depois dele vieram outras leis, e a última é a Lei de Crimes Ambientais – lei 9.605/98.
Aí sim podemos ver uma lei que protege e que reconhece que eles sofrem, mas ainda sem considerar os direitos.
Esta lei aumenta a pena para o crime de maus tratos de 15 dias para 3 meses podendo chegar a um ano de detenção e multa. Mas a lista do que significa maus tratos ainda continua sendo aquela de 1934.
No entanto, o principal responsável pela tutela (cuidado) em relação aos animais é o Estado, o que é reconhecido na lei e na Constituição Federal, o principal documento jurídico do país. Por este motivo, o Ministério Público possui um promotor responsável pelo meio ambiente em cada comarca.
Na prática, os promotores de justiça e mesmo os advogados de ONGs têm defendido os direitos dos animais com argumentos baseados na experiência de que os animais têm sentimentos, sofrem maus tratos físicos e psíquicos.
O que já se sabe é que a lei somente vem como uma forma de reconhecer uma vontade da sociedade. Primeiro acontece algo, para que depois a lei seja feita regulamentando a situação.
Imagem: Pinterest
E aqueles que têm um animal de estimação sabem que eles sentem, correspondem ao afeto, comunicam seu afeto e necessidades, que são muito mais que meros objetos.
Quer saber mais sobre maus tratos?

Acesse o Decreto n. 24.645/1934, que contem as práticas consideradas como maus tratos. 
E também a cartilha preparada pelo Ministério Público de São Paulo sobre maus tratos e como proceder.
Conheça o Projeto de Lei 6799/13 que considera os animais não humanos como sujeitos de direitos despersonificados.
Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen

Quem é responsável pelos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável?

Estive presente nessa semana em um interessante evento promovido pela Siemens e pelo CEBDS (Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável). O evento, vinculado ao lançamento de uma publicação da empresa que teve como foco a mensuração de seus impactos na economia brasileira, teve como mote a agenda de desenvolvimento de 2030, os cada vez mais conhecidos ODS (Objetivos do Desenvolvimento Sustentável). Para saber mais sobre os ODS, clique aqui.
Imagem: UNESCO Etxea – Centro UNESCO del País Vasco. Adaptação: Autossustentável
O evento foi bem interessante. Provocações, falas incisivas e apresentação de dados. E críticas a Agenda 2030, aos ODS. Algumas foram levantadas no conteúdo dos Objetivos – pontos que faltaram ser abordados, pontos que poderiam ter entrado, mas não o foram. Críticas também ao entendimento da sociedade e seus atores sobre o total da agenda, sobre metas sem número ou tempo de cumprimento e outros pontos. Mas me atenho aqui nesses parágrafos a um dos debates mais interessantes: a responsabilização.
Quando os governos globais assinaram a agenda, colocaram, voluntariamente, o seu intuito de cumprir suas 169 metas. Mas há uma forma de garantir que sejam cumpridas? Ou, em outras palavras, há uma forma de punir aqueles países que falhem em cumprir os objetivos propostos?
Imagem: ONU Media (OMS/L. Cipriani)
Sim e não. Por um lado, não há qualquer poder supranacional, um órgão mais poderoso que a ONU, por exemplo, capaz de obrigar que os países cumpram com a agenda. Não há sanções econômicas, intervenções militares ou algo do gênero; quando muito, há o constrangimento de um não cumprimento que aquele país terá perante o restante do mundo.
De acordo com dados da ONU de 2014, 2,5 bilhões de pessoas não têm acesso a saneamento básico em todo o mundo. Imagem: ONU Brasil
Pouco? Sim, mas não sem efetividade. Um dos palestrantes do evento, o jornalista André Trigueiro fez analogia explícita sobre o assunto: “o chefe de Estado brasileiro terá que carregar no peito, em qualquer lugar que visitar internacionalmente, o fardo de que o Brasil é incapaz de entregar a metade de sua população saneamento básico”. E é essa a responsabilização possível no momento: a pressão da opinião pública, nacional ou internacional.
A guerra na Síria, que já dura 6 anos, já deixou mais de 5 milhões de refugiados, 400 mil mortos e mais de 6,3 milhões de deslocados internos, segundo Acnur (Agência da ONU para os Refugiados). Imagem: New York Times
Crise humanitária no Sudão do Sul onde 100.000 pessoas não têm absolutamente nada para comer, 1 milhão são classificadas à beira da fome e 5 milhões vivem em estado de insegurança alimentar. 250.000 crianças já estão gravemente desnutridas e mais de 1 milhão atingirão esse estágio em pouco tempo. ImagemONU Brasil
Ainda que sem uma responsabilização mais efetiva, essa é a pressão possível. E necessária. Os objetivos levam às metas, que por sua vez levam a indicadores e que fazem a mensuração e o controle social simplesmente possível. A sintonia entre as vontades e objetivos de atores sociais, empresas e governos não é algo natural, mas foi acordada há dois anos. Desperdiçá-las como mais uma ferramenta de governança e empoderamento da sociedade é jogar fora não nossa chance de um bom futuro em 2030, mas principalmente para além deste ano.

