Conheça 7 materiais e tecnologias sustentáveis para sua reforma

É possível ter uma casa com práticas sustentáveis para ajudar o meio ambiente e gerar economia

Englobar economia, sociabilidade e práticas ambientais está se tornando algo cada vez mais importante na vida das pessoas. Se você acha que a reforma da sua casa é uma oportunidade para fazer escolhas mais sustentáveis, essa dica é pra você. E o melhor, tem opções para todos os bolsos.
Existem diversas formas de praticar a sustentabilidade dentro de casa e de forma barata e rápida. Dicas como reciclagem e economia de água já está mais do que clara na cabeça das pessoas e devem ser práticas rotineiras.

Mas, a sustentabilidade não para por aí. Outras coisas, um pouco mais complexas, podem fazer com que os hábitos de sua vida mudem. Separamos uma lista de materiais e tecnologias sustentáveis que você pode aplicar na sua próxima reforma. 

Telhado verde

Autossustentável: Telhado verde permite a criação de horta orgânica no próprio telhado com hortaliças, suculentas, grama amendoim, rabo de gato, entre outras
Telhado verde permite a criação de horta orgânica no próprio telhado com hortaliças, suculentas, grama amendoim, rabo de gato, entre outras
É um tipo de cobertura sobre o teto de casas e edifícios feita com plantas. Em geral, são usadas plantas pequenas, que precisam apenas de uma estreita camada de terra, como suculentas ou hortaliças, mas, dependendo da estrutura da laje é possível até ter um pequeno pomar. Para se fazer um teto verde, é preciso cuidado com impermeabilização da laje e com a drenagem da água.

O serviço de empresas especializadas custa em torno de R$150,00/m², mas elas terão cuidado com o peso que a laje pode suportar (lembrando que haverá terra, água e plantas sobre ela) e a impermeabilização adequada para que não ocorram infiltrações pelo teto, que vai ficar cheio de água. Além da diversão de usar uma área verde, ele gera conforto térmico e acústico da casa e contribui pra diminuir a poluição ambiental e aumentar a umidade do ar. 

Captação e reuso de água de chuva

Autossustentável: Projeto de baixo custo permite a criação de uma cisterna própria em casa
Projeto de baixo custo permite a criação de uma cisterna própria em casa

A ideia aqui é simples, criar um sistema que coleta e armazena a água da chuva e que permita que ela seja usada para situações que não requerem água potável, como regar o jardim, lavar o quintal ou para a descarga do banheiro, por exemplo.

Os fatores importantes neste caso são: saber dimensionar a quantidade de água que provavelmente cai sobre sua casa – para poder prever a tubulação que vai transportar essa água e o tamanho da cisterna em que ela ficará armazenada – um sistema para filtrar essa água e a forma de fazê-la ficar disponível pra você reusar.

Você pode ter um sistema mais complexo, feito por engenheiros ou técnicos especializados, em que a água é conduzida e bombeada para a tubulação que fica nas paredes da casa, mas você também pode optar por um sistema bem simples e barato, em que a água que cai no telhado é conduzida por uma calha até um reservatório pequeno com uma mangueira acoplada e fica lá guardada pra quando você precisar usar. Dá pra começar com um investimento de R$250,00.
Lâmpadas LED

Autossustentável: Troque a lâmpada convencional pela de LED e ganhe em economia
Troque a lâmpada convencional pela de LED e ganhe em economia

Elas são feitas com um dispositivo eletrônico que precisa de muito menos energia para gerar luz. Além de consumir menos energia, elas também têm vida útil 40 vezes maior do que as lâmpadas incandescentes comuns. Hoje em dia elas usam o mesmo soquete que as lâmpadas incandescentes e as fluorescentes (ou frias), então são bem fáceis substituir.

Uma lâmpada LED custa cerca de R$ 40, mas a diferença de preço é compensada no longo prazo e na economia de energia.
Tinta ecológica
Autossustentável: Tinta ecológica é apropriada para quem tem algum tipo de alergia
Tinta ecológica é apropriada para quem tem algum tipo de alergia
Essas tintas são feitas com matérias-primas naturais, sem componentes sintéticos ou insumos derivados de petróleo. E podem ser de três tipos: minerais, vegetais e com insumos animais. Geralmente são livres de VOC (Compostos Orgânicos Voláteis), eliminando o impacto negativo na qualidade do ar e não agredindo a camada de ozônio.

Por serem mais naturais são muito usadas em ambientes com pessoas que tem alergias e também são recomendadas para hospitais, restaurantes e quartos de criança. A diferença de preço com relação às tintas convencionais é pequena.
Compostagem
Autossustentável: Compostagem ajuda a diminuir a quantidade de lixo nos aterros e permite ainda a produção de um adubo forte
Compostagem ajuda a diminuir a quantidade de lixo nos aterros e permite ainda a produção de um adubo forte

Este é um processo para aproveitar resíduos orgânicos (cascas e restos de frutas, verduras e legumes, podas de plantas, etc) e transformá-los em adubo. Em vez de desperdiçar todos esses nutrientes e mandar para o aterro sanitário ou para o lixão, ele pode ser usado para fazer um composto rico que pode ser usado como adubo.

Não deixa cheiro e é simples de manejar. Só de curiosidade, 50% do ‘lixo’ gerado por uma pessoa poderia ser compostado. Você pode comprar um minhocário, que é um conjunto de 3 caixas onde são colocados os resíduos e minhocas fazem o trabalho de transformá-los em composto. Uma composteira doméstica precisa de uma área de 1 m² na sombra e custa cerca de R$ 180,00.
Energia solar

Autossustentável: Apesar do alto custo, o benefício da energia solar é muito bom
Apesar do alto custo, o benefício da energia solar é muito bom

A energia solar é uma fonte abundantee de baixo impacto ambiental. E é uma alternativa para você produzir sua própria energia. Para isso, é preciso instalar painéis solares que são placas capazes de transformar a energia do sol em energia elétrica. Uma casa que consome 500kWh/mês precisaria de cerca de 20 painéis de 240 Wp.

Esses painéis ocupam mais ou menos 35m², e ter a área disponível também é importante. Eles podem ser instalados sobre o telhado ou cobertura da garagem, por exemplo. Um engenheiro saberá avaliar corretamente. A questão é o custo. Neste exemplo de uma família que consome 500 kWh/mês, os painéis custam o equivalente a 10 anos de conta de luz. Ou seja, você faz um investimento inicial que vai demorar 10 anos pra se pagar, mas vai continuar durando por mais quinze depois disso. Vale muito a pena.
Vaso sanitário com duplo acionamento

Duplo acionamento na descarga economiza muitos litros de água

O duplo acionamento é um sistema que possibilita usar a descarga com opção para 3 ou 6 litros, ao invés de apenas um sifão, como nas descargas comuns.

Este vaso possui uma caixa com dois compartimentos, que podem ser acionados juntos ou separadamente. Este dispositivo com dois botões possibilita a utilização da água de acordo com a necessidade específica de cada um, proporcionando uma economia de mais de 60% no consumo de água. A caixa de descarga com acionamento duplo custa em torno de R$ 250,00.

Texto produzido por: http://www.100pepinos.com.br

Que tal conhecer a Reserva Natural Salto Morato e ainda aprender sobre trilhas?

Salto Morato - Foto: José Paiva / Acervo Fundação
Salto Morato – Foto: José Paiva / Acervo Fundação
Promover o ECOTURISMO, de forma consciente e responsável, incentivando a conservação do patrimônio natural e garantindo o bem-estar da população local e a consciência ambiental tem sido um grande desafio. Pensando nisso, a Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza preparou uma série de vídeos gravados na Reserva Natural Salto Morato, que proporciona momentos únicos junto à natureza.

A série “Na Mata” apresenta, em 6 vídeos, algumas dicas de como aproveitar esse espaço, aberto à visitação desde 1996, e mostra as belezas e principais características da região, além de dar dicas super legais de como aproveitar melhor uma caminhada em uma área natural.
Foto: José Paiva e Adrian Mossfoti - Trilha - Reserva Natural Salto Morato / Acervo Fundação
Foto: José Paiva e Adrian Mossfoti – Trilha – Reserva Natural Salto Morato / Acervo Fundação


O local conta com duas trilhas autoguiadas abertas à visitação, que possibilitam ao visitante ter informações sobre características da Mata Atlântica e observar a natureza com outro olhar. A primeira trilha, Trilha da Figueira, leva até uma imponente árvore centenária que abriga diversas espécies de plantas e animais. Já a segunda, Trilha do Salto, termina ao pé do Salto Morato, uma cachoeira com mais de 100 metros de altura que dá nome à reserva. No caminho, o visitante ainda passa por um aquário natural onde é possível nadar com os peixes.

Acompanhe a série “Na Mata”. Assista ao primeiro vídeo da série:

Acompanhe os próximos vídeos da série “Na Mata” no Youtube e no Facebook.

Reserva Natural Salto Morato
Foto: Haroldo Palo Jr. - Salto Morato / Acervo Fundação
Foto: Haroldo Palo Jr. – Salto Morato / Acervo Fundação

Situada no mais ameaçado bioma brasileiro – a Mata Atlântica – a Reserva Natural Salto Morato foi criada em 1994 pela Fundação Grupo Boticário e protege uma área de 2.253 hectares, sendo reconhecida, em 1999, como Sítio do Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. Encontra-se em uma região com expressiva concentração de espécies de aves endêmicas – isto é, exclusivas dessa região – sendo várias delas ameaçadas de extinção.
Autossustentável: Reserva Natural Salto Morato
Reserva Natural Salto Morato

A reserva fica localizada em Guaraqueçaba, litoral do Paraná, e é uma das atrações turísticas do município. O local é repleto de belezas naturais e ideal para quem busca refúgio e descanso.

Araçari-Banana (Pteroglossus Bailloni) Foto: Haroldo Palo Jr. / Acervo Fundação
Araçari-Banana (Pteroglossus Bailloni) Foto: Haroldo Palo Jr. / Acervo Fundação

Até hoje, foram registradas a ocorrência de 646 espécies vegetais vasculares, 98 espécies de mamíferos, 325 espécies de aves, 36 espécies de répteis, 60 espécies de anfíbios e 57 espécies de peixes. Essa biodiversidade é um atrativo para pesquisadores que vem de todo o Brasil para realizarem estudos em Salto Morato.
Centro De Visitantes - Foto: Acervo Fundação
Centro De Visitantes – Foto: Acervo Fundação
O local conta também com um Centro de Visitantes, que traz informações sobre a região, cujo uso público tem como objetivo sensibilizar os visitantes para a causa da conservação, o que resulta em oportunidades de recreação em contato com a natureza.

A Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza
A Fundação Grupo Boticário é uma instituição sem fins lucrativos que, desde 1990, empreende esforços para conservar a natureza no Brasil. A Fundação apoia iniciativas de outras organizações em todo o país, investe em estratégias inovadoras de conservação como o pagamento por serviços ambientais e ainda realiza ações de sensibilização da sociedade para a causa.
Desde a sua criação, já apoiou 1.417 iniciativas de 481 instituições de todo o país e mantém duas unidades de conservação, a Reserva Natural Salto Morato, na Mata Atlântica; e a Reserva Natural Serra do Tombador, no Cerrado, somando mais de 11 mil hectares de áreas protegidas nos dois biomas mais ameaçados do país.

