Terra de ninguém?

Ser dono de um pedacinho de terra é o sonho de todo homem. Mas adquirir um imóvel não é tarefa tão fácil.

Quando o Brasil foi descoberto, a teoria é de que não possuía dono. Que era uma terra de ninguém, com algumas tribos indígenas escondidas em meio às matas. A Europa que já possuía uma cultura de “acumular” terras como sinal de poder, começou a invadir o país, colocando marcas de propriedade e brigando por elas. As estacas ou cercados delimitavam os pedaços de terra e os oficiais da coroa passaram a “registrar” o nome dos proprietários de cada área.

Autossustentável: Valoração da terra
Imagem: Diário Liberdade

Os séculos passaram e ainda hoje é possível encontrar terras não registradas. Há terrenos no extenso litoral brasileiro que não possuem cadastro no Registro de Imóveis. Mas a comunidade local sabe a que família pertencem aquelas terras. Quem por ventura resolver comprar ou vender um lote desses, terá como único documento um contrato de “cessão de direitos”. Isso significa que não há a propriedade, mas apenas a posse.

Imagem: Linkedin

Para o nosso direito de propriedade ser reconhecido e considerado garantido precisamos de dois documentos:

  • uma escritura de compra e venda, que se faz em um Tabelionato ou Cartório de Notas e,
  • uma averbação na matrícula do imóvel, ou seja, uma anotação no Registro de Imóveis de que você comprou determinado terreno.

Estes dois documentos permitem que você comprove a posse de sua propriedade de forma plena. Mas nas terras de ninguém não temos como fazer uma escritura, pois a pessoa não é proprietária (não possui os dois documentos) e não há cadastro do imóvel no Registro de Imóveis.

Para regularizar esta situação, desde o antigo direito romano temos uma ação judicial chamada de Usucapião. Cada tipo de terreno (rural, urbano) possui um período de tempo mínimo para que o Usucapião possa ser solicitado. Neste processo judicial, os vizinhos são chamados para dizer se aquela é mesmo a metragem do terreno que você possui e se você realmente é o proprietário daquele terreno pelo período de tempo que você alega. Se todos concordarem o juiz declara que o direito de propriedade é seu e manda o Registro de Imóveis cadastrar estas informações.

Autossustentável: Propriedade
Imagem: DCH

Este processo costumava ser muito demorado, pois nem sempre os vizinhos são localizados e algumas vezes o terreno onde você foi morar já tinha um registro em nome de outra pessoa. Para facilitar esse processo, agora os Cartórios de Notas podem conduzir o Usucapião, em substituição ao juiz. O objetivo é que se consiga com mais rapidez resolver o problema da documentação.

Para isto ainda é necessário estar acompanhado de um advogado que apresentará ao Cartório um documento de posse (se houver), uma planta do imóvel, um histórico de posse do imóvel e certidões negativas de impostos municipais, estaduais e federais. Os vizinhos, e eventualmente o antigo proprietário, quando existir, receberão uma comunicação do Cartório para se manifestar. Se não houver nenhuma oposição, o Cartório registra o terreno no seu nome.

Com isso você recebe um título definitivo e passa a ser o mais novo (e feliz) proprietário de um imóvel!

Fonte: CN Registradores

 Quer saber mais sobre Usucapião Extrajudicial (em Cartório)? Acesse a cartilha técnica, clicando aqui.

 Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen

 

 

 

Dia Mundial Sem Carro – E o que eu tenho a ver com isso?

Hoje, dia 22/09, é comemorado o Dia Mundial Sem Carro, também conhecido internacionalmente como World Car Free Day. Criado na França em 1997, já no ano 2000 foi adotado por vários países europeus, em 2001 pelo Brasil e hoje tem proporções mundiais.

Autossustentável: Dia Mundial Sem Carro
ImagemCDN

Mas você sabe qual o propósito dessa data? O Dia Mundial Sem Carro foi criado com a finalidade de estimular uma reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, trazendo com isso a oportunidade para as pessoas que dirigem sempre experimentarem formas alternativas de mobilidade, descobrindo que é possível se locomover pela cidade utilizando outros meios de transporte.

Muitas cidades do mundo realizam campanhas para que seus motoristas se conscientizem em deixar seus automóveis em casa, utilizando bicicletas, transporte público, o sistema de rodízio de caronas (em que cada dia da semana uma pessoa é responsável por levar um grupo que compartilha da mesma rota) ou mesmo indo a pé até seus trabalhos, escolas ou compromissos sociais.

Autossustentável: Espaço no trânsito
Imagem: Pinterest

Isso porque muitas vezes a rotina e a correria do cotidiano nos demandam tanto tempo que entramos no “modo automático” e não percebemos a repetição de alguns padrões sociais que acabamos naturalizando no nosso dia a dia, como a elevada dependência que alguns de nós desenvolvem em relação aos automóveis.  Os carros são uma formidável invenção (principalmente para transportar pessoas com restrição de mobilidade, idosos, bebês e quando precisamos transportar coisas pesadas e grandes), a má utilização deles é que vem representando um crescente problema para a sociedade e para o planeta.

Autossustentável: Status
Imagem: Singer

O problema começa com a aceitação da ideia de que ter um carro representa ser bem sucedido, parece que ao comprar um carro e dirigir sempre você ascende no status social, é um selo invisível que, infelizmente, reproduzimos sem perceber. Essa valoração promovida e propagada pela indústria automobilística transformou o automóvel em um dos principais símbolos de individualismo das últimas décadas; e o incentivo governamental deu aquele empurrãozinho para que as cidades ficassem congestionadas, poluídas e estressantes.

Autossustentável: Poluição
Imagem: Veja

Outros fatores também contribuíram fortemente para o uso massivo de automóveis, como o planejamento das cidades ser voltado a atender prioritariamente a automóveis; e a infraestrutura brasileira ser fundamentada em rodovias em detrimento de ferrovias e hidrovias, estas sequer saíram do papel, enquanto aquelas sofreram grande desmantelamento. E essa logística tem altos custos para a economia do país, mas isso é assunto para outro post.

Autossustentável: Progresso
Fonte: Geografia em Foco

É claro que, o despertar consciente da população e a mudança de comportamento não acontecerão automaticamente em um passe de mágica de um dia para outro, mas o intuito é que mostrar que existe e é possível o deslocamento além do volante. A ideia é chamar atenção também para os transportes públicos e em como eles precisam ser melhorados, quanto mais gente exigindo seus direitos, mais forte a corrente fica e mais fácil os gestores públicos tomarem providências a respeito. Precisamos de planejamento e políticas públicas eficientes para que o uso do transporte público e da bicicleta se difunda e massifique.

Com informações: Brasil Escola, Mundo Educação, Vá de Bike.

 

Quanto tempo você gasta se deslocando?

Na Semana Temática de Mobilidade não poderíamos deixar de abordar a questão do tempo gasto nos deslocamentos cotidianos.

Imagem: Boca Maldita

O dia a dia parece estar cada vez mais corrido e parece que as horas já não são suficientes para realizarmos todas as tarefas necessárias. Parece até que o tempo vem sendo sugado de nossas vidas. Parece? Bem, responda as perguntas a seguir e vamos ver se o deslocamento cotidiano tem sido um agente limitador do seu dia. Quanto tempo você leva de casa até o trabalho ou escola ou faculdade? Quantas horas por dia você passa em transporte público ou dirigindo?

Trânsito intenso na saída de São Paulo pela Rodovia Castelo BrancoImagem: Fábio Vieira/ Estadão/ Reprodução: G1 

Até aqueles que moram mais próximos dos locais de trabalho ou estudo têm sofrido, ultimamente, com maior tempo de deslocamento. Vamos a alguns dados para entender melhor a situação, de acordo a Confederação Nacional do Transporte, o transporte individual cresceu em um ritmo mais de 3,5 vezes maior do que a rede de trens e metrô no Brasil, aliado a isso verificamos a falta de ônibus e a baixa qualidade do transporte público, e como resultado, sentido todos os dias pela população, as cidades se tornaram gradativamente congestionadas.  O cenário de tempo gasto no trânsito é tão significativo que algumas cidades brasileiras já figuram como as mais congestionadas do mundo. Segundo ranking da Tomtom Traffic Index, empresa holandesa especializada em tráfego, a cidade mais congestionada do país é o Rio de Janeiro, que já é também a oitava cidade mais congestionada do mundo. São Paulo, que por muito tempo foi conhecida por seus longos engarrafamentos, aparece na 71ª posição do ranking mundial, perdendo para Salvador, que ficou na 28ª posição; Recife que ficou em 43º lugar; e Fortaleza, que ocupou a 47ª posição.

Ranking das cidades mais congestionadas do mundo. ImagemTomtom Traffic Index

Mesmo assim, de acordo com Pesquisa de Mobilidade Urbana, considerando o período de um ano, paulistanos ainda perdem cerca 45 dias presos em congestionamentos. Os moradores da periferia foram os mais prejudicados, já que o sistema de ônibus que opera na região é o sistema auxiliar. No Rio de Janeiro a situação se repete, moradores da Baixada Fluminense, que trabalham na cidade do Rio de Janeiro, levam cerca de duas horas no deslocamento casa-trabalho. De acordo com dados obtidos pelo Globo, a economia da Região Metropolitana do Rio é a que mais perde em todo o país por causa das longas viagens feitas por grande parte de seus trabalhadores. O custo do tempo que poderia ser investido em produtividade chegou a R$ 35,7 bilhões em 2014, 8,1% do Produto Interno Bruto (PIB) da região, segundo um levantamento feito pelo economista Guilherme Vianna.

Imagem: O Globo

Além de perdas com a produtividade, devido ao cansaço das longas jornadas de deslocamento, Vianna levanta outras questões como a possibilidade de gastos com lazer com menor tempo de deslocamento casa-trabalho-casa, ou até o uso desse tempo para outros negócios, o que geraria renda e movimentaria a economia. Importante ressaltar que aqueles que mais sofrem com os deslocamentos cotidianos são os mais pobres, que por falta de ofertas de trabalhos, pela não estruturação adequada nas regiões que residem, precisam buscar empregos nas regiões mais desenvolvidas.

