Chocolate: Vilão ou Mocinho?

Com a proximidade da Páscoa, é praticamente inevitável ficar imune a ele, que ganha destaque principalmente nessa época do ano, com diversas opções de tamanhos, formas, sabores, recheios e preços, e que é quase uma unanimidade no quesito doce: o inigualável chocolate. Queridinho de muitos, ele também é tido como inimigo de vários, principalmente para aqueles que estão em dieta e/ou para os querem manter a boa forma.

Mas calma! Ao segundo grupo tenho uma boa notícia, o chocolate pode não ser esse vilão todo, pelo contrário, ele, ou melhor, a base e principal componente do chocolate, o cacau, pode trazer diversos benefícios para a saúde.

 Na Espanha do século XVI, as cozinhas dos mosteiros serviram como local de experiência para o aprimoramento do chocolate e a criação de novas receitas. Os monges aperfeiçoaram o sistema de torrefação e a moenda do chocolate, transformando-o em barras e tabletes para serem dissolvidos em água quente, como era apreciado nos salões aristocráticos. Fonte: Para entender a história…

Não por acaso os relatos do consumo de chocolate datam de aproximadamente de 1500 a.C., em que era utilizado e conhecido como alimento para a celebração, contemplação e comunhão com os deuses sendo usado por sacerdotes e membros da nobreza devido as suas propriedades e considerado por várias civilizações antigas, como os Maias e os Astecas como sagrado. Felizmente, com o passar do tempo e graças à Revolução Industrial e a invenção de diversas máquinas tornou-se possível a produção em massa, que fez com que os produtos ficassem mais baratos e acessíveis a todos, como ocorre hoje.

O cacau é considerado um dos alimentos funcionais mais importantes na nutrição, riquíssimo em antioxidantes e em diversas vitaminas, minerais, cobre, magnésio, manganês, potássio, ferro, fósforo e flavonoides, ele é capaz de elevar a qualidade da saúde do coração, e ainda é ótimo para o bom humor, afinal, quem consegue ficar triste com um delicioso chocolate, não é mesmo?

Segundo estudos, as diversas sensações obtidas ao se ingerir o chocolate se devem a liberação da endorfina (hormônio relacionado ao bem estar), que estimulam a produção de serotonina (um neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor, sono, apetite, ritmo cardíaco, temperatura corporal, sensibilidade a dor, movimentos e as funções intelectuais), promovendo o combate a ansiedade e a depressão, aliviando o estresse e estimulando também os centros de bem estar e de prazer.

Autossustentável: Benefícios do Chocolate
Para maiores informações acesse: Chocolate e os Benefícios Cardiovasculares

No coração, ele ajuda a manter a pressão arterial normal e os bons níveis de colesterol, além de ter ação preventiva contra as doenças cardiovasculares. Pesquisas comprovam que cacau age como um anti-inflamatório natural e ainda retarda efeitos do envelhecimento, devido a presença de flavonoides que atacam os radicais livres, sendo usando até mesmo no combate ao câncer.

Como se não bastasse, o chocolate também é um alimento energético, afrodisíaco e atua na proliferação de neurônios no sistema nervoso, agindo como estimulante cerebral, devido a cafeína presente em sua composição.

Ótimas razões para não fugir dessa delícia, não é mesmo? Porém, para aproveitarão máximo todos esses benefícios mencionados acima, alguns pontos importantes devem ser levados em consideração, como a quantidade de açúcar, gorduras e, principalmente, a concentração de cacau na formulação do chocolate. Assim, os mais indicados são os chocolates amargos e meio amargos, em especial, os que possuem concentração a partir de 55% de cacau.

Autossustentável: Tipos de Chocolate

A regra é simples: quanto mais claro e mais doce o chocolate for, maior a quantidade de açúcares e gorduras que ele apresenta e menor seus benefícios a saúde. Vale lembrar que o chocolate branco não leva sequer cacau em sua composição, apenas sua manteiga, que nada mais é do que a sua parte com maior concentração de gordura, então, fique atento ao seu consumo.

Para os diabéticos atenção redobrada, pois o chocolate diet, para compensar a ausência do açúcar, possui maior adição de gordura, o que o torna menos saudável e muito mais calórico. Aos intolerantes ao glúten e a lactose, existem no mercado a opção de chocolates a base de soja, sem esses ingredientes alergênicos, que podem ser ótimas alternativas se levados em conta a relação do cacau e os demais ingredientes da composição.

Como já dizia o velho ditado, “a diferença entre o remédio e o veneno é a dose”, moderação e equilíbrio é a chave de todo o sucesso, como sempre. Nada consumido em excesso é benéfico para a saúde, então, nada de usar os benefícios do cacau como desculpa para exagerar na Páscoa, okay!?

Autossustentável: Moderação no Consumo de Chocolate

Até porque, o consumo exagerado do chocolate pode gerar uma série de complicações com a saúde, como alergias, aumento do colesterol e de erupções cutâneas devido ao nível elevado de gordura no sangue, irritação da mucosa do estômago e do intestino gerando desconforto, gases, diarreias, dores de cabeça, ganho de peso, além de agitação e insônia devido à presença de cafeína.

Portanto, agora que você já conhece os benefícios e os riscos para a saúde oriundos do excesso do consumo do chocolate, avalie as opções utilizando nossas dicas e faça escolhas mais conscientes nesse mar de opções para aproveitar sua Páscoa de forma mais leve, saudável e sem preocupação e ainda como bônus uma turbinada na saúde, no humor e na estética.

 

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Disciplina!

Vencer padrões arraigados é decisivo para quem quer conseguir uma mudança substancial em sua vida. Seja no trabalho, nos estudos, na vida doméstica ou nos relacionamentos.
Em se tratando do “jeito de fazer as coisas” é mais complexo ainda. Nos habituamos a repetir comportamentos e nos apegamos a eles, pois nos trazem conforto. Se eu acordo diariamente as 6:30h da manhã e fico pelo menos 20 minutos no chuveiro, acordando aos poucos, é desconfortável passar a tomar banho em 5 minutos.
Claro que os motivos são nobres (em última análise a economia de água representa condição de sobrevivência), mas uma alteração destes hábitos vai gerar um desconforto e inclusive uma queixa infantil. Afinal somos, todos, crianças crescidas que não gostam de contrariedades.
No entanto, considerando o andar da carruagem é necessário que haja mais que um bom motivo para diminuir o tempo no chuveiro. É necessário que haja uma compensação pelo meu desconforto. Algo que me faça sentir bem e que recupere o meu bem estar.

Fonte: PW Desenhos
Independente se somos crianças crescidas ou adultos, como queiram, precisamos de empenho interno para nos convencer de que alguma mudança de atitude gerará algo realmente positivo.
Neste ponto inicia-se um processo que não é muito agradável, mas que por fim compensa: adotar a disciplina. Não é das virtudes mais queridas. Também não é das mais fáceis de ser desenvolvida. E necessita de dedicação para que seja eficaz.

A questão da água ou qualquer assunto que integre a sustentabilidade motiva alguns, mas não todos. Afeta a todos, mas alguns não se animam com isso. Então, esta é a dica para aqueles que sentem que gerações futuras, sobrevivência coletiva e qualidade de vida não são motivos animadores.
Devemos concordar que desperdício em qualquer nível significa perda: perda de dinheiro, de recursos, de tempo, de vida. Sendo assim, antes de querer que todos os 7 bilhões se apaixonem pelo meio ambiente, podemos começar por um processo menos custoso e que não requer tanto envolvimento emocional.
Disciplinar-se a agir de forma eficiente e sustentável é uma atitude sensata, coerente e trará resultados significativos. A disciplina de usar o chuveiro apenas para banhar-se, de usar eletricidade apenas no cômodo em que você está, de imprimir apenas aquilo que é realmente necessário, de colocar no prato apenas o que realmente irá comer, de separar o lixo reciclável daquele que não pode ser reciclado, de reutilizar embalagens de plástico, isopor e ga
rrafas… enfim, escolha uma atitude por semana, por mês ou por ano e comprometa-se com ela.
Discipline-se, comprometa-se. Com o tempo, o que antes requeria vigilância e disciplina se tornará um hábito. Da mesma forma que aprendemos escovar os dentes, tomar banho, pentear os cabelos, podemos chegar ao ponto de ser natural cuidar do meio ambiente!
Autossustentável: O Poder do Hábito
Uma boa indicação para entender sobre os hábitos é o livro “O Poder do Hábito – Por Que Fazemos o Que Fazemos na Vida e Nos Negócios” de Charles Duhigg, publicado pela Editora Objetiva.

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Apaga a luz! Prepare-se para a Hora do Planeta 2015 #USESEUPODER


A Rede Autossustentável adere, pelo sexto ano consecutivo, ao Movimento Hora do Planeta. Neste sábado, dia 28 de março, paralisaremos nossas atividades, nossos equipamentos serão desligados e as luzes apagadas em adesão à iniciativa, que envolve países de todo o mundo e é promovida pela organização ambientalista WWF-Brasil e conta com o patrocínio de empresas como Grupo Malwee.
A sétima edição da Hora do Planeta no Brasil acontece dia 28 de março, quando milhares de cidades, empresas e pessoas apagam as suas luzes por sessenta minutos, entre 20h30 e 21h30, em um grande alerta global contra as mudanças climáticas.

A campanha incentiva pessoas, empresas e governos a usarem a Hora do Planeta como uma plataforma para mostrar ao mundo que medidas estão utilizando para reduzir seu impacto ambiental. E o primeiro passo é tão simples quanto apagar as luzes.
No ano passado, a campanha mobilizou mais de 7.000 capitais e cidades, ao redor de 152 países. O Brasil bateu o recorde em termos de adesões ao ato simbólico, com 144 cidades, das quais 24 capitais, em todo o território.

Festival Hora do Planeta

Para celebrar a data, o WWF-Brasil promove um grande show gratuito no Rio de Janeiro, na Praia de Ipanema (Posto 10). O evento será no sábado 28 de março, a partir das 16h, e terá como principal atração o coletivo internacional de artistas Playing For Change e o músico Hamilton de Holanda. Também se apresentam Rodrigo Sha, Eduardo Neves e o DJ Nado Leal. Todo o espetáculo será realizado com gerador de biocombustível.
Junte-se a milhões de pessoas e participe você também: sábado, dia 28 de março, apague as luzes das 20h30 às 21h30.


Vida, Sustentabilidade e Atitude!

