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Objetivos de uma alimentação sustentável e consciente, além do conteúdo do prato

Avançamos bastante na tomada de consciência sobre como fomentar a prática de uma alimentação de fato sustentável e consciente e estávamos indo rumo a um despertar e engajamento, interessante, profundo e cooperativo. É nítido, que houve uma mudança comportamental e no padrão de consumo, nos tipos de escolhas alimentares e nos projetos que surgiram pelo caminho. Ainda há muito o que caminhar, mas é inegável que demos alguns passos em direção à melhoria. Essa era uma realidade positiva que brotava diante de nós!

Em contrapartida, estamos vivendo um momento no país, em que todos os avanços sobre essa tomada de consciência podem ser perdidos, já que não há de fato, um interesse real e genuíno sobre saúde e meio ambiente por parte da gestão atual. Para provar isso, basta pesquisar o licenciamento recorde de agrotóxicos nos últimos cem dias do novo ano e todas as propostas que envolvem as ações sobre o meio ambiente.

Junto desse cenário, precisamos compreender realmente o que é uma alimentação sustentável e consciente para poder acompanhar e exigir medidas sérias para que continuemos rumo a melhorias. É preciso ir além do conteúdo do prato e do tipo de embalagem, ir além do tipo de dieta escolhida. Há muito mais. Há um movimento de entrega no ato do consumo e como está a qualidade do que estamos entregando ao planeta e a todos os outros que conosco compartilham o espaço Terra, país, cidade, bairro?

Olhar além do prato

Há atitudes e práticas para que exista a realidade alimentar e sustentável que tanto buscamos:

  1. Produção segura de alimentos que são de fato nutritivos: Da forma mais natural possível, minimizando a mecanização de processos nocivos ao meio ambiente e à saúde das pessoas. Atualmente a produção de alimentos tornou-se tão acelerada para atender demandas, que aquilo que é oferecido nem sempre mantém sua qualidade original. Outro aspecto, dentro disso, é que é necessário existir engajamento no cuidado ambiental e políticas ambientais sérias dentro de empresas para que tenhamos um sistema alimentar seguro, confiável e principalmente acessível.
  2. Informações sobre alimentos de maneira democrática e clara: Quando não se tem um rótulo confiável, colocamos em risco a saúde de milhares. Promover mais essa clareza e menos os interesses de corporações que visam apenas o lucro e o espaço no mercado.
  3. Fornecimento de soluções criativas, sustentáveis e naturais para o combate da fome, através de políticas públicas e por meio da acessibilidade a alimentos orgânicos. Aqui, vale acrescentar que precisamos inclusive, sair da ideia de alimentos salvadores e milagrosos, deixar de lado a proposta de “rações” e partir para o incentivo da agricultura familiar e de comunidades cooperativas. A tal e linda “comida de verdade”.
  4. Nos grandes centros urbanos é preciso criar espaço para que o consumo seja consciente, não apenas através da abertura de feiras orgânicas e programas de atividades sobre tomada de consciência. É preciso criar uma “rotina de lembretes” diária sobre as seguintes questões: Preciso realmente? O que farei com aquilo que já tenho em minha geladeira? Irei dispensar a embalagem plástica e levar minhas sacolas…. Trata-se de uma reeducação que antes de tudo, começa em nosso pensamento, em nossa casa. Quando nos reeducamos, aquele que nos fornece vai se reeducar sobre o que e como nos oferece seus produtos.
  5. Minimizar etapas intermediárias sobre os alimentos que nos chegam. Quanto menos deslocamentos dos produtos menos poluição, menos desperdício e mais oportunidades para produtores locais e para que a economia local se favoreça.
  6. Entendimento de comer é um ato político, sim. Muitos de nós, podemos escolher aquilo que vamos consumir e sabemos bem o impacto que nosso consumo tem. Impacto este, que afeta nossa saúde e a saúde do planeta. Podemos deixar de financiar empresas nocivas ao meio e que não cooperam com a dignidade e com a inclusão daqueles que trabalham para elas.
  7. Consciência de que existe fome e miséria nos torna mais humanos e engajados. Além de nosso prato, nem sempre existem pratos e se existem, muitos estão vazios. Aqui, não se trata de caridade, mas de entendimento sobre os impactos da concentração de renda em grupos reduzidos e do quanto somos também responsáveis pela situação. Há desperdício, há financiamento inconsciente de marcas e empresas ambiciosas, há apoio a ideias excludentes de gestores e há muitos hábitos cotidianos que criam esse cenário de fome e miséria.

Estamos todos no mesmo planeta. Nossas escolhas e práticas, nossas ideias, aquilo que apoiamos, são pilares para uma sociedade sustentável, saudável ou doente. Cabe sempre a nós decidir.

 

 

 

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