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Startup de SP cria sistema que “combate” perdas hídricas através de Inteligência Artificial

O saneamento básico enfrenta dificuldades diversas e que vão além dos quase 35 milhões de brasileiros sem o acesso ao abastecimento de água ou aos quase 100 milhões de brasileiros que não têm acesso à coleta de esgoto.

As perdas hídricas são um dos graves problemas de eficiência no setor, que compromete a qualidade dos serviços para o cidadão e a própria sustentabilidade financeira dos operadores. Seu combate nos sistemas de distribuição é uma das ações menos priorizadas no setor de saneamento, mesmo após as sucessivas crises hídricas que enfrentamos nos últimos anos.

Podemos dividir as perdas hídricas em duas categorias:

  • As perdas físicas ou reais: correspondem aos volumes de água que não são consumidos, por serem perdidos através de vazamentos em seu percurso, desde as estações de tratamento de água até os pontos de entrega nos imóveis dos clientes. Esses vazamentos ocorrem, principalmente, devido ao desgaste das tubulações;
  • As perdas não físicas ou aparentes: correspondem aos volumes de água que são consumidos, mas não são contabilizados pela empresa, principalmente devido às irregularidades (com fraudes e ligações clandestinas, os chamados “gatos”), e à submedição dos hidrômetros.

Segundo o Instituto Trata Brasil, em 2018, de toda a água tratada distribuída no Brasil para garantir o consumo, 38,45%, em média, não chegaram de forma oficial a ninguém. Se perdeu em vazamentos, roubos (“gatos”), fraudes, erros de leitura dos hidrômetros, entre outros problemas. Isto significou perda de 6,5 bilhões de metros cúbicos, equivalente a 7,1 mil piscinas olímpicas de água potável por dia.

Imagem: Instituto Trata Brasil

Pensando nisso, uma startup paulista, a Stattus4, desenvolveu um sistema de monitoramento da rede de abastecimento em tempo real para detectar vazamentos e reduzir estas perdas físicas ou reais de água potável.

Mas como o sistema funciona?

O projeto funciona a base de sensores fixos e móveis que identificam pontos suspeitos de vazamento e enviam em tempo real os dados para um software. O resultado é apresentado em um painel do software com inteligência artificial e integrado ao Google Maps.

Ao cruzar os dados como histórico de pontos, dados de pressão e leitura de consumo, são emitidos alarmes e dando suporte à tomada de decisão, para que o tempo de envio da equipe de campo aos locais de vazamento seja otimizado.

A Stattus4 nasceu na incubadora do Parque Tecnológico de Sorocaba e já opera em mais de 28 cidades do Brasil, atendendo mais de 6 milhões de habitantes e ajudando as empresas distribuidoras de água a reduzirem suas perdas.

Seu case de maior sucesso é a redução de 41% de perda de água para 18% na rede de distribuição da cidade de Santa Barbara D’Oeste, no interior de São Paulo.

Com informações: Instituto Trata Brasil e Stattus4

 

 

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