Sendo brasileira, professora universitária de português nos Estados Unidos, há quase uma década e meia, convivo diariamente entre dois mundos, entre duas línguas, entre duas culturas, entre dois hemisférios. Estou ao mesmo tempo, no frio intempestivo e no calor excessivo, no norte e no sul, no jazz e no samba, no vermelho, azul e branco… e no verde e amarelo! A tecnologia – pelas redes sociais, pelas páginas da internet, pelos aplicativos de comunicação – facilmente me leva noite e dia, não importa o fuso horário, e se o horário é de verão ou de inverno, ao meu país, Brasil. A mesma tecnologia me traz de volta quando minha agenda desponta no computador, lembrando-me de importantes tarefas a cumprir, profissionais ou de mera rotina, como por exemplo, ter certeza de que o caminho da porta de casa até a rua está desimpedido de neve…
Mas percebi, logo ao conhecer meus vizinhos na região de Chicago, onde moro, que eles também vivem em dois mundos: um senhor é da Rússia, outro da Índia, aquela família é da Romênia, aquela senhora veio da Polônia, minha outra vizinha é da China… e por aí vai. Na escola dos meus filhos são falados mais de 40 idiomas (entre os quais, e certamente por causa dos meus brasileirinhos, o português!). É lindo ver tantas línguas, culturas e tradições reunidas no mesmo espaço. O mundo inteiro se encontra aqui, nem precisamos ir longe!
Essa convivência com realidades, por vezes tão opostas, levou-me a analisar quase que intuitivamente, mas cada vez com mais cuidado, a natureza humana: quem somos?… o que fazemos?… de onde somos?… o que queremos?…  para onde vamos? Todos, independentemente de termos origens diversas, falarmos línguas diferentes, e apreciarmos comidas que nem sempre são admiradas por todos os paladares… temos algo em comum: somos humanos! Temos emoções, sensações, alegria, tristeza, medo, esperança, ansiedade, calmaria, ânimo e desânimo, sucessos, fracassos… e depois, vitórias? Sim! Espere… nem sempre! Às vezes, nossos objetivos levam mais tempo para serem alcançados.  E, a vitória da forma como havíamos planejado não aconteceu… E agora?
Passamos e passaremos continuamente por caminhos que muitas vezes não são tão fáceis de seguir… podem ser difíceis, penosos e não nos levarem diretamente ao sucesso. Por vezes, vamos por caminhos sinuosos, que não conhecemos muito bem, mas tivemos que tomá-los devido às circunstâncias. Todo ser humano, não importa a língua que fale, seu grau de instrução, sua profissão, sua fé, sua religião, a cor de seus olhos, de sua pele ou cabelo, invariavelmente vai enfrentar lutas, sejam quais forem, pois faz parte do jogo chamado vida!
E todos desejamos uma coisa, embora muitos não o saibam: sustentabilidade. Sim, queremos e precisamos de “sustentabilidade”, que é o equilíbrio, a ecologia que deve existir para que vivamos em harmonia conosco e com o meio ambiente. Existe algo essencial que nos dá sustentabilidadee permite que não desistamos, mas que nos redirecionemos até nos tornamos mais fortes e obtermos grandes resultados.  É a atitude.
Mas o que é “atitude”? Uma resposta sucinta é: “Atitude é uma norma de procedimento que leva a um determinado comportamento. É a concretização de uma intenção ou propósito.
Todos os dias temos que tomar decisões e nosso comportamento se manifesta. Algumas decisões são corriqueiras, como: “O que vou vestir hoje, uso este sapato com aquela calça porque combinam com meu brinco?”. Outras são mais complexas, do tipo: “Aceito ou não a proposta que me foi feita para trabalhar no Azerbaijão?”. Ah, que difícil! De toda a forma, nossas decisões sempre têm por objetivo nos trazer equilíbrio e bem estar no ambiente em que vivemos.
Agora cabe a questão: Que decisões imediatas tomaremos diante de um fracasso ou de uma notícia ruim?  Que comportamentos teremos diante de medos, angústias, desilusões e frustrações? A sustentabilidade começa justamente na nossa predisposição em agir. Agiremos de forma positiva, calma, interativa, firme e confiante? Ou negativa, egoísta, tóxica, raivosa e sem esperança? As atitudes que tomamos permitem que o ambiente em que vivemos seja mais ou menos sustentável.
Se pregamos a sustentabilidade do meio ambiente, isso começa com nossa atitude nele. Como agimos em relação a quem somos e ao que pretendemos vir a ser? Como crescemos e lutamos por nossos ideais, na conquista de um mundo realmente melhor? E como levamos em consideração as pessoas que convivem conosco? Nem sempre a convivência é fácil, mas a harmonia deve ser um ideal mútuo.
Ser sustentável é, antes de mais nada, ser um agente transformador do seu próprio mundo. Positivamente transformador. O ambiente em que se vive vai favorecer bons resultados se os agentes desse ambiente tomarem atitudes positivas, decidirem por comportamentos que inspiram uns aos outros, que levam à união e, consequentemente, levam à realização de grandes projetos.
Um ambiente em que há violência física ou abuso verbal não é sustentável. Um ambiente onde não há respeito ao próximo nunca produzirá crescimento e desenvolvimento de projetos que acarretam mais crescimento e realizações.
Quando encaramos as diversidades da vida com uma atitude positiva, estamos plantando a semente do desenvolvimento e da sustentabilidade. Crianças em casa devem aprender com os pais a terem atitudes positivas. Assim, quando passarem por situações de conflito, poderão resolvê-los de forma responsável e eficaz. Cabe ao adulto dar o exemplo, tornando o ambiente simbioticamente sustentável, onde todos colaboram para o bem estar um do outro.
O conflito nos faz crescer. E mesmo que seja difícil entender porque acontece, é importante e necessário em nossa vida. Situações difíceis de aceitar ou compreender podem nos tornar mais humanos e mais sensíveis aos problemas pelos quais passam as pessoas no mundo. E mais corajosos para prosseguir, para rever estratégias, buscar apoio, ampliar colaborações e, consequentemente, para encontrar a sustentabilidade, tão necessária em nossas vidas. Tsunamis podem acontecer a qualquer hora, sem aviso prévio. Mas, com determinação e atitudes positivas, podemos reerguer um bairro, uma cidade, um país. O mundo todo se inspira e se une quando há ênfase nas atitudes positivas.
A atitude positiva do homem afeta também sua relação com outros seres vivos ao seu redor. Tudo que é vivo só continua sistematicamente vivo num ambiente que inspira a sustentabilidade. Animais e plantas só sobrevivem se estiverem num ambiente sustentável. Seres vivos que usufruem das boas atitudes do homem alegram, harmonizam e revigoram o meio ambiente.
Aprendo cada vez mais, em minha casa, na minha vizinhança, no Brasil, nos EUA, no mundo todo, que minha atitude com as pessoas com quem convivo vai se refletir também na atitude delas comigo.  É verdade que nem todos respondem imediatamente de forma positiva a uma boa atitude, mas um exemplo constante leva as pessoas, ao menos, a repensarem seus hábitos, a buscarem um equilíbrio, um ambiente sustentável e, com isso, a valorizarem suas relações com o próximo.

A gente colhe o que planta.  Se plantamos boas atitudes, em tempo colheremos frutos incríveis, de desenvolvimento, harmonia e sucesso em nossos empreendimentos.


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Saiba como Implantar a Coleta Seletiva em Casa

Primeiramente você precisa saber se a prefeitura da sua cidade realiza a coleta seletiva (CS) e se passa no seu bairro. Se sim, provavelmente o caminhão da coleta passa em dias específicos para recolhimento na região. Ela pode ser feita pelo próprio município, por uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis ou por uma empresa terceirizada contratada.
Autossustentável: Coleta Seletiva
Fonte: Prefeitura Municipal de Bom Despacho
Se não houver no seu bairro e/ou na cidade o sistema de CS, a minha sugestão é fazer contato com a Cooperativa de Catadores mais próxima e checar se eles podem propor (e cumprir!) uma frequência para pegar o lixo reciclável separado na fonte, ou se você pode deixar o material na cooperativa numa frequência semanal ou mensal. Neste caso, vale a pena um engajamento com os moradores da região, e os moradores do prédio (no caso de condomínio). É preciso ser viável para vocês e economicamente para cooperativa também.
Autossustentável: Cooperativa
Fonte: Diário do Grande ABC
Depois vem um passo desafiante (porém motivador e encantador), que é a orientação para os membros da família e para aqueles que, de alguma forma, prestam serviços domésticos quanto ao local de acúmulo desses materiais. É preferível deixar em um determinado local onde ficará guardado até a vinda do caminhão, com o cuidado para não acumular água de chuva e contaminação, esses cuidados são essenciais para evitar o aparecimento de roedores e vetores (animais que transmitem doenças). Essa orientação é uma forma de educação ambiental, uma vez que mostra como o processo de armazenagem de materiais para a CS dever ser feito, mas acima de tudo mostra a importância da separação e da participação das pessoas no processo.
Quanto aos porteiros e moradores de um prédio, você também pode orientá-los a colocar esses materiais em determinado local separado do lixo comum. No primeiro momento é aconselhável realizar uma convocação ou reunião com os moradores e porteiros para a conscientização e educação ambiental com relação ao assunto. Para auxiliar neste processo, vocês podem colocar cartazes em lugares específicos para que as pessoas tomem conhecimento do assunto. Por exemplo, no local onde o lixo é depositado nos andares, no coletor geral do prédio, ou ainda nas escadas e elevadores.
Autossustentável: O que pode ser reciclado
É importante ressaltar que o material deve estar limpo. Contudo, se faz necessária a consciência no processo de higienização do material (nada de desperdiçar água no processo!), apenas enxague de forma que ele não contamine os demais materiais colocados juntos. No Brasil, não temos um sistema de coleta seletiva sep
arada, de forma que todos os materiais recicláveis são coletados juntos, e encaminhados para uma cooperativa de catadores, onde será realizada a separação e triagem do material. Esse processo de cores distintas por materiais foi importado de um modelo que não funciona aqui e só confunde a cabeça das pessoas. Na Europa e em outros lugares funciona, pois a coleta é separada. Então você pode misturar tudo que é reciclável lembrando apenas de estarem LIMPOS e SECOS.

Alguns estados como o Rio de Janeiro e Brasília já adotaram o modelo de dois fluxos (cores) para as lixeiras. A Resolução CONEMA RJ 55 de 2013, estabelece um novo padrão de cores, sendo duas cores: azul (recicláveis) e cinza (não recicláveis), além do terceiro fluxo: marrom, para compostáveis (se aplicável). Para maiores detalhes acesse Resolução CONEMA Nº 55. Em Brasília, a separação também é por dois fluxos: orgânico (úmido) e seco, conforme material de campanha da Coleta Seletiva que você pode acessar aqui.
Autossustentável: Separação do lixo
Seguindo as dicas da Resolução Conema 55/2013 de como acondicionar os tipos de resíduos, você precisa de duas lixeiras: uma para o orgânico que será recolhido pelo caminhão de lixo comum, em sacos pretos para que eles possam identificar que este material vai para um aterro sanitário; e outra lixeira para os materiais recicláveis, em sacos transparentes, para que possam ser identificadas como materiais passíveis de reciclagem.
Passíveis de reciclagem, pois temos alguns materiais como o isopor, por exemplo, que pode ser reciclável, mas que ainda não é comercializado no Brasil. Mesmo diante de casos assim, separe tudo aquilo que pode ser reciclável, e caso a coleta não seja viável economicamente para comercialização das cooperativas, esses materiais são destinados corretamente para um aterro. O copinho plástico também é outro exemplo, ele é passível de reciclagem, mas como a comercialização é feita por fardos em toneladas, acaba não sendo um bom negócio paras as cooperativas, e ele se torna um grande “vilão” nos galpões de triagem e separação.
O lixo orgânico pode ainda ser transformado em composto orgânico através da compostagem, virando um adubo que pode ser utilizado em hortas e jardins. Se tiver um jardim em casa, escolha um espaço para compostagem, ou faça uma composteira caseira para cozinhas feita com caixa, num processo super simples. Você pode encontrar no site do eCycle como fazer ou comprar uma composteira caseira.

Autossustentável: Composteira Caseira
Composteira Caseira. Fonte: Planeta Sustentável
Nosso lixo doméstico é composto por 60% de resíduos orgânicos. Quando compostado, boa parte do seu lixo deixará de ser encaminhado para um aterro sanitário, colaborando para uma maior vida útil dele e ainda gerando adubo de alta qualidade. E você ainda participa ativamente da busca por soluções para um mundo mais sustentável!
É normal que tenhamos dúvidas com relação ao assunto, o que impede, muitas vezes, o início do processo de separação na fonte. Por isso, é importante colocar informações em lugares específicos para que as pessoas da sua casa tomem conhecimento do assunto e saibam como e onde separar. Por exemplo, no local onde o lixo é depositado e próximo as lixeiras.
São considerados recicláveis os resíduos que possuem interesse de transformação, que têm mercado ou operação que viabiliza sua transformação industrial (acesse lixo.com.br e saiba mais). Para citar outro exemplo: fraldas descartáveis são recicláveis (há empresas como a Knowaste que fazem isso), mas no Brasil (ainda) não há essa tecnologia. Portanto, não há destino alternativo aos aterros sanitários para fraldas descartáveis no Brasil. Isto é, no nosso contexto, as fraldas descartáveis não são consideradas materiais recicláveis. Estes exemplos servem para que possamos entender que não existe uma “receita de bolo”, e a importância do programa de coleta seletiva municipal ter coerência com a realidade local, ou seja, a realidade social, ambiental e econômica.
Autossustentável: Coleta de Lixo
Você também é responsável pelo resíduo que gera. E aí? Está pronto para iniciar o seu processo de coleta seletiva?! Mãos a obra!

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Começando uma Revolução Fashion

Você já se perguntou quem faz as suas roupas? Uma pergunta muito simples que muitos de nós nunca fizemos. A partir desse questionamento surgiu a ideia do Fashion Revolution, uma aliança entre designers, acadêmicos, jornalistas, donos(as) de negócios e até parlamentares que acreditam numa revolução na cadeia da moda.

