Mudanças Climáticas não são um problema para daqui a 500 anos. Já estamos sofrendo as consequências!

Agora é oficial. 2018 é o 4° ano mais quente que temos registro, de acordo com a NASA.

É verdade, nossos registros oficiais não são tão antigos se compararmos com a quantidade de tempo de nossa espécie (aproximadamente 200 mil anos), muito menos da Terra como um todo (aproximadamente 4,5 bilhões de anos). Mas ainda assim, essa é uma marca impressionante – principalmente se levarmos em conta que os 5 anos mais quentes registrados são os 5 últimos anos – 2016, 2017, 2015, 2018 e 2014, na ordem. Na verdade, o que é ainda mais impressionante é que 18 dos 19 anos mais quentes já registrados aconteceram nesse século!

Gráfico 1
Figura – O quão mais frio ou quente cada ano é comparado com a temperatura média da Terra no fim do século XIX./ Fonte: NY Times.

Lembro que quando comecei a estudar as mudanças do clima, a despeito dos cenários aterradores futuros, as consequências eram colocadas sempre no longo ou longuíssimo prazo – ano de 2050, 2100 e coisas do gênero. Era a mais maldita das heranças, mas que se abateria somente a nossos filhos, caso tivéssemos sorte afetaria apenas nossos netos ou bisnetos. Lembro de entender conceitos como o princípio da precaução, das responsabilidades históricas (e comuns, porém diferenciadas) e, principalmente, da própria lógica do desenvolvimento sustentável – promover o desenvolvimento atual sem colocar em perigo o desenvolvimento das gerações futuras. O movimento ambientalista (ou mesmo “ecologista”, como era chamado no século passado) que bradava em alerta aos perigos do aquecimento global era, essencialmente, um movimento preocupado com o futuro de nossa espécie no planeta.

Mas os dados da NASA são um primeiro indício que nos mostram que as previsões de um futuro distante podem ter sido por demais otimistas. Contudo, estes são apenas um dos indicadores. Somente nos últimos meses, já passamos por incêndios florestais incontroláveis, aumento no número e intensidade de furacões, ondas de calor excepcionais e os primeiros indícios concretos de aumento no nível médio dos mares. E cito aqui apenas as consequências físicas. Os efeitos indiretos na saúde pública, nos fluxos migratórios, na produção de alimentos, na disponibilidade de água e energia, no transporte e logística e em tantas, tantas outras esferas da sociedade global. As causas e efeitos decorrentes do aquecimento médio da temperatura global são tão complexos, desconexos e ainda a se conhecer plenamente que mesmo todos os pontos levantados nesse parágrafo podem ou não ter explicação exclusiva ou majoritária pela mudança do clima.

Refugiados Climáticos
Dezenas de milhares de refugiados somalis fogem das enchentes em Dadaab, no Quênia. O campo de refugiados de Dadaab localiza-se em uma área passível tanto de inundações quanto de secas, tornando desafiadora a vida dos refugiados e a prestação de assistência do ACNUR. / Imagem: ACNUR/B.Bannon

E é bom que se frise isso: os efeitos individuais citados acima não podem facilmente ter causa-consequência definida a partir da mudança do clima, mas o conjunto dos mesmos, sim, já pode. E é esse o ponto desse artigo: o que era para ser para as próximas gerações já está acontecendo agora. Lembro imediatamente da excepcional fala do governador de Washington, Jay Inslee, repetida e ecoada por Barack Obama:

Nós somos a primeira geração a sentir o impacto da mudança do clima – e a última geração que pode fazer algo sobre isso.

O relatório especial lançado no ano passado pelo IPCC (a nata da ciência climática global) aborda justamente esses impactos, atuais, num futuro próximo e no fim do século. O nível de confiança científica no tema é, hoje, muito mais um subsídio para políticas públicas assertivas do que motivos para desconfianças e teorias da conspiração (afinal você não acredita que o aquecimento global possa ser uma invenção americana/chinesa/reptiliana para dominação global junto aos Iluminati… né?).

Figura – 5 razões para preocupação ilustram os impactos e riscos de diferentes níveis de aquecimento global para pessoas, economias e ecossistemas por setores e regiões. / Fonte: IPCC.

Mas passamos por um momento em que, por vezes, o óbvio deve ser repetido, bradado, sob o risco de não nos perdermos em argumentações polarizadas e, claro, pseudocientíficas. E é justamente por isso que, quando o Ministro do Meio Ambiente do Brasil, Ricardo Salles, afirma que temos coisas mais tangíveis com que nos preocupar, pois as mudanças do clima são uma discussão “acadêmica” sobre como estará a Terra “daqui a 500 anos”… bem, precisamos reforçar, relembrar e pontuar quais devem ser as reais prioridades que devemos ter, seja como brasileiros, seja como membros da espécie humana.

Se o clima fosse um banco, ele já teria sido salvo. / Imagem: Creative Commons

Não, Ministro Salles, as mudanças climáticas definitivamente não são um problema só para daqui a meio milênio. Nem somente um grande problema que estamos legando também a nossos filhos e netos. As mudanças do clima estão aqui. Já estão impactando – em alguns casos de forma cada vez mais irreversível – nossa sociedade, nossa economia, nosso ecossistema.

Fechar os olhos para o que está acontecendo já deixou há muito de ser apenas uma opção político-ideológica, um posicionamento antissistêmico, ou seja lá o que quiserem justificar.

É apenas tolice.

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MALTA, Fernando. Mudanças Climáticas não são um problema para daqui a 500 anos. Já estamos sofrendo as consequências!. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/mudancas-climaticas-nao-e-problema-para-daqui-a-500-anos.html>.

Nosso Conforto e Nossas Escolhas: Estamos prontos para viver em sociedade?

Época de férias nos lembra viagens, hotéis, praias, aviões, ônibus, excursões e diversão. No ritmo atual de trabalho, em que muitos passam 11 meses desesperados tentando cumprir todas as tarefas e metas pessoais e profissionais, o que mais queremos nas férias é sombra e água fresca, tranquilidade e conforto.

Imagem: Creative Commons

Estive em Porto Alegre, minha querida cidade natal. Desta vez fui acompanhar meu marido, que estava a trabalho e ficamos em um hotel fornecido pela empresa. Um bom hotel, muito confortável. A capital do Rio Grande do Sul sempre teve verões bastante quentes e foi apelidada de Forno Alegre. Pois bem, em janeiro, tivemos três dias escaldantes, dignos do apelido carinhoso da cidade. A temperatura chegava próxima dos 40 graus ao meio dia e dos 30 graus à noite.

Antes de ir a Porto Alegre, já estávamos experimentando um clima saariano em Santos, com todos comentando que o ar-condicionado teria se tornado um item de necessidade e saúde. Jantamos dia desses na casa de um amigo que sequer possuía ventilador. Confesso que senti muito calor, bebi litros e litros de água gelada e mesmo assim tive um episódio de pressão baixa devido ao calor excessivo.

Mas em Porto Alegre, como ficaria apenas por três dias, optei por passear de ônibus.  Pelo preço, pela causa ambiental e para poder ficar apreciando paisagens diferentes. Afinal, eu tinha tempo e estava passeando.

No primeiro dia, fui até a recepção do hotel, por volta de 9h30 para pedir informações sobre qual ônibus deveria pegar para chegar até a perimetral, aonde sabia que poderia pegar um ônibus para o meu local de destino. A recepcionista fez cara de espanto e disse: “Sério? A senhora quer sair neste calor e enfrentar dois ônibus? Nem todos têm ar-condicionado, hein? Fora que a senhora vai ficar esperando no ponto pelo menos uns 15 minutos. Se chamar pelo aplicativo, é capaz de conseguir um preço parecido com o do ônibus, que já está custando R$ 4,00.”. Eu ri. Disse que já havia ponderado isso, mas que decidi ir de ônibus. Ela acabou me indicando o ônibus que eu precisava pegar e uma lotação (que tem ar-condicionado, mas é mais cara).

Imagem: Wikimedia

No dia seguinte a cena foi parecida, com outra recepcionista. Ela disse: “Olha, a senhora até vai chegar lá, mas vai demorar quase uma hora. Se for de táxi ou por aplicativo, em 20 minutos chega e ainda tem ar-condicionado.”. Sorri e foi pegar o ônibus.

Enquanto esperava o ônibus, que no primeiro dia levou mais de 15 minutos, fiquei pensando o porquê era tão inaceitável e estranho eu ter optado pelo transporte coletivo. Parece que encaramos o ônibus como o nosso calvário diário para o trabalho e não conseguimos conceber um momento de prazer e diversão em um ônibus – muito menos em um dia de calor.

Não lembrava, mas os ônibus de Porto Alegre têm há muitos anos (mais de 10) um concurso anual de poemas, cujos textos ganhadores  são impressos em adesivos e colados nos vidros dos coletivos. Adorava ler aqueles textos e quase sempre me perdia em pensamentos criativos após ler um deles. Literalmente viajava com os poemas. Faltou o ar-condicionado em 3 dos 7 ônibus que peguei em Porto Alegre, mas todos tinham poemas na janela. Um mais lindo que o outro.

Imagem: Projeto Poemas no Ônibus e no Trem

Também revi e conheci muitos locais a bordo dos ônibus nesses três dias. Conheci pessoas e conversei. Pude ver uma equipe filmando uma cena de um skatista num ponto de ônibus da perimetral. No final das contas foram momentos muito bons, com e sem ar-condicionado. O que me inquietou foi pensar que uma opção que privilegiava o nosso conforto (menos emissões de carbono na atmosfera) fosse vista quase como uma escolha pouco inteligente. Por que o meu conforto não pode ser um pouco menor para que todos possamos ter mais conforto?

Para conhecer mais do Projeto Poemas no Ônibus e no Trem acesse:
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STEFFEN, Janaína. Nosso Conforto e Nossas Escolhas: Estamos prontos para viver em sociedade?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/nosso-conforto-e-nossas-escolhas-estamos-prontos-para-viver-em-sociedade.html>.

Desafios da Sustentabilidade na China

Recentemente me mudei para China. Nunca imaginei (ou desejei) morar aqui, mas a vida tem dessas coisas… te leva a lugares inesperados onde experiências incríveis acontecem. Até hoje minha vida foi assim. Pois bem, me mudei para Shanghai, a maior cidade da China e um dos maiores centros urbanos do mundo com mais de 24 milhões de habitantes.

A primeira reação de muitas pessoas quando falamos na China é: “Nossa, o que você vai fazer com sustentabilidade lá?” ou “O pior lugar para ser sustentável é na China”. A verdade não é bem assim, há muito o que fazer aqui. Além de uma infinidade de recursos disponíveis, o país esta aberto para soluções sustentáveis. A China é o terceiro maior país do mundo, atrás somente da Rússia e do Canadá, e como em qualquer grande país as realidades são distintas dependendo da região.

