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Ecopsicologia como Despertar da Consciência Ecológica

Ao longo dos anos, é possível observar, sem muita dificuldade, a falta de equilíbrio existente na relação do ser humano com a natureza ao redor. Nota-se também a perpetuação de inúmeras ações desmedidas em prol do lucro sem levar em consideração as consequências, muitas vezes negativas, para o meio ambiente natural, como queimadas, poluição de rios e mares, desmatamento e invasões de terras preservadas.

A partir disso, gostaria de introduzir a vocês uma nova maneira de pensar e de se relacionar com a vida: a Ecopsicologia, uma área do saber que se estende tanto às relações humanas e globais quanto à saúde científica. Trarei algumas contribuições em prol de ações para construir um modo de vida mais saudável, harmônico e integral – conosco, com os outros e com o planeta sob a ótica do cuidado e do conceito de regeneração.

Imagem: Creative Commons.

A Ecopsicologia busca promover o resgate da relação ser humano-natureza, revelando sua indissociabilidade. Ela possibilita o diálogo entre ecologia e psicologia, e investiga o papel do sujeito contemporâneo em relação às questões ambientais. Uma vez que considera a saúde desse sujeito como bem-estar biopsicossocial-espiritual-ecológico, ou seja: bem-estar físico, psicológico (mental e emocional), social (status socioeconômico, cultura e relações sociais), espiritual (sentido para a vida) e ecológico (ambiental).

Tal vertente sugere uma nova produção de subjetividade/visão de mundo: o ego ecológico, que em poucas palavras, é um conceito que aponta para o modo de ser, de pensar e agir do indivíduo em sintonia com um futuro sustentável. Propõe enxergar o indivíduo de modo holístico: como parte integrante e ativa da “teia da vida”, não algo exterior a ela. Ou seja, almeja provocar uma possível transformação comportamental e subjetiva do modo que o indivíduo lida com o seu entorno, ao sair de uma visão antropocêntrica (ser humano como centro do Universo) e fomentar uma visão de mundo ecocêntrica (ser humano como membro da natureza, tendo sua vida, diante do meio natural o mesmo peso que de qualquer outro ser vivo).

Imagem: Creative Commons.

Levando-se em consideração esses aspectos, a questão central é fomentar a visão sistêmica da vida e a noção da interdependência para aproximar as práticas sociais e condutas individuais à sustentabilidade e regeneração da Terra; considerando o caráter espiritual, os desafios e mudanças a serem implementadas.

Neste campo de atuação, busca-se tratar com profundidade a questão da crise ecológica tão urgente e necessária atualmente. Ao questionar: “Por que o ser humano é o único animal que insiste em destruir seu habitat?”, faz-se necessário instigar e inspirar a efetivação de comportamentos pró-ambientais para que não nos escape a condição de perpetuação da vida, e impulsionar a reflexão sobre o impacto que causamos no planeta.

Imagem: Creative Commons.

Em virtude do que foi mencionado, acredito que promover saúde e resgatar o contato harmonioso/equilibrado com a Natureza (nossa primordial fonte de vida) se torna essencial e urgente, tanto para nós, quanto para gerações futuras. Em outras palavras, na visão da Ecopsicologia promover saúde é quando o sujeito ao cuidar de si (psicologia) consegue ampliar o cuidado com ambiente que o rodeia (ecologia) e assim se sentir parte/pertencente deste todo (planeta). De fato, é um tema que necessita maior visibilidade, pois precisa ultrapassar o campo exclusivo daqueles que sentem empatia com as questões socioambientais e gerar uma noção global de que é um assunto de todos.

Ainda convém lembrar que a sabedoria ancestral de povos tradicionais também é considerada como parte fundamental do campo de saberes que contribuem a uma cosmovisão holística, ou seja, é a união entre a sabedoria antiga e as novas tecnologias e descobertas da ciência, que permite avançarmos em uma direção que honra e respeita todos os seres da Terra. Assim como é fundamental respeitar e abrir espaço e o diálogo à diversidade de conhecimentos, modos de vida, e culturas ao redor.

Comunidade Quilombola Mocambo, em Porto da Folha/Sergipe. / Fonte: TV Sergipe/ Reprodução: Gshow.

Desta maneira, ao sair da visão de mundo egóica e narcísica, onde prevalecem as próprias convicções de mundo de forma totalitária e verdadeira, podemos alcançar uma visão mais ampla que permite coabitar com variados modos de ser sem pressupor a eliminação do diferente, daquele que não se encaixa em tal visão estruturada e pré-concebida da existência. Pois a própria natureza predispõe diversidade para se manter viva, sem diversidade seu ecossistema não se sustenta! Logo, a humanidade como parte integrante desse sistema também se revela como múltipla e plural. Portanto, sistemas que induzem mentalidades a serem padronizados em seu modo de viver, é um perigo para a preservação das multiplicidades.

Diante disso, a normalização e a banalização da vida chegaram a um ponto crítico, ao invés de nos levar a questionar, nos faz aceitar condições de destruição e captação de recursos desmedidos da Terra como ações inatas da vida. Como contraponto, torna-se fundamental fomentar a mudança de paradigma da Terra como tal fonte inesgotável de recursos, para um organismo vivo capaz de se autorregular/regenerar, mas que necessita de tempo adequado para isso.

Logo, como seres humanos, pensantes e conscientes, temos a responsabilidade ética de observar criticamente o modo de vida que está em curso, nos posicionando diante desta crise ecológica. Olhar para qual direção iremos conduzir as próximas ações: se será à uma existência que preserva/cuida do próprio habitat e dos outros seres que aqui coabitam, ou apenas destrói de forma abusiva toda teia da vida.

Imagem: Creative Commons.

De todo modo, você pode está se perguntando: “Como consigo mudar isso?”. Então aqui vão algumas dicas: comece observando aquilo que consome, quais tipo de empresas você investe seu dinheiro, quais são seus hábitos alimentares, qual a origem daquilo que come e para onde vai aquilo que descarta. Sair das grandes cadeias de produção para começar a reduzir, reciclar, reutilizar aquilo que já existe. Exercite a criatividade e reinvente novas formas de habitar o mundo de maneira sustentável e ecológica. A gente muda o mundo na mudança da mente! Comece como e onde puder… pode ser mais simples do que imagina!

Faz sentido pra você? Compartilhe suas reflexões!

 

 

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Um comentário

  1. ótimo artigo! Você tem razão ao dizer que questionar este mundo é um passo primordial! Partindo de nossos próprios atos, e divulgando essas idéias é um caminho… Me fez refletir sobre o quanto eu questiono este sistema, mas as vezes ainda faço escolhas pouco sustentáveis…
    obrigada!

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