Questionar quem está por trás da confecção das peças de vestuário que as pessoas compram se tornou uma urgência quando, em 24 de abril de 2013, mais de 1.000 pessoas morreram e 2.500 ficaram feridas com o desabamento do Rana Plaza, um prédio de oito andares que abrigava confecções nas proximidades da capital de Bangladesh, Dacca. O prédio que, segundo o Ministro do Interior, Muhiudin Khan, foi construído sem respeitar a legislação, abrigava a confecção New Wave Style, que trabalha para a empresa espanhola Mango e a italiana Benetton, de acordo com informações de seu site. Outras marcas como Tex (subsidiária do Carrefour), o gigante americano da distribuição Walmart, e Primark também estavam ligadas às confecções que funcionavam no prédio.

Autossustentável: Desabamento Rana Plaza
Operação de resgate nos escombros do prédio Rana Plaza horas após o desabamento.
FonteNoticias Terra
Os avisos e advertências sobre a falta de segurança do prédio devido ao aparecimento de rachaduras foram ignorados, pois os responsáveis pelas confecções tinham como prioridade suprir a demanda que a indústria da moda exige. Contudo esse não foi uma tragédia isolada, a indústria têxtil de Bangladesh (segunda maior do mundo) é muito criticada por não respeitar as normas de segurança da construção civil; são constantes os desabamentos de prédios em Bangladesh.

Apesar de ser impulsionado por esse acontecimento, o movimento Fashion Revolution baseia-se com esperança na renovação e na mudança, acreditando em uma indústria da moda que valoriza todas as suas vertentes, desde o meio ambiente até as pessoas envolvidas no processo. Pessoas essas que, às vezes, esquecemos de considerar.

Autossustentável: Fashion Revolution Brasil
Fonte: Fashion Revolution Brasil
Somos bombardeados por um turbilhão de informações diariamente, por isso precisamos lembrar de analisar com mais cuidado aquelas que, de alguma forma, nos envolvem. Informações que abrangem as marcas e produtos que consumimos e que, em algumas situações extremas, levam à condição degradante das pessoas que trabalham para que esses produtos cheguem até nós. Fazendo isso seremos capazes de contribuir para a mudança.
Para atingir esse objetivo, o Fashion Revolution Day propõe que nós, consumidores, coloquemos nossas roupas do avesso, com as etiquetas à mostra e perguntemos às marcas e fabricantes: Quem fez a nossa roupa? Quais pessoas estão envolvidas no processo e em que condições essas pessoas estão trabalhando? Essas roupas são seguras ou estão cheias de produtos tóxicos que fazem mal à nossa saúde e ao meio ambiente? O Fashion Revolution Day acontecerá em 24 de abril, e levantará novamente a bandeira da transparência, solicitando às marcas transparência em seus processos de fabricação, segurança para os funcionários e responsabilidade com o planeta.

Em entrevista com Fernanda Simon, uma das coordenadoras da equipe do Fashion Revolution do Brasil, ela falou sobre como a participação do público é importante.
O Fashion Revolution tem como principal objetivo a conscientização sobre o atual cenário da indústria da moda e propor alternativas de produção e consumo. A participação do público não só fortalece o movimento mas também fortalece a demanda de um mercado mais ético e transparente. diz Fernanda Simon.
Fernanda ainda apontou como foram significativas as mudanças que aconteceram desde a primeira edição do movimento, no ano passado:

Assuntos como sustentabilidade e ética dentro do mercado de moda estão cada vez mais presentes, podemos perceber essas abordagens com mais frequência em revistas e jornais tradicionais. Marcas estão começando a procurar um engajamento mais ético e ecológico e o público a perceber estes assuntos não como uma tendência, mas como uma necessidade”.

Autossustentável: Fashion Revolution Day
Fonte: Fashion Revolution Brasil
O Fashion Revolution Day de 2014 movimentou 60 países ao redor do mundo com milhares de pessoas participando. E esse ano eles esperam mais. No Brasil, além da campanha online impulsionada por representantes dessa aliança, ainda esta sendo organizado todo tipo de atividades ligadas à área de moda e sustentabilidade. Palestras, workshops, e etc poderão ser apreciadas por todos os públicos em nove cidades de diferentes estados. Em breve os detalhes serão disponibilizados nas redes sociais. Fique de olho no site Fashion Revolution e na fanpage do Fashion Revolution Brasil no Facebook para o calendário oficial e faça a sua parte!
Referências:
Clique aqui para ler mais sobre artigos de Aline Lima Carlos

A Emancipação da Terra

Questionar nossos padrões de comportamento e de pensamento é um exercício que nos ajuda a entender melhor o poder que o consciente coletivo tem sobre nós, e que muitas vezes é tão singelo que não percebemos a verdadeira mensagem que ele está nos passando.
Decodificar nossos padrões de comportamento e de pensamento é uma tarefa árdua que requer autocrítica aguçada, mas como recompensa nos tornaremos capacitados a entender nossas vontades e nossos impulsos, e este é o primeiro passo para começarmos uma mudança real.
Questionar, meditar e prestar bastante atenção em nossas tarefas diárias, das mais simples às mais complexas, a forma como agimos em diferentes situações são algumas das técnicas que podemos utilizar para treinar nossa autocrítica.
Sabemos que somos seres sociais, então analise também seu comportamento em grupo, assim como o de seus colegas e familiares. Entenda melhor porque eles agem como agem e o que os faz agir de tal maneira. Observe e escute, fale e interaja, mas sempre questione mentalmente, sempre!
“Pensar em sustentabilidade é pensar na família, no próximo e em você mesmo.”
Dijalma Augusto Moura
Ainda, por sermos seres sociais, estamos sujeitos a tendências que assumem diversas formas: moda, comportamentos, músicas, eventos, etc.  Contudo a tendência que mais nos interessa nesse contexto é a tendência comportamental. Geralmente esta tendência tem início a partir de um modelo que possui grande visibilidade, geralmente propagado pela mídia. Essas tendências são difundidas na sociedade por meio de diversos estímulos, por isso aprender a decodificar essas tendências e esses estímulos nos leva a emancipação do consciente coletivo, que seria uma forma singular de pensar desprendida de padrões.

Sabendo que a Sustentabilidade está essencialmente ligada ao desenvolvimento “consciente”, a emancipação do modo coletivo de pensar e de se comportar, e de suas tendências, nos faz questionar os verdadeiros impactos de nossas ações como seres únicos. Assim, nosso comportamento influencia outras pessoas e serve como exemplo para aqueles que estão à nossa volta, sendo assim, se nos esforçamos para agir de forma mais saudável e consciente, influenciamos as pessoas que convivem conosco a fazer o mesmo. Então, se pensamos de forma original e exercemos nossa autocrítica, cada vez mais nos desprendemos dos padrões (muitas vezes decadentes da sociedade) e assim nos tornamos seres mais singulares, capazes de interagir de forma positiva com a sociedade e com a natureza.

Se somos parte do meio ambiente, e se este meio sofre com danos decorridos do desenvolvimento não sustentável da humanidade, logo a humanidade também sofre com esses impactos. Então iniciamos um ciclo autodestrutivo que só terá fim com o desprendimento do consciente coletivo, a execução da singularidade de pensamento e comportamento, e o reparo do consciente coletivo.
A emancipação da Terra acontece quando deixamos de lado a necessidade de nos adaptarmos bruscamente a ela, e ela a nós. E isso não quer dizer a estagnação de nossas pesquisas, tecnologias, ciência e etc. Isso se traduz em uma administração eficaz de nossos recursos, capacidades, responsabilidades e da “mensagem” que passamos diariamente. Para isso não são necessárias mudanças legislativas ou uma nova forma de se fazer política. Isso requer somente que cada ser se torne con
sciente de suas ações, exerça sua autocrítica e redefina as suas prioridades.
O desenvolvimento sustentável requer um modo saudável de pensar e de agir que também se sustente ao decorrer do tempo.

Saudações Verdes! 🙂

Clique aqui para ler mais sobre artigos de Patrick Rabelo

Sustentabilidade, Valor e o Consumidor

A preocupação ambiental tem crescido ao longo dos anos, desde a década de 1970, quando começou a surgir a preocupação sobre impactos ambientais causados pelo modelo econômico vigente de produção e consumo excessivos. A mentalidade do consumidor também se alterou ao longo desse período, clamando por um mundo mais sustentável. Nesse período de mudanças, as empresas seguem querendo se destacar e se adequar à mudança comportamental. De acordo com Kazazian (2005), elas têm um importante papel, já que podem adotar atitudes que possibilitam novos processos produtivos, resultando em novos produtos e, por último, novas relações de consumo. Assim, os que encontrarem os caminhos para se diferenciar serão beneficiados, ganharão espaço e agregarão valor aos produtos.

Autossustentável: Sustentabilidade e Consumo
Conciliar o crescimento econômico com a preservação ambiental é um desafio e exige que os empreendedores tenham em mente o desenvolvimento e a competitividade dos negócios, a minimização dos impactos no meio-ambiente e, ainda, a satisfação do consumidor que deve perceber esses esforços como valor agregado. A mudança cultural e comportamental se faz necessária, visto que a percepção de bem-estar por parte dos indivíduos está pautada na posse de bens materiais (MANZINI, 2008). A redução, reciclagem e reutilização de recursos, não são, isoladamente, suficientes para a transição à sustentabilidade, pois sem a aceitação do usuário, não existe inovação sustentável. Kazazian (2005) afirma que os consumidores se mostram cada vez mais preocupados com as questões de ordem ambiental, utilizando seu poder de compra para adquirir produtos que sigam os princípios sustentáveis.

Autossustentável: Economia x Meio Ambiente
Ao tratar da responsabilidade de empresas e indústrias na transição para uma sociedade sustentável, é imprescindível citar a indústria da moda, que acarreta sérios impactos ambientais devido aos seus processos produtivos poluentes. Ainda, ressalta-se seu sistema cíclico e efêmero, de obsolescência programada, que se caracteriza pela renovação rápida e constante de produtos, e pela busca incessante por novidades, que segundo Simmel (apud Cidreira 2005) se apoia na dialética entre a necessidade de imitar e a vontade de se diferenciar do ser humano.

Solomon (2002) argumenta que o consumidor de moda, muitas vezes, adquire um produto novo mesmo que o antigo ainda sirva, pois é motivado principalmente por tendências estéticas. Segundo o autor: “algumas razões para essa substituição incluem um desejo de ter novas características, uma mudança no ambiente da pessoa […] uma mudança no papel ou na auto-imagem da pessoa.” (SOLOMON, 2002, p.249)

Autossustentável: Moda e Consumo
Miranda (2008) argumenta que nada melhor que a moda para demonstrar a necessidade de mudança da sociedade, ou seja, do novo, que se reflete no processo de consumo. O consumo contribui para a identidade do indivíduo, e no que concerne ao consumo de moda, a valorização geralmente se dá pelo atributo estético.

Em contrapartida a esse cenário de moda rápida, poluente e exploradora, Schulte et al (2014) e Lee (2009) argumentam que está se vivendo em uma era na qual a indústria da moda, junto de outras instituições, direcionam esforços para diminuir esses impactos causados no meio ambiente, seja através da reciclagem, de tecidos e corantes ecológicos, do trabalho justo ou outras alternativas. As empresas, segundo Lee (2009), têm procurado se posicionar como sustentáveis, utilizando esse atributo como proposta de valor, além de desenvolver produtos de acordo com os princípios sustentáveis, considerando a demanda de um consumidor consciente.

Autossustentável: Nova Moda
Para Kazazian (2005), é importante educar a sociedade para a conscientização ambiental, pois assim aumentará a demanda pelos produtos sustentáveis. Qualquer intenção de mudança é importante e válida se visa diminuir os danos causados pelo sistema de produção e consumo vigente. Entretanto, só trará resultados se tiver aceitação.

Para tanto, deve-se levar em conta o comportamento do consumidor, porque se não houver demanda e desejo pelo produto ou serviço, não há razão dos mesmos existirem. É através da sua demanda que as empresas irão criar estratégias e direcionar esforços para conduzir suas atividades de maneira sustentável. Para Kotler (2000), o valor percebido pelo cliente vai além do critério monetário, e contempla todo benefício que este obtém com a troca. Ou seja, o valor total de um produto ou serviço para o consumidor é um conjunto de benefícios que este espera, e pelo qual se dispõe a pagar. Havendo aceitação e percepção do valor de sustentabilidade, surgem oportunidades para as empresas desenvolverem estratégias competitivas, posicionando-se como marcas de moda sustentáveis, e agindo como tal. 