Shanghai, a maior cidade da China. / Imagem: Creative Commos

Definindo Sustentabilidade

Até quase o final do século XX, a noção de sustentabilidade para a maioria dos chineses significava simplesmente ter o suficiente para comer. Para muitos, a vida é melhor agora do que no passado. Dos anos 1980 até hoje, estima-se que 400 milhões de pessoas foram retiradas da pobreza absoluta e agora tem uma classe média próspera. Mas o crescimento irrestrito trouxe também problemas. Estes incluem uma ampla gama de questões ambientais. Olhando para os dilemas de sustentabilidade na China hoje, é importante que as pessoas de fora compreendam o seguinte:

  • As questões de sustentabilidade da China não estão historicamente ligadas ao consumo privado como nos Estados Unidos ou na Europa Ocidental; elas estão ligadas aos processos industriais que apoiam o modelo de desenvolvimento econômico da China.
  • A China não vê as emissões como um problema que deve ser tratado imediatamente. Com milhões de pessoas ainda na pobreza, o crescimento econômico ainda é a prioridade.
  • A maior pressão que a China enfrenta para resolver problemas de sustentabilidade vem de dentro, como por exemplo a insatisfação dos cidadãos com a poluição do ar. Pressões externas ou preocupações com o planeta como um todo são secundárias.
Praça Tiananmen em Beijin, China, encoberta por poluição atmosférica pesada. / Imagem: China/Newscom.

Ecologia e Economia

As questões que a China enfrenta estão amplamente ligadas ao desenvolvimento econômico. Eu estava conversando com um novo colega de trabalho e ele me disse o seguinte: “Ensinar Ecologia Profunda aqui na China é um grande desafio, este conceito sobre o mundo natural ter valor intrínseco é uma ideia muito difícil para eles.”. O que o meu colega quis dizer é que sustentabilidade só é interessante para os chineses porque reflete na saúde da população, a integridade do mundo natural por si só não é prioridade, a natureza é vista como recurso. Hoje em dia as lideranças entendem que tudo esta interconectado, no entanto nem sempre foi assim.

Em 2007, o segundo maior lago de água doce da China experimentou uma proliferação de algas que arruinou um destino turístico popular e resultou em escassez de água para três milhões de pessoas. Este foi um momento de reflexão, particularmente para aqueles mais próximos do lago e os governantes chineses que começaram a ligar os pontos entre economia e ecologia. A China é a segunda maior economia do mundo e atualmente, sob o comando do presidente Xi Jinping, o país vem dobrando os esforços para limpar seu ar, água e terra.

Plano de Ação 2020

Em 2018, o Estado divulgou um plano de ação de três anos para combater a poluição do ar. Nomeado “2020 Action Plan” o país estabeleceu metas no combate às mudanças climáticas, exigindo “grandes reduções nas emissões totais dos principais poluentes em coordenação com a redução das emissões de gases de efeito estufa”. Como parte do plano a China emprega uma série de ferramentas.

Carros Elétricos

Hoje, as principais cidades chinesas estão construindo centenas de postos de abastecimentos para carros elétricos. No momento, não adianta incentivar a venda destes automóveis se o uso diário não é possível. Com novos postos de abastecimentos por todas as principais cidades na China, junto ao incentivo da indústria automobilística chinesa, a transição para carros elétricos irá acontecer de forma rápida e efetiva. Em Shanghai todas as motocicletas (e a maioria dos ônibus) já são elétricos, isto torna as ruas incrivelmente mais silenciosas e diminui consideravelmente a emissão de gases poluentes.

Motocicletas elétricas esperando o sinal de trânsito em Chengdu, Sichuan. / Imagem: killerturnip

Energia Solar

A China também é o país com maior capacidade instalada de energia solar do mundo, com gigantescos 130 gigawatts. Se tudo isso gerasse eletricidade de uma só vez, poderia alimentar todo o Reino Unido várias vezes. O país abriga muitas fazendas solares de tamanho considerável – incluindo a imensa usina hidrelétrica de Longyangxia, de 850 megawatts, no Planalto Tibetano, com seus quatro milhões de painéis. E a maior usina solar do mundo no momento está no Deserto de Tengger, na China – sua capacidade excede 1.500 megawatts.

Longyangxia Dam Solar Park na China. / Imagem: Solar Insure

Descarte Consciente

Durante décadas, a China foi o maior importador de lixo do mundo, sendo o depósito para mais da metade do lixo mundial, importando quase 9 milhões de toneladas de sucata por ano. A partir de 2018 a China proibiu a importação de 24 tipos de sucata, essa decisão impactou positivamente a China que reduziu automaticamente a sua quantidade de descarte e poluentes. A proibição também impactou os países exportadores, Estados Unidos, Reino Unido, União Europeia e Japão (entre outros), que ainda estão lutando por uma alternativa à China. Estes países agora tem de criar uma solução a longo prazo para seu descarte, muitos estão repensando sua política de consumo.

Sacolas Plásticas 

Ano passado as autoridades chinesas anunciaram que, a partir de junho, todas as lojas da China seriam proibidas de oferecer aos clientes sacolas plásticas grátis. O governo está incentivando os clientes a usar sacolas de pano e cestas. O país estava usando 3 bilhões de sacolas plásticas por dia – o dobro que os americanos usam. Agora, o uso de sacolas caiu 66%. A proibição de sacolas plásticas foi uma maneira de reduzir o uso de petróleo da China. Para atender a demanda do país por sacolas plásticas, a China teria que refinar 5 milhões de toneladas, ou 37 milhões de barris de petróleo a cada ano. A China já economizou 1,6 bilhão de toneladas de petróleo com esta nova medida.

Segundo dados de 2017, a China tem uma população de 1.386 bilhões de pessoas, sendo o país com a maior população do mundo. Aqui, como em outros lugares, o desafio da sustentabilidade exige uma reestruturação sistemática profunda. Isso vai levar tempo, os próximos anos serão cruciais, no entanto o país já esta se movendo nesta direção.

Você quer saber mais sobre a China? Deixa um comentário aqui. Nós próximos artigos vou refletir e explorar um pouco mais desta temática: Sustentabilidade na China.

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SOUZA, Maria Eduarda. Desafios da Sustentabilidade na China. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2019/02/desafios-da-sustentabilidade-na-china.html>.

Aprender a cozinhar pode ser o primeiro passo para uma vida mais sustentável

Quando pensamos em ter uma vida mais sustentável, pensamos em desapego, minimalismo, reciclagem, políticas ambientais, projetos, pequenas e grandes ações. Pensamos em repaginar toda a nossa vida e dentro disso está o quesito: Mudança de hábito. Uma vida mais sustentável exige novos hábitos desde a forma de pensar até chegar na prática de qualquer ideia que tenhamos em mente.

E dentro desse giro, de todos os hábitos que temos, o de cozinhar é um dos que pode nos inspirar a mudar também outros hábitos e estabelecer um solo ideal e mais firme para uma caminhada rumo a uma vida profundamente conectada ao meio ambiente.

Imagem: Creative Commons

Colocar tal hábito em prática de maneira organizada, criativa, consciente e leve, transforma a rotina, mexe com a saúde do corpo, com a parte das finanças familiares, cria uma gestão diferente do tempo, altera o modelo de consumo e isso, certamente atinge o meio ambiente. A cozinha traz um espaço incrível para exercitar ideias e também para medir nosso nível de consciência e cuidado ao espaço Terra que habitamos.

O que cozinhar nos traz de lição, afinal?


Quando há interesse, certamente há êxito

Já diz a frase: aquilo em que colocamos atenção, cresce! Então, se a sua meta de aprender a cozinhar tem entusiasmo e ânimo, vai acontecer.

Eis a lição da força semente! Na natureza tudo nasce de dentro para fora e ganha proporção, cor, fluidez, flor, fruto, transformando o cenário. Conosco é a mesma coisa. Mover-se antes por dentro é premissa básica.

Gestão do tempo com qualidade e leveza é certeira!

Imagem: Creative Commons

Se a proposta é cozinhar, será preciso reduzir tempo do “não útil” e colocá-lo a favor do útil e benéfico. Já pensou em desligar a TV por algumas horas, sair do celular e do computador e passar um tempo em sua cozinha?  Vai notar que dá tempo sim, que dá certo e que principalmente dá o retorno ao hábito do fazer, do trabalhar com as mãos, com a própria arte criativa que contemos. Arte criativa que move o artesanal, o orgânico do mundo! Além disso, você economiza na luz (menos TV, menos computador, mais presença livre e natural).

Eis a lição do tempo certo de cada coisa, da beleza do detalhe. Na natureza nada é antes e nem depois, mas no momento preciso, exato e sem inutilidade. Tudo que a natureza produz é necessário e tem uma bela característica, se olharmos bem.

Menos custo, menos consumo, menos lixo

Cozinhar pode te garantir marmitas deliciosas e não filas imensas de restaurantes, caso sua empresa tenha um local para esquentar e degustar sua preparação. Além disso, ter sua marmita evita que aquele monte de embalagem de comida pronta, se crie e saia poluindo os espaços. Já viram quanto lixo uma refeição que é pedida pelo telefone, produz? Repare bem. Se o restaurante que você pede comida ou frequenta não tem esse olhar mais “eco”, é bom repensar. Financiar aquele monte de desperdício de alimentos e uma imensa quantidade de lixo, não é uma boa pedida.

Imagem: Creative Commons

Cozinhar consciente te move a comprar o necessário, sem tanta embalagem de isopor, levar sua sacolinha ecológica, aproveitar alimentos da época, garantindo a redução de lixo e o uso integral dos alimentos. Se despeça de vez, de tanta embalagem de pré-prontos! Além disso, ter uma refeição com comida de verdade e compartilhá-la com a família, não tem preço!

Eis a lição do senso de medida que a natureza tem consigo e de sua autenticidade. A natureza nos oferece o suficiente e tem consigo a força da verdade. Cada elemento é o que é, e sabe bem como se mover. Vale para a gente: Ter o cuidado com o consumo, lembrando que somos tutores e não donos do planeta. Mover-se dentro dessa consciência, garante um ajuste melhor de nossa presença por aqui. Criamos o hábito de não alimentar práticas não sustentáveis.

Reeducação das empresas e dos produtores

Quando aprendemos a medir nosso consumo, a prestar atenção nas políticas ambientais das empresas e marcas que costumamos utilizar e principalmente quando questionamos tais empresas, exercitamos cidadania. Se determinada empresa não promove práticas sustentáveis, clientes conscientes não compram e, portanto, ou ela se reeduca ou não atinge suas metas. Cozinhar nos ensina que o consumidor é que promove o tipo de consumo que existe e não o contrário.

Imagem: Creative Commons

Eis a lição da adaptação que a natureza traz consigo! Já viram flores nascendo no asfalto? A água contornando a pedra? É a mesma coisa. A urbanização estabelece o concreto, mas a natureza estabelece com uma força sutil maravilhosa, sua decisão de existir saudável mesmo que façam parece impossível. Seres orgânicos tornam empresas orgânicas.

Saúde física, mental, prática de empatia e respeito

Imagem: Autoridade Fitness

Não é segredo que se alimentar com o feito em casa tem outro sabor, outra energia; Claro, que é preciso que a comida seja boa, composta por itens saudáveis e feita com dedicação. Quando aprendemos a cozinhar consciente, compreendemos que existe toda uma cadeia de produção até aquele alimento se estabelecer em nossa mesa.

Diante do que vamos aprendendo, tanto de técnicas de uso integral de alimentos quanto de modos de produção, seremos capazes de criar pensamentos mais objetivos e esclarecedores sobre o que é de fato, praticar sustentabilidade, além das bonitas teorias. Teremos uma mente realista e saudável.

Com uma boa alimentação, o corpo funciona bem e com doses de empatia e respeito a cada ser senciente que conosco divide o planeta, fica melhor ainda! Eis a, lição de amor que a natureza traz consigo!

Menos dependência de sistemas e pessoas

Uma vida sustentável envolve autonomia, diferente de individualismo. Cozinhar consciente vai nos mover a plantar mesmo que seja na cantoneira! A criar com o que temos e a compartilhar. Não ficaremos mais presos a marcas, a um sistema que degrada o meio e também vidas. O produtor local ganha com isso e nós aprendemos a “nos virar”. Ser sustentável é saber se manter e estar disposto a fazer, criar, cuidar e não apenas receber e esperar que algo ou alguém nos dê o sabor da vida!