O “Dia do Alívio” e A Globalização do Simples

É indiscutível que no sistema em que estamos engajados, manter um nível de competição é inexorável (e até certo ponto, saudável). Mas algumas competições desnecessárias estão tomando nosso valioso tempo e, cada vez mais, migrando, repletas de futilidade, para esferas de extrema importância. E desviando nossa atenção do que realmente deveria importar.
Por isso, imagino frequentemente o quão positivo seria o dia em que todos se livrassem desses grilhões gerados por tais competições.
Muitos conhecem o poder de um momento de meditação e reflexão, e entendem que esse momento de análise é tão necessário quanto o momento de absorver informações (até para absorvê-las de forma mais crítica, filtrando apenas o essencial). Perante isso, seria válido propor um “Dia do Alívio”, no qual a humanidade se liberaria dos problemas fora do seu alcance imediato que causam tanta ansiedade e mal estar social.  E, seguindo essa proposição, seria possível nos prepararmos para o “despertar” de soluções cabíveis para os problemas mais simples, solucionando-os de forma natural e calma.
Autossustentável: Nirvana de Charles Wang
Foto – ‘Nirvana’ de Charles Wang
Escrevo sobre observações voltadas a sociedade porque acredito que a estabilidade do meio ambiente só poderá ser atingida quando alcançarmos nossa própria estabilidade pessoal. Considero que a Sustentabilidade seja resultante dos aprimoramentos da esfera social.
Assim, perante o assunto abordado, sugiro, igualmente, a “Globalização do Simples” onde assumiríamos um relacionamento saudável com o ambiente que nos cerca, resgatando valores familiares que são importantes pilares para uma vida saudável, além de representarem uma base para a construção de indivíduos em comunhão com o sistema e a natureza. Globalizar o simples é exercer o humanismo com originalidade e colocá-lo em status de lei de grande importância para a convivência de mais de sete bilhões de seres humanos. Porque com generosidade, compaixão e preocupação focalizadas podemos mudar o mundo.

Voltando ao “Dia do Alívio”, não proponho o ócio destrutivo, mas a paz ao acomodar nossas cabeças nos travesseiros após um longo dia de serviço. Onde mesmo cientes de todos os problemas, estaríamos aliviados por fazer nossa parte sem radicalismo. Observar e absorver, exercer e perceber, aprender e passar adiante… Esses seriam alguns dos requisitos necessários à prática da Sustentabilidade.
Competição não pode se transformar em justificativa para o mal estar social, assim como dificuldade não deveria gerar desânimo e a imunidade ser transformada em descaso. Não espere o mundo bater à sua porta repleto de incógnitas, solucione-as antes e o espere-o com soluções!

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Consumo e Ética

O consumo hoje representa os desejos humanos de preenchimento e uma compensação pelas disparidades sociais. “Eu posso não ter o mesmo padrão de vida, mas uso o mesmo produto que você!” Consumo é realização, mas também representa vingança, o ir à forra dos que, em tese, podem menos. A oferta de possibilidades é renovada diariamente, gerando novos desejos e novas frustrações.

Autossustentável: Consumo
Acompanhando este movimento, as relações em sociedade sofrem de uma liquidez e flexibilidade imensas. No dizer de Bauman, as redes são o novo formato. Redes se formam entre consumidores de determinada marca, que apesar de nunca terem qualquer tipo de contato identificam-se entre si e excluem/ marginalizam aqueles que não conseguem adquiri-la. Uma mesma pessoa pode estar vinculada a várias redes e não ter companhia para o final de semana, tamanho o nível de abstração e precariedade deste novo formato de associação.
A liquidez afirmada pelo autor está representada na facilidade com que os vínculos são firmados e diluídos. O casamento que antes era sólido, hoje é facilmente desfeito em um procedimento simples. O emprego que antes representava solidez, hoje é trocado conforme o interesse do empregado, vez que seu vínculo com o trabalho deixou de representar sobrevivência. Hoje emprego tem conotação maior de status, de garantidor do padrão de consumo.

Autossustentável: Sociedade líquida
Considerando que este modo de vida consumista traz felicidade temporária, e apenas para alguns, ele gera uma situação deplorável ao ser humano. Isso porque ao fim da saga do consumo encontra-se vazio internamente e com excesso de produtos que acabará não utilizando, aparências e dívidas à sua volta. Assim, só resta a ele retomar sua confiança no modo anterior de organização e buscar as instituições assistencialistas do Estado Social.
Em nosso país presenciamos um exemplo vívido desta lógica. Quando a concentração de renda saturou e o consumo começou a apresentar sinais desagradáveis, o povo elegeu um governante de esquerda, que criou inúmeros programas assistenciais. Este processo facilitou o acesso ao consumo pelas classes mais baixas e aumentou a ganância daqueles que perceberam o grande mercado que se abria.
Ganância e falta de dignidade geram ressentimento e criminalidade. A violência aumentou e as cidades se tornaram ambientes fragmentados. Condomínios fechados se tornaram mini-cidades que permitem o enclausuramento voluntário em nome da segurança.
Autossustentável: Casas - Quadrinhos Ácidos
Fonte: Quadrinhos Ácidos do cartunista Pedro Leite.
O alerta internacional quanto ao esgotamento dos recursos do planeta já foi soado, entretanto poucas são as iniciativas que buscam um novo rumo. A sustentabilidade, tão festejada, soa mais como uma leve concessão do capitalismo a modos mais eficientes de produção, o que ao final gerará aumento nos lucros. Mas traz um alento aqueles que querem proteger o meio ambiente e otimizar a utilização dos recursos.

Autossustentável: Sustentabilidade x Consumo
A verdade é que a sustentabilidade “atrasa” o processo de degradação, ou seja, diminui o ritmo. Cidades sustentáveis, produção e consumo sustentáveis, construções e atitudes sustentáveis são parte de um plano de educação de novos seres humanos ambientalmente conscientes. Mas em que medida ess
e plano obterá êxito se a convocação para o consumo é muito mais articulada e incisiva?
A reflexão necessária é bem mais profunda do que aquela que hoje é possível. Em que medida ainda é possível ser isento dos confortos e manipulações desta cultura consumista na qual a geração atual nasceu e foi criada? É possível refletir fora do contexto em que estamos inseridos?
A vida humana passa por transformações durante o seu curso. Na juventude há o abandono das origens a fim de criar uma nova identidade e um modo de vida mais condizente com o que se acredita. Então, não seria o ser humano capaz de abandonar sua cultura consumista para aprimorar sua identidade e reformular seus valores a fim de gerar mais harmonia?

Autossustentável: Mafalda - Sociedade de Consumo

A sociedade líquida dá mostras de que alguma solidez é necessária. Mas estaria ela disposta dar um novo salto?

Referências Bibliográficas:
ARENDT, Hannah. A Condição Humana. 9 ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1999.
BAUMAN, Zygmunt. É possível ética num mundo de consumidores? Rio de Janeiro: Zahar, 2011.
CAVALCANTI DE ALMEIDA, Maria Carmen. A ética das virtudes e o meio ambiente. In Revista de Direito Ambiental. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, out.-dez. 2006. Ano 11. N. 44. P. 64 a 78.
FERREIRA BASTOS, Lucia Elena Arantes. O consumo de massa e a ética ambientalista. In Revista de Direito Ambiental. São Paulo: Ed. Revista dos Tribunais, jul.-set. 2006. Ano 11. N. 43. P. 177 a 202.
RIZZATO NUNES, Luis Antonio. O capitalismo selvagem e os consumidores desesperados. ABC do CDC. Capturado em http://www.migalhas.com.br/ABCdoCDC/92,MI155123,101048-O+capitalismo+selvagem+e+os+consumidores+desesperadosAcessado em 24/09/2014.
UNITED NATIONS ENVIRONMENT PROGRAMME. Global Outlook on Sustainable Consumption and Production Policies: Taking action together. Capturado em http://www.unep.fr/scp/go/pdf/Global%20Outlook%20on%20SCP%20Policies_full_final.pdfAcessado em 24/09/2014.


Clique aqui para ler outros artigos de Janaína Helena Steffen


#viresuacidade: Vire sua Cidade

A Virada Sustentável 2014, que aconteceu entre os dias 28 e 31 de agosto em diversos pontos de São Paulo, contou com mais de 700 eventos e atrações. Música, arte, mobilização, debates, palestras, diálogos, oficinas, enfim, tudo do bom e do melhor para quem procura transformar, para quem já transforma e para quem busca transformação.
Autossustentável: Virada Sustentável 2014
Tive o privilégio de estar envolvido em dois eventos bastante especiais. O primeiro aconteceu na Escola São Paulo trazendo o tema “Sonho e Prática: como educar para estilos mais sustentáveis de vida?”
Em uma varanda mais que agradável, cercada por paus-ferro e cantos de cambacicas e sabiás, educadores, jornalistas, engenheiros, professores, pais, entre outros, trouxeram suas experiências, suas dúvidas e suas angústias na busca pela transformação do olhar e do pensar uma nova escola e uma nova forma de educar de maneira mais participativa e integrada.
Autossustentável: Roda de Conversa - Virada Sustentável 2014
Roda de Conversa “Sonho e Prática: como educar para estilos 
mais sustentáveis de vida?”. Fonte: Instituto Akatu.
A busca pelo equilíbrio entre o tradicional e o inovador surgiu por meio de diferentes depoimentos, permeados pelo desejo de uma escola viva, dinâmica e que deve valorizar a participação e a criação de uma visão mais complexa do mundo e seus processos. Reflexões vitais em um mundo em transição que se estenderam para todo e qualquer espaço que pode se tornar educador.
No segundo evento, tive uma participação mais ativa, afinal, fui um dos oficineiros. Em uma varanda da charmosa Biblioteca de São Paulo, localizada dentro do Parque da Juventude, ministrei a oficina “Construindo Escolas Sustentáveis (na prática)” com a colaboração da professora Daniela Coccaro, que também tem se dedicado à questão da sustentabilidade na escola.
Autossustentável: Construindo Escolas Sustentáveis - Virada Sustentável 2014
Oficina “Construindo Escolas Sustentáveis (na prática)”. 
Fonte: Arquivo Pessoal do Colunista Ed Grandisoli.
O grupo de participantes era também bastante eclético, formado por pedagogos, engenheiros ambientais, professores, empresários, entre outros. Desde o princípio os participantes mostraram grande conhecimento sobre sustentabilidade e, juntos, pudemos ampliar e trabalhar com o conceito por meio de diferentes pontos de vista, tendo a escola e a Educação como pontos centrais das ações de transformação na sociedade.
Apesar da excelente discussão no plano mais conceitual, o objetivo maior da oficina era construirmos juntos projetos em sustentabilidade para serem trabalhados na escola. Esse salto do mundo das ideias e das palavras para a ação me parece fundamental se queremos, de verdade, fazer diferente e fazer a diferença.

