Meio Ambiente

Unidades de Conservação que inspiram nossas paisagens

As Unidades de Conservação (UCs) foram criadas por ato do Poder Público (Lei 9985/2000) a partir de estudos técnicos prévios e consulta pública que permitiram identificar a localização, dimensão e seus limites mais adequados. Desta forma, as UCs foram criadas com o objetivo de conservação de recursos ambientais e possuem limites definidos, aos quais se aplicam garantias adequadas de proteção.

São os mosaicos e corredores ecológicos, que promovem a conservação da sociobiodiversidade, dos serviços ambientais e de oportunidades de negócios. Este último ponto mostra a importância dessas áreas, afinal aliar a conservação do meio ambiente com a rentabilidade das pessoas é o cerne da sustentabilidade. E as populações tradicionais residentes são consideradas no documento, inclusive indenizadas ou compensadas. Quando não há realocação, podem conviver com a UC sob normas e ações específicas, de forma que seus modos de vida e os objetivos da unidade estejam assegurados.

Parque Nacional Serra da Capivara. / Fonte: Adventure Club.

Na prática, são as áreas mais bem representativas dos ecossistemas em seu estado natural. Percorrendo o país, é comum passar por amplas áreas modificadas e alguma unidade de conservação se destacar como ilhas preservadas nesse cenário de paisagens profundamente antropizadas (cidades) ou alteradas (demais áreas). Cada uma deve dispor de um plano de manejo, que são regras específicas, como áreas de visitação, de proteção ou pesquisa, mas nem sempre está presente, como se pode ver no Painel das Unidades de Conservação Brasileiras.

Neste painel, é possível acessar relatórios detalhados sobre todas as UCs do país, facilitando a tomada de decisões, além de ser uma forma de fiscalização delas por parte dos governantes e dos cidadãos. Outras informações, ainda mais detalhadas, podem ser geradas na forma de relatório parametrizado de unidades de conservação. É importante ressaltar que, embora sejam muito importantes e de extrema valia, estes sistemas estão cheios de lacunas, ou seja, há muitas informações que ainda não foram disponibilizadas ou não foram estudadas in loco.

As primeiras UCs do mundo ocidental foram implantadas por sua beleza excepcional, como é o caso do Grand Canyon nos EUA (Arizona), considerado uma das 7 maravilhas naturais do mundo, o Parque Nacional de Yellowstone (o mais antigo do mundo, inaugurado em 1872), o Parque Nacional de Everglades (1947, hoje é patrimônio mundial pela UNESCO) e o Parque Nacional do Itatiaia, o mais antigo do Brasil, criado em 1937. Atualmente, outros critérios, além da paisagem propriamente dita, são considerados na criação de uma área protegida.

Parque Nacional de Itatiaia./ Fonte: Wikimedia

A ciência (ou arte) de planejar a paisagem tem tudo a ver com as Unidades de Conservação do Brasil, afinal, estes locais são verdadeiros refúgios para a vida silvestre animal, vegetal ou microscópica. Nossas paisagens podem ser planejadas para serem um reflexo dos nossos biomas de origem, que são encontrados em melhor estado justamente nas UCs, principalmente aquelas de Proteção Integral. Nossas áreas protegidas podem ser uma inspiração para o planejamento das paisagens urbanas, semi-urbanas e rurais. E o Paisagismo planejado, preferencialmente, com plantas nativas, tem um potencial conservacionista muito maior que o paisagismo convencional (“Paisagismo de condomínio”), podendo se tornar um grande aliado na conservação ex-situ de espécies vegetais ameaçadas de extinção.

 

 

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