Eis a lição do crescer que exista na natureza. Ela embeleza os espaços disponíveis e ainda que não aparente, está sempre em movimento.

Imagem: Creative Commons

Por fim, este é o último post do ano e as festas logo chegam. Aproveite e faça sua ceia com elementos de simplicidade, elementos de época, use e abuse da criatividade! Prepare os alimentos integralmente, compartilhe, vivencie um momento novo, se ainda não sabe cozinhar.

E se você já sabe, que tal sair do mais do mesmo e reduzir, reutilizar e se reinventar mais “orgânico”? Se existe uma meta incrível para o novo dia, mês ou ano, tal meta é aprender a cozinhar! Meta libertadora e nutridora nos mais diversos aspectos. Sucesso!

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AMORES, Valéria. Aprender a cozinhar pode ser o primeiro passo para uma vida mais sustentável. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/12/cozinhar-primeiro-passo-vida-sustentavel.html>.

Viajar de avião é sustentável?

Já abordamos a temática de turismo sustentável em várias matérias em nosso site, todas elas mostrando, de alguma forma, como ser um turista consciente de suas responsabilidades com os locais visitados, seja em relação aos impactos causados ao meio ambiente ou às comunidades locais.

No entanto, é necessário abordar uma dimensão do setor de turismo, muito utilizada para chegar aos nossos destinos, que é grandemente responsável pela emissão de dióxido de carbono (CO2) (o gás de efeito estufa (GEE) mais presente na atmosfera e grande responsável pelo aquecimento global) [1], e indiscutível colaborador das mudanças climáticas, a aviação civil.

Aeroporto
Imagem: Creative Commons

A previsão para os próximos anos é que o setor de aviação civil sofra um aumento considerável das emissões de GEE, fator preocupante tendo em vista os efeitos já em curso das mudanças climáticas. E o que fazer diante deste cenário? Para viagens de curtas distâncias, o ideal seria optar por outros meios de transporte menos poluentes que os aviões como trens e ônibus. No entanto, no Brasil esbarramos em vários obstáculos quando consideramos essa substituição, a falta de infraestrutura, e mesmo a quase inexistência do modal ferroviário.

A nível internacional, a preocupação com as emissões de carbono no setor da aviação civil vem suscitando a busca por biocombustíveis e combustíveis não poluentes. Além disso, desde outubro de 2016, que a ICAO – International Civil Aviation Organization  (em português: Organização de Aviação Civil Internacional (OACI)) [2] aprovou resolução que define as diretrizes regulatórias para um esquema global de compensação de emissões de carbono (CO2) para o transporte aéreo internacional. A GMBM (Global Market-Based Measure) é uma iniciativa que tem por finalidade promover o crescimento neutro de COda aviação civil internacional a partir de 2020 [3].

Emissões
Imagem: Creative Commons

Segundo a ANAC – Agência Nacional de Aviação Civil, principal órgão técnico responsável pelo desenvolvimento das SARPs (Standard and Recommended Practices) no âmbito da ICAO, a iniciativa do GMBM [4] será dividida em duas fases tendo duração de 15 anos. A primeira fase entrará em vigor em 2021 e se findará em 2026 e possui caráter voluntário. Já a segunda fase que se iniciará em 2027 será compulsória para todos os países cuja indústria de transporte aéreo internacional esteja acima do limite mínimo estabelecido (0,5% RTK global). Infelizmente, já foi anunciado que o Brasil pretende aderir ao acordo apenas a partir de 2027.

Apesar deste último fato, o Brasil vem investindo no mercado de biocombustíveis para a aviação buscando além de soluções para descarbonizar o setor, sair na vanguarda garantindo a posição de grande player e o consequente retorno econômico. De olho nessa promissora oportunidade Embraer e Boeing estabeleceram parceria para o estabelecimento de uma cadeia de biocombustíveis sustentáveis para a aviação. Em 2015 foi criado o Centro Conjunto de Pesquisa em Biocombustíveis Sustentáveis de Aviação, que juntamente com o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), desenvolvem estudo para a criação de biorrefinarias a partir de usinas de cana-de-açúcar [5].

Canavial
Imagem: Secretaria de Energia e Mineração

É louvável a iniciativa brasileira para a produção de biocombustíveis, apenas devemos ficar atentos ao caráter do uso de terras para essa finalidade, uma vez que, para o cultivo de cana-de-açúcar são necessárias vastas extensões de terra, o que acaba gerando custos ambientais. Outro fato que é necessária atenção é o desenvolvimento de outros tecnologias de produção de combustíveis não poluentes como os combustíveis power-to-liquid (eletricidade para líquido – PtL), que apesar de ainda caros se apresentam como possível solução para os custos ambientais gerados pelos biocombustíveis.

[1] ANP, Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. Biocombustíveis de Aviação. Para acessar a matéria, clique aqui.

[2] A ICAO é a agência especializada das Nações Unidas responsável pela promoção do desenvolvimento seguro e ordenado da aviação civil mundial, por meio do estabelecimento de normas e regulamentos necessários para a segurança, eficiência e regularidade aéreas, bem como para a proteção ambiental da aviação. Com sede em Montreal, Canadá, a ICAO é a principal organização governamental de aviação civil, sendo formada por 191 Estados-contratantes e representantes da indústria e de profissionais da aviação. Para saber mais, clique aqui.

[3] ANAC, Agência Nacioal de Aviação Civil. Brasil apoia aprovação de resolução para redução de emissões de CO2 na aviação. Para acessar a matéria, clique aqui.

[4] O acordo aprovado na ICAO prevê uma ‘abordagem dinâmica’ (chamada de dynamic approach) para a forma de cálculo das compensações que terão que ser pagas pelas empresas aéreas dos países participantes. As obrigações de compensações serão inicialmente calculadas a partir do percentual global de crescimento da indústria de transporte aéreo internacional. Nesse caso, por exemplo, será calculado o percentual de emissões das que partem ou chegam do Brasil no mercado internacional e esse valor será dividido pelas empresas aéreas de acordo com a participação de mercado de cada empresa. A partir de 2029, as obrigações de compensação serão computadas por meio de um indicador que considera a taxa global de crescimento da indústria dividida de acordo com o percentual de crescimento individual de cada empresa.

[5] G1. Boeing destaca parceria com Embraer para desenvolver biocombustível. Para acessar a matéria, clique aqui.

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ABREU, Nathália. Viajar de avião é sustentável?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/12/viajar-de-aviao-e-sustentavel.html>.

Fernando de Noronha proíbe uso e venda de plásticos descartáveis

Canudos, garrafas, copos, talheres e sacolas não poderão ser utilizados no arquipélago. Prazo para adequação à lei é de 120 dias

No Arquipélago de Fernando de Noronha, se tem a sensação de estar em uma parte do Brasil que deu certo, são 17 km² de raras belezas e cenários deslumbrantes. Sua população é de apenas 3.021 habitantes, de acordo com o IBGE, e o turismo é desenvolvido de forma sustentável, criando a oportunidade do encontro equilibrado do homem com a natureza em um dos santuários ecológicos mais importantes do mundo.

Seu rígido controle no número de turistas que visitam a ilha, as diversas iniciativas que visam reduzir as emissões de carbono e o envolvimento da comunidade local nos projetos são algumas das iniciativas.

Imagem: Creative Commons

Hoje, dia 13 de dezembro, Noronha sai novamente na frente e se torna pioneira ao decretar o fim dos plásticos descartáveis em todo o arquipélago.

O Decreto assinado pelo Administrador Geral da Ilha, Guilherme Rocha, proíbe em toda a Ilha, a entrada, comercialização e uso de recipientes e embalagens descartáveis, entre eles garrafas plásticas de bebidas (inferiores a 500 ml), canudos, copos, prato e talheres descartáveis, além de sacolas plásticas descartáveis. Embalagens e recipientes de isopor (poliestirenos expandido e extrusado) e outros produtos compostos por polietilenos, polipropilenos ou similares também foram proibidos.

Além de proibir os plásticos descartáveis, o Decreto estimula o uso de sacolas retornáveis/reutilizáveis, embalagens de papel, ou de materiais que sejam biodegradáveis.

A regra se aplica a todos os estabelecimentos e atividades comerciais como bares, restaurantes, hotéis e pousadas, ambulantes, além dos próprios moradores e os turistas que visitam a região. A medida prevê sanções e multas em caso de descumprimento da norma.

Imagem: Creative Commons

Publicado hoje no Diário Oficial de Pernambuco, o Decreto passa a vigorar em 120 dias. Nesse período, serão realizados trabalhos educacionais para orientar moradores, visitantes e estabelecimentos comerciais sobre a nova regra.

Fernando de Noronha é um destino dos sonhos e incrível para quem é apaixonado por turismo sustentável! Que essa iniciativa inspire outras por todo o Brasil.

Com informações: Época NegóciosFolha Pernambuco e G1

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SOUZA, L. B. Leonardo. Fernando de Noronha proíbe uso e venda de plásticos descartáveis. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/12/fernando-de-noronha-decreto-proibe-plastico-descartavel.html>.

Vai viajar de carro com o pet? Veja 5 cuidados no transporte

Férias chegando, você já arrumando as malas e se preparando para aquela viagem de descanso. Mas e o seu cachorro ou gato? Deixar sozinho é que não pode. Às vezes é complicado arrumar alguém para cuidar aos 45 do segundo tempo. Então o jeito mesmo é levar o pet junto com você!

Mas quais são os cuidados necessários para transportar com segurança o pet em uma viagem? Nós vamos te ajudar, vem com a gente!

1 – Caixa de transporte

Levar um bicho de estimação solto no veículo pode causar acidentes e colocar em risco não só a vida do animal, mas também do condutor, passageiros e dos outros motoristas ao redor. Em uma colisão a 60 km/h, o peso é multiplicado por 50, ou seja, um cachorro de 10kg atinge um impacto equivalente a 500kg. Além disso, pode resultar em multa e até acarretar em apreensão do veículo.

Para isso, é altamente recomendado que os pets sejam acomodados em caixas de transporte. Elas são fáceis de serem encontradas, bem seguras e deixam o pet protegido no caso de uma colisão.

O tamanho ideal da caixa de transporte é o suficiente para o conforto para o seu gato ou cachorro. Se a caixa for muito grande, perde-se a função de segurança já que há muito espaço sobrando e o pet pode se ferir ao bater nas laterais. E não esqueça, procure sempre caixa com aberturas e bem ventiladas para dar conforto ao animal.

Um lembrete! Por mais segura que a caixa pareça, não é o suficiente. É necessário mantê-la fixa ao assento do carro, para que o pet seja transportado com segurança.

2- Bolsas e cadeirinhas

Esse método é adequado para animais de pequeno porte, que não pesam mais do que 10 quilos.

As bolsas e cadeirinhas para transporte no carro são, em geral, feitas de lona com outros tecidos e, por essa razão, são mega confortáveis e também apresentam segurança. Elas possuem cintos internos e devem ser anexados ao banco.

3- Cintos de segurança

Para cães, o mais indicado são os cintos de segurança. Nele, o cão fica sentado no banco traseiro bem como qualquer outro passageiro humano. É bem fácil de usar, versátil e atende a todos os portes de animais, sendo a preferida para os pets maiores.

Ergonômico e adaptável aos diferentes tipos de veículos, o cinto funciona como um peitoral que é conectado ao local do cinto de segurança.

4- Paradas programadas

Procure fazer paradas a cada duas de viagem. Durante esses descansos, encontre um local adequado para que seu pet faça as necessidades e beber um pouco de água.

Importante! Saia sempre com jornais para recolher as fezes do seu pet durante os passeios.

5- Alimentação

 Nas 3 (três) horas anteriores à viagem, não alimente o seu cão. Para água a regra deve ser uma hora antes. Em caso de felino, o jejum é de duas horas antes do percurso. Assim evita-se que o animal fique enjoado e com náuseas durante o percurso. Também reduza a quantidade de comida para evitar um aumento da defecação. Mas, lembre-se, ao chegar ao seu destino, que o seu pet precisa se alimentar mais devido à restrição.

Se o pet for muito agitado e mesmo com todos os cuidados acima, passar mal durante passeios, consulte um veterinário para prescrever algum medicamento para que o trajeto seja feito de maneira mais tranquila.

Outros detalhes

  • Verifique com antecedência se o local onde irá se hospedar aceita animais de estimação;
  • Coloque identificação na coleira do seu bichinho, com nome e telefone, para caso ele se perca;
  • Consulte o veterinário antes da viagem e peça para que ele indique remédios básicos para caso de emergência;
  • Leve os documentos do pet, como cartão de vacina, por exemplo;
  • Não esqueça de preparar uma bagagem com a quantidade necessária de ração, potes para água e comida, além de outros utensílios como toalhas e cama/ colchão.

Com informações: DETRAN-PR, DETRAN-PR, Granvita Pet e Meu Porto Seguro

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SOUZA, L. B. Leonardo. Vai viajar de carro com o pet? Veja 5 cuidados no transporte. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/12/viagem-carro-cuidados-transporte-pet.html>.

Entenda a diferença entre turismo de aventura, ecoturismo e turismo sustentável

As atividades turísticas podem ser bastante prejudiciais ao meio ambiente, uma vez que se faz uso do patrimônio natural sem considerar a sua conservação, o que prejudica a natureza como um todo. Mas não se preocupe, há soluções para este problema.

Há diferentes modalidades de turismo com atividades que prezam pela preservação da natureza e de seus recursos. Para te ajudar a encontrar a modalidade certa para você aproveitar melhor a experiência da viagem, vamos explicar neste post a diferença entre turismo de aventura, ecoturismo e turismo sustentável.

Assim, ficará mais fácil para você escolher qual dessas modalidades mais se encaixa nas suas preferências! Vamos lá!

Turismo de aventura

É a modalidade em que o turista protagoniza atividades de aventura relacionada à “experiência física e sensorial recreativa que envolvem desafios e que podem proporcionar sensações diversas como liberdade, prazer e superação”.

Elas podem ocorrer em diversos espaços, seja natureza ou em algum equipamento construído, seja em área urbana ou rural. Vale lembrar que é considerado turismo de aventura modalidades de caráter recreativo e não competitivo – quando há competição, é considerado Turismo de Esportes.

Imagem: Creative Commons

Como exemplos de atividades desta modalidade: trilhas, canoagem, rapel, mountain bike, surf, mergulho, trekking, arborismo, exploração de cavernas entre outras atividades.

Ecoturismo (ou turismo ecológico)

De acordo com a Sociedade Internacional de Ecoturismo, a modalidade de Ecoturismo é uma viagem responsável em áreas naturais, visando preservar o meio ambiente e promover o bem-estar da população local.

O Ecoturismo possui entre seus princípios a conservação do patrimônio natural e cultural aliada ao envolvimento das comunidades locais e a consciência ambiental nos turistas. As atividades devem promover a reflexão e a integração entre homem e ambiente, com envolvimento do turista nas questões relacionadas à conservação dos recursos, educação e desenvolvimento socioeconômico do destino escolhido.

Imagem: Creative Commons

Dentre as atividades relacionadas com essa modalidade destacam-se: Tirolesa, Cavalgada, Boia-cross, espeleologia, observação de fauna e flora, rafting, dentre outros.

Turismo sustentável

É mais que um segmento do turismo. O Turismo Sustentável propõe 7 princípios técnicos que devem ser sempre respeitados. São eles:

  • Respeitar a legislação vigente;
  • Garantir os direitos das populações locais;
  • Conservar o meio ambiente natural e sua diversidade;
  • Considerar o patrimônio cultural e valores locais;
  • Estimular o desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos;
  • Garantir a qualidade dos produtos, processos e atitudes;
  • Estabelecer o planejamento e a gestão responsáveis

Assim, o Turismo Sustentável é a atividade que satisfaz as necessidades dos turistas e as necessidades socioeconômicas das regiões receptoras, enquanto a integridade cultural, a integridade dos ambientes naturais e a diversidade biológica são mantidas para o futuro.

Um turismo que se desenvolve de forma sustentável envolve questões como a gestão dos recursos econômicos, sociais e estéticos, e mantém a diversidade biológica e particularidades culturais. Por isso, ele não é feito apenas quando o roteiro envolve trilhas ou esportes radicais.

Imagem: Passaporte Verde

Quer saber dicas de como ser um turista sustentável? Fizemos um post incrível com um miniguia para te ajudar. Para acessar, clique aqui.

Com informações: Ministério do Turismo, Ministério do Turismo e Pé Na Trilha

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SOUZA, L. B. Leonardo. Entenda a diferença entre turismo de aventura, ecoturismo e turismo sustentável. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/12/diferenca-turismo-de-aventura-ecoturismo-turismo-sustentavel.html>.

Passaporte Verde: Dicas para uma viagem sustentável

O turismo pode colaborar para fortalecer as comunidades locais e a cuidar do meio ambiente.

Como ser um turista melhor para o planeta ou ao menos para o lugar onde vamos passear? Essa é uma pergunta que sempre ouvimos por aqui quando chega as férias de meio ou de fim de ano.

Já temos o nosso Guia Prático de Turismo Sustentável, mas resolvemos ampliar e compilar algumas dicas básicas do guia Passaporte Verde, uma iniciativa da ONU Meio Ambiente que estimula a adoção de práticas sustentáveis no dia a dia, nas viagens a lazer ou a trabalho, nos passeios em feriados e fins de semana.

Imagem: Passaporte Verde

O guia Passaporte Verde traz orientações e dicas que mostram que um comportamento sustentável do turista pode favorecer a economia local, contribuir para a conservação do meio ambiente e desenvolver socioeconomicamente a comunidade que visita. Confira as dicas a seguir:

ESCOLHA CORRETAMENTE O SEU DESTINO

  • Esse é o primeiro passo para tornar sua viagem mais sustentável. Muitos paraísos turísticos brasileiros e mundiais sofrem com o turismo desordenado e irresponsável. Assim, procure saber mais sobre o seu destino e busque roteiros que permitam conhecer a cultura e as belezas naturais e vivenciar o ritmo local;
  • Certifique-se de que o destino oferece meios de transporte, acomodações, tratamento de lixo e esgoto e políticas mais sustentáveis, assim como respeito à cultura e à comunidade;
  • Também procure em sites especializados em viagens responsáveis, ecoturismo e turismo sustentável, que auxiliam turistas conscientes a escolher destinos não apenas bonitos, mas que permitam verdadeiras experiências de aprendizado e benefícios recíprocos tanto para o viajante, como para as comunidades e o meio ambiente;
  • Se possível viaje na baixa temporada, para não sobrecarregar ainda mais o destino escolhido.
Imagem: Creative Commons

ESCOLHA DA MELHOR ACOMODAÇÃO

  • Faça com que os seus gastos valham a pena escolhendo operadoras de turismo, pousadas e hotéis comprometidos com o desenvolvimento sustentável do município e que evitem danos ambientais;
  • Prefira hotéis que fiquem próximos aos locais que deseja conhecer, para se deslocar a pé, alugando bicicletas ou utilizando transporte público. Assim você economiza em transporte e diminui a emissão de poluentes;
  • Prefira acomodações que tenham equipamentos eficientes e que permitam o uso racional da energia e da água;
  • Lembre-se de que, pela legislação brasileira, existem locais onde não se pode construir nada ou é necessária licença dos órgãos ambientais para isso. Evite hospedar-se em instalações construídas em Áreas de Preservação Permanente (APP), que são: beiras de rios, lagos e praias, topos de morros ou encostas muito inclinadas, restingas e manguezais, além de uma série de ambientes e ecossistemas frágeis;
Imagem: Creative Commons

O QUE LEVAR

  • Tente não levar de casa nada que possa comprar no local em que visitará. Isso contribui com a geração de empregos, aumenta a renda dos moradores e valoriza os talentos locais;
  • Faça uma mala mais enxuta: leve roupas que combinem entre si e dê preferência àquelas que não precisam ser passadas, assim você reduz a quantidade de malas e o consumo de energia;
  • Leve uma sacola retornável dobrável: ela vai ser útil para fazer compras e levar coisas à praia;
  • Na praia, utilizar protetor solar resistente à água para não poluir o mar e prejudicar a fauna marinha.
Imagem: Creative Commons

O QUE FAZER

  • Priorize o serviço de guias e condutores integrantes das comunidades locais;
  • Escolha os meios de transporte menos poluentes, lugares com menos concentração de turistas, hospedagens mais ecológicas e alimentação saudável;
  • Evitar o uso desnecessário de água e de produtos químicos, utilizando por mais de um dia suas toalhas de banho e rosto.
  • Fortaleça a economia local, consumindo produtos da região. Assim você também estará contribuindo para reduzir a emissão de gás carbônico no transporte de produtos que vêm de longas distâncias;
  • Prefira alimentos orgânicos e aproveite as frutas da estação! São mais gostosas e têm o melhor preço. Experimente sucos das frutas típicas da região;
  • Escolha restaurantes que possuem práticas sustentáveis como medidas para reduzir o desperdício de alimentos, que ofereçam pratos preparados com produtos locais e sazonais;
  • Em áreas naturais, como trilhas e praias, não deixe o lixo para trás, traga-o de volta. Folhas, conchas, pedrinhas e frutos não são suvenires. Deixe onde foram encontradas para que outros também possam apreciá-los;
  • Leve com você uma garrafa reutilizável, evite comprar garrafinhas de água, gerando mais resíduos;
  • Procure conhecer as Unidades de Conservação que permitem visitação, como parques, áreas de proteção ambiental, reservas de desenvolvimento sustentável, reservas particulares, entre outras;
  • Ajudar na educação de outros visitantes, transmitindo os princípios de mínimo impacto sempre que houver oportunidade de disseminar essa atitude responsável.
Imagem: Creative Commons

RESPEITE A CULTURA LOCAL

  • Cada comunidade tem sua própria tradição culinária e isso faz parte de seu patrimônio cultural. Valorize a gastronomia local e prove a riqueza de seus sabores;
  • Respeite locais religiosos ou históricos, sítios arqueológicos, tradições da população, sua história e cultura;
  • Saiba o máximo possível sobre os costumes e as tradições da região e evite comportamentos que possam ser ofensivos à cultura local;
  • Não deixe de ser você no modo de falar e se vestir, mas, se escolheu presenciar uma festa religiosa, cristã ou de tradição afro, por exemplo, respeite aquilo que o cerimonial lhe sugere. Cuide sempre de fazer silêncio quando necessário.

Quer saber mais dicas de como ser um turista consicente? Não deixe de conferir outras dicas de turismo sustentável através do guia do Passaporte Verde e visite o site do Passaporte Verde: http://www.unep.fr/greenpassport (em inglês).