Mas a sustentabilidade, quando aplicada como valor ao produto de moda, é percebida desta forma pelo consumidor? E quais atributos sustentáveis são percebidos por estes consumidores no vestuário? A sustentabilidade é uma oportunidade para novos negócios na área da moda, considerando o aumento de conscientização do consumidor, já discutido anteriormente.

Autossustentável: Slow Fashion
Paradoxalmente, o setor da moda representa um grande desafio nessa mudança de comportamento do consumidor, considerando que este ainda busca novidades a preços baixos em tempo reduzido, o que caracteriza o mercado fast-fashion(LEE, 2009). Dessa forma, é importante verificar se o consumidor está disposto a pagar mais por um produto sustentável, mesmo quando tem à sua disposição uma moda mais acessível em custos, como as lojas de departamento, justamente as grandes redes que caracterizam o fast-fashion. Faz-se necessária uma análise sobre quais atributos (modelagem, materiais, marcas, preços, etc) são percebidos e valorizados a ponto de poderem influenciar estratégias de posicionamento e novos negócios nesse modelo.

Autossustentável: Consciência e Moda

Será que o consumidor de moda percebe a sustentabilidade como valor (de acordo com o conceito de Kotler) nos artigos de vestuário, a fim de justificar o posicionamento sustentável de novos negócios no setor? Identificar quais fatores influenciam seu comportamento de compra é fundamental para incentivar a aceitação dos produtos sustentáveis. 
Referências:
CIDREIRA, Renata P. Os sentidos da moda. São Paulo: Annablumel, 2005.
KAZAZIAN, Thierry (Org.). Haverá a idade das coisas leves. São Paulo: Senac São Paulo, 2005. 194 p.

KOTLER, Philip. Administração de Marketing. São Paulo: Pearson, 2000.
146 p.

LEE, Matilda. Eco chic: o guia de moda ética para a consumidora consciente. São Paulo: Larousse do Brasil, 2009. 224 p.

MANZINI, Ezio. Design para a inovação social e sustentabilidade: comunidades criativas, organizações colaborativas e novas redes projetuais. Rio de Janeiro: E-papers, 2008, 103 p.

MIRANDA, Ana Paula de. Consumo de moda: a relação pessoa – objeto.

SCHULTE et al. Logística reversa, reutilização e trabalho social na moda. ModaPalavra e-periódico. Revista ModaPalavra. v. XIV, n.13, Jan – Jun 2014, http://www.iri.usp.br/documentos/ref_ABNT_Chicago_Out12.pdf– acesso em 17 de outubro de 2014

SOLOMON, Michael R. O comportamento do consumidor: comprando, possuindo e sendo. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2002. 446 p


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Recicleta: a Fábrica Móvel de Reciclagem Quer Transformar seu Lixo em ‘Moedas’

Autossustentável: Recicleta
O Brownie do Luiz é uma marca carioca que produz deliciosos brownies e ainda pensa numa saída criativa para o descarte da sua produção.
Seis jovens empresas do Rio de Janeiro que tem a sustentabilidade como princípio de vida se reuniram para fazer testes de reciclagem e criar uma solução inteligente para os resíduos gerados na produção do “Brownie do Luiz”.
Anos atrás, quando o Luiz ainda produzia em casa, teve uma sacada genial para reaproveitar as latas de achocolatado que eram, inicialmente, descartadas em lixo doméstico e também aproveitar  os cortes das bordas dos bolos que sobravam da produção. Ele decidiu cortar as bordas em pequenos pedacinhos, como biscoitos, e vender dentro dessas latas, o que acabou batizando de ‘O Veneno da Lata’ e se tornou a marca registrada de seu negócio.
Autossustentável: Brownie do Luiz

Para dar o próximo passo e pensar numa solução para os resíduos produzidos, inclusive para as embalagens que vão embora com os clientes, o grupo chegou ao projeto da Recicleta. A ideia é mostrar o real valor do lixo, tudo isso em uma caixa mágica transformadora de novas experiências. A Recicleta ainda não existe, e para que essa máquina de felicidade se torne real, os idealizadores do projeto pedem uma ajudinha financeira que foi cuidadosamente pensada, assim: 

Autossustentável: Recicleta
As embalagens que os clientes devolverem à loja serão colocadas na máquina, processadas, derretidas e transformadas numa moeda especial. O ‘dinheiro’ poderá ser trocado por experiências e produtos únicos, como os próprios brownies, aulas de ioga entre muitos outros.

Autossustentável: Recicleta
Nesse vídeo eles explicam com mais detalhes como funciona o projeto todo, olha só:

Recicleta: menos lixo, mais ideias from Brownie do Luiz on Vimeo.

O projeto está na reta final de captação no site Benfeitoria (www.benfeitoria.com/recicleta) e precisa da sua ajuda para sair do papel. Apoie! Só faltam 2 dias!

Reeducação Alimentar e Atividade Física – Guia Básico para Começar a Melhorar Seus Hábitos

A preocupação com a alimentação, a saúde e um estilo de vida mais ativo, nunca esteve tão em alta como nos últimos dois anos, o que é um avanço significativo em prol da melhoria da qualidade de vida e um investimento a médio e longo prazo em um envelhecimento mais suave e leve, com menos complicações, decorrentes naturalmente da própria fisiologia humana, que tende a diminuir suas funções com o passar dos anos.
Ao mesmo passo em que a saúde entrou em foco, houve um processo expressivo de inclusão digital, criando um crescente aumento de pessoas conectadas à internet e também de disseminação de informação no meio digital e online, que vem se tornando a principal fonte de pesquisa e conhecimento para esse tema. Porém, com tanta informação disponível, algumas contraditórias e até antagônicas, o que deveria ser algo esclarecedor pode se transformar em muitas dúvidas para quem deseja melhorar seus hábitos, dificultando a continuidade do processo para os iniciantes dessas práticas.

A fim de auxiliar e responder algumas questões frequentes de quem está começando ou deseja iniciar alguma atividade física e/ou melhorar a sua alimentação em busca de uma vida mais saudável, resolvi escrever este artigo compilando algumas dicas básicas do que tenho vivido e aprendido ao longo de pouco mais de três anos de leitura e prática sobre o assunto.

 

  • Tenha calma e respeite seu tempo; não se muda uma vida inteira de hábitos de uma hora para outra, é normal que se leve um tempo até estarmos confortáveis com as novas medidas, portanto, introduza os novos hábitos de forma gradual até que se torne confortável e natural para a sua rotina.

 

  • Evite alimentos industrializados; prefira os alimentos in natura, invista em frutas, verduras e legumes. Alimentos industrializados possuem grandes quantidades de sódio, gordura trans, açúcar e aditivos químicos que agem diretamente no aumento do colesterol e da pressão arterial comprometendo as funções cardiovasculares, as funções renais e neurológicas. Alguns desses alimentos podem até conter substâncias cancerígenas. Nesse item, podemos promover algumas mudanças que farão total diferença: prefira sucos de frutas naturais e chás gelados, temperos e condimentos naturais ao invés de prontos (orégano, manjericão, pimentas, açafrão, alecrim, coentro, cominho), diminua o consumo de sal na comida, reduza a quantidade de açúcar ingerida e opte por açúcar com mais nutrientes que o tradicional açúcar refinado (açúcar de coco, o mascavo e o demerara), quando bater aquela vontade por um docinho ou uma sobremesa após uma refeição, prefira frutas ou doces a base de frutas (goiabada, bananada, doce de abóbora, etc), prefira alimentos assados ou cozidos ao invés de fritos em óleo.
  • Não caia no conto do light, diet e zero; alimentos com esses rótulos aparentam uma escolha mais inteligente, porém, nem sempre essa premissa é verdadeira. Pelo contrário, muitas vezes esses alimentos reduzem muito pouco de determinada substância e aumentam muito em outra (por exemplo, um alimento sem açúcar que tem o dobro de gordura ou teor de sódio que sua versão normal), ficando elas por elas. Nesse item, vale o reforço do tópico anterior, prefira os alimentos naturais e mais uma dica: leia os rótulos dos produtos e entenda o que você está consumindo.
  • Leia os rótulos e saiba escolher melhor seus alimentos; okay, no mundo de hoje, é praticamente impossível não consumir um alimento processado ou outro, dessa forma, vale a pena ter um pouquinho de paciência e ler os rótulos do que será comprado e consumido. Ninguém é obrigado a ser um profundo entendedor dos ingredientes de cada produto, mas aqui, deixo uma dica infalível para facilitar toda essa análise: quanto menos ingredientes, mais natural é o alimento e menos nocivo ele é, portanto, prefira os alimentos com menores listas de ingredientes e fuja daqueles com nomes impronunciáveis, corantes, aditivos e conservantes.
 

 

  • Se hidrate, beba bastante água; beber água contribui para o bom funcionamento do organismo, atuando de maneira completa em todas as áreas do corpo, não só ajuda a manter a pele saudável como também influencia na formação de ácidos graxos, responsável pela manutenção e lubrificação da pele, protegendo-a da evaporação excessiva de água e de outros micro-organismos, além de construir uma barreira de proteção contra os agentes externos, diminui a sensação de inchaço e retenção de líquidos e auxilia na prevenção da hipertensão e cálculos renais.

 

  • Se movimente; a realização de exercícios físicos regulares possui diversos benefícios para o praticante, como a melhora do sistema cardiorrespiratório, melhor condicionamento físico, força, agilidade, melhoria da coordenação motora, flexibilidade e equilíbrio corporal, promove a aceleração do metabolismo, regula o sono, proporciona maior sensação de bem-estar e diminui a ansiedade e o estresse, pois promove a liberação da endorfina (um neuro-hormônio que regula essas funções), fortalece o sistema imunológico, combate a osteoporose, previne o diabetes, controla a hipertensão e reduz o colesterol ruim. Para isso, encontre uma atividade física que mais se adapte ao seu tempo, suas condições financeiras e ao seu gosto, adicione a primeira dica dada aqui e aproveite todos esses benefícios citados.
  • Insira o consumo de gorduras boas ao seu dia-a-dia; elas auxiliam no fortalecimento do sistema imunológico e ajudam a prevenir doenças cardiovasculares e degenerativas. Elas estão presentes em diversas formas como óleos (azeite, óleo de coco), as oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas, amendoim, etc.), frutas (abacate), peixes (salmão, atum, sardinha, linguado) e sementes (gergelim, semente de abóbora, semente de girassol).
 

 

  • Acelere seu metabolismo; faça de 5 a 6 refeições diárias, mantendo entre elas um espaçamento de cerca de 3 horas, dessa forma, seu corpo diminuirá o estoque de gordura e funcionará muito mais rápido e regrado.

 

  • Durma bem, entre 7 a 8 horas por dia; O sono está relacionado com o alívio do estresse, manutenção e conservação de energia, melhora e mantém o metabolismo no ritmo (olha aí o item anterior!) amadurecimento do sistema nervoso central, fortalecimento do sistema imunológico, estimula memória, a concentração e a consolidação do aprendizado, secreção e liberação de hormônios, renova as células velhas do nosso corpo, evita doenças como diabetes, síndrome do pânico, esquizofrenia, bipolaridade e depressão, atua na função termorreguladora, fortalece a autoimunização, colabora com o emagrecimento e tudo isso sem falar no poder de relaxamento e descanso das tensões musculares.

 

  • Reduza a ingestão de bebidas alcoólicas; o álcool provoca uma verdadeira desordem em todo o organismo, ele afeta as funções digestivas e consequentemente reduz o metabolismo, nas funções motoras, cardiovasculares, neurológicas, renais, hepáticas, entre outros. Se queremos melhorar a qualidade de vida e melhorar justamente nossa saúde, devemos diminuir o consumo bebidas alcoólicas, de forma que esse consumo não provoque uma desordem em todos os resultados dos novos hábitos adotados, portanto, moderação é a palavra de ordem quando se trata de álcool.
  • Consuma fibras e substitua alimentos refinados pelos integrais (como pães, massas, arroz, etc.); as fibras atuam na regulação do trânsito intestinal, evitando a constipação e ainda anulando o risco do aparecimento de hemorroidas e diverticulites, aumentam a absorção de água pelo organismo, além de prevenir doenças como câncer de cólon, diabetes e de cunho cardiovascular. Segue uma lista de alimentos ricos em fibras, que já foram até citados em itens anteriores: abacate, abacaxi, amêndoa, amendoim, banana, caju, caqui, castanha do Pará, goiaba, laranja, kiwi, maracujá, morango, nozes, pera, pêssego, uva-passa, abóbora, abobrinha, acelga, agrião, alho-poró, alface, batata, batata-doce, berinjela, beterraba, brócolis, cebola, cenoura, couve, couve-de-bruxelas, couve flor, espinafre cozido, inhame, mandioquinha, milho verde, pepino, pimentão, quiabo, repolho, salsão, soja cozida, vagem, tomate, arroz integral, aveia em flocos, farelo de trigo, farinha de aveia, farinha de centeio, farinha de trigo, feijão, farelo de aveia, pão de aveia, pão de centeio.

