Saúde

Slow Living: Por que precisamos diminuir o ritmo?

Nunca se falou tanto sobre desacelerar quanto durante esse período de isolamento social. Muitas hipóteses consideraram que o estilo de vida slow seria o “novo normal” e que esse movimento ganharia cada vez mais adeptos com o decorrer do tempo. Se você nunca ouviu falar de slow living, quero te apresentar esse conceito – e pedir licença para retratá-lo também a partir da minha ótica, de quem pratica e de quem se interessa profundamente pelo assunto. Espero que, ao final desse artigo, você também se sinta entusiasmado em vivenciá-lo.

O conceito do viver de maneira slow surgiu por volta dos anos 1980, e tem uma conexão significativa com a alimentação. O jornalista Carlo Petrini iniciou o movimento Slow Food [1] na Itália, após organizar um protesto contra a abertura de uma franquia do Mc Donald’s próximo à Piazza di Spagna. Em 1989, o movimento Slow Food foi consolidado e em mais de vinte anos de história, dialoga sobre a importância das conexões entre comida, pessoas, política, cultura e planeta.

Imagem: Creative Commons.

A partir do movimento Slow Food, outros questionamentos surgiram a respeito da velocidade das coisas – que muitas vezes aceleram e atropelam nossas conexões com experiências que exigem tempo e calma. Alguns exemplos são o slow reading, slow medicine e slow fashion.

Segundo Wendy Parkins [2], em seu artigo Out Of Time: Fast Subjects And Slow Living, “O slow living é uma resposta – ou melhor, um conjunto de respostas em várias manifestações – a este desejo de “tempo para coisas significativas”. Não significa uma versão em câmera lenta da vida na pós-modernidade, a fim de nos isolar do resto da cultura; e sim, a negociação consciente de que temos diferentes temporalidades no nosso cotidiano.

Entendemos que o conceito de “ter tempo” implica em investir em algo por meio da atenção, envolvendo-se de maneira consciente ao invés de supérflua e criando conexão em cada tarefa. O slow living rejeita a cultura da velocidade, que tomou proporções enormes em vista dos avanços de certos processos – de produção, comunicação e transporte – e que colocaram qualquer outro processo “lento” como algo ultrapassado e que nos gera atraso.

É preciso ressaltar aqui as consequências dessa aceleração pós-moderna. Com a velocidade dos meios de produção, temos como resultado o Dia da Sobrecarga da Terra, que foi retardado três semanas em 2020 comparando-se ao ano anterior, por conta da “desaceleração” ocasionada pela pandemia [3]. E quando abrimos parênteses para falar sobre saúde mental dentro da cultura do fast, é possível ver cada vez mais pessoas sofrendo de burnout [4].

Imagem: Creative Commons.

Entendido que viver o fast (fast living, fast food, fast fashion…) repercute não apenas no macro, como também no micro, te convido também a refletir sobre esse ritmo. Talvez o novo normal não chegue a existir, mas a necessidade de diminuir o ritmo tem se tornado cada vez mais urgente.

A escolha de desacelerar vem quando ponderamos sobre quem somos e quais são as nossas prioridades no presente. Ela não significa apenas a quantidade de tempo que gastamos utilizando o celular ou dizer não para o excesso de atividades. Implica em identificar com serenidade qual mensagem que chega pelo Whatsapp precisa ser respondida com urgência e quais podem ser vistas depois. Qual o ritmo que você tem vivenciado nos últimos tempos?

 

Referências:

 

 

Tags:

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *