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Mostra Ecofalante de Cinema tem programação especial para a Semana do Meio Ambiente

Pelo segundo ano consecutivo, a mostra acontece de forma online e gratuita.

Mostra Ecofalante de Cinema preparou mais uma edição bem especial para celebrar a Semana do Meio Ambiente. Entre os dias 2 e 9 de junho haverá uma programação online e com acesso gratuito a 16 filmes e duas séries para TV, e trará também debates, webinars e master classes.

A proposta da Mostra Ecofalante de Cinema este ano é abranger e destacar questões, impasses e possíveis soluções relacionados aos problemas da Amazônia, promovendo a participação da comunidade na preservação deste patrimônio natural do Brasil.

Um ciclo de debates coloca em discussão diferentes questões que afetam a Amazônia, como o uso das terras, infraestrutura, bioeconomia e crise climática. Participam dos encontros, entre outros, o documentarista João Moreira Salles, o professor Ricardo Abramovay, a Secretária de Ciências e Tecnologia do Amazonas Tatiana SchorDanicley de Aguiar, do Greenpeace Brasil, e os cineastas Jorge Bodanzky e Fabiano Maciel.

Na programação da edição especial da Semana do Meio Ambiente estão os seis episódios da série exclusiva HBO “Transamazônica: Uma Estrada Para o Passado”, série dirigida por Jorge Bodanzky e Fabiano Maciel, uma coprodução entre a HBO Latin America Originals e a Ocean Films.

Imagem: Mostra Ecofalante

A elogiada produção percorre a rodovia BR-230, obra faraônica iniciada durante a ditadura civil-militar (1964-1985), com extensão implantada de 4.260 km e nunca finalizada. Da extração ilegal de madeira e a rotina nos garimpos ao total abandono da população, a série documental retrata a atual situação de quem vive nas regiões por onde passa a via.

Entre os títulos programados está “BR Acima de Tudo”, uma produção do ((o))eco que trata dos impactos da possível expansão da rodovia BR-163, cujo traçado corta a floresta amazônica em direção à fronteira com o Suriname, projeto gestado durante a ditadura civil-militar (1964-1985).

Já o “Edna”, de Eryk Rocha, focaliza as marcas da guerra pela terra em uma moradora nas margens da rodovia Transbrasiliana (BR-153, ou rodovia Belém-Brasília), e “A Última Floresta”, do diretor Luiz Bolognesi, selecionado para a edição deste ano do Festival de Berlim e protagonizado por Davi Kopenawa, xamã da tribo Yanomami corroteirista do filme que vive embates com garimpeiros que chegam a seu território.

Cena do filme Quando Dois Mundos Colidem, sobre conflitos na Amazônia peruana – Foto: Reprodução/Yachaywasi Films

Na programação está incluído o multipremiado longa-metragem britânico “Quando Dois Mundos Colidem”, que aborda o violento conflito desencadeado na Amazônia peruana por um projeto de extração de petróleo, minério e gás, que vitimou os povos indígenas ali residentes.

Entre os filmes programados pelo evento estão os premiados: “Soldados da Borracha” (de Wolney Oliveira), vencedor do prêmio de melhor filme (concedido pelo público) na Mostra Ecofalante de Cinema de 2020; “Amazônia Sociedade Anônima” (de Estevão Ciavatta), finalista do One World Media Awards, um dos mais importantes prêmios internacionais da área; “Mataram Irmã Dorothy”,  coprodução EUA/Brasil que venceu o grande prêmio do júri e prêmio do público no cultuado Festival SXSW ao acompanhar o julgamento dos assassinos de irmã Dorothy Stang; e “Serra Pelada: A Lenda da Montanha de Ouro” (de Victor Lopes), sobre o maior garimpo do Brasil e premiado como melhor filme no FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental.

“Sob a Pata do Boi – como a Amazônia vira pasto”

Título selecionado para o Festival de Berlim, “O Reflexo no Lago”, de Fernando Segtowick, trata de comunidades ribeirinhas localizadas próximas da hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Já projetos com propostas de uso da floresta de maneira sustentável estão em “Amazônia Eterna”, de Belisario Franca. A atriz Christiane Torloni dirige, em parceria com Miguel Przewodowski, “Amazônia, o Despertar da Florestania”, uma discussão sobre questões ambientais da floresta amazônica. “Sob a Pata do Boi”, de Márcio Isensee e Sá, focaliza a relação da pecuária com a Amazônia. Já o curta-metragem “Ameaçados” a diretora Julia Mariano mostra a luta de pequenos agricultores do sul e sudeste do Pará.