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SOUZA, L. B. Leonardo. Passaporte Verde: Dicas para uma viagem sustentável. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/12/passaporte-verde-viagem-sustentavel.html>.

Recomeço, nova chance e resiliência

Entramos em dezembro e os pensamentos de Natal e Ano Novo estão a milhão! Fazer a faxina na casa, limpar armários, programar as festas, ir às confraternizações, providenciar presentes… e pensar nas promessas de final de ano.

A cada ano temos um recomeço, uma nova chance de fazer diferente, uma oportunidade de sonhar e criar novas realidades. Da mesma forma que as crianças acreditam que o Papai Noel pode trazer qualquer presente que elas sonharem, nós, adultos, também nos permitimos fazer planos e criar imagens mentais de situações que esperamos tornar realidade no próximo ano. Emagrecer, parar de fumar ou beber, viajar, comprar carro novo, fazer um novo curso, deixar de ser tão impaciente e teimosa.

Como canta a música: “Que todos os nossos sonhos, sejam verdade. O futuro já começou.” O nome disso é esperança. Uma vontade que vem do coração de que tudo se realize. Um desejo. Uma corrente de energia que nos faz acreditar nas possibilidades.

E todos precisamos destes ciclos e do encerramento deles. Que seria de nós sem a pausa do final do ano? Daquele momento para respirar fundo, encher o coração de amor e conforto na companhia dos nossos familiares e repensar nossas escolhas? Quando a jornada é longa precisamos de pausas e recomeços.

Imagem: Autossustentável

A própria natureza em seu ritmo incessante nasce e renasce, morre e se retroalimenta formando ciclos de renovação da energia vital. Mas o ser humano tem um diferencial: os sentimentos. Acompanhamos o movimento natural na medida em que nos mantemos resilientes aos movimentos da vida.

Contudo, a tarefa tem ficado mais difícil a cada ano. O número de pessoas que têm sucumbido aos solavancos e chacoalhões têm aumentado muito. Talvez estejamos mais cansados. Talvez o movimento tenha se tornado mais forte e intenso. Fato é que hoje o número de pessoas que experimenta dificuldade em manter o ritmo, mesmo com as pausas para recarga, têm aumentado. Fato é que nossa forma de encarar a vida e o seu movimento mudou. Esperamos mais da vida e das pessoas. Queremos mais, desejamos uma infinidade.

E como poderíamos ter tudo na vida? E como se sentir aceito e acolhido 100% do tempo? E como acertar sempre? É possível isso? E ainda que fosse possível, por quanto tempo você conseguiria sustentar tudo isso?

Mais do que esperar a vida mansa e perfeita, sonhar com acúmulo de bens e buscar o merecido reconhecimento, este é o tempo de acolher. Acolher tudo o que poderia ter sido e não foi; tudo que eu gostaria, mas que não é viável ou eu não consigo mais sustentar (pagar o preço material e emocional); tudo o que deu errado ou que eu fiz errado. É tempo de ser resiliente a ponto de juntar as folhas secas e transformá-los em combustível para a nova jornada. Aprender a ser sustentável de dentro pra fora.

Imagem: Creative Commons

E aqui, sustentabilidade passa a ter muitos sentidos: aquilo que você consegue sustentar, aquilo que você reciclou e transformou em energia nova, aquilo que vale a pena manter e você vai reutilizar, aquilo que você quer realizar e que se dispõe a pagar (material e emocionalmente – responsabilizar-se), aquilo que você recusou por saber que não tem condições de sustentar.

E como este é o último texto do ano, desejo que em 2019 possamos assimilar os 7 R`s da sustentabilidade dentro de cada um de nós!

Que estejamos dispostos e disponíveis para os movimentos da vida! Que tenhamos coragem de repensar, respeitar, responsabilizar-se, recusar, reduzir, reciclar e reaproveitar!

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Saiba como colocá-lo nas referências:

STEFFEN, Janaína. Recomeço, nova chance e resiliência. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/12/recomeco-nova-chance-e-resiliencia.html>.

Entenda o que é agroecologia e como a horta da sua escola pode seguir seus princípios

Para você que têm ou quer ter uma horta em sua escola ou instituição, a agroecologia te ajuda a ter uma relação mais sustentável e ecológica com o cultivo de alimentos. Você já ouviu falar sobre isso?

Agroecologia é uma abordagem agrícola que tem como enfoque a sustentabilidade ecológica dos sistemas de produção. Na prática, se traduz como uma maneira sustentável e resiliente de produção de alimentos, que respeita e valoriza as relações com a natureza e com todos os seres vivos, incluindo os serem humanos direta e indiretamente envolvidos. Ela busca reproduzir os padrões naturais, destacando as integrações entre espécies e fomentando o equilíbrio do sistema, cuidando e recuperando os solos sem o uso de qualquer agrotóxico, fertilizante químico ou transgênicos.

Apesar de ser um sistema aparentemente mais complexo e utilizado em cultivos de maior escala, seus princípios podem (e devem) ser aplicados nas hortas das escolas, independente do seu tamanho. Além de uma produção mais sustentável e que otimiza o uso de recursos, aumenta o potencial pedagógico desse espaço rico de possibilidades.

Imagem: Governo do Estado do Tocantins

1) Diversidade na horta: ao invés de plantar uma espécie em cada canteiro ou vaso, busque combinar diferentes tipos num mesmo espaço. Plantas diversas cultivadas juntas podem se ajudar e ainda melhoram o solo.

2) Cobertura do solo: é muito importante manter o solo da sua horta agroecológica sempre coberto com folhas secas. Essa simples técnica irá protege-lo de chuvas fortes, evitar que a água evapore rápido mantendo-o mais úmido e também adubá-lo a medida que as folhas se degradam.

Imagem: Creative Commons

3) Compostagem: a agroecologia fala bastante em não trazer recursos de fora do sistema e aproveitar o que têm disponível. Para que comprar adubo (mesmo que natural), se é possível produzi-lo de maneira simples compostando os resíduos orgânicos gerados na sua escola?

4) Saberes tradicionais:  não limite o conhecimento sobre a horta aos professores ou profissionais técnicos. Abra espaço para os saberes tradicionais e para pessoas que não costumam ter seu conhecimento valorizado no ambiente escolar. Convide e envolva as famílias, a comunidade do bairro e os demais funcionários da escola para participar e contribuir com esse projeto.

5) Relacionamentos na horta: as pessoas são parte fundamental em uma horta agroecológica. Ela precisa ser inclusiva e valorizar o diálogo, respeito e parcerias, fortalecendo e construindo novas relações. Quem decide sobre o que plantar e como colher? Quantas e quais pessoas estão envolvidas em seu cuidado? Ela fomenta diferentes parcerias ou causa discórdias e brigas? Uma boa estratégia é, por exemplo, a criação de uma comissão para que as principais discussões e decisões sejam realizadas no coletivo.

Imagem: Prefeitura de João Pessoa

Uma horta na escola é muito mais do que apenas um local ou sistema de produção de alimentos, é verdadeira sala de aula ao ar livre. Aprendem-se conteúdos de ciências, matemática ou geografia de maneira significativa e prática por meio da horta, além de desenvolver competências essenciais para a formação integral dos alunos. Mas mais que isso, ela reflete quais valores e relacionamentos são promovidos dentro e fora dela. O que sua escola tem cultivado?

Para saber mais:

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Saiba como colocá-lo nas referências:

RIBEIRO, Livia. Entenda o que é agroecologia e como a horta da sua escola pode seguir seus princípios. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/12/agroecologia-horta-escola.html>.

Como transformar sua cozinha em uma cozinha sustentável?

Mudar faz uma bagunça interessante. Ainda mais quando você decide colocar as ideias sustentáveis em prática.

Antes da mudança, foram alguns meses de “organização interna”. Primeiro, é preciso entender a dinâmica e a qualidade de nossa ecologia interna no momento (porque ela muda e é absolutamente normal) e captar ali, recursos, matéria prima, mesmo quando detectado algum tipo de caos. A reciclagem começa em nós.

Somente quando percebemos como está a arrumação interna e a gama de habilidades que temos para nos reorganizar, é que somos capazes de transformar o lado de fora, estabelecer meios, prioridades e fincar propósitos. Não é mais segredo para ninguém, que tudo começa e termina dentro de nós, por isso essa parte organizacional não tangível é importante.

Hora da Mudança. Imagem: Creative Commons

O que eu então buscava como ápice na mudança? Uma cozinha mais eco, mais simples, bem criativa e funcional. Essa ação que propus na “cozinha nova” visa minimizar gastos, criar pouquíssimo lixo e usar muito bem o que já se tem, organizando tudo de maneira interessante e sem dificuldades.

A cozinha como local de transformação, nada mais é que a extensão do local de pré-preparo que está em nós, ali, na mente e no coração e não na bancada de mármore ou inox. A experiência de planejar a partir do eu e não das coisas, sempre é profunda e bem significativa. 

Evitando o “movimento de entulhar”, usando o foco criativo

Quase sempre vemos as sugestões de reuso, reciclagem nas redes e revistas, também ouvimos as sugestões nas rodas de conversas e criamos um movimento que divertidamente gosto de chamar de “entulhada”. Vamos catando tudo, absolutamente tudo, porque mil ideias fervem na mente sobre o uso “daquele tudo” que encontramos pelo caminho. Muitas vezes, usamos aquilo que adquirimos, mas, na maioria das vezes, ficamos entulhando coisas.

Para evitar esse acúmulo, desmontei os armários da cozinha antiga e peguei cada item, listando tudo em quantidades e colocando ao lado um possível uso para aquilo. Se eu não via uso em um primeiro momento, colocava uma marcação e me dava um prazo de 24 horas para pensar. Do contrário, seria doado. Para doação também criei critérios: Pessoas, locais, grupos que sei que de fato usariam.

Me surpreendi com a quantidade de vidros, potinhos e travessas relíquias que ficamos guardando para “ocasiões especiais”. A regra implantada e que virou mantra para essa arrumação era: especial será todo dia e você vai usar sim a travessa do casamento da mãe e a taça que era da avó.

Imagem: Creative Commons

Claro, que foi um pouco estressante me “forçar” a decidir com rapidez sobre o que estava diante de mim e de minha família. No entanto, foi libertador. Quanta coisa se guarda! O que acumulamos é retrato das “prateleiras mentais” e eu sempre pensava em leveza, simplicidade e fluidez.

No novo apartamento tudo é útil e funcional. Potes de vidro? Guardo meus grãos. Pedi alguns aos amigos nos últimos dias porque era a única coisa que tinha pouco e eu realmente precisava. A ideia com os potes é educar o consumo. Sou vegana e consumo vários grãos diariamente, tendo eles visualmente nos potes, sei realmente qual preciso comprar. Antes, dessa forma de organização, era comum comprar vários pacotes de um mesmo grão, porque visualmente não era fácil saber o que tinha no armário. Agora, só reabasteço quando o pote chega na metade.

Imagem: Creative Commons

Os potinhos de fermento? Reutilizo para guardar de granulado a ervas para chás. Aquelas embalagens de bolo, plásticas, que alguém trouxe?  Uso para colocar meus bolos veganos e até transportá-los quando preciso e pego de volta para evitar que alguém jogue no lixo. Colheres um pouco quebradas? Temos cantoneiras e elas viraram pás que ajudam a cultivar a terra. Excelentes ferramentas! Garrafas de azeite? Vasos. Garrafas de vidro coloridas? Coloco água filtrada e deixo no sol. Depois bebo. Água com raio de sol e com a energia da cor faz bem. Algumas garrafas menores? Sigo fazendo porta velinhas. Pratinhos solitários de sobremesa? Ando criando porta incenso, colocando vaso de violeta em cima.

