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Uma Baía de Guanabara que você nunca viu

Documentário mostra a vida marinha que resiste na Baía de Guanabara, apesar de sua poluição

A Baía de Guanabara não está morta. Pelo contrário, debaixo de suas águas poluídas, há verdadeiros santuários marinhos. Raias, corais, botos, caranguejos, polvos e tartarugas lutam diariamente para sobreviver em meio a poluição.

Baía Coral
Imagem: Divulgação
Baía - Tartaruga
Imagem: Divulgação

O biólogo marinho e cineasta brasileiro Ricardo Gomes encarou a missão de revelar tesouros nunca antes filmados. Ao longo de um ano e meio, durante 40 dias, em mergulhos em diversos pontos da Baía, Ricardo registrou as mais diversas espécies de vida marinha, como peixes, raias e até mesmo lulas e cavalos-marinhos. Algumas delas em risco de extinção.

Baía Urbana
Imagem: Divulgação
Imagem: Divulgação

Dos seus registros, nasceu o documentário Baía Urbana. Com 73 minutos, o documentário mostra um lado pouco conhecido da Baía de Guanabara, cuja poluição cotidiana de esgotos e de lixo acaba ganhando mais repercussão internacional do que suas resistentes maravilhas.

Entre as maiores riquezas mostrada no documentário, está a diversidade de raias, um dos principais atrativos do turismo subaquático do mundo. Hoje, na Baía, há sete espécies formalmente registradas em publicações científicas, o que coloca a Baía de Guanabara como a sexta do mundo e a primeira do Brasil com a maior biodiversidade de elasmobrânquios (grupo que reúne raias e tubarões), segundo uma pesquisa feita pelo Instituto de Biologia da UFRJ.

Baía urbana raia
Imagem: Divulgação

Veja o trailer do documentário:

A relação de Ricardo com a Baía começou quando ele foi morar no bairro do Flamengo, em 1981. À época, ele costumava nadar por ali. Dez anos depois, viveu de pescar garoupas, que eram vendidos em feiras.

Ao contrário do que diz a crença popular, as águas da Guanabara não são inóspitas, elas ainda são o lar de uma rica biodiversidade, embora não se saiba por quanto tempo a resiliência dos seres vivos aguentará. A Baía de Guanabara ainda respira.

O fato é sua despoluição é necessária para manter viva sua rica biodiversidade marinha, da qual dependem milhares de pescadores. Estima-se em mais de 20 mil pescadores que dependem dela para sua sobrevivência. Porém menos de 20% de suas águas são apropriadas para a pesca atualmente.

Baía Mare Poluicão

São 465 toneladas de esgoto por dia jogado todos os dias na Baía pelos seus 16 municípios do entorno. Deste total, apenas 68 toneladas são tratadas. Além de esgoto, o lixo industrial líquido é responsável pela poluição provocada por substâncias tóxicas e metais pesados nas águas da Guanabara.

Baía Urbana

Ricardo chama a Baía de “Amazônia azul” ou a floresta amazônica submersa. Por meio do documentário, ele espera levar as atenções para as maravilhas da vida marinha e levar sociedade civil e governos à ação.

Baía_de_Guanabara_vista_do_alto_do_Corcovado

Com informações: Instituto Mar Urbano, Museu do Amanhã, ONU, O GloboProjeto Colabora

 

 

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