Autossustentável: Construindo Escolas Sustentáveis - Virada Sustentável 2014
Oficina “Construindo Escolas Sustentáveis (na prática)”. 
Fonte: Arquivo Pessoal do Colunista Ed Grandisoli.
A experiência não poderia ter sido mais desafiadora e prazerosa, e espero que os participantes tenham saído transformados e ainda mais mobilizados, como eu.
Participar é o primeiro passo para compreender. Compreender ativa (ou reativa) o olhar, a criticidade pró-ativa e os desejos de mudança frente aos desafios da sustentabilidade. Eventos como a Virada Sustentável que valorizam o “sair da zona de conforto” e a cocriação merecem todo crédito e espaço por aquilo que se propõem a fazer. Nas palavras dos próprios idealizadores, deseja-se “articular pessoas, grupos e instituições, públicas e privadas, que têm em comum o objetivo de melhorar a sociedade e o meio ambiente a partir de uma visão alegre e inspiradora da sustentabilidade.”
Autossustentável: Fora da Zona de Conforto
Agradeço de coração pela possibilidade de me juntar a essa turma e de conhecer pessoas que dividem valores tão importantes na busca pelo bem-estar e qualidade de vida de todos e todas. Ambas as atividades que tive o privilégio de participar contaram com a impecável participação e organização dos amigos do Instituto Akatu.
Deixo meu agradecimento especial à Ana Neca, Silvia Sá e Julia Affonso que abraçaram minha oficina com todo o carinho e também à querida Tereza Moreira pela valiosa participação na oficina. Desejo que essa seja a primeira de muitas que faremos juntos.
Você pode acessar muito do que aconteceu na Virada no site Virada Sustentável e utilizando a hashtag que dá nome a esse texto no Instagram e Facebook.
Virada Sustentável 2015, vamos nessa!

Clique aqui para ler outros artigos de Edson Grandisoli

Os Desafios na Captação de Recursos para o Terceiro Setor

A história do terceiro setor e a atuação das ONG’s no Brasil são assuntos constantes, e aparecem tanto em artigos, quanto nas discussões e conversas das quais participo. Vale lembrar que a captação de recursos para os projetos desenvolvidos pelas ONG’s é tão importante quanto suas atividades e atribuições, e merecem igual atenção.
Existem mais de 300 mil organizações sociais sem fins lucrativos no Brasil (Fasfil, 2010), e existem poucos estudos e pesquisas sobre os resultados de suas ações, bem como o número de pessoas, comunidades e localidades beneficiadas por suas atuações. Neste contexto, surgem ainda questionamentos de como buscar recursos para a realização dos projetos e se o Estado consegue atender a toda demanda.
É certo que a iniciativa privada através de suas ações de responsabilidade social, tem uma participação muito importante na captação de recursos e parcerias de ONG´s e empresas, no que diz respeito ao desenvolvimento e realização de projetos socioambientais. Bem como o Estado, que através de ferramentas disponibiliza recursos para tais fins, ainda que muitos desconheçam.


Fato é que, não se deve esperar que estes recursos sejam empregados somente pela iniciativa pública, tampouco sair, de forma impensada, em busca de parceria com empresas e instituições. A grande dificuldade é saber onde buscar e como deve ser feito este processo, tanto para o conhecimento daqueles que buscam recursos para empregarem e desenvolverem seus projetos, bem como a falta de informação de financiadores na prospecção deles. 

Existe no Brasil um Sistema de Gestão de Convênios e Contratos de Repasse, denominado SINCOV [saiba mais em SINCOV]. Esse sistema permite a liberação de recursos, o acompanhamento da execução dos projetos e a prestação de contas dos conveniados. Para se cadastrar, são necessários requisitos básicos referentes a documentos de qualificação jurídica e fiscal, bem como capacidade técnica e operacional. Contudo, para realizar o cadastro e o repasse, existe um longo e árduo caminho burocrático para a liberação dos recursos.


Há, porém, outros caminhos, muitas vezes desconhecidos, e que possuem grande capacidade de alocação de recursos e enorme interesse em projetos socioambientais no Brasil. Dentre eles, podemos citar as agências internacionais, na maioria ligada à ONU – Organização das Nações Unidas, como o PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio AmbienteUNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a CulturaUNICEF – Fundo das Nações Unidas para a InfânciaUNIFEM- Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Mulher, dentre outros.

Contudo, gostaria de ressaltar também, não só a importância da existência e ciência dessas agências e fundações internacionais, mas a qualidade dos projetos que chegam até essas organizações. O consultor Ricardo Falcão (2014), especialista em captação de recursos, destaca que os recursos existem, mas faltam bons projetos.
Acredito que existam diversas dificuldades para chegar aos financiadores, principalmente no que diz respeito às exigências e características de quem pode ser beneficiado. O complexo mundo jurídico brasileiro aplicado ao terceiro setor dificulta este acesso e conhecimento. Em contrapartida, a legislação brasileira é muito bem estruturada e completa quando comparada aos demais países desenvolvidos e em desenvolvimento. Se na lei do terceiro setor, a transparência em gastos é obrigatória, este fator também deve ser levado em consideração.
O grande desafio é profissionalizar as ONG’s para a elaboração de projetos bem estruturados, com objetivos claros e específicos, capazes de apresentar justificativas convincentes na busca de parcerias e alocação de recursos, principalmente no que tange ao cronograma e orçamento do projeto.
                                                                  (Ricardo Falcão, 2014)


Precisamos, enfim, mudar a antiga visão assistencialista e voluntária do terceiro setor, e preparar os profissionais para um mercado cada vez mais exigente em formação e habilidades. Mas que apresentem a mesma garra e crença em fazer a diferença, pois o caminho é longo e tortuoso, porém, recompensador.

Clique aqui para ler outros artigos de Aline Lazzarotto

#ECOzinha – Aprenda a Fazer Chá Utilizando Cascas de Laranja e Abacaxi


O friozinho de inverno é muito propício a bebidas quentes. Por isso, o Autossustentável dá uma dica de um chá feito com gengibre e cascas de laranja e abacaxi.
Além de reaproveitar as partes que seriam jogadas fora, essa bebida tem propriedades termogênicas, que elevam a temperatura do corpo e ajudam a emagrecer.

Ingredientes:
  • 1,5 litros de água
  • 3 colheres de sopa de gengibre bem picado
  • Casca higienizada de um abacaxi inteiro
  • Casa higienizada de uma laranja
  • 1 colher de açúcar branco ou cristal
  • Mel
  • Cravo da índia
  • Canela em pau

Como fazer:
  1. Leve ao fogo a água junto com as cascas do abacaxi, laranja, o gengibre, a canela e o cravo. Deixe a mistura cozinhar por 20 minutos.
  2. Em outra panela, coloque o açúcar e leve ao fogo até caramelizar. Quando estiver no ponto, acrescente o chá. Aproveite esta mudança de recipiente para coar a bebida. Este cuidado com o açúcar é o que deixará o chá um pouco mais escuro. Caso opte por utilizar açúcar mascavo, não deixe-o caramelizar, para não ficar amargo.
  3. Com tudo junto, deixe ferver por mais cinco minutos. Quando a temperatura diminuir, acrescente o mel. É importante que a bebida não esteja fervendo para que o mel não perca as suas propriedades.
  4. Beba à vontade.

Fonte: CicloVivo

A Era do ‘Eco’

Por ‘Era’ entende-se uma época na qual se estabelece uma nova ordem das coisas, ou seja, um período de tempo com características marcantes que definem uma nova organização das coisas tais como são.

Considerando a evolução da relevância do conceito de sustentabilidade desde a década de 1970, juntamente com os problemas decorrentes da questão ambiental, mais conscientização por parte da sociedade, governo e empresas; pode-se dizer que estamos nos encaminhando para uma nova Era: Eco Era.
Autossustentável: Eco Era
O termo sustentabilidade, ainda que não seja precisamente definido, tem sido usado de forma ampla em debates políticos, universitários e de negócios, confirmando a necessidade de uma mudança no estilo de vida das pessoas, bem como a forma de produção e consumo. Autores diversos classificam sustentabilidade sob diferentes óticas, porém, quase todas consideram as três perspectivas básicas: social, ambiental e econômica. Para Sachs (2000 apud Pereira et al. 2012) o termo envolve inclusão social, economia sustentada no tempo e ambiente sustentável.

Autossustentável: Desenvolvimento Sustentável
Para que um projeto seja economicamente viável é preciso que haja uma fonte de financiamento ou outro meio oneroso que custeie a ação econômica. Os recursos naturais devem ser consumidos em uma escala que não leve à degradação do meio ambiente. O meio ecológico, em um sistema sustentável, é tratado de modo que não seja deteriorado e que não haja acúmulo de resíduos. (SACHS, 2000 APUD PEREIRA ET AL., 2012, p.160)

Atualmente, as conseqüências dos impactos ambientais decorrentes do processo produtivo e da forma de consumo são bem visíveis, seja no clima, na devastação de florestas, na exploração de mão de obra, na exploração de recursos não renováveis, entre outros exemplos. Se permanecermos com o mesmo ritmo que segue a produção nos dias de hoje, desconsiderando os limites do planeta, não teremos mais recursos e viveremos em um ambiente sem condições saudáveis de vida. A partir desse cenário, faz-se necessária uma nova Era, ou seja, uma época em que as pessoas se tornem mais conscientes sobre seus impactos no planeta e mais participativas frente a ações que fomentem a sustentabilidade.

Tão importante quanto discutir o conceito de sustentabilidade são as práticas efetivas no dia-a-dia, desde as pequenas atitudes diárias até iniciativas maiores no âmbito dos negócios. E nesta última área destacam-se as empresas que tomam frente com novos produtos, serviços ou processos, buscando alinhamento com os princípios sustentáveis.  Herculano (1992 apud Pereira et al. 2012) sugere que os ambientalistas veem  o conceito de desenvolvimento sustentável sendo interpretado de modo vago e como uma  estratégia de expansão do mercado e lucro, ou seja, que há interesse econômico ao se assumir “ecologicamente correto”.  Alguns atores sociais desfrutam desse status ao afirmar que apoiam a sustentabilidade sem contudo incorporá-la de fato nas suas práticas. Assim, é importante tornar evidentes aqueles atores que buscam, essencialmente, mudanças em suas ações de forma a respeitar os valores de sustentabilidade.

Autossustentável: SP ECOERA 4ª Edição
SP ECOERA 4ª Edição
Autossustentável: SP ECOERA  - Espaço para palestras e debates
SP ECOERA – Espaço para palestras e debates
Retomando a questão sobre uma nova Era, e relacionando às práticas de empresas que assumem uma postura sustentável, ressalta-se o SP ECOERA, evento pioneiro idealizado por Chiara Gadaleta, consultora de moda e sustentabilidade, que reúne marcas, projetos, empresas e consumidor final em torno de questões sociais e ambientais no mercado de moda, design e beleza. A quarta edição aconteceu no final do mês de maio, nos dias 23 e 24, com a campanha “Qual a moda que te representa¿”, visando o questionamento sobre nossa relação com a moda, e como podemos usá-la ao nosso favor. Personalidades da moda foram selecionadas para espalharem manifestos sobre o que mudariam na moda. O SP ECOERA apresentou coleções das seguintes marcas: PUKET, MY BASIC, BANTU MULHER, GUSTAVO SILVESTRE, SERÁ O BENEDITO, SEÑORITA GALANTE, PANDORA, VUELO, BRECHÓ ASSOCIAÇÃO SANTO AGOSTINHO, NOVELARIA, FLAVIA ARANHA e BIOART[1](com make orgânica e cruelty free, feita no Brasil).

