Lâmpadas de garrafas PET e postes solares levam luz a locais isolados
Imagine sua vida sem energia elétrica. Nada de geladeira, microondas, televisão ou mesmo banho quente durante os dias frios. Isso pode parecer bem diferente de sua realidade, mas ainda é a maneira como um bilhão de pessoas que vivem no mundo. Sem eletricidade!
Nos últimos anos a situação melhorou porque se proliferaram pequenos sistemas de energia solar distribuída a clientes de baixa renda na África e na Ásia, onde vivem pelo menos 95% da população mundial sem eletricidade. Entre 1990 e 2010, o número de pessoas com acesso à eletricidade cresceu 1,7 bilhão, porém ter energia elétrica ainda é um privilégio.
É esta realidade que a organização sem fins lucrativos Litro de Luz quer mudar com uma tecnologia simples, de baixo custo, sustentável e que empodere a comunidade. A organização ensina às comunidades desfavorecidas como fazer lâmpadas solares a partir de materiais locais, como garrafas de plástico.
Embora tenha âmbito global, a iniciativa criada em 2011 nas Filipinas nasceu inspirada pela ideia do mecânico brasileiro Alfredo Moser, que em 2002 usou garrafas PET abastecidas com água e alvejante para solucionar o problema da falta de luz dentro de casa.
Desde então o projeto já foi implementado em mais de 20 países e conta com alguns números impressionantes: 1.000.000 de lâmpadas diurnas instaladas, 25.000 lampiões e 3.000 postes instalados.
Ah…e todas as soluções são construídas em conjunto, pelos voluntários do Litro de Luz e pelos moradores. A ideia é compartilhar a metodologia com os moradores para que eles próprios possam fazer a manutenção e replicar a tecnologia para outras comunidades.
Imagem: Litro de Luz
Mas como isso funciona?
Lâmpadas diurnas:
O dispositivo é simples: uma garrafa PET é preenchida com água e um pouco de alvejante para inibir o crescimento de algas e encaixada em um buraco no telhado. O dispositivo funciona como um prisma: durante o dia, a água dentro da garrafa refrata a luz do sol, liberando tanta luz quanto uma lâmpada incandescente de 40 a 60 watts para o ambiente. Vale lembrar que uma garrafa solar instalada corretamente pode durar até 5 anos.
Postes:
Imagem: Litro de Luz
A estrutura do poste é toda montada com canos de PVC para facilitar a colocação de cimento e fixação no solo, e possibilitar a passagem de fiação elétrica. Dentro de uma caixa hermética fixada ao corpo do poste, coloca-se a bateria e o circuito responsável pelo acionamento da lâmpada e pela transferência da energia que é captada pela placa solar para recarga da bateria. Finalmente, a placa solar é presa no topo e, para a proteção do LED, é utilizada uma garrafa PET. A cada poste, 250 quilos de CO2 deixam de ir à atmosfera, por ano.
Imagem: El País
Lampiões:
São feitos com canos de PVC, garrafas PET, placas solares e lâmpadas de LED. Construídos da mesma forma que os postes, os lampiões oferecem maior mobilidade, permitindo que os moradores os levem de um lugar ao outro.
Imagem: Litro de Luz
O projeto Litro de Luzjá foi premiado internacionalmente com o World Habitat Awards 2015, da ONU, e o Zayed Energy Prize, que é considerado o prêmio Nobel de Energia Sustentável.
Uma das principais preocupações da atualidade quando nos referimos à produção de energia diz respeito à nossa dependência dos combustíveis fósseis – cerca de 80% da geração de energia no mundo é proveniente destes combustíveis – como o petróleo, o carvão, o gás natural e o xisto.
Essa dependência traz duas grandes implicações para a manutenção do atual nível de desenvolvimento: o fato destes combustíveis não serem renováveis e serem altamente poluentes, apresentando graves consequências para a saúde humana e ambiental.
Por conta desse preocupante cenário, que também envolve a questão da geração cada vez maior de resíduos, algumas iniciativas têm sido criadas a fim de apresentarem uma alternativa ao atual modelo energético fóssil, poluente e não renovável.
É o que tem feito a startup londrina bio-bean, que transforma borra de café, que até então era resíduo comumente descartado para aterros sanitários, em biocombustível. Desenvolvido em parceria com a Shell e a Argent Energy, a partir da borra do café extrai-se um óleo que é convertido em combustível com baixa emissão de gás carbônico.
A bio-bean produziu, após três anos de pesquisa e incentivo da Shell, 6.000 litros de óleo de café B20, um biocombustível resultante da mistura do óleo com diesel mineral. Esta quantidade seria capaz de abastecer um tradicional ônibus londrino durante o período de um ano.
Os números apresentados pela startup são impressionantes. São coletadas e recicladas mais de 50 mil toneladas de borra de café por ano, o que gera uma economia de 6,8 toneladas de emissões de CO2 por tonelada reciclada. Cada tonelada de borra de café reciclada é capaz de gerar 200 litros de biocombustível, quantidade necessária de combustível para que um ônibus londrino circule durante um dia inteiro.
O grande desafio que a bio-beanenfrenta atualmente é produzir o óleo de café B20 em escala industrial e expandir a produção para outros países. Ficamos na torcida para que esse biocombustível seja implementado em grande escala. O meio ambiente e as próximas gerações agradecem!
O trem do futuro é movido à hidrogênio, não polui e atinge 140 km/h
O primeiro trem movido a hidrogênio e com zero emissão de poluentes está chegando. Seu nome é Coradiai Lint e deverá entrar em operação até o fim deste ano.
Extremamente silencioso e com capacidade de atingir até 140 km/h, o trem usa apenas hidrogênio como combustível. Assim, garante-se emissão zero de poluentes na atmosfera, uma vez que só emite vapor e água condensada. Ou seja, não há produção de CO2, o gás carbônico, que é um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.
O trem combina diferentes elementos inovadores, como conversão de energia limpa, armazenamento de energia flexível em baterias e gerenciamento inteligente de energia de tração e energia disponível. Um projeto de mobilidade sustentável, especialmente no que diz respeito à energia limpa.
Imagem: Alstom
Outra grande vantagem é que permite que se chegue (ou transite) em áreas que não possuem infraestrutura elétrica.
Como funciona:
O trem utiliza como combustível gás hidrogênio (H2), que fica armazenado em reservatórios no seu teto. Quando esse hidrogênio se combina com o gás oxigênio (O2) presente no ar, ocorre uma reação exotérmica (que libera energia) e que gera vapor na atmosfera e água condensada, que também é armazenada no teto do trem.
Células de hidrogênio não são a única fonte de energia: o trem também possui baterias de íon-lítio que conseguem armazenar energia. A energia das células é usada durante a aceleração, e as baterias são carregadas com a energia que sobra das células e quando o trem freia. As baterias usam sua energia em momentos de aceleração mais leve, o que ajuda na economia de combustível.
Imagem: Alstom
Recém premiado no Prêmio Green Tec Mobility 2018, o projeto está em fase de testes na Alemanha e deverá entrar em operação já no segundo semestre de 2018.
Mãe, você que me deu vida, alimento e colo, obrigada pelo seu amor incondicional e sua habilidade de dar sem pedir nada em troca. Você esta sempre comigo.
Conheci sua beleza quando você me levou pela primeira vez à praia e ao parque. Eu nunca me esqueço de como me senti livre quando brincava com você e do que parecia ser sua infinita energia. Obrigada por me fazer companhia quando eu não tinha amigos para brincar e por me confortar em momentos em que a vida se tornou um pouco difícil de lidar.
Imagem: Creative Commons
Obrigada, mãe, por me deixar chorar no seu colo e mostrar que a vida é feita de ciclos. Obrigada por sempre estar do meu lado e nunca me negar ar para respirar ou pedir para eu parar de chorar. Obrigada por me dar tudo. Você nunca me disse não e quase sempre esqueço de agradecer sua generosidade. Você se sacrificou tanto dando presentes que nem sempre eu precisava.
Imagem: Creative Commons
Esses tempos tem sido difíceis, confusos, e houve momentos em que senti vontade de desistir quando as coisas não estavam indo do jeito que queria. E a cada vez, você surgiu para me lembrar das coisas importantes da vida. Você me encorajou, com sua potência e beleza, a continuar procurando meus sonhos e nunca me contentar com nada menos do que é essencial e verdadeiro.
Mãe querida, obrigada por me ensinar o que é ter força e acordar após um dia de tempestades. Aprendi com você o que é a sutileza e a força feminina. Obrigada por todas as flores. Agora chegou a hora de eu oferecer algo em troca. Mãe, quero que saiba que vou cuidar de você, te amar e te defender, sempre. Não importa quão pequena ou insignificante minhas ações possam parecer, elas são importantes porque você honra cada cuidado.
À medida que amadureço, percebo cada vez mais o quanto você tem feito por mim e continua a fazer todos os dias. Neste Dia das Mães, agradeço a você minha Mãe Natureza por ser a melhor mãe do universo em seu trabalho de prover incondicionalmente para seus filhos tudo que precisamos. Feliz Dia das Mães.
Texto dedicado a minha mãe, Andreia Gomes.
O acesso às universidades e aos livros como agente de mudanças
Estou em período de pesquisas e tenho peregrinado em universidades atrás de bibliotecas. Na última semana estive novamente no Rio Grande do Sul, meu estado de origem, visitando algumas universidades.
Sabemos que a função da educação e da própria universidade no meio em que está inserida são fundamentais. Já se foi a época em que apenas os aprovados em vestibular tinham acesso às universidades. Cada vez mais existem cursos abertos e parcerias das universidades com diversos setores, ampliando o acesso da população como um todo.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
A primeira constatação, depois de sair de Santos/SP sabendo que apenas uma das quatro maiores instituições de ensino superior privadas permite o acesso livre à biblioteca, foi de que praticamente todas as universidades e faculdades da região metropolitana de Porto Alegre/RS têm amplo acesso aos seus acervos.
A prática em Santos é de que a biblioteca poderá ser acessada pela comunidade apenas em horários em que os alunos não acessam – das 12h às 18h – e em uma delas apenas nas terças e quintas. Nas principais universidades da região metropolitana de Porto Alegre, não há limitação de dias da semana ou de horários. Enquanto a biblioteca estiver aberta, a comunidade, ou seja, mesmo aquele que nunca foi aluno, pode chegar, ter acesso às estantes, escolher livros e sentar confortavelmente para ler, estudar ou mesmo fazer as copias que necessitar.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
O Centro Universitário La Salle, além de possuir um ambiente moderno e acolhedor, ainda sugere a utilização de sacolas retornáveis de pano, que são fornecidas pela universidade e emprestadas juntamente com os livros, além, é claro de possuir um campus lindamente arborizado.
Talvez por ter sido a minha universidade e eu ainda possuir um vínculo emocional fortíssimo, talvez pela imensidão da biblioteca e por ter passado mais tempo por lá; eu tenha percebido as maiores iniciativas socioambientais na Unisinos – Universidade do Vale do Rio dos Sinos.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
O Campus de São Leopoldo da Unisinos possui uma natureza exuberante, anterior inclusive ao boom das práticas socioambientais. Desde antes dos anos 1990, quando entrei na graduação, o campus sempre conviveu pacificamente com pequenos lagos, patos e gansos, além dos temidos e inofensivos lagartos que transitavam nos dias quentes pelas calçadas do campus. A natureza sempre rodeou as salas de aula. Com o tempo, bancos foram sendo colocados em espaços de descanso e contemplação, pois o estudo também requer momentos para que possamos fazer a “digestão” de tudo o que aprendemos. Esta natureza é foco inclusive de cursos de pequena duração sobre plantas medicinais que podem ser observadas por todos os lados.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
Além disto, a par de tudo que envolve a vida de estudante e pesquisador, a Unisinos inova no ingresso à biblioteca, ao permitir que os usuários e visitantes permaneçam nas suas dependências com pequenos lanches, água ou mesmo um tradicional chimarrão. Pois é necessário se hidratar em períodos longos de estudo.
Um reflexo de iniciativas de incentivo e acolhimento nas bibliotecas e universidades é que, mesmo em momentos de lazer e descontração ou em reuniões familiares, se percebe uma flagrante mudança de qualidade no diálogo: a maioria dos gaúchos está empenhada em buscar formas de melhoria política e urbanística. Sim, as pessoas por aqui consideram a educação e a participação mais do que direitos a serem reivindicados, mas sim um privilégio que deve ser honrado.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
Outro reflexo é o sentimento e a certeza de que aquele espaço é nosso, que temos acesso aos espaços de educação, ainda que privados. Como estudante e pesquisadora, sinto um profundo respeito e gratidão por estas instituições, que são privadas, mas possuem forte atuação comunitária nos municípios em que se encontram.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
Para saber mais sobre as bibliotecas das universidades citadas:
Centro Universitário La Salle – clique aqui.
Universidade do Vale do Rio dos Sinos – clique aqui.
Cidades Sustentáveis e Planejamento Urbano
O crescimento acelerado das cidades e a ausência de planejamento principalmente de meados do século passado para os dias de hoje, trouxe inúmeros efeitos negativos para os moradores das grandes metrópoles. Aliada a uma ocupação desordenada, com precariedade habitacional e informalidade urbana, o crescimento acelerado das cidades torna o desafio ambiental urbano ainda mais prioritário.
O que fica evidente é que toda essa expansão desordenada produziu regiões com diferentes níveis de desigualdade, gerando também graves problemas de infraestrutura urbana, sobretudo nas regiões mais periféricas das cidades.
Imagem: Creative Commons
Poluição dos corpos d’água e deficiência no abastecimento de água, ausência de saneamento e drenagem, acúmulo de resíduos sólidos e poluição do ar compõem os desafios ambientais locais e tradicionais de áreas urbanas.
Imagem: Creative Commons
Para tentar diminuir estes problemas, é cada vez mais importante a criação de cidades planejadas que sigam um modelo estratégico detalhado, para minimizar os problemas comuns de um processo de urbanização desordenado e assegurar seu funcionamento de modo harmonioso e sustentável.
A arquiteta Nora Libertun – PhD em Desenvolvimento Urbano no MIT e mestre em urbanismo na Universidade de Harvard – elaborou cinco princípios para que a urbanização e seus desafios possam ser abordados através de um enfoque sustentável, evitando, assim, a exagerada expansão urbana e o desequilíbrio do meio ambiente.
Imagem: Autossustentável
A eficiência de recursos (maximização do uso de insumos e minimização da sua extração) é um dos fatores-chave para este sucesso, uma vez que as cidades consomem 75% dos recursos naturais, produzem 50% dos resíduos globais e são responsáveis por 60-80% das emissões globais de Gases do Efeito Estufa (GEE), conforme publicação da ONU Meio Ambiente.
Sabe-se que a aglomeração das cidades oferece benefícios que incentivam a inovação, o desenvolvimento dos negócios e a geração de empregos. Em outras palavras, o que importa é “como” as cidades são projetadas – sua densidade, forma urbana de uso misto e sua infraestrutura.
O aproveitamento máximo da infraestrutura urbana também é essencial para se alcançar a maior eficiência dos recursos. A maioria dos recursos da cidade flui através de infraestruturas urbanas. A escolha de infraestruturas que conciliam a prestação de serviços – como a remoção de resíduos, alimentos, eletricidade, segurança energética e abastecimento de água, transporte e lazer – exige uma análise cuidadosa.
Assim, se planejadas com atenção, as políticas para o aumento de eficiência dos recursos podem ser rentáveis, estimular o crescimento e reduzir o impacto ambiental das cidades. Mas para estas estratégias de sustentabilidade sejam implementadas com eficácia nas cidades, é fundamental que sejam acompanhadas de forte governança e processos participativos.
Cinco perguntas para a pauta ambiental de seu candidato nas eleições de 2018
É desnecessário dizer que as pautas ambientais nunca foram estrela de debates presidenciais. Nunca! Na verdade, até as primeiras candidaturas da Marina Silva nos anos 2000, sequer eram tema.
A assunção era ainda aquela herança do governo militar: meio ambiente é um empecilho para o desenvolvimento, logo não haveria motivo para uma preocupação específica. As poucas menções a florestas geralmente viam atreladas à defesa do nacionalismo ufanista – de “A Amazônia é nossa!” para baixo.
A chegada da Marina Silva no debate mudou um pouco isso por dois fatores principais: primeiro, era uma ex-Ministra do Meio Ambiente, com histórico de luta ambientalista e que chegava propondo um “novo modelo” de política, uma “terceira via” ante a já visível polarização PT-PSDB. Segundo, seu inegável sucesso: devemos lembrar que nas eleições de 2014, por conta de uma série de eventos premeditados (como a aliança com os Socialistas pra viabilizar sua campanha) ou não (como o trágico acidente com Eduardo Campos), por muito tempo Marina Silva chegou a liderar as pesquisas eleitorais, não chegando ao segundo turno após uma reconhecida campanha de “desidratação” do PT a sua candidatura.
Daí, todos os candidatos tinham que, no mínimo, saber do que se estava falando ao abordar a temática “meio ambiente”. O problema é que ficamos mesmo no mínimo. Não que outros tópicos tenham uma elaboração muito mais complexa – a plataforma eleitoral do PT se resumia a duas páginas e, salvo engano, a do PSDB nem a isso chegava – mas por meio ambiente ser um tema ainda marginalizado, ainda que, ao menos, agora lembrado, o “debate” orbitava em torno da preservação (“Temos que parar com o desmatamento!”), do desenvolvimentismo (“Há de se arranjar emprego para as populações que vivem da floresta!”) e do… lúdico-nacionalista (“O Pantanal e suas belezas…”).
Chegando a 2018, o silêncio é ainda mais palpável. Obviamente temos pautas de urgência inegável, temos situações que demandam atenção redobrada por parte dos postulantes ao cargo de presidente, mas seja pela cobertura da mídia, seja pela ausência de foco (ante a inexpressiva força eleitoral que o foco às questões ambientais dá, sejamos francos), o silêncio grita.