DEBATES

“Amazônia: Uma Questão de Terra(s)”Dia 04/06, sexta-feira, às 19h00

São várias as atividades econômicas que fazem pressão sobre a maior floresta tropical do mundo e os povos tradicionais que lá vivem. Atualmente, uma série de leis em tramitação procura regular tais atividades. Quais são os principais beneficiários dessas leis? Participam do encontro Brenda Brito, pesquisadora do Imazon (Instituto do Homem e do Meio Ambiente da Amazônia), Marcello Brito, presidente da ABAG (Associação Brasileira do Agronegócio) e Sônia Guajajara, líder indígena nacional (APIB). O jornalista acreano Fábio Pontes faz a mediação.

“Amazônia: Infraestrutura Para Quem?” Dia 07/06, segunda-feira, às 19h00

A Amazônia é palco de atividades econômicas desde o Brasil Colônia, mas foi só na ditadura militar que os projetos de desenvolvimento em grande escala surgiram, trazendo consigo uma ocupação desordenada e um forte desmatamento. Hoje, fala-se muito na necessidade de infraestrutura na região para alavancar a economia e apoiar um projeto de desenvolvimento sustentável. Como resolver o gargalo sem ampliar a destruição? Será necessário uma nova compreensão do território para alcançar esse objetivo? Integram a mesa Ana Cristina Barros, pesquisadora do CPI – Climate Policy Initiative, Suely Araújo, especialista-sênior em Políticas Públicas do Observatório do Clima e ex-presidente do IBAMA, e Simão Jatene, ex-governador do Pará. Sérgio Leitão, diretor do Instituto Escolhas, faz a mediação.

“Raízes da Amazônia: Projetando o Futuro” Dia 08/06, terça-feira, às 19h00

Quando o tema é o futuro da Amazônia, fala-se em bioeconomia, mercado de carbono, valorização da floresta em pé, inúmeros projetos que contemplam a biodiversidade da maior floresta do mundo e os ‘serviços ambientais’ não contabilizados que ela presta. Por outro lado, há também uma efervescência cultural – nas artes, na gastronomia, no pensamento e conhecimento milenar das múltiplas culturas da Amazônia que necessitam de reconhecimento. O debate propõe um novo olhar sobre a Amazônia, seu enorme potencial e a contribuição de seus povos. Participam Ricardo Abramovay, professor sênior do Programa de Ciência Ambiental do Instituto de Energia e Ambiente (IEE/USP) e autor de “Amazônia: Por uma Economia do Conhecimento da Natureza”, a Secretária de Ciências e Tecnologia do Amazonas Tatiana Schor e Eliakin Rufino, compositor e produtor musical de Roraima. Mariano Cenamo, diretor do Idesam/AMAZ faz a mediação.

Amazônia e os Futuros Possíveis” – Dia 09/06, quarta-feira, às 19h00

Trata-se de uma conversa sobre o documentário “BR Acima de Tudo”, que retrata a diversidade socioambiental em uma das partes mais preservadas da floresta brasileira, e as perspectivas da chegada de uma rodovia na região. Participam da mesa Fred Rahal Mauro, diretor do filme, e, a confirmar, Angela Kaxuyana, da COIAB – Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, e Carlos Printes, da ARQMO – Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná.

Webinário – “A Crise Climática e a Amazônia”– 07 de junho, segunda-feira, das 10h00 às 12h00.

Entre os convidados estão dois dos mais influentes cientistas brasileiros da atualidade: o professor Paulo Artaxo, do Instituto de Física da USP, que atua principalmente nas questões de mudanças climáticas globais e meio ambiente na Amazônia, e o climatologista e meteorologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), especialista em mudanças climáticas e Amazônia.

Toda a programação pode ser acessada através do endereço: https://ecofalante.org.br

 

 

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