Autossustentável: Chiara Gadaleta, organizadora do evento.
Chiara Gadaleta, organizadora do evento.
O caminho de quem apóia a sustentabilidade (aquisição de matéria-prima, logística, processos, até a oferta do produto ou serviço final) é sempre mais difícil, já que tudo, ou pelo menos grande parte do que é “eco”, é novidade, é descoberta. E, ainda, existe a barreira da aceitação. O consumo de produtos e serviços sustentáveis ainda é lento, tanto pela falta de oferta (e quando há, o custo tende a ser maior) quanto por falta de conscientização.  Justamente por isso deve-se enfatizar e destacar o trabalho das marcas que se arriscam e que se engajam numa jornada que constitui a nossa nova Era. Pois, além de falar em teorias conceituais temos que apresentar soluções, desde pequenas alternativas, a iniciativas mais sobressalentes, de forma que possamos incorporar a sustentabilidade em suas diferentes perspectivas.

Autossustentável: Make BioArt em um dos desfiles do evento.
Make BioArt em um dos desfiles do evento.
A colaboradora que vos fala teve o prazer de adquirir alguns produtos da BioArt, e, por acaso, após o SP ECOERA, retornando para Porto Alegre, encontrou as maquiagens em uma farmácia no aeroporto, coincidentemente, já que estava buscando por outro produto.  Experimentou e aprovou o pó, o blush e o rímel, maquiagens que fazem parte da rotina diária da maioria das mulheres. Um viva para a BioArt.
Referências:

PEREIRA, André Luiz [et al.]. Logística Reversa e Sustentabilidade. São Paulo: Cengage Learning, 2012, 192p.

[1] A BioArt Biocosméticos é uma empresa brasileira que desenvolve produtos a partir de ingredientes naturais e orgânicos, ou seja, não faz uso de agrotóxicos e pesticidas e, ainda, selecionam matéria-prima renovável. A empresa trabalha com a política cruelty free, ou seja, não realiza testes em animais, bem como não adquire ingredientes de outras empresas que o façam. A premissa da marca é trabalhar com beleza e cor desde que se alinhem com princípios sustentáveis, que vêm em primeiro lugar. Desta forma, a empresa investe em pesquisas e projetos na busca por ingredientes e processos que estejam em consonância com o conceito de sustentabilidade. Os produtos variam entre cremes, hidratantes, sabonetes, argilas e maquiagens diversas. No site é possível visualizar todos eles, bem como conhecer mais a marca: http://www.bioart.net.br/

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Educação Ambiental e a Legislação Brasileira

Como se sabe, a educação ambiental pode ser considerada uma das formas de disseminar pela sociedade o respeito na relação homem-natureza. Ao realizar no ano passado um curso sobre o assunto, pude compreender que uma efetiva mudança de postura da sociedade deve caminhar por essa direção. Cita-se, aliás, que essa constatação já havia sido formulada na Conferência de Estocolmo de 1972.
Transportada a temática ao universo jurídico brasileiro, cumpre mencionar a existência da Política Nacional de Educação Ambiental que a define como sendo integrada “por processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade” (art. 1°- Lei Federal 9795/1999).

Autossustentável: Direito Ambiental

Dentre os objetivos da Política Nacional, consta o “desenvolvimento de uma compreensão integrada do meio ambiente em suas múltiplas e complexas relações, envolvendo aspectos ecológicos, psicológicos, legais, políticos, sociais, econômicos, científicos, culturais e éticos”; “a garantia de democratização das informações ambientais” e “o estímulo e o fortalecimento de uma consciência crítica sobre a problemática ambiental e social” (art. 5°- Lei Federal 9795/1999).
Sabe-se, porém, que o processo de Educação Ambiental deve ultrapassar as barreiras dos métodos tradicionais de ensino, na medida em que componentes práticos se tornam imprescindíveis. Desse modo, a legislação pátria faz a distinção entre Educação Ambiental Formal e Educação Ambiental Não Formal. Nesse sentido, Pedro Jacobi adverte:
A educação ambiental, como componente de uma cidadania abrangente, está ligada a uma nova forma de relação ser humano/natureza, e a sua dimensão cotidiana leva a pensá-la como somatório de práticas e, consequentemente, entendê-la na dimensão de sua potencialidade de generalização para o conjunto da sociedade [1].
Autossustentável: Educação Ambiental
Fonte: Ciclo Vivo

Para tanto, o profissional de educação deve estimular e proporcionar aos alunos momentos de interação com a natureza como, por exemplo, através de visitas em Unidades de Conservação, nas quais poderão ter contato direto e melhor entendimento sobre a importância da preservação.

Apesar de uma longa estrada a percorrer, a sociedade cada vez mais será confrontada a seguir na direção de uma consciência ecológica. Como diz Eduardo Galeano, a utopia serve para continuarmos a caminhar.

< span style="color: #b45f06; line-height: 115%;">[1] JACOBI, Pedro. Educação Ambiental, Cidadania e Sustentabilidade. Disponível em < http://www.uss.br/pages/revistas/revistafluminense/v2n12012/pdf/005-Ambiental.pdf>.



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Estamos Perguntando de Forma Errada

Quantas palavras bonitas são ditas e escritas, discursos que reivindicam mudanças e a união em busca do bem comum. Movimentos, partidos, manifestos e etc. Lindos e tão cheios de energia e boas intenções.
Mas o que realmente são? Muitas vezes, infelizmente, correspondem apenas à escrita sem essência. Para que servem os movimentos quando não se tem visão, os partidos desacompanhados de ética e o manifesto sem prudência?
Somos atraídos facilmente pelo superficial; o rosto, o corpo e o cabelo mais belo. A propaganda mais chamativa, a embalagem mais atraente, o cartaz mais colorido. Então, como achar soluções para os problemas externos quando parece que por natureza estamos errados? Acredito que a natureza, como um todo, está sofrendo tantas injustiças por uma razão: ainda não achamos resposta para essa questão. Mas se ainda não achamos a resposta é porque, provavelmente, não estamos perguntando de forma correta. E, se não perguntamos de forma correta é porque não damos a devida atenção ao problema.
Quando você consegue saber exatamente o que você quer perguntar a metade da resposta é dada. (I Ching – O Livro das Mutações)
Nesse contexto, a pergunta que fazemos é entendida pela natureza por meio da forma como vivemos e a resposta que a natureza nos dá pode ser interpretada como a síntese da nossa vida.
É certo que são as questões movem o mundo e não as respostas, somos movidos por incertezas que nos assombram e nos fazem caminhar. Mas o objetivo aqui é a estabilidade e a capacidade do nosso planeta de continuar propiciando a vida, e as incertezas que espreitam esse objetivo devem ser eliminadas o mais rápido possível. Não temos muito tempo para refletir, devemos agir agora. Essa incógnita terá de ser resolvida na prática!
A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar. (Eduardo Galeano)
A utopia é linda, mas se continuarmos a ter essa perspectiva em relação à sustentabilidade de Gaia* podemos até alcançar algo, porém será o oposto daquilo que vislumbrávamos no horizonte.
O que é o ambiente verde e saudável sem um meio que exerça os subsídios necessários para o mesmo? Saiba exatamente como perguntar a natureza e ela te dará metade da resposta, e essa resposta será suficiente para despertar a ação. E estamos aqui para agirmos e, de fato, transformarmos positivamente nossas vidas e nosso planeta.
Saudações verdes!

* A Teoria de Gaia, criada pelo cientista James Lovelock na década de 60, defende que a Terra é um organismo dotado da capacidade de se manter saudável e tem compromisso com todas as formas de vida – e não necessariamente com apenas uma delas, o homem, que vem justamente sendo um dos grandes responsáveis pelo seu desequilíbrio. (http://
gaiasustentavel.com)


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#MensageirosPassaporteVerde: Vida ao Ar Livre ao Estilo Carioca

A equipe da Rede Autossustentável teve o prazer de ser convidada para fazer parte do projeto #MensageirosPassaporteVerde, iniciativa da campanha Passaporte Verde.

Autossustentável: Passaporte Verde

Realizamos um dos roteiros escolhidos dentro do projeto que é o de explorar as cidades de uma maneira mais autêntica, através de experiências que possibilitam um contato maior com a natureza.

Iniciamos nosso roteiro com uma pedalada pela orla, um passeio incrível, contemplando as belezas dessa Cidade Maravilhosa. A rede de ciclovias do Rio de Janeiro permite desfrutar essas paisagens de uma maneira bem especial.

Utilizamos com frequência o aluguel de bicicletas públicas que são oferecidas pelo projeto BikeRio, e por isso optamos por alugá-las para o passeio. Por uma taxa de 10 reais mensais você pode pedalar a vontade durante o mês, respeitando a regra de 1 hora de pedalada e 15 minutos de descanso, por isso fica a dica para quem visita o Rio ou outras cidades com projetos semelhantes.

Autossustentável: Enseada de Botafogo e Cristo Redentor - Rio de Janeiro

Autossustentável: Aterro do Flamengo e Pão de Açúcar - Rio de Janeiro

Pedalamos pela Marina da Glória e pelo Aterro do Flamengo nos encantando com os belos jardins Burle Max, em seguida entramos na Enseada de Botafogo com aquela vista indescritível do Pão de Açúcar e do Cristo Redentor e assim rumamos até o bairro de Copacabana, sentindo a brisa no rosto e a alegria de estar perto da natureza.
Ao chegarmos à Copacabana, deixamos as bicicletas em uma das estações Bike Rio e, utilizando transporte coletivo, partimos para o Jardim Botânico do Rio de Janeiro, que é uma ótima opção de passeio para aqueles que querem relaxar, estudar, ou só mesmo curtir e desfrutar a natureza bem de pertinho.

Autossustentável: Jardim Botânico do Rio de Janeiro

O Jardim Botânico conta com um espaço muito diversificado com cerca de 6500 espécies de plantas, algumas até ameaçadas de extinção, distribuídas em uma grande área de 54 hectares. Há também um lindo e charmoso Orquidário que em certas épocas do ano recebe muitos visitantes querendo admirar algumas das mais belas e raras espécies de orquídeas.

Autossustentável: Jardim Botânico do Rio de Janeiro

Para aqueles que gostam de se aprofundar no mundo da botânica, é possível visitar a mais completa biblioteca do país especializada no termo e o maior herbário do Brasil, neste importante patrimônio histórico, cultural e natural.

Bem próximo ao Jardim Botânico, fica a Lagoa Rodrigo de Freitas. Com 9,5 km de contorno, o Parque Lagoa Rodrigo de Freitas é um local perfeito para práticas esportivas e passeios de pedalinhos. Fizemos uma pequena caminhada, andamos de pedalinho e nos divertimos bastante.

Autossustentável: Lagoa Rodrigo de Freitas - Rio de Janeiro

O passeio de pedalinho pelas águas da Lagoa possibilita vistas magníficas, proporcionando diferentes pontos de vista de observação, desde a arquitetura das edificações e prédios que a contornam até as belas montanhas que emolduram esse belo cenário. Um momento para relaxar e curtir a vida, na cidade maravilhosa com a benção do Cristo Redentor.

Autossustentável: Lagoa Rodrigo de Freitas - Rio de Janeiro
Autossustentável: Lagoa Rodrigo de Freitas - Rio de Janeiro
Fizemos, então, uma caminhada até Ipanema, onde paramos para tomar uma doce e refrescante água de coco, admirando a incrível paisagem emoldurada pelo morro Dois Irmãos ao fundo.