Neste sentido, a fim de contribuir com o saudável debate democrático que temos que ter nesse ano de definições de projeto de país, deixo aos candidatos (e, principalmente, aos eleitores), cinco questões em aberto que devem ser encaradas por nosso novo mandatário:
Nos últimos anos passamos por dois desastres ambientais de proporções hercúleas – Mariana e Bacarena –; no primeiro caso, as compensações ao Estado e às famílias atingidas foi muito aquém ao que realmente era necessário, sendo que temos famílias que estão longe de voltar a uma situação sequer próxima a que tinham antes do ocorrido. Será política de Estado de seu governo a manutenção de uma lógica punitiva a população e permissiva ao setor privado em nome de um desenvolvimentismo cego?
2018 está sendo um ano mais chuvoso que os anteriores, mas, ainda assim, a criticidade hídrica em algumas regiões do Brasil está longe de ser superada – em especial em um cenário de mudança do clima que tende a gerar anos mais secos como sentimos no início dessa década. Qual seu plano de governo para fortalecer, de forma preventiva, a segurança hídrica no semiárido nordestino e nas zonas metropolitanas de Rio, São Paulo e Brasília?
Quando do lançamento do PLANSAB – Plano Nacional de Saneamento Básico foi instituída a meta de universalização do saneamento básico no Brasil até 2033. Hoje, metade da população brasileira sequer tem acesso a esgoto e, desse (pouco) esgoto coletado, metade não é tratado. Estima-se a necessidade de R$ 304 bilhões em investimentos para que a meta da universalização seja atingida. Como compatibilizar a necessidade de recursos, um Estado cujo investimento em infraestrutura tem sido visivelmente decrescente e, principalmente, essa gritante ausência da presença do Estado em um direito básico para a saúde de milhões de brasileiros?
As NDCs – Contribuições Nacionalmente Determinadas brasileiras referentes ao Acordo de Paris preveem uma redução das emissões brasileiras em 37% até 2025 (partindo como base as emissões de 2005), ou seja, ainda dentro de um governo de 8 anos, contando com a reeleição. Dois dos fatores que mais pesam nas emissões brasileiras são desmatamento e emissões agrícolas. Como compatibilizar a lógica do desenvolvimento de uma economia claramente agroexportadora (e que se apoia em monoculturas extensivas) com esses compromissos internacionais assumidos?
Em 2010, o Plano Nacional de Resíduos Sólidos previa a extinção dos lixões em 4 anos e a necessidade de que cada um dos mais de cinco mil municípios brasileiros contasse com um Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos. Por nenhum dos dois pontos ter sido cumprido em tempo hábil, a obrigatoriedade do fim dos lixões ficou para 2021 e dos Planos Municipais para 2020 (ou seja, dentro de seu mandato). Como compatibilizar uma necessidade das mais básicas, cuja pauta é muito mais que ambiental, é verdadeiramente de saúde pública (em especial da população mais pobre), com um plano factível de implementação de uma promessa do Estado brasileiro à sua população?
Cinco singelas perguntas. Nada muito elaborado, avançado ou fora da realidade brasileira. Pelo contrário. Nos cinco pontos aqui levantados estamos lidando com o nosso dia-a-dia. A pauta ambiental não é alheia à população, mas faz parte de debates muito mais amplos sobre crescimento econômico, saúde pública, segurança hídrica e alimentar e distribuição de riqueza.
Com a palavra, o seu candidato.
Você tem dificuldade em sair da zona de conforto? Entenda o porquê
Por que inúmeras pessoas desistem no meio do processo de aprender algo novo? Por que mesmo conscientes dos inúmeros desafios socioambientais que enfrentamos atualmente, poucas pessoas, de fato, têm uma mudança prática em suas vidas?
Certa vez assisti a uma palestra que trazia 4 fases do aprendizado na programação neurolinguística e enxerguei uma relação bem interessante com o processo de mudança individual para uma cultura e vida mais sustentável.
Em suma, sempre que aprendemos alguma coisa nova, passamos por essas 4 fases:
1. Incompetente inconsciente
Esse é o primeiro estágio. A pessoa não possui determinada competência e não tem a consciência disso.
Considere a competência de compostar resíduos em casa, por exemplo. Nesse primeiro estágio, ela não faz ideia do que é compostagem muito menos que existe a possibilidade de fazer isso em sua residência.
2. Incompetente consciente
Nesse momento, torna-se consciente da falta de competência.
A pessoa ainda não sabe compostar em casa (não tem a habilidade), mas agora entende que isso existe e que é algo acessível para ela.
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3. Competente consciente
Esse é o estágio em que a pessoa adquiriu determinada competência, ou seja, aprendeu algo novo e está consciente disso. Porém, essa competência não virou hábito, não é algo automático ainda.
No exemplo da compostagem, a pessoa aqui ainda tem que prestar atenção quando vai descartar seus resíduos, pois não é algo totalmente intuitivo e internalizado.
4. Competente inconsciente
O último estágio é quando a pessoa adquiriu determinada competência e faz isso de forma inconsciente, pois já passou por muita prática e repetições.
Estamos em diferentes estágios nas mais diversas habilidades e hábitos que almejamos em relação a um estilo de vida mais sustentável.
Um desafio constante é que muitas pessoas desistem no segundo estágio. No momento em que se veem diante de um desafio que nem sabiam que existia e que terão que sair de sua zona de conforto. Se sentem impotentes, desconectadas e perdidas.
E o que nós, enquanto educadores, podemos fazer? Uma das estratégias é saber identificar em qual desses estágios cada um de nossos educandos (ou qualquer pessoa que você deseja influenciar) está e dar o suporte necessário a cada um deles.
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Trouxe alguns exemplos do que pode ser feito em cada um dos estágios de aprendizagem.
Incompetente inconsciente: sensibilizar; fornecer informações sobre diferentes desafios; apresentar filmes, talks ou documentários; inspirar.
Incompetente consciente: ouvir, tangibilizar os desafios para a realidade das pessoas; contar e descrever casos de sucesso; apoiar no processo de empoderamento; auxiliar com informações e conhecimentos; promover espaços de conversa; acolher.
Competente consciente: conectar com pessoas inspiradoras; celebrar coletivamente cada conquista; dar mais informações sobre diferentes pontos de vista.
Competente inconsciente: conectar com pessoas que ainda estão iniciando a mudança; publicação e divulgação de histórias de sucesso; celebrações compartilhadas; conexões; criar lugares onde possam encontrar mais pessoas no processo de mudança.
E você, está querendo mudar algo na sua vida? Consegue identificar em qual desses estágios você se encontra?
Dicas para uma cozinha amplamente saudável e sustentável
Ainda acreditamos que a rotina de nossas casas gera poucos impactos no meio ambiente. Estamos acostumados a ter uma visão mais focada no apontamento do externo para busca de soluções, do que na reformulação de nosso modo particular de viver e interagir no mundo, com o meio.
Uma boa proposta de revisão, aprofundamento e mudança pode começar, por exemplo, na cozinha de casa. Que tal aderir a ideia de uma cozinha sustentável e saborear uma existência mais orgânica e extensivamente saudável?
Uma imersão na ideia de cozinha sustentável
O espaço cozinha é um espaço destinado a continuidade da produção, consumo e descarte. Movendo essa engrenagem, existe uma palavra chave: consciência. Podemos melhorar processos de maneira consciente e mais responsável ou simplesmente seguir a dinâmica do que é comum e até destrutivo. No estado consciente e responsável, a cozinha funciona com a energia do cuidado e garante menos impacto ambiental. Alguns pontos:
1. O primeiro ponto é se auto resgatar
Quem é aquele que compra, cozinha e consome todos os dias? É um ser consciente que reconhece seu papel de importância para o estabelecimento de um planeta sustentável e aceita essa responsabilidade com alegria e não como algo trabalhoso ou é aquele ser que não concentrou atenção a isso, deixando que a rotina decida? Essa reflexão abre espaço para que haja aprofundamento e mais discernimento nas escolhas.
2. Reconhecimento dos elementos positivos na rotina na cozinha
Como por exemplo: uso integral dos alimentos, separação de embalagens, etc. Sugestão: como ampliar esses elementos positivos? Como ir além? Aqui, começa o mapeamento, as listas, a semente da intenção é plantada. Começa o planejamento.
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3. Criando um espaço de sustentabilidade criativo
Ação se faz presente e ainda que no primeiro momento cause “mais trabalho” começa uma experiência de novidade, novas formas de fazer. Os bons hábitos se instalam. Eis a prática.
Os elementos da cozinha sustentável
Alimentos frescos e de regiões mais próximas, evitam que muito combustível seja utilizado no transporte. Além disso, favorecer a economia local, gera uma relação de cooperação. Daí nasce o fortalecimento do consumo de orgânicos, de alimentos que não tem ciclos de vida alterados e se mantém o respeito a sazonalidade.
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Alimentos usados integralmente também compõem uma boa cozinha sustentável. Talos, cascas, folhas, sementes e mesmo o que ficou de uma preparação do dia anterior pode ser bem usado. Aquele pouquinho de feijão que sobrou? Vira um bom hambúrguer vegetal. Talos? Vão para a sopa junto com as cascas. As sementes? Muitas podem ser torradas e consumidas como petisco. Vale lembrar que o senso de medida é importante. Cozinhar o necessário, favorece.
Ingredientes de origem não violenta colocam a cozinha além da sustentabilidade ambiental, criam uma relação de respeito com outros seres sencientes. Sabemos que a criação de animais para abate desmata área imensas e também desperdiça muita água.
