O El Niño voltou! Como podemos nos proteger?

Entenda os impactos do El Niño, como se preparar e se proteger

Nos últimos anos, sempre que os noticiários anunciam que um verão extremo se aproxima, começamos a nos perguntar: o que vai acontecer dessa vez, ou o que posso fazer para me proteger dos riscos? 

Reuni aqui o que os órgãos oficiais já divulgaram, o que isso significa em cada região do país e, principalmente, o que está ao alcance de cada leitor.

As duas faces do mesmo fenômeno

Antes, é importante diferenciarmos, El Niño e La Niña. Os dois são fases de um mesmo sistema, o ENOS, a El Niño-Oscilação Sul, em que o oceano e a atmosfera se influenciam o tempo todo. No El Niño, os ventos alísios (que sopram de leste para oeste sobre o Pacífico) enfraquecem e as águas quentes se deslocam para leste, rumo à América do Sul. No La Niña, ocorre o oposto: os alísios se fortalecem e trazem à superfície a água fria das profundezas.

Os efeitos apresentam-se de maneira espelhada: o Sul, que agora deve receber chuva em excesso, é quem sofre estiagem em anos de La Niña.

Segundo a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), os eventos se repetem a cada dois a sete anos e duram de nove a doze meses. Na maior parte do tempo o Pacífico fica neutro, cerca de 46%, o resto se divide entre El Niño (31%) e La Niña (23%), mas isso vem mudando nas últimas décadas.

O que dizem os números de 2026

Em 14 de agosto de 2026, o INMET divulgou a previsão mais recente da NOAA: há 69% de probabilidade de este ser o El Niño mais intenso registrado desde 1950, com o Pacífico podendo ultrapassar 2,5 °C acima da média. Entre setembro e dezembro, a chance de um evento muito forte vai de 93% a 95%, e o fenômeno deve durar até, pelo menos, março de 2027.

Sala de Situação do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais – Cemaden/MCTI). Imagem: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações.

Um Super El Niño, ocorreu quatro vezes em 150 anos, 2026 seria o quinto evento com o menor intervalo já registrado entre dois eventos desse porte. O Painel El Niño 2026-2027, produzido em conjunto por sete órgãos federais, entre eles INMET, Cemaden e o Serviço Geológico do Brasil, é público e atualizado mensalmente, e vale a consulta para mais detalhes.

Por que 2026 exige mais atenção que 2023?

O boletim compara os dois anos, em 2023, o Rio Grande do Sul tinha 10% do território em seca extrema, e o solo estava seco o bastante para absorver parte da água antes de qualquer cheia. Já em 2026, esse colchão de absorção se esgotou, e o documento é explícito ao afirmar que a atenção para grandes inundações deve ser ainda maior.

Porto Alegre, 03/05/2024, Prefeitura de Porto Alegre a esquerda e o Mercado Municipal a direita, alagados, após chuva intensa. Foto: Gilvan Rocha/Agência Brasil

A razão está na memória do solo. O Cemaden cruza a chuva das últimas horas com um índice que representa a saturação acumulada dos três dias anteriores. Estudos feitos na Serra do Mar nos anos 1980 já demonstravam o mesmo princípio, quanto mais encharcado o terreno, menos chuva basta para deflagrar um deslizamento, daí a importância de acompanhar os avisos dos órgãos oficiais e reconhecer os sinais de risco.

A vegetação das margens também protege

Nas margens dos rios a defesa vem da mata ciliar, as raízes agregam o solo, a copa amortece o impacto da chuva e a camada de folhas segura o escoamento. Portanto, uma margem desprotegida entrega mais sedimento ao rio e assoreia o leito, o que reduz a capacidade de vazão do canal. O efeito aparece na cheia seguinte: o mesmo volume de água transborda antes.

Um país, quatro cenários

  • Sul (set/26 a fev/27): chuvas acima da média, enchentes e deslizamentos.
  • Norte e Amazônia: seca, rios baixos e alto risco de incêndios.
  • Nordeste: estiagem prolongada e pressão sobre a segurança hídrica.
  • Sudeste e Centro-Oeste: ondas de calor e tempestades severas.

O que o El Niño tem a ver com mudança climática?

O ENOS é natural e cíclico, e provavelmente opera há milhões de anos. Mas com o aquecimento global, os oceanos vêm absorvendo a maior parte do calor extra retido na atmosfera. O El Niño passa então a ocorrer sobre uma linha de base mais quente, e seus extremos partem de um patamar mais alto.

O intervalo entre Super El Niños ilustra essas mudanças, foram 105 anos separando os dois primeiros episódios da lista e cerca de dez separando os dois últimos. O ciclo do ENOS seguiria existindo sem nós, mas a intensidade com que ele nos atinge já carrega a nossa assinatura.

Onde o Brasil ainda está despreparado

O Serviço Geológico do Brasil identificou, até fevereiro de 2026, mais de 17.700 setores de risco alto e muito alto em 1.803 municípios, onde vivem cerca de 4,6 milhões de pessoas. Ainda assim, estudo publicado em 2026 na Revista Brasileira de Geografia mostrou que 75% das cidades têm menos da metade dos planos e mapeamentos exigidos por lei.

Juiz de Fora (MG), 19/03/2026 – Bairro Três Moinhos, um dos mais afetados pelas fortes chuvas. Um mês depois dos deslizamentos e alagamentos que causaram a morte de mais de 70 pessoas em Juiz de Fora, além de deixar milhares de pessoas desabrigadas. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil.

A boa notícia é que fechar essa lacuna compensa. O levantamento do World Resources Institute encomendado pelo G20 e pelo governo brasileiro, apontou que cada dólar investido em adaptação gera mais de dez dólares em benefícios.

Como se preparar, começando hoje

  1. Cadastre-se nos alertas por SMS. Envie uma mensagem gratuita para 40199 contendo apenas o CEP. Dá para cadastrar vários endereços: a sua casa, a escola das crianças, a casa dos seus pais. Para consultar os cadastros, envie CONSULTAR.
  2. Conheça o risco do seu bairro. O Painel de Alertas do Cemaden e o SACE, do Serviço Geológico do Brasil, mostram alertas e níveis de rios em tempo real, com acesso livre.
  3. Monte um kit de 72 horas: documentos, medicamentos de uso contínuo, lanterna, água, dinheiro em espécie, carregador e itens de higiene.
  4. Combine um ponto de encontro com a família e memorize a rota de fuga do seu bairro. Em uma evacuação noturna, essa combinação vale mais que qualquer aplicativo.
  5. Aprenda os sinais de alerta de deslizamento. A Defesa Civil Nacional orienta observar rachaduras no chão, árvores e postes inclinados, portas e janelas que emperram de repente, água surgindo na base da encosta e estalos vindos do terreno. Ao identificar qualquer um deles, saia imediatamente e acione a Defesa Civil.
  6. Cuide do terreno. Mantenha as encostas livres de lixo, entulho, água e esgoto; cubra rachaduras com lona plástica; preserve a vegetação; evite cortes íngremes sem acompanhamento técnico.
  7. No calor extremo, redobre a atenção com idosos e crianças.
Kit de emergência com documentos, medicamentos de uso contínuo, lanterna, água, dinheiro em espécie, carregador e itens de higiene.

Hoje sabemos que o El Niño vem, com meses de antecedência e com números públicos. Previsão climática é tempo de vantagem, e tempo de vantagem só vira proteção quando alguém age.

Cadastre seu CEP no 40199 hoje. Consulte o Painel El Niño, descubra se o seu bairro está mapeado e cobre do seu município o plano de contingência.

Imagem: Prefeitura de Poços de Caldas (MG).

Telefones e Canais Oficiais

  • 199 – Defesa Civil.
  • 193 – Corpo de Bombeiros.
  • 40199 – Cadastro de alertas por SMS (envie o CEP).
  • (61) 2034-4611 – Defesa Civil Nacional no WhatsApp.
  • @defesacivilbrbot – Defesa Civil Nacional no Telegram.
  • Defesa Civil Alerta – Mensagem automática na tela do celular para quem está em área de risco, sem necessidade de cadastro.
  • painelalertas.cemaden.gov.br – Painel de Alertas do Cemaden.
  • sgb.gov.br/sace – Níveis de rios e manchas de inundação em 19 bacias.
  • avisos.inmet.gov.br – Avisos meteorológicos por cor de severidade.

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Saiba como colocá-lo nas referências:

NUNES, Kathelyn. O El Niño voltou! Como podemos nos proteger? Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2026/09/o-el-nino-voltou-como-podemos-nos-proteger.html>.

Referências e Sugestões de Leitura:

Declaração de Transparência sobre Uso de Inteligência Artificial
Este texto foi elaborado com o auxílio de inteligência artificial para pesquisa e revisão textual. A concepção da pauta, a análise técnica, a interpretação dos dados e a redação final são de autoria da colunista.

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