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O que a nova geração pode nos ensinar sobre a urgência de ações pelo clima?

A frase “Nós nunca perdoaremos vocês!” tem ecoado na minha memória desde que Greta Thunberg falou na Cúpula do Clima da ONU. Naquele momento ela estava se dirigindo aos líderes globais ali reunidos, nossos representantes. E ela representava muitos, mas não através do voto. Ela foi aclamada líder pelos seus representados? Também não. Ela estava naquele momento cumprindo seu papel social.

Imagem: Creative Commons

Uma menina falando na ONU. Uma menina jovem falando na ONU. Uma menina jovem autista falando na ONU. Uma menina jovem autista falando com propriedade na ONU. Uma menina jovem autista falando com propriedade e consciência social na ONU.

Definitivamente ela causou impacto e as pessoas não estão sabendo lidar com isso. Ela só tem 16 anos, mas como ela própria afirmou, é uma sortuda. O acesso que ela tem à informação na palma da mão é muito maior do que jamais poderíamos imaginar quando começamos a ter conhecimento sobre mudanças climáticas.

Imagem: Lucas Jackson/ REUTERS. Reprodução: O Globo

Ao comentar sobre ela com um amigo ele retrucou: o que acho mais estranho é uma jovem ter esse tanto de conhecimento e permitirem que ela fale num ambiente de “raposas velhas”. Em que pese ela viva em um país que privilegia a educação e a autonomia do ser humano desde muito cedo, a internet possibilita sim que uma jovem adolescente possa passar seus dias tendo acesso a muita informação e conhecimento científico.

Como ela conseguiu se inserir em um mundo de players políticos de alto escalão? Ela ousou dizer o que todos já sabíamos e que muitos estudantes de direito levam anos para entender: vocês criam textos lindos, mas eles não se convertem em ação. Vocês escrevem sobre princípios constitucionais, valores da sociedade de um país, mas vocês não os respeitam e nem os priorizam. Vocês querem que todos cumpram, mas vocês não acreditam neles.

E assim são os autistas. Eles não têm o bloqueio da opinião alheia que a maioria dos que estão fora do espectro autista tem. Empatia e vergonha são emoções que nos bloqueiam afala e a ação.  Mas um autista não possui essas características, que são tão desenvolvidas no trato social. Eles têm uma característica que especialmente encanta todos aqueles que convivem com eles: verdade. Não há simulação; o que é, é. O chefe do Departamento de tratamento de autismo do Hospital de Clínicas de Porto Alegre explica: “Um autista jamais vai trapacear ou enganar alguém. Não porque ele não quer. Mas simplesmente porque não sabe, não faz parte do DNA dele.” Eles também possuem um hiperfoco, ou seja, quando algo chama a sua atenção, eles se dedicarão àquilo de modo intenso, completo e incansável.

O fato de uma jovem mulher autista questionar nossas decisões, enfiar o dedo na moleira e nos ameaçar de dormirmos para sempre com a consciência pesada (pois a próxima geração nunca nos perdoará), é isso que tem incomodado muita gente. Ela está cumprindo seu papel social: recebeu educação de alta qualidade, tem conhecimento do assunto e teve acesso aos holofotes. E continua, pois juntamente com outros jovens, exerceu seu direito e protocolou uma reclamação junto à ONU.

Imagem: Creative Commons

Mas e nós? O que sabemos sobre a solidariedade entre gerações? Estamos informados sobre o que diz a nossa constituição? Estamos cientes do conteúdo dos documentos internacionais sobre mudanças climáticas? Realmente estudamos e pesquisamos sobre o assunto antes de apregoar ao mundo a nossa humilde opinião? Já pensamos qual é o nosso papel na sociedade em que vivemos (família, bairro, cidade, estado, país, mundo)? Quais valores estamos priorizando em nossas escolhas diárias? Como isso se reflete no mundo ao nosso redor?

A garotinha de 16 anos que ousou fazer isso está olhando para você e questionando: como você se atreve?

Para saber mais sobre ela, dê um google no nome dela. A imprensa do mundo inteiro tem informações interessantes para você.

Para assistir ao discurso completo dela na ONU com legendas em português, clique aqui.

Para assistir ao vídeo de análise de linguagem comportamental da Greta durante o discurso na ONU, clique aqui.

Para acessar a matéria da Folha de São Paulo que trata sobre o modelo dos países nórdicos onde as crianças aprendem a valorizar a coletividade deixando a preocupação com dinheiro em segundo plano, clique aqui.

Para acessar a reportagem da Revista Exame que conta um pouco da história de Greta, clique aqui.

 

 

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