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Informação (correta) é poder! O direito à informação que garante o poder de decisão

Nos últimos meses a mídia tem acompanhado dois debates calorosos no Congresso Nacional: a alteração da lei de biossegurança (transgênicos) e o projeto de lei que normatiza a venda de orgânicos.

Em ambos os casos pipocaram opiniões e informações de todos os lados, algumas inclusive gerando confusão e sentimento de revolta. Isto ilustra o fato de como a manipulação de informações pode afetar nossa capacidade de decisão.

Imagem: Creative Commons

É comum encontrarmos nas mídias sociais as seguintes frases: “fulano não me representa” ou “beltrano me representa”. Quando falamos em leis, o principal objetivo do Congresso Nacional é produzir as leis que nos representam. Toda a legislação de um período histórico deve representar a vontade da sociedade naquele momento. E é preciso admitir que hoje, ou pela imensidão deste país, ou pela falta de diálogo generalizado (todos estamos falando sozinhos na maior parte do tempo) ou ainda pela má decisão no momento das urnas, as leis não refletem mais a vontade do povo.

Outra dura verdade é a constatação de que estamos reféns de notas e opiniões classificadas como informação. Cada divulgação representa apenas parte de uma questão e para podermos decidir efetivamente, precisaríamos de muito mais informação. A informação é um direito humano, ou seja, vale mais que todas as outras leis, deve ser respeitado e sua aplicação garantida. Contudo, com fragmentos de informação misturados com fakenews, nenhum de nós será capaz de decidir com plenitude.

Fake news
Imagem: Creative Commons

Para ilustrar, vou relatar uma pequena pesquisa informal que fiz nos últimos dias relacionada à alteração da lei de biossegurança (transgênicos) e ao projeto de lei que normatiza a venda de orgânicos.

Com relação ao Projeto de Lei nº 34/2015,
que “Altera a Lei de Biossegurança para liberar os produtores de alimentos de informar ao consumidor sobre a presença de componentes transgênicos quando esta se der em porcentagem inferior a 1% da composição total do produto alimentício”
Uma amiga, que se manifestou muito sobre isso no Facebook, foi questionada por mim em uma pausa para um café: “Você costuma buscar pelo T indicativo de transgênicos nas embalagens antes de comprar um produto?”.
E a resposta foi: “Tem marcas que eu gosto e que colocam o T na embalagem, mas eu já estou acostumada com aquele produto…” .
Ao que repliquei: “Mas então você não se importa em ingerir transgênicos?”
E ela: “Não! Não quero transgênicos na minha alimentação!”

Com relação ao projeto de lei que normatiza a venda de orgânicos,  também na hora do cafezinho, questionei uma segunda amiga sobre os orgânicos: “Você costuma comprar orgânicos? De quem você compra?” .
E ela respondeu: “Orgânico eu compro morangos e pimentões, porque são os campeões de agrotóxicos, mas os outros alimentos compro os normais.”.
Então perguntei: “Mas você compra os orgânicos onde?”.
E ela: “No supermercado.”.

Em ambos os casos podemos observar uma falha de informação ou de decisão. O que ocorre é que estamos dependendo de alguém que nos diga que tipo de alimento ingerir e este alimento ideal deve ser da marca que simpatizo e estar no local mais prático onde encontro de tudo um pouco.

Labirinto
Imagem: Creative Commons

Talvez precisemos de um pouco mais de esforço genuíno para chegarmos ao ponto de poder escolher conscientemente não apenas o que comer, mas também os nossos representantes. Pois a marca que você gosta, te representa, mesmo com o T de transgênico estampado; e os supermercados não são os maiores representantes dos produtos in natura.

A verdadeira informação a que temos direito deve vir de fonte segura, deve nos dar certezas sobre conteúdo, a fim de que possamos decidir e nos manifestar sobre aquilo que efetivamente queremos.

Informação
Imagem: Creative Commons

Para começar, familiarize-se com o tramite das leis e saiba quem está propondo exatamente o quê. Acesse os sites da Câmara dos Deputados e do Senado e busque as propostas e proposições do seu representante, aquele em quem você votou há alguns anos.

Só por curiosidade, o deputado Tiririca, apresentou mais de 30 projetos de lei que visavam a melhora das condições da classe circense e da atividade dos circos. Ao que verifiquei, ele está fazendo exatamente o que se propôs.

Para saber mais sobre os projetos de lei citados acesse:
Alteração da Lei de Biossegurança – clique aqui
Alteração das regras de venda de produtos orgânicos – clique aqui 

Acesse os sites da Câmara dos Deputados (clique aqui) e do Senado(clique aqui).

 

 

 

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