 Clique aqui para ler mais artigos de Fernando Malta


Jeito Indígena de Ser

O ciclo da vida é simples, ele viaja da morte até o renascimento e toda a nossa experiência de vida e aprendizado é feita entre estas etapas. O povo Lakota, Nativo Norte Americanos, tem um princípio fundamental que rege suas vidas e experiências na Terra: Viva para as gerações que ainda não nasceram.Live for the generations unborn.”
Autossustentável: Índio abraçando árvore
Imagem: Pinterest
Hoje estamos sofrendo os impactos de gerações e ancestrais desconectados da natureza. Apesar de enxergarmos esse desequilíbrio continuamos agindo de maneira predatória, deixando como herança poluição, escassez de recursos, crises climáticas, agricultura tóxica e doenças. Agimos ainda pior que as gerações que tanto criticamos.
A nova era, para qual estamos transitando, é o renascimento de práticas tradicionais à luz de tempos contemporâneos. É uma transição para honrar a Terra e todos os seus filhos. O modo de vida dos povos Nativo Americanos envolve respeitar a Terra e todos os seus habitantes. Eles escutam os ventos, o reconhecendo como poder do Grande Espírito, que pode mudar a realidade na Terra. Escutam a sabedoria das árvores das quais chamam standing people (o povo de pé) e as enxergam como guardiões, extremamente sábias, os anciãos da Terra. Os Povos Nativos detêm a sabedoria da natureza, a linguagem secreta da floresta.
O vídeo a seguir, How Wolf Change Rivers, retrata a conexão entre as espécies e a complexidade deste relacionamento.

Na cosmologia indígena, espiritualidade permeia todos os aspectos da vida, não existe separação. Povos indígenas agradecem a natureza por prover com abundância, cuidar das necessidades de suas famílias e pelos ensinamentos espirituais.
De acordo com Joseph Epes Brown, Nativos Americanos insistem que as músicas e cantos usados em suas cerimônias não foram nunca compostos, mas sim oferecidas pelos espíritos.[1]Angeles Arrien, antropóloga e autora do livro The Four Fold Way descreve como curandeiros indígenas ao redor do mundo fazem o uso de música, ritmo e canto nas suas práticas espirituais. A antropóloga também afirma que a música é uma das quatro maneiras universais para a prática da cura e conexão, bem como: contar histórias, dançar e o silêncio.

Autossustentável: Povo Lakota
Para os povos indígenas Norte Americanos “medicina” significa mais que uma substância capaz de restaurar saúde e vitalidade a um corpo doente ou desajustado. Medicina é energia, um poder vital ou força que é inerente a própria Natureza. A medicina de uma pessoa é seu próprio poder e expressão de sua própria energia vital. Segundo o autor Kenneth Meadow, a palavra medicina é usada pelos povos Nativos Americanos para implicar empoderamento que surge de dentro e permite ao indivíduo se tornar mais completo. Esse empoderamento o conecta com a Terra e com a realidade física, realidade
sendo o cosmos.[2]
A anciã do povo Lakota, Loretta Afraid of Bear Cook, afirmou em sua palestra na Schumacher College que apesar de todas as tentativas de desmantelar a sua cultura, seu povo trabalha para manter seus ensinamentos e tradições vivos, pois eles acreditam que irá chegar um momento em que o mundo vai perguntar aos povos indígenas o que fazer. E quando este dia chegar seu povo deve compartilhar sua sabedoria. Será que este dia já chegou?
Ao investigar as tradições celtas, tribos que coletivamente cobriram a Europa Ocidental, os povos africanos ou nativos das Américas é possível aprender a verdadeira essência do nosso ser, o pertencimento e profundo relacionamento com a Terra. Os povos indígenas sabem que são seres sagrados, pois não se enxergam como separados ou menores que o Criador. Eles são colaboradores da evolução e não competidores.

