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Sustentabilidade e finanças? Essa combinação que é possível!

Podem as finanças e a sustentabilidade coexistirem? Mais e mais investidores institucionais – bancos, gestores de ativos, fundos de pensão e afins – acreditam que sim.  É isso que diz o 2018 Global Sustainable Investment Review, publicação que a Global Sustainable Investment Alliance, uma aliança global de organizações nacionais de investimento sustentável, lança a cada dois anos.

O relatório compila o número de “investimentos sustentáveis” em diversas regiões do globo, como América do Norte, Europa, Oceania e Japão, e analisa suas tendências de alta e baixa, além de proporção em comparação com “investimentos tradicionais”. Por “investimentos sustentáveis”, entendem-se diversas estratégias e ações que esses investidores executam para direcionar os seus recursos, tais como filtros negativos (não investir em setores “sujos”), integração ASG (colocar questões sociais, ambientais e de governança na análise e decisão de investimento) ou mesmo investimento de impacto (direcionar seu investimento em empreendimentos com impacto socioambiental positivo).

União
Imagem: Creative Commons

De acordo com a organização, nos últimos 2 anos, houve um crescimento absoluto de 34% de investimento sustentável no mundo, alcançando a expressiva cifra de US$ 30 trilhões. De todo o mundo, o Japão é o local com crescimento mais expressivo, 307% – ou um aumento de 4x do total de investimento sustentável que tinha há 2 anos. Isso o posiciona como o terceiro local do mundo com mais investimento sustentável, somente atrás da União Européia e dos Estados Unidos.

 

Crescimento
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Proporcionalmente, o destaque vai para a Austrália, que contabiliza mais de 70% dos seus investimentos como sustentáveis. Significa dizer que a cada 1000 dólares investidos no país da Oceania, 700 dólares passaram por um crivo mínimo que garante direcionamento mais sustentável social e/ou ambientalmente.

E a expectativa da instituição é que esse crescimento continue em todas essas regiões do mundo, e também nas demais, como aqui, na América Latina. Eles mostram que há um sem número de novas legislações ou políticas públicas que incentivam (ou mesmo obrigam) que esses investidores institucionais hajam de forma crescentemente mais sustentável.

Investimentos
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A União Européia, por exemplo, aprovou no início desse ano o Sustainable Finance Action Plan, documento que cria definições e que estabelece o dever do investidor de levar a sustentabilidade em conta em suas decisões de alocação de recursos. No Brasil, a publicação cita algumas ações pontuais dos últimos 2 anos, talvez a mais significativa sendo a criação e continuidade das discussões do Laboratório de Inovações Financeiras (LAB), iniciativa do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), ABDE (Associação Brasileira de Direito e Economia) e CVM (Comissão de Valores Mobiliários) para discutir inovações financeiras relacionadas à sustentabilidade.

Falar de finanças e sustentabilidade para muitos leitores pode parecer um contrassenso, em especial aqueles que advogam por um ecossocialismo ou afins. Contudo, são inegáveis os esforços de um sem número de profissionais e organizações que concordam que o estágio de desenvolvimento social e de preservação ambiental em todo o mundo devem ser prioridades em nossa sociedade, mas desejam atacar essas questões de dentro do próprio sistema capitalista.

Quebra-cabeça
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Ainda que essas ações possam não ter o alcance (ou mesmo o efeito de comunicação) de uma revolução completa de nosso sistema político-econômico-social, é cada vez maior o consenso de que a sustentabilidade tem que estar no coração da estratégia de investidores institucionais. E, estando no capitalismo, se mexemos com quem dá o dinheiro, mexemos no sistema como um todo.

Que esse estudo seja de fato um indício que essa estratégia é exitosa e efetiva.

 

 

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