 

 

  • Por fim, não se cobre tanto; retomando ao primeiro item, tenha paciência e não se cobre tanto para fazer tudo exatamente certinho como uma cartilha a ser seguida. Se o objetivo é melhorar a saúde, não podemos deixar de lado uma parte fundamental para o sucesso de qualquer coisa em nossas vidas: nossa saúde mental. Sem estarmos com a nossa cabecinha no lugar e abertos a novas tentativas, todos os esforços serão em vão. Por isso, comecei recomendando o processo gradual, a calma e a paciência para que os novos hábitos virem rotina e tenham os resultados positivos e termino voltando a este ponto, que é o crucial para o sucesso de uma vida mais saudável e com qualidade e bem-estar. Não adianta seguir todas as recomendações se elas não ocorrem naturalmente e/ou se tornam sinônimos de sacrifício, privação ou martírio. Moderação e respeito as suas vontades, anseios e sentimentos, também são a base fundamental para alcançar a busca dos seus objetivos. Não passe vontade, não se prive, não se restrinja, viva e socialize, tenha a consciência de que isso não jogará fora todos os seus esforços e retorne aos seus novos hábitos logo depois. Isso é uma verdadeira reeducação alimentar, não é a privação e sim saber quando e como escolher as melhores e mais oportunas fontes de alimentação.

Para finalizar, não esqueça de procurar um médico e realizar exames para avaliação da sua saúde com regularidade, um educador físico habilitado e um profissional de nutrição para um atendimento individualizado para suas necessidades específicas. Não sou profissional em nenhuma das áreas citadas, apenas, implementei essas mudanças na minha rotina, realizei diversas pesquisas e leituras e possuo o acompanhamento de profissionais para me auxiliar na melhoria continua com adequação às minhas demandas específicas e, com base no que vivencio, resolvi escrever esse texto para auxiliar quem deseja começar uma nova rotina pela busca de uma vida com mais qualidade mas não sabem ao certo como ou por onde fazer, lembre-se, é apenas o começo de uma nova perspectiva de vida que vai se aperfeiçoando ao longo do tempo.

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Crise Hídrica: Trazendo o Tema à Tona na Escola

Autossustentável: Crianças e Água
Fonte: Patosonline.com

Há muitos anos, lembro bem de duas profecias feitas por um querido professor de Geografia no antigo segundo colegial.

A primeira dizia respeito às mudanças climáticas. A previsão (dele) era que entraríamos logo, logo em uma nova era glacial. Não lembro na verdade quanto era “logo”, mas em se tratando de uma aula de Geografia, acho que eram alguns milhares de anos.

A segunda dizia respeito à disponibilidade de água doce. A previsão (dele) era que as principais guerras, conflitos, crises e revoltas estariam, de alguma forma, relacionados à água. Pois é, adoraria reencontrá-lo e ouvir, por baixo do bigode, ele dizer: “Não te falei?”.
É certo que não vou viver o suficiente para ver a primeira previsão se realizar e, confesso, que também imaginei que não viveria para ver a segunda se concretizar.
A crise hídrica no Brasil trará mudanças profundas no comportamento de muitas pessoas e à forma como vemos nossos “infinitos” recursos naturais. Lembro que aprendi (também na escola) que nosso país era campeão imbatível em disponibilidade hídrica e, apesar disso, cá estamos com as torneiras cada vez mais secas a cada dia. A realidade atual é muito mais complexa que simplesmente termos água doce à disposição. Ter água à disposição não significa, obrigatoriamente, que ela estará sempre disponível.

Autossustentável: Pegada Hídrica
O tema da crise hídrica estará invariavelmente presente na escola em 2015 e, quem sabe, 2016, 2017… A forma e seriedade com que esse assunto deve ser trabalhado tem relação direta com seu nível de complexidade.
Campanhas de informação e prescrição cumprem um papel limitado na mudança de comportamentos, apesar de serem importantes por atingirem um grande número de pessoas. O trabalho integrado (interdisciplinar) e continuado nas educações formal, não-formal e informal devem trazer à superfície toda a dinâmica entre os atores da crise, seus papeis, suas ações e omissões, seus direitos e seus deveres, formando um quadro amplo e esclarecedor das dinâmicas ambientais, sociais, culturais, políticas e territoriais. Não é uma tarefa simples, considerando a fragmentação no ensino que insistimos em manter ano após ano.

Em roda de conversa, alunos da Escola Estadual Mário Casassanta discutem a importância da economia de água. Fonte: Secretaria de Educação de Minas Gerais

Como biólogo e professor há quase 20 anos, acredito que o tema da água e muitos outros ligados à nossa relação com o mundo natural merecem destaque, pois são a base de tudo o que somos, fazemos e dependemos para continuar existindo. Infelizmente, tenho a percepção de que a temática ambi
ental tem gradativamente perdido espaço nas escolas e tem sido tratada, cada vez mais, de forma superficial e prescritiva, o que aborrece os alunos e enquadra os engajados como “verdinhos” ou “ecochatos”.
Nesse ano, entretanto, acredito que será diferente. A crise aguça os sentidos e trabalhos que deveriam ser feitos todos os dias serão feitos em caráter emergencial. Melhor isso que nada? Não sei…

Crianças da Escola Comunitária de Educação Infantil Ideal colorem cisterna durante a Semana do Meio Ambiente de Novo Hamburgo. Fonte: COMUSA
Vale ressaltar que isso não é regra. Existem trabalhos excelentes sendo desenvolvidos de forma continuada e competente em muitas escolas, ONGs e espaços educadores por aí. Toda generalização é burra. Mesmo assim, ainda é pouco.
Nesse momento, gostaria de compartilhar com o leitor do Autossustentável uma pequena contribuição ao tema na forma de um plano de aula para os Ensinos Fundamental II e Médio que desenvolvi junto com o querido Prof. Pedro Roberto Jacobi (IEE/PROCAM/USP).
O plano de aula é gratuito e pode ser compartilhado, usado e modificado de forma livre e irrestrita. Espero que seja útil de alguma forma, em especial no sentido de ampliar nossa compreensão, responsabilidade sobre a crise e o papel das instituições públicas que devem zelar pela nossa qualidade de vida.
Clique em Sugestão de Atividades para os Ensinos Fundamental II e Médio para acessar o plano de aula e fazer download.

Clique aqui para ler outros artigos de Edson Grandisoli

É da Sua Conta, Sim!

Participei nos dias 3 e 4 de novembro passado do I Congresso Internacional do Instituto O Direito por um Planeta Verde – Região Sudeste e VI Congresso de Interesses Difusos da Faculdade de Direito da USP. Um evento de altíssimo nível, com palestrantes internacionais e nacionais que brindaram os participantes com conhecimento e compartilhamento de experiências retratando várias realidades: japonesa, boliviana, paulistana, do interior da Bahia, da Serra do Mar.
Um dos aspectos centrais em todas as falas foi a forma como o Direito lida com as situações de risco, os desastres e condições inapropriadas de vida. Evidente que a legislação e as estruturas governamentais exercem um papel essencial de ordem e regramento. No entanto, saltou aos olhos o papel que cada cidadão tem, ou deveria ter, em relação a esses acontecimentos naturais e sociais.
A Conferência de abertura: “Comprehensive and Collaborative Flood Control in Japan” proferida pela Professora Noriko Okubo, da Universidade de Osaka, retratou a forma como o Japão lida com as inundações frequentes. Há uma vasta legislação nacional sobre a questão do enfrentamento das inundações, informando qual o papel esperado de cada ator social e quais suas responsabilidades. Órgãos foram criados para pensar sobre estes eventos, criar procedimentos, realizar estudos e incentivar acordos e parcerias. Estes aspectos foram chamados por ela de hardware, a estrutura pesada que sustenta o país.
A partir disto, foram apresentados inúmeros exemplos de softwares – atitudes e providencias advindas da sociedade que geram um impacto significativo quando estes eventos ocorrem. E é nos softwares que a palestrante vislumbra o elemento que faz toda a diferença: a criação de uma cultura de que somos todos responsáveis por prevenir as tragédias e solidários, uma vez que a atuação de cada um é fundamental.


Como exemplos de softwares podemos citar: o fato de idosos compartilharem histórias de desastres com as crianças a fim de expor a necessidade de cuidados e a pronta reação em caso de perigo; a iniciativa de associações e escolas ao realizarem periodicamente treinamentos com as crianças em evacuação de locais assim que o alerta soar; o compromisso tácito das empresas que ao serem noticiadas sobre uma possível inundação providenciam o carregamento de caminhões com mantimentos e material de higiene; o compromisso das universidades e centros de pesquisa em criar métodos cada vez mais precisos de detecção de sinais de risco de desastres. Todas estas atitudes não foram determinadas por lei e nem fazem parte dos procedimentos, mas partiram de um compromisso de cada setor a fim de preservar a vida em harmonia e manter as condições de vida em um país que é acometido freqüentemente pelas intempéries naturais.
Sem dúvida que se trata de uma legião de pessoas engajadas. Sem dúvida que os japoneses sofreram muito para chegar a tal estágio de organização e unidade. E enquanto a palestrante falava foi inevitável realizar um paralelo com a situação do nosso país. Somos diferentes deles, isto é fato. Nosso sistema legal é diferente. Nosso povo tem outra cultura.

Acredito que possamos chamar a situação da água em São Paulo, região da Cantareira, de um desastre. Talvez não seja um desastre natural, pois é derivado da atuação humana sobre o meio. Então, um desastre anunciado ou um efeito colateral indesejado. Complexo definir todos os fatores causadores deste desastre de esgotamento de um recurso natural: interferência no ambiente, má gestão pública, consumo irresponsável de um bem finito… O fato é que o alarde foi dado poucos meses antes da insustentabilidade e o racionamento se iniciar. Mesmo assim, ainda hoje, há cidadãos que lavam seus carros e calçadas com mangueiras. Outros ainda compraram as maiores caixas d’água disponíveis no mercado.
Autossustentável: Sistema Cantareira
Sistema Cantareira | Fonte: Portal de noticias R7
Há também aqueles que para burlar o racionamento descem a serra até a Baixada Santista a fim de lavar a roupa da semana ou ainda para poder tomar seu banho noturno, pois o racionamento tem se iniciado a partir das 16h. Os santistas, ao perceberem a iminência de um racionamento ocasionado pela debandada dos paulistanos rumo ao litoral atrás de água, esbravejam: “O que eles querem com a nossa água? Pensam que são os donos do mundo? Gastaram tudo aquilo que tinham e agora vem aqui usufruir do que é nosso?”
Era a isso que me referi quando tratei da capacidade que possuímos de nos adaptar a situações complexas (Releia “A quantas anda nossa resiliência?”). E a conclusão que cada vez mais me convence é a de que a assunção de uma realidade/ responsabilidade conjunta, una e indissociável é o que nos tornará fortes o suficiente para enfrentarmos as conseqüências das ações que tomamos em nossa imaturidade alienada. Na verdade, o “eles”não existe. O que é real é o “nosso”, nossa responsabilidade, nossa criação, nosso problema, nossa oportunidade de criar o futuro que queremos.
Então mãos à obra!
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Unidade de Conservação: Flexibilizar pra Quem?

Vive-se no Brasil um momento de alerta para os atores envolvidos com a preservação ambiental. Durante décadas, falava-se que a legislação brasileira era avançada na questão ambiental, mas havia um abismo entre previsão e prática.
Porém, observa-se atualmente um movimento de flexibilização da estrutura jurídica ambiental classificada pelo professor Rogério Rocco [1] como fase retrô por caminhar na contramão de um sistema erguido desde a Política Nacional do Meio Ambiente (Lei nº 6.938/81) e consolidada através da Constituição de 1988.
Como exemplo, cita-se, aqui, o Projeto de Lei nº 3682/2011 da Câmara Federal e a Proposta de Emenda Constitucional nº 72/2011 que buscam formas de desnaturar um dos importantes instrumentos de proteção ao meio ambiente: as Unidades de Conservação.
Espécie de espaços especialmente protegidos, as Unidades de Conservação possuem base constitucional no art. 225, III e foram delimitadas pela Lei nº 9.985/2000.

