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Conservação da Água: uma emergência atual

Como a água é elemento fundamental para a vida, a sua escassez pode causar (em alguns casos já causa) um colapso de ordem não somente ambiental, mas também econômica e social no mundo. Porém, mesmo sendo essencial para a manutenção da vida, a água ainda é vista de maneira utilitarista por grande parte dos seres humanos. Todos esses fatores geram a necessidade inadiável do cuidado com as águas em sua totalidade.

O paradigma do uso da água de forma utilitarista e instrumental é característico das sociedades capitalistas que defendem avanços econômicos pautados na produtividade contínua e na máxima utilização dos recursos naturais. Esse pensamento contribuiu para a crise ambiental que engloba a problemática da água.

Imagem: Creative Commons.

Ao longo dos séculos o ser humano vem se desconectando cada vez mais da natureza, o que levou a uma distorção da relação que temos com a água. Isso se torna perceptível quando verificamos o descaso por parte das sociedades com os rios, nascentes e aquíferos. Diante do quadro atual, não restam dúvidas de que é preciso resgatar aspectos não somente educacionais e ecológicos a respeito da água, mas também, culturais e simbólicos. Por isso é preciso entender que a água não é somente um recurso natural. Ela desempenha inúmeros papéis na vida dos seres vivos, assim como também possui inúmeras abordagens a respeito de um uso mais consciente para sua proteção.

Por esse motivo, discutir um novo olhar para a água é fundamental. Trabalhar a questão da conservação desse bem na atualidade, requer que olhemos para a natureza de maneira holística, isso quer dizer que precisamos compreender os fenômenos naturais em sua totalidade. Isto porque pertencemos todos a uma comunidade biótica, onde cada sujeito tem o seu lugar, sem negar uma incontestável hierarquização. Essa comunidade ainda abrange os solos, as águas, a flora (plantas) e a fauna (animais), ou seja, a terra como um todo. Nesse sentido, essa interpretação da natureza de forma holística também nos convida a compreender as políticas e as formas de gestão dos recursos naturais.

Imagem: Creative Commons.

Superar a crise ambiental envolvendo a problemática da água é fundamental e para que isso aconteça são necessárias novas formas de pensar e agir. Isso envolve a mudança de valores na vida das pessoas, ou seja, considerar a questão ambiental segundo uma ética da sustentabilidade e do cuidado. Essa ética inclui a responsabilidade da humanidade sobre os problemas ambientais, trazendo à tona uma reflexão sobre como nós somos coletivamente responsáveis. Diante disso, há uma emergência na mudança de pensamento e principalmente de atitudes na relação do ser humano com a água. Pensar em uma corresponsabilidade e cooperação em seus cuidados pode ser uma alternativa.

Segundo Muñoz, essa cooperação para a conservação da água, envolvendo várias vertentes (como as de ordem educacional, cultural, científica, ética, política, social) pode ser muito mais eficaz. Pois, além de representar uma governança sensível da água (mais inclusiva e participativa), também se constitui como essencial nas discussões sobre a conservação e preservação. É válido ressaltar que não é possível pensar nessa questão sem se considerar os conflitos gerados pelo acesso à água e desigualdades sociais ocasionadas pela falta desse acesso.

Imagem: Creative Commons.

Já que todos somos responsáveis pela situação atual, precisamos nos conscientizar para uma ética para a água, na tentativa de nos relacionar com ela de uma outra forma. E para que esse “todo” envolvendo a natureza seja resgatado, é preciso alinhar produção, consumo e modo de viver. Ou seja, adotar modos de produção mais sustentáveis, adequando hábitos de consumo mais conscientes e voltados para a sustentabilidade. Desta forma, poderemos estabelecer uma relação harmônica entre ser humano e o meio ambiente.

 

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