Imagem: Creative Commons

Tenho amado olhar para tudo e ver potencial. É como um ensaio para ver o mundo com novos olhos. A rotina vira uma sucessão de descobertas. Só é descartado, se realmente não tiver jeito e ainda assim, feito da forma mais correta que pudermos fazer. O prédio é bem envolvido nisso.

Senti que se trata de um exercício que devemos fazer uma vez ao ano, pelo menos! Aquela ideia de comprar pela moda ou ímpeto devido ao preço baixo, se dissolve. Sabemos que o preço do excesso nunca é baixo para o planeta. Preferir a simplicidade é simplificar a própria existência em outros setores da vida.

A cozinha é um espaço interessante para realizar a proposta. Podemos sair da ideia de que apenas o guarda roupa contém esse “efeito mágico”. Promovo em casa, o uso integral dos alimentos, para que de fato a simplicidade tenha também sabor. Hoje, por exemplo, foi dia de leite de semente de melão com resíduo usado no pãozinho de frigideira, chutney da casca e polpa cortada em cubos para degustação.

Chegamos a um limite em que precisamos nos perguntar se realmente os espaços de nossas casas são acolhedores e criam impactos positivos no entorno. Desapegar e recriar usos gera um movimento de engajamento real. Viver com menos, definitivamente nos permite ser mais. Ganhamos até mais tempo porque gerimos melhor.

A dica é: Corre lá para sua cozinha e divirta-se com as possibilidades de não guardar mais nada para amanhã e fazer todo bem ao planeta, começando hoje mesmo!

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Saiba como colocá-lo nas referências:

AMORES, Valéria. Como transformar sua cozinha em uma cozinha sustentável?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/como-transformar-cozinha-sustentavel.html>.

Como descartar pilhas e baterias corretamente?

Tão importante quanto a descoberta da energia elétrica, que revolucionou a forma de vida da sociedade, o surgimento das pilhas e baterias veio para tornar essa energia algo portátil, possibilitando uma autonomia e um avanço ainda maior para o homem.

Como sabemos, embora tenhamos modelos diversos, essas fontes de energia em sua maioria possuem em sua composição metais pesados como mercúrio, chumbo e cádmio, sendo estes bastante nocivos para o ser humano e o meio ambiente. Sendo assim, as pilhas e baterias não devem ser descartadas no lixo comum a fim de evitar que essas substâncias vazem e contaminem as pessoas e a natureza.

Confira o vídeo que explica um pouco mais.

Conforme já comentamos aqui em um artigo anterior, hoje o Brasil possui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que determina que fabricantes e importadores destes objetos sejam obrigados a realizar a logística reversa do produto. Pensando nisso, a Associação Brasileira da Industria Elétrica e Eletrônica (ABINEE) lançou o programa Recebe Pilhas, que tem como objetivo implantar a logística reversa destes produtos e educar o consumidor para que ele entenda a importância do destino correto e os caminhos para essa iniciativa.

Imagem: ABINEE

Mas para onde devo enviar estes materiais?

Acessando este link, disponibilizado pela ABINEE em parceria com empresas deste segmento, é possível localizar o ponto de coleta mais próximo de você. O eCycle também disponibiliza uma ferramenta online de busca em que você poderá encontrar um local de descarte. Vale lembrar que apesar disso o consumidor poderá entregar o material para descarte no mesmo estabelecimento em que o item foi comprado. De acordo com as regras brasileiras, o estabelecimento é obrigado a receber e destinar corretamente as pilhas e baterias e, caso não o fizer recomendamos que seja feita uma denúncia.

Em que condições devo levar estes produtos até o ponto de coleta?

Naturalmente depende do tamanho e quantidade dos itens, mas o recomendado é que sejam colocados dentro de um saco plástico resistente e não misturá-los com outros itens.

Em paralelo a isso, a Duracell, uma das maiores no mercado interno de pilhas, disponibiliza em seu site dicas de uso e cuidados adequados com as pilhas para garantir o maior ciclo de vida possível. Confira aqui!

É fato que ainda que juntemos os pontos de coleta de todas as iniciativas nesta área não é possível cobrir 100% do território brasileiro e alertamos para este ponto. Entretanto, é possível enviar os itens para o fabricante e/ou importador.

Imagem: Creative Commons

É importante entender ainda que nosso papel enquanto cidadão vai além de dar destino correto a estes produtos, mas também contribuir com a educação dos demais membros da sociedade e estimular estabelecimentos e marcas a executarem corretamente as normas em vigor. Por isso não deixe de divulgar este material e ser um agente fiscalizador.

E você, já realizou o descarte correto de pilhas e/ou baterias? Conta pra gente então como foi a experiência!

Gostou do nosso conteúdo e quer fazer referência deste artigo em um trabalho?
Saiba como colocá-lo nas referências:

LOPPNOW, Stephani. Como descartar pilhas e baterias corretamente?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/como-descartar-pilhas-e-baterias-corretamente.html>.

Você sabe o que é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e como ela impacta diretamente na reciclagem?

Falar sobre reciclagem é essencial quando se pensa na destinação da quantidade cada vez maior de resíduos sólidos geradas por nossa sociedade. Mas o que realmente sabemos e entendemos sobre os instrumentos que existem para viabilizar atividades como a reciclagem? Que tipos de políticas públicas estão vigorando hoje no Brasil sobre a destinação de resíduos?

É preciso conhecer o assunto para que possamos fiscalizar o que vem sendo feito e cobrar providências para o que, apesar de proposto em leis/políticas/programas, ainda não está em execução. Tão importante quanto defender uma causa, é conhecê-la bem e acompanhá-la de perto com o maior número de informações possíveis.

Imagem: Creative Commons

O ano de 2010 representou um marco para os resíduos sólidos no Brasil, uma vez que, foi instituída a Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS pela sanção da Lei 12.305/2010 [1]. A PNRS é “bastante atual e contém instrumentos importantes para permitir o avanço necessário ao país no enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos [2].

Além de esclarecer o que seria a destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos (a reutilização, a reciclagem, a compostagem, a recuperação e o aproveitamento energético ou outras destinações admitidas pelos órgãos competentes do Sistema Nacional de Meio Ambiente – SISNAMA, do Sistema Nacional de Vigilância Sanitária – SNVS e do Sistema Unificado de Atenção à Sanidade Agropecuária – SUASA), a referida lei ainda determina o que seria o gerenciamento de resíduos sólidos (conjunto de ações exercidas, direta ou indiretamente, nas etapas de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destinação final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos e disposição final ambientalmente adequada dos rejeitos, de acordo com plano municipal de gestão integrada de resíduos sólidos ou com plano de gerenciamento de resíduos sólidos) e o processo de reciclagem (processo de transformação dos resíduos sólidos que envolve a alteração de suas propriedades físicas, físico-químicas ou biológicas, com vistas à transformação em insumos ou novos produtos, observadas as condições e os padrões estabelecidos pelos órgãos competentes do SISNAMA, do SNVS e do SUASA).

Objetivos da Política Nacional de Resíduos Sólidos – PNRS./ Imagem: Instituto Precisa.

E como isso de fato se aplica na prática à vida? De acordo com a lei que institui o PNRS, cada estado do país deverá elaborar seu Plano Estadual de Resíduos Sólidos – PERS para que tenham acesso aos recursos da União, ou seja, para que os estados recebam repasses financeiros do governo federal é necessário que tenham desenvolvido seus PERS, que devem conter “metas de redução, reutilização, reciclagem, entre outras, com vistas a reduzir a quantidade de resíduos e rejeitos encaminhados para disposição final ambientalmente adequada” (artigo 17, inciso III Lei 12.305/2010). O que faz todo sentido, já que, são nesses planos que estarão descritos toda estratégia de gestão dos resíduos sólidos, assim como o montante financeiro necessário para a execução dos planos.  Para verificar se o estado onde você vive possui PERS, clique aqui.

Além disso, o PERS deve conter, dentre outros aspectos, um estudo da cadeia produtiva da reciclagem, descrevendo o histórico e tipificação da geração de resíduos, a divisão das responsabilidades do ciclo de vida do produto, os atores que compõe o processo de reciclagem, o processo de logística reversa, a inclusão das organizações de catadores de materiais recicláveis no processo.

Imagem: Creative Commons

O manejo e a destinação adequada dos resíduos sólidos são importantes não apenas pela questão da preservação ambiental, mas também pela promoção e proteção da saúde. Conforme aponta Gouveia (2012) [3], a disposição desses resíduos de forma inadequada em lixões ou aterros controlados, que não possuem o mesmo preparo para receber resíduos sólidos que os aterros sanitários, pode gerar uma série de problemas como: comprometer a qualidade do solo, da água e do ar, por serem fontes de compostos orgânicos voláteis, pesticidas, solventes e metais pesados, entre outros. Problemas relacionados à contaminação das águas e lençóis freáticos por chorume, e proliferação de vetores e de outros agentes transmissores de doenças também são comuns. Além disso, a “decomposição anaeróbica da matéria orgânica presente nos resíduos gera grandes quantidades de GEE, principalmente o metano (CH4), segundo gás em importância dentre os considerados responsáveis pelo aquecimento global” (GOUVEIA, 2012).

Como grande parte dos catadores de materiais recicláveis ainda trabalham./ Imagem:: Edilson Rodrigues/Agência Senado ./ Reprodução: Wikipédia.

Desta forma, iniciativas para a redução da quantidade de material descartado em aterros, como a coleta seletiva para posterior reciclagem são essenciais para a mitigação dos problemas apontados. Tão imprescindível quanto a indústria da reciclagem que promove o retorno de diferentes materiais para o ciclo produtivo, gera economia de energia e de matéria prima, são os catadores de materiais recicláveis, que “detêm posição fundamental na gestão de resíduos sólidos no Brasil” (GOUVEIA, 2012).

Esse grupo de trabalhadores vem atuando de maneira informal ou organizada em cooperativas e, mesmo antes da definição de políticas públicas claras para a gestão de resíduos no país, vem realizando um trabalho de grande importância ambiental (GOUVEIA, 2012).

No entanto, o estágio atual da reciclagem no Brasil ainda está muito aquém do necessário, e a situação dos catadores de materiais recicláveis, como destaca Gouveia (2012), se apresenta de forma crítica, uma vez que, a grande maioria trabalha em condições insalubres, sem os equipamentos de proteção necessários, o que faz com que os mesmos fiquem expostos à contração de doenças.

Imagem: Creative Commons

Como pode-se observar, o cenário da reciclagem no Brasil ainda precisa progredir muito para que essa seja uma solução viável ao tratamento de resíduos formados por materiais como papel, alumínio, plástico, metal e isopor (sim, o isopor é reciclável, clique aqui e saiba mais). Para tal, é preciso o reconhecimento do papel crucial dos catadores de materiais recicláveis, tanto por parte dos governantes como por parte da própria sociedade, através da integração e capacitação dos catadores de recicláveis aos programas de coleta seletiva, incentivando a criação e o desenvolvimento de cooperativas e permitindo que esses trabalhadores saiam da invisibilidade sócio-econômica.

[1] Para acessar a Lei 12.305/2010, que instituiu a PNRS, clique aqui.

[2] Ministério do Meio Ambiente – MMA: Política Nacional de Resíduos Sólidos. Para acessar a matéria, clique aqui.  

