Esporte e Sustentabilidade: o jogo histórico de avanços e desafios

Dos antigos Jogos de Olímpia à Ação Climática Global: Qual é o verdadeiro papel do esporte diante da crise do planeta?
Miami, junho de 2026. Um árbitro de futebol somali desembarca com passaporte e visto em mãos. Seria o primeiro do seu país a atuar numa Copa do Mundo da FIFA, o que acrescentava uma robusta carga simbólica à sua viagem.
Omar Artan, no entanto, não conseguiu passar pela imigração. Foi barrado, interrogado durante 11 horas e retornou a Mogadíscio, sua cidade natal, onde uma multidão o aguardava em sinal de respeito e solidariedade.

Os antigos gregos teriam dificuldade para entender esse caso.
Antes dos Jogos de Olímpia era decretada uma trégua sagrada, chamada ekecheiria – basicamente um tratado de livre circulação que permitia a todos irem à Olímpia e retornarem aos seus lares sem temer as guerras entre as cidades-estados, que permaneciam suspensas naquele período. Uma solução de 2.800 anos para um problema que continua atual.
Guardado o contexto da época, podemos dizer que a conexão entre o esporte e as grandes questões que moldam e impactam a humanidade não é nova.
Pierre de Coubertin, ao reviver os Jogos Olímpicos no século XIX, sinalizou um largo caminho para o esporte como um todo, não apenas para o moderno Movimento Olímpico.
Cultura, educação, responsabilidade social, direitos humanos e princípios éticos estão na atual Carta Olímpica, que também situa o esporte “a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade”.
Atualmente, a abrangente e transversal sustentabilidade se propõe a acompanhar o esporte nessa jornada histórica de articular fatores sociais, econômicos e ambientais aos seus propósitos e objetivos. Entre avanços e desafios, a sustentabilidade vai ocupando espaços na forma de se pensar e fazer o esporte.
No Brasil, a legislação define o esporte como atividade de alto interesse social e orienta a utilização do esporte para promoção dos direitos humanos, da diversidade sociocultural e da sustentabilidade socioambiental.
Globalmente, a declaração da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta o esporte como um facilitador do desenvolvimento sustentável, colocando em perspectiva sua relação com todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Em meio a essa pauta gigante, a questão climática se apresenta como mais um desafio a ser enfrentado pelo esporte.
Esporte e Ação Climática
Enquanto Coubertin recriava os Jogos Olímpicos, cientistas descobriam que o dióxido de carbono (CO2) agravava o efeito estufa e que isso elevaria a temperatura no Planeta.
Mais de um século depois, esporte e ação climática finalmente se encontrariam. Em 2018, o Comitê Olímpico Internacional (COI), instituição, aliás, criada por Coubertin, uniu-se à Convenção do Clima da ONU e lançou o Esporte pela Ação Climática (Sports for Climate Action Framework).

A proposta é clara e envolve o alinhamento com limites de elevação da temperatura da Terra; a adaptação aos impactos das mudanças climáticas e, também, colocar o esporte e atletas a serviço do engajamento de comunidades, fãs e público em geral em ações climáticas.
O esporte começou a reagir e a incorporar novos modos de fazer eventos, treinos, competições, gestão, logística, compras, contratações.
Mensurar, reduzir e neutralizar emissões de carbono começou a ser parte da operação. Gerenciar resíduos, adotar a economia circular, plantar árvores, cuidar de manguezais, eliminar plástico de uso único, implementar inovações de baixo carbono, repensar deslocamentos e pensar no ciclo de vida de equipamentos – novos desafios vão sendo incorporados à rotina das instituições e pessoas que lidam com o esporte.
O enfrentamento das mudanças climáticas, ou do “desafio definidor da nossa época”, tomando emprestadas as palavras do ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assume diferentes dimensões e proporções no mundo do esporte:
- O clube inglês de futebol Forest Green Rovers é carbono neutro desde 2017, com estádio 100% movido a energia renovável, cardápio vegano e compensação de carbono embutida em cada ingresso.
- A Fórmula 1 adotou combustível 100% sustentável em todos os carros, uma meta definida pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em 2020.
- Na cidade de Franca (SP), o Instituto Chuí desenvolve um programa chamado Esporte pelo Clima, com ações de educação climática e compensação de emissões de torneios de basquete.
- No litoral paulista, o Iate Clube de Santos, dedicado à modalidade esportiva vela, obteve a certificação internacional Bandeira Azul, que inclui entre seus critérios oficiais a meta de neutralidade de carbono.
- Na capital paulista, está em formação o Movimento Esporte & Clima, para promover a agenda brasileira que une o esporte e a ação climática com participação de diferentes atores, não apenas do segmento esportivo.

A agenda climática, portanto, inaugurou um vasto campo de atuação para o esporte aprofundar a sua relação com a sustentabilidade.
Mais rápido, mais alto, mais forte
Sobre o esporte, portanto, recaem responsabilidades que vão muito além da emoção e do encantamento que ele precisa proporcionar para as pessoas.
O esporte precisa estar “a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade”, servir como um “facilitador do desenvolvimento sustentável” e contribuir para engajar as pessoas na ação climática.

E fazer tudo isso no ritmo do lema olímpico – citius, altius, fortius, porque os desafios atuais enfrentados pelas pessoas e pelo planeta exigem respostas rápidas, elevadas e fortes.
No fim, a pergunta talvez não seja apenas o que o esporte pode fazer pela sustentabilidade. Mas, também, o que a sustentabilidade pode fazer para que o esporte cumpra todas as responsabilidades que lhe foram atribuídas.
Estamos prontos para esse jogo?

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Saiba como colocá-lo nas referências:
PATRICIO, Sandra Di Croce. Esporte e Sustentabilidade: o jogo histórico de avanços e desafios. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2026/10/esporte-e-sustentabilidade-o-jogo-historico-de-avancos-e-desafios.html>.
Referências e Sugestões de Leitura:
- BRASIL. Lei nº 14.597, de 14 de junho de 2023. Institui a Lei Geral do Esporte. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 15 jun. 2023. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2023/lei/l14597.htm.
- COMITÊ OLÍMPICO INTERNACIONAL. Olympic Charter. Lausanne: IOC, 2024. Disponível em: https://www.olympics.com/ioc/olympic-charter.
- MARTINS, N. V. de C.; NASCIMENTO, A. S.; LORENZO, H. C. de. Programa esporte pelo clima: experiências de educação climática no contexto do basquete. Letramento Socioambiental, v. 3, n. 2, p. 368-385, 2025. Disponível em: https://zenodo.org/records/17409301.
- ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Brasília: ONU Brasil, 2015. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/91863-agenda-2030-para-o-desenvolvimento-sustent%C3%A1vel.
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Este artigo foi elaborado com o auxílio de inteligência artificial Claude (Anthropic) para pesquisa e apuração de dados.