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Quanto sua Cidade Estoca de Carbono?

O paisagismo urbano se manifesta na forma de plantas arbóreas, arbustivas e herbáceas, tanto nas calçadas de ruas e avenidas, e em praças e canteiros, quanto em áreas privadas, parques municipais, outras Unidades de Conservação e áreas verdes residuais.

A somatória de todos esses espaços constitui o que chamamos de Floresta Urbana. Dentre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) acordados na Cúpula das Nações Unidas até 2030, 9 são contemplados pelos benefícios das Florestas Urbanas. A melhoria microclimática advinda das árvores não se restringe apenas a um benefício ecológico, mas também econômico e social (MARTINI, 2015).

Parque das Mangabeiras, Fragmento Florestal Urbano localizado na Zona Sul de Belo Horizonte, com relevância no processo de estoque de carbono. / Foto: Leonardo Paiva/ Autossustentável.

De acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), as árvores em ambiente urbano contribuem para o resfriamento do ar, filtragem de poluentes, regulação do fluxo de água e melhora da qualidade da água, fornecimento de madeira e não-madeireiros, fornecimento de alimento, melhoria da saúde física e mental, redução da necessidade de resfriamento artificial do ar e economia de energia, aumento da biodiversidade urbana, valorização dos imóveis ao redor, estocagem de carbono e mitigação das mudanças climáticas. Ainda é possível extrair mais benefícios que estes citados, conforme se discute o assunto.

De todos esses serviços ecossistêmicos, o mais relevante para este artigo – mas não o único – é a estocagem de carbono e mitigação das mudanças climáticas. O conceito de sequestro de carbono, consagrado pela Conferência de Quioto, em 1997, é a absorção, pelas plantas durante o processo de fotossíntese, de grandes quantidades de gás carbônico (CO2) da atmosfera. As árvores, cujo tronco é 80% composto de carbono, são verdadeiros aspiradores de CO2 da atmosfera: 150 a 200 toneladas do gás por hectare. Uma árvore, sozinha, é capaz de absorver 180 quilos de CO2.

Segundo artigo na Revista Brasileira de Ciência do Solo, atualmente, tem sido constatada a intensificação do aquecimento global, causado pelo aumento das emissões dos gases responsáveis pelo efeito estufa, oriundos principalmente da queima de combustíveis fósseis, do desmatamento e do uso inadequado do solo para agricultura. No contexto urbano, o fator primordial é o desmatamento, uma vez que, é o processo natural para o surgimento de uma cidade.

Mesmo que não se configurem entre as maiores causadoras da destruição de habitats e do desmatamento, as cidades abrigam cada vez mais pessoas e, consequentemente, ocupam mais espaço. Existem grandes megalópoles pelo planeta, como entre São Paulo e Rio de Janeiro, a famosa Bos-Wash (Boston-Washington) e entre as cidades japonesas de Tóquio, Kitakyushu e Osaka, além de muitas metrópoles, cidades médias e pequenas. Todas essas áreas, servidas de bom aporte de vegetação, trazem uma contribuição a mais no processo de retirada de CO2 da atmosfera e, consequentemente, na mitigação das mudanças climáticas.

Árvores presentes no centro de Belo Horizonte – MG. A arborização de ruas e avenidas também contribuem para a mitigação das mudanças climáticas. / Foto: Leonardo Paiva/ Autossustentável

Na perspectiva de que toda e qualquer árvore ou arbusto presente nas cidades sequestra carbono nos seus troncos e, em larga escala, esse processo traz alguma contribuição para mitigar o aumento da concentração relativa de CO2 na atmosfera, temos um montante que não deve ser desprezado. Em Belo Horizonte, por exemplo, cerca de 12% de seu território é formado por áreas verdes compostas por remanescentes florestais. Isso significa 40km² de área para estoque de carbono ou, de acordo com os números mostrados acima, cerca de 700.000 toneladas de CO2! Isso sem considerar as plantas presentes nas ruas, avenidas e jardins particulares.

Outro efeito, mais indireto, diz respeito à sensibilização das pessoas às questões ambientais quando em contato com áreas verdes. A experiência prática dos cidadãos, corroboradas por estudos, sugerem que a presença de parques – ou qualquer espaço amplamente arborizado e tranquilo, inserido no contexto turbulento de uma cidade – como o Ibirapuera em São Paulo, o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, ou o Américo René Gianetti, em Belo Horizonte, têm potencial de diminuir a ocorrência de transtornos mentais comuns. Isso pode afetar os cidadãos para além do contexto urbano: olhar para fora da cidade significa se preocupar com o Cerrado, com a Mata Atlântica e com a Amazônia e com a luta pela preservação destes biomas, sim, traz benefícios importantes quanto à mitigação das mudanças climáticas.

 

Referências e Sugestões de Leitura:

 

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PAIVA, Leonardo. Quanto sua Cidade Estoca de Carbono?. Autossustentável. Disponível em:

 

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