Autossustentável: Praia de Ipanema - Rio de Janeiro
Encerramos o nosso passeio na Pedra do Arpoador, localizada entre as praias do Arpoador e do Diabo, admirando as delícias de um espetacular pôr-do-sol aplaudindo-o como segue a boa e velha tradição carioca.
Uma dica é chegar por volta das 17h para garantir um local privilegiado (no horário de verão, o pôr-do-sol costuma ocorrer por volta das 19h30), já que a Pedra do Arpoador costuma ficar lotada com centenas de pessoas que querem admirar o espetáculo. Chegando ao topo, você se depara com um cenário incrível: a faixa de areia que vai do Arpoador ao Leblon, passando por Ipanema, e, ao fundo, o Morro Dois Irmãos e a Pedra da Gávea. O sol se põe no mar, ao lado dessas duas rochas.


Autossustentável: Arpoador - Rio de Janeiro
Conheça esse e outros roteiros através do site: http://www.passaporteverde.gov.br/eucuido/roteiros
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Roteiros Passaporte Verde
Os Roteiros Passaporte Verde propõem um novo olhar sobre os destinos, um convite à explorar as cidades de uma maneira mais autêntica, através de experiências que possibilitam um contato maior com a natureza, degustação de pratos saborosos da culinária local em espaços especiais, vivenciar dias em meio às culturas tradicionais, descobrir e valorizar os Patrimônios Mundiais da Humanidade no Brasil, praticar o ecoturismo e o turismo de aventura nos parques, descobrir a cidade à pé, de bicicleta ou transporte público. Além de deixar benefícios para os locais visitados, você poderá descobrir os destinos de uma maneira diferenciada, fazer novas amizades e, principalmente, vivenciar experiências inesquecíveis.
Passaporte Verde
A campanha Passaporte Verde 2014 é uma iniciativa do PNUMA (Programa das Nações Unidas para Meio Ambiente), com apoio do Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Turismo, Ministério do Esporte e Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Tendo como pano de fundo a realização da Copa do Mundo da FIFA no Brasil, a campanha pretende sensibilizar turistas nacionais e internacionais quanto ao seu potencial de contribuir com o desenvolvimento sustentável local por meio de escolhas responsáveis durante suas viagens, seja de férias e lazer ou de negócios.


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O Descarte do Passado e o Culto ao Novo

A velocidade de renovação das tecnologias e do compartilhar de informações é cada vez maior. A cada segundo mais e mais novidades são colocadas à disposição das pessoas, criando novas oportunidades, novas formas de ver o mundo, a vida e as relações.
Autossustentável: Renovação Tecnológica x Visões Novas
Até metade do século passado, quando o ritmo acelerou de vez, o homem percebia a novidade com felicidade, contudo valorizava muito a experiência, a sabedoria e a grandeza do passado enquanto reconhecimento de um tempo que nos trouxe até aqui.
Com a industrialização e o boom da ciência e tecnologia, passamos a perceber o passado de forma diferente. Nunca foram tão citadas palavras como renovação, transformação, metamorfose, superação. É como se aos poucos fossemos trazendo todo o valor, a apreciação e a carga de expectativas, antes postas sobre o passado, e os colocássemos no futuro. O que havia antes não serve mais, está ultrapassado, velho, não tem mais utilidade. Não tem mais valor, ou perdeu seu valor em função do novo. Como aquela velha casa de madeira, que seus avós levaram uma vida inteira trabalhando para conseguir construir, símbolo de suor, conquista e luta e que hoje, após eles falecerem, você olha e pensa: “um amontoado de madeira velho e sem serventia.”

Autossustentável: Infância x Novas Tecnologias
É claro que a novidade nos instiga e motiva. Um novo desafio, uma nova invenção, um relacionamento novo, uma situação nova. Algo novo colore a vida, nos faz depositar energia renovada a fim de que se concretize.
No entanto, o que já passou nos traz segurança, certeza. É o que já sabemos que funciona, o que foi testado e aprovado, o que acumulamos de experiência e conclusões. O futuro é sempre incerto, por mais que se façam planos e arranjos. Mas aquilo que já foi, aquilo que você já conquistou é um tijolo firmemente assentado na base de sua construção.
Se formos pensar em termos de consumo, aquele agasalho que você possui há 20 anos, que ainda aquece, certamente está velho. Provavelmente mais de uma pessoa já disse a você que está na hora de comprar um novo. Que doe o velho e compre um novo, daquele tecido mais eficiente, impermeável, que aquece mais.
Mas o novo é sempre melhor? É possível, ou mesmo ético, descartar o passado sumariamente? Existem aspectos do passado que merecem ser preservados? Quais? De que forma? Precisamos mesmo do novo?

Autossustentável: Perguntas

Já falei aqui (Facilitando a Vida?)sobre as facilidades que foram geradas. O suco na caixinha é mais prático, mas realmente é equivalente ao suco natural? Estamos falando de uma novidade que realmente supera o seu antecessor? Ou o “suco” da caixinha não está na mesma categoria de um suco de fruta?
Na área jurídica sentimos, hoje, de forma mais flagrante este movimento de descarte do passado e apreciação do futuro. A sociedade alega ser o Dir
eito atrasado em relação à sociedade e a legislação ultrapassada. Na mesma medida em que buscam-se novas leis, novas penas, novas medidas jurídicas protetivas ou garantidoras. O que há é obsoleto e precisamos de algo novo que “nos represente”. Como se o passado não servisse mais e o futuro incerto fosse o grande responsável por construir aquela sociedade que queremos.
Na faculdade ouvi diversas vezes que o papel do Direito na sociedade é ordenar e garantir segurança jurídica. As leis não são volúveis a todos os ventos sociais justamente porque o Direito representa a vontade do povo quando juntou-se nesta comunidade – no passado original. Também aprendi com os positivistas que as paixões e a moral não fazem parte da Ciência do Direito, a fim de preservar sua racionalidade e pureza, afinal esta ciência é um pilar social de ordem e segurança. Com os humanistas o Direito voltou a buscar na experiência social e no mundo real uma certa legitimidade. Se a lei não está baseada na vida social e se o povo a quem ela se destina não identifica nela um reflexo de seus valores, esta acaba por ser inócua. Como se percebe, mesmo as ciências vão progredindo, a mudança atinge alguns pontos, mas a essência da Ciência, sua função social parece permanecer intacta – ordem, segurança, justiça.

Autossustentável: Direito

Observando essa tensão que há entre a sociedade da mudança instantânea – que cultua o novo – e o Direito, que representa (ou deveria representar) aqueles valores que elegemos enquanto os mais caros a esta sociedade, poderíamos nos questionar: o Direito está mesmo atrasado? Obsoleto? Há necessidade de novas leis? Novas penas?
Percebo que há um grande desrespeito pelo passado neste momento. Em função disso, o número de processos judiciais tem aumentado cada vez mais. A lei, enquanto reconhecimento do passado, não é mais suficiente. Creditasse ao Juiz, desta forma, o poder de dizer o Direito para o futuro. As emoções do momento exigem novas posturas improvisadas do Estado. E quando este improviso se concretiza, novos interesses já nasceram.
Talvez a sociedade não possua ainda maturidade para perceber as consequências de seus atos. É como se o Direito, enquanto instrumento valioso de coesão e organização social, se tornasse um mero “expediente” – um meio esperto de conseguir as coisas de forma rápida e irresponsável.
Triste para quem conhece e aprecia a ciência complexa do Direito. Contudo, os momentos de crise servem justamente ao requestionamento: será o passado tão desprezível assim? Aquilo que temos realmente não serve mais? O novo substitui de forma completa o velho ou teremos um imenso vazio? Devemos nos deixar levar pelas paixões instantâneas ou a prudência (que os gregos já exaltavam milênios atrás) é o mais adequado? O facilmente substituível é mais adequado do que o durável? Para quem? Para quantos?
Como dizia o meu avô quando não achava prudente interferir: isso tu pode saber! Mais tarde meu sogro também me disse isso algumas vezes. É neste momento que percebemos o nosso quinhão de responsabilidade e adquirimos coragem para agir com maturidade.
Mais do que isso, cada um de nós precisa saber o que pretende deste Estado (a representação da nossa vontade de criar uma comunidade organizada) e deste Direito (a forma de ordem, segurança e justiça que escolhemos a fim de manter este Estado vivo).

Autossustentável: Leviatã de Thomas Hobbes
Leviatã de Thomas Hobbes

Um Estado-Nação só se sustenta (é sustentável) na medida em que a vontade do povo é reafirmada e legitimada. O Direito
só se sustenta como ciência enquanto estiver baseado nesta vontade e possuir bases e critérios que permitam que paixões e interesses setoriais sejam adequadamente processados.

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São Paulo Pede Água (e Ação)

Um dos meus lugares preferidos em São Paulo é o Parque Doutor Fernando Costa, mais conhecido como Parque da Água Branca. Ele faz parte da minha história desde criança e a ideia de um parque onde gansos, galos e galinhas d’angola podem correr soltos me fascina até hoje. É um lugar para realmente conviver com a diversidade, não só de aves, mas também de pessoas.

Autossustentável: Parque da Água Branca
Parque da Água Branca. Foto: Caio Pimenta/SPTuris. Fonte: Cidade de São Paulo.
Um dos meus cantinhos preferidos no parque é o espaço de leitura, literalmente encaixado entre palmeiras e com cadeiras e mesas que convidam a ficar. Em um episódio recente, cinco meninas lindas de 5 ou 6 anos de idade, acompanhadas pelas mães, iniciaram uma guerra de água, aproveitando o calor do inverno e uma das bicas localizadas no espaço de leitura.
Meu incômodo com a cena foi quase imediato e logo me veio à cabeça a imagem das represas com seus vinte e poucos por cento de capacidade. Antes que eu pudesse fazer qualquer coisa (pois não sabia bem como), uma senhora se levantou de sua cadeira e acabou com a brincadeira, fechando a bica falando assertivamente com as meninas sobre a falta de água na cidade. As respectivas mães nem viram o que aconteceu. Uma pena, pois elas também certamente aprenderiam algo. Ver esse nível de engajamento e preocupação é muito raro e não tem preço.

Autossustentável: Seca no Sistema Cantareira
Seca no Sistema Cantareira. Fonte: Último Segundo.
Tenho notado um rápido esvaziamento no que se refere à preocupação com o meio ambiente em várias instâncias. Esse foi apenas um exemplo. Ter água à vontade, ter o luxo do caminhão de lixo três vezes por semana, ter energia elétrica que alimenta nossas lâmpadas que teimamos em não apagar, enfim, TER de tudo, muito e barato (relativamente) cria maus hábitos.
Há alguns anos, o desmatamento na Amazônia, as mudanças climáticas, e mesmo o tráfico de animais silvestres, eram notícias dignas de capa nos melhores jornais e revistas. Hoje, são tratadas como notas, quando são.
No caso da água, entretanto, tem sido um pouco diferente. A ameaça de não TER aquilo que me é indispensável e que me dá conforto é inaceitável, em especial, para as classes mais favorecidas. Na contramão, milhares de pessoas no Brasil enfrentam o racionamento de água regularmente, mas nada tem sido falado sobre isso.