Autossustentável: Geração Índios
Imagem: David Lazar
Nós, mulheres e homens contemporâneos, rompemos e reprimimos nosso elo com a Terra. Vivemos uma profunda crise espiritual. Agora é o tempo para entendermos que espiritualidade não depende de nenhum governo, organização, ideologia, doutrina, religião ou igreja. Depende só de nós mesmos, da nossa experiência humana. Ao retornar o sagrado para nossas vidas a consciência sobre nosso propósito na Terra é ampliado alcançando todo o mundo natural e a comunidade não humana.
Nós precisamos retornar ao jeito indígena de ser, e isto não significa só viver na floresta. O jeito indígena de ser é andar como ser sagrado, é sentir a presença da Criação em todos os aspectos das nossas vidas. Talvez não vivamos o suficiente para ver a Terra restaurada, mas precisamos começar a retornar ao nosso modo indígena de ser em nome das gerações que ainda estão por vir.

[1] Brown, Joseph Epes, Teaching Spirits, Oxford University Press, 2001. p. 35
[2]Para mais informações nas medicinas Nativo Americanas recomendo o livro Earth Medicine, do mesmo autor, que é baseado nos ensinamentos da medicine wheel, roda de cura, dos indígenas Norte Americanos e sua correlação com os ensinamentos taoistas do leste, sabedoria xamânica dos caucasianos da Grã Bretanha, Norte Europeu e Escandinávia.


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Menos é Mais: 10 Dicas para Reciclagem!

Ao longo de anos trabalhando com organizações de catadores de materiais recicláveis, percebi que podemos fazer muito mais do que simplesmente separar nossos resíduos. 
Imagem: Ecologia Verde. Adaptação: Autossustentável
Pequenos gestos podem contribuir para o processo se tornar mais eficiente e seguro. Vale lembrar que são percepções divididas com vocês. São práticas que adotei em casa e super fáceis de implementar.
Imagem: ONG OCA
1 – Desdobre as caixas de leite e suco Tetrapak. Além de economizar espaço na sua sacola de resíduos recicláveis, você facilita o transporte, a triagem desse material quando chega a uma cooperativa de catadores e, principalmente a prensagem para enfardamento do material. É rápido e terapêutico, acredite!
2- Tire as tampinhas das garrafas PET e Tetrapak. A garrafa fechada pode explodir na hora de prensar o material e ferir quem está manipulando. Só não esqueça de destinar a tampinha junto com os outros materiais! Ela também é reciclável e valiosa para as organizações de catadores.
Imagem: Trash in the Sea
3- Você sabia que o isopor é um tipo de plástico? Ele é reciclável, porém é pouquíssimo comercializado no Brasil. Isso se deve principalmente pelo armazenamento que requer um espaço grande, pois é um material leve e volumoso. O seu valor pra comercialização acaba sendo muito baixo em função do transporte também. Poucas cooperativas separam o isopor, e se ele não vira rejeito, fica muito tempo armazenado até ser vendido. Portanto evite ao máximo comprar produtos embalados por isopor, e se não puder evitar, não deixe de destinar corretamente pra reciclagem assim mesmo. Pode ser que na sua região ele seja comercializado!
4- O mesmo acontece com o vilão copinho de plástico. Ele é reciclável, porém pouco reciclado. Entende? Não tem mercado para este produto que na maioria das vezes está sujo e contaminado com líquidos. Se você vir um copinho desse passe longe!

Imagem: Recicle o Lixo
5 – Se você ainda tem alguma dúvida se deve lavar os materiais recicláveis que estão com líquidos e resto de alimentos preste bem atenção! Sim, eles precisam ser minimamente higienizados para viabilizar a reciclagem do material e evitar animais indesejáveis e perigosos. Não precisa ser um tratamento completo, basta uma enxaguada para deixá-los limpos.
6 – Gosta de cerveja? Consuma latinhas e evite o vidro. No Brasil 99% do alumínio é reciclado. Ao passo que o vidro possui algumas limitações de transporte, logística e armazenamento. Sem contar que ele depende das indústrias de beneficiamento que estão concentradas no sul e sudeste do país. Ou seja, é muito provável que no Nordeste o vidro seja enterrado em aterro com resíduos orgânicos.
Imagem: Tu Organizas
7 – Sabe aquela gaveta cheia de remédios e pomadas vencidos que você não sabe o que fazer? Existe uma solução! Várias redes de farmácias, como a Droga Raia, têm coletores para receber os medicamentos e destiná-los corretamente. Se informe e faça sua parte! Se você jogar fora como lixo orgânico comum, esse medicamento irá poluir o solo e nossas águas de rios e oceanos. Já pensou que responsabilidade?
8 – E mais! As lâmpadas estragadas também podem ser destinadas corretamente. Grandes redes de supermercado como Walmart e Pão de Açúcar tem coletores para recebê-las. As lâmpadas quando enterradas com lixo comum poluem os solos, pois, possuem mercúrio e outros componentes que podem causar sérios riscos à saúde caso quebrem e entre em contato com a pele e os olhos.
Imagem: Notícias ao Minuto
9 – Aquele pneu velho também já tem solução! O Brasil possui um sistema de logística reversa mega eficiente e exemplo mundial. Os revendedores e distribuidores são obrigados a destiná-los corretamente. Saiba mais sobre os pontos de coleta no site da Reciclanip.
Imagem: Gazeta Online
10 – Se o seu bairro não possui coleta seletiva não se preocupe! Você pode entregar seus resíduos em diversos pontos espalhados pela cidade. São conhecidos como PEVs (Pontos de Entrega Voluntária) e diversos estabelecimentos possuem este sistema, especialmente as redes de supermercado. Informe-se no site da Rota da Reciclagemsobre os pontos de coleta.
 Clique aqui para ler mais artigos de Aline Lazzarotto

Os 7 R’s da Sustentabilidade em Ação

Os sete R’s fazem parte de um processo educativo que tem por objetivo uma mudança de hábitos no cotidiano dos cidadãos e garantir um futuro melhor para todos nós. A questão-chave é levar o cidadão a repensar seus valores e práticas, reduzindo o consumo exagerado e evitando o desperdício.

Repensar:

Repense seus hábitos. Pense bem antes de comprar. Escolha comprar somente o que realmente é necessário. O consumo excessivo causa degradação ambiental. 

Recusar

Recuse produtos fabricados por empresas que não respeitam a natureza ou prejudicam o meio ambiente. Opte por comprar de quem produz com baixo impacto no ambiente e beneficia a sociedade.

Apenas Diga Não. Imagem: Creative Commons

 

Reduzir:

Usando corretamente produtos com maior durabilidade e com embalagens na medida certa, você vai reduzir o consumo de energia, de água e a quantidade de lixo residual. Assim, quando for comprar alguma coisa, pense em como reduzir a quantidade de lixo que será gerado com aquilo e evite excessos de consumo.

Se você mora sozinho, por exemplo, é possível encontrar na maioria dos supermercados, embalagens apropriadas para o consumo de uma só pessoa. Isso evita que os alimentos percam a validade e acabem no lixo. Ou ainda se for organizar a festinha de aniversário do seu filho e convidou 50 amiguinhos, para que comprar uma embalagem de talheres com 200 unidades?

Reparar

Muitas vezes, consertar um produto quebrado sai mais barato do que comprar um novo. Além de ser sustentável, você ainda economiza. 

Reutilizar:

Com um pouco de imaginação e criatividade podemos utilizar o mesmo produto para outro fim. Um objeto pode ganhar funções totalmente diferentes da original e ainda continuar muito eficiente.

Existem diversas maneiras de reutilizar um objeto: garrafas de PET podem virar uma prática horta vertical ou simpáticos brinquedos para as crianças, uma latinha de alumínio pode ser seu próximo porta-trecos ou um lindo vasinho de plantas e um pneu velho pode ser transformado em uma boia da piscina ou um belo puff.

Devemos também adotar o hábito de adquirir produtos que sejam reutilizáveis, como: guardanapos de pano, sacolas retornáveis, fraldas de pano e embalagens reutilizáveis para armazenar alimentos ao invés das descartáveis. 

Reciclar:

Não deu para reutilizar? Então renda-se à reciclagem. Cada material deve ser condicionado em um coletor específico para ser reciclado de acordo com sua natureza. Você pode separar os materiais em qualquer lugar e levá-los diretamente aos centros de reciclagem ou procurar serviços de coleta que passem pela sua casa ou trabalho. Lembre-se de separar os resíduos secos, procurando guardar os objetos limpos e secos.

Reintegrar:

Já aquilo que não pode ser reciclado, como restos de alimentos e outros materiais orgânicos, pode ser reintegrado à natureza. A compostagem orgânica é o melhor processo para transformar cascas de verduras e outros resíduos orgânicos em adubo. O composto que resulta do processo é um material altamente nutritivo e pode ser utilizado em jardins, hortas e pomares.

 

Dicas para Alimentação Infantil Saudável

A alimentação e nutrição infantil é um assunto de grande relevância, já que todo o desenvolvimento físico e psíquico de um indivíduo está diretamente vinculado aos alimentos ingeridos em sua infância.

Nos últimos anos temos observado um preocupante quadro de sobrepeso e obesidade infantil no país, de acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), 1/3 das crianças brasileiras já apresenta esses problemas, sendo as crianças de 5 a 9 anos as mais afetadas. Fatores como o sedentarismo e o consumo de guloseimas (salgadinhos, biscoitos recheados, doces, refrigerantes…) são uma combinação nociva que colaboram para o aumento dessas estatísticas.

Autossustentável: Alimentação Infantil
Imagem: Runners

Além desses alimentos conterem quantidades exageradas de calorias e pouquíssimos nutrientes, também possuem substâncias químicas prejudiciais à saúde infantil. E mesmo assim, segundo o IBGE, quase um terço das crianças com menos de dois anos toma refrigerante ou suco artificial, além de consumir biscoitos ou bolos.

Para alterar essa triste realidade, é crucial o envolvimento da família com a alimentação da criança.  É mais fácil para a criança aprender com exemplos do que com imposições, dificilmente uma criança comerá frutas, legumes e verduras se seus pais não têm esse hábito.

Autossustentável: Alimentação em família
Imagem: Cultura Mix

Para que uma criança de desenvolva bem é importante que tenha uma alimentação variada e nutricionalmente rica, o que inclui a ingestão de frutas, legumes, verduras, carnes, ovos, cereais, tubérculos e água. Por estar em fase de crescimento, o organismo tem muitas necessidades nutricionais, o que requer refeições completas e ricas em nutrientes. Uma boa alimentação durante a infância fortalece o sistema imunológico e ajuda a prevenir doenças para o resto da vida.

Autossustentável: Alimentação Infantil
Imagem: Guilherme Miller

Separamos algumas dicas para auxiliar na alimentação infantil saudável:

  • A OMS recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis meses de vida e a partir daí os alimentos começam a ser introduzidos na vida do bebê. Também é recomendado que o aleitamento siga até os dois anos de idade.
  • É importante que a criança tenha rotina e horários para se alimentar. Dê preferência a ambientes calmos e arejados, e nada de televisão, computador ou videogames durante as refeições, pois provocam distrações e a criança não se alimenta bem.
Autossustentável: Alimentação Infantil
Imagem: Maternar e Brincar
  • Desenvolva o paladar da criança oferecendo alimentos naturais, como frutas ou sucos, evitando adoçar os mesmos.
  • Os alimentos industrializados também não são recomendados por ter sabor muito intenso, que altera o paladar da criança, fazendo com que não sinta os sabores sutis de frutas e vegetais.
  • Ter um cardápio diversificado, equilibrado e criativo gera boa aceitação. Mas se mesmo assim a criança rejeitar o alimento, a sugestão é insistir, através de outra forma de preparação, como cremes, sopas ou suflês.
  • E lembre-se cada criança tem uma necessidade nutricional diferente, mais importante que a quantidade de comida ingerida, é a qualidade da refeição oferecida.

Com informações de Delas, Estadão, Minha Vida, Mulher.com e Zero Hora.

 

 

Orgânicos: conheça a ferramenta que mapeia as feiras orgânicas pelo Brasil

As feiras são uma ótima alternativa para comprar diretamente com o produtor, diminuindo intermediários no processo (e, consequentemente, o preço), estimulando a autonomia do produtor e valorizando a produção local de alimentos.   

Imagem: Granja Marileusa

Para encurtar o caminho do consumidor até o produtor e ampliar o acesso a alimentos orgânicos, o IDEC criou o Mapa de Feiras Orgânicas. A ferramenta colaborativa mapeia e cadastra estabelecimentos que comercializam orgânicos diretamente do produtor em todo Brasil. Atualmente estão cadastrados mais de 650 locais.

Imagem: Autossustentável

O Mapa de Feiras Orgânicas traz georeferenciadas as feiras orgânicas, os grupos de consumo, os produtores e agricultores orgânicos e as associações e cooperativas de produtores. Fornece não somente o endereço, mas informações de horários de funcionamento e tipos de produtos encontrados nesses locais.

Imagem: IDEC

Além disso, o mapa oferece um pequeno guia de frutas e hortaliças regionais, informando a respeito de sua sazonalidade. Informações úteis, uma vez que alimentos de época são mais frescos, baratos e podem ser adquiridos por meio de produção local, dispensando o uso intensivo de transporte, quando possível.

Imagem: Print app do IDEC

O Mapa também está disponível em aplicativo para Android e IOS. O aplicativo gratuito ainda traz receitas saudáveis e sustentáveis.