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O Uso de Plantas Medicinais

O uso de chás é uma prática comum em algumas famílias que recorrem às plantas medicinais para curar determinadas doenças. Neste período de pandemia que atravessamos surgem informações, sem nenhuma base científica, sobre plantas, alimentos, produtos naturais que curam ou previnem a Covid-19.

A correta identificação, além de informações sobre o uso adequado e manejo das plantas medicinais, se fazem necessárias, pois, a automedicação e o perigo da identificação incorreta é um assunto preocupante e extremamente perigoso para a saúde. Também é preciso despertar para o uso responsável destas plantas, desmistificar esta questão de que o que é natural é sempre seguro, pois pode ser nocivo à saúde, como qualquer outro produto, se usado incorretamente.

Imagem: Tumisu/Pixabay.

Como alerta o Ministério da Saúde (BRASIL, 2020), a população deve tomar cuidado com as informações que recebe e compartilha nas redes sociais, principalmente aquelas informações que garantem uma solução milagrosa, sem evidência científica. Muitas plantas caem no conhecimento popular, mas suas propriedades podem não ser tão benéficas, ou a forma de uso não é correta e, em determinadas situações, acabam agravando os problemas existentes. Por isso, vale reforçar que qualquer tratamento deve ter indicação de profissional de saúde.

Conforme consta na portaria 971/2006 do Ministério da Saúde, o Brasil possui grande potencial para o desenvolvimento dessa terapêutica, com a maior diversidade vegetal do mundo, ampla sociodiversidade, uso de plantas medicinais vinculado ao conhecimento tradicional e tecnologia para validar cientificamente esse conhecimento.

Imagem: Freepik.

Muitas plantas passaram a ser estudadas e ter maior embasamento científico, sendo aliadas da medicina para combate a diversas doenças, tanto na prevenção quanto na cura. Mas, segundo dados do Ministério da Saúde (2012), entre as 250 mil e 500 mil espécies de plantas estimadas no mundo, apenas pequena percentagem tem sido investigada fitoquimicamente, fato que ocorre também em relação às propriedades farmacológicas, nas quais, em muitos casos, existem apenas estudos preliminares.

Foram realizados estudos recentes sobre plantas medicinais utilizadas no combate à Covid-19 e se observou eficácia naquelas utilizadas para infecções no trato respiratório e com possíveis efeitos antivirais (Zhang et al. p. 24, 2020).

As plantas medicinais são produtos tradicionais para o tratamento de enfermidades, contudo, é importante fazer a identificação correta e conhecer suas propriedades e o seu uso não deve ultrapassar muito tempo. Recomenda-se utilizar por até uma semana o mesmo chá e a forma mais comum utilizada pela população é por infusão (coloca-se a planta verde ou seca na xícara, adiciona-se água fervente, tampa-se e deixar repousar). A decocção é feita para raízes, caules ou cascas, onde estas partes da planta são fervidas juntamente com a água.

Imagem: Clker-Free-Vector-Images/ Pixabay.

Segundo Lorenzi (2008), os princípios ativos das plantas medicinais provocam reações benéficas ao organismo, resultando na recuperação da saúde. Ele também reforça que é preciso conhecer bem as plantas medicinais de cada região, para assim descobrir como as plantas podem, realmente, ajudar na recuperação e na manutenção do bem-estar. Desta forma, será possível repensar os conceitos de saúde, doença e tratamentos estabelecidos.

Ao procurar fontes confiáveis de informações sobre identificação e princípios ativos para escolha da planta é possível fazer o emprego correto, utilizando plantas medicinais selecionadas com eficácia e segurança terapêutica, baseadas na tradição popular ou cientificamente validadas como medicinais.

No Brasil, a partir da década de 1980, diversos documentos foram elaborados para a introdução das plantas medicinais e fitoterápicos no Sistema Único de Saúde (SUS). Hoje temos as Práticas Integrativas e Complementares (PICs) que se enquadram no que a Organização Mundial da Saúde (OMS) denomina de medicina tradicional e medicina complementar e alternativa. As PICs ampliam as opções terapêuticas e melhoram a atenção à saúde da população, contemplando plantas medicinais e fitoterápicos. É válido ressaltar que cada município e estado tem suas próprias políticas, cabendo aos cidadãos informarem-se e cobrarem das autoridades, sobre projetos na área.

Imagem: Freepik

A Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos (Decreto 5.813/2006) objetiva garantir o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicas, além de promover o uso sustentável da biodiversidade e desenvolver a cadeia produtiva e a indústria nacional.

Para maiores informações, há resoluções da ANVISA sobre as drogas vegetais e demais documentos e registro de cerca de 500 fitoterápicos, com estudos sobre cada uma destas espécies e também vários estudos científicos sobre demais plantas medicinais. Outra fonte confiável para consulta é o livro “Plantas Medicinais do Brasil: nativas e exóticas” de Harri Lorenzi e Francisco José de Abreu Matos que contempla 394 espécies da flora nativa e exótica cultivadas no país.

 

Referências:

  • ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Resolução-RDC nº 14/2010. DOU nº 63, 5 de abril de 2010. Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/anvisa/2014/rdc0026_13_05_2014.pdf>.
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Práticas integrativas e complementares: plantas medicinais e fitoterapia na Atenção Básica/Ministério da Saúde. Brasília : Ministério da Saúde, 2012. 156 p. : il. – (Série A. Normas e Manuais Técnicos) (Cadernos de Atenção Básica n. 31).
  • BRASIL. Ministério da Saúde. Disponível em: <https://antigo.saude.gov.br/fakenews/47213-alimentacao-e-fake-news>.
  • BRASIL. Portaria nº 971, de 3 de maio de 2006, Aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) no Sistema Único de Saúde.
  •  LORENZI, H.; MATOS, F. J. de A. Plantas medicinais no Brasil: nativas e exóticas. 2. ed. Nova Odessa: Instituto Plantarum, 2008.
  • ZHANG D.; WUB K.; ZHANG X.; DENG S.; PENG B. In silico screening of Chinese herbal medicines with the potential to directly inhibit 2019 novel coronavirus. J Integr Med 2020; 18(2): 152-158.

 

 

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