Autossustentável: Parque Yellowstone
Parque Nacional Yellowstone
Como registro histórico, sabe-se que o conceito moderno de Unidade de Conservação remonta ao Parque Yellowstone criado em 1872 nos Estados Unidos da América. No Brasil, a Reserva Florestal do Acre de 1911 pode ser dada como uma das primeiras referências. Curioso, aliás, reler o preâmbulo da norma instituidora desse espaço protegido, na medida em que a distância do tempo não impede a semelhança com a realidade atual. Segue a transcrição:
“O Presidente da República dos Estados Unidos do Brasil, atendendo a que a devastação desordenada das matas está produzindo em todo o país efeitos sensíveis e desastrosos, salientando-se entre eles alterações na constituição climatérica de várias zonas e no regímen das águas pluviais e das correntes que delas dependem; e reconhecendo que é da maior e mais urgente necessidade impedir que tal estado de cousa se estenda ao Território do Acre, mesmo por tratar-se de região onde como igualmente em toda a Amazônia, há necessidade de proteger e assegurar a navegação fluvial e, consequentemente, de obstar que sofra modificação o regímen hidrográfico respectivo [2].”
Mediante falso discurso de contraposição de desenvolvimento, agricultura e preservação ambiental, o Projeto de Lei nº 3682/2011 da Câmara Federal propõe alterar a legislação para permitir a prática de mineração em 10% da área de Unidades de Conservação.
Noutra via, a Proposta de Emenda Constitucional nº. 72/2011 pretende de forma silenciosa restringir ou até mesmo impedir a cr
iação de novas Unidades de Conservação. Isso porque subtrai a possibilidade de instituição dessas áreas por normas elaboradas pelo Poder Executivo, na medida em que alteraria a Constituição para exigência de lei. De forma ardilosa, levanta-se a bandeira de maior participação da sociedade através de seus representantes no processo legislativo em contraponto aos Decretos que comumente são os modelos adotados para essa criação.
Cumpre salientar que as Unidades de Conservação atualmente podem ser criadas por “ato do Poder Público”, ou seja, a via legal já é uma possibilidade. Desse modo, a tentativa é de frear a criação de novos espaços, pois basta uma rápida pesquisa para contabilizar o número ínfimo de instituições através de lei específica.

Organizados, parlamentares formaram uma Frente Parlamentar em Defesa das populações atingidas por áreas protegidas composta por 196 Deputados Federais para o desenvolvimento de outros projetos legislativos como os apresentados. Na verdade, sugeriria que o bloco fosse chamado de Frente Parlamentar de Flexibilização de áreas protegidas. Mais honesto, talvez.

[1] ROCCO, Rogério. História da Legislação Ambiental Brasileira: um Passeio pela Legislação, pelo Direito Ambiental e por assuntos correlatos. Curso de Direito Ambiental. Coordenação: AHMED, Flávio e COUTINHO, Ronaldo. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2012.
[2] Decreto nº. 8.843 do dia 26 de julho de 1911

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A Moda que Parece e A Moda que é Sustentável

A temática da sustentabilidade está presente nos mais variados discursos e meios de comunicação, o que tem levado as empresas a buscarem soluções tanto na cadeia de produção, quanto na gestão de seus negócios, de forma a se adaptar às questões de desenvolvimento sustentável (DALMORO et al, 2009). A responsabilidade ambiental é cada vez mais valorizada pelo consumidor e incorporada às empresas de diferentes setores, inclusive o de moda, e, no tocante ao discurso ecológico, essas empresas tem utilizado estratégias de marketing para se posicionarem diante do consumidor.
Existe um conceito chamado marketing verde que, de acordo com Dalmoro et al (2009), caracteriza-se por atividades que facilitam a comercialização de bens ou serviços, visando satisfazer necessidades ou desejos do consumidor (inerentes ao conceito de marketing), porém, com menor impacto ambiental na cadeia. Isso se dá através da modificação da matéria-prima utilizada nos produtos, nas embalagens, em novos processos e canais de distribuição, entre outros fatores da cadeia produtiva de moda, que minimizam seus impactos no meio ambiente.

Kotler (1995) sugere que o marketing verde aparece quando as empresas consideram a questão ambiental passando a desenvolver seus bens ou serviços de acordo com critérios ecológicos. O conceito teve um avanço em função da importância e dimensão que o meio ambiente passou a ocupar nos discursos sociais, governamentais e empresariais, e “tem como finalidade orientar, educar e criar desejos e necessidades nos consumidores visando atingir os objetivos de comercialização das organizações pelo aumento do consumo com um menor impacto ambiental” (KOTLER, 1995). Percebe-se aqui uma contradição, já que a sustentabilidade propõe a redução no consumo, no entanto, isso ainda deve passar por uma mudança cultural maior, como defendem Manzini e Vezzoli (2005).

Para algumas pessoas, falar em marketing verde dá a conotação de publicidade de produtos que remetem ao ecológico, geralmente associado a conceitos como “reciclado”, “rústico”, “artesanal”, “que não polui”, e que talvez nem o sejam. Na realidade, marketing verde vai além dessa percepção, mas reconhece-se que há quem se utilize dessa ferramenta apenas como apelo de imagem de marca, sem, de fato, investir em mudanças na cadeia de produção (considerando todas as etapas, desde a seleção de matéria-prima até o descarte final) que fundamentem e justifiquem o posicionamento sustentável. Segundo Pereira et al (2012), a atenção destinada pela sociedade à questão ambiental criou uma oportunidade para ganho de vantagem competitiva pelas empresas e, por isso, muitas delas têm apostado nesse posicionamento. Para estes autores, as empresas que não adotarem práticas ambientais estão se arriscando a criar uma imagem negativa perante o consumidor.

A literatura, e a própria observação das tendências comportamentais, sugerem que o consumidor está mais consciente, só que, no tocante à moda, sabe-se que, justamente pela característica efêmera, de mudanças, e de ser movida pelo desejo por novidades, essa consciência ecológica não parece tão evidente. Pelo menos não na maioria do público consumidor de moda, e sim, em um nicho menor. Aliás, chama-se a atenção para a contradição entre os conceitos de moda e sustentabilidade (Moda e Sustentabilidade: Um Paradoxo).
Como falar em moda sustentável se moda implica em ritmo (produção, consumo e descarte) acelerado, muitas vezes as custas da exploração de mão-de-obra barata, e de recursos ambientais naturais não renováveis (LEE, 2009); enquanto sustentabilidade sugere o prolongamento do ciclo de vida dos produtos, durabilidade, valorização do trabalho e preocupação ambiental? É uma questão para se pensar, talvez esses dois termos não possam caminhar juntos. Entretanto, para fins de caracterizar uma moda mais consciente, podemos, pelo menos por enquanto, seguir falando em moda sustentável. Retomando a questão de um nicho menor de consumidor de moda consciente, conforme previsões e macrotendências isso
tende a se alterar, levando a mudança de comportamento o que tornará os consumidores mais adeptos da moda consciente. Se não for pela vontade, será pela necessidade (MANZINI; VEZZOLI, 2005).
Nesse contexto, os atributos ecológicos tendem a agregar valor aos produtos, construindo uma imagem de marca responsável frente ao consumidor, que passa a ser seduzido pela mesma.  Assim, é possível estabelecer uma vantagem competitiva em relação a empresas que não adotam práticas ambientais. No entanto, ser uma marca de moda sustentável, pelo viés ambiental, pressupõe que os produtos ou serviços ecológicos atendam a alguns critérios, como: seleção de recursos com baixo impacto ambiental (tanto materiais quanto fontes de energia), seleção de recursos naturais renováveis (matéria-prima e energia), recursos biodegradáveis; gerenciamento do lixo, considerando a reciclagem de materiais (pensar na facilidade de separação de materiais compatíveis entre si), e reaproveitamento; pensar na durabilidade do produto, versatilidade, facilidade de reparo e manutenção, e por último, pensar no descarte correto.
Em síntese, a questão do ciclo de vida do produto é fundamental, ou seja, considerar todas as etapas e o que se pode fazer para minimizar impactos em cada uma delas. (VEZZOLI, 2010) Quando as empresas de moda, e outros setores, investem nessa cadeia produtiva diferenciada, considerando a premissa ambiental e aplicando as práticas descritas, podemos dizer que ela é sustentável.
Mas, de que forma o consumidor fica sabendo disso? Sabe-se que existem estratégias de comunicação para informar o posicionamento da empresa e imagem de marca, e, no caso das empresas sustentáveis, as estratégias costumam ser aquelas que evidenciam os atributos dos produtos ou serviços.
Para Ottman (1998), mais do que anúncios vinculados a apelos ecológicos em termos de imagem e conceito, as empresas precisam informar a performance e qualidade desses produtos, bem como ser transparentes quanto aos processos e materiais envolvidos. É fundamental disponibilizar informações confiáveis sobre o produto e seus atributos ambientais, e com uma linguagem clara e simplificada para que o consumidor entenda. Inclusive, Ottman argumenta que um número maior de consumidores, e não somente os adeptos do consumo verde, pode sentir-se atraído por estes produtos, quando o enfoque for desempenho, conveniência e outros benefícios palpáveis.

Confira algumas empresas de moda que repensaram sua cadeia produtiva e se posicionaram como sustentáveis, elas se comunicam com recursos de marketing verde. Empresas que são, e não apenas parecem:

ENVIDO
A Envido promove a aproximação entre designers e as empresas de diferentes segmentos com foco na sustentabilidade. O objetivo é criação de produtos através de uma cadeia produtiva forte baseada no reaproveitamento de materiais e nas causas sociais. A Envido também realiza pesquisas e desenvolvimento de têxteis e fios. Todos orgânicos e biodegradáveis. Para conhecer a Envido clique aqui.
Autossustentável: ENVIDOAutossustentável: ENVIDO
Autossustentável: ENVIDO
INSECTA SHOES
Sapatos veganos e artesanais feitos com a reutilização de peças de roupas vintage. Eco-friendly, colecionável e mutante. Para saber mais sobre a Insecta Shoes clique aqui.

Autossustentável: Insecta Shoes

Autossustentável: Insecta Shoes

FLAVIA ARANHA
Modelagens atemporais, tecidos de algodão puro e tingimento com corantes naturais estão presentes em todas as coleções. Desenvolve suas coleções com a mesma sutileza com que troca experiências com as comunidades que visita, para compor suas referências, inspirações e parcerias. Destas comunidades que produzem diversos tipos de matéria-prima que Flavia usa em suas peças, ela quer resgatar um trabalho artesanal que se perdeu no tempo e na vida das pessoas, através de reinvenções, buscando uma nova valoração da brasilidade. Flavia se destaca por proporcionar aos clientes produtos que se inserem no seu estilo de vida. Para saber mais sobre o trabalho desenvolvido por Flavia Aranha clique aqui.

Autossustentável: Flavia Aranha
Contudo, existem empresas que se utilizam de ferramentas de comunicação, com o intuito de fazer a marca parecer sustentável. Desta maneira, fica confuso para o consumidor quais são as empresas que realmente investem em produção com preocupação ambiental, e quais apenas parecem preocupar-se, uma vez que passam essa ideia ao utilizarem estratégias de comunicação que mais vendem um estilo de vida do que sustentabilidade de fato. Não se afirma aqui que as empresas que usam recursos de comunicação, ou outros, com “cara de ecológico” estejam querendo se passar por sustentável propositalmente.  A intenção pode ser vender um “lifestyle” como, por exemplo, andar mais de bicicleta e menos de carro, fotografar editoriais em meio à natureza enfatizando que se tenha mais contato com esta. E isso pode confundir o consumidor.
Por isso, Ottman (1998) ressalta a importância de buscar comprovação das atividades ecologicamente corretas. A informação deve ser transparente em todas as etapas do processo produtivo, evidenciando os componentes do produto, as vantagens daquela atividade produtiva, como se deu a distribuição e que impacto gerou, e de que maneira a empresa está fazendo sua parte na questão ambiental, através de suas ações.
Empresas de moda com uma postura ecologicamente correta, interessadas em desenvolver produtos que respeitem o consumo consciente e que, de fato, transmitam isso de maneira transparente para o consumidor, terão vantagem competitiva no mercado em que estejam inseridas. O consumidor só terá que ser um questionador de quem realmente é sustentável e quem apenas parece ser.
Pereira et al (2012) afirma que o consumidor está mais consciente e apresentando comportamento mais maduro e responsável em relação ao consumo, repensando seus hábitos e escolhas. Mas, estar consciente da questão ambiental não significa ter total conhecimento de materiais e processos, apenas dos impactos negativos da produção. Então, é provável que esse consumidor seja atraído por marcas que se digam ou pareçam sustentáveis, mas não chega a averiguar a informação a fim de comprovar a postura ética da empresa.
Alguns recursos que podem confundir o consumidor:
·   Quando uma marca de moda utiliza estampas de natureza, o símbolo de reciclagem em camisetas, ou mensagens de texto sobre preservação da natureza, etc. Essa comunicação em prol do meio ambiente não significa que as empresas tenham processos ecologicamente corretos, ou que utilizam tais materiais.
·     Embalagens rústicas. Uma embalagem não representa que houve mudança em toda a cadeia, ou que todas as etapas são coerentes com discurso ambiental. E nem sempre o aspecto rústico de um material significa que ele é ecologicamente correto.
É comum os profissionais de marketing relacionarem artigos verdes ao ato de consumo responsável, e a maioria dos consumidores não investiga o histórico da empresa ou informações mais detalhadas. Apenas compra a ideia.
Reforça-se que o presente artigo não está afirmando que todas as marcas de moda que assim se comunicam estejam querendo enganar o consumidor. Algumas, sim, o fazem. Outras, entretanto, utilizam os mesmos recursos de comunicação das empresas com materiais e processos sustentáveis, com o propósito de vender um estilo de vida ligado à natureza, mas que nem por isso se posicionam como marcas ecologicamente corretas. O que se traz à tona, é que isso pode confundir o consumidor entre marcas que parecem e as que realmente são sustentáveis.

Então, consumidor, vá atrás de informação. E repense seu consumo.
Clique aqui para ler outros artigos de Luciana Della Mea
Referências:
DALMORO, Marlon; CARDONA VENTURINI, Jonas y DINIZ PEREIRA, Breno Augusto. Marketing verde: responsabilidade social e ambiental integradas na envolvente de marketing. Revista Brasileira de Gestão de Negócios [en línea] 2009, vol. 11.
KOTLER, Philip. Princípios de marketing. 7ª ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1995.
LEE, M. Eco Chic: o guia de moda ética para a consumidora consciente. São Paulo: Ed. Larousse, 2009
MANZINI, Ezio; VEZZOLI, Carlo . O desenvolvimento de produtos sustentáveis: os requisitos ambientais dos produtos industriais. São Paulo. EDUSP, 2005.
OTTMAN, Jacquelyn. Green marketing: opportunity for inovation. Chicago: NTC BusinessBooks, 1998.
PEREIRA, André Luiz; BOECHAT, Cláudio Bruzzi;
TADEU, Hugo Ferreira Braga; SILVA, Jersone Tasso Moreira; CAMPOS, Paulo Március Silva. Logística Reversa e Sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2012.
VEZZOLI, C. Design de sistemas para a sustentabilidade: teoria, método e ferramentas para o design sustentável de “sistemas de satisfação”/ Carlo Vezzoli. – Salvador : EDUFBA, 2010.

Energia Nuclear: A Energia que Soluciona e o Rejeito Sem Solução – Parte II

A energia que move Angra
Foto: Central Nuclear de Almirante Álvaro Alberto (CNAAA)
Visitando a área externa das obras de Angra 3, percebemos que já está bastante evoluída, sendo que até o momento foram executadas 53% das obras civis. Com início em 2010, a previsão para inicio de operação da usina é 2018. Segundo os técnicos que nos acompanharam, haverá em média cinco mil funcionários trabalhando no pico das obras em Angra 3. As proporções são gigantescas, e todo cuidado é pouco quando se trata da projeção e construção de um reator nuclear. Para que nenhuma etapa se sobreponha a outra, e impeça a continuação da obra, um modelo reduzido foi construído. São tantos detalhes e processos tão precisos que deixaria qualquer engenheiro boquiaberto.

Foto: Usina Nuclear Angra 3

A futura usina será idêntica a de Angra 2. De tecnologia Alemã, esta segunda opera desde 2001, época do famoso apagão no Brasil, e foi de extrema importância para que o cenário não se tornasse ainda pior. Em 2013, a produção de energia elétrica de Angra 1 e Angra 2, representou 2,78% da geração de energia elétrica do Sistema Interligado Nacional (SIN). Com as três usinas em operação, o complexo nuclear de Angra dos Reis será capaz de atender a cerca de 60% da demanda energética do Estado do Rio de Janeiro, se considerarmos os dados de 2013 (Eletrobras, 2014).

Visitamos também a central de operações de Angra 2. Com profissionais altamente qualificados, os técnicos responsáveis pela operação das usinas passam constantemente por treinamentos e testes de toda natureza, estando totalmente preparados para qualquer situação adversa ou de emergência. Por fim, conhecemos o Centro de Gerenciamento de Rejeitos – CGR, e confesso que estava bastante curiosa. Os rejeitos radioativos possuem três classificações: baixo, médio e alto níveis de radiação. A parte em que visitamos recebe os rejeitos de classe baixa, compostos basicamente por materiais ligeiramente contaminados, como roupas, ferramentas, papéis e plásticos. Antes de serem armazenados os rejeitos são compactados por prensas para otimizar o espaço do galpão.
Foto: Usina Nuclear Angra 2
Todo automatizado, o galpão é operado por poucos profissionais, que passam por um rigoroso processo de análise do nível de exposição à radiação, sendo nulo normalmente. O rejeito com maior nível de radiação é o combustível nuclear utilizado para abastecer as usinas. Este fica armazenado em piscinas dentro de cada central nuclear que a produziu. Diversas medições são feitas para garantir que o nível seja mantido abaixo dos padrões internacionais de segurança para os trabalhadores, população e meio ambiente. Em caso de qualquer anormalidade, existe um plano de emergência para proteção da população do entorno. Quanto à destinação final dos rejeitos radioativos, o Brasil ainda não possui um local definido. Desta forma, os de baixa e média classificação poderão ser armazenados nas centrais nucleares até 2020, e depois deverão ser encaminhados a um futuro repositório nacional. O combustível usado é considerado rejeito porque ainda não possuímos técnicas de reciclagem e reprocessamento no país. Este também deverá ser encaminhado para um depósito final.

Foto: Depósito de Rejeitos da Central Nuclear
Como forma de compensação ambiental durante o processo de licenciamento de Angra 3, são realizados diversos investimentos em infraestrutura e atividades voltadas a para saúde, educação, turismo e cultura, meio ambiente, serviços públicos, saneamento, dentre outros, principalmente com as prefeituras municipais de Angra dos Reis, Paraty e Rio Claro. Os investimentos vão desde construção de creches, melhorias na qualidade de ensino, conservação da estrada, compra de equipamentos hospitalares, dentre outros. Serão aplicados recursos para o beneficiamento e reciclagem dos resíduos gerados nas obras de Angra 3, em área previamente selecionada. Bem como apoio a estruturação e implantação da cooperativa de catadores de materiais recicláveis de Paraty, que será responsável pela triagem dos materiais recebidos da coleta seletiva do município.
O Brasil possui uma das maiores reservas de urânio do mundo, na mina de Caetité, localizada na Bahia, e o metal não possui outro uso industrial que não seja para combustível nuclear. As reservas existentes no Brasil são suficientes para o suprimento de Angra 1, Angra 2 e Angra 3 por 100 anos. Este fato, aliado com a possibilidade de extensão de vida útil das usinas se torna uma grande vantagem na questão de segurança energética. Os impactos da exploração do urânio são os mesmos causados pelas atividades de mineração, se diferenciando no tratamento dos rejeitos radioativos.
Assim como as termelétricas, a energia nuclear é uma fonte não renovável, porém, não emite Gases de Efeito Estufa – GEE. Acredito que o ponto mais crítico neste processo é a falta de gerenciamento do Brasil quanto à destinação final dos rejeitos radiativos, tendo em vista que os de alta radiatividade podem durar centenas de anos. Devemos avançar com prioridade e urgência no projeto de definição do local do repositório nacional, de modo a garantir que os rejeitos continuem a ser guardados de forma segura.
Apesar dos desafios enfrentados na geração de energia nuclear, as atuais Angra 1, 2 e futura Angra 3, são alternativas que no cenário atual são indispensáveis para o sistema integrado nacional de distribuição de energia. Especialmente por estarem próximas aos principais centros consumidores do sudeste do país. Necessitamos da geração de energia para o continuo progresso e desenvolvimento do país, e assim como qualquer atividade, gera resíduos e rejeitos. No momento, a empresa atua da melhor forma para maximizar os pontos positivos da geração de energia e minimizar seus impactos negativos gerados pela sua atividade.

Confira o funcionamento de uma usina nuclear PWR:
  • A fissão dos átomos de urânio dentro das varetas do elemento combustível aquece a água que passa pelo reator a uma temperatura de 320 graus Celsius. Para que não entre em ebulição – o que ocorreria normalmente aos 100 graus Celsius -, esta água é mantida sob uma pressão 157 vezes maior que a pressão atmosférica.
  • O gerador de vapor realiza uma troca de calor entre as águas deste primeiro circuito e a do circuito secundário, que são independentes entre si. Com essa troca de calor, a água do circuito secundário se transforma em vapor e movimenta a turbina – a uma velocidade de 1.800 rpm – que, por sua vez, aciona o gerador elétrico.
  • Esse vapor, depois de mover a turbina, passa por um condensador, onde é refrigerado pela água do mar, trazida por um terceiro circuito independente. A existência desses três circuitos impede o contato da água que passa pelo reator com a dos demais.
  • Uma usina nuclear oferece elevado grau de proteção, pois funciona com sistemas de segurança redundantes e independentes (quando somente um é necessário).
Clique aqui para ler outros artigos de Aline Lazzarotto

Pequeno poema sobre a crise hídrica: ÁGUA BENTA

Eu, à esquerda, mandando um ‘vlws, flws’ abençoado por Deus no rio Formoso,
Parque Nacional das Emas. Foto:
 Gabriela Magalhães

E Deus disse: faça-se a luz
e disse também, faça-se a Amazônia

Deus deu a luz
e a maior floresta do mundo.

E nela Deus deu o rio Amazonas,
o rio Negro,
o Tapajós, o Xingu
e mais um punhado dos maiores rios do mundo.
Deus também dá o Cerrado, a savana mais rica do mundo.
E com o cerrado, Deus dá o Velho Chico!
o Tocantins, o Paraná, o Araguaia
e outro punhado dos maiores rios do mundo.

Deus deu pro Brasil 13% de toda a água deste pequeno planeta.

Junto com os rios, Deus dá as matas que os protegem.
Dá também as matas que protegem as encostas, os topos de morro e as nascentes.
Deus dá todas as outras APPs.

Mas é pouco.

Deus resolve dar um Oceano inteiro,
e um Sol, capaz de dar asas à água do mar,
que agora voa pro continente.

Pra garantir, dá também a mais extensa Cordilheira do mundo.
E os Andes barram a água.
Mandam tudo pro sudeste.
E Deus dá mais montanha
dá o Espinhaço,
e dá a Mantiqueira.
Faz a água jorrar como numa torneira.

Alguns bilhões de anos depois, chega o homem.
E em menos de 200 anos, o homem
faz da soja sua mata ciliar
faz do pasto os seus morros
e as outras APPs.
Minera suas nascentes.

O homem pega o minério…
… e manda embora com a água que sobrou.

Tampa os rios com avenidas,
joga agrotóxico de avião
Constrói cidades nas várzeas…
… usa as outras de lixão.

O homem ainda sabe reciclar.
Aduba o solo com os restos
dos índios, ribeirinhos e pobres,
faz crescer trator, soja transgênica e muita tração nas quatro.

E o homem ainda gosta de mata.
Mata o rio São Francisco.
Mata também o Paraná.
Barra o Xingu,
o Teles Pires, o Madeira, o Tocantins.
o Tapajós, meu Deus do céu…
O PAC 2 quer mais 54.
(Cinquenta
e
quatro.)

O governador acha as eleições mais importantes,
o Congresso não faz a menor ideia.
O Aécio tá em coma.

Dona Dilma, estudiosa que é,
com seus futuros ministros, Kátia e Aldo,
resolve que não precisa mais de tanta APP,
nem de terra indígena,
nem de reserva legal,
nem de unidade de conservação,

nem de cumprir promessa de campanha.
Não foi ela que escreveu.

Mas o céu não manda mais chuva.
As barragens já secaram,
a água virou leite,
jajá vai virar vinho.
O Lula tá curtindo.
Seria Jesus?

o povo tá nas ruas,
as donas de casa estão pondo fogo em prefeitura,
e a polícia do Alckmin mal consegue acalmá-las com seus canhões de água.

A Ministra do Meio Ambiente está preocupada,
e logo interrompe seus afazeres,
distraída, esqueceu a mina Apolo do lado de fora do Parque Nacional do Gandarela,
enquanto implorava que as pessoas fechassem as torneiras ao escovar os dentes.

mas Eduardo Braga não,
esse não chegou ali atoa.
Do escurinho do cinema,
o Ministro de Minas e Energia sabe bem de quem é a culpa:

Deus há de mandar a chuva pra cá,
afinal de contas, Deus é brasileiro,
Ele não faria essa maldade com o povo.


Clique aqui para ler outros artigos de André Aroeira

Tenha uma horta na sua casa!

 
Já pensou que delícia ter sempre alimentos e temperos fresquinhos disponíveis a hora que você quiser? Pois saiba que não é difícil ter uma horta em casa. Com apenas algumas dicas você já pode começar a sua!
 
1- Você vai precisar de alguns utensílios básicos:
  • Pá: para abrir os buracos na terra.
  • Tesoura: para podar as suas plantas.
  • Luvas: para evitar pegar doenças, encostar em fungos ou pragas, ou até mesmo se machucar em espinhos.
  • Palitos de churrasco: para apoiar as mudinhas que estão crescendo.
  • Fechos de embalagens como as de pão de forma: para prender as mudas nos palitos.
2 – Como preparar o solo:
Simples! Misture uma parte de terra e outra parte de composto orgânico ou húmus de minhoca (espécie de “vitamina” para a planta). Cave buraquinhos com a distância indicada para cada espécie de planta. Se estiver fazendo sua horta em vasos, coloque pedras ou cacos de cerâmica no fundo, para que a água escoe mais facilmente.
3 – Plante o que desejar:
Para ter sucesso você precisa respeitar o calendário de plantio (verifique a época recomendada para cada hortaliça). E não deixe as plantas em lugar escuro. Quanto menos luz tiver o local, mais perto das janelas as plantas devem ser colocadas.
4 – Não se esqueça de regar:
Não sabe a frequência? Use o “dedômetro”! Se a terra não estiver seca, deixe o regador no armário. Planta encharcada fica fraca e propensa a ter doenças, como fungos. Pratinhos embaixo de vasos podem ser dispensados.

5 – Aposte em repelentes naturais:

Inseticidas também matam os bichinhos do bem. Matar as lagartas vai acabar com as borboletas. Além das opções orgânicas, você pode plantar cravo-de-defunto. Outro modo de afastar pragas é atrair passarinhos.
Gostou das dicas? Você pode plantar diversos tipos de hortaliças, como manjericão, hortelã, cidreira e até ousar mais e arriscar um tomate, rúcula, etc. Monte sua hortinha e conte aqui nos comentários como ela ficou.


Fonte: Saber para Crescer

Férias, Trilhas e Natureza: Reserva Natural Salto Morato

Se você não sabe para onde ir ou o que fazer nas férias de inicio de ano ou nos finais de semana, convidamos para explorar as belas e incríveis trilhas da Reserva Natural Salto Morato, no Paraná, criada pela Fundação Grupo Boticário.

A reserva, aberta ao público, conta com duas trilhas. A primeira delas, Trilha da Figueira, leva até uma imponente árvore centenária que abriga diversas espécies de plantas e animais. Já a segunda, Trilha do Salto, termina ao pé do Salto Morato, uma cachoeira com aproximadamente 100 metros de altura que dá nome à reserva. No caminho, o visitante ainda passa por um aquário natural onde é possível nadar com os peixes.

Se você não se programou ou ainda não tem nada planejado para as suas férias, combine com sua família e amigos e dê um pulo nesse incrível destino!!

Convidamos támbem os nossos leitores a assistirem ao último vídeo da série “Na Mata”, preparada pela Fundação em conjunto com o biólogo Reuber Brandão. Neste vídeo, o biólogo mostra um grande truque para monitoramento da fauna local. Ficou curioso? Aperte o play!

Assista aos vídeos da série “Na Mata” pelo canal do Youtube e na página da Fundação no Facebook.
A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
A Fundação Grupo Boticário é uma instituição sem fins lucrativos que, desde 1990, empreende esforços para conservar a natureza no Brasil. A Fundação apoia iniciativas de outras organizações em todo o país, investe em estratégias inovadoras de conservação como o pagamento por serviços ambientais e ainda realiza ações de sensibilização da sociedade para a causa.

Desde a sua criação, já apoiou 1.417 iniciativas de 481 instituições de todo o país e mantém duas unidades de conservação, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, somando mais de 11 mil hectares de áreas protegidas nos dois biomas mais ameaçados do país.

Energia Nuclear: A Energia que Soluciona e o Rejeito Sem Solução – Parte I

O AUTOSSUSTENTÁVEL foi convidado a realizar uma visita à Central Nuclear de Almirante Álvaro Alberto (CNAAA), localizada na praia de Itaorna em Angra dos Reis. Com muita satisfação e gratidão pude representar a Rede Autossustentável, e gostaria de dividir esta experiência e opinião a respeito do assunto. A energia é tema constante nas discussões de desenvolvimento sustentável e uso eficiente dos recursos naturais. Acredito que o momento é oportuno para a discussão quanto aos desafios e oportunidades da geração de energia nuclear, tendo em vista o atual cenário de escassez hídrica e necessidade de utilização de diferentes fontes de energia.
Autossustentável: Blogueiros e outras mídias visitando a Central Nuclear
  
A Energia que Move o Brasil e o Mundo
Segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética – EPE, estima-se um crescimento no consumo de energia elétrica no Brasil de 4,3% ao ano até 2023 (Agencia Brasil, 2014). Nossa matriz energética é composta basicamente de geração hidráulica, e vivemos um momento crítico histórico, de total atenção e necessidade de inclusão urgente de fontes alternativas de geração de energia. São calorosos e muito discutidos os entraves nos processos de licenciamento ambiental de novas usinas hidrelétricas e linhas de transmissão, tendo em vista todas as questões socioambientais em torno dos reservatórios, e da distância dos grandes centros urbanos para distribuição de energia.

As demais fontes de energia no Brasil são basicamente provenientes da queima de carvão, óleo combustível ou gás natural, através das usinas termelétricas. Vale lembrar que elas estão a todo vapor desde o inicio do ano, devido ao baixo nível dos reservatórios. Muito se discute sobre as desvantagens desta fonte de geração de energia, principalmente no que tange aos impactos ambientais de poluição e impactos sociais nas comunidades do entorno. Porém, a possibilidade de construção próxima aos centros urbanos reduz os custos com as linhas de transmissão, tornando as usinas térmicas mais competitivas e atraentes (Ambiente Brasil, 2014).

Autossustentável: Percentual de geração de energia por tipo
Fonte: Eletronuclear, 2014
Contudo, não só de abundância hídrica nosso país é conhecido. Nosso clima favorece a utilização de energia através das usinas eólicas e solares. Enormes são as suas vantagens, dentre elas a não geração de gases do efeito estufa e resíduos, e fonte inesgotável de energia.  Infelizmente, este tipo de geração de energia mais sustentável ainda é pouco explorado no Brasil. Talvez pelos altos custos de aquisição dos equipamentos como aerogeradores e painéis solares, ou da necessidade de construção de longas linhas de transmissão para interligar ao sistema nacional. As desvantagens dessas usinas são os impactos na paisagem, e impactos sobre as aves locais ainda pouco conhecidos, como, por exemplo, os choques com as gigantes pás dos parques eólicos.
Se compararmos a produção de energia elétrica no Brasil com a produção mundial, é possível entender porque ainda assim o país está bem posicionado no que tange ao uso eficiente dos recursos naturais na geração de energia, tendo em vista que a matriz energética mundial é composta por 40,6% de carvão, 22,2% gás, e em seguida a hidro com 16%. A participação de energia n
uclear é muito pequena no Brasil, em torno de 3%. Já no cenário mundial, esta porcentagem é considerável, chegando a quase 13%, seguida da geração a carvão, gás e hidro (Eletrobras, 2014).

Autossustentável: Produção de energia mundial por tipo
Fonte: Eletronuclear, 2014.
Existem mais de 400 usinas nucleares em operação no mundo, e ainda percebemos certo receio e misticismo em torno da geração nuclear de energia, principalmente, na percepção de riscos atrelados aos acidentes ocorridos (Three Mile Island, nos Estados Unidos em 1979, Usina Nuclear de Chernobil, em 1986 e Central Nuclear de Fukushima, em 2011). Por outro lado, grandes ambientalistas como Lester Brown, discorrem quanto à eficiência econômica das usinas nucleares, tendo em vista os custos com os resíduos radioativos e seguros contra acidentes (Revista Eco21, 2014).


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#eucompenso – Eu reduzo e compenso meu CO2 para o futuro

Pensar no futuro do planeta exige ações imediatas, através de mudanças no nosso dia a dia. Só assim, nosso (e principalmente dos nossos filhos) acesso aos recursos naturais, fundamentais à nossa sobrevivência, estarão garantidos.

E como fazer isso? Bem, transformar essa realidade AINDA É POSSÍVEL! E sabe como? Nós, do Autossustentável, fomos convidados a conhecer uma ferramenta incrível que oferece essa possibilidade, através de dicas sobre como promover pequenas mudanças no nosso comportamento e, principalmente, nos estimula a reduzir e a compensar CO2 para o benefício da natureza.

Vocês conhecem a história da hashtag #eucompenso? Não? Então vamos lhe contar!
O Programa Reduza e Compense CO2 é uma iniciativa do Banco Santander que ajuda na promoção de uma economia mais verde e ajuda você a conhecer e reduzir seu impacto ambiental. Através do programa você recebe dicas de redução para o dia a dia, calcula suas emissões anuais, além de compensar comprando créditos de carbono de projetos que reduzem as emissões e geram outros benefícios sociais e ambientais.
Com a ferramenta de cálculo, disponibilizada no site, você confere quanto carbono precisa compensar. E usá-la é super simples, basta preencher as informações sobre uso de carro e/ou transporte público, viagens de avião, descarte de resíduos e gastos com combustíveis e eletricidade; e a ferramenta irá calcular suas emissões anuais de carbono. O pagamento é feito através do PagSeguro, o que significa que mesmo que você ainda não seja cliente Santander, você utilizar a ferramenta e fazer seus cálculos!
O objetivo é facilitar e incentivar a redução e a compensação de emissões, estimulando a participação de toda a sociedade na minimização dos impactos das mudanças climáticas; e ainda viabilizar projetos de pequenas e médias empresas que comprovadamente geram benefícios sociais e ambientais. Além de estimular a demanda por créditos de carbono, por meio da criação de um mercado de ativos ambi
entais no Brasil.
A seleção dos projetos de compensação apoiados pelo Programa Reduza e Compense CO2 se baseia em padrões, internacionalmente reconhecidos, que avaliam a capacidade da iniciativa de gerar reduções efetivas de gases estufa e em suas demais contribuições para a implementação do desenvolvimento sustentável.
Assim, ao comprar crédito de carbono desses projetos, você está adquirindo um crédito com qualidade e também promovendo o desenvolvimento das comunidades e do ambiente onde eles estão localizados. Além, é claro, de estar estimulando o mercado de carbono no nosso país.
Projetos apoiados pelo Santander em 2014: Projeto Florestal Santa Maria, Cerâmica Irmãos Fredi, Cerâmica Menegalli e Cerâmicas Guaraí, Itabira e Santa Izabel.
Mas e a hashtag #eucompenso? Bem, é o seguinte: o pessoal do Santander criou a hashtag #eucompenso e toda vez que alguém postá-la, independente do conteúdo do post, o banco vai compensar as emissões de carbono dos tweets, dos posts no Facebook e do Instagram até atingir 100 bilhões de menções. Quem topa?
Agora você também pode fazer a sua parte para reduzir as mudanças climáticas!
Quer saber mais?
Acesse o site: http://migre.me/nws2C
E conheça os vídeos explicativos:
·         http://youtu.be/K5ROD4kP1LM