Autossustentável: Ameaça do racionamento de água em São Paulo
Ameaça do racionamento de água em São Paulo. Fonte: Ciclo Vivo.
Essa mesma ausência de interesse que sinto nos noticiários, também sinto na escola. Apesar de estar presente ao longo de todo o currículo do Ensino Básico, o tema ambiental (ou socioambiental) tem sido trabalhado, em geral, de forma burocrática, gerando pouco ou nenhuma repercussão
tanto dentro da própria escola, quanto nas respectivas comunidades. Apesar do empenho de alguns professores, a mensagem se perde logo que toca o sinal e nada do que foi “aprendido” se torna ação no mundo real. Aqueles que abraçam a causa logo são chamados de “verdinhos” ou “ecochatos”. Esse tipo de bullyingleva rapidamente ao abandono dos valores coletivos ligados à questão ambiental.
Acredito que uma das formas de manter a questão ambiental em pauta em nossas comunidades é por meio da comunicação; mas não a comunicação sem sentido prático como, por exemplo, dizer que um chiclete demora 5 anos para se decompor. E daí?
É necessária uma comunicação clara que nos faça lembrar constantemente dos desafios que enfrentamos com relação à disponibilidade dos recursos e que aponte com assertividade o que é melhor para todos e para o ambiente. Enfim, que seja crítica, que faça pensar e que leve à ação.
Há 4 meses, iniciei no condomínio onde moro uma campanha de comunicação bastante simples. Tenho colocado nos elevadores cartazes que informam brevemente sobre a crise de água na cidade, o consumo atual do condomínio e como reduzi-lo.
Para minha surpresa, já houve uma redução de 10% do consumo. Parece pouco, mas isso representa, em média, cerca de 30 mil litros a menos de água por mês. Em uma visão quase surreal, são 15 mil garrafas pet de 2 litros cheias de água.

Autossustentável: Comunicação
Qual foi o segredo? Na verdade, não utilizei nenhuma informação diferente à que tem sido veiculada já há alguns anos. Acho que o segredo foi trazer a mensagem para perto do público de forma continuada, variada e, muitas vezes, bem humorada. Não é assim que fazem conosco quando nos querem vender algo? Insistem, colocam na sua cabeça o quanto aquilo é importante, até você ir lá e comprar. No caso do condomínio, o marketing verde funcionou. Uma vitória não para mim, mas para todos nós.
Como Biólogo, educador e cidadão, minha preocupação com os desafios ambientais é diária. Já ouço há décadas que as mudanças de comportamentos são urgentes. Os progressos existem, e são muitos, mas o saldo ainda parece negativo ao constatar a falta de água, as ruas sujas, o aumento vertiginoso do número de carros nas ruas, e a falta de preocupação e engajamento na resolução dessas questões, tanto no plano pessoal quanto no de políticas públicas efetivas.
Autossustentável: Dicas de Economia de Água
Se você é educador, síndico, zelador, enfim, se você é um cidadão preocupado com esses temas e acha que precisamos mudar, saia da sua zona de conforto e faça algo, como fez aquela senhora lá no Parque da Água Branca.
O saber descolado do agir não leva à transformação necessária.
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O Terceiro Setor e Sua História na Sociedade Brasileira

No cenário atual, onde a moda é a sustentabilidade e a grife é a responsabilidade social, muito se fala em terceiro setor e pouco se fala sobre conceitos e histórico de surgimento do mesmo. As chamadas organizações da sociedade civil sem fins lucrativos estão cada vez mais reguladas e exercem um importante papel junto ao governo e à iniciativa privada no que se refere ao financiamento de projetos socioambientais.
Autossustentável: Organizações da Sociedade Civil sem fins lucrativos

Em primeira instancia, quando pensamos em terceiro setor, naturalmente o excluímos do mercado e do estado. Segundo Carlos Eduardo Guerra Silva (2010), alguns autores sugerem que o terceiro setor deriva de uma ligação entre as finalidades do primeiro setor e a natureza do segundo, ou seja, uma mistura entre organizações que mesmo não sendo do governo, visam benefícios coletivos, e ainda que não objetivasse o lucro, são de natureza privada.
As entidades sem fins lucrativos têm em sua essência cinco premissas fundamentais: não distribuir lucros ou excedentes entre seus líderes e funcionários; ser privada; ser voluntária (no sentido de ter sido criada voluntariamente, mas não necessariamente nem exclusivamente possui voluntários em seus quadros de funcionários); ser capaz de autogerir-se; ser institucionalizada (existir formalmente).
Dentro deste enorme guarda-chuva podemos citar as organizações prestadoras de serviço como saúde, educação, lazer e cultura sendo percebidas em forma de escolas, centros de pesquisa e de profissionalização, museus, orquestras sinfônicas, hospitais, asilos, creches, clubes, confrarias e associações esportivas, dentre outras. Bem como as entidades que lutam por direitos diversificados como questões antidiscriminatórias, ambientais e sociais, como associações de bairro, sindicatos, associações profissionais, de proteção à flora, comunidades tradicionais, entre tantas outras.

Juridicamente falando, as instituições e ONG´s não possuem definições legais, são apenas nomes dados às diversas organizações sem fins lucrativos com diferentes finalidades. Quanto às definições de associações e fundações, apesar de constantemente serem confundidas ou mal interpretadas, existem diferenças claras e legais entre elas.  Paulo Haus Martins (2014) esclarece que, uma associação é fundamentalmente constituída pela união de pessoas que se organizam para fins não econômicos e sem distribuição de lucros aos acionistas. Já uma fundação, é a maneira de dar vida própria a um patrimônio. É constituída por um criador, através de uma escritura pública ou testamento, que especifica o fim a que se destina, e a maneira de administrá-la.
No Brasil, as organizações religiosas deram início ao movimento no terceiro setor. Os problemas sociais agravados pela industrialização e urbanização a partir da década de 1930, favoreceram o aumento das organizações assistenciais. Nessa época surgem também as organizações sem fins lucrativos como sindicatos e associações profissionais, que defendiam interesses coletivos mais específicos, especialmente aos operários.
Segundo informações da Ashoka (2001), nos anos 1990, mudanças significativas no terceiro setor são impulsionadas principalmente devido a uma maior exigência do Estado com certas práticas de gestão, e é nesta época que discorrem as distinções entre natureza pública e corporativa das organizações sem fins lucrativos. Estes movimentos ocorreram de forma similar mundo afora, e a globalização ajudou a consolidar tais práticas.
Vale lembrar que, o fortalecimento econômico do Brasil e as crises sociais na África levaram a um redirecionamento dos recursos, e a um maior rigor na seleção das ONGs e projetos financiados por parte das organizações internacionais. Estas passaram a exigir mais profissionalização e prestação de contas, em parte devido aos diversos casos de corrupção e desvios de verba em fundações, instituições e organizações ditas de terceiro setor.

Autossustentável: Configuração do terceiro setor no início do século XXI
Fonte: SILVA, C. E. G. Gestão, legislação e fontes de recursos no terceiro setor brasileiro: uma perspectiva histórica. In: Scielo Brasil
Desta forma, as organizações do terceiro setor passaram a criar seus próprios grupos representativos, como a Associação Brasileira de Organizações não Governamentais – ABONG e o Grupo de Institutos Fundações e Empresas – GIFE, decorrente principalmente de fatores e exigências pela transparência dessas organizações.
Em pesquisa realizada pelo IBGE em 2010, verificou-se que os grupos mais vulneráveis da população – crianças e idosos pobres, adolescentes em conflito com a lei e portadores de necessidades especiais – eram assistidos por 10,5% das entidades no Brasil, enquanto educação e pesquisa ficavam com 6,1%,e saúde2,1%. Já entidades voltadas à preservação do meio ambiente e proteção animal representavam 0,8% do total.
As Fasfil- Fundações Privadas e Associações sem Fins Lucrativos – concentravam-se na região Sudeste, Nordeste e Sul consecutivamente, estando menos presentes no Norte e Centro-Oeste. Segundo o IBGE, mais de 70% das Fasfil apoiam-se em voluntários e prestadores de serviços autônomos, e 62,9% dos assalariados são mulheres.
Hoje, a expansão e a diversificação das organizações continuam através do movimento da Responsabilidade Social, com o setor empresarial atuando de forma organizada no terceiro setor. O envolvimento das empresas ocorreu através da intensificação de doação de recursos e parcerias com as ONGs, além da criação de suas próprias fundações e institutos empresariais, que passaram a desenvolver seus próprios programas e projetos (BNDES, 2001).

Autossustentável: Organizações da Sociedade Civil sem fins lucrativos
Por fim, esta atuação empresarial e visão de mercado no terceiro setor reforçam ainda mais a tendência de modernização e profissionalização das organizações sem fins lucrativos como um todo.

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Alemanha: Campeã na Bola e na Sustentabilidade

A Copa do Mundo chegou ao fim. Os noticiários, as rodas de conversa e o planeta da bola não param de celebrar a grande campeã desta copa, dentro e fora de campo. A Alemanha alternou entre bom desempenho e vitórias convincentes nos gramados com shows fora de campo ao longo de toda a sua estadia no Brasil. Nos noticiários esportivos, a bola da vez é a pequena revolução que o país realizou nas estruturas do futebol desde o fracasso na Copa de 2002, em que perdeu a final para o Brasil após uma campanha pouco convincente. Mas as reformas estruturais que culminaram com o grande título conquistado, celebrado como a competência de uma nação organizada que colhe os frutos de seu planejamento de longo prazo não é por acaso [veja mais], são reflexo da forma como agem os alemães em quase todas as áreas de sua sociedade. Ao contrário do Brasil, a Alemanha, efetivamente, faz gols, faz escolas, faz hospitais e também produz energia limpa, recicla seu lixo e educa seus cidadãos.
Autossustentável: Alemanha

Quarta maior economia do mundo, sendo a maior da Europa, a Alemanha se recriou após a queda do muro de Berlim com sólidos resultados nas áreas social e ambiental, se tornando uma das campeãs mundiais em sustentabilidade. Desde 2002 o governo se baseia em uma Estratégia Nacional para o Desenvolvimento Sustentável, com vistas a alcançar a equidade entre as gerações, a qualidade de vida, a coesão social e a responsabilidade internacional, produzindo relatórios bianuais com base em indicadores-chavede mais de 20 áreas. Os resultados indicam que o país tomou um caminho sem volta e se consolida, ano a ano, na vanguarda da responsabilidade socioambiental.
Quando o assunto é energia alternativa, cuja produção impõe menores impactos socioambientais, a Alemanha é líder absoluta com a maior produção de energia solar do mundo e a segunda maior potência instalada em energia eólica [1](acaba de ser ultrapassada pela China). Apenas com a força dos ventos [2]o país é capaz de produzir 35 GW/ano, cerca de três vezes a capacidade instalada do gigantesco e altamente impactante projeto da UHE Belo Monte, no Pará. No caso da energia solar não existem rivais para os alemães, produtores de 35% de toda a energia do mundo, e parte do sucesso pode ser explicado por uma forte política de incentivos à produção descentralizada, onde empresas e casas já contam com cerca de 1,4 milhão de sistemas fotovoltaicos instalados. A meta é quadriplicar a produção até 2020, chegando a 20% da demanda energética do país, que tem bem menos da metade da insolação brasileira.