Comparação entre a malha metroviária no Rio Janeiro e em Xangai nos anos de 1993 e 2013. ImagemDiário do Rio

Para que esse cenário fosse, de fato, revertido, seriam necessárias melhorias estruturais do sistema de transporte público . A expansão das malhas ferroviária e metroviária, que cresceu 6,7% no Brasil inteiro entre 2011 e 2015, não acompanhou o crescimento demográfico, o número de usuários de trens e metrôs cresceu pelo menos 37% no país. No país inteiro a malha metroviária soma 309 quilômetros de extensão, número que fica aquém da malha de cidades como Xangai, Londres, Nova York ou Tóquio. E mais, das 22 regiões metropolitanas no país com mais de 1 milhão de habitantes, 10 não possuem transporte ferroviário. Para atender a atual demanda da população seria necessário ampliar em 850 quilômetros a malha ferroviária e metroviária, o que corresponde a 80% da estrutura já existente, e isso exigiria um investimento de R$ 167 bilhões.

Para uma análise mais aprofundada da mobilidade urbana no Rio de Janeiro, acessar a matéria “Rio perde R$35 bi com tempo gasto no trânsito pelos trabalhadores”.

Com informações de: Bom Dia Brasil, Estadão, G1, O Globo.

 

Mobilidade inteligente: veja como bicicletas agilizam serviços de entregas

Imagem: Keirin Streets

Sabe-se que no Brasil, historicamente, as políticas não priorizam a mobilidade inteligente nas grandes cidades. A participação da sociedade é fundamental na disseminação e na prática de ideias de mobilidade e humanização dos espaços urbanos. Por isso, repensar os modais de transporte é essencial para a mobilidade nas cidades.

Imagem: Ricardo Ribas

Décadas atrás, o trânsito caótico das capitais brasileiras levou muitas empresas a buscarem uma alternativa para fazer entregas urgentes. Os motoboys cresceram e se multiplicaram pelas vias do país, principalmente por sua rapidez e eficiência. Mas atrelado a esse tipo de serviço, está o seu caráter não tão sustentável assim.

Algumas empresas, pensando no problema do aquecimento global e nos impactos ambientais, começaram a oferecer alternativas sustentáveis. Nesse cenário, os serviços de entrega expressa de bicicleta avançam como solução.

Imagem: BBC

Inspirado em um movimento mundial, sobretudo em países da Europa e Estados Unidos, e estimulado pela implantação de quilômetros de ciclofaixas e ciclovias nas principais cidades brasileiras, o modelo de entregatraz agilidade ao processo e inúmeras vantagens ao meio ambiente, já que as bikes não poluem o ar.

Imagem: Estadão

Ao usar bicicletas, além de evitar emissão de poluentes, é possível economizar combustível de fontes não-renováveis, contribuindo para uma cidade mais limpa, saudável e menos ruidosa.

Já é possível encontrar esse tipo de serviço por todo Brasil, com empresas que oferecem entrega de baixo impacto ambiental nas grandes cidades. Abaixo fizemos uma lista com algumas empresas que prestam esse tipo de serviço.

Você pode encontrar mais empresas que prestam esse tipo de serviço aqui!

Imagem: Revista PEGN

Ao contrário do que é imaginado, esse tipo de serviço é mais barato e pode ser tão ágil quanto o realizado por moto. Então que tal pensar duas vezes antes de chamar um motoboy para fazer uma entrega?

 

Mobilidade Urbana pode ser Sustentável?

Falar em mobilidade urbana no Brasil é um desafio, pois, a associação que fazemos de imediato, é com meios de transportes lotados ou com longos e demorados congestionamentos.

Trens da CPTM lotados. ImagemG1
Trens da Supervia que constantemente apresentam problemas, prejudicando a rotina de seus usuários. Imagem: G1

Você deve estar pensando: “Ah! Mas hoje todo lugar tem isso!” Sim, essa é uma realidade cada vez mais presente em todo país, não se restringindo apenas aos grandes centros urbanos, como outrora. Isto devido a diversos fatores como o crescimento demográfico, o aumento da frota veicular e o incentivo aos transportes individuais. Para se ter ideia, de acordo com informações do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2016 a frota circulante de automóveis no Brasil correspondia a 51.296.981 veículos, enquanto que a frota circulante de ônibus representava 601.522 veículos, e a frota circulante de caminhões correspondia a 2.684.227 veículos.

Engarrafamento na cidade do Rio de Janeiro. ImagemG1

É um desafio e tanto para os gestores públicos apresentar soluções para melhoria no tráfego (de uma quantidade crescente de veículos), na qualidade dos transportes públicos utilizados pela população e, assim, oferecer melhoria na qualidade de vida dos habitantes que se deslocam pelo espaço da cidade para realizar suas tarefas corriqueiras como trabalhar ou estudar.

O planejamento de um sistema integrado, sustentável e capaz de atender à demanda da mobilidade dos habitantes está previsto na Lei 12.587 de 2012, a Lei de Mobilidade Urbana. Esta lei traz como principal instrumento da política de desenvolvimento urbano a Política Nacional de Mobilidade Urbana, que exige que os municípios com população acima de 20 mil habitantes elaborem e apresentem plano de mobilidade urbana, com a intenção de planejar o crescimento das cidades de forma ordenada. Dentre as determinações da Política Nacional de Mobilidade Urbana estão: a priorização dos serviços de transporte público coletivo, as infraestruturas do sistema de mobilidade urbana; a acessibilidade para pessoas com deficiência e restrição de mobilidade; a circulação viária; a integração dos modos de transporte público e destes com os privados e os não motorizados; as áreas de estacionamentos públicos e privados, gratuitos ou pagos; as áreas e horários de acesso e circulação restrita ou controlada; além dos mecanismos e instrumentos de financiamento do transporte público coletivo e da infraestrutura de mobilidade urbana.

Para acessar o infográfico em tamanho maior clique aqui. Imagem: UCT – Universidade Corporativa do Transporte

Mas e a sustentabilidade? É possível a mobilidade urbana ser sustentável?

Quando falamos em sustentabilidade e mobilidade, pensamos logo na questão das emissões de GEE (gases de efeito estufa) pelos veículos e na consequente poluição, já que, a frota de automóveis e motocicletas no país teve crescimento de 400% nos últimos dez anos. Porém, mobilidade urbana sustentável vai muito além da mitigação de GEE, está ligada também a melhor qualidade de vida da população, zelando pela sua boa saúde e bem estar, e, também, a cidades e comunidades sustentáveis, que correspondem respectivamente aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) 3 e 11.

Imagem: Pinterest

Para que, de fato, a mobilidade urbana sustentável seja alcançada, ela deve ser planejada conjuntamente a outros instrumentos de planejamento urbano como Plano Diretor da cidade. Além disso, também é preciso que haja uma maior integração entre o planejamento das cidades que compõe arranjos urbanos (duas ou mais cidades em que há intercâmbio significativo da população). Em outras palavras, como a interação entre as cidades vem aumentando significativamente, nos últimos anos, com a intensificação dos deslocamentos pendulares – de acordo com o IBGE, 7,4 milhões de pessoas se deslocam de municípios onde residem para trabalhar ou estudar em municípios vizinhos – é necessário que os planos diretores levem em consideração essa característica tão presente em grandes centros urbanos para a elaboração de seus Planos de Mobilidade Urbana. São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que apresentam as maiores interações, tendo respectivamente, 1,75 milhões e 1 milhão de habitantes se deslocando diariamente entre seus municípios.

 
 

Pensar a sustentabilidade da mobilidade urbana é também considerar outros aspectos ligados ao deslocamento da população como o direito a exercer a cidadania tendo garantia de acesso a diversas áreas da cidade, para que suas necessidades sejam satisfeitas, o que inclui tanto atividades relacionadas a trabalho, educação, saúde ou diversão. É pensar a expansão dos transportes públicos de forma acessível, segura, sustentável e a preço acessível para todos, atentando-se para idosos, pessoas com deficiência, crianças e mulheres. É pensar operacionalmente na implantação e expansão de sistemas sobre trilhos como metrôs, trens e bondes modernos (VLTs); em ônibus “limpos” como os movidos a biodiesel e na integração a ciclovias. E também atentar para a demanda por calçadas confortáveis, niveladas, sem buracos e obstáculos, já que um terço das viagens realizadas nas cidades brasileiras é feita a pé ou em cadeiras de rodas.

Com informações de: Agência Brasil, Agência Brasil, Estratégia ODS, Folha de São Paulo, IBGE, Mobilize e Política Nacional de Mobilidade Urbana.

 

Bicicletas e Código de Trânsito Brasileiro: direitos e obrigações

Imagem: Transporte Ativo

Entenda suas obrigações e direitos para pedalar com mais segurança.

O Código Brasileiro de Trânsito (CTB) está em vigor desde 1997 e nesses 20 anos muita gente ainda desconhece seu conteúdo. O CTB possui inúmeras leis que, em teoria, deveriam resguardar a segurança do ciclista.

Além disso, o mesmo código também cria uma série de obrigações de conduta para os ciclistas, como respeitar a sinalização de trânsito e circular na mão correta de direção.

 

Já os motoristas devem seguir regras para evitar acidentes. A principal delas é manter distância lateral de pelo menos 1,5 metros da bicicleta, e reduzir a velocidade ao passar pelos ciclistas, respeitando sempre a sinalização das faixas destinadas a eles. Entre ciclistas e pedestres, o pedestre tem a preferência.

Imagem: Pedal

O CTB de Bolso nasceu de uma apresentação para informar ciclistas sobre seus direitos e deveres no código, foi adaptada e se transformou em um pequeno guia que pudesse ser colocado no bolso e levado sempre junto com a bicicleta. Ele é uma versão resumida da legislação de trânsito brasileira.

Imagem: Transporte Ativo

O CTB de Bolso está disponibilizado para download em 3 versões: CTB de Bolso versão em pdf, Versão para dispositivos móveis e Versão impressa. Para baixar, basta clicar nos links.

Já foram mais de 180 mil livretos impressos e distribuídos, mais de 125 mil downloads da versão em PDF e mais de 10 mil do aplicativo para Android.

Imagem: Pedal

Lembre-se sempre de obedecer às regras e pedalar de forma segura!

