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Por dentro das Sacolas Ecológicas

Eu sempre gostei das sacolas ecológicas (também conhecidas como ecobags) principalmente pela questão ambiental, mas sem desprezar também, a capacidade que elas possuem para acomodar conteúdos e a resistência que apresentam. A mim, pelo menos, nunca foi uma questão de estampa ou estilo. Lembro que a primeira que ganhei foi num congresso de educação e nem era muito bonita. Mas, tenho até hoje.

Quantos de nós caminhamos pelos supermercados com nossas sacolas ecológicas? Felizmente, hoje vemos muitas pessoas aderindo a tal prática e certamente que tal atitude é fruto de uma mudança de consciência diante do cenário ambiental e da quantidade de plásticos em nossos oceanos.

Lixo plástico nos oceanos é uma ameaça à vida nos oceanos e a nossa própria sobrevivência. / Imagem: BBC

Ocorre, que em uma observação mais profunda que fiz numa destas caminhadas diárias entre gôndolas e prateleiras em busca de produtos básicos, notei um aspecto importante: “Muito bem! Temos nossas sacolas ecológicas, mas qual é o conteúdo destas sacolas? Será que eles contribuem com o cuidado ambiental? Será que eles coexistem com nossa “intenção de mudar o mundo”? Será que a mudança de consciência é realmente algo presente ou estamos mais engajados no aspecto de fazer parte de um contexto de moda sem saber muito o que é? Agir de modo mecânico, ainda preservando o sujeito consumista inconsciente que habita em nós?”

 Outra reflexão interessante: Nossas escolhas alimentares diárias se ajustam ao uso de sacolas ecológicas? Combinam?

Obviamente que as sacolas ecológicas são importantes e necessárias, mas, sem um conteúdo interno de valor, elas parecem ter apenas um “preço”. E este, continua sendo alto para o planeta.

O conteúdo propriamente dito

Quando a sacola ecológica abriga várias embalagens plásticas que vão desde saquinhos para legumes até potes plásticos de biscoito, uma parte da proposta de cuidado ambiental já se foi. Muitos produtos são vendidos somente em embalagens plásticas, é certo, mas, será que não podemos, neste quesito, observar quais são as marcas e empresas que vendem a mesma coisa através de embalagens mais ecológicas e via políticas ambientais internas sérias e reais?

Outro ponto: Será que já buscamos nos arredores, o artesanal do mesmo produto? Por vezes, existem marcas mais organizadas e coerentes no contexto ambiental e vale a pena pesquisar, mesmo que saiamos de nossa zona de conforto.

Já me deparei com produtos excelentes em embalagens ecológicas e de marcas que a princípio eu pouco confiava. Podemos nos surpreender e por isso, a palavra de ordem é experimentar e ir fomentando também o artesanal, a economia local.

Imagem: Rio de Boas Notícias

Carnes e demais derivados não combinam

Não é mais segredo para ninguém que uma alimentação a base de carnes e derivados é nociva ao planeta, e sem fantasiar ou impor, os dados são científicos e comprovados. O problema também é político. O ponto assertivo? As queimadas aumentaram este ano e não porque são “naturais” do local, mas porque há um consumo e para manter tal consumo, é preciso desmatar. Consumir financia ações.

Quando se preenche uma sacola ecológica com produtos do desmatamento, a proposta da sacola também deixa de existir. 

Vale para o agro que nunca foi “Pop”: Legumes e verduras vindos de uma produção em massa também descontextualizam em parte, nossa jornada para um lado mais eco da vida.

Imagem: Vegan News

Feiras orgânicas e produtos bem escolhidos

A sacola ecológica cumpre seu papel nas feiras orgânicas e quando encontra produtos de mercado que são escolhidos de maneira consciente. Aqui, vale ignorar aquela tangerina, melão, kiwi, maçã – tudo já separado e embalado – na bandeja de isopor com plástico filme que alguns mercados insistem em vender. Frutas que já trazem consigo, excelentes embalagens: a própria casca!

Optar pelo vidro também é uma boa, no caso de alguns ingredientes. Dá para reaproveitar.

Imagem: Dika da Naka

E de onde vem sua sacola, afinal?

Ao optar por uma sacola ecológica é importante pensar na intenção e perceber o real estado de consciência, a abertura ao simples e ao necessário para que o benefício proposto pelo uso da sacola se concretize. Se sustentável por dentro, de fato é sustentável por fora, para o planeta. Do contrário, acaba sendo só um curativo de causas mais profundas. Um objeto de carregar posses.

Dica: Vale perceber se a sacola que está em uso, não fomenta a própria indústria que extermina o meio diariamente. Para o meio ambiente em colapso, prestar atenção na marca, conta. Afinal, muitos empresários criaram sacolas para continuar vendendo suas tangerinas descascadas.

 

 

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