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Black Friday e Consumo Desenfreado: Qual legado da nossa geração?

Hoje é dia de Black Friday [1]! Difícil resistir a tamanha tentação? Calma, respira! Vamos conversar um pouco antes de você lotar seu carrinho de compras com produtos e objetos que talvez não sejam realmente necessários à sua vida.

Poderia começar falando sobre os R’s da Sustentabilidade, porém, como o argumento monetário move grande parcela da população hoje, é melhor começar esse nosso papo alertando para as propagandas enganosas.

Cuidado com as ofertas encontradas por aí. Infelizmente, não é difícil se deparar com empresas que se utilizem de práticas para tentar iludir o consumidor de que o determinado produto está sendo vendido mais barato por conta do Black Friday. A dica é, se você realmente precisa de determinado produto, verifique sites que comparem preços do produto que você necessita em diversas lojas. Alguns sites como Bondfaro, Buscapé e Zoom também oferecem o histórico de preços do produto, evitando que você seja iludido e compre um produto por valor mais alto do que em períodos normais.

Mas qual a relação entre Black Friday e reciclagem?

Períodos de consumo em massa e de maneira desenfreada como a Black Friday, costumam gerar quantidades de resíduos sólidos urbanos exorbitantes. E para onde essa montanha de resíduos vai? O que acontece com as embalagens formadas por plástico, papelão, isopor? E com os produtos antigos que são descartados? Se você optou por trocar de aparelho celular, o que fez com o antigo? Se renovou algumas peças do guarda-roupa, o que fez com as peças de roupa que não tinham mais utilidade para você?

Ainda é comum que as pessoas achem que depois que “jogam fora” seu lixo, o problema desaparece. Assim pensam os consumidores que não despertaram a consciência de que não existe o “fora”, todos os resíduos produzidos por nós, mesmo saindo do alcance dos nossos olhos, continuam sendo um grande problema.

Imagem: Pinterest
Imagem: Pinterest

Com o avanço tecnológico, novos produtos surgem cada vez mais rápido, abreviando a vida útil dos que já possuímos. Além dessa velocidade maior de consumo-descarte, novos tipos de resíduos surgem, o que torna a questão da deposição de resíduos ainda mais difícil para se resolver.

Vivemos em um mundo cada vez mais urbanizado, projeções elaboradas pela Organização das Nações Unidas – ONU (2008) alertam para a intensificação da urbanização nas próximas décadas, de acordo com a mesma, em 2050 a média mundial de urbanização alcançará os 45%. No Brasil, segundo Nobre et al. (2010), mais de 80% da população vive em áreas urbanas e como consequência do avanço da urbanização podemos observar o surgimento de problemas como a desigualdade social e a degradação ambiental.

Imagem: Creative Commons

Tendo isso em mente, é imperativo que tomemos consciência de que o consumo impensado pode gerar consequências nefastas para nossa qualidade de vida enquanto sociedade e para o planeta. Por isso, antes de efetivar o ato da compra repense! O produto que você deseja adquirir realmente vale o custo-benefício? Não apenas pelo valor monetário, mas, principalmente, pelo impacto que ele vai causar ao planeta e à sua vida? Reduza! Sim, reduza a quantidade de celulares comprados por ano, reduza comprar vários produtos de um mesmo modelo em cores diferentes. Reduza a velocidade de consumo-descarte. Repare! Nossos avós costumavam ter as determinados produtos por longos períodos, porque tinham a cultura do reparo. Aquele aparelho quebrou? Será que não dá para consertar? Aquela blusa rasgou? Será que não dá para costurar? Reutilize! Produtos e embalagens podem adquirir novas funções de uso se tivermos vontade e imaginação. Recicle! Antes de jogar tudo fora da maneira tudo junto e misturado, dedique alguns minutos do seu dia a separar seus resíduos sólidos. Separe o lixo orgânico do lixo seco: restos de comida em uma lixeira e embalagens, garrafas e recipientes em outro (e não se esqueça de limpar as embalagens com água corrente para retirar os resíduos de produtos).

Pode parecer coisa boba, mas seguir esses passos ajudará não apenas a melhorar sua qualidade de vida, mas de toda a comunidade ao seu entorno.

 

[1] Data importada diretamente da cultura americana. Ocorre imediatamente após o Thanksgiven – Dia de Ação de Graças nos EUA, inaugurando a temporada de compras natalinas.

 

 

 

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2 comentários

  1. Se depender de mim a black friday acaba pq evito de comprar essas tralhas . Prefiro coisa antiga além de que coisa nova só dá aborrecimento. Vem com defeito, escangalha logo, fora os sites que omitem informações e a pessoa acaba levando gato por lebre.

  2. Parabéns pelo texto, Nathália!

    Infelizmente vivemos numa sociedade orientada para o consumo e o brasileiro, mais do que muitos outros povos, adora uma promoção ou um desconto.

    É uma pena viver em um dos países com umas das maiores riquezas naturais do mundo e ver a sua população tão iludida, consumindo de forma desenfreada.

    A desigualdade social desenvolveu no brasileiro esse hábito ruim de comprar quando a oportunidade aparece, mesmo que não se precise. Em contrapartida, o mundo corporativo também se aproveita dessa data comemorativa americana para manipular a massa.

    Muitas empresas se dizem preocupadas com a sustentabilidade e meio ambiente mas poucas fazem realmente alguma coisa a respeito. Uma empresa de artigos esportivos chamada CURTLO parou de vender na Black Friday como forma de apoiar o consumo consciente.

    https://www.facebook.com/curtlobr/photos/a.192799467422085/2621943661174308
    https://www.instagram.com/p/B5cqZi5lbPC

    Se alguém souber de mais empresas responsáveis, postem aqui para que outras pessoas também tomem conhecimento!

    Um abraço a todos!

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