 

 

Porque o saneamento básico é a maior tragédia brasileira

Saneamento Básico
Não são poucas, definitivamente, as mazelas brasileiras. Em tempos sombrios e incertos como o atual, elas saltam ainda mais aos olhos, nos deprimem, enojam, nos desesperam. A despeito de tudo isso (e, é claro, deixando de lado as excelentes qualidades de nosso país), digo sem pestanejar: o saneamento básico – ou sua ausência – é a maior de todas as tragédias brasileiras.

Saneamento básico como entendemos hoje é o conjunto de serviços que os cidadãos têm a fim de prevenir doenças, promover a saúde e melhorar sua qualidade de vida como um todo. Falamos aqui de abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana, dragagem, disposição de resíduos sólidos, manejo de águas pluviais e outros. Mas os serviços mais comumente associados ao saneamento básico – e aqueles que mais dramática torna nossa situação – são o provimento de água limpa e a coleta e tratamento do esgoto.

A história do saneamento básico no Brasil é recente, assim como de nossa nação independente. As primeiras obras de infraestrutura com esse fim foram concebidas na capital imperial, em meados do século XIX. Aos poucos, e bem lentamente, outras cidades brasileiras construíram seus primeiros sistemas de esgotamento, modernizaram antigos aquedutos, começaram a prover um serviço de maior qualidade aos cidadãos. Ao longo do século XX, passamos de menos de 10% da população brasileira sem água tratada em suas torneiras para mais de 170 milhões com esse bem básico. Banheiros, um luxo há 150 anos, é um dado nas casas brasileiras.

Imagem: Thiago Casoni

Mas não se engane. Nossa realidade é ainda muito aquém do que qualquer concepção humanitária poderia supor que tivéssemos em pleno século XXI. Há, hoje, no Brasil, mais de 35 milhões de cidadãos que não tem acesso a água potável de qualidade. Pessoas que não podem abrir a torneira e beber água para saciar sua sede, que encontram n dificuldades para este que deveria ser corriqueiro, banal. Paradoxalmente, quase 40% da água tratada no Brasil não chega a nossas torneiras, ou se perdem em vazamentos e má conservação da tubulação ou são simplesmente furtadas por terceiros – há estados em nossa federação que a porcentagem de perda de água passa dos 75%, como no Amapá.

Imagem: Trata Brasil

Mas os números do esgotamento sanitário são ainda mais trágicos. No Brasil, mais de 100 milhões de brasileiros, mais da metade de nossa população, não têm acesso a coleta de esgoto. Ou acabam optando por soluções comunitárias e individuais, como fossas sépticas, ou simplesmente convivem com valões a céu aberto na mesma área onde brincam seus filhos.

Além disso, desse esgoto coletado, somente cerca de 40% é tratado. Ou seja, mesmo aquele esgoto coletado por uma concessionária é apenas transportado para fora de seu banheiro, mas é despejado, às vezes in natura, no corpo hídrico mais próximo. Somando esses dois números, concluímos que apenas 1 a cada 5 brasileiros tem seu esgoto coletado e tratado. Os outros 4 ficam à mercê da ação da natureza.

E quando exponho que ficam à mercê é porque os dados corroboram com essa afirmação. Ficam à mercê porque quase ¼ de enfermidades e mortes prematuras tem relação direta a exposição a ambientes insalubres. Mais de 90% das mortes por diarreia aguda atingem a população abaixo dos 15 anos e com relação direta a insalubridade. No Brasil, somente no ano passado, registramos cerca de 15 milhões de casos de afastamento por diarreia e vômito.

Imagem: Pinterest

O mais impressionante é que mesmo que sejamos capitalistas sanguinários sem qualquer preocupação com a vida de um semelhante, ainda assim o investimento no saneamento básico faz sentido econômico. Expandindo a velha máxima que R$ 1 investido em saneamento equivale a R$ 4 reais que se deixa de gastar em saúde, o custo econômico das enfermidades ocasionadas pela falta de saneamento é monstruoso.

Estima-se, por exemplo, que em 2015 gastou-se quase R$ 1 bilhão somente com horas não trabalhadas de enfermidades relacionadas a falta de saneamento. Os gastos dessas no SUS chegam a R$ 100 milhões. Em uma projeção até universalização do saneamento até 2033 – a meta que o governo brasileiro estabeleceu – estima-se um gasto total de R$ 7,2 bilhões somente no SUS por conta da falta de saneamento básico.

Imagem: Câmara de Iúna

O problema é que essa universalização em menos de 20 anos não tende a se concretizar, se considerarmos o atual esforço do governo brasileiro. Seria necessário um investimento estimado de meio trilhão de reais até 2033. Contudo, no atual ritmo de investimento, já se projeta que a universalização só aconteceria em 2054. E isso desconsiderando os atuais ajustes fiscais do governo Temer. O saneamento básico é e continuará sendo uma grande tragédia nacional. A maior. E, infelizmente, aparentemente, ainda por um bom tempo.

 

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Ação que floresce da Terra

O povo indígena Munduruku enterrou seus ancestrais durante séculos nas fronteiras do Mato Grosso e Pará, uma área de densa floresta amazônica. Os ossos dos seus antepassados foram depositados em urnas feitas de argila de forma ritualística e sagrada, como a tradição exige. Agora, existe uma enorme usina hidrelétrica sendo construída neste mesmo local.

A terra está sendo devastada e o solo remexido por grandes corporações para tornar possível esse “projeto de desenvolvimento”. As urnas foram removidas da terra e durante algum tempo o povo Munduruku não sabia aonde estavam seus parentes e ancestrais. Eles dizem que esta é a razão pela qual seus antepassados estão tristes e por que seu povo está ficando doente. O povo Munduruku esta pedindo o retorno das urnas e uma indenização para que possam ser enterradas em um lugar onde os “homens brancos” não têm acesso. A indenização também irá apoiar as 138 aldeias Munduruku com iniciativas para educação e saúde (Pib.socioambiental.org, 2017).

Imagem: Nativa News

Alguns acampamentos como forma de protesto ocorreram em Julho, aonde cerca de 200 Munduruku acamparam na área e nas fronteiras de outra usina hidrelétrica, São Manoel (Amazon Watch, 2017). A usina hidrelétrica de São Manoel está sendo construída muito perto das aldeias Munduruku e no meio de seus locais sagrados, como a barragem de Tele Pires, que já está em operação. A usina hidrelétrica São Manoel está localizada nas cachoeiras, que de acordo com o Munduruku são onde os espíritos dos animais habitam. De acordo com a Enciclopédia da Religião e da Natureza (Taylor, 2008, p. 1463) lugares sagrados:

São simbólicos, transcendendo suas formas físicas imediatas; São parcelas únicas da Terra, que ajudam na transformação de si mesmo. (…) Os lugares focam em torno da intenção humana e são fontes de inspiração e percepção; São centros de significados culturais. 

Imagem: Twitter

Além de ocupar importantes locais sagrados do povo Munduruku, ambas as usinas hidrelétricas estão causando impactos no volume/quantidade de água no rio e comprometem seus caminhos (transporte) entre suas 138 aldeias espalhadas pela floresta. As usinas hidrelétricas também estão causando a morte de inúmeros peixes, mudando os padrões de caça de animais selvagens e interferindo na demarcação de suas terras entre as agências responsáveis.

A demarcação das terras indígenas no Brasil é a maneira mais efetiva e segura de preservar a floresta e dar os direitos para os povos que a habitam o local. É preciso ressaltar que o povo Munudurku não foi consultado sobre as usinas hidrelétricas e diversas compensações ecológicas não foram atendidas. Atualmente, essas usinas hidrelétricas estão poluindo os rios e causando doenças, especialmente entre as crianças.

No mês de Julho, na fronteira da usina hidrelétrica de São Manoel, o povo Munduruku estava protestando, exigindo seus direitos e realizando rituais e cerimônias sagradas. Eles rezavam enquanto esperavam os representantes do governo começarem a negociar. A desocupação do acampamento somente aconteceu quando o presidente da Funai, general Franklimberg Ribeiro de Freitas, aceitou se reunir com as lideranças. Durante este encontro, no dia 20 de Julho, os pajés e lideranças Munduruku tiveram acesso às urnas que estavam catalogadas no Museu de História Natural de Alta Floresta (MT).

A história do povo Munduruku é única e, ao mesmo tempo, pode ser vista em outras partes do mundo. O mesmo problema  é encontrado em Standing Rock nos Estados Unidos e no Equador com o povo Sápara. É único, porque a cosmologia do povo e sua cultura é única, sua terra é única, as peculiaridades de sua situação são únicas. No entanto, sua luta é semelhante a muitos outros povos que também estão perdendo suas terras e enfrentando grandes corporações e projetos de desenvolvimento.

Imagem: Materia

O povo Munduruku, e tantos outros em todo o mundo, agora estão protestando para defender sua terra sagrada. Eles estão defendendo a terra em nome de seus antepassados e os antepassados que virão. Eles também estão defendendo suas terras em nome da comunidade humana e não humana. Tiokasin Ghosthorse, que é membro do Cheyenne River Lakota Nation da Dakota do Sul, sugere que não estamos defendendo a Terra, somos a Terra defendendo-se(Tiokasin, 25/05/2017).

A citação de Tiokasin pode significar muitas coisas, da minha perspectiva, parece que a consciência humana está evoluindo através da própria Terra. É Gaia (Teoria de Gaia, James Lovelock) se levantando em nome de todos os seus filhos, humanos e não humanos, somos apenas um canal de ação. Como John Seed, o ambientalista australiano e fundador do Rainforest Information Centre, diz (Macy et al., N.d., p. 45):

Desperte em nós um senso de quem realmente somos: pequenas flores efêmeras na Árvore da Vida. Faça os propósitos e o destino dessa árvore nosso próprio propósito e destino. 

Como ativista de direitos indígenas no Brasil, participei de várias manifestações políticas e reuniões. Durante esta jornada de 7 anos, observei uma mudança na forma de exigir os direitos. Claro, ainda há muita violência e ação direta envolvida nesses protestos, não podemos ignorar os ataques cruéis da força policial. No entanto, mais e mais grupos indígenas estão se organizando, de acordo com seus modos de oração e rituais, para criar protestos baseados no sagrado. A oração, por exemplo, tem uma maneira profunda de transformar a realidade. Independentemente de sua religião ou tradição espiritual, a oração pode ser vista como uma linguagem simbólica. De acordo com o professor de estudos indígenas Colin Campbell:

Linguagem simbólica “são gestos embutidos com significado” (Campbell, 15/03/2017). É a linguagem que o espírito e o mundo natural entende. O mundo não físico não entende as palavras em particular, o que entendem é a linguagem simbólica.” (Campbell, 15/03/2017).

Se considerarmos a oração como uma forma de ação, uma forma de fazer as coisas de maneira sagrada, a oração pode ser vista como um ativismo sagrado. Isso não quer dizer que a oração não deve ser acompanhada por outras formas de ação, no entanto, ação direta e/ou demonstração política através da oração e o sagrado pode inspirar paz, generosidade, compaixão e mudança. Como a Mensagem da Nação Hopi, de Oraibino Arizona sugere:

Reúna-se! Bane a palavra luta de sua atitude e vocabulário. Tudo o que fazemos agora deve ser feito de forma sagrada e em celebração.Nós somos os que eles estavam esperando. 

Imagem: Arte Sagrado

Inspirar a mudança é verdadeiramente uma arte. A linguagem é uma ferramenta extremamente relevante como uma forma de inspirar ação. Durante o meu trabalho como ativista, algumas figuras populares me moveram. De Chief Seattle a Nelson Mandela, de Maya Angelou ao Dr. Martin Luther King e de Satish Kumar a Gandhi. Além de sua luta pela justiça social ou ambiental, todos eles têm em comum o fato de que acreditam em uma visão de união para o futuro.

A escuridão não pode expulsar a escuridão: somente a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio: só o amor pode fazer isso. Dr. Martin Luther King (Mieder, 2010, p. 71)

A linguagem tem um papel essencial no ativismo, das palavras que escolhemos ao tom em nossa voz. Para comunicar nossas esperanças, ações, desejos e direitos, devemos escolher a linguagem mais apropriada. Ao explorar este assunto de linguagem e discurso em ativismo, observei que oferecer perguntas pode ser uma maneira de envolver o ouvinte. Ou seja, a informação pode ser dada através de questionamentos, por exemplo: “Se a riqueza material não existisse, o que o tornaria rico?” Ou “Se sua família vivesse durante centenas de gerações em sua casa e, de repente, esta casa é tirada de você, como você se sentiria? Onde seus filhos cresceriam?”.

Ao oferecer perguntas, estamos envolvendo o público com nosso assunto, estamos pedindo sua contribuição ao invés de dizer o que sentir ou pensar. Através de perguntas e respostas, estamos convidando-os a questionar a si mesmo e o atual paradigma. Como ativistas, nós podemos criar gentilmente um espaço e oferecer uma interrogação fascinante, profunda e desafiadora.

Ativismo é uma palavra capciosa, tem o lado que nos atrai e, ao mesmo tempo, que também nos afasta. É um assunto fascinante precisamente por sua complexidade e dualismo. Você pode ser ativista e nem se chamar de ativista. Você pode ser ativista na privacidade de sua própria casa, na maneira como as crianças são criadas ou nos padrões de comer. Você pode ser um ativista e falar em fóruns internacionais e representar nações. Ser um ativista é se envolver, ser consciente e responsável por nossas próprias ações, e, se desejarmos, podemos compartilhar essa consciência com aqueles que nos rodeiam.

No entanto, ninguém deve ser um ativista por conta própria, a mudança só pode ser feita quando inspiramos e convidamos outros a se juntarem a nós. Trata-se de criar hoje a realidade que aspiramos para o futuro. E você, esta ativo?


Bibliografia:

Amazon Watch. (2017). Amazon Watch – Brazil Power Plant Construction Paralyzed by Indigenous Protesters. [online] Available at: http://amazonwatch.org/news/2017/0717-brazil-power-plant-construction-paralyzed-by-indigenous-protesters [Accessed 20 Jul. 2017].

Cimi.org.br. (2017). CIMI – Conselho Indigenista Missionrio. [online] Available at: http://www.cimi.org.br/site/pt-br/?system=news&conteudo_id=9387&action=read [Accessed 20 Jul. 2017].

Harvey, A, 2009. The Hope: A Guide to Sacred Activism. 1st ed. United States: Hay House.

Macy, J. and Brown, M. (2014). Coming back to life. Gabriola Island, B.C.: New Society Publishers.

Mieder, W. (2010). “Making a way out of no way”. New York, NY: Lang.

Pib.socioambiental.org. (2017). Notícias > Índios Munduruku querem indenização por dano de usinas São Manoel e Teles Pires no caso das urnas funerárias. [online] Available at: https://pib.socioambiental.org/pt/noticias?id=181617&id_pov=168 [Accessed 11 Sep. 2017].

Schumacher, E. and McKibben, B. (2014). Small is beautiful. New York, NY: Harper Perennial.

Taylor, B. (2008). The encyclopedia of religion and nature. 1st ed. London: Continuum.

MA ECOLOGY AND SPIRITUALITY CLASSES:
Module: Sacred Activism, audio recordings
Tiokasin, G. (2017). Defending the Land and Water. 25/05/2017.
Module: Indigeny Today, audio recordings
Campbell, C. (2017). Vigil and Sacred Places. 15/03/2017

Cartilha gratuita para a criação de hortas urbanas orgânicas

Quer saber como é possível desenvolver hortas orgânicas de qualidade dentro do espaço urbano? Basta consultar a cartilha Hortas Urbanas (disponível aqui), elaborada pelo Instituto Polis em parceria com o projeto Moradia urbana com tecnologia Social, da Fundação Banco do Brasil.

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Imagem: Catraca Livre

A cartilha é composta por três partes que envolvem desde a organização do grupo para o cultivo e a preparação da horta, até o cultivo das hortaliças, além de explicar fazer compostagem para nutrir o solo e dicas de captação de água ajudam a fazer a rega sem desperdícios. Já a última parte da publicação ensina a cozinhar com saúde, indicando receitas nutritivas de aproveitamento integral dos alimentos.

O principal objetivo da cartilha é melhorar a alimentação das pessoas e o ambiente como um todo, favorecendo a relação desses indivíduos com o bairro que habitam, assim como com o seu entorno por conta do cultivo ecológico de alimentos e ervas medicinais em hortas, jardins, canteiros, e etc.

 

A cartilha está disponível para download

 

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Imagem: Nosso Foco

 

 

Conheça o maior Aquário Marinho da América do Sul e as melhores atrações

Imagem: Viaje na Viagem

Visitamos a convite o Aquário Marinho do Rio de Janeiro, ou AquaRio. Com 26 mil m² de área construída e 4,5 milhões de litros de água, o AquaRio é o maior Aquário Marinho da América do Sul.

O projeto AquaRio nasceu focado em três pilares essenciais: Educação ambiental de qualidade, Conscientização e Pesquisa científica. Hoje, por exemplo, 15 estudos inéditos de universidades brasileiras estão sendo realizados no local, inclusive sobre a proteção a espécies ameaçadas.

Imagem: Viaje na Viagem

Já no hall de entrada, a surpresa fica por conta da ossada de uma baleia jubarte. A carcaça do animal, que tinha dez anos de idade, foi encontrada em 2014 na Praia da Macumba e preparada para a exposição.

Com 99% da fauna advindo da costa brasileira, o aquário possui 8 mil animais de 350 espécies diferentes espalhadas em 28 tanques, alguns deles com ornamentação totalmente natural. Dois desses tanques trazem espécies de regiões como a costa do Caribe e do Indo Pacífico, como as espécies de Procurando Nemo e Dory, por exemplo.

Imagem: Viaje na Viagem

Como todo aquário, há controle de temperatura e o pH dos tanques é monitorado várias vezes ao longo do dia. Além disso, é realizado também o controle de natalidade, inclusive, há um tanque especialmente preparado para arraias e tubarões bebês.

A experiência é de fato fascinante, não só para as crianças. A visita começa passando por tanques que parecem ter sido organizados para irem revelando animais cada vez mais interessantes, desde águas-vivas e moreias.

Imagem: Autossustentável

Acima de cada um dos tanques há informações sobre os animais, como nome da espécie e a sua localização. Todo o espaço é altamente educativo com painéis interativos ao longo do circuito com informações sobre conservação, oceanos e curiosidades, além de monitores que respondem prontamente dúvidas e apresentam curiosidades.

Imagem: Autossustentável

Ao longo do circuito pode-se encontrar 2 grutas de interação educativas. São instalações com monitores que permitem total interatividade para que o visitante tenha acesso a conceitos e informações sobre algumas espécies.

Imagem: Autossustentável

Na primeira gruta, através da Realidade Aumentada, o visitante consegue visualizar modelos 3D de diversas espécies (tubarões, tartarugas, arraias, entre outros), vendo o animal em diversos ângulos e descobrindo detalhes da sua biologia.

Imagem: Autossustentável

Já na segunda gruta, há uma tela para navegação, onde o visitante aprende sobre as diferentes espécies de tubarão, a importância de preservação e como os seres humanos estão impactando a vida dos tubarões.

Imagem: Nós na Trip

Mas o maior espetáculo, no entanto, começa na chegada ao Recinto Oceânico e de Mergulho. Com 3,5 milhões de litros de água, sete metros de pé-direito e um túnel passando por seu interior, o tanque é habitado pelas principais estrelas do aquário — os tubarões Sharon (da espécie Lambaru) e Margarida (um tubarão Mangona) e o badejo-quadrado “Giorgio”, que tem 40 quilos.

Uma longa parada na arquibancada em frente ao enorme painel de acrílico do tanque para observá-los e assistir ao movimento majestoso das raias pode ser um dos pontos mais interessantes da visita, já que não é tão disputado quanto o que vem a seguir.

Imagem: AquaRio

O ápice do circuito é caminhar por dentro de um túnel de acrílico que passa por baixo d’água, onde é possível ficar ainda mais pertinho e admirar as diversas espécies de peixes, tubarões e raias.

