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Iniciativa leva energia elétrica e qualidade de vida para comunidades da Amazônia a partir de energia solar

Entre os habitantes da região amazônica, se encontram as comunidades tradicionais e rurais, que se dispersam ao longo das florestas, principalmente na calha de rios que propiciam aos habitantes possibilidade de locomoção e alimentação. Muitas dessas comunidades, por conta de seu isolamento geográfico, encontram-se, também, isoladas do ponto de vista do abastecimento elétrico. A baixa demanda por energia para fins de produção e uso residencial faz com que o atendimento se torne pouco atrativo para as concessionárias de energia, o que inviabiliza o atendimento, já que, há elevado custo para novas linhas de transmissão de energia.

Embora o Governo Federal tenha lançado em novembro de 2003 o “Programa Luz para Todos”, a realidade dessa população continua quase inalterada em muitas questões.

Fonte: Creative Commons.

O Brasil ainda está longe de alcançar a universalização do acesso à energia elétrica, apresentando grandes entraves para alcançar o ODS 7 – Energia Acessível e Limpa proposto pela Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas (ONU) [1]. Em 2019, a estimativa é que o número de pessoas fora do Sistema Interligado Nacional (SIN) na Amazônia Legal [2] é de 990 mil habitantes. Neste mesmo ano, o Ministério de Minas e Energia anunciou que será necessário de 7 a 10 anos para o atendimento de 72 mil famílias nessa região e que desde o início do programa, apenas 3 mil famílias dessas áreas foram atendidas por meio do programa Reserva Extrativista Verde para Sempre no Pará.

Buscando mudar essa realidade organizações não-governamentais (ONGs) sem fins lucrativos vêm promovendo projetos visando à melhoria da qualidade de vida das populações tradicionais ali existentes através do uso de energia solar. Essa fonte de energia limpa e renovável é usada para bombeamento de água para abastecimento doméstico, iluminação pública, eletrificação de escolas, postos de saúde e centros comunitários.

Dentre essas ONGs está o Projeto Saúde & Alegria que já executou junto a essas comunidades diversos projetos de energias renováveis, dentre os quais se destaca a eletrificação rural de sistemas domiciliares.

 Projeto piloto com energia solar

O projeto de eletrificação rural ocorreu na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns (Resex) – as instalações foram iniciadas em 2017 e a inauguração ocorreu em 2018. O território em questão apresenta área de quase 650 mil hectares [3] e está localizado entre dois municípios do oeste paraense – Santarém e Aveiro. É a reserva mais populosa do Brasil, com cerca de 22 mil habitantes distribuídos em 74 comunidades, em sua maioria, compostas por populações tradicionais que vivem em geral do extrativismo e da agricultura de subsistência.

O projeto piloto foi pensado no sistema de eletrificação rural isolado que garantisse os padrões mínimos de atendimento estabelecidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), ou seja, Sistemas Individuais de Geração de Energia Elétrica com Fontes Intermitentes – SIGFI 13 (consumo diário de referência 435 Wh/dia, autonomia mínima 2 dias, potência mínima disponibilizada 250 W, disponibilidade mensal garantida 13 KWh).

Casa da comunidade de Carão atendida pelo Projeto Saúde & Alegria. / Fonte: Tatiane Costa/Autossustentável.

A comunidade de Carão antes de receber o projeto de energia solar contava apenas com a disponibilidade de um grupo gerador a diesel que fornecia energia aos comunitários entre os horários de 19 às 22h. Porém o grupo gerador apresentava muitos problemas funcionais por se tratar de equipamentos com tecnologias defasadas, com difícil acesso à assistência técnica, alto preço de combustível, condições inadequadas para o transporte do diesel (solução inflamável) em embarcações com contato direto com pessoas, entre outros.

Painel fotovoltaico visto por baixo. / Fonte: Projeto Saúde & Alegria.

Com a implantação do projeto piloto de energia solar para eletrificação rural das comunidades, os 21 domicílios da comunidade de Carão receberam kits com dois painéis solares de 150W e armazenador de energia para garantir o acesso a eletricidade durante o dia e a noite. Dessa forma, a implantação desses sistemas colaborou para o desenvolvimento socioambiental local promovendo a melhoria da qualidade de vida dessas populações.

 

[1] O ODS 7 – Energia Acessível e Limpa se propõe a assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos.

[2] A Amazônia Legal, conforme informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) é formada por 52 municípios de Rondônia, 22 municípios do Acre, 62 do Amazonas, 15 de Roraima, 144 do Pará, 16 do Amapá, 139 do Tocantins, 141 do Mato Grosso, bem como, por 181 Municípios do Estado do Maranhão situados ao oeste do Meridiano 44º, dos quais, 21 deles, estão parcialmente integrados à Amazônia Legal. Possui uma superfície aproximada de 5.015.067,749 km², correspondente a cerca de 58,9% do território brasileiro.

[3] 1 ha (hectare) equivale a uma área de 10.000m².

 

Referências:

 

 

 

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