Controle de datas de vencimento é imprescindível. Faça listas e coloque na prateleira da frente de sua despensa, o que precisa ser consumido primeiro. Sabe que não vai dar conta? Crie uma receita e compartilhe um bolo no escritório, dê o item para alguém, mas não deixe estragar! Compartilhar é sustentável.
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Vai descongelar preparações? Esqueça a ideia de deixar sob a torneira aberta ou de ligar toda hora seu micro-ondas. Já pensou em retirar horas antes e deixar dentro da geladeira mesmo?
Opte por empresas idôneas em seus processos industriais. Não financiar empresas com histórico de práticas poluentes, de trabalho escravo e maus tratos a animais, fortalece a prática do consumo consciente e mostra a empresas que elas precisam mudar.
Evite embalagens. Comprar a granel é uma boa pedida. Já existem locais em que você leva seus potinhos e mantém a organização já no momento da compra. Caso não seja possível, use as embalagens e saquinhos para outros fins. Se for descarta-las faça de acordo com as orientações da coleta seletiva.
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Ao cozinhar tampe bem as panelas e garanta que elas estão bem conservadas para que não haja perda de calor. Economia de gás e alimentos mais bem preparados.
Não descarte óleo de cozinha no ralo. Essa atitude evita a poluição das águas e também do solo. Procure ONG´s que façam o reaproveitamento desse resíduo. Evite detergentes e produtos químicos e nocivos. Opte por marcas biodegradáveis.
Evite manter geladeiras e refrigeradores perto de fogão. O aquecimento faz com que se puxe ainda mais energia para manter a temperatura fria. Deixar a geladeira criar gelo também reduz a circulação do ar frio. Busque ainda, eletrodomésticos de baixo consumo. Tire equipamentos da tomada.
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Ao lavar a louça, não mantenha a torneira aberta e a água correndo. Nem lave suas verduras assim. A louça, você pode deixar um pouco de molho em alguma bacia, até que solte o mais grosso, depois a sujeira sairá com facilidade e com pouco uso de água.
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Temos o mapa, temos as dicas, temos a intenção, temos um propósito, temos a energia necessária e somos cooperativos o suficiente, bem como responsáveis, se assim quisermos, para a realização de um mundo sustentável, mais verde e até mais saboroso!
Isopor: é possível reciclar SIM!
Sabe aquele mito de que o isopor não é reciclável? Esqueça isso! O EPS (sigla de Poliestireno Expandido), mais conhecido como isopor, pode e deve ser reciclado! Durante muito tempo, fosse por falta de tecnologia, viabilidade financeira ou mesmo conscientização, as pessoas deixaram de dar o destino correto a esse material. Por isso a gente quer e precisa esclarecer: o isopor é um resíduo reciclável!
Como explica matéria veiculada no jornal Gazeta do Povo, o material pode ser reciclado de três formas: reciclagem mecânica, que transforma o produto em matéria prima para a fabricação de novos produtos; reciclagem energética, que usa o isopor para a recuperação de energia em função do seu alto poder calorífico; e reciclagem química, que reutiliza o plástico para a fabricação de óleos e gases.
Várias iniciativas estão acontecendo no intuito de fomentar a reciclagem do isopor, material plástico que tem em sua composição 98% ar. A Santa Luzia, empresa de Molduras de Braço do Norte, sul de Santa Catarina, encontrou uma maneira para substituir a madeira, criando um processo de compactação de resíduos de EPS – ou isopor. A partir do poliuretano ou do poliestireno reciclados, a empresa produz perfis, molduras, revestimentos de pisos e paredes, com foco em alto padrão e capacidade de transformar grandes quantidades de resíduos plásticos em várias linhas de produtos, como rodapés, rodatetos, guarnições, rodameios, revestimentos (Ecobricks e Vértices) e decks (Ecodeck), além de espelhos, molduras e porta-retratos. É possível conhecer um pouco mais sobre o processo clicando aqui.
Além disso, a Termotécnica, empresa de embalagens para produtos industriais e transformadora de EPS (isopor®) com sede em Joinville – norte de Santa Catarina, desenvolveu um programa de reciclagem do material e tem direcionado grandes esforços para a orientação a respeito da possibilidade e importância de reaproveitar este material. Ao longo do trabalho desenvolvido pela empresa, foi criado um site (clique aqui para acessar) onde é possível localizar o ponto de coleta deste resíduo mais próximo da sua localidade, uma ferramenta útil e que facilita o engajamento. Incrível, né?! Segundo a empresa, o processo de reciclagem consome poucos recursos naturais, como água e energia, e gera poucos resíduos.
Ponto de entrega voluntária da Termotécnica. Imagem: Divulgação.
O programa conta com uma rede de mais de 1.100 pontos de coleta e 270 cooperativas parceiras, o que corresponde a reciclagem de 30% da quantidade de embalagens de EPS produzidas pelo país, evitando cerca de 6 mil toneladas por ano de descarte inadequado do material em aterros. Com 10 anos de existência o programa já reciclou mais de 35 toneladas de isopor e gera, hoje, cerca de 100 empregos diretos e impacta aproximadamente 5 mil famílias.
A empresa investiu no desenvolvimento de uma ampla cadeia de logística reversa, o que significa importante incentivo às cooperativas pelo fato do isopor ser um material que ocupa bastante espaço e é extremamente leve, o que desestimula sua coleta e envio para reciclagem. Além disso, com investimentos na ordem de R$15 milhões instalou unidades próprias de reciclagem nas cidades de Manaus (AM), Rio Claro (SP), São José dos Pinhais (PR), Joinville (SC) e Petrolina (PE). Após reciclado, o isopor volta para o mercado e é utilizado para a fabricação de itens como: régua escolar, corpo de caneta, solas de sapato, rodapés, molduras, entre outros. Para explicar mais sobre o programa foi desenvolvido um vídeo didático e de fácil entendimento, clique aqui para acessá-lo. Há também uma cartilha de linguagem lúdica que visa auxiliar na conscientização das crianças, para acessar clique aqui.
É fato que para desmistificar a ideia de que o isopor é um resíduo reciclável será necessário um forte trabalho de educação e conscientização. Que tal contribuir para essa iniciativa e ajudar a divulgar essa informação? Compartilhe este conteúdo nas redes sociais e faça a sua parte!
Uma feira agroecológica na Universidade e muito mais que isso!
Nas andanças da vida de um lado para o outro ao avistar um cartaz de feira a felicidade já toma conta do coração. Mas desta vez a surpresa foi muito melhor do que encontrar alimentos de qualidade. Vamos falar de responsabilidade socioambiental!
Eis-me perambulando pela universidade após o almoço e encontro uma faixa divulgando a feira agroecológica da universidade. E bingo! A feira estava a poucos metros da faixa. Como sempre faço, comecei a passar de banca em banca conversando com os produtores, pois gosto de saber de onde vem o que estou comprando.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
A primeira barraca é de uma cooperativa de produção de sabão e outros produtos de limpeza e velas a partir de óleo de cozinha reciclado. Começaram pequenos, mas a convite da universidade, passaram a fazer parte da feira. “Ah, então a feira foi idealizada pela universidade?” “Sim, foi um convite do pessoal da área de meio ambiente”. “Mas agora estamos com produtos bem melhores porque fomos auxiliados pela faculdade de farmácia que aperfeiçoou nosso sabão trazendo mais qualidade para nosso produto”.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
A próxima mesa era de um produtor de cogumelos, que vende os cogumelos in natura e transformados em patês, sem conservantes. “E vocês são da região?” “Sim, nossa propriedade é de uma cidade próxima daqui, mas a universidade nos localizou pela Emater/RS”. Ele também vendia carambolas e geleias de maçã e pimenta produzidas no mesmo quintal.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
Na terceira mesa, as guloseimas maravilhosas da cultura alemã e italiana que desembarcaram no Rio Grande do Sul: pão de milho e de aipim, cuca (uma espécie de pão doce com uma farofinha de farinha, margarina e açúcar, e que às vezes tem recheio de uva, goiabada, coco, doce de leite ou até de queijo quark), bolos, waffles e biscoitos. Difícil raciocinar diante de tantas gostosuras.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
A produtora reside em um bairro da cidade e produz em casa as delícias que leva para a feira. “Faz tempo que a feira está na universidade?” “Estamos aqui há mais de um ano e temos participado também de um projeto de empreendedorismo”. “Nossa, que maravilha! Como funciona?” “Fomos convidados para participar e os alunos estão nos ajudando a entender melhor como fazer a feira aumentar as vendas. Eles sugeriram no último semestre que fosse feito um aplicativo de celular para que os alunos possam encomendar as coisas e nós iremos entregar nas salas de aula no dia da feira. Porque tem muitos que vem com o tempo contado para pegar o ônibus na saída. Agora o pessoal da informática está fazendo o programa de celular para nós”. “Uau! Muito legal! Então vocês têm bastante ajuda por aqui”. Sim, responde feliz da vida a senhora dos doces.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
Na última barraca deste corredor temos o senhor das verduras, legumes e ervas. Tudo muito verde e apetitoso. Tem mel, banana, abacate, laranja, repolho, beterraba, cebola, alface, tempero verde e chás. Pergunto se ele é da região também. “Sim, moro num bairro de São Leopoldo”. “E tudo isso o senhor mesmo que plantou?” É tudo da nossa propriedade! – Responde orgulhoso. Na semana passada ainda tinha berinjela e quiabo, mas agora já está terminando a safra.
Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável
Mais adiante, em meio ao centro comunitário da universidade, local de bancos, farmácias, livrarias e lojas, estão as barracas de artesanato. Trabalhos manuais de todos os tipos, espalhados pelos gramados da universidade. “Vocês estão aqui toda quarta também?” “Na verdade, estamos aqui uma vez por semana, mas como choveu muito na semana passada, essa semana ficamos dois dias seguidos”. “E vocês chegaram aqui como?” “A universidade nos convidou”.
Pensem no meu coração pulsando ao descobrir que além de ceder o espaço privilegiado no interior de uma universidade, essas pessoas estão sendo capacitadas e auxiliadas em programas de empreendedorismo!
É gratificante perceber que a instituição tem buscado contribuir com a comunidade e criado espaços de crescimento conjunto, pois aqui ganham os alunos que podem estudar casos práticos e os produtores que recebem espaço e qualificação.
Para saber mais sobre a feira e os produtores:
Ecofeira Unisinos
Todas às quartas-feiras das 10h às 17h30m – no corredor da entrada principal. Para saber mais, clique aqui.
Cooperativa de Mulheres Mundo mais Limpo Para saber mais, clique aqui.
A não tão secreta linguagem das árvores
A habilidade de se comunicar é uma verdadeira maestria. Quantos relacionamentos não prosperaram por serem capazes de ultrapassar a linguagem tradicional da fala e se comunicar além das palavras?
Hoje sabemos que todas as espécies de animais têm alguma forma de comunicação ou linguagem. Cientistas já descobriram que golfinhos “conversam” entre si, usando uma grande variedade de sons e ultrassons modulados de modo a expressar informações, situações, emoções e, com muita probabilidade, pensamentos. As abelhas se comunicam através da dança para dizer às companheiras onde achou alimento. Os pássaros usam seu canto, lobos se expressam através de movimentos corporais, cães-da-pradaria desenvolveram uma linguagem tão complexa e sofisticada que podem até dizer uns aos outros se os seres humanos estão armados quando se aproximam.
Os mais recentes estudos demonstram que até as árvores se comunicam. É através de uma rede maciça de raízes de cogumelos,semelhantes ao cabelo humano, que elas enviam informações preciosas a outras árvores e espécies. Estas raízes transmitem mensagens secretas entre as árvores, desencadeando-as em um compartilhamento de nutrientes e água com as espécies necessitadas.
Assim como os seres humanos, as árvores são criaturas extremamente sociais, totalmente dependentes uma das outras para sua sobrevivência. E assim como nós humanos a comunicação é um fator essencial nesta relação de sobrevivência entre espécies. Cientistas descobriram que raízes de pinheiros poderiam transferir carbono para outras raízes de pinheiro em um laboratório. Depois de atestar este fato, a professora de ecologia Suzanne Simard decidiu descobrir como as árvores foram capazes de praticar esta relação de colaboração.
O que a professora Simard descobriu foi uma vasta rede emaranhada de raízes de cogumelos que formam uma teia complexa de informação que permite a comunicação de mensagens importantes entre as árvores de mesma espécie e espécies relacionadas, de modo que a floresta se comporta como “um único organismo“.
A ideia de que as árvores poderiam compartilhar informações subterrâneas era controversa. Para provar cientificamente o que intuía, Simard realizou um experimento que resultou em uma revelação inovadora: as árvores são seres cooperantes, ao contrário do que achávamos no passado onde assumimos que as espécies estavam competindo umas com as outras por carbono, luz solar, água e nutrientes foi substituído pelo entendimento de cooperação entre as espécies.
As árvores se comunicam enviando sinais químicos e hormonais através do micélio, para determinar quais árvores precisam de mais carbono, nitrogênio, fósforo e carbono, e quais árvores têm de poupar, enviando os elementos de um lado para o outro até a floresta se tornar toda equilibrada.Simard diz que a teia de comunicação é tão densa pode haver centenas de quilômetros de micélio sob uma única pegada humana.
A rede de micélio conecta as árvores-mães com árvores bebês, permitindo que elas alimentem as mais jovens. Uma única árvore mãe pode fornecer alimento para centenas de árvores menores através da camada de dossel e sub-bosque, região que fica abaixo do principal dossel (camada emergente) de uma floresta. As árvores-mães até reconhecem seus parentes, enviando-lhes mais micélio e carbono reduzindo seu próprio tamanho de raiz para dar espaço a seus bebês.
Esta nova compreensão científica de comunicação entre as árvores fornece importantes implicações para nós. Por exemplo, quando as árvores-mães são feridas ou estão morrendo, por conta do desmatamento ou algum fator não natural, elas enviam sua “sabedoria” para a próxima geração. No entanto, com o desmatamento de áreas inteiras, as árvores não podem fazer isso e toda a “sabedoria” que vem sendo transmitida por árvores mais velhas para mais jovens há milênios é exterminado de uma só vez.
Para alguns, estas informações podem ser notícia recente, no entanto diversas culturas e povos tradicionais já intuíam esta forma sofisticada de comunicação entre a floresta. Povos indígenas e comunidades que vivem mais próximas da terra afirmam que todos os seres estão conectados e que os seres da floresta, como as árvores, conversam entre si.
Através de suas complexas cosmologias povos indígenas foram capazes de construir uma sabedoria que pode ser considerada como uma ciência nativa. Comunidades tradicionais não usam o método científico ocidental que conhecemos, no entanto, sua experiência também gera uma ciência, pois foi através de várias gerações de atentos observadores que esses povos construíram seu precioso conhecimento. E é através de sua rica mitologia que os povos originários transmitem esta sabedoria às gerações mais jovens.
Atualmente a sociedade parece ter adormecido para as histórias que contêm verdadeira sabedoria e conhecimento. As histórias que hoje prestamos atenção são as contadas pela mídia, governo e etc. No entanto, se retornarmos à nossa sabedoria indígena, a nossa intuição, aliadas a pesquisas e descobertas científicas, podemos sentir e entender que uma floresta é um espaço sofisticado. Talvez até além de nossa compreensão, contendo mistérios que devem ser respeitados.
Ao observar os complexos sistemas de interconexão da natureza veremos que não é através da competição que a evolução acontece, mas sim da cooperação. Quando entendermos este fato, iremos prosperar como uma comunidade inteira, humanos e não humanos. E quem sabe até não iremos descobrir que todos os seres da Terra estejam conectados, não pelo micélio, mas por forças que a ciência tradicional não é capaz de provar. O que acontecerá se ousarmos aprender com as árvores?
Afinal, a Natureza tem Direitos?
Hoje em dia, discute-se a possibilidade de atribuição dos chamados direitos da natureza, sendo esta considerada por si mesma. O tema é polêmico e divide opiniões entre juristas e ambientalistas, na medida em que suscita discussões de conceitos e perspectivas sobre a própria essência e função do direito.
Natureza ainda é entendida, pela maioria, como algo distante, da qual não fazemos parte.
Por paralelo, o debate sobre os direitos dos animais pode servir como parâmetro para consolidar as bases de justificações. Nesse, apresenta-se a possibilidade de considerar os animais como sujeitos de direito ou ao menos serem desconsiderados como coisas, conforme estabelecido na legislação civil de diversos países.
Nesse tanto, a impetração bem-sucedia de um habeas corpus de um chimpanzé confinado em um zoológico na Argentina, mesmo que medida processual inadequada, foi responsável pelo desenvolvimento das questões. O Direito dos Animais, seres senscientes, está na ordem do dia dos principais parlamentos e decisões judiciais pelo mundo.
No caso específico da natureza, os principais exemplos foram instituídos nas Constituições do Equador (2008) e da Bolívia (2009), o que vem sendo chamado de neoconstitucionalismo andino.
De acordo com o artigo 71 da Constituição do Equador de 2008 (clique aqui para acessar), a natureza ou Pacha Mama possui o direito a que seja respeitada integralmente sua existência e regeneração dos seus ciclos vitais, estrutura, funções e processos evolutivos, tendo qualquer pessoa, comunidade, povo ou nacionalidade a legitimidade para exigir das autoridades públicas o cumprimento dos direitos da natureza.
Pacha Mama
Na Bolívia, a Constituição promulgada em 2009 (clique aqui para acessar) também avança no que se refere aos direitos da natureza, na medida em que prevê a existência de um Tribunal Agroambiental (art. 186), além da estipulação do direito ao meio ambiente sadio e equilibrado para as presentes e futuras gerações (art. 33) nos moldes das principais Constituições contemporâneas do mundo. A importância dada pelos constituintes é verificada, inclusive, no preâmbulo que cita a diversidade da Mãe Terra, da Amazônia, dos rios e lagos do território boliviano [1].
Apesar da Constituição Brasileira (clique aqui para acessar) não ter inserido expressamente os direitos da natureza, como as demais Constituições citadas, ela é repleta de dispositivos sobre preservação ambiental. Fato que permitiu fundamentar o ajuizamento, no dia 05 de novembro de 2017, da ação judicial pela própria bacia hidrográfica do Rio Doce por conta do desastre ambiental na cidade de Mariana no Estado de Minas Gerais.
