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Tecnologia e inovação podem ajudar o meio ambiente? Conheça a indústria 4.0!

Desde a época da escola, quando temos aula sobre Revolução Industrial, percebemos o quanto é complicado equilibrar a balança entre o desenvolvimento tecnológico e a preservação do meio ambiente. Forma-se em nossa mente o conceito do “ou”: OU avançamos tecnologicamente OU cuidamos da natureza.

De fato, no início da industrialização, nossas possibilidades e nosso pensamento ainda eram muito limitados. O desejo desenfreado por lucro e por inovações, que tornassem a vida mais fácil, aliado ao total desconhecimento do potencial destrutivo de nossas ações fomentou o crescimento desordenado das indústrias durante décadas. Hoje, devido ao surgimento de mais alternativas de processos e dados históricos sobre os impactos que causamos ao planeta por gerações, existe um movimento crescente no meio industrial de busca por soluções mais verdes.

Imagem: Creative Commons.

Durante estes anos na Engenharia Química, pude observar e ter um contato direto com esse movimento. Cada vez mais empresas investem em pesquisa e desenvolvimento de produtos e processos menos poluentes e mais sustentáveis. Quatro contatos com estes esforços foram marcantes na minha vida universitária. O primeiro deles aconteceu bem no início da graduação, no Núcleo de Pesquisas em Lubrificantes, um dos laboratórios do Grupo de Pesquisas em Separação por Adsorção em parceria com a Petrobras. Nesse laboratório, tive a oportunidade de pesquisar e desenvolver, junto com a equipe, biolubrificantes fabricados a partir de óleos vegetais. Algo importantíssimo na aplicação em máquinas agrícolas, já que a utilização de óleos minerais implica o risco de contaminação da lavoura em casos de vazamento.

A segunda experiência se deu durante o intercâmbio na Alemanha. Na Technische Universität Kaiserslautern, onde participei de um grupo de pesquisa em biotecnologia industrial. Um de nossos vários objetivos era otimizar a extração de um corante a partir de cianobactérias. Ao obter o corante desta fonte alternativa, o processo seria barateado e ainda preservaria árvores (no caso da fonte natural) e diminuiria a utilização de produtos químicos poluentes (rota sintética).

Imagem: Creative Commons.

Já de volta ao Brasil, participei de uma competição universitária incrível realizada pela Scania. Nessa competição, fomos estimulados a buscar soluções que aliassem o uso de tecnologia de ponta e metodologias sustentáveis (do ponto de vista econômico, social e ambiental) para resolver problemas de mobilidade na cidade de São Paulo. Lá, durante o desafio, aprendemos sobre as inovações que são feitas pela Scania para melhorar a performance de seus caminhões e motores para reduzir os danos ao meio ambiente. Eles utilizam desde fontes renováveis de energia até softwares e outros mecanismos tecnológicos que aumentam a vida útil e a eficiência dos produtos.

Imagem: Creative Commons

Por fim, uma das experiências mais marcantes quando falo sobre indústria e sustentabilidade ocorreu durante uma palestra inesquecível do CEO da BASF no Brasil que tive o prazer e a honra de assistir aqui mesmo em Fortaleza. Dentre inúmeros tópicos abordados, algo sedimentou no mais profundo de minha memória. Aquele senhor, que falava ainda com um forte sotaque alemão, traduziu o que eu pensava em palavras. Segundo ele, não existe inovação verdadeira se esta não for sustentável. Não há mais tempo nem espaço para a humanidade ser tecnológica OU sustentável. É preciso pensar os avanços na indústria em conjunto com a preservação ambiental para que consigamos salvar não o planeta, mas nossa própria espécie. Segundo ele, a BASF abandonou o OU e agora trabalha com o E. Inovação tecnológica E sustentabilidade. Esse é o caminho da indústria 4.0

 

 

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