Cidades Sustentáveis

Os Vazios Urbanos e o Planejamento de Cidades Sustentáveis

Todos os dias quando saímos pelos nossos bairros, seja para uma simples caminhada ou para ir até um determinado local, é comum nos depararmos com vários terrenos sem ocupação e até mesmo várias construções fechadas ou inutilizadas. Chegamos até a pensar que esses espaços inutilizados são características inerentes às cidades, sejam elas interioranas ou grandes capitais do país. Mas, não são! Com o passar dos anos os “vazios urbanos” se tornaram uma característica das cidades. Por quê? Basicamente, especulação imobiliária e ausência de um bom planejamento urbano.

Por definição, os vazios urbanos são espaços que não cumprem nenhuma função, ou seja, são inúteis. Eles geralmente são presentes nas áreas centrais das cidades, onde os valores de um imóvel ou de um terreno são altos, o que dificulta sua compra ou locação.

Imagem: Creative Commons.

E qual a relevância disso na minha, na sua, nas nossas vidas? Dependendo de onde ocorre a rotina do nosso dia-a-dia, pode ser muito relevante. Pare e pense, quanto tempo você gasta de casa até o trabalho, faculdade, academia e supermercado? Não seria melhor se você morasse perto dos locais que freqüenta com freqüência? Não seria melhor não depender de transportes privados ou públicos para se locomover (pense na economia de tempo e de dinheiro que distâncias menores proporcionam)?

Esses espaços vazios das cidades poderiam ser geradores de novas centralidades ou novas ideias voltadas para habitação e/ou até mesmo para infraestruturas de alcance de toda a população. Poderiam ser parte de uma estratégia do poder público no desenvolvimento de cidades mais sustentáveis, onde fosse primordial o bem-estar da população de maneira a facilitar a vivência das pessoas nos centros urbanos. Seria um prazer a mais viver em cidades assim.

Imagem: Creative Commons.

A socióloga Saskia Sassen afirma que “um espaço vazio, é um espaço crítico” por estar sempre destruindo e reconstruindo como forma de substituir a história de determinado lugar. Além disso, um vazio urbano se torna um problema por muitas vezes pertencer ao poder privado, ocorrendo a famosa especulação imobiliária e transformando um espaço com alta capacidade funcional em um “nada”.

A relação entre o aproveitamento dos vazios urbanos e o desenvolvimento de cidades sustentáveis se encontra na finalidade de promover um ambiente urbano com moradia de qualidade, segurança, mobilidade e bem-estar de maneira a suprir a demanda atual e não prejudicar o desenvolvimento da cidade. E isso é possível? Sim! Com um bom planejamento urbano atrelado ao desenvolvimento da cidade e somado a projetos voltados para os cidadãos que sejam executados de maneira contínua.

O Estatuto da Cidade e os Planos Diretores Municipais têm o poder e o dever de manejar a distribuição dos espaços de uma cidade de maneira a promover seu desenvolvimento equitativo e sustentável, evitando a carência de moradia e de infraestruturas voltadas às necessidades básicas dos cidadãos. E da mesma maneira que o poder público é responsável por isso, a sociedade civil também usufrui do direito e do dever de exigir cidades que priorizem os cidadãos e seu bem-estar através de processos e projetos participativos, como audiências públicas e movimentos estratégicos de articulação que reivindiquem o direito à cidade.

Fazenda Urbana em Curitiba. Fonte: Daniel Castellano/ SMCS

Há muitos exemplos de requalificação de vazios urbanos, como a recente inauguração da Fazenda Urbana em Curitiba – PR, através da qual a Prefeitura promoverá atividades e práticas de agricultura sustentável. Outros exemplos são parques urbanos, corredores verdes, hortas urbanas e moradias sociais. Ou seja, é possível evitar a especulação imobiliária dos vazios urbanos e é possível a requalificação desses espaços.

Falta espaço para mais gente? Não! O que falta é pensar em qualidade de vida, justiça social e desenvolvimento. O que falta é ocuparmos os espaços que já existem.” Maria Paula Fontana, Arquiteta, Urbanista e Pesquisadora

 

 

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