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Transformando Problema em Solução: Produção de Energia a partir do Lixo. Conheça o Biogás!

Estão cada vez mais evidentes os impactos que causamos ao planeta e começamos a sentir mais intensamente as consequências desses impactos. Várias instituições e organismos internacionais vêm alertando, através de pesquisas nas mais distintas áreas e da divulgação de relatórios e estudos, sobre a aceleração das Mudanças Climáticas devido às ações antropogênicas.

Durante o período de isolamento social, é possível notar, mediante as várias matérias de diversos veículos de comunicação, como o planeta parece estar se recuperando da pressão que exercemos sobre ele: O Himalaia ficou visível para os indianos após 30 anos, os canais de Veneza estão com as águas mais claras e nítidas, animais selvagens circulam por cidades vazias devido ao isolamento social. O que pouco se tem falado é sobre a quantidade crescente de lixo gerado pelas pessoas durante esse período e sobre o consequente impacto do descarte incorreto.

Imagem: Creative Commons

Segundo a Abrelpe – Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, com as medidas de distanciamento social a geração de resíduo domiciliar cresceu em mais de 10%, devendo atingir entre 15 e 20% de crescimento. Os aterros sanitários – locais para onde são destinados os resíduos sólidos após a coleta – respondem, a cada ano, pela liberação de 6% a 20% das emissões totais de gás metano (CH4) no mundo, conforme informações do IPCC (sigla em inglês para Intergovernmental Panel on Climate Change) – Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas. O gás metano é um GEE (gás de efeito estufa) e sua emissão agrava o aquecimento global e, consequentemente, as Mudanças Climáticas, já que, suas moléculas retêm 25 vezes mais calor do que as moléculas de gás carbônico (CO2).

Imagem: Creative Commons

Justamente por isso que precisamos conhecer e entender melhor sobre formas de transformar o preocupante problema da geração crescente de resíduos sólidos urbanos, mais conhecidos como lixo, em possíveis soluções que minimizem os impactos ambientais.

E aí entra a utilização do lixo para produção de energia. A produção de biogás faz parte do ciclo global do carbono, presente em toda matéria orgânica, inclusive nos resíduos urbanos de aterros. Assim, os aterros sanitários, como informado pelo Ministério do Meio Ambiente, funcionam como verdadeiros “reatores biológicos”, onde entram resíduos sólidos e água e saem gases e chorume. Os principais gases resultantes da decomposição anaeróbia (em ausência de oxigênio ou de ar) dos resíduos orgânicos são o metano (CH4) e o dióxido de carbono (CO2). Quando esses gases são canalizados para biodigestores em plantas industriais instaladas nos aterros ou próximas a eles é possível se obter o biogás, que além de ser uma poderosa fonte de energia também presta um importante serviço ambiental. “É a única energia renovável que transforma o passivo ambiental em ativo econômico”, Rodrigo Régis de Almeida Galvão, diretor-presidente do CIBiogás.

Imagem: Creative Commons

A produção de biogás a partir de aterros sanitários pode ser iniciada após três meses do início do funcionamento dos mesmos e pode se prolongar por um período de 20 a 30 anos após o encerramento das atividades dos aterros sanitários. Além de eletricidade, o biogás produzido a partir dos aterros sanitários pode ser convertido em várias outras formas de energia como: combustível veicular [1], vapor, combustível para caldeiras ou fogões, ou para abastecer gasodutos.

O Rio de Janeiro já conta com usinas que transformam lixo em biogás, algumas delas são:

Cidade de Nova Iguaçu

O município de Nova Iguaçu faz parte da RMRJ – Região Metropolitana do Rio de Janeiro e está localizada na sub-região da Baixada Fluminense. A usina foi instalada na CTR (Central de Tratamento de Resíduos) do bairro Adrianópolis, e possui capacidade total de geração de 16,5 MW, potência suficiente para o abastecimento de 65 mil residências com padrão médio de consumo de energia.

Cidade de Seropédica

Assim como Nova Iguaçu, Seropédica também é um dos municípios da RMRJ e se localiza na Baixada Fluminense. Na cidade se localiza o maior aterro sanitário da América Latina e a mesma empresa que administra o aterro – a Ciclus – é também a responsável pela extração do biogás. Para se ter uma ideia da magnitude desse aterro são recebidas diariamente 10 mil toneladas de lixo provenientes de vários municípios da RMRJ. A usina é voltada para a produção de biogás para combustível veicular e tem capacidade de produção de 73 milhões de metros cúbicos de gás natural renovável (GNR) por ano.

Como é a questão da destinação de resíduos sólidos urbanos em seu estado? Já existe alguma usina de biogás a partir de aterros sanitários?

 

[1] O biogás é um combustível menos poluente para o meio ambiente que o GNV.

Fontes:
Agência Brasil, BNDES, CETESB, e-Cycle, Isto É, Ministério do Meio Ambiente, ONU Brasil, Revista OE, Terra, UOL

 

 

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