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Não podemos estar otimistas em relação ao meio ambiente

Você já ouviu alguém falando que a natureza está se regenerandodurante a pandemia? Contemplou imagens de estrelas sendo vistas no céu, animais andando nas ruas ou rios limpos em diferentes cidades? Sob um olhar positivo buscando uma ponta de esperança diante de um cenário tão assolador, ando ouvindo isso bastante em minhas conversas virtuais.

Me considero uma pessoa muito otimista, mas confesso que mesmo com essas melhoras pontuais, não estou esperançosa em relação ao cenário socioambiental durante e após a pandemia.

Ouvi uma comparação que ilustra bem meu ponto: imagine que nosso planeta é uma pessoa precisando emagrecer. Quando essa pessoa pega uma virose, ela perde peso, mas sem necessariamente mudar seus hábitos alimentares ou começar a fazer exercício físico. E o que acontecerá quando a virose passar? Será que a pessoa irá comer tudo o que quiser para compensar o longo tempo comendo apenas sopa?

Imagem: Creative Commons

Assim como as pessoas doentes, nosso planeta está “perdendo peso” – a estimativa é de que a emissão de gases de efeito estufa reduza em 5 ou 6% em 2020 em relação a 2019 – mas ainda aquém dos 7,6% estipulados pela ONU para evitarmos uma catástrofe climática nos próximos anos. Essa é talvez a pior maneira de vivenciar algum tipo de melhora em relação ao meio ambiente pois nenhuma transição essencial está sendo feita em relação a isso, escancarando o enorme e complexo desafio que temos em nossa frente.

Da mesma forma que para emagrecer com saúde precisaríamos repensar nossa dieta e adaptar a rotina de exercícios físicos, políticas públicas e pacotes de incentivo às soluções sustentáveis na recuperação da economia serão essenciais e precisam estar em pauta pelos líderes globais neste momento. Precisaremos de mudanças estruturais e sistêmicas se quisermos de fato reverter o devastador cenário socioambiental que vivemos.

Imagem: Creative Commons

Em um nível individual, tenho focado minhas energias em duas estratégias. A primeira é me manter o mais informada possível sobre o que está acontecendo sob diferentes perspectivas e opiniões (sim, precisamos furar a bolha e ouvir o que todos estão dizendo) e fortalecer meus estudos e conhecimentos. A segunda é o muitas vezes criticado “ativismo de sofá”, mas que tem nos cabido bem em tempos de isolamento físico e social. Pressionar legisladores, doar para fundos de luta e resistência, assinar petições e acompanhar as “lives” de apoio ambientalista é uma possibilidade viável para nós atualmente.

Artists United for Amazonía: Protecting the Protectors (Artistas unidos pela Amazônia: Protegendo os protetores). O evento contou com a artistas se unirão a líderes indígenas, cientistas e uma ampla coalizão de ONGs. Imagem: PRNewsfoto/Amazon Watch

A escolha da palavra “otimista” no título desse artigo foi intencional pois não acredito que o otimismo é o vilão nesse momento, mas ele sozinho não é suficiente. Precisamos estar otimistas, mas agindo em relação ao que é importante nesse momento. Precisamos olhar o lado positivo sem negligenciar a opressão e as vidas que estão (e sempre foram) destruídas. Precisamos atuar hoje para um futuro não apenas melhor, mas possível.

 

 

 

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2 comentários

  1. Concordo plenamente com as suas reflexões, Lívia!

    Em uma aula que tive essa semana, na qual falávamos sobre o universo de negócios de impacto socioambiental, a professora falou a seguinte frase, que eu gostaria de compartilhar com vocês:
    “É preciso sermos otimistas agora… vamos deixar o pessimismo para tempos melhores!”.

    Parabéns pelo trabalho!!

  2. Excelente reflexão. Urgente e necessária! Parabéns!

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