[3] Gouveia, Nelson. Resíduos sólidos urbanos: impactos socioambientais e perspectiva de manejo sustentável com inclusão social. Ciência e Saúde Coletiva (Impresso) JCR, v. 17, p. 1503-1510, 2012. Para acessar o artigo, clique aqui.

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ABREU, Nathália. Você sabe o que é a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e como ela impacta diretamente na reciclagem?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/politica-nacional-de-residuos-solidos-pnrs-e-reciclagem.html>.

Black Friday e Consumo Desenfreado: Qual legado da nossa geração?

Hoje é dia de Black Friday [1]! Difícil resistir a tamanha tentação? Calma, respira! Vamos conversar um pouco antes de você lotar seu carrinho de compras com produtos e objetos que talvez não sejam realmente necessários à sua vida.

Poderia começar falando sobre os R’s da Sustentabilidade, porém, como o argumento monetário move grande parcela da população hoje, é melhor começar esse nosso papo alertando para as propagandas enganosas.

Cuidado com as ofertas encontradas por aí. Infelizmente, não é difícil se deparar com empresas que se utilizem de práticas para tentar iludir o consumidor de que o determinado produto está sendo vendido mais barato por conta do Black Friday. A dica é, se você realmente precisa de determinado produto, verifique sites que comparem preços do produto que você necessita em diversas lojas. Alguns sites como Bondfaro, Buscapé e Zoom também oferecem o histórico de preços do produto, evitando que você seja iludido e compre um produto por valor mais alto do que em períodos normais.

Mas qual a relação entre Black Friday e reciclagem?

Períodos de consumo em massa e de maneira desenfreada como a Black Friday, costumam gerar quantidades de resíduos sólidos urbanos exorbitantes. E para onde essa montanha de resíduos vai? O que acontece com as embalagens formadas por plástico, papelão, isopor? E com os produtos antigos que são descartados? Se você optou por trocar de aparelho celular, o que fez com o antigo? Se renovou algumas peças do guarda-roupa, o que fez com as peças de roupa que não tinham mais utilidade para você?

Ainda é comum que as pessoas achem que depois que “jogam fora” seu lixo, o problema desaparece. Assim pensam os consumidores que não despertaram a consciência de que não existe o “fora”, todos os resíduos produzidos por nós, mesmo saindo do alcance dos nossos olhos, continuam sendo um grande problema.

Imagem: Pinterest
Imagem: Pinterest

Com o avanço tecnológico, novos produtos surgem cada vez mais rápido, abreviando a vida útil dos que já possuímos. Além dessa velocidade maior de consumo-descarte, novos tipos de resíduos surgem, o que torna a questão da deposição de resíduos ainda mais difícil para se resolver.

Vivemos em um mundo cada vez mais urbanizado, projeções elaboradas pela Organização das Nações Unidas – ONU (2008) alertam para a intensificação da urbanização nas próximas décadas, de acordo com a mesma, em 2050 a média mundial de urbanização alcançará os 45%. No Brasil, segundo Nobre et al. (2010), mais de 80% da população vive em áreas urbanas e como consequência do avanço da urbanização podemos observar o surgimento de problemas como a desigualdade social e a degradação ambiental.

Imagem: Creative Commons

Tendo isso em mente, é imperativo que tomemos consciência de que o consumo impensado pode gerar consequências nefastas para nossa qualidade de vida enquanto sociedade e para o planeta. Por isso, antes de efetivar o ato da compra repense! O produto que você deseja adquirir realmente vale o custo-benefício? Não apenas pelo valor monetário, mas, principalmente, pelo impacto que ele vai causar ao planeta e à sua vida? Reduza! Sim, reduza a quantidade de celulares comprados por ano, reduza comprar vários produtos de um mesmo modelo em cores diferentes. Reduza a velocidade de consumo-descarte. Repare! Nossos avós costumavam ter as determinados produtos por longos períodos, porque tinham a cultura do reparo. Aquele aparelho quebrou? Será que não dá para consertar? Aquela blusa rasgou? Será que não dá para costurar? Reutilize! Produtos e embalagens podem adquirir novas funções de uso se tivermos vontade e imaginação. Recicle! Antes de jogar tudo fora da maneira tudo junto e misturado, dedique alguns minutos do seu dia a separar seus resíduos sólidos. Separe o lixo orgânico do lixo seco: restos de comida em uma lixeira e embalagens, garrafas e recipientes em outro (e não se esqueça de limpar as embalagens com água corrente para retirar os resíduos de produtos).

Pode parecer coisa boba, mas seguir esses passos ajudará não apenas a melhorar sua qualidade de vida, mas de toda a comunidade ao seu entorno.

[1] Data importada diretamente da cultura americana. Ocorre imediatamente após o Thanksgiven – Dia de Ação de Graças nos EUA, inaugurando a temporada de compras natalinas.

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ABREU, Nathália. Black Friday e Consumo Desenfreado: Qual legado da nossa geração?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/black-friday-e-consumo-desenfreado-qual-legado-da-nossa-geracao.html>.

Esta casa foi construída com tijolos de plástico reciclado em apenas 5 dias

O setor de construção civil contribui com mais de 30% das emissões globais de GEE – gases de efeito estufa. O setor não só consome mais de 40% de toda energia ofertada globalmente e um volume inacreditável de recursos naturais, mas também gera uma quantidade ainda maior de resíduos.

Então, qualquer novidade mais sustentável na área da construção é sempre muito bem-vinda para pensarmos em alternativas para proteção do meio ambiente e dar um fim aos nossos resíduos.

Pensando neste problema, a empresa colombiana Conceptos Plásticos desenvolveu uma técnica que utiliza a reciclagem de plástico para criar blocos de construção. Essa técnica pode ser usada para construir residências permanentes e temporárias, abrigos, salas de aula, salas comunitárias e outros edifícios.

Imagem: Conceptos Plásticos

A solução transforma os resíduos plásticos em material de construção, evitando a poluição gerada pelo plástico e retirando-os da rota de um aterro ou lixão clandestino ou, de rios, córregos e mares.

Mas como funciona a metamorfose de resíduos de plástico em blocos de construção?

Os resíduos de vários tipos de plástico são triturados, faz-se uma mescla com as porcentagens necessárias de cada um deles para as condições do produto final se tornem ideais. Às vezes é adicionada borracha na liga. Depois, são fundidos à alta temperatura e injetado em um molde para produzir blocos de plástico que funcionam como peças de Lego.

Imagem: Conceptos Plásticos

Esse formato prático permite que as comunidades e as famílias construam facilmente e de maneira rápida suas próprias casas, uma vez que a própria empresa fornece os materiais a serem usados e suporte e treinamento para a construção. Além disso, o sistema de construção é 30% mais barato que os sistemas tradicionais em áreas rurais.

Uma casa para uma única família é construída por quatro pessoas, sem experiência em construção e leva apenas cinco dias para construí-la. Um abrigo para 14 famílias é montado por 15 pessoas, sem experiência em construção, em apenas 10 dias.

Imagem: Conceptos Plásticos

Mas são resistentes? Claro! Os materiais contêm aditivos que os tornam resistentes ao fogo e como a estrutura é feita de plástico, é resistente a terremotos.

A proposta simples e inovadora já levou alguns prêmios, entre eles o prêmio máximo do The Venture. Realizada em Nova York, a segunda edição da competição recebeu mais de 2500 inscritos de todo o mundo.

Com informações: Conceptos Plásticos e Inova Social

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SOUZA, L. B. Leonardo. Esta casa foi construída com tijolos de plástico reciclado em apenas 5 dias. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/casa-plastico-reciclado-tijolos.html>.

Você Sabe o que Significam os Símbolos de Reciclagem de Plástico?

Você já reparou que todas as embalagens plásticas têm um número dentro do triângulo, que é o símbolo da reciclagem? Isso acontece porque nem todo plástico tem a mesma composição. Alguns são mais rígidos e pesados, outros mais flexíveis e leves.

Esses símbolos e códigos são muito úteis para os catadores de materiais recicláveis e para os programas de coleta de resíduos. Cada número indica um tipo de plástico para facilitar a separação dos diferentes tipos de plásticos existentes, tornando o material mais homogêneo para ser reciclado.

Os sete símbolos de reciclagem de plástico

Número 1 – PET  Polietileno Tereftalato

É encontrado em produtos como garrafas de refrigerante e água, óleo, embalagens plásticas de antisséptico bucal e outros. O material originado da reciclagem de PET é utilizado na fabricação de fibra para carpete, tecido, vassoura, embalagem de produtos de limpeza e acessórios diversos.

Imagem: Creative Commons

Número 2 – PEAD – Polietileno de Alta Densidade

É o plástico utilizado comumente em embalagens de iogurte, sucos, frascos de leite, produtos de limpeza e potes de sorvete. Após separado e reciclado, origina novos frascos, cadeiras, latas de lixo, tubulação de esgoto e até conduítes – produto usado em paredes, para passar fiação elétrica internamente.

Número 3 – PVC – Policloreto de Vinila

Pode ser adquirido por consumidores sob forma de itens de higiene pessoal, frascos de remédio ou brinquedos. Após recolhido e reciclado vira mangueira de jardim, tubulação de esgoto e cone de tráfego e cabos.

Número 4 – PEBD – Polietileno de Baixa Densidade

Esse tipo de plástico se encontra nas sacolas plásticas de supermercados, bolsas de soro fisiológico, entre outros. No pós-reciclagem poderá ser encontrado servindo como saco de lixo e tubulação para irrigadores.

Imagem: Creative Commons

Número 5 – PP – Polipropileno

Ele é utilizado para a fabricação de recipientes de alimentos como ketchup, iogurte e margarina, de produtos químicos e remédios, entre diversos outros. Após ser reciclado, será transformado, entre outras opções, em caixas e cabos para bateria de carro e recipientes para tintas.

Número 6 – PS – Poliestireno 

Usado em copos e pratos descartáveis (que são de usos único e um perigo para o meio ambiente), pote para iogurte, bandejas e embalagem para ovos. Utilizado para a fabricação de placas para isolamento térmico, acessórios para escritório e bandejas.

Imagem: Creative Commons

Número 7 – Outros

Símbolo encontrado em embalagem multicamada para biscoitos e salgadinhos, mamadeiras, CD, DVD e algumas utilidades domésticas.  Estes plásticos são reaproveitados para fabricação de madeira plástica e para reciclagem energética, processo onde é aproveitado o valor calorífico do resíduo plástico.

No entanto, não basta apenas sabermos os símbolos para que a reciclagem dos plásticos funcione e o problema ambiental do lixo diminua. É preciso que a população se conscientize e que as empresas façam a sua parte respeitando a Política Nacional dos Resíduos Sólidos. Também é preciso que tanto as empresas e o governo nas suas mais diferentes escalas promova ações de conscientização e implemente programas de coleta seletiva, espalhados por todo o território brasileiro e não somente em poucas capitais e regiões metropolitanas do Brasil.

Com informações: Brasil Aromáticos e ECycle

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SOUZA, L. B. Leonardo. Você Sabe o que Significam os Símbolos de Reciclagem de Plástico?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/simbolos-reciclagem-plastico.html>.

Por que é Importante Reciclar?

É necessário compreendermos que nós e o meio ambiente não são dois organismos ou sistemas separados. Não existe um planeta B ou um jogar fora… o fora é dentro do nosso planeta. Se pretendemos continuar habitado o nosso planeta Terra, precisamos reaproveitar e utilizar de forma mais consciente os recursos disponíveis. Hoje o nosso consumo de recursos entra no cheque-especial cada dia mais cedo, colocando em risco espécies animais e vegetais e, a nossa própria sobrevivência.