Rio Doce/ Imagem: Creative Commons
De acordo com os dados apresentados na petição inicial, a bacia hidrográfica em questão fornece água para 3,5 milhões de pessoas em 230 municípios e foi contaminada pelo maior desastre ambiental da história brasileira. Nessa ação, o Rio Doce foi representado pela Associação Pachamama, pessoa jurídica de direito privado sediada em Pelotas/RS [2].
Rompimento da barragem de Fundão, localizada no subdistrito de Bento Rodrigues/ Imagem: Rogério Alves/TV Senado
Dois anos antes da ação judicial, no dia 05 de novembro de 2015, ocorreu o rompimento da barragem de rejeitos de mineração controlada pela empresa Samarco S.A. que despejou 62 milhões de metros cúbicos de lama de minério de ferro, desabrigou 1.265 pessoas, impactou significativamente dois distritos (Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo), prejudicou a vida de 6 milhões de pessoas e foi responsável pela morte de 19 pessoas e 98 espécies de peixes.
Vistoria realizada pelo Ibama em outubro de 2017 para verificar a recuperação dos afluentes do Rio Doce atingidos pelo rompimento da Barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais/ Imagem: Vinícius Mendonça/Ibama
Considera-se que os direitos da natureza introduzidos constitucionalmente no Equador e na Bolívia resgatam discussões do ponto de vista filosófico e teórico do direito, na medida em que apresentam uma visão biocêntrica do direito em contraponto ao antropocentrismo presente nas normas jurídicas. Busca-se, pois, que a natureza tenha valor em si como ecossistema a ser preservado para que não só as presentes e futuras gerações possam usufruir com a máxima qualidade de vida, mas também as outras formas de vida como os animais e os vegetais.
[1] Preâmbulo. En tiempos inmemoriales se erigieron montañas, se desplazaron ríos, se formaron lagos. Nuestra amazonia, nuestro chaco, nuestro altiplano y nuestros llanos y valles se cubrieron de verdores y flores. Poblamos esta sagrada Madre Tierra con rostros diferentes, y comprendimos desde entonces la pluralidad vigente de todas las cosas y nuestra diversidad como seres y culturas. Para acessar o documento completo, clique aqui.
[2] Para acessar a Petição Inicial da ação judicial ajuizada pelo Rio Doce, clique aqui.
Economia Circular: a urgência de uma nova economia
Segundo dados da ONU (2017), a população mundial de quase 7,6 bilhões de pessoas deverá aumentar para 9,8 bilhões em 2050. China e Índia são os países que mais contribuirão para este crescimento. Não é mais novidade e está muito claro que os recursos naturais estão cada vez mais escassos e dezenas de cidades já estão enfrentando as consequências das mudanças climáticas.
O relatório da Accenture (2014) mostrou que existe uma forte relação entre o consumo de recursos e o PIB, e que já estamos usando aproximadamente 1,5 vezes a capacidade de recursos do planeta todos os anos. Isso significa que consumiremos três planetas por ano até 2050.
A chamada economia linear, modelo atual que vivenciamos, foi eficaz especialmente no momento pós Revolução Industrial, que presumia um suprimento ilimitado de energia e matérias-primas (que não existe), enquanto o meio ambiente tem uma capacidade infinita de absorver poluição e desperdício (o que não acontece) (Andy Jones et al, 2011). A escassez de recursos e o volume gigantesco de resíduos sólidos neste modelo são inevitáveis.
Imagem: Autossustentável
A Economia Circular como muito bem definida pela Ellen MacArthur Foundation (2012) é um sistema industrial que é restaurativo e regenerativo por intenção e design. Ou seja, não é apenas uma mudança nos produtos, serviços e negócios, trata-se de uma nova economia como um todo. A ideia principal é a adaptação, assim como os sistemas naturais são capazes de fazer. Para saber mais sobre Economia Circular, clique aqui.
Algumas escolas de pensamento estruturaram os conceitos e princípios da economia circular, e uma delas é a Biomimicry (Biomimética, em português), que é inspirada em como os sistemas vivos e a natureza funcionam e como podem ser aplicados aos processos, ecossistemas e design sustentável. Existem exemplos fantásticos, todos disponíveis nos sites AskNature e Biomimicry. Um exemplo clássico é o trem-bala que costumava ter problemas com ruído. Eles aprenderam com os pássaros e projetaram o bico do trem da mesma forma, permitindo reduzir a pressão do ar em 30% e a eletricidade usada em 15% (AskNature, 2018).
Podemos dizer que a economia circular é um sistema completo que reduz ou não produz resíduos (assim como os sistemas vivos), trabalha com energia de fontes renováveis, pensa em sistemas e constrói a resiliência através da diversidade. O interessante é que por ser recente, todas as ideias e conceitos podem mudar e evoluir rapidamente.
No contexto da economia circular, o lixo é um erro de design. O princípio da inércia de Stahel (2011) traduz isso muito bem:
“não conserte o que não está quebrado, não remanufature algo que possa ser consertado, não recicle um produto que possa ser remanufaturado”.
O segredo é dar aos produtos uma segunda chance, uma nova vida, igual ou melhor do que era antes.
Mudança Climática: Conheça os impactos do Aquecimento Global
A mudança do clima é um dos maiores desafios do nosso tempo. Nenhum país é imune aos seus efeitos, que repercutem na economia, na saúde, na segurança, na produção de alimentos, entre outros, acarretando graves consequências para toda a humanidade.
Comumente acabam surgindo dúvidas a respeito do tema. O que vem a ser aquecimento global? Quais são as suas causas? O que esperar dos seus efeitos?
Imagem: Creative Commons
Aquecimento global é um fenômeno climático de larga extensão que consiste no aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra. Embora muitos acreditem que o aquecimento global seja um problema que tenha a degradação ambiental como uma de suas causas, na verdade trata-se de um fenômeno natural agravado severamente pela ação antrópica, potencializado nos últimos anos.
Uma das principais causas antrópicas do aquecimento global são os desmatamentos e queimadas que eventualmente diminuem o consumo de CO2 pelas vegetações remanescentes, o que contribui para aglomeração desse gás na atmosfera.
Imagem: Creative Commons
Além disso, a poluição, o alto consumo e queima de combustíveis fósseis, processos cada vez mais intensos desde o início da Revolução Industrial, produzem também uma grande taxa de CO2, agravando o problema.
Imagem: OMS
É importante entender que o aquecimento global pode trazer graves consequências para todo planeta, incluindo a fauna, a flora e nós, os seres humanos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que entre 2030 e 2050 a mudança climática pode causar um aumento de 250.000 mortes/ano ocasionadas pela malária, desnutrição, diarreia e o estresse causado pelo calor.
Entre os principais efeitos da Mudança Climática, estão:
Sérios malefícios à nossa saúde, sendo as de maior ocorrência, o câncer de pele, problemas oculares e diminuição da capacidade imunológica. Além dos problemas causados pelo aumento da poluição que ocasiona mais casos de alergia e asma;
Imagem: Creative Commons
Aumento da temperatura e do nível dos oceanos. O aumento da temperatura dos oceanos e o derretimento das calotas polares, pode causar a submersão de cidades litorâneas e ameaça diversos ecossistemas marinhos (recifes de corais e mangues);
Séria degradação da terra e desertificação. O aumento da temperatura provoca o desequilíbrio e a morte de ecossistemas terrestres, além de períodos de aridez e escassez de recursos hídricos;
Perda de produtividade de alimentos. Com a seca, a fome e a escassez de alimentos aumentarão;
Ondas de calor que além causar mortes, principalmente de crianças e idosos, afeta a produção agrícola e o aumento da incidência de incêndios;
Aumento de furacões, tufões e ciclones. O aumento da temperatura faz com que ocorra maior evaporação dos oceanos, aumento da vulnerabilidade a eventos extremos;
O surgimento de uma nova categoria de refugiados, os refugiados ambientais. Essa categoria social é formada por grupos humanos que se deslocam não por causa de guerras, epidemias ou distúrbios políticos, mas devido a catástrofes ambientais que tornam a vida insustentável em seus habitats originais.
Nosso planeta é um organismo vivo e por isso está em constante mudança. A intensificação do aquecimento global é uma das maiores ameaças já enfrentadas pela humanidade. É fundamental que ocorra uma profunda revolução em nossas consciências, em nossas políticas e em nossas economias para preservamos nossa existência.
A ONU Meio Ambiente se empenha em fortalecer as capacidades locais e nacionais para enfrentar os impactos da mudança do clima. Para que desta forma seja possível o desenvolvimento de estratégias e políticas públicas voltadas à mitigação das alterações climáticas.
O caminho para o combate à mudança climática também passa pela alteração de nossa base energética, fundamentada em uso de hidrocarbonetos como o petróleo. É claro que essa alteração será realizada de forma gradual, por meio de programas voltados para a diversificação da base energética.
Essas alterações precisam ser planejadas e executadas em curto período, uma vez que o tempo que nos resta para mitigar a mudança climática, se torna cada vez mais curto.
O Dia Mundial da Saúde é celebrado no dia 7 de abril. O principal objetivo desta data, criada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1948, é conscientizar as pessoas sobre a importância da preservação da saúde e debater questões que afetam a qualidade de vida das pessoas.
Todos os anos são realizadas campanhas a respeito de um tema diretamente relacionado com a saúde. Essas ações são fundamentais para que informar a população sobre seus direitos e atitudes que podem tomar para o cuidado com seu bem-estar físico e mental. Neste ano de 2018, o tema selecionado para o Dia Mundial da Saúde é “Saúde para todas e todos. Em todos os lugares”.
Mas o que é saúde universal? A saúde universal compreende uma gama de serviços de saúde, entre eles promoção da saúde, prevenção de doenças, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos – que devem ser de qualidade, integrais, seguros, eficazes e acessíveis a todos.
Isso significa garantir que todas as pessoas, de qualquer lugar do mundo, tenham acesso essencial a serviços de saúde de qualidade, sem qualquer tipo de obstáculo que impedem o acesso, como: dificuldades financeiras, localização física ou geográfica, discriminação e barreiras institucionais.
Vale lembrar que garantir a saúde não é somente investir em hospitais e ofertar medicamentos. Investir em saúde é garantir a universalização do saneamento básico, é levar educação de qualidade para que todos possam estar informados a respeito dos riscos e prevenção de doenças. É garantir alimentação de qualidade e também promover qualidade de vida.
PANCs – Guia Compacto para Saúde, Tratamento Natural e Economia
Você já ouviu falar sobre as PANCs? Sabe o que elas são? Conhece os benefícios que fazem à nossa saúde? E como elas funcionam como uma farmácia natural para grande parte das enfermidades de nosso cotidiano?
Se você não soube responder nenhuma das perguntas acima, fique calmo. A seguir apresentaremos um guia compacto sobre as riquezas trazidas pelas PANCs.
As PANCs – Plantas Alimentícias Não Convencionais, como foram denominadas inicialmente pelo biólogo Valdely Kinupp, são plantas comestíveis que podemos encontrar em quintais, canteiros e terrenos baldios, por exemplo. Conforme o Guia Prático de PANC:
“O termo Alimentícias quer dizer que são plantas usadas na alimentação, como verduras, hortaliças, frutas, castanhas, cereais e até mesmo condimentos e corantes naturais. O termo Não Convencionais significa que não são produzidas ou comercializadas em grande escala.”
No Brasil existem cerca de 10 mil espécies de plantas com potencial alimentício, contudo utilizamos em nossa alimentação apenas 300 destas. Esse fato evidencia a redução da regionalidade alimentar, motivada dentre outros fatores pela uniformização dos hábitos alimentares imposta pelo ritmo agitado de vida, onde preferimos consumir, muitas vezes, “alimentos” pré-prontos e fast food a dedicar tempo a uma alimentação mais saudável.
Mesmo quando procuramos uma via mais saudável de alimentação, consumindo alimentos menos danosos à saúde, incorremos na utilização de alimentos, que apesar de amplamente cultivados, não são alimentos nativos de nosso país, como é o caso da alface (nativo do leste do Mediterrâneo) e pimentão (nativo do México, América Central e do norte da América do Sul). Essa xenofilia alimentartraz como um dos principais desdobramentos o cultivo diminuto dessas espécies nativas, levando a perda de conhecimentos de populações nativas, o que pode ocasionar a perda de memória cultural e o esquecimento das propriedades benéficas dessas plantas.
A fim de preservar esse patrimônio genético, vamos conhecer algumas espécies de PANCs e suas propriedades.
Ora-pro-nóbis
Muito conhecida em Minas Gerais e utilizada normalmente como cerca viva por conta de seus espinhos pontiagudos, muitos desconhecem que essa planta além de comestível representa grande fonte de proteína e aminoácidos como lisina e o triptofano.
Foto: Rico Jacoski
A ora-pro-nóbis ainda auxilia na prevenção do câncer de cólon, tumores no intestino, diabetes e diminui os níveis de colesterol ruim. A planta ajuda ainda no fluxo de alimentos pelas paredes intestinais e na recomposição da flora intestinal, devido ao seu alto teor de fibras, fato que auxilia na perda de peso.
Taioba
Rica em fibras, cálcio, magnésio e boro, fundamentais para a saúde óssea, essa PANC é muito consumida no Rio de Janeiro. Também estão presentes nessa planta cobre e manganês, que ativam nosso sistema imunológico, ferro e vitamina C. A taioba possui como propriedades medicinais a capacidade de reduzir a gordura no fígado e prevenir o câncer de colo retal.
Taioba. – Foto: Pinterest
MAS ATENÇÃO!!!Cuidado para não confundir a taioba com outras espécies não comestíveis! A taioba comestível (taioba mansa) nem sempre é fácil de ser reconhecida, se assemelhando muitas vezes à folha do inhame e da taioba não comestível (taioba brava). Essas plantas não comestíveis possuem oxalato de cálcio e outras substâncias prejudiciais à saúde, que mesmo após o cozimento são tóxicas!
Como identificar a taioba própria para a alimentação. – Imagem: Matos de Comer
O site Matos de Comer lista as características de identificação da taioba verdadeira, para acessar clique aqui. E lembre-se: se não tiver certeza, NÃO consuma!
Caruru ou Bredo
Bastante popular na Bahia, essa PANC possui um papel importante no controle da pressão arterial, sendo rica em zinco, cálcio (importante na formação dos ossos e dos dentes), magnésio, fibras, compostos fenoicos, importantes antiinflamatórios e antioxidantes que podem auxiliar na prevenção de casos de Alzhemeir e de Parkinson.
Caruru também conhecida como Bredo. – Foto: Doce Limão
Além disso, a planta possui ferro, potássio e vitaminas A, B1, B2 e C. A ingestão desta PANC também é recomendada para o combate de infecções, problemas hepáticos, hidropisia (acúmulo anormal de líquidos nos tecidos ou em determinadas cavidades do corpo) e catarro da bexiga.
Além destas, existem diversas outras espécies ricas em propriedades preventivas e curativas à nossa saúde, como é o caso da capuchinha, rica em vitamina C e carotenóides (substância precursora da vitamina A); a bertalha, que possui poderosos nutrientes como vitamina A, ferro, cálcio e fósforo; a folha de batata doce, rica em nutrientes e antioxidantes; o picão, que possui ferro, zinco, cobre e potencial antioxidante; tupinambo, rica em antioxidantes e em inulina; araruta, rica em vitamina B, fibras e potássio, aumenta o metabolismo e a circulação, reduz a pressão arterial e auxilia na saúde do sistema digestivo; dentre outras.
Junto aos benefícios à saúde, o consumo das PANCs também contribui com a melhoria da economia local, fortalecimento da agricultura família e preservação da memória cultural, já que ao adquirir essas plantas em feiras estamos indiretamente incentivando a continuação dessas práticas agrícolas. Procure uma feira próxima a você e converse com esses agricultores. A troca de informações e o interesse são essenciais para valorizarmos a cultura tão rica que possuímos.
Para saber mais sobre o universo das PANCs sugerimos que acompanhem o site Matos de Comer, especializado no assunto. O site também disponibiliza gratuitamente um ótimo guia informativo sobre as PANCs, que você pode acessar clicando aqui.
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Brasileiros consomem 7 litros de agrotóxicos por ano
Todos os dias são colocados à mesa do brasileiro suculentas frutas e legumes aparentemente nutritivos, no entanto, eles estão carregados de resíduos tóxicos – muitos deles proibidos em outros países.
É comum o uso de agrotóxicos na agricultura, geralmente para evitar algum tipo de praga em uma plantação e/ou aumentar a sua produtividade. Esses produtos acabam sendo utilizados de modo inadequadamente e em excesso, gerando riscos à saúde das pessoas. As mortes e intoxicações pelo uso desses produtos acabaram tornando-se um grande problema de saúde pública.
No Brasil, o consumo de agrotóxicos não para de crescer. Entre 2000 e 2014, o IBAMA, apontou que o Brasil aumentou em 135% o uso de agrotóxicos. Passando de 170 mil toneladas de agrotóxicos para 500 mil. Este forte crescimento deu ao Brasil o primeiro lugar no ranking de países que mais consomem agrotóxicos.
Consumimos cerca de 20% do que é comercializado por todo o mundo. Assustador, não? São, em média, 7 litros per capita de veneno a cada ano, o que resulta em mais de 70 mil intoxicações agudas e crônicas em igual período.
Uma pesquisa da Fiocruz estima que, para cada caso registrado, 50 outros não são. O que significa que, entre 2007 e 2014, mais de um milhão de brasileiros foram intoxicados por agrotóxico – um quinto das vítimas é criança ou adolescente. Para agravar ainda mais estas estatísticas, desde 2015 o governo deixou de publicar os casos de intoxicação por agrotóxicos.
Hoje, sabe-se dos efeitos negativos desses defensivos agrícolas. Além do perigo de risco da saúde para quem administra, os consumidores não estão isentos de consumir alimentos que possuem substâncias cancerígenas. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima em 20 mil mortes ao ano devido à manipulação e consumo direto de defensivos agrícolas.
Alimentos que, segundo a Anvisa, são os mais contaminados por agrotóxicos. Cerca de 64% dos alimentos estão contaminados.
