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Mindfulness: combatendo a ansiedade e praticando a Sustentabilidade

Vivemos uma época difícil, de uma hora para outra vimos nossos hábitos sendo modificados e nossa rotina ser interrompida, fomos desafiados a fazer adaptações para que pudéssemos passar por esse momento da forma mais responsável e menos caótica possível.

A humanidade que há muito vem sofrendo com uma ansiedade crescente, se viu precisando controlar seus pensamentos para poder manter a calma e repensar sobre como se reorganizar para passar por uma pandemia.

Imagem: Creative Commons

A meditação, é uma técnica milenar que pode nos auxiliar nesse período. É sabido que a técnica traz benefícios na vida do ser humano, sua prática surgiu ainda com povos primitivos que precisavam da observação e atenção plena para a realização de suas atividades. Por esse motivo, as práticas meditativas foram difundidas como forma de manter a mente saudável e tranquila, ou até mesmo para recuperar a saúde mental.

Assim nasce o mindfulness, em busca da necessidade de se manter atento e conectado com o presente, porém, de forma mais simples. A técnica, criada pelo professor americano Jon Kabat-Zinn (1982), como forma de reduzir o estresse, traz a atenção plena da prática meditativa para um contexto mais próximo de todos. Mindfulness significa “consciência plena” ou “atenção plena”, não é em si uma prática meditativa, mas sim, um estado da mente humana, consiste basicamente em manter a atenção no momento em que se está, para a prática é preciso estar atento de maneira constante no momento experienciado, desperto e sem julgamento.

Imagem: Doug Neil

Estar desperto é capaz de aumentar no ser humano o comprometimento com o momento presente, a empatia e a melhor compreensão dos problemas de uma forma geral. Uma melhor clareza da realidade pode gerar em todos um maior empenho com relação ao que se vive agora – perceber que somos responsáveis pelo meio em que vivemos e que ao invés de cuidar da natureza estamos destruindo-a e causando danos sem precedentes – é muito importante para que possamos buscar soluções.

Segundo Rattner, grande pensador do desenvolvimento, a sustentabilidade precisa ser vista como o princípio estruturador de um processo de desenvolvimento mais preocupado com o ser humano. Assim, poderia se tornar o fator mobilizador e motivador nos esforços da sociedade em busca da transformação das instituições sociais, dos padrões de comportamento e dos valores dominantes.

Dessa forma, é preciso entender que o que vivemos hoje é fruto das ações humanas e da falta de comprometimento com o planeta – a forma como produzimos e consumimos está desestabilizando a natureza desde sempre. Estamos presenciando, progressivamente, e de maneira mais agressiva os resultados dessa falta de cuidado, seja em grandes catástrofes ocasionadas pelo desequilíbrio ambiental, ou nos surgimentos de doenças que estão relacionadas também ao processo de degradação do meio ambiente. E essa degradação pode desencadear cada vez mais pandemias.

Imagem: Creative Commons

A prática do mindfulness pode trazer às pessoas nesse momento, mais do que o alívio à ansiedade agravada diante da pandemia, pode trazer consciência de que é preciso mudar a forma como vivemos e enxergamos o meio ambiente. Ora, se fomos capazes de mudar nossa rotina e alguns hábitos, por que não mudar para salvar o Planeta?

É imprescindível nos atentar para o fato de que o estado “normal” de vida, não é bom, nunca existiu e jamais voltará. As nossas vidas irão se reconfigurar, precisaremos nos tornar capazes de sentir empatia pelo outro e mudar nossos hábitos para fazer as pazes com o Planeta Terra. E aí, que tal praticarmos o mindfulness? Vamos despertar para o momento através da empatia com as gerações futuras e viver em mundo mais sustentável?

 

Referências:

  • ASSIS, D. de. Os benefícios da meditação: melhora na qualidade de vida, no controle do stress e no alcance de metas. Interespe: Interdisciplinaridade e Espiritualidade na Educação. ISSN 2179-7498, v. 1, n. 3, p. 73-83, 2013. Disponível em: http://ken.pucsp.br/interespe/article/view/17445/12968.
  • RATTNER, Henrique. Sustentabilidade – uma visão humanista. Ambiente & Sociedade, ano II – n° 5 – 2° semestre de 1999. Disponível em:  http://www.scielo.br/pdf/asoc/n5/n5a20.pdf.
  • VANDENBERGHE, L.; SOUSA, A. C. Mindfulness nas terapias cognitivas e comportamentais. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, 2(1), 35-44, 2006. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1808-56872006000100004.

 

 

 

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