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A Intensificação das Chuvas e das Tragédias Pluviais

Temos assistido a eventos trágicos relacionados às chuvas intensas ao redor do mundo. A Alemanha e a China, por exemplo, foram arrasadas, recentemente, por temporais aterrorizantes que causaram mortes e destruição. No Brasil, as águas também acometem cidades, desabrigando famílias, comprometendo o transporte público e arrastando tudo o que vê pela frente.

Diante disso, argumentos como “a culpa é da natureza” têm se tornado recorrentes. Mas, será que a grande vilã é, de fato, a Mãe Natureza? Será que, ao bel-prazer, ela tem causado a intensificação das chuvas?

Neste artigo, abordaremos duas das principais causas — reais — de enchentes, inundações e alagamentos: o Aquecimento Global e os Sistemas de Drenagem Urbana.

Tubo de concreto de drenagem urbana em canteiro de obras. / Imagem: Freepik

Aquecimento Global

Não é novidade para ninguém (exceto para os negacionistas) que o Planeta está esquentando. Fortes ondas de calor assolam países como Estados Unidos, Canadá e Itália, que registraram em 2021 temperaturas de 54,4 °C, 49,6 °C e 48,8 °C, respectivamente.

Tal elevação nos índices apontados se deve ao desmatamento e à queima de combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, que emitem gases que agravam o efeito estufa. Dessa forma, a dispersão dos raios solares se torna mais difícil, pois o calor fica “preso” na atmosfera, aumentando a temperatura da Terra.

Notícia do “El País”

Assim, os processos de evaporação da água retida no solo e de evapotranspiração das plantas se aceleram. Além disso, de acordo com a Termodinâmica, o ar mais quente retém e suporta mais vapor até saturar, condensar e se converter em chuva.

Em síntese, quanto mais quente estiver a atmosfera, maior será o volume de água necessário para “saciar sua sede”. Nesse caso, tempestades mais duradouras e impetuosas são causadas.

Publicado em agosto deste ano, o sexto relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas (IPCC), maior autoridade do mundo relacionada ao tema, demonstrou um aumento de 1,3 vezes na frequência das precipitações, indicando ainda, que elas são 6,7% mais fortes.

Portanto, estruturas capazes de manejar enormes quantidades de água se fazem cada dia mais necessárias. E é justamente essa a segunda principal causa dos problemas pluviométricos.

Sistemas de Drenagem Urbana

Durante muito tempo, o conceito de Drenagem Urbana se limitou a escoar as águas pluviais da forma mais rápida possível. O intuito era apenas deslocar esse volume de um ponto mais alto (montante) até um ponto mais baixo (jusante), onde seria despejado.

Consequentemente, hoje, ao atingir as regiões de baixada, essas porções escoadas encontram contribuições oriundas de outras áreas. Resultando, obviamente, em enchentes e inundações.

Fortes chuvas e ventos causam transtornos no centro do Rio de Janeiro. / Imagem: Tomaz Silva/Agência Brasil

Além desse sistema projetado exclusivamente para “se livrar” das águas da chuva, devido aos elevados índices de impermeabilização do solo — como calçadas concretadas e ruas asfaltadas —, tais volumes não infiltram na terra. Pelo contrário, correm rapidamente para ralos e bocas de lobo, transbordando os cursos d’água.

De tal modo, estruturas alternativas e mais sustentáveis têm se tornado cruciais. Projetos absolutamente viáveis já são idealizados, tendo como intuito não descartar, mas sim, captar, reter e destinar as águas pluviais de maneira inteligente e logo que atingem o solo, sem percorrer grandes distâncias.

Como exemplo, podemos citar:

Telhados Verdes: cobertura vegetal que promove a infiltração da água da chuva e reduz o escoamento superficial, responsável pelas enxurradas;

Telhados regulam a temperatura ambiente dos edifícios e absorvem água da chuva. Imagem: Divulgação/Prefeitura da Cidade do México / Reprodução: Época Negócios

Pavimentos Permeáveis: absorvem a água e abastecem os lençóis freáticos, eliminando a necessidade de caixas de captação e tubos de condução;

Bacias de Detenção e Retenção: “lagoas” que armazenam as águas pluviais por um tempo específico e liberam o volume lentamente, evitando que o sistema de drenagem convencional seja sobrecarregado;

Jardins de Chuva: espécie de canteiros instalados nas calçadas com cerca de 30 centímetros de profundidade, compostos por camadas de areia, brita e vegetação que retêm as águas da chuva e alimentam o lençol freático.

Jardim de chuva em Copacabana, bairro da Cidade do Rio de Janeiro. / Imagem: Divulgação/Prefeitura

Todos os dispositivos necessitam de estudo prévio e dimensionamento adequado, que varia conforme a composição do solo, característica das bacias hidrográficas e índices pluviométricos locais.

Os sistemas sustentáveis devem ser integrados aos sistemas convencionais, poupando assim, milhões de reais gastos todos os anos com manutenção e transtornos gerados por enchentes. Além, é claro, de poupar vidas expostas à precariedade de um planejamento urbano falho e ultrapassado.

Por fim, sabemos que diminuindo drasticamente as emissões de carbono, o aquecimento global pode ser freado. Entretanto, para que isso ocorra, devemos zerar o desmatamento até 2050, mudar nossos hábitos relacionados a compras e à alimentação e investir pesado em educação ambiental. Não há mais tempo a perder!

Área desmatada no município de Sinop (MT). / Imagem: Florian Plaucheur/AFP / Reprodução: El País

Precisamos estar atentos às campanhas de desinformação que visam apenas os interesses políticos e particulares de uma indústria Capitalista e gananciosa, empenhada em promover o consumo compulsório e lucrar; acima de tudo, acima de todos!

 

Referências e Sugestões de Leitura:

 

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Saiba como colocá-lo nas referências:

DA SILVA, Pâmela. A Intensificação das Chuvas e das Tragédias Pluviais. Autossustentável. Disponível em: https://autossustentavel.com/2021/11/a-intensificacao-das-chuvas-e-das-tragedias-pluviais.html.

 

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