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Precisamos criar propostas e projetos!

Após a maior tragédia científica nacional, o incêndio no Museu Nacional no Rio de Janeiro, fiquei me perguntando: “O que podemos fazer para que os espaços púbicos tenham mais incentivo de público, de valorização e de financiamentos?”.

Fachada Museu Nacional
Museu Nacional do Rio de Janeiro. / Imagem: UFRJ

Desde a graduação me envolvi com a pesquisa. Sou uma eterna estudante e não pretendo parar. A pesquisa científica traz oxigênio para qualquer área do conhecimento, motiva, produz inovação e crescimento. Lembro como se fosse hoje do dia em que recebi o valor da primeira bolsa de iniciação científica: R$ 241,30, em 1998. Naquela época equivalia ao valor de uma disciplina da graduação e a minha obrigação era dedicar 20 horas por semana à pesquisa.

Para conseguir uma bolsa, menos de 1 ano após iniciar os estudos de Direito, precisei fazer parte de um grupo de estudos sobre direitos humanos e suas garantias fundamentais. No decorrer da graduação a pesquisa se estendeu para direito ambiental e ao final inclusive direito indígena. Estávamos analisando a possibilidade de criação de uma área de conservação e encontramos uma tribo indígena dentro da área pretendida.

Bacia do Rio Camaquã
Região da Bacia do Rio Camaquã. / Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Foram 4 anos e meio de estudos, de visitas de campo junto com os alunos de biologia, geologia, economia, administração. Entrevistei muitas pessoas, moradores da região, e descobri o que era ITR (Imposto Territorial Rural), e também que muitos deles não tinham CPF ou título de propriedade da terra.

 Visita campo
Pesquisa realizada na região da Bacia do Rio Camaquã. / Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

A cada semestre era necessária a apresentação de resultados parciais de pesquisa, perante uma banca de professores do CNPQ. Com a pesquisa aprendi muito mais do que Direito, aprendi muito sobre transdisciplinaridade, sobre convivência, sobre administrar tempo e prestar contas, sobre responsabilidade, sobre organizar eventos e ideias e saber apresentá-las.

Vida acadêmica
Meu orientador Dr Anderson Cavalcante Lobato. / Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Enquanto via as imagens do incêndio no Rio, me vinham as imagens das viagens, das premiações, dos muitos e muitos dias na biblioteca da Universidade. E voltou um sentimento, como uma faísca que se acende, de que temos muito ainda a propor e a apresentar para contribuir com nosso país e com a ciência.

Já ouvi de um funcionário de Recursos Humanos que eles possuíam verbas disponíveis para financiamento de projetos, mas não havia candidatos. Quando passo por um centro histórico, seja em Santos, São Paulo, Porto Alegre ou em Salvador, fico pensando que deveríamos apresentar projetos para revitalização das construções antigas (algumas tombadas como patrimônio histórico, cultural, arquitetônico). Isso martela na minha mente: vamos criar projetos! Vamos afogá-los de projetos!

Todos os envolvidos com educação, cultura, meio ambiente e iniciativas sociais, em algum momento já colocaram no papel algum projeto. Claro que há algumas burocracias, mas o que precisamos agora são pessoas dispostas a colocar as boas ideias e as necessidades dos espaços públicos no papel.

Projetos
Imagem: Creative Commons

No último mês celebramos o mês do voluntariado. E porque não encontrar um grupo com boas ideias que só precisa de alguém que saiba como formalizar, propor e apresentar um projeto?

Ou, se você tem boas ideias, procure pessoas que possam ajudá-lo a executá-las!

Pense
Imagem: Creative Comons

Tire uns minutinhos para pensar: “Em que área eu posso ser útil? Como posso ajudar?”. Este país lindo é nosso. Os espaços públicos precisam da nossa presença, do nosso olhar cuidadoso, do nosso dedinho de cooperação.

 

 

 

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