Esporte e Sustentabilidade: o jogo histórico de avanços e desafios

Dos antigos Jogos de Olímpia à Ação Climática Global: Qual é o verdadeiro papel do esporte diante da crise do planeta?

Miami, junho de 2026. Um árbitro de futebol somali desembarca com passaporte e visto em mãos. Seria o primeiro do seu país a atuar numa Copa do Mundo da FIFA, o que acrescentava uma robusta carga simbólica à sua viagem.

Omar Artan, no entanto, não conseguiu passar pela imigração. Foi barrado, interrogado durante 11 horas e retornou a Mogadíscio, sua cidade natal, onde uma multidão o aguardava em sinal de respeito e solidariedade.

Omar Artan, árbitro somali barrado nos EUA na Copa do Mundo FIFA 2026. Um lembrete da dimensão social na relação entre esporte e sustentabilidade. Foto: Wikimedia Commons.

Os antigos gregos teriam dificuldade para entender esse caso.

Antes dos Jogos de Olímpia era decretada uma trégua sagrada, chamada ekecheiria – basicamente um tratado de livre circulação que permitia a todos irem à Olímpia e retornarem aos seus lares sem temer as guerras entre as cidades-estados, que permaneciam suspensas naquele período. Uma solução de 2.800 anos para um problema que continua atual.

Guardado o contexto da época, podemos dizer que a conexão entre o esporte e as grandes questões que moldam e impactam a humanidade não é nova.

Pierre de Coubertin, ao reviver os Jogos Olímpicos no século XIX, sinalizou um largo caminho para o esporte como um todo, não apenas para o moderno Movimento Olímpico.

Cultura, educação, responsabilidade social, direitos humanos e princípios éticos estão na atual Carta Olímpica, que também situa o esporte “a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade”.

Atualmente, a abrangente e transversal sustentabilidade se propõe a acompanhar o esporte nessa jornada histórica de articular fatores sociais, econômicos e ambientais aos seus propósitos e objetivos. Entre avanços e desafios, a sustentabilidade vai ocupando espaços na forma de se pensar e fazer o esporte.

No Brasil, a legislação define o esporte como atividade de alto interesse social e orienta a utilização do esporte para promoção dos direitos humanos, da diversidade sociocultural e da sustentabilidade socioambiental.

Globalmente, a declaração da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas (ONU) apresenta o esporte como um facilitador do desenvolvimento sustentável, colocando em perspectiva sua relação com todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

Em meio a essa pauta gigante, a questão climática se apresenta como mais um desafio a ser enfrentado pelo esporte.

Esporte e Ação Climática

Enquanto Coubertin recriava os Jogos Olímpicos, cientistas descobriam que o dióxido de carbono (CO2) agravava o efeito estufa e que isso elevaria a temperatura no Planeta.

Mais de um século depois, esporte e ação climática finalmente se encontrariam. Em 2018, o Comitê Olímpico Internacional (COI), instituição, aliás, criada por Coubertin, uniu-se à Convenção do Clima da ONU e lançou o Esporte pela Ação Climática (Sports for Climate Action Framework).

A proposta é clara e envolve o alinhamento com limites de elevação da temperatura da Terra; a adaptação aos impactos das mudanças climáticas e, também, colocar o esporte e atletas a serviço do engajamento de comunidades, fãs e público em geral em ações climáticas.

O esporte começou a reagir e a incorporar novos modos de fazer eventos, treinos, competições, gestão, logística, compras, contratações.

Mensurar, reduzir e neutralizar emissões de carbono começou a ser parte da operação. Gerenciar resíduos, adotar a economia circular, plantar árvores, cuidar de manguezais, eliminar plástico de uso único, implementar inovações de baixo carbono, repensar deslocamentos e pensar no ciclo de vida de equipamentos – novos desafios vão sendo incorporados à rotina das instituições e pessoas que lidam com o  esporte.

O enfrentamento das mudanças climáticas, ou do “desafio definidor da nossa época”, tomando emprestadas as palavras do ex-secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, assume diferentes dimensões e proporções no mundo do esporte:

  • O clube inglês de futebol Forest Green Rovers é carbono neutro desde 2017, com estádio 100% movido a energia renovável, cardápio vegano e compensação de carbono embutida em cada ingresso.
  • A Fórmula 1 adotou combustível 100% sustentável em todos os carros, uma meta definida pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em 2020.
  • Na cidade de Franca (SP), o Instituto Chuí desenvolve um programa chamado Esporte pelo Clima, com ações de educação climática e compensação de emissões de torneios de basquete.
  • No litoral paulista, o Iate Clube de Santos, dedicado à modalidade esportiva vela, obteve a certificação internacional Bandeira Azul, que inclui entre seus critérios oficiais a meta de neutralidade de carbono.
  • Na capital paulista, está em formação o Movimento Esporte & Clima, para promover a agenda brasileira que une o esporte e a ação climática com participação de diferentes atores, não apenas do segmento esportivo.
Em Franca, interior do Estado de São Paulo, torneio de basquete promovido pelo Instituto Chuí de Esportes em parceria com a prefeitura adota estratégia de neutralização de emissões. Imagem: Instituto Chuí de Esportes.

A agenda climática, portanto, inaugurou um vasto campo de atuação para o esporte aprofundar a sua relação com a sustentabilidade.

Mais rápido, mais alto, mais forte

Sobre o esporte, portanto, recaem responsabilidades que vão muito além da emoção e do encantamento que ele precisa proporcionar para as pessoas.

O esporte precisa estar “a serviço do desenvolvimento harmonioso da humanidade”, servir como um “facilitador do desenvolvimento sustentável” e contribuir para engajar as pessoas na ação climática.

Crianças da modalidade basquete participam de ação climática na cidade de Franca durante mutirão inspirado pela COP 30. Foto: Instituto Chuí de Esportes.

E fazer tudo isso no ritmo do lema olímpico – citius, altius, fortius, porque os desafios atuais enfrentados pelas pessoas e pelo planeta exigem respostas rápidas, elevadas e fortes.

No fim, a pergunta talvez não seja apenas o que o esporte pode fazer pela sustentabilidade. Mas, também, o que a sustentabilidade pode fazer para que o esporte cumpra todas as responsabilidades que lhe foram atribuídas.

Estamos prontos para esse jogo?

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PATRICIO, Sandra Di Croce. Esporte e Sustentabilidade: o jogo histórico de avanços e desafios. Autossustentável. Disponível em: <https://autossustentavel.com/2026/10/esporte-e-sustentabilidade-o-jogo-historico-de-avancos-e-desafios.html>.

Referências e Sugestões de Leitura:

Declaração de Transparência sobre Uso de Inteligência Artificial
Este artigo foi elaborado com o auxílio de inteligência artificial Claude (Anthropic) para pesquisa e apuração de dados.

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