A reciclagem além de diminuir a quantidade de lixo a ser tratado e eliminado, contribui significativamente para a redução da extração de matérias-primas necessárias à produção de novos bens de consumo, gera economia de água e energia e reduz a disposição inadequada do lixo.

Imagem: Creative Commons
Imagem: Creative Commons

Atualmente, o Brasil produz mais de 78,3 milhões de toneladas de resíduos sólidos por ano, dos quais 13,5% – o equivalente a 10,5 milhões de toneladas – são de plástico. De acordo com levantamento do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb), o Brasil perde R$ 5,7 bilhões por ano somente por não reciclar resíduos plásticos.

5 motivos para começar a reciclar

  1. Produtos reciclados são mais baratos

Com menos custos de matéria prima e até de marketing dos produtos novos, os reciclados podem ser muito mais baratos.

  1. Preserva o meio-ambiente

Reciclar matéria-prima poupa a extração da natureza e evita que materiais em boa condição encerrem seu ciclo antecipadamente em aterros sanitários. Diminuindo assim, a poluição e a degradação ambiental causada pelo acúmulo de resíduos.

Imagem: Creative Commons
  1. Realça o senso de comunidade

Reciclar é um ato que beneficia toda a sociedade, o meio-ambiente e representa o pensamento coletivo. Quem recicla passa a mensagem que quer o bem para toda a comunidade.

  1. Educa as crianças

O pensamento coletivo transmitido pelo ato de reciclar é um ótimo exemplo para crianças. Elas ainda aprendem a ser mais organizadas com a atividade lúdica de separação dos objetos e exercitam a criatividade construindo brinquedos com materiais recicláveis.

  1. Gera renda na indústria da reciclagem

A indústria da reciclagem colabora com a economia do país, movimentando cerca de R$3 bilhões de reais no Brasil (de acordo com a Cempre – Compromisso Empresarial para Reciclagem) e gera renda para milhares de famílias em todo o país.

Apenas a mudança de comportamento pode transformar o mundo em um planeta melhor. Que tal começar agora separando todo material que iria para o lixo comum e encaminhá-lo para postos e locais que darão destino correto a eles?

Coleta Seletiva
Imagem: Creative Commons

Algumas curiosidades da reciclagem de materiais:

PAPEL E CARTÃO

  • Cada 50 quilos de papel usado transformado em papel reciclado, evita que uma árvore seja cortada;
  • Economiza-se cerca de 70% de energia ao se produzir papel reciclado e a poluição do ar gerada é 70% menor.

PLÁSTICO

  • Ao se reciclar o plástico economiza-se cerca de 70% de energia (desde a exploração da matéria-prima primária até o desenvolvimento do produto final).

ALUMÍNIO

  • A energia economizada na reciclagem de uma única lata de alumínio é suficiente para manter a televisão ligada durante 3 horas;
  • Em uma tonelada de alumínio reciclado gasta-se apenas 5% da energia necessária para produzir a mesma quantidade em um processo primário.

VIDRO

  • Cada tonelada de vidro reciclado poupa-se 1,2 toneladas de matérias-primas originais;
  • Na reciclagem do vidro é possível poupar 50% da água que seria usada para produzir a mesma quantidade em um processo primário;
  • A energia poupada pela reciclagem de uma garrafa de vidro (tamanho médio) pode manter acesa uma lâmpada de 100 watts por cerca de 4 horas.

Com informações: Empresa Brasileira de Comunicação e Separe. Não Pare.

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SOUZA, L. B. Leonardo. Por que é Importante Reciclar?. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/por-que-importante-reciclar.html>.

Consumo Consciente e Sustentável – Combatendo o Consumismo

Na sociedade de consumo estimula-se a criação de (falsas) necessidades de produtos com durabilidade cada vez menor por conta da superação por outro. Isso devido à tecnologia mais avançada ou mesmo ao uso de materiais menos duradouros no processo produtivo. Esse modelo é conhecido como “obsolescência programada”.

Imagem: Creative Commons

De acordo com Zygmunt Bauman, a sociedade de consumo “prospera enquanto consegue tornar perpétua a não-satisfação de seus membros”, na medida em que está pautada na busca da “plena satisfação” humana, ou seja, os estímulos permanecem para motivar o desejo de constantemente adquirir novos produtos [1]. Estimula-se o consumo de produtos e aumenta-se a quantidade de lixo e de outros impactos ambientais.

A sociedade de consumo prospera enquanto consegue tornar perpétua a não-satisfação de seus membros. Zygmunt Bauman

Exemplo de impacto que o consumismo desenfreado pode causar em nosso planeta. / Imagem: Creative Commons

Ao detectar o problema, criou-se a ideia de consumo sustentável. Mas, afinal, é possível consumir sustentavelmente? Há, de fato, um paradoxo, na medida em que a economia do consumo é pautada pelo excesso e desperdício, mas o que se busca é, ao menos, minimizar os efeitos ao meio ambiente de tais atividades.

Na constatação de Carla Amado Gomes, “saber consumir sustentavelmente/racionalmente para satisfazer as necessidades básicas; sem desperdício; produtos com pegada ecológica reduzida; reciclando e recuperando os resíduos produzidos deve ser um comportamento tão essencial como saber ler”[2]. A mudança de paradigma para modelos sustentáveis de produção passa pela conscientização de que o ser humano é parte da natureza, que os recursos naturais são finitos e da importância de frear o processo em curso para mitigar maiores consequências negativas.

Imagem: Creative Commons

A legislação brasileira não ficou alheia à essa discussão sobre consumo consciente. Segundo art. 3º, XIII da Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei Federal nº. 12.305/2000), “padrões sustentáveis de produção e consumo: produção e consumo de bens e serviços de forma a atender as necessidades das atuais gerações e permitir melhores condições de vida, sem comprometer a qualidade ambiental e o atendimento das necessidades das gerações futuras”[3]. A legislação sobre resíduos sólidos detecta medidas como a política de logística reversa, processos de reciclagem, dentre outros, para possibilitar a minimização dos impactos ambientais.

Imagem: Creative Commons

A Política Nacional de Educação Ambiental no Brasil (Lei Federal nº. 9795/99) [4], por sua vez, define educação ambiental como “processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade”.

O próprio Poder Público também deve dar o exemplo no quesito de consumo consciente. Nesse sentido, o art. 3º Lei Federal nº. 8666/93, normas gerais de licitações e contratos públicos no sistema jurídico brasileiro, incluiu a “promoção do desenvolvimento nacional sustentável” nas garantias licitatórias. Concretiza-se, assim, os mandamentos constitucionais do dever estatal de preservar o meio ambiente e fomentar medidas sustentáveis. Para ler mais sobre o assunto, clique aqui.

Imagem: Creative Commons

A ideia de consumo sustentável passa, portanto, pela “alfabetização ambiental” na qual cidadãos-consumidores procuram reduzir os excessos e desperdícios em benefício do meio ambiente. Apesar do caminho ser longo, cabe a todos nós cuidar de “nossa casa comum”.

[1] BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. RJ: Jorge Zahar, 2008. p. 53

[2] AMADO GOMES, Carla, Consumo sustentável: ter ou ser, eis a questão…, in Textos dispersos de Direito do Ambiente, IV, Lisboa, 2014, pp. 277 e segs., especialmente 287 e segs.

[3] Lei Federal nº 12305/2010. Para acessar, clique aqui.

[4] Lei Federal nº. 9795/99. Para acessar, clique aqui.

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PIRES, Felipe. Consumo Consciente e Sustentável – Combatendo o Consumismo. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/consumo-consciente-e-sustentavel-combatendo-o-consumismo.html>.

O Mínimo Necessário

Há muito que venho pensando e pesquisando sobre minimalismo: na decoração, no vestuário, na vida. Parece mais coerente com a sustentabilidade que eu busco para a minha realidade. Viver com menos é uma proposta que ouço do meu marido desde que nos conhecemos. E o caminho ainda não foi concluído.

A primeira imagem que vem à cabeça quando penso em minimalismo é uma sala toda branca, poucos móveis, poucos objetos. Só o necessário. Mas o que precisamos ter de fato em uma sala? Tudo depende do estilo de vida que você leva. Se você gosta de receber pessoas, é provável que você tenha um aparelho de jantar de 12 peças, o mesmo número de talheres, copos, xícaras, etc. Isto requer um móvel com espaço suficiente. Se o apartamento funciona como um local para repouso, a sala talvez precise apenas de um sofá para dois ou uma rede.

Imagem: Creative Commons

Se transportarmos isto para os outros cômodos ou mesmo para o orçamento doméstico perceberemos mais um punhado de despesas que fomos acrescentando e necessidades que fomos criando.

E para “destralhar” ou desapegar depois de tanto acúmulo é um trabalho árduo. Muitos sequer conseguem cogitar a vida sem aquele monte de objetos, compromissos, eventos, móveis, despesas e ideias. O apego e o hábito andam juntos nesta seara.

Imagem: Creative Commons

Mas um belo dia você olha para os lados e percebe que algumas coisas não fazem mais sentido, você cansou de ver os mesmos objetos, está atolado dentro de cômodos lotados de coisas que você já nem usa mais ou pior, que comprou e nunca usou.

Neste lapso de consciência após um grande período de distrações, você percebe que precisaria de muito menos para viver: muito menos mobília, muito menos objetos, muito menos dinheiro, muito menos comida (talvez manter a quantidade, mas substituir a qualidade).

Imagem: Creative Commons

O problema é que este momento também passa. Talvez você até tenha se livrado de alguns bibelôs, alguns livros, algumas meias furadas e daquele móvel que só servia para colocar bagunça. Mas em pouco tempo você muda de foco e passa a colecionar outro tipo de objetos, despesas e hábitos.

Imagem: The Awkward Yeti

O que mais percebo no relato dos mais idosos já aposentados e os que pretendem se aposentar é a queixa do baixo valor dos benefícios. A média de valores pagos pelo INSS em 2016 foi de pouco mais de R$ 1.280,00, sendo que 68% dos aposentados recebem um salário mínimo. Independente dos motivos que geram esse valor baixo, a reflexão aqui é: você está preparado para se aposentar e viver com pouco mais de um salário mínimo?

Imagem: Creative Commons

A maioria das pessoas sonha em parar de trabalhar ao aposentar, mas essa é a realidade de cada vez menos pessoas. As necessidades que criamos requerem cada vez mais dinheiro, assim como a vida boa que sonhamos para recompensar tantos anos de trabalho. Esse tem sido um choque de realidade para aqueles que chegam nessa idade e descobrem o valor dos seus rendimentos.

Imagem: Creative Commons

Seja por opção ou por falta de opção, tornar a vida mais simples e realizar algum desapego periodicamente se tornou uma necessidade de sobrevivência. Questionar hábitos, minimizar consumo (de objetos, de status e de padrões de vida), repensar a forma como vivemos e equipamos nossos espaços e enxugar custos.

Os antigos já diziam que a mudança pelo amor é mais fácil. Estamos em um momento histórico que requer mudanças, mas alguns ainda não perceberam ou não quiseram ver. O cuidado com as nossas escolhas hoje pode ser, enfim, um grande passo em direção à uma velhice mais tranquila. Quanto mais responsáveis formos hoje, mais condições de adaptação teremos futuramente.

Imagem: Creative Commons

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Saiba como colocá-lo nas referências:

STEFFEN, Janaína. O Mínimo Necessário. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2018/11/o-minimo-necessario.html>.