Os riscos são grandes e podem ocasionar problemas em curto, médio e longo prazo, a depender da substância utilizada e do tempo de exposição ao produto. Pesquisas apontam que ocorrem mais de 200 mil mortes por ano no mundo em virtude de problemas gerados pelo uso de agrotóxicos, sendo que a maioria ocorre em países em desenvolvimento.
A intoxicação por agrotóxicos pode ocasionar tonturas, cólicas abdominais, náuseas, vômitos, dificuldades respiratórias, tremores, irritações na pele, nariz, garganta e olhos; convulsões, desmaios, coma e até mesmo a morte. As intoxicações crônicas — aquelas causadas pela exposição prolongada ao produto — podem gerar problemas graves, como paralisias, lesões cerebrais e hepáticas, tumores, alterações comportamentais, infertilidade, entre outros. Em mulheres grávidas, podem levar ao aborto e à malformação congênita.
Além disso, os agrotóxicos podem ser encontrados nos alimentos, prejudicando assim outras pessoas. Apesar de todos os cuidados do consumidor, que lava o alimento muitas vezes até com água sanitária, os agrotóxicos não são totalmente removidos dessa maneira. Algumas vezes, essas substâncias penetram nos tecidos vegetais, fazendo com que a lavagem remova apenas partes delas. Já a água sanitária é bastante útil para matar alguns micro-organismos, mas não é eficaz na eliminação de agrotóxicos.
Precisamos mudar o jeito de produzir e, claro, de consumir: opte sempre por produtos com origem certificada; escolha alimentos de época; substitua os líderes dessa lista de agrotóxicos por produtos orgânicos como o primeiro passo para a mudança.
Todo mundo já ouviu que o prato deve ser colorido, mas por quê? Saiba o que existe em cada alimento de acordo com seu grupo de cores.
Uma alimentação balanceada é o segredo de uma boa saúde. E um prato bem colorido é garantia disso. Quanto mais colorido, melhor!
Variedade de cor significa variedade de nutrientes no seu prato. Por trás da cor dos alimentos, esconde-se informação sobre aquilo que contribui para a nossa saúde e bem-estar. Daí a importância de que diversas cores sejam misturadas num mesmo prato.
Vejam como cada cor pode ajudar na sua saúde:
VERDE
Está presente na alcachofra, acelga, brócolis, espinafres, alfaces, espargos, kiwi, abacate, entre outros. São alimentos ricos em magnésio, que favorece o relaxamento muscular e diminui a sensação de cansaço; ácido fólico, importante durante a gravidez, para que o bebê cresça adequadamente; luteína, um antioxidante; e fibra e potássio, que melhoram a digestão e previnem a prisão de ventre e doenças cardiovasculares. Além de conter clorofila, uma substância com forte potencial antioxidante.
AMARELO ELARANJA
As frutas e legumes destas cores ajudam a manter uma pele saudável e a reforçar o nosso sistema imunológico. Neste grupo, encontramos a cenoura, a abóbora, a manga, os cítricos ou o pêssego. Estes alimentos contêm antioxidantes como: betacaroteno, que nutre e protege a pele e os cabelos, além de favorecer o metabolismo de gorduras; potássio, ácido fólico e vitamina C, que participa da síntese de colágeno e tem ação antioxidante contra os radicais livres.
VERMELHO
Este grupo é composto por alimentos como tomate, melancia, cereja, morango, caqui, goiaba vermelha, pimentão vermelho, framboesa, etc. São grande fonte de licopeno, substância que age como antioxidante. Os alimentos vermelhos, repletos de antioxidantes, ajudam na produção de neurônios e turbinam a memória. Eles ajudam a eliminar o estresse oxidativo, reduzindo os riscos de desenvolver doenças como câncer, diabetes, Alzheimer e Parkinson.
ROXO
Alimentos roxos como uva, ameixa, beterraba, repolho-roxo, figo, jabuticaba, alcachofra são ricos em ácido elágico e quercetina, que diminuem os riscos de ataques cardíacos, neutralizam as substâncias cancerígenas antes de invadirem o DNA, melhoram o aspecto da pele e retardam o envelhecimento. Além de serem fontes de vitamina B1, nutriente importante para o metabolismo da glicose e da antocianina, pigmento ligado à cor ao alimento. Ela combate os radicais livres e, por isso, retarda o envelhecimento celular e previne o desenvolvimento de diversas doenças.
BRANCO
Leite, queijo, couve-flor, batata, arroz, cogumelo, banana e batata doce são ricos em cálcio e potássio. Esses minerais são importantes para o funcionamento do organismo, pois contribuem na formação e manutenção dos ossos, na regulação dos batimentos cardíacos, e para o funcionamento do sistema nervoso e dos músculos.
Essa cor tem efeito anti-inflamatório e antialérgico, bloqueando a histamina, uma substância que causa coceiras, espirros e alergias. Devido às propriedades antibióticas, são conhecidos como os alimentos para a cura, e ainda ajudam a prevenir doenças cardiovasculares e a reduzir o colesterol LDL.
MARROM
Cereais integrais e sementes oleaginosas. Ricos em fibras, os alimentos de cor marrom regulam o funcionamento do intestino, prevenindo problemas que vão desde a prisão de ventre até o câncer. Também equilibram a flora intestinal e ajudam a controlar o colesterol e o diabetes. As sementes oleaginosas, incluídas neste grupo, são excelentes fontes do mineral selênio e de vitamina E. Elas têm efeito antioxidante, vasodilatador, anticoagulante e contra a fadiga.
E você? Como é o seu prato? É bem colorido e repleto de vitaminas? Tem poucas cores? Conta pra gente!
Existe uma citação em latim que diz “Mens sana in corpore sano”, sendo sua tradução muito conhecida – Mente sã, corpo são. Essa citação, carregada de significados, tem tudo a ver com nossa Semana Temática da Saúde.
E por quê? Apenas um corpo saudável pode assegurar uma mente saudável, ou seja, boa saúde física é condição essencial para se ter boa saúde mental e também social. Caso queira saber um pouco mais sobre essa conexão da saúde física com a saúde mental, clique aqui.
Imagem: Creative Commons
Sabemos que uma boa nutrição é um dos principais fatores para termos boa saúde física. Assim, a alimentação possui grande relevância em nossas vidas. Para entender melhor essa relação, acesse nosso post Você sabe o que está comendo? – Vamos falar de Alimentação Saudável.
Quanto menos processado e mais in natura o alimento, melhor para nossa saúde. Por isso, os alimentos adquiridos em feiras, tendo em vista nosso ritmo agitado de vida, representam as melhores opções para nosso consumo. Mas, atenção! Não é qualquer alimento, dê preferência para os alimentos livres de agrotóxicos como os agroecológicos e os orgânicos, para saber mais sobre os benefícios dos alimentos orgânicos clique aqui.
Imagem: Creative Commons
E tão importante quanto a escolha do melhor alimento para nossa saúde, é saber, de fato, a origem dos mesmos. Ao contrário do que muitos imaginam, devido à massiva publicidade realizada em torno do agronegócio, nosso mercado interno é abastecido majoritariamente pela agricultura familiar. São esses agricultores, muitas vezes invisibilizados pelo nosso sistema econômico, que produzem 70% dos alimentos que consumimos. De acordo com informações da SEAD (Secretaria Especial de Agricultura Familiar e Desenvolvimento Agrário), a agricultura familiar produz: 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz e 21% do trigo consumidos pela população brasileira. Ela ainda é responsável por 60% da produção de leite, além de 59% do rebanho suíno, 50% das aves e 30% dos bovinos consumidos pelo mercado interno. Para saber quem são os agricultores familiares no Brasil, clique aqui.
imagem: Ariquemes Agora
Além do papel decisivo na cadeia produtiva que abastece o mercado brasileiro, a agricultura familiar possui grande relevância sócio-econômica. Isto porque constitui a base econômica de 90% dos municípios brasileiros com até 20 mil habitantes; respondendo por 35% do PIB (Produto Interno Bruto); e absorvendo 40% da PEA (População Economicamente Ativa) do país.
Desta forma, 84,4% dos estabelecimentos rurais são de base familiar e ocupam 74,4% da mão de obra que está no campo. Contudo, as propriedades familiares representam apenas 24,3% de toda a área rural do país. E o que isso significa? A limitação do espaço ocupado pelas terras voltadas ao cultivo familiar é prejudicial tanto para os agricultores familiares quanto para nós, os consumidores. Para os agricultores essa limitação sócio-espacial compromete a viabilidade financeira desses estabelecimentos, já que a escala de produção se torna um problema estrutural. E para nós consumidores, essa limitação impacta diretamente em nosso bolso, uma vez que, os alimentos produzidos pela agricultura familiar têm grande peso no controle da inflação dos mesmos.
Gráfico: SEAD
Perceberam como é primordial para nossa saúde, sabermos a origem do que consumimos em nossa alimentação? Procurem se manter informados sobre a agricultura familiar e sobre a situação do agricultores familiares em nosso país, pois é dela que vem a maior parte dos alimentos que consumimos diariamente. Vocês podem começar essa jornada procurando se informar sobre a agricultura familiar em sua cidade ou estado.