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Como o Consumo Consciente colabora para a Moda Sustentável?

A ONU (Organização das Nações Unidas) e seus membros, entre eles o Brasil, estão trabalhando, desde 2015, para atingir os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável). São 17 metas ambiciosas e interconectadas que abordam os principais desafios para o desenvolvimento sustentável enfrentados pelas pessoas em todo o mundo.

O ODS 12 é o que busca assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. Nele está previsto, até 2030, a implementação do Plano Decenal de Programas sobre Produção e Consumo Sustentáveis; alcançar a gestão sustentável e o uso eficiente dos recursos naturais; reduzir substancialmente a geração de resíduos por meio da prevenção, redução, reciclagem e reuso; incentivar as empresas a adotar práticas sustentáveis e garantir que as pessoas tenham informação relevante e conscientização para o desenvolvimento sustentável e estilos de vida em harmonia com a natureza; entre outros.

Este Objetivo de Desenvolvimento Sustentável está intimamente ligado à indústria têxtil e de vestuário, que é considerada a segunda indústria mais poluente do mundo e que sempre foi apontada também por problemas relacionados à exploração da mão de obra.

Um dos casos que se tornou mais conhecido e alertou o mundo para o impacto da moda foi o desabamento do edifício Rana Plaza, em Bangladesh, em 2013. A tragédia deixou mais de mil mortos e 2,5 mil feridos e se tornou símbolo da exploração inescrupulosa no setor. O prédio abrigava cinco oficinas de confecção que prestavam serviço para marcas mundialmente famosas.

Foto do edifício do Rana Plaza após o desabamento. / Imagem: Benfeitoria

Oito anos após o desabamento, o que mudou? Muito, mas ainda pouco. A tragédia do Rana Plaza motivou a criação do movimento Fashion Revolution, cujo mote inicial é a pergunta ‘quem fez minhas roupas?’, que instiga as pessoas a pensarem sobre quem são as vidas por trás daquilo que usamos todos os dias e demanda mais transparência das marcas sobre suas cadeias produtivas.

Porém, mais do que saber sobre quem fez suas roupas, é preciso questionar onde foram feitas, em que condições, qual é a média salarial, como impacta as comunidades do entorno e qual matéria-prima está sendo usada – só para citar algumas questões.

No Brasil, por exemplo, algumas das maiores marcas de roupa já foram flagradas ao explorar o trabalho escravo contemporâneo em pequenas oficinas terceirizadas, a maioria com funcionários imigrantes. E, se não aprofundarmos cada dia mais o debate, ficaremos na inércia de soluções insuficientes, pouco efetivas e abrangentes. A mudança deve ser sistêmica e envolver não só a sociedade civil, como também o setor público e principalmente a iniciativa privada.

Trabalho análogo à escravidão. / Imagem: Reprodução Terra.

Mais do que cobrar uma moda sustentável (que se preocupa com as formas de produção desta indústria), precisamos praticar também a moda consciente – que é quando o consumidor manifesta em suas compras a preocupação com as questões ambientais e também sociais que envolvem a produção em massa das fast fashions. Dessa forma o ciclo se fecha e conseguiremos atingir o ODS 12.

 

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MATTOS, Litza. Como o Consumo Consciente colabora para a Moda Sustentável?. Autossustentável. Disponível em: https://autossustentavel.com/2021/10/como-o-consumo-consciente-colabora-para-a-moda-sustentavel.html

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