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Você sabe o que é Justiça Climática?

Já não é mais novidade que as ações antrópicas, isto é, as atividades humanas, são responsáveis pela crise climática que estamos vivendo. Queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, atividades industriais, desmatamento e agropecuária são exemplos clássicos sobre isso.

A justiça climática nasce a partir da transformação da narrativa de que as mudanças climáticas não possuem apenas como impactos o derretimento de gelo na Antártida ou a morte de ursos polares, mas que vai muito além desses impactos. É um movimento que luta por direitos humanos, e mostra que os países que menos contribuem para as mudanças climáticas, são os que mais sofrem com os impactos das mesmas. “Alguns casos de injustiça climática encontram relação aos efeitos de processo de desertificação, de eventos climáticos extremos (chuvas intensas, ondas de calor, etc.), do aumento do nível do mar, entre outros.” (MILANEZ, FONSECA, 2010).

Imagem: Creative Commons.

Não podemos falar sobre justiça climática sem abordar as questões de racismo ambiental, de defesa de territórios e de grupos marginalizados na sociedade como negros, indígenas, periféricos e população de comunidades tradicionais. Esses grupos são mais expostos a situações de enchentes, secas prolongadas e déficit de saneamento básico devido a sua maior vulnerabilidade social e econômica. Tais situações são ainda agravadas por conta da maior frequência de eventos climáticos resultantes das mudanças climáticas. É claro que os impactos causados pela as mudanças climáticas afetam a todos, porém esses efeitos são maiores em grupos marginalizados devido à desigualdade socioeconômica. Tais desigualdades estão diretamente relacionadas com fatores como o território no qual moram esses grupos, a disponibilidade de recursos naturais, o acesso a serviços básicos de infraestrutura e cidadania (educação, saúde, segurança, saneamento básico).

Segundo o Mapa da Desigualdade desenvolvido pela a Casa Fluminense, os desastres ambientais ocorridos no Brasil – que contemplam eventos como deslizamentos de terra, tempestades e chuvas torrenciais, e inundações – foram responsáveis por 1774 mortes no Brasil entre os anos de 2010 e 2018. Mais de dois terços dessas mortes, o que equivale a 1263 vítimas, ocorreram no estado do Rio de Janeiro. Esses dados comprovam que os eventos climáticos resultantes das mudanças climáticas, infelizmente, já fazem parte da rotina dos brasileiros.

Fonte: Reprodução / TV Globo / Ansa – Brasil / Terra.

Em março de 2018, a sueca Greta Thunberg iniciou o movimento Fridays for Future em que todas às sextas-feiras ela ia protestar em frente ao Parlamento da Suécia cobrando do governo a redução das emissões de carbono propostas pelo Acordo de Paris. Após essa iniciativa, ela inspirou jovens de todo o mundo a cobrarem ações de seus governantes para combater a crise climática. Com isso, Greta Thunberg ganhou holofotes da mídia mundial, participando de Conferências Internacionais da ONU, cobrando justiça climática e ações efetivas para o enfrentamento do colapso ambiental e climático que passamos.

No entanto, não podemos deixar de pontuar que parte desse reconhecimento é fruto do seu privilégio de ser uma mulher branca e europeia, pois, há muito tempo, outras ativistas já lutavam pela defesa de seus territórios, mas sem ganharem espaço na mídia ou “reconhecimento”. É importante destacar a relevância de Greta para mobilização da juventude pela causa climática, mas não se pode deixar de notar que, infelizmente, o racismo invisibiliza outras potentes lideranças que estão na linha de frente no combate dessa crise.

Um exemplo recente desse racismo foi durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, quando ativista climática de Uganda Vanessa Nakate, foi cortada em uma foto, com quem aparecia junto a Greta Thunberg e mais três ativistas, pela agência de notícias Associated Press.

Foto original, sem cortes. / Fonte: Hypeness.
Em cima, a foto cortada como foi divulgada pela agência. / Fonte: Hypeness.

Assim como Greta, Vanessa Nakate é uma importante ativista que durante vários meses protestou em frente ao Parlamento de Uganda cobrando dos tomadores de decisão ações concretas para o combate às mudanças climáticas, e se tornou, por isso, referência no movimento Juventude pela África do Futuro. “Curiosamente só os maiores emissores de gases do nosso país (Uganda) serão ricos o suficiente para sobreviver à crise alimentar, enquanto a maioria das pessoas, que vivem em povos e comunidades rurais, enfrentarão problemas para obter alimentos devido aos altos preços e ao desabastecimento” disse a ativista Vanessa Nakate, em entrevista recente.

Quantas ativistas em nosso país estão sendo silenciadas pelo o racismo?

 

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