Imagem: AquaRio

Já no final do caminho, há ainda uma exposição com diversos tipos de conchas, com seus variados tamanhos, cores, formas e funções.

Imagem: Autossustentável

Adoramos a experiência de visitação ao AquaRio! É uma ótima maneira de conhecer mais sobre a fauna oceânica brasileira e dessa forma ensinar aos pequenos a importância de preservação e cuidado com nossos mares.

Para conhecer mais sobre o AquaRio, você pode acessar o site (clicando aqui) ou ver o perfil da página no Facebook (clicando aqui).

 

 

Guia Prático de Turismo Sustentável

Imagem: Ministério do Turismo

Responsável por cerca de 10% da atividade econômica mundial, representando 1 em cada 11 empregos no mundo (dados da OMT – Organização Mundial do Turismo), o turismo é um dos grandes setores de atividade e está em vasta expansão. E isso tem provocado grande pressão nas áreas visitadas como danificação do patrimônio natural e histórico.

Autossustentável: Turismo Predatório
Imagem: Pedro Menchon

Foi buscando reverter o quadro de saturação do turismo tradicional que 2017 foi denominado, pela ONU (Organização das Nações Unidas), como o Ano Internacional do Turismo Sustentável para o Desenvolvimento. O que além de representar a oportunidade do setor de turismo contribuir para o três pilares da sustentabilidade (econômica, social e ambiental) através de sua melhor estruturação e administração, também representa a oportunidade de promover melhor compreensão entre os povos e uma maior conscientização sobre o patrimônio das diversas civilizações.

Autossustentável: Ano Internacional do Turismo Sustentável
Imagem: Revista Ecoturismo

Mas o que seria o turismo sustentável? O turismo sustentável implica na reorganização do setor de turismo, reestruturando-o de forma a atender aos turistas, mas sem afetar negativamente o meio ambiente e a comunidade local. Desta forma, o turismo sustentável, ao contrário do tradicional, é voltado para ganhos econômicos, para a sociedade e para o meio ambiente, prezando pela cultura regional e pela diversidade biológica assim como preza pela economia. Um outro diferencial do turismo sustentável é pensar a atividade a longo prazo, sustentada na preservação ambiental e cultural que qualificam o destino turístico.

Felizmente, podemos notar, mesmo que de forma tímida, que o setor de turismo tradicional vem se preocupando com a pressão sócio-ambiental gerada e, principalmente, com a maior conscientização da sociedade sobre os impactos do turismo de massa. Isso, aos poucos, vem fazendo com que hotéis, companhias aéreas e agências de viagem, por exemplo, incorporem práticas sustentáveis às suas atividades.

Essas iniciativas podem ser vistas em vários países como a Alemanha, que possui um site com roteiros e empresas sustentáveis no país; e a Costa Rita, que certifica hospedagens ecologicamente corretas. Aqui no Brasil, o turismo sustentável ainda é uma questão recente mas já podemos encontrar ações voltadas para a implementação sua implementação, como é o caso do Guia de Turismo e Sustentabilidade, lançado pelo Ministério do Turismo em 2016, e do Mapa de Turismo Sustentável no Brasil, que mostra iniciativas vencedoras e finalistas do Prêmio Braztoa de Sustentabilidade, promovido pela Associação Brasileira de Operadoras de Turismo e chancelado pela Organização Mundial do Turismo (OMT).

Imagem: DesbriAdaptação: Autossustentável

Para que o turismo sustentável seja, de fato, uma realidade, também é de suma importância que os turistas ajam de forma mais consciente, o que implica incluir no planejamento de sua viagem escolhas sustentáveis. E por onde começar? Abaixo listamos algumas dicas que valem a pena serem seguidas, pois uma atitude responsável durante a viagem é fundamental para que os destinos se mantenham vivos e aptos a receber mais turistas.

Atenção ao fazer as malas
Ao fazer as malas escolha roupas que não precisam ser passadas, assim é possível reduzir o consumo de energia.

Escolha voos diretos
Além de economizar tempo, você estará reduzindo as emissões de carbono.

Cuidado com o local de hospedagem
Evite hospedar-se em estabelecimentos construídos em Áreas de Preservação Permanente, como beiras de rios, lagos e praias, topos de morros ou encostas muito inclinadas, restingas e manguezais e outros ecossistemas frágeis. Outra dica é ficar em hotéis próximos aos atrativos que deseja conhecer para economizar em transporte e reduzir a emissão de poluentes.

Consumir produtos locais 
Valorizar a cultura e a gastronomia local é uma forma de movimentar a economia da cidade. Invista no trabalho artesanal, que além de beleza carrega uma história, agregando ainda mais valor aos objetos, peças e utensílios adquiridos. Saborear a culinária local também é sempre uma boa pedida.

Vivencie a cultura local
As manifestações culturais são um atrativo a parte. Aproveite para conhecer e apreciar um pouquinho do que acontece no destino visitado como as festas religiosas, festivais gastronômicos e eventos musicais. Provar a culinária local, conhecer personalidades marcantes e ouvir as histórias tradicionais enriquecem ainda mais a experiência da viagem. Busque roteiros que permitam conhecer a cultura e as belezas naturais e vivenciar o ritmo local.

Prefira o transporte alternativo 
Aproveite o passeio para utilizar transporte alternativo, como bicicleta e charrete, e valorize as caminhadas para passear pelos roteiros turísticos. Dê preferência ao transporte público e, se alugar um carro escolha o modelo mais econômico possível para reduzir o consumo de combustível. Nos carros flex, opte pelo etanol que é uma fonte renovável.

Leve uma garrafa de água reutilizável 
Em vez de comprar garrafinhas descartáveis e aumentar a geração de resíduos, utilize sua garrafa de água reutilizável.

Utilize sacolas retornáveis
Carregue na mala uma sacola retornável, assim quando for às compras não necessitará usar sacolas plásticas. Lembre-se que o processo de decomposição das sacolas plásticas demora muitos anos.

Cuidado com o lixo
Seja consciente e descarte seu lixo nas lixeiras, mantenha o local sempre limpo. Procure saber também se o destino visitado possui coleta seletiva, em caso positivo separe o lixo para reciclagem de forma apropriada, facilitando assim o trabalho de reciclagem destes materiais.

Respeite as regras 
Fique sempre atento às regras existentes nos roteiros e atrativos turísticos que visitar. Existem locais que fotos com flashes são proibidas, outros em que é vedado tocar nos objetos, alimentar os animais e pisar na grama, por exemplo. Respeite as regras locais.

Não gaste água em excesso 
Se atente ao seu consumo de água durante as suas viagens para que não seja excessivo e lembre-se sempre de fechar bem torneiras e chuveiros para evitar vazamentos. Só peça para trocar toalhas e enxoval no hotel se for realmente necessário. Isso ajuda a minimizar a estatística de que cada turista consome quase três vezes mais água do que os residentes.

Não deixe luzes acessas 
A economia de energia também é uma forma de ser sustentável. Ao sair dos recintos lembre-se sempre de apagar as luzes. Aproveite ao máximo a luz natural como recurso de iluminação, além de ser de graça ainda é responsável por ativar a vitamina D em nosso organismo. Lembre-se também de sempre desligar o ar condicionado e a TV.

Imagem: O Globo

E como nossa colaboradora, Maria Eduarda Souza, bem disse em seu texto de terça-feira:

Pessoas interessadas em conhecer a verdadeira cultura do local, entrar em comunhão com a terra e apoiar quem mora na região não é turista, é viajante. Viajar gera conhecimento para si e a oportunidade de oferecer conhecimento a quem encontra pelo caminho. Levamos e trazemos informações, pois, na grande maioria das vezes, ir implica em voltar. E sempre voltamos diferentes, com novas experiências e aprendizados. Um viajante, ao voltar, traz consigo histórias que contribuem para um despertar global.

Com informações de: Atitudes Sustentáveis, ICMBio, Mistério do Turismo, O Globo, ONU Br, Turismo de Minas, UNESCO.

 

Lisboa, Turismo e Sustentabilidade

Imagem: Green Trekker

Lisboa é uma das cidades europeias que mais cresce em turismo. Entre 2009 e 2016, o número de visitantes aumentou em torno de 7,4%, colocando a capital portuguesa como referência para quem procura dias de lazer, passeios históricos e culturais diante de lindas paisagens [1].

Autossustentável: Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases
Jardim da Quinta das Conchas e dos Lilases. Imagem: Mapio

A participação brasileira é extremamente significativa nesses dados por conta da histórica ligação entre Brasil e Portugal. Particularmente, desembarquei em outubro de 2016 em Lisboa, capital portuguesa, para realizar mestrado em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa (FDUL).

Autossustentável: Passaporte
Imagem: Correio Braziliense

O crescimento do turismo, porém, requer planejamento estratégico, construção de estruturas básicas e capacitação de pessoas aptas a receber os visitantes. Trata-se de buscar um turismo sustentável em que se respeita a capacidade demográfica, preserva os patrimônios históricos e culturais e as tradições locais.

Autossustentável: Estufa Fria, Parque Eduardo VII
Situada no Parque Eduardo VII, em Lisboa, a Estufa Fria é um jardim em estufa. ImagemHugo Miguel Carriço. Reprodução: Férias em Portugal

Nesse sentido, o governo português assinou compromisso com a Organização Mundial de Turismo (OMT) em 2017 para “fomentar uma mudança nas políticas, práticas empresariais e comportamento dos consumidores” no Ano Internacional do Turismo Sustentável, conforme descrito pelo site oficial. Considerado exemplo de excelência, o programa busca apoiar startups em áreas turísticas, o empreendedorismo e o ecossistema de inovação em Portugal [2].

Autossustentável: Parque Florestal Monsanto
Parque Florestal Monsanto. ImagemMessagez

Lisboa conta também com significativos espaços verdes. Dentre estes, destaca-se o Parque Florestal Monsanto, “pulmão da cidade”, por contar com quase 900 hectares e pode ser considerado opção interessante para os que buscam contato direto com a natureza.

Autossustentável: Parque Florestal Monsanto
Parque Florestal Monsanto. Imagem: Guia da Cidade

Indissociáveis, sustentabilidade e turismo devem caminhar juntos para que as presentes e as futuras gerações possam usufruir das belezas naturais, arquitetônicas e históricas. Em ano de eleições municipais, este, certamente, deve ser um tema decisivo para o futuro da cidade.


