Educação

Como fazer uma doação e evitar desperdício?

A solidariedade é um valor que tem sido incentivado há muito tempo. Nos ajuda a lidar com a escassez, a pobreza e as injustiças sociais. Ser solidário passou a ser uma necessidade, mas basta ter boa vontade?

Faz quatro anos que ajudo uma amiga a cumprir uma promessa: fazer uma festa para crianças no dia 12 de outubro. Nos últimos anos temos visitado a mesma comunidade, próxima ao porto de Santos. No dia 11 sempre preparamos as comidas e no dia 12 a festa é montada para aproximadamente 40 crianças da comunidade.

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Durante o período da festa, como gosto de histórias, fui conversar com a senhora que cuida dos assuntos da comunidade. Eles têm uma área comum boa, construíram um pequeno salão, tem secretaria, cozinha. Neste local, os assuntos da comunidade são discutidos e resolvidos.

Imagem: Janaína Steffen – Autossustentável

Nem todos possuem o senso de respeito pela estrutura, comentou ela. Às vezes, as pessoas chegam na esquina e deixam uma compra de mantimentos de feira, cesta básica ou ainda outros itens doados. A família que ali mora costuma pegar o que “interessa” e jogar o restante fora. “Daí a importância de as pessoas saberem que a comunidade tem uma secretaria”, menciona ela.

O porto também tem entidades e comunidades cadastradas para doação dos alimentos que servem como amostra para testes de qualidade antes de entrarem no país. “Eles ligam e dizem: hoje temos maçã, a sra. quer vir buscar? Aí buscamos e quando chegamos noticiamos que quem quiser pode passar para pegar sua sacolinha”.

Mas ela contou que muito do que eles ganham acaba se tornando desperdício. Ou porque não foi entregue para a secretaria e foi parar no lixo, ou porque eles nem sabem comer aqueles alimentos. “Os moradores não conhecem ou não têm o hábito de comer aquilo, então não querem.”

O que ficou marcado para mim depois de falar com ela foi justamente a necessidade de sabermos o que a comunidade precisa. Não basta ter boa vontade e pensar que comprando o dobro na feira para compartilhar com alguém que esteja precisando já significa que cumpri o meu papel.

Para ajudar de verdade, precisamos primeiro perceber o outro, deixar ele se mostrar e descobrir o que ele realmente precisa.

Imagem: Creative Commons

É fato que muito preferem “não ter envolvimento” e apenas alcançar algo material. Mas a partir do momento em que você se permite olhar com respeito para o outro e descobri-lo, é muito provável que você consiga fazer algo de valor por aquele ser humano. É preciso conhecer para ajudar de verdade.

Carrego no meu coração a história de uma mulher incrível: Marli Medeiros – a Marli da Vila Pinto de Porto Alegre. Ela veio do interior do Rio Grande do Sul para a capital atrás de um ambiente melhor para as filhas dela. Vou deixar o link abaixo para que vocês possam ouvi-la contando a sua história. Infelizmente ela faleceu em 2018, mas ela me ensinou que ajudar não tem limites, pois para que as filhas delas tivessem um local bom para crescer, ela acabou gerando renda e autoestima para uma comunidade inteira! Aqueles que verdadeiramente ajudam, não entregam algo com as mãos, entregam com o coração. A Marli como uma ajudante da sua comunidade, não apenas construiu prédios e negócios, mas deixou um legado de doação e solidariedade.

Imagem: Creative Commons

Solidariedade, apesar de a palavra parecer com solidão, nada tem a ver com fazer sozinho ou fazer para aqueles que eu gosto. Doação, apesar de lembrar a entrega de algo, tem muito mais a ver com coração do que com um pacote ou uma sacola. E uma vida com propósito, com significado e com alegria certamente passa pela solidariedade e pela doação.

E nós? Até que ponto estamos disponíveis e dispostos a doar algo?

Para saber mais sobre a Marli da Vila Pinto – https://youtu.be/fpVGRYywaL0

 

 

 

Tags:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *