Consumo

Quando a sustentabilidade faz o dinheiro ficar mais barato!

Uma empresa tem basicamente três formas principais de conseguir dinheiro pra continuar operando: reinvestindo o lucro de suas operações; vendendo uma parte da própria empresa (colocando ações pra vender na bolsa ou vendendo uma porcentagem da empresa pra algum investidor); ou pedindo emprestado (pra um banco, vários bancos, investidores). Isso não é novidade. A novidade é que a sustentabilidade pode tornar esse dinheiro bem mais barato para as empresas!

Estou falando de uma nova modalidade de financiamento que tem crescido assustadoramente no exterior e que começa a chegar no Brasil: o Empréstimo ASG (tradução livre de “ESG-linked loan”). O Empréstimo ASG nada mais é que a vinculação da taxa de juros de um empréstimo em taxas inversamente proporcionais ao cumprimento de metas de sustentabilidade por parte do tomador do crédito.

Ficou confuso? Explico: a Indústria Seu Manuel precisa de R$ 100 milhões pra construir uma nova fábrica. Ela vai falar com o Banco Porquinho Feliz. O Banco Porquinho Feliz fica, bem, feliz em emprestar os R$ 100 milhões e propõe que o seu Manuel pague de volta o empréstimo apenas daqui a 3 anos. Mas estamos falando aqui de um empréstimo e um empréstimo sempre tem juros! Pense que os juros são a remuneração que o Banco Porquinho Feliz vai ter por emprestar esse dinheiro ao Seu Manuel – eles estão literalmente vendendo dinheiro e querem um lucro pra essa operação. Então, eles combinam com o Seu Manuel que, daqui a 3 anos, ele não pagará R$ 100 milhões, mas,  sim, R$ 110 milhões; ou seja, uma taxa de juros de 10%, que será o “lucro” do Banco Porquinho Feliz.

Imagem: Creative Commons

E por que existe essa taxa de juros? Bem, primeiro porque o Banco tem que ter alguma motivação para emprestar seu dinheiro (senão eles colocariam em algum outro lugar melhor, ou mesmo gastariam comprando bacon, sei lá). Mas também porque há sempre uma chance da Indústria Seu Manuel dar um calote e não pagar esse dinheiro no futuro. Pode ser que a Indústria não consiga crescer e tenha problemas financeiros.  Pode ser que eles tenham outras dívidas e tenham que gastar o dinheiro com elas. Ou pode ser que o Seu Manuel é apenas caloteiro. Não importa: se o Banco empresta dinheiro pra alguém, tem que checar o risco desse alguém não pagar de volta. Quanto maior o risco, mais “caro” o dinheiro pra essa instituição; quanto menor o risco, então, menor a taxa de juros.

Mas o Seu Manuel, além de bom pagador, é um cara sagaz. E, mais que isso, sustentável! Ele responde à proposta do Banco Porquinho Feliz com o seguinte ponto: “Minha indústria é a mais sustentável do mercado. E eu quero ficar ainda melhor! Vou diminuir minhas emissões de gases, vou diminuir meu uso de água, vou melhorar as comunidades próximas à minha Indústria, vai ser lindo. Tenho metas ambiciosas e vou atingi-las… e se, caso eu atinja todas essas metas sustentáveis, ao invés de ter que pagar R$ 110 milhões, eu tenha que pagar apenas R$ 107 milhões?”

É claro que o Banco Porquinho Feliz vai estranhar num primeiro momento. Mas o Seu Manuel começa a mostrar diversos estudos e constatações de que mais sustentabilidade requer melhor gestão e que tende a levar em melhores resultados. E é aí que está o pulo do gato: mais sustentabilidade é um risco menor ao Banco Porquinho Feliz! Que fica ainda mais feliz com a proposta e prontamente aceita.

E isso é um Empréstimo ASG: é vincular taxas menores de empréstimo ao quão melhor você for em temáticas de sustentabilidade. Claro que é um pouquinho mais complexo do que o que foi apresentado aqui, mas a lógica é essa. E esse é o motivo e a beleza de seu crescimento: pra que uma empresa se torne mais sustentável, TODA a empresa tem que ir nesse caminho. Todos têm que cooperar para cumprir as metas estabelecidas. E todos saem ganhando com os resultados. É dinheiro mais barato para o tomador. Menor risco pra quem empresta. E benefícios ambientais e sociais pra todo o planeta.

 

 

 

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