[1] http://www.dn.pt/sociedade/interior/lisboa-e-a-5a-cidade-europeia-a-crescer-mais-em-visitantes-internacionais-5406688.html

[2] http://www.portugal.gov.pt/pt/ministerios/meco/noticias/20170206-set-turismo.aspx

 

Clique aqui para ler mais artigos de Felipe Pires

 

 

Turistando na Baixada Santista

Imagem: Places to Visit Brazil

São Paulo é caracteristicamente o estado produtivo do Brasil. Grandes empresas, fábricas e montadoras e o destino de milhares de brasileiros buscando um emprego.

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Mas o litoral de São Paulo guarda grandes surpresas! Mesmo sendo menos badalado que o litoral do Rio de Janeiro, possui praias lindíssimas e tão paradisíacas quanto. A maior aglomeração de pessoas do litoral está localizada na Ilha de São Vicente e arredores. Santos, São Vicente, Guarujá e Praia Grande formam o centro da vida urbana. No entanto, ao longo de todo litoral há vilarejos e cidades, derivados dos antigos pontos de fixação das comunidades tradicionais – os caiçaras.

Imagem: Viva o Mundo

A beleza natural é permeada por Mata Atlântica, serra e muitos rios chegando ao mar. A Ilha de São Vicente possui ainda uma enorme área de manguezal, berço de vida marinha. São muitos os destinos no litoral de São Paulo em que é possível a realização de trilhas e turismo fluvial, em meio à natureza, com muitas cachoeiras e uma riquíssima história que alcança o descobrimento do Brasil. 

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Claro que estamos diante do mar e ele é o rei do turismo por aqui, mas ainda há centenas de pontos que podem ser visitados. A praia de Santos possui o maior jardim a beira mar do mundo, com 7,5 km de extensão, muitas fontes, a primeira escola pública de surf do país e ciclovia de ponta a ponta, que se interliga com as principais avenidas de Santos.

Selecionei dois espaços protegidos e dois pertencentes ao patrimônio histórico para compartilhar, mas ao redor de cada um há muitos outros locais maravilhosos.

 

Monumento Nacional Ruínas Engenho São Jorge dos Erasmos 
Imagem: USP

Uma ruína que remonta o Brasil colônia e expõe uma riqueza histórica e cultural única e a mais antiga do país. Localizado no meio da ilha, protegidos por morros, remonta a história do Brasil recém descoberto e das invasões de piratas à Ilha de São Vicente, onde a Vila de São Vicente foi a primeira fundada no país. A Universidade de São Paulo é a curadora deste espaço e lá desenvolve atividades ambientais e culturais, todas abertas ao público.

Imagem: USP

A visita pode ser feita por agendamento ou a bordo da linha Turística de ônibus que sai da Praça das Bandeiras.

 

Casa da Frontaria Azulejada

Imagem: In Routes

Outro ponto que possui inúmeros prédios históricos é o centro da cidade de Santos. A importante participação do Porto de Santos na economia trouxe muita riqueza e luxo para o centro da cidade. Lá é possível encontrar as ruas do Sal, a Bolsa do Café, igrejas que abrigavam escravos que fugiam dos portos, monumentos.

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Uma das edificações, datada do século XIX e grande referência de todo o luxo que os grandes comerciantes e barões possuíam, é a Casa da Frontaria Azulejada. Patrimônio Histórico Nacional, além de uma arquitetura preservada, ela se tornou um espaço aberto para eventos culturais e artísticos.

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Sugiro que vocês aproveitem um sábado para caminhar pelo centro histórico de Santos! Há o famoso passeio de Bonde e os bares e restaurantes nos arredores vão desde o tradicional português ao som de um fado à típica feijoada brasileira acompanhada de samba.

 

Jardim Botânico Chico Mendes 

Voltando à Zona Noroeste de Santos, no centro da Ilha de São Vicente, temos o Jardim Botânico Chico Mendes, um espaço de preservação da biodiversidade e que tem acolhido inúmeros programas de cunho ambiental.

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

No primeiro sábado do mês ocorre a Feira de Orgânicos, que é itinerante. Também é possível ver por lá grupos de meditação, capoeira, feiras artesanais e de orquídeas.

No local se desenvolvem cursos, como o que incentiva o cultivo de hortas comunitárias, compartilhando conhecimentos ambientas de forma gratuita.

 

Estrada Velha de Santos – Caminhos do Mar 

Imagem: Acervo Estadão

E não poderia faltar aquela que foi objeto de música do Rei Roberto Carlos – as curvas da Estrada de Santos.

Na verdade, a antiga estrada já foi substituída por duas vias, o Sistema Anchieta-Imigrantes. O antigo caminho hoje faz parte de área de preservação, pois está em meio à Mata Atlântica. 

É possível realizar passeios monitorados, através de agências de turismo, para descer a serra a pé, de bike ou de ônibus. Na descida, você deve levar seus alimentos, pois não há comércio no local.

Basicamente um mergulho na história e natureza, com fauna e flora ricas e fartas, com direito a pequenas paradas para conhecer o Rancho da Maioridade, onde D. Pedro I teria passado momentos com a sua amante Domitila de Castro; o Pouso Paranapiacaba, de onde se tem uma vista privilegiada da Baixada; Padrão do Lorena, a primeira calçada pavimentada do Estado.

E não para por aí, ainda há o Orquidário Municipal, o Aquário Municipal, os Morros e suas histórias, as comunidades caiçaras, as visitas às ilhas e ao mangue de barco pelo canal do Porto, o Caminhos de Anchieta…. enfim, reserve ao menos uma semana para estar por aqui!

 

Abaixo seguem algumas dicas para vocês saberem um pouco mais sobre turismo sustentável em Santos e no litoral Paulista.

 


Clique aqui para ler mais artigos de Janaína Helena Steffen

 

Um pedaço de paraíso e a cachoeira de 300 moradores

Turismo é um tema antagônico, no entanto quem ama viajar não consegue escapar desse insustentável dilema. Eu sou uma dessas pessoas. Vivo o constante desafio de estar em movimento e ser sustentável. Hoje em dia, viajar sem depreciar uma região é tarefa difícil, requer cuidado, atenção e consciência.

Imagem: Maria Eduarda Souza – Autossustentável

Depois de muitas viagens pelo Brasil e pelo mundo percebo que os moradores locais são os melhores indicadores para avaliar se o turismo na região é sustentável. Conversando com pessoas que nasceram no espaço podemos sentir se nossa visita é bem vinda ou, na verdade, está criando desconforto e desequilíbrio socioambiental.

Em Junho deste ano estive na Espanha e após muitos dias na cidade de Barcelona buscava um pouco de sombra e água fresca. Sem saber para onde ir, segui em direção as montanhas. Após dirigir por curvas fechadas em uma pequena estrada de terra batida cheguei em um paraíso com árvores densas e penhascos.

Imagem: Maria Eduarda Souza – Autossustentável

De longe já se podia ouvir o barulho da cachoeira que cai de muito alto e nutre toda a planície. A cachoeira Salt de Sallent e o rio que brota destas águas descem por uma chapada verde até aonde os olhos podem alcançar. Com piscinas naturais e diversos pontos para observação da vista, o local tem uma serenidade apaixonante e por algumas horas eu me esqueci quão perto estava da vibrante Barcelona. São pedras que invocam uma natureza majestosa, que nos rouba a respiração e nos refresca com águas limpas.

Imagem: Maria Eduarda Souza – Autossustentável

Depois de me banhar, sentei para meditar e observar os pássaros que ali voavam, as andorinhas dançavam junto ao vento do entardecer. Quando o sol já estava se pondo fui caminhar entre as árvores. Quem cuida da trilha e oferece apoio aos visitantes que vem em busca de natureza são os residentes do charmoso povoado local, Rupit i Pruit. Uma ponte peculiar nos convida a entrar e descobrir a região que parece uma viagem de volta ao tempo medieval. Pequena, com uma população em torno de 300 pessoas, Rupit é um recanto de casas rústicas e pedras de paralelepípedo do século XVI e XVII.

Imagem: Maria Eduarda Souza – Autossustentável

Com somente alguns estabelecimentos como lojas, restaurantes e pequenas tavernas o povoado se mantêm do turismo local. Mesmo na alta temporada do verão europeu o povoado estava calmo e silencioso. No entanto, ao entrar em uma viela se podia encontrar um viajante admirando a arquitetura ou a natureza da região.

Imagem: Maria Eduarda Souza – Autossustentável

Quando o anoitecer chegou me sentei no único bar aberto para jantar. A família que me recebeu foi muito hospitaleira e contou que moram em Rupit há mais de 4 gerações e hoje vivem inteiramente do turismo. Sofia, a matriarca, dividiu conosco como a comunidade de residentes de Rupit i Pruit se reúne para compartilhar informações e tomar decisões coletivas para coordenar e administrar o turismo e o futuro do povoado.

Depois de um pouco de conversa, aprendi que em Rupit i Pruit é proibido colar cartazes e propagandas nas paredes da cidade. O cuidado com as portas, os muros e as janelas é responsabilidade de todos os moradores. Muitos ensaios fotográficos são feitos na cidade e o valor arrecadado é revertido para a restauração das ruas e casas.

Imagem: Maria Eduarda Souza – Autossustentável

 Decisões pequenas fazem a diferença, as flores das janelas são escolhidas em conjunto, e segundo a proprietária do restaurante, de maneira participativa. Ela também nos contou que em breve estariam recebendo um festival de yoga na região e estavam se preparando para um público de vegetarianos e veganos. Esta preparação resultou em muita troca entre os restaurantes e outros estabelecimentos que precisavam ser criativos na hora de preparar pratos sem jamón, o famoso presunto espanhol. Sofia me contou que o restaurante vizinho iria ensiná-la a fazer hummus e que ela iria ensiná-lo a fazer croquetas de setas (croquetes de cogumelos). Essa troca de receitas mostra como a colaboração é o sentimento que move o povoado, ao invés da competição desenfreada impulsionada pelo turismo. O povoado é cercado por diversas fazendas e propriedades rurais que invocam o tempo onde riqueza era sinônimo de terras fartas e largas. Rupit i Pruit é uma comunidade, não um grupo de pessoas isoladas.

Imagem: Maria Eduarda Souza – Autossustentável

Passei somente um dia em Rupit, mas deixei o lugar com a certeza de que eu era bem vinda e estava contribuindo com a comunidade local. Viagens sustentáveis contribuem de forma positiva para a região e seus moradores. Quando permitimos, essas viagens também nos trazem conhecimento e aprendizado.

Imagem: Maria Eduarda Souza – Autossustentável

Ao viajar para longe de nossas casas, também viajamos para dentro de nós. Visitamos um espaço em nosso ser que não encontramos todo dia. Viagens têm o potencial de nos educar, de abrir nosso coração e mente para o desconhecido, para as surpresas.

Pessoas interessadas em conhecer a verdadeira cultura do local, entrar em comunhão com a terra e apoiar quem mora na região não é turista, é viajante. Viajar gera conhecimento para si e a oportunidade de oferecer conhecimento a quem encontra pelo caminho. Levamos e trazemos informações, pois, na grande maioria das vezes, ir implica em voltar. E sempre voltamos diferentes, com novas experiências e aprendizados. Um viajante, ao voltar, traz consigo histórias que contribuem para um despertar global.

 

Trilha Transcarioca: Com 180km, maior trilha urbana do país atravessa o Rio pelas montanhas

O Rio de Janeiro oferece cartões-postais únicos, paisagens naturais incríveis e diversas trilhas para quem ama aventuras e o contato com a natureza. Uma das mais recentes trilhas liberadas para o público é a Trilha Transcarioca.

Considerada a maior de longo curso no Brasil, a Transcarioca é uma trilha urbana de 180 km de extensão, entre a Barra de Guaratiba e o Morro da Urca, aos pés do Pão de Açúcar.

Imagem: Nômades Digitais

Idealizada em 1990, a Trilha Transcarioca ficou engavetada por muitos anos. Saiu do papel graças aos esforços de mais de mil voluntários, além da parceria entre governos, gestores dos parques e diversas instituições que abraçaram a causa.

Imagem: WikiParques

Com percurso de 180 quilômetros, a Trilha Transcarioca passa pelos principais atrativos naturais, históricos e culturais de seis unidades de conservação (UCs) de proteção integral presentes no seu traçado. Saindo do Parque Natural Municipal de Grumari e passando pelo Parque Estadual da Pedra Branca, o Parque Nacional da Tijuca, o Parque Natural Municipal da Catacumba, o Parque Natural Municipal da Paisagem Carioca e chegando ao Monumento Natural Municipal dos Morros do Pão de Açúcar e da Urca.

A Transcarioca também interliga a Área de Proteção Ambiental do Morro da Saudade, permitindo o acesso a áreas protegidas como o Sítio Burle Max, o Parque Estadual da Chacrinha, o Parque Natural Municipal da Cidade, o Museu do Açude e o Jardim Botânico do Rio de Janeiro.    

A Trilha foi dividida em 25 trechos para facilitar os passeios e a localização e, por isso, pode ser percorrida na sua integralidade (12 dias) ou em seções, de acordo com o interesse, a aptidão e a disponibilidade de tempo de seus usuários.

Sua sinalização foi toda padronizada, com pegadas pintadas de preto e amarelo em árvores e pedras nos dois sentidos do percurso.

Imagem: Vilmar Costa

Durante o seu trajeto, o visitante tem a oportunidade de apreciar atrativos naturais pouco conhecidos da cidade e descortinar o Rio de Janeiro de ângulos inusitados.

A Trilha servirá também de modelo de conservação e recuperação dos corredores verdes unindo as principais áreas de Mata Atlântica da cidade, servindo também como uma ferramenta viva de educação ambiental em áreas de restinga, manguezal, praia, costão rochoso, floresta de baixada e floresta montana.

Imagem: Globo Esporte

Aos aventureiros, é importante saber também as regras de condutas dos parques pelos quais passa a Transcarioca. São proibidas fogueiras e a alimentação de animais silvestres. Os parques também orientam os visitantes a levarem seus próprios sacos plásticos para coletarem seu lixo, uma vez que jogar lixo na trilha nem pensar.

Imagem: O Globo

Quer se aventurar pelas trilhas? Não esqueça de visitar o site da Trilha Transcarioca – www.trilhatranscarioca.com.br. Lá você pode encontrar dicas e orientações sobre o que levar, os cuidados que se deve tomar, fotos, mapas para download e tracklogs (arquivos com marcações de GPS que podem mostrar o caminho de um ponto até outro em uma trilha) no Google Maps.

Com informações de: WikiParques e Trilha Transcarioca

 

 

Meu pedacinho de terra e a Constituição

A maioria das pessoas cresceu sabendo da importância de se ter um pedacinho de terra, uma moradia. E aprendemos junto com isso, que se pudesse ser um pedaço maior de terra, um apartamento ou casa maior, seria melhor ainda.

Culturalmente fomos assimilando a necessidade de possuir nosso metro quadrado de terra. Nossos antepassados pensavam em produtividade, além de moradia. Mais do que um teto, um chão de onde tirar o alimento.

E a legislação que foi sendo aprovada com o tempo sempre destacou a produtividade como critério: o terreno sem edificação e que não produz nada tem cobrança maior de impostos e o aluguel permite que o locatário usufrua dos frutos e de tudo que a terra produzir, por exemplo.

Mas em 1988, a Constituição incluiu um conceito muito mais amplo do que produtividade: a função social e ambiental da propriedade.

 

Isto porque, como qualquer recurso natural, o espaço em nosso planeta é finito. Há lugar para todos, mas com o incremento da população, é necessário que os espaços sejam otimizados.

Com o capitalismo e o alto valor que um pedaço de terra passou a ter, muitos passaram a ter mais que um pedacinho. Foram adquirindo mais e mais pedaços de terra. Literalmente, acumulando terras. Como aqueles que acumulam tralhas dentro de casa.

E é justamente neste ponto que a Constituição pretendia tocar: se você é um acumulador de terras, temos que verificar o que você tem feito com ela.

A função social e ambiental tem a ver com a destinação que é dada ao terreno. O simples acúmulo não se justifica, sendo necessário que o proprietário tenha consciência de todos os demais habitantes deste planeta e da necessidade que temos de compartilhar um espaço e mantê-lo habitável.

Na zona rural a produtividade continua sendo um critério, mas na zona urbana, o que se tem como ideal é o que consta do Plano Diretor do Município. O Plano Diretor dirá se você pode ter um comercio naquele bairro e em que área é possível instalar uma fábrica, por exemplo. É a lei municipal que regula o uso do solo e a sua utilização.

Você recebeu o direito quase que exclusivo sobre aquele pedacinho de terra, mas com relação ao todo, ao meio, você ainda é um zelador. Além a quem foi dado o direito de usar, mas que sabe que seu uso deve ser feito com responsabilidade.

Como se vê, a Constituição é um documento que é mais que uma lei. Na verdade ela diz de que forma devemos olhar para cada um dos aspectos da nossa vida como cidadãos. Ela concede direitos e também informa responsabilidades. Ela aponta os valores que foram eleitos por nós, como sendo aqueles que queremos ver respeitados em primeiro lugar.

 

 
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Um encontro de ações em defesa da Vida

Reprodução: Tamera Healing Biotipe I – Portugal. Imagem: Ludwig Schramm

Ativistas do mundo inteiro foram convidados a colaborar e compartilhar suas experiências em ação, intenção, arte e manifestação política durante a conferência “Defesa do Sagrado: Imaginar Uma Alternativa Global”.

O evento reúne, durante 10 dias, ativistas do Quênia, África do Sul, Egito, Índia, Palestina, Israel, Colômbia, Peru, Bolívia, México, Argentina, Brasil, Guatemala, Filipinas, Inglaterra, Espanha, Portugal, Alemanha, Estados Unidos e Canadá.

Este encontro está sendo realizado na comunidade Tamera (Portugal), um centro de educação dedicado a explorar e nutrir a paz. A beleza da terra é indescritível, repleto de água e verde, movida a energia solar e biogás. A comunidade de residentes, através de um processo participativo chamado Fórum, decide coletivamente o futuro e o presente de Tamera.

Desafiando paradigmas sociais e econômicos a comunidade atua a partir de princípios ecológicos. Por exemplo, toda a alimentação na comunidade é orgânica e plantada na própria região pelos residentes ou produtores regionais de Portugal. Todos os banheiros são secos, ou seja, sem água, fazendo uso do processo de compostagem. Para conhecer mais sobre Tamera, clique aqui.

Vista aérea de Tamera. Imagem: Tamera Healing Biotipe I – Portugal

O seminário começou no dia 07 de Agosto e tem duração de 10 dias. Entre painéis, debates, rodas de conversa e palestras fomos recebidos com muita música e manifestações artísticas. A presença de cerimônia, sons, cantos, instrumentos e movimentos corporais em um evento como este é fundamental para que possamos ir além do nosso intelecto e da esfera das ideias. Uma das armadilhas que nós, ativistas, podemos cair é o excesso das críticas ao sistema e a falta de ação prática e pragmática em prol da transformação.

Para evitar este sentimento de estagnação e nos colocarmos a serviço da terra que nos recebe, Portugal, nós co-criamos com o artista John Quigley uma grande arte corporal na praia de Odeceixe. Com mais de 500 pessoas reunidas nós realizamos uma ação em defesa dos oceanos e da costa Portuguesa, que no momento esta sendo ameaçada e depreciada devido à exploração petrolífera.

Com nossos corpos escrevemos na areia da praia, aonde o rio encontro o mar, nossa mensagem. O evento foi muito emocionante, estar reunido com tantas pessoas em prol de uma mesma causa é um sentimento de muita união e esperança.

 

Tamera recebeu no total 150 pessoas para o seminário. Fui convidada para compartilhar minha experiência na Amazônia brasileira e jornada como ativista e ecologista social. Fico muito honrada com o convite e quero manifestar aqui meu profundo respeito pelo trabalho de todos os ativistas e participantes que dedicaram seu tempo e energia a este encontro. Espero quando este encontro terminar contar as histórias transformadoras aqui no Autossutentável.

Reflexões importantes foram feitas durante o seminário, enraizado na sabedoria indígena e inspirado pelo caso de Standing Rock nos Estados Unidos. O primeiro painel foi dedicado às manifestações políticas de não violência nos Estados Unidos em resistência ao Oleoduto de North Dakota. Guiados pela fundadora do movimento LaDonna Brave Bull, anciãos e jovens indígenas norte americanos fomos todos convidados a questionar o que significa agir em defesa do sagrado.

Durante as refeições, círculos de conversa se formavam em torno de assuntos como autonomia alimentar, novas formas de economia, democracia participativa e a viabilidade de fontes de energias renováveis. Com o cuidado de não idealizar este diálogo, muitos projetos e estudos de caso foram abordados. Questionamos como criar ações recorrentes, empoderando as comunidades locais, para criar resultados sólidos e duradouros.

A conferência seguiu com painéis divididos de forma geopolítica. A segunda sessão abordou a violência urbana de São Paulo, Colômbia e Quênia. No dia seguinte as questões do Oriente Médio foram trazidas para a discussão, com ativistas israelitas e palestinos. Testemunhar um debate tão caloroso e amigável entre tamanhas nações foi um momento único que reforça o nosso potencial para administração de conflito e a vontade de encontrar a paz.

 

Ponderamos sobre a diferença entre um objetivo e um propósito. Conversamos sobre identidade, ancestrais e história. Foi oferecido um espaço para abordar o papel do feminino e masculino, e do papel da mulher na construção de uma nova sociedade. Inspirados por diferentes nações indígenas e pelo poder de oração realizamos cerimônias junto ao nascer do sol e com a lua cheia.

Imagem: Ivan V. Juric

O seminário ainda não chegou ao fim, mas a certeza de que precisamos de suporte ao redor do mundo para criarmos a realidade que queremos está cada vez mais presente. Antes mesmo do fim da conferência já pude perceber como nossos espíritos estavam mais fortes, mais enérgicos e preparados para enfrentar novos desafios. Nutrimos a certeza de que existe um novo movimento se formando, e juntos, podemos colaborar para fortalecer esta transformação.

Para acompanhar painéis online do seminário e assistir aos vídeos de palestras, visite: Tamera.

Você também pode acompanhar o evento pela página oficial de Tamera no Facebook: Tamera Healing Biotipe I – Portugal.

 

 

O poder de transformação do terceiro setor: conheça as melhores ONGs do Brasil

Imagem: Twitter. Adaptação: Autossustentável

As Organizações Não Governamentais possuem um papel muito relevante com relação aos direitos humanos, igualdade de gênero e proteção ambiental. O terceiro setor possibilita ainda geração de renda e promovem melhorias na saúde, educação, habitação, cultura, e outras diversas áreas importantes para o desenvolvimento de um país mais justo e igualitário.

Existem mais de 300 mil ONGs no Brasil, e diante deste cenário, a revista Época e o Instituto Doar, através de uma iniciativa muito bacana, criaram um guia com as 100 melhores ONGs no país, avaliando as práticas de gestão e transparência, com objetivo principal de incentivar a cultura de doação no país. Segundo o Instituto Doar, mais de 400 mil exemplares da revista estarão disponíveis para se tornar o guia de quem quer conhecer ONGs de todos os estados e áreas de atuação. Para visualizar o material clique aqui.

Imagem: Linkedin

Foram mais de 1500 organizações inscritas para o processo. A comissão de avaliadores é composta por representantes da ÉPOCA, do Instituto Doar e do Centro de Estudos em Administração Pública e Governo da Fundação Getúlio Vargas. Os critérios de avaliação levaram em conta cinco princípios gerais: causa e estratégia, representação e responsabilidade, gestão e planejamento, estratégia de financiamento, e comunicação e prestação de contas. Para conhecer as organizações vencedoras clique aqui.

Imagem: Clipart Library

Conheço algumas das organizações vencedoras e fico feliz que tenham o reconhecimento que merecem. Todo apoio e ajuda é bem vindo para as ONGs, e espero que outras também tenham a oportunidade de se destacar e seguir na luta pelos seus propósitos. Vou aguardar para garantir um guia pra mim!

 

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Mas afinal de contas, o que é sustentabilidade?

Imagem: Desarrollo Sustentable. Adaptações: Autossustentável

Tenho atuado como formador de professores dos Ensinos Básico e Universitário em Educação para a Sustentabilidade há um tempinho. Uma das questões recorrentes durante esse período é: “o que é sustentabilidade?”.

Já tive a oportunidade de escrever aqui no Autossustentável sobre a importância de não permitir que a busca de uma definição formal seja imobilizadora. De um jeito ou de outro, temos nossas visões do que é ou não sustentável. No fundo, é isso que importa.

Mas enfim, se a definição se faz tão necessária, acho que eu definiria sustentabilidade como “a busca permanente da manutenção dos processos tipicamente humanos (culturais, políticos, econômicos, sociais, etc.) sem que estes prejudiquem e, idealmente, melhorem, os processos biogeoquímicos, garantindo a manutenção e aumento da diversidade e da biodiversidade”.

Imagem: Generate Land

Toda definição, por definição, engessa as possibilidades, por isso, tenho seguido a linha de que sustentabilidade é um valor, e não um conceito.

Ao ler essa definição, a contra-argumentação lógica está ligada à utopia. Ou seja, não conseguiremos manter os processos humanos e, ao mesmo tempo, melhorar, os demais ligados a terra e manutenção da vida em todas as suas formas. Pelo menos não dentro do modelo civilizatório em curso.

Imagem: Cultura Mix

Se considerarmos essa visão de sustentabilidade utópica, o que estamos buscando, afinal? Muitos autores têm sugerido a substituição de sustentabilidade por resiliência, por ser um conceito mais bem compreendido e advinda da reconhecida Ecologia, ou das Ciências Biológicas, de maneira mais ampla.

A ideia parece boa a princípio, mas autores conceituados como Arjen Wals, só para citar um, tem criticado duramente essa substituição, afinal, ser resiliente diz respeito, grosso modo, à capacidade de restauração frente a um impacto.

Entretanto, o ideal é que o impacto não ocorra. Resiliência, portanto, abre a porta para uma possibilidade que não gostaríamos de considerar em sociedades realmente sustentáveis.

Para continuar, e finalizar a lista de jargões e conceitos, apresento um que me agrada: regeneração. Estamos vivendo um momento de transição, que gera conflitos e, ao mesmo tempo, alternativas.

Talvez precisemos primeiro buscar a regeneração daquilo que já está prejudicado, incluindo o ambiente e muitos de seus processos biogeoquímicos e, para além do exterior, regenerar a nós mesmos, nossos laços de confiança e cooperação na busca por um novo sentido à existência.

Imagem: Campos de Boaz

As inúmeras crises são humanas, nascem conosco e precisam ser regeneradas antes de evoluírem e gerarem um novo estado mais equilibrado, equitativo e harmônico. Talvez nesse momento poderemos, sem culpa ou dúvida, falar em sustentabilidade.

PS. Gratidão ao Monge Jorge Koho pela inspiração.

 

 

 

 

A importância da diversidade para um futuro melhor (distribuído)

Imagem: Tikachu

O renomado escritor em ficção científica e visionário de tecnologia William Gibson alertou: “O futuro já chegou, só ainda não está bem distribuído”.

Imagem: Alexandre Beck

A constatação vem a partir de uma realidade onde o melhor oncologista do mundo já é uma inteligência artificial (AI), ao mesmo tempo em que existem 4 bilhões de pessoas sem sequer acesso à internet. A chave da questão pode estar justamente em um erro recorrente de muitos de nós: ignorar as diferenças.

Quando uma nova tecnologia surge, ela será o resultado de quem a criou – uma das valiosas constatações do curso de futurismo da Perestroika (recomendo!). Logo que os airbags passaram a ser comercializados para o mercado, em meados de 1970, houve momentos de horror. Ao invés de salvar vidas em colisões de automóveis, mataram diversas pessoas, a maior parte mulheres e crianças. Isso porque a força com que o airbag as atingia era fatal ao seu biotipo. Mas como, se isso é algo facilmente detectável em testes?

A questão é que não havia nenhuma mulher no laboratório de testes. E quando havia, dificilmente era escutada a ponto de mudar a lógica predominante masculina. Não era um local para as mulheres estarem. Enquanto isso, homens brancos, com privilégios, construíam um equipamento de segurança mortífero por ignorarem que existem pessoas com pesos, alturas e massas corpóreas diferentes.

Parece insano e é. Mas isso continua acontecendo hoje, em muitas equipes de trabalho. Basta olhar para o lado para ver cores iguais, roupas iguais, ideias e pensamentos iguais – ambiente altamente tóxico para a evolução e a distribuição de conhecimento.

Imagem: Twitter

Comprovadamente, times diversificados têm uma visão mais abrangente e empática dos fatos e um poder de inovação maior que qualquer outro. Quando colocamos juntas, num mesmo propósito, pessoas de diferentes vivências, classes sociais, visões de mundo, gênero e cultura aumentamos exponencialmente a chance de um projeto urbano, produto ou serviço ser bem sucedido. É justamente na interseção entre diferenças e propósito comum que o melhor acontece.

Imagem: Love Mondays
Imagem: BBC

A teoria não é uma novidade, mas a prática vem ganhando força com a ascensão de iniciativas globais e grupos independentes. O Black Girls Code e o brasileiro Minas Programam são exemplos de movimentos de empoderamento da mulher negra num universo bem nichado e ainda hostil a elas, o da tecnologia. As iniciativas oferecem apresentação de conceitos em programação, treinamentos e qualificações para meninas que dificilmente encontrariam o mesmo espaço em outros lugares.

  
Organização norte americana Black Girls Code. Imagem: Good Black News
Reprodução: Revista Fórum. Imagem: Minas Programam

O próximo passo é colocar essas meninas e tantos outros grupos diversos para dentro das equipes e organizações que estão construindo e distribuindo o nosso futuro hoje. Só assim vamos começar a diminuir esse abismo e nos aproximar, um pouco mais, de um desenvolvimento mais sustentável, humano e próspero.