Autossustentável: Bairro que utiliza energia solar na Alemanha
Bairro que utiliza energia solar na Alemanha. Fonte: Ciclo Vivo.
Outro assunto em que a Alemanha é campeã é a mobilidade urbana. Na capital, Berlim, é possível chegar a qualquer lugar da cidade de bicicleta. A malha cicloviária já ultrapassa os 1.000 km, cerca de quatro vezes mais que São Paulo, tendo um terço do tamanho da metrópole brasileira. Estima-se que para cada carro alemão existam 1,5 bicicletas [veja mais], mesmo o país sendo berço de várias das maiores montadoras do mundo. A segunda maior cidade do país, Hamburgo, vai além: cansada de ver os automóveis como principal meio de transporte urbano, um projeto planeja eliminar a necessidade de carros na cidade em 20 anos, com a exclusão do acesso de veículos a áreas específicas e a criação de um conjunto de rotas verdes que permitam o deslocamento por bicicletas e a pé [3].

Autossustentável: Cresce a importância das bikes em Berlim
Cresce a importância das bikes em Berlim. Fonte: Trilhas BR.
Separar o lixo doméstico também é um hábito do país tetracampeão. A Alemanha é o país que mais recicla lixo no planeta, em conjunto com a vizinha Áustria chegam a reciclar mais de 60% do total de lixo, tendo mais que o dobro da média de seus vizinhos europeus e pelo menos 12 vezes mais que a cidade de São Paulo. Seu sistema de reciclagem é dividido entre papéis, orgânicos, recicláveis comuns (alumínio, vidros, metais) e não recicláveis, e é obrigatório a todo cidadão que faça a separação desde a década de 1990 [4]. Os alemães pagam tarifas diferenciadas de acordo com a quantidade e qualidade do lixo produzido, sendo mais caro dispor resíduos não recicláveis, o que acaba por estimular o consumo consciente. A última questão a ser resolvida em relação aos resíduos urbanos é a alta taxa de incineração de materiais não recicláveis [5], que chega a mais de 20% de todos os resíduos produzidos – não existem aterros no país, e apenas materiais altamente tóxicos são descartados após condicionamento especial.
Autossustentável: Coleta Seletiva Alemanha
Os tonéis de cores diferentes numa rua de Berlim: reciclagem virou mania nacional.
Não é à toa que os representantes do país que tem o quinto melhor índice de desenvolvimento humano do mundo deram um show ao longo de toda sua visita ao país. Para quem se acostuma desde cedo a fazer o dever de casa, suas ações são naturais e chocam quem não está acostumado [veja mais]. A dança com os índios pataxós, em meio à celebração dos 36 anos de Miroslav Klose soam estranhas quando consideramos o descaso com que o Brasil vem tratando suas populações indígenas, fator que se agrava dia após dia pelas pressões da bancada ruralista no Congresso e o descaso do governo federal [veja mais]. Os alemães foram além, doaram 10 mil euros aos Pataxós baianos e, ao redor da recém conquistada taça do mundo, fizeram a tradicional dança que aprenderam nos rituais indígenas. Que seu respeito e simpatia para com os índios, normalmente muito mais valorizados por estrangeiros que pelos próprios brasileiros, sirvam de exemplo tanto quanto a experiência da cidade mais sustentável do mundo, Freiburg, [veja mais] e os inúmeros bons índices de sustentabilidade germânicos.
Autossustentável: Sustentabilidade e Novas Gerações
“Quem gasta sistematicamente mais do que produz vive à custa das gerações vindouras e compromete o futuro” – Angela Merkel, 2012.


[1] Fonte: EcoD 
[4] Fonte: DW Notícias.

Arena da Amazônia: Legados e Perspectivas

De início, alerto que alguns podem me descredenciar como pessoa mais indicada para dissertar sobre os problemas da Copa do Mundo. Sim, comprei um ingresso e assisti os dribles de Neymar e Cia. contra os Camarões no Estádio Mané Garrinha em Brasília no dia 23.06.2014.
Autossustentável: Camisa Seleção Brasileira
Por outro lado, não sou um dos entusiastas do longo e conturbado processo que culmina no evento esportivo, apenas mais um amante do futebol e da seleção canarinho. Coisas distintas devem ser tratadas de formas distintas e uma eventual vitória não será por causa do Poder Público brasileiro, mas apesar dele.
Na área ambiental, porém, é possível vislumbrar alguns pontos positivos das medidas adotadas em alguns estádios, mesmo que não permitam desconsiderar os equívocos também nesse setor como o lançamento de aproximadamente 2,75 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera por conta do torneio de futebol conforme estudo da FGV.
A reutilização da água da chuva na Arena da Amazônia da cidade-sede Manaus pode ser citada como uma alternativa a ser celebrada, na medida em que foi considerado o alto índice pluviométrico da região e tende a ser responsável por reduções de consumo de 45% da água em relação ao funcionamento normal de arenas multiuso. Cumpre destacar que as vigas da cobertura do estádio atuam numa espécie de calha para uso nas descargas dos banheiros visando mitigar o consumo de água.
Autossustentável: Arena da Amazônia
Arena da Amazônia
Autossustentável: Arena da Amazônia
Arena da Amazônia
Noutras medidas, cita-se, aqui, a instalação de uma estação própria de esgoto e de torneiras controladas por meio eletrônico para irrigação do gramado e o reaproveitamento dos entulhos do antigo Vivaldo Lima, no qual tive o privilégio de assistir um Torneio Início do Campeonato Amazonense, como ações sustentáveis da mais nova arena desportiva de Manaus. O projeto arquitetônico, aliás, possui uma fachada no formato de uma cesta indígena que valoriza a cultura local [1].
Após versos de positividade perante a Copa do Mundo 2014, ainda cabe a constatação: o evento não se resume aos belos e modernos estádios “padrão FIFA”. Pessoalmente, sou descendente de amazonense, o que me aproxima umbilicalmente com os problemas da região.
Não se pode e nem se deve tapar o sol com a peneira como se diz na popular expressão
e graves problemas de deslocamento urbano proporcionado por um sistema caótico de transporte público ainda continuam pendentes de urgentes soluções pelo Poder Público amazonense. Noutro problema, os times de futebol do Amazonas não estão presentes nas principais divisões do Campeonato Brasileiro e como visto na Copa da África os altos custos afastam jogos de menor porte. Quem pagaria a conta de um estádio fechado? Como sempre, os próprios cidadãos.


Autossustentável: Transporte Urbano Lotado
Fonte: ACRITICA.COM
Não é demais lembrar que no ano de 2014 também serão realizadas as eleições federais e estaduais, sendo, pois, uma grande oportunidade de responder nas urnas uma indignação.
Havia um cenário propício para que o Brasil organizasse uma verdadeira Copa Verde ou uma Copa Sustentável propriamente dita. Infelizmente, o retrato apontado indica ações pontuais. Quem sabe numa próxima vez…

O Que Você Vê no Espelho?

Para começar a responder essa questão, proponho começarmos com um exercício simples: vá para frente de um espelho, preferencialmente sozinho, e se olhe sem pressa. Tente, se possível, se despir dos seus pudores, preconceitos e julgamentos de valores. Desta vez, não foque seu olhar apenas em sua aparência física, ou no que você acha que mostra às pessoas. Tente focar em outra parte de você: quem você realmente é por trás daquilo que você mostra ao mundo. A partir daí, se faça as seguintes perguntas:
“Você se orgulha da pessoa que é?”
“Das suas ações?”
“Da forma como vive?”
“Como você se mostra para o mundo?”
“Aquilo que você transmite é realmente o que você é ou deseja transmitir?”
“Seus pensamentos e atitudes estão em conformidade?”
“Ou você anda agindo contraditoriamente às suas crenças?”
“O que você gostaria de mudar ou melhorar em você para ser aquilo que você almeja?”

Apesar de um exercício simples, ele não é fácil. Analisar-se dessa forma mais profunda, às vezes, pode ser chocante. Podemos nos deparar com uma pessoa muito diferente daquela que pensamos ser ou daquela que queremos ser. Não que sejamos falsos ou mentirosos, nada disso. É que muitas vezes estamos tão envoltos em tantos outros planos, projetos e ações que não paramos para pensar no nosso projeto mais íntimo: nós mesmos. Sim, nós também somos um projeto em constante e infinita mudança. Na verdade, cada dia que vivemos já nos modifica de alguma forma, mesmo que imperceptível aos nossos olhos, por isso, também merecemos esse tipo de atenção e cuidado. O que no fundo é ótima notícia: todos os dias são novos recomeços, a cada manhã temos a chance de buscar ser aquilo que queremos ou melhorar aquele aspecto negativo que nos incomoda. Basta se conhecer, reconhecer e querer.
Você deve estar achando que esse artigo é um velho papo de auto-ajuda, daqueles com os quais somos bombardeados, diariamente, sem qualquer fundamento, certo? Pois é, até parece mesmo, admito. Na verdade, isso foi o que aconteceu comigo em dezembro de 2011, acidentalmente, e desde então, passei a prestar mais atenção no personagem principal desse meu projeto maior chamado “vida”, afinal, sem ele, nada seria possível. Na verdade, o que vi no espelho, naquele dia, foi justamente o oposto de tudo aquilo que eu admirava. Vi uma menina desgostosa, descuidada, triste e amarga, refletida no espelho. Fisicamente, tinha acabado de entrar na obesidade grau 1, completamente dominada pela compulsão pela bebida, comida e cigarro. Uma imagem um tanto quanto pesada de se encarar.
Autossustentável: O que você vê no espelho?
Foi quando decidi que não precisava ser assim, que me tornaria aquela pessoa que eu tinha em mente e que sentiria orgulho quando me olhasse no espelho ou quando deitasse a cabeça no travesseiro todos os dias para dormir. E assim o tenho feito. Não, não mudei minha personalidade, nem virei outra pessoa ou encarnei um personagem. Continuo possuindo os mesmos defeitos de antes e digo até que posso ter adquirido novos, não sou feliz o tempo todo, nem todos os dias estou de bom humor. Cometo um monte de erros a todo tempo, não tenho aquela vida perfeita de comercial de margarina, pelo contrário. Na verdade, estou muito longe de ser exemplo de qualquer coisa, mas ainda assim, t
enho a certeza que a cada dia sou a melhor versão que posso ser de mim mesma. Por isso tenho muito orgulho do que vejo no espelho todos os dias, e não digo isso pelos 30 kg perdidos ou pelo fato de ter parado de fumar, digo isso pela pessoa que consigo ver que sou hoje e pelo o que eu posso oferecer de bom para aquelas que me cercam.
Autossustentável: Carlos Drummond de Andrade - Felicidade
O que quero dizer com isso tudo é que mudar pode ser muito mais simples do que parece depois que passa o choque do primeiro impacto. E que, infelizmente (ou felizmente), não existe fórmula mágica ou padrão e nem momento certo pra isso, cada um vai encontrar seu caminho, até porque, cada um tem conflitos e problemas únicos. Quando decidi investir no meu projeto “Patricia 2.0”, uma das minhas metas pessoais era fazer, pelo menos, um bem por dia para alguém, seja essa pessoa quem for (mais tarde entramos nesse assunto com a atenção que ele merece). Então pensei: “por que não escrever sobre isso e convidar mais pessoas a também fazer esse exercício e identificar o que elas não gostam ou o que elas gostariam de mudar para se sentirem melhores?”. Assim como esse pequeno ato desencadeou várias reações bacanas em minha vida, talvez ele possa também ajudar outras pessoas, fazendo bem a elas. E o bem feito a alguém, por menor que seja, sempre nos faz um pouquinho melhores e nos ajuda a crescer.
Autossustentável: Felicidade
Então, que tal realizar o exercício do início do artigo e começar o seu próprio projeto? Mas não esqueça de realizá-lo constantemente, avaliando os resultando alcançados, balanceando não somente seus pontos fracos ou negativos, mas também suas qualidades, ressaltando, principalmente, o seu avanço em direção aquilo que te faz bem.

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Consumindo e Preservando Somente o Digno

A perda de tempo é descomunal e, às vezes, chega a ser cômica. Não poucas vezes nos distraímos reparando os erros alheios e gravitando em torno deles por meio de críticas e ofensas, não notando que, talvez, nesse meio tempo, estejamos incorrendo na mesma falha.
Como evitar essa situação e melhorar sua percepção de que o planeta precisa, sim, de VOCÊ?
Autossustentável: A Mãe Terra
Fonte: Proyecto Ambiental Educativo “Aureola” A. C.
Preservamos porque temos medo de, futuramente, não conseguirmos conquistar novamente aquilo que temos. E acreditamos que possuímos o que temos agora por alguma casualidade. Porém, nem tudo que possuímos é digno de preservação. Frequentemente atualizamos nosso status nas redes sociais, a fim de preservar nossa “imagem”, não curtimos o momento e fazemos tudo pela internet porque é mais seguro. Preservamos nossa mente, nos isolamos em nossa individualidade, pois compreender a diversidade fere nosso ego e nossa realidade pré-estabelecida.
Consumimos porque não temos o suficiente ou não existe o suficiente. “Consumimos” pessoas para suprir nossa demanda de carência, alimentando ainda mais a solidão, tudo isso por medo de, pela passagem do tempo, não sermos mais tão atraentes daqui a alguns anos. Consumimos cosméticos para ficar cada vez mais belos e assim driblar nossa carência de atenção. Consumimos muito de tudo porque (achamos que) não temos o suficiente. Contudo, nem tudo é digno de consumo.
Autossustentável: Consumo x Consome-te!

Precisamos ter a consciência de que somos fortes o suficiente para nos libertar de tudo aquilo que faz nossas vidas retrocederem e construir um novo templo interno, mais iluminado e saudável. Habilitar nosso subconsciente para bloquear os ataques das propagandas que nos impõe padrões de beleza, consumo e acúmulo doentio de capital. Preservar aquilo que merece ser preservado – a nossa saúde, a nossa casa, o nosso meio, o nosso ambiente, o nosso planeta, a nossa vida. Habilitarmo-nos para consumir coisas dignas de consumo, isto é, alimentos saudáveis, informações úteis, bens materiais sem excesso. E, principalmente, não perdermos tempo observando e julgando o possível erro alheio, pois isso nos afasta do autoconhecimento, e, consequentemente, da autocrítica.
A atitude ambientalmente correta é como uma religião, ela deve ser exercida e reforçada dia após dia, alimentada, habilitada e aprimorada. É um estilo de vida onde a divisão, o compartilhamento gera a multiplicação, a propagação de atitudes positivas.
Por enquanto, somos um exército invisível, mas a difusão de conhecimentos possibilitará a mudança deste quadro.
Saudações verdes a todos os leitores.

Uni-vos, consumam e preservem somente o digno!


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Empresas que Desenvolvem Práticas Sustentáveis

Depois de escrever artigos sobre Práticas de Moda Sustentável e Materiais Sustentáveis muitas pessoas me perguntaram onde poderiam encontrar aqueles materiais ou empresas que desenvolviam práticas sustentáveis. Por isso, decidi contribuir com o pequeno conhecimento que possuo sobre algumas marcas. A intenção não é fazer propaganda, mas sim mostrar bons projetos e atitudes de algumas empresas.
Autossustentável: Empresas Sustentáveis
Entre empresas que buscam alternativas, a Osklen se destaca por desenvolver práticas sustentáveis há algum tempo. Quando Oskar Metsavaht lançou a sua marca, paralelamente apoiou expedições e projetos nas áreas esportiva, social e ambiental e quando perguntado sobre o assunto, afirmava com frequência que muito além de vender roupas, queria transmitir uma filosofia de vida de equilíbrio e harmonia com o meio ambiente. Entre muitos projetos da marca, vale destacar a parceria com a ONG (Organização Não Governamental) Esplar, que atua diretamente em municípios do semi-árido cearense, e desenvolve atividades voltadas para a agroecologia praticada pelas famílias locais. A Osklen é responsável pela compra de toda a produção de algodão orgânico desse projeto, utilizando-o para a confecção de tecidos que não usam processos químicos em seu tingimento.[1]Totalmente engajado com a causa, Oskar Metsavaht também fundou o “Instituto E, uma OSCIP (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público) focada em promover os princípios do desenvolvimento humano sustentável. O “Instituto E” conta com alguns projetos como o mapeamento de e-fabrics e o projeto traces. O mapeamento de  e-fabrics diz respeito ao estudo da origem da matéria prima, do impacto do processo produtivo, da preservação da diversidade e das relações desse processo com as comunidades. Enquanto que o projeto traces, desenvolvido em parceria com o IMELS (Italian Ministry for Environment, Land and Sea) e com o Fórum das Américas e com a colaboração do Senai-Cetiqt, realizou o rastreamento da pegada de carbono, análise do ciclo de vida e impactos socioambientais de seis produtos confeccionados com os seguintes e-fabrics usados pela Osklen: algodão orgânico, algodão reciclado, PET reciclado, couro de pirarucu, eco-juta e algodão orgânico. Contando ainda com projetos de soluções ambientais e diminuição de resíduos para shoppings e indústrias, recuperação de parques, entre outros, o “Instituto E” já é reconhecido mundialmente na sua trajetória de ajuda ao meio ambiente. 
Autossustentável: Sustentabilidade na Internet

Uma outra empresa que tem uma história interessante na área de práticas sustentáveis é a Natura, que 1983, teve a iniciativa de oferecer a opção de refil para seus produtos. Os refis possuem massa média 54% menor que a da embalagem regular, o que permitiu a empresa deixar de gerar 2,2 mil toneladas de embalagens no meio ambiente. Após essa inovação, a Natura passou a desenvolver novos produtos a partir de espécies nativas, através da utilização de modelos ecológicos de produção vegetal com o programa de certificação de matérias-primas em parecerias com comunidades que a fornecem. Mais tarde, também foi adotada a Tabela Ambiental, que informa sobre o impacto de cada um de seus produtos; passou-se a utilizar álcool orgânico certificado em substituição ao álcool comum; e houve a adoção do Programa Carbono Neutro, que reduz e compensa as emissões de carbono calculadas com base na cadeia produtiva desde a extração até o descarte. Quanto aos projetos sociais, se destaca o Programa Natura Crer para Ver, que desde 1995 desenvolve iniciativas que contribuem para melhorar a qualidade da educação pública.[2]Além disso, a Natura é a única empresa da América Latina no B-Team, grupo de liderança de diversos setores econômicos que busca a real integração entre o bem estar social, ambiental e econômico.[3]

A Cultura do Exagero – Por Que Tanto?

O lanche da manhã que a nutricionista prescreveu é um suco verde. Verduras e legumes crus que não consigo comer durante as refeições são liquidificados em 200 ml de suco verde escuro e às vezes com gosto estranho. Mas por quê? Porque eu costumo exagerar em algum ingrediente e, hoje foi o gengibre. O suco ficou picante!


A cultura é nossa forma de agir, baseada em todos aqueles saberes, crenças e hábitos da comunidade em que vivemos. Diariamente fazemos escolhas que são inconscientemente baseadas em regras e costumes antigos e que hoje já nem fazem mais sentido. Contudo, cultura também engloba tudo aquilo que vamos criando a partir do que aprendemos e sabemos. A cultura nos guia, porém também mudamos a cultura sistematicamente. Somos criatura e criador ao mesmo tempo.
Tenho estudado muito sobre isso e cada dia mais percebo o quanto o processo cultural é automático. Não pensamos, simplesmente agimos e se alguém perguntar o porquê fazemos algo de uma determinada forma ou outra, a resposta será: é o correto. Mas o correto de acordo com o que? Quem disse que o certo é desta forma?
Enquanto tomava de forma obediente e contrariada meu suco verde de puro gengibre hoje pela manhã, lembrei que já conversei com a nutricionista várias vezes sobre isso. Meu cérebro me diz que devo colocar bastante comida no prato, ou ter muita variedade no suco, ou ainda ter um bom estoque de alimentos em casa. E isso vem da cultura alemã da qual sou descendente. Estocar comida, pois eles chegaram ao país fugindo da guerra e precisavam garantir o seu alimento. Ainda percebo que para muitos no sul do país – alemães, italianos e espanhóis, principalmente –  ter uma mesa farta significa que há riqueza e prosperidade, significa compartilhar carinho, etc. Talvez por isso eu exagere na minha alimentação.
Autossustentável: Exagero na Alimentação
Olhando mais de perto, na verdade também há exagero com livros, tecidos para artesanato… alguns exageram nos sapatos, outros nos jogos, na bebida. O próprio copo que usamos em casa ou que vemos nos bares é cada vez maior. Quando parei, há dois anos, de tomar o suco verde estava intoxicada por excesso de um nutriente que envenena. A medida do suco é 200 ml ou um copo americano, também serve o copo do requeijão. Mas o copo que você usa em casa não é maior que o copo de requeijão? Quando você vai beber suco, refrigerante, cerveja, o copo de requeijão não parece pequeno? E há ainda o supra-sumo disso que é a possibilidade de encher seu copo novamente em alguns restaurantes – o refil grátis. Quando era criança o guaraná vinha em garrafa de 600 ml – igual à de cerveja – e dividíamos entre 13 primos! Hoje uma criança bebe 600 ml de refrigerante e ainda quer mais.
De onde vem essa necessidade de termos tanto? Precisamos muito, bastante, mais, outro do mesmo, outro grátis, outro de brinde… mais tempo, mais dinheiro, um outro produto melhor, mais moderno, mais adequado…
Os filósofos antigos já exaltavam a moderação, os orientais modernos continuam a falar em equilíbrio, meio termo, meus pais me falavam de parcimônia. Há tanto tempo estamos sendo alertados e ainda não ouvimos? Que tipo de mensagem precisamos?
Em relação à natureza não é difícil perceber que o excesso de consumo dos recursos naturais afetou o equilíbrio e gerou a escassez. Também há excesso de lixo, em decorrência do excesso de consumo de bens materiais. O excesso de procura gerou a produção de bens em excesso e que precisam ser vendidos. Para produzir rápido e barato é necessário produtos de pouco valor e que ao serem substituídos não servem para nada mais.
Autossustentável; Desperdício e Resíduos
É preciso mais moradias e moradias maiores para guardar tudo aquilo que adquirimos, todos os filhos que tivemos e toda a nossa necessidade de espaço. Nos tornamos muitos, mas será que precisamos de muito? E precisamos para que? Para nos sentirmos bem? Mas v
ocê não sente que a cada aquisição você continua insatisfeito? Se o refrigerante não te faz sentir bem com 200 ml, por que 1, 2 ou 3 litros fariam? Se com um sapato você não é feliz, será que mais 20 a deixarão feliz? Porque tanto? O que na nossa cultura gera essa necessidade do exagero?
Autossustentável: Consumismo Dalai Lama

Como disse no início somos compelidos pela cultura, mas também a criamos, simultaneamente. Sendo assim, o que precisamos fazer para reverter isso?
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