Consumo

Consumidor Consciente e a necessidade do reposicionamento de Mercado

Lá se vão mais de cem dias dentro de casa. E, junto com todo o turbilhão de informações e práticas que nos direcionam ao “novo normal”, as experiências individuais vão mostrando que o consumo, em geral, passa por mudanças, seja em relação à queda na renda ou porque a nova rotina tem levado as pessoas a descobrirem o que realmente precisam e não precisam mais consumir.

É fato que a freada nas compras vem sendo constatada em todas as classes sociais, e é esperado um cenário de queda recorde no consumo das famílias para este ano – uma retração de 7,2%, segundo projeção feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Isso mostra que o surto causado pelo novo coronavírus traz ainda muitas incertezas e vem impactando o mercado de produtos de consumo em todo o mundo, provocando também mudanças nos hábitos dos consumidores, que estão mais cautelosos ao realizar suas compras.

Fonte: Creative Commons

Pesquisa recente divulgada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostrou também que diante desse momento inédito de pandemia e das medidas de isolamento social necessárias para conter o avanço da doença, os brasileiros esperam que as marcas sirvam de exemplo e os guiem para a mudança. É o que respondeu 25% dos entrevistados de uma pesquisa da Kantar Ibope realizada em março. Os consumidores também esperam que o mercado tenha um posicionamento prático e realista, ajudando as pessoas no dia a dia (21%). Outro posicionamento esperado é que as marcas usem seus conteúdos para explicar e informar (18%) o seu público. Os clientes desejam ainda que elas ataquem a crise e mostrem que ela pode ser derrotada (20%).

Esse complexo e inesperado cenário está forçando o mercado a investir em estratégias de comunicação que ajude a tornar a empresa presente e perene, evidenciando ainda mais sua missão e valores, e a ter um indispensável e relevante posicionamento junto a seus públicos de interesse.

Por tudo isso que, ultimamente, tem sido mais comum notar as pessoas assumindo uma postura mais questionadora em relação aos produtos que compram, pesquisando sobre a empresa e suas atitudes. É que a facilidade de acesso a uma excessiva quantidade de informações a respeito de marcas e produtos também contribui para que os consumidores fiquem cada vez mais alertas sobre o impacto que cada compra pode causar na sociedade, no meio ambiente, e agora, consequentemente, no bolso.

Fonte: Creative Commons

É preciso deixar para trás a ideia de que consumir consciente é não consumir. Na verdade, é consumir melhor e diferente, levando em consideração os impactos deste hábito, pois o consumidor consciente é aquele que leva em conta, o meio ambiente, a saúde humana e animal, as relações justas de trabalho, além de questões como preço e marca, antes de escolher os produtos que compra.

Mais do que nunca, diante da valorização das empresas sustentáveis, o cidadão que busca ter um consumo mais responsável e consciente deverá se atentar para a prática do “greenwashing” – que une os termos em inglês green (verde) e wash (lavar, limpar) -, uma prática ecologicamente incorreta na qual empresas usam e abusam do marketing verde, se promovendo por meio da divulgação de uma responsabilidade socioambiental, quando na verdade não adotam essas políticas.

Fonte: El País

Com discursos convincentes e frases como, por exemplo, “100% natural”, “ecologicamente correto” e “amigo do meio ambiente”, muitas pessoas acreditam nesse marketing enganoso e compram um produto ou uma ideia que não condiz com a realidade da empresa.

É esse consumidor consciente – que entende que pode ser um agente transformador da sociedade e que, mesmo um único indivíduo, ao longo de sua vida, deixará um rastro de impacto significativo na sociedade e no meio ambiente por décadas – que poderá contribuir para diminuir essas fraudes. O equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e a sustentabilidade é o que deve ser